terça-feira, 30 de setembro de 2008

São Jerônimo, Padre e Doutor da Igreja, 30 de Setembro - Encerramento do Mês da Bíblia





(Strídon, cerca de 347 — Belém, 30 de setembro de 419/420)


"A preparação literária e a ampla erudição permitiram que Jerónimo fizesse a revisão e a tradução de muitos textos bíblicos: um precioso trabalho para a Igreja latina e para a cultura ocidental. Com base nos textos originais em grego e em hebraico e graças ao confronto com versões anteriores, ele realizou a revisão dos quatro Evangelhos em língua latina, depois o Saltério e grande parte do Antigo Testamento. Tendo em conta o original hebraico e grego, dos Setenta, a versão grega clássica do Antigo Testamento que remontava ao tempo pré-cristão, e as precedentes versões latinas, Jerónimo, com a ajuda de outros colaboradores, pôde oferecer uma tradução melhor: ela constitui a chamada 'Vulgata', o texto 'oficial' da Igreja latina, que foi reconhecido como tal pelo Concílio de Trento e que, depois da recente revisão, permanece o texto "oficial" da Igreja de língua latina.


É interessante ressaltar os critérios aos quais o grande biblista se ateve na sua obra de tradutor. Revela-o ele mesmo quando afirma respeitar até a ordem das palavras das Sagradas Escrituras, porque nelas, diz, 'até a ordem das palavras é um mistério' (Ep. 57, 5), isto é, uma revelação. Reafirma ainda a necessidade de recorrer aos textos originários: 'Quando surge um debate entre os Latinos sobre o Novo Testamento, para as relações discordantes dos manuscritos, recorremos ao original, isto é, ao texto grego, no qual foi escrito o Novo Pacto. Do mesmo modo para o Antigo Testamento, se existem divergências entre os textos gregos e latinos, apelamos ao texto original, o hebraico; assim tudo o que brota da nascente, podemo-lo encontrar nos ribeiros' (Ep. 106, 2)."


(Audiência geral, Roma, em 7 de novembro de 2007).

Fonte:

domingo, 28 de setembro de 2008

São Miguel, São Gabriel e São Rafael Arcanjos, 29 de Setembro




Hoje a Igreja Católica celebra a festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel, São Rafael. 
"Miguel" significa: "Quem como Deus?" é o defensor do Povo de Deus no tempo de angústia. É o padroeiro da Igreja Católica e aquele que acompanha as almas dos mortos até o céu. 
"Gabriel" - que significa "Deus é forte" ou "aquele que está na presença de Deus" - aparece no assim chamado "Evangelho da infância" como mensageiro da Boa Nova, do Reino de Deus que já está presente na pessoa de Jesus de Nazaré, nascido de Maria. É ele quem anuncia o nascimento de João Batista e de Jesus. Anuncia, portanto, o surgimento de uma nova fase, um tempo de esperança e de salvação para todos os homens. 
"Rafael"- que quer dizer "medicina de Deus" ou "Deus cura" - foi o companheiro de viagem de Tobias. É aquele que cura, que expulsa os demônios. São Rafael é o companheiro de viagem do homem, seu guia e seu protetor nas adversidades.

(Cf. ALVES, José Benedito. Os Santos de cada dia, São Paulo, Paulinas, 1998)

Fontes:
http://www.puc-rio.br/campus/servicos/pastoral/santo_setembro.html

Beata Amália Abad Casasempere, Mãe de família e mártir, 28 de Setembro


Amália Abad Casasempere nasceu em 11 de dezembro de 1897 em Alcoy, Alicante, na Espanha. Foi batizada no mesmo dia na paróquia do seu povoado. Amália foi educada nos valores da fé e cresceu como muitas jovens da sua geração, em meio às dificuldades políticas daquelas primeiras décadas do Século XX, na Espanha. 
Em 6 de setembro de 1924, casou-se com o capitão do exército Luis Maestre Vidal, preocupando-se doravante em ser uma boa esposa e criar o ambiente adequado para criar os filhos que Deus lhes concederia. Nada levava a crer que, após a alegria do nascimento dos seus três filhos e de somente três anos de matrimônio, Amália ficaria viúva. 
Ela teria que ser forte, e nos seus momentos de fraqueza confiou seus filhos à Virgem Maria. Sabia que a fé era o maior tesouro que poderia lhes dar, e educou-os num ambiente de piedade e generosidade. Apesar da responsabilidade que implicava educar seus três filhos, Amália encontrava tempo para participar ativamente em várias atividades da Igreja, de maneira especial na Ação Católica. Sem se descuidar do seu lar, participava com entusiasmo da catequese e das obras de caridade. 
Ao iniciar-se a perseguição religiosa na Espanha, com a conseqüente destruição de igrejas e conventos, e o assassinato de inúmeros católicos; Amália escondeu em sua casa duas religiosas, sabendo que esta atitude poderia custar-lhe a vida. Seu despojamento e caridade a impulsionaram a visitar dois fiéis encarcerados para dar-lhes ânimo e socorrê-los materialmente. Os perseguidores, conhecendo sua militância católica e a ajuda que prestava aos detentos, prenderam-na e submeteram-na a todo tipo de maus-tratos e fome.
Finalmente, em 28 de setembro de 1936, a jovem mãe deu testemunho do seu amor a Jesus Cristo com seu próprio sangue, sendo assassinada em Benillup pelos milicianos. Sua confiança na Providência de Deus não arrefeceu; seus filhos foram ajudados, inclusive uma filha sua partiu rumo à África, anos mais tarde, como missionária.
O Papa João Paulo II elevou-a à honra dos altares no dia 11 de março de 2001, juntamente com outros 232 mártires da perseguição religiosa ocorrida na Espanha. 

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
http://www.prelaturaayaviri.org/index.php?option=com_content&task=view&id=652
http://groups.msn.com/_Secure/0VADZAgAaTGPTCRxkio8wjc!
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sábado, 27 de setembro de 2008

São Vicente de Paulo, Presbítero, 27 de Setembro



(1581-1660) O Santo, cujo nome se tornou sinônimo de caridade, é uma das mais puras glórias da França e de toda humanidade. Ele nasceu em Pouy, perto de Dax, em 24 de Abril de 1581. Seus pais possuíam uma pequena fazenda e viviam do trabalho de suas mãos. Durante a infância, Vicente guardava rebanhos. Um dia, quando ele recebeu trinta moedas, soma que lhe era considerável, ele deu o dinheiro ao pobre que lhe pareceu mais necessitado. Quando os pais o enviavam ao moinho, se ele encontrasse pobres pela estrada, ele abria discretamente o saco de farinha e lhes dava um pouco do cereal. 

Seu pai, testemunha da sua caridade, adivinhando a sua rara inteligência, resolveu impor-se os mais duros sacrifícios para fazer com que Vicente estudasse e chegasse ao sacerdócio: "Ele será um bom padre, dizia,porque tem um coração terno." Aos vinte anos, Vicente estudava teologia em Toulouse e logo recebeu o grau de Doutor.
Um ano após sua ordenação sacerdotal, ele foi a Marselha para receber uma herança que um amigo lhe deixara. Ao retornar, viajando por mar para ir a Narbonne, ele foi feito prisioneiro por piratas e levado cativo para a África. Sua prisão, inicialmente muito difícil e acompanhada de fortes provações para a sua fé, terminou pela conversão de seu algoz, que lhe devolveu a liberdade. Foi então que Vicente encontrou realmente o seu caminho.
As circunstâncias fazem com que Vicente seja nomeado Capelão-Geral das prisões (navios-prisões), dedicando-se à salvação desses criminosos infelizes com uma caridade coroada de grande sucesso. A Providência parecia conduzi-lo onde havia feridas da humanidade a serem curadas.
Numa época em que a fome e a miséria causavam as maiores devastações, Vicente realizava inúmeros prodígios graças à sua devoção; graças a ele, cidades e províncias inteiras são salvas. Sendo apenas um, ele fundou, em diversos lugares, as Confrarias das Damas da Caridade e, em seguida, a Ordem das Filhas da Caridade, conhecidas como Irmãs de São Vicente de Paulo. Miséria alguma o deixa insensível; ele encontra uma forma de reunir multidões em todos os lugares e proteger as crianças expostas ao abandono e à morte, merecendo o nome de "Pai das crianças encontradas".
Ele formou legiões de anjos de caridade; mas ele também necessitava de legiões de apóstolos. Por isso fundou os "Padres da Missão", destinados a evangelizar a França e até mesmo os povos não-cristãos.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
L. Abbot Jaud, Vidas de Santos para todos os dias do ano, Tours, Mame, 1950.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

São Cosme e São Damião, Médicos, Mártires, 26 de Setembro



A decapitação de São Cosme e Damião, por Fra Angelico

São Cosme e São Damião sofreram martírio em Ciro (na Síria), provavelmente durante a perseguição de Diocleciano, nos inícios do século IV. A data de 27 de Setembro corresponde provavelmente à dedicação da basílica que o papa Félix IV mandou construir em honra deles no Foro Romano; e é ainda meta mais de turistas que de devotos, pelo esplêndido mosaico que lhe decora a absídia. A data oficial da sua festa, portanto, é o dia 26 de Setembro, segundo o Calendário Oficial Romano. Sabemos que os dois irmãos curavam "todas as enfermidades, não só das pessoas, mas também dos animais", fazendo tudo gratuitamente. Em grego são chamados de "anargiros", isto é, "sem dinheiro".

Os dois irmãos foram colocados no paredão para que quatro soldados os atravessassem com setas, mas "os dardos voltavam para trás e feriam a muitos, porém os santos nada sofriam". Foram obrigados a recorrer à espada para a decapitação, honra reservada só aos cidadãos romanos e somente assim os dois mártires, juntamente com outros três irmãos, puderam prestar seu testemunho a Cristo.
Seus restos mortais, segundo consta, encontram-se em Ciro, na Síria, repousando numa basílica a eles consagrada. Da Síria o seu culto alcançou Roma e, dali, se espalhou por toda a Igreja do Ocidente.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/www/popup-saints.php?language=PT&id=10981&fd=0
http://www.dominicanfriars.org/2007/10/30/more-on-the-dominican-martyrs-of-the-spanish-civil 
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=45796&language=PT&img=&sz=full

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

São Firmino, Bispo de Amiens e Mártir, 25 de Setembro



Estátua de São Firmino, Catedral de Amiens, França

(Século II)  O pai e a mãe de São Firmino, que eram os mais ricos e consideráveis da cidade de Pamplona, Espanha, no fim do Século I, converteram-se à fé cristã por Santo Honesto, padre de Toulouse e discípulo de São Saturnino. 
Convencidos de que o bom desenvolvimento depende da educação recebida na infância, eles confiaram o filho a este santo eclesiástico, que o instruiu e fez com que ele o acompanhasse em suas missões apostólicas.
Sacerdote aos vinte e quatro anos, Firmino conheceu tanto sucesso através de suas pregações que Santo Honório, sucessor de São Saturnino em Toulouse, ordenou-o bispo para evangelizar os pagãos. O bispo missionário percorreu a Gália, evangelizou as regiões de Agen, Clermont, Angers, Beauvais, sofrendo diversas vezes a perseguição, levando surras de vara, preso a correntes, atirado aos calabouços. Amiens foi a última e mais gloriosa etapa do seu apostolado, onde Firmino fixou sua Sé. Desde os primeiros dias, o senador Faustiniano foi convertido juntamente com toda a sua família. 
Firmino unia ao charme de sua eloqüência o testemunho invencível de uma multidão de milagres. Um dia era um homem com problemas de visão que ficava curado; no dia seguinte, dois leprosos; depois, eram cegos, coxos, surdos, mudos, paralíticos, pessoas possuídas pelo demônio. Pouco tempo depois de sua chegada, os templos de Júpiter e de Mercúrio tornaram-se completamente desertos. Firmino acabou sendo decapitado.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano, Tours, Mame, 1950.

domingo, 21 de setembro de 2008

Nossa Senhora das Mercês, 24 de Setembro



Na expressão Nossa Senhora das Mercês, a palavra Mercês traduz a palavra espanhola merced, que significa graça, ou a palavra latina merces, que significa resgate. Na origem da Ordem dos Mercedários, que se ocuparam de resgatar os cristãos capturados pelos muçulmanos, Nossa Senhora apareceu a São Pedro Nolasco, a São Raimundo de Penyafort e ao rei Tiago I de Aragão.
No meio da noite de 1º de agosto de 1218, enquanto a Igreja celebrava a festa de Saint-Pierre-aux-Liens, a Virgem Maria, acompanhada de anjos e santos, apareceu a São Pedro Nolasco e lhe disse: "Meu filho, eu sou a Mãe do Filho de Deus que, para a salvação e a libertação do gênero humano, derramou todo o Seu Sangue sofrendo a morte cruel da Cruz; venho aqui procurar homens que queiram, a exemplo de meu Filho, dar a vida pela salvação e a libertação de seus irmãos cativos. É um sacrifício que Lhe será agradável. Eu desejo que seja fundada, em minha honra, uma Ordem cujos religiosos, com uma fé viva e uma caridade verdadeira, resgatem os escravos cristãos do poderio e da tirania dos Turcos, dando-se mesmo em penhor, se necessário, por aqueles que eles não poderão resgatar de outra forma. Esta é, meu filho, a minha vontade; pois, quando em tuas orações tu me suplicavas entre lágrimas para que eu levasse um remédio aos sofrimentos deles, eu apresentava os teus votos ao meu Filho que, para a tua consolação e para o estabelecimento desta Ordem sob o meu nome, enviou-me do Céu até aqui." São Pedro Nolasco respondeu: "Eu creio com uma fé viva que Vós sois a Mãe do Deus vivo e que Vós viestes a este mundo para o consolo dos pobres cristãos que sofrem numa servidão bárbara. Mas quem sou eu para cumprir uma obra tão difícil em meio aos inimigos o Vosso divino Filho e para tirar Vossos filhos de suas mãos cruéis?" E Nossa Senhora lhe respondeu: "Nada temas, Pedro, eu te assistirei em toda esta tarefa e, para que tu tenhas fé na minha palavra, tu logo verás a concretização do que eu te anunciei, e meus filhos e filhas desta Ordem se alegrarão de portar hábitos brancos como os que eu porto, como tu vês." Dizendo isto, a Virgem desapareceu.
Pedro Nolasco passou o restante daquela noite em oração. Depois, juntou-se a Raimundo de Penyafort, que lhe disse: "Esta noite eu tive a mesma visão que você: eu também fui favorecido com a visita da Rainha dos anjos, e escutei de sua boca a ordem que ela me deu para trabalhar, com todas as minhas forças, no estabelecimento da religião católica, e para enconrajar nos meus sermões os fiéis católicos a vir em socorro de uma obra de perfeita caridade. É para agradecer a Deus e à Santíssima Virgem que eu vim tão cedo à catedral." O rei Tiago I de Aragão entrou, naquele momento, na catedral, e lhes disse: "A gloriosa Rainha dos anjos apareceu para mim esta noite, de uma beleza e majestade incomparáveis, ordenando-me a instituição, para a redenção dos cativos, de uma Ordem que traria o nome de Santa Maria das Mercês ou da Misericórdia; e, como eu conheço em ti, Pedro Nolasco, um grande desejo de resgatar os escravos, és tu quem eu encarrego da execução desta obra. Quanto a ti, Raimundo, de quem eu conheço a virtude e a ciência, tu serás o apoio da Ordem por tuas pregações.

Tradução:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
http://missel.free.fr/Sanctoral/09/24.php
http://1.bp.blogspot.com/_8DQNaJJppyM/R-6p2Xa7T8I/AAAAAAAABvE/18UNSeyAGTA/s1600-h/N+Sra+das+Merc%C3%AAs.JPG

São Padre Pio de Pietrelcina, 23 de Setembro




Nasceu no dia 25 de Maio de 1887 em Pietrelcina, na arquidiocese de Benevento, Itália, filho de Grazio Forgione e de Maria Giuseppa de Nunzio. Foi batizado no dia seguinte, recebendo o nome de Francisco. Recebeu o Sacramento do Crisma e a Primeira Comunhão quando tinha 12 anos.
Aos 16 anos, no dia 6 de Janeiro de 1903, entrou no noviciado da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, em Morcone, tendo aí vestido o hábito franciscano no dia 22 do mesmo mês, assumindo o nome Pio (Frei Pio). Depois da Ordenação Sacerdotal, realizada no dia 10 de Agosto de 1910 em Benevento, precisou ficar com sua família até 1916, por motivos de saúde. Em Setembro desse mesmo ano, foi mandado para o convento de São Giovanni Rotondo, onde permaneceu até à morte.
Em 20 de Setembro de 1918, no coro do convento, Padre Pio recebeu os estigmas visíveis e permanentes. Sua vida começa a tocar o insólito. As dores dessas chagas que sangram, os exames médicos, as multidões e, enfim, as medidas tomadas pelo Santo Ofício o atingem como se ele estivesse sendo chicoteado. Diante de todas essas provações, Padre Pio permanece humilde e obediente.
Desde a juventude a sua saúde nunca foi muito boa e, sobretudo nos últimos anos da sua vida, declinou rapidamente. A Irmã Morte levou-o, preparado e sereno, no dia 23 de Setembro de 1968; tinha ele 81 anos de idade. O seu funeral caracterizou-se por uma afluência absolutamente extraordinária de gente.

Fontes:
http://2.bp.blogspot.com/_xNRQIT6EHeM/RegEZ5JYhTI/AAAAAAAAANE/DWhfDGTX-U4/s1600-h/Padre_Pio_Pietrelcina_1.jpg

São Tomás de Villanova, Arcebispo de Valência, Espanha, 22 de Setembro



São Tomás de Villanova menino reparte suas roupas, Murillo, 1670
Murillo representa o santo quando menino, repartindo suas roupas finas entre os quatro pequenos mendigos que o rodeiam, assinalando a virtude da caridade que distinguia o santo desde a infância. O santo veste uma camisa e calças que já estão desabotoadas, enquanto dois dos mendigos provam, felizes, seu gibão e sua capa.

(1488-1555) Nascido numa família piedosa da burguesia espanhola, Tomás foi criado em Villanueva, Espanha, donde vem seu nome de Villanova. Seus pais, muito virtuosos e caridosos, o iniciaram muito cedo na prática da piedade e da generosidade para com os pobres, os doentes e os desafortunados.
Na escola, Tomás oferecia seu almoço às crianças pobres e, às vezes, ele lhes dava suas próprias roupas para protegê-las do frio. Mais de uma vez ele foi visto retornando à casa sem colete, sem chapéu e sem sapatos. Tendo recebido uma roupa nova aos sete anos de idade, ele a deu a uma criança que estava semi-nua. Freqüentemente ele pedia permissão à sua mãe para não jantar para que a sua parte fosse servida a um indigente. Ele empregava o dinheiro que recebia de seus pais na compra de ovos e os levava aos doentes hospitalizados.
Após terminar brilhantemente seus estudos na Universidade de Alcala, Tomás foi nomeado Professor em Filosofia Moral no Colégio Santo Ildefonso, e depois Professor de Teologia na Universidade de Salamanca. Seu pai morreu pouco tempo depois, e Tomás decidiu empregar toda a sua fortuna no cuidado com os pobres, transformando sua casa em hospital, reservando apenas o necessário para os cuidados com sua mãe. Aos trinta anos, no dia da Apresentação de Nossa Senhora, ele entrou para os Eremitas de Santo Agostinho de Salamanca. Quase na mesma época de sua admissão nesta Ordem, Lutero a deixava e consumava sua apostasia.
Ardente pregador, o zelo de Tomás "virava de cabeça para baixo" a cidade de Salamanca. O santo empregava toda a sua eloqüência em seus sermões ao pé da Cruz: "Na oração", dizia ele, "formam-se as flechas que devem transpassar os corações dos ouvintes." As maiores cidades da Espanha se disputavam para ouvi-lo. A corte de Carlos Quinto o escutava com admiração e o rei o nomeou seu pregador ordinário e conselheiro. Ele nutria uma tão grande estima pelo religioso que não conseguia lhe recusar coisa alguma. O imperador havia recusado sua graça ao arcebispo de Toledo, bem como a outros personagens eminentes, até mesmo ao seu próprio filho, mas acabou concedendo-lhes este favor a pedido de São Tomásde Villanova. 
O santo religioso tornou-se, sucessivamente, prior das casas de Salamanca, de Burgos, de Valladolid, provincial de Andaluzia e de Castilha. Foi ele quem enviou os primeiros Agostinianos para o México. Ele recomendava sobretudo quatro coisas aos seus religiosos: em primeiro lugar, a celebração devota e atenta dos ofícios divinos. Em segundo lugar, a leitura espiritual e a meditação feitas com assiduidade. Em terceiro lugar, a união da caridade fraterna. E, por fim, a fuga à preguiça, que é um grande obstáculo à virtude. Nomeado arcebispo de Granada, ele recusou categoricamente esta honraria.
Dez anos mais tarde, em 1544, Carlos Quinto o designou para o bispado de Valência, ao qual ele foi obrigado a aceitar em nome da obediência e sob pena de excomunhão. São Tomás, aos prantos, deixou sua cela e pôs-se a caminho a pé, vestido com um hábito monástico bastante desgastado, e assim entrou na sua cidade episcopal. No momento da sua chegada, a chuva caía torrencialmente após um longo período de seca,bendita pancada de chuva que era como um presságio das graças que ele trazia às suas ovelhas. 
Vendo-o assim tão pobre, seus superiores lhe presentearam com quatro mil ducados para o seu mobiliário. São Tomás de Villanova os distribuiu em esmolas. Ele começou a reforma da sua diocese pelo exemplo de sua vida de penitência e oração. Durante toda a sua existência, ele observou os jejuns da sua Ordem e os da Igreja, a pão e água. Ele dormia sobre ramos disfarçados sob uma cobertura de lã. A maior parte de seus rendimentos ele aplicava em boas obras. Apelidaram-no de "Capelão", por causa das incalculáveis obras de caridade que ele não cessava de fazer.
Três dias antes de sua morte, este santo pastor fez com que distribuíssem aos pobres tudo o que lhe restava de dinheiro e doou seus móveis ao Colégio de Valência. Como ele ainda era proprietário do leito onde jazia doente, ele o destinou ao carcereiro da cidade, rogando-lhe apenas de emprestá-lo até o momento de sua morte.
São Tomás de Villanova começou a recitação do Salmo: "In Te, Domine, spéravi." Proferido até o versículo: "In manus Tuas, Domine, commendo spiritum meum", o santo arcebispo expirou docemente. Ele rendeu sua alma a Deus no décimo primeiro ano do seu episcopado, com a idade de sessenta e sete anos. Suas relíquias encontram-se em Valência. (Resumo)

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fonte:
http://www.artehistoria.jcyl.es/artesp/obras/10707.htm

sábado, 20 de setembro de 2008

São Mateus Evangelista, 21 de Setembro


 "A inspiração de São Mateus", Caravaggio, 1602



Marcos e Lucas narram a vocação de Levi (Mc 2,13-17; Lc 5,27-32), o publicano, mas sem identificá-lo com Mateus o apóstolo, pertencente ao grupo fundamental dos “doze” (Mt 10,3; Mc 3,18; Lc 6,15). O próprio Mateus é o único a fazer esta identificação desonrosa.
A narração de Mateus – como aliás as de Marcos e Lucas – sublinha fortemente este aspecto pejorativo do passado do apóstolo: os publicanos, cobradores de impostos, eram considerados pelos judeus como a ralé moral da sociedade em perfeita igualdade com as meretrizes, pecadores públicos e os desprezados gentios. “Ao partir dali, escreve o evangelista, viu Jesus um homem sentado na recebedoria, chamado Mateus. E lhe disse: ‘Segue-me’. Levantando-se ele se pôs a segui-lo. Estando Jesus à mesa na casa, eis que chegaram muitos cobradores de impostos e pecadores e sentaram-se à mesa com ele e seus discípulos...” (Mt 8,9-11).
Nada mais nos diz o evangelho sobre Mateus, seu nome desaparece no anonimato coletivo da fórmula “os doze”. Uma tradição antiga, mas sem muitas garantias, fala de que, ao produzir-se a dispersão dos apóstolos pela Judéia, Mateus pregou o evangelho na Etiópia, onde morreu mártir.
Mas não foi por sua ação apostólica que Mateus identificou indissoluvelmente seu nome com a vida da Igreja, mas como autor do primeiro evangelho. “Desde a ressurreição, escreve Maertens, haviam sido coligados alguns episódios da vida do Senhor e se haviam reunido artificialmente narrações em torno de palavras-chave, de tal sorte que pudessem servir de réplica às leituras que os primeiros cristãos ouviam ainda nas sinagogas. Tomando como base essas primeiras redações, Mateus elaborou uma síntese, espécie de sumário para os pregadores. Redigiu-a em aramaico, reunindo principalmente em função da apologética que precisava então sustentar, as provas de caráter messiânico de Cristo e os argumentos que sustentavam as novas posições adotadas pelos cristãos no culto e na observância da lei.”
Escrevendo para judeus-cristãos, insiste no messianismo de Cristo, e sua realização perfeita das profecias da escritura. Mas parece que Mateus além da messianidade de Cristo quer provar também sua divindade.
O evangelho de Mateus é o evangelho da Igreja, o reino messiânico instituído por Cristo. A descrição deste reino é o tema das parábolas, um dos aspectos inolvidáveis da pregação de Jesus.
O Sermão da Montanha, próprio do evangelho de Mateus, por sua simplicidade e elevação, pela beleza de suas concepções sobre a felicidade, a confiança em Deus, a caridade, pela força das antíteses, constitui uma das sínteses dentro do evangelho que nos permitem uma maior aproximação ao caráter e à pessoa de Cristo.

(Cf PALACÍN S.J., Carlos; PISANESCHI, Nilo. Santo nosso de cada dia, rogai por nós!, São Paulo: Loyola, 1991)

Fontes: