sexta-feira, 24 de outubro de 2008

São Luís Orione, 26 de Outubro



Luis Orione nasceu em Pontecurone (AL) em 1872 de pais humildes, e bem cedo percebeu o chamado do Senhor ao sacerdócio. Ao entrar no Oratório, em Turim, recebeu no coração as palavras de São Francisco de Sales, lançadas pelo amado São João Bosco: "Um terno amor ao próximo, é um dos maiores e excelentes dons que a Divina Providência pode conceder aos homens".
Concluiu o Ginásio, deixou o Oratório Salesiano, voltou para casa e depois entrou no seminário, onde cursou filosofia, teologia, até chegar ao sacerdócio que teve como lema: "Renovar tudo em Cristo".
Luis Orione, sensível aos sofrimentos da humanidade, deixou-se guiar pela Divina Providência a fim de aliviar as misérias humanas. Clérigo aos vinte anos, começou a interessar-se pelos meninos pobres, acolhendo-os em uma casinha no bairro São Bernardino, em Tortona (1893).
Foi este o início de um longo caminho que levou Dom Orione pelas estradas do mundo a difundir ajuda espiritual e material provenientes da riqueza da Divina Providência e do seu coração sem confins. Cedo surgiram, junto aos Sacerdotes, os Eremitas cegos e não cegos (videntes) e os Irmãos coadjutores, a seguir as Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade, Sacramentinas adoradoras cegas, as Contemplativas de Jesus Crucificado. Envolveu numerosos Leigos no seu apostolado da caridade. Juntos formam o que desde o início Dom Orione chamou de “Filhos da Divina Providência”.
Dedicou-se totalmente aos doentes, necessitados e marginalizados da sociedade. Formou assim o “Batalhão da Caridade”, tendo por Carisma cuidar dos órfãos, enfermos, pobres e crianças abandonadas.
Em 1908, Luis Orione socorreu, através dos seus filhos espirituais e irmãos e irmãs, numerosas vítimas dos terremotos de Régio Calábria e Messina (1908) e da Mársica (1915), que abalaram a Itália. Atualmente, ele vem em auxílio das inúmeras vítimas dos "terremotos" sociais que, ainda hoje, afligem o nosso Brasil e o mundo. 
Tendo nascido e vivido na pobreza, em contato com tantas injustiças sociais e com um mundo que ia descristianizando-se cada vez mais, levantou a bandeira da caridade de Cristo: “A caridade e só a caridade salvará o mundo”. Sempre pronto à chamada do Senhor, lançou-se com entusiasmo e coragem pondo toda a sua confiança na Divina Providência.
Não poupou energias dedicando-se às vítimas Levou a sua obra caritativa e o seu zelo pela Igreja de uma ponta a outra da Itália e do mundo, em toda parte, construindo escolas, igrejas e, sobretudo, casas para os pobres e os necessitados, a todos anunciando o Evangelho de Cristo.
A sua obra se propagou na Europa, nas duas Américas – onde ele fez duas viagens missionárias – e depois na África e recentemente nos Países do Leste europeu, nas Filipinas, na Jordânia, no México e outros lugares.
Dom Orione viveu o sermão que o Divino Mestre fez sobre a montanha, pois em toda a vida sentiu a força da Providência Divina. Animado pelos seus quatro amores – “Jesus, Almas, Papa, Maria” – fez da sua vida um holocausto, um martírio, um canto, fielmente, até o dia de sua morte, 12 de março de 1940, aos 68 anos de idade. No dia 26 de outubro de 1980, o Papa João Paulo II o proclamou “Beato”
Depois de sua morte ficaram os exemplos e a veneração do “apóstolo da caridade, pai dos pobres e benfeitor da humanidade sofredora e abandonada” (Pio XII), “uma das personalidades mais eminentes deste século pela sua fé cristã abertamente professada e pela sua caridade heroicamente vivida” (João Paulo II). A sua devoção está viva nos seus discípulos e em todos os que a ele recorrem como intercessor de graças espirituais e materiais.
O Papa João Paulo II o declarou “SANTO” no dia 16 de maio de 2004.

Fontes:
http://www.cancaonova.com/portal/canais/liturgia/santo/index.php?&dia=26&mes=10&ano=2008

Santo Antônio de Sant'Ana Galvão (Frei Galvão), Religioso Brasileiro, Fundador (+1822), 25 de Outubro


Antônio de Sant'Ana Galvão, nasceu no dia 10 de Maio de 1739, na cidade de Guaratinguetá, São Paulo. Filho de Antônio Galvão, português natural da cidade de Faro em Portugal e de Isabel Leite de Barros, natural da cidade de Pindamonhagaba, em São Paulo.
Em 1760 ingressou no noviciado da Província Franciscana da Imaculada Conceição, no Convento de São Boaventura do Macacu, na Capitania do Rio de Janeiro. Foi Ordenado sacerdote no dia 11 de julho de 1762, sendo transferido para o Convento de São Francisco em São Paulo.
Em 1774, fundou o Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição da Divina Providência, hoje Mosteiro da Imaculada Conceição da Luz, das Irmãs Concepcionistas da Imaculada Conceição. Cheio do espírito da caridade, não media sacrifícios para aliviar os sofrimentos alheios. Por isso o povo a ele recorria em suas necessidades.
 Às 10 horas do dia 23 de dezembro de 1822, no Mosteiro da Luz de São Paulo, havendo recebido todos os Sacramentos, adormeceu santamente no Senhor, contando com seus quase 84 anos de idade. Foi sepultado na Capela-Mor da Igreja do Mosteiro da Luz, e sua sepultura, ainda hoje continua sendo visitada pelos fiéis. Sobre a lápide sepulcrar de Frei Galvão está escrito para eterna memória: "Aqui jaz Frei Antônio de Sant'Ana Galvão, ínclito fundador e reitor desta casa religiosa, que tendo sua alma sempre em suas mãos, placidamente faleceu no Senhor no dia 23 de dezembro do ano de 1822".
Sob o olhar de sua Rainha, a Virgem Imaculada, sob a luz que ilumina o tabernáculo, repousa o corpo do escravo de Maria e do Sacerdote de Cristo, a continuar, ainda depois da morte, a residir na casa de sua Senhora, ao lado de seu Senhor Sacramentado.
O dia 25 de outubro, dia oficial do santo, foi estabelecido, na liturgia, pelo saudoso Papa João Paulo II, na ocasião da beatificação de Frei Galvão. Com a canonização, em maio deste ano, o Papa Bento XVI manteve a data.

São Frei Galvão, rogai por nós.

Fontes:
http://www.cancaonova.com/portal/canais/liturgia/santo/index.php?&dia=25&mes=10&ano=2008

Santo Antônio Maria Claret, 24 de Outubro


“O Santo de todos”
Uma das maiores figuras católicas do século XIX; a história da Espanha, nessa época, não pode ser compreendida sem o estudo da vida do grande missionário. Santo Antônio Maria Claret foi um dos grandes esteios da Santa Igreja no seu tempo.
Pio XII, quando o canonizou em 1950, chamou-o de “Santo de todos”. Isso porque, diz o Pontífice, “nele olham os artesões, os sacerdotes, os bispos e todo o povo cristão, já que se encontram nele exemplos preclaros com que se alentar e encorajar-se, cada qual segundo seu estado, nessa perfeição cristã da qual unicamente podem sair, nas perturbações presentes, os oportunos remédios e atrair tempos melhores”.(1)
Esse santo, de uma atividade espantosa, foi “apóstolo da palavra, pregando inumeráveis sermões; apóstolo da pena, publicando muitíssimos volumes; apóstolo da Imprensa, criando academias, livrarias e bibliotecas; apóstolo da ação social católica e dos exercícios espirituais.
Catequista, missionário, diretor espiritual, fundador de congregações, arcebispo, pedagogo, anjo tutelar da família real espanhola. Foi catequista, missionário, formador do clero, diretor de almas, fundador de congregações, pedagogo e ‘anjo tutelar da família real’, em frase de Pio XI; mas, sobretudo, eminentemente santo”.(2)
Pregador popular, fundou a Congregação Missionária dos Filhos do Coração Imaculado de Maria. Foi Arcebispo de Santiago de Cuba, confessor e conselheiro da rainha Isabel II, da Espanha. No Concílio Vaticano I, destacou-se como intrépido defensor da infalibilidade pontifícia.
Como não é possível abarcar aqui toda a obra desse incansável batalhador, limitar-nos-emos a algumas rápidas pinceladas.
Antônio João Adjutor nasceu no dia 23 de dezembro de 1807 em Sallent, diocese de Vich, província de Barcelona, na Espanha, quinto dos 11 filhos de João Claret e Josefa Clará. Proprietários de uma pequena tecelagem, eram eles “honrados e tementes a Deus, muito devotos do Santíssimo Sacramento do Altar e de Maria Santíssima”, como diz o santo em sua autobiografia.(3)
No Crisma, “por devoção a Maria Santíssima, acrescentei o dulcíssimo nome de Maria, porque Maria Santíssima é minha Mãe, minha Madrinha, minha Mestra, minha Diretora e meu tudo depois de Jesus”.

Piedade e verdadeira vocação sacerdotal
“Eis que se me apresenta Maria Santíssima, [...] e me disse: ‘Antônio, esta coroa será tua se vences’”.
De uma piedade precoce, desde a idade de cinco anos já se preocupava com a eternidade e o destino do homem. Adulto, pondera: “Não sei compreender como os outros sacerdotes que crêem nestas mesmas verdades que eu — e todos devemos crer — não pregam nem exortam para preservar as pessoas de caírem nos infernos”.
Sua devoção à Santíssima Virgem surgiu quase que com o uso da razão: “Nunca me cansava de estar na igreja diante de Maria do Rosário, e falava-lhe e rezava com tal confiança, que cria bem que a Santíssima Virgem me ouvia”.
Compreende-se que, assim, a vocação sacerdotal despertasse nele muito cedo: “Sendo ainda muito pequeno, quando estava ainda no Silabário, fui perguntado por um grande senhor, que veio visitar a escola, o que queria ser. Eu lhe respondi que queria ser sacerdote”.

Acentuado espírito missionário
 Adolescente, começou a trabalhar na tecelagem do pai; como fez muitos progressos nessa arte, foi especializar-se em Barcelona, grande centro da indústria têxtil. Com muita aplicação no trabalho e um talento fora do comum, dominou tão bem a arte têxtil, que iria longe se se dedicasse exclusivamente a ela.
Mas o apelo de Deus se fez mais premente, e ele resolveu romper de uma vez com o mundo e retirar-se para uma cartuxa. Mas acabou optando por ser sacerdote secular.
Em 1829 Antônio ingressou no Seminário de Vich. Nesse tempo, como pegou uma forte gripe, mandaram-lhe guardar o leito. Num desses dias foi atacado por terrível tentação contra a pureza. Recorria a Nossa Senhora, ao Anjo da Guarda, aos seus santos padroeiros, mas tudo em vão.
Finalmente, “eis que se me apresenta Maria Santíssima, formosíssima e graciosíssima, [...] e me disse: ‘Antônio, esta coroa será tua se vences’.[...] E a Santíssima Virgem me punha na cabeça uma coroa de rosas que tinha no braço direito”. Essa não foi a única graça mística que recebeu. Em sua vida, há várias manifestações palpáveis do sobrenatural.
No dia 13 de junho de 1835, festa de seu patrono, Antônio recebeu a ordenação sacerdotal, e foi nomeado coadjutor em sua cidade natal.
Compreendeu então que sua vocação era a de ser missionário, e quis evangelizar os povos da Catalunha, órfãos desde a supressão das Ordens religiosas. Como isso não era factível por causa da guerra civil, foi a Roma pedir admissão na Congregação das Missões Estrangeiras.

Pregar “oportuna e inoportunamente”
Na Cidade Eterna, depois de fazer os Exercícios Espirituais com padres da Companhia de Jesus, resolveu nela ingressar, e começou o noviciado.
Mas sobreveio-lhe aguda dor em uma perna, e teve que voltar para a Espanha. Pouco depois o Padre Geral da Companhia de Jesus lhe escrevia: “Deus o trouxe à Companhia, não para nela ficar, mas para que aprendesse a ganhar almas para o Céu”.
Antônio Maria obteve então licença para pregar missões na Catalunha e nas ilhas Canárias. Operava curas milagrosas, tanto materiais quanto espirituais, expelindo demônios dos possessos, regularizando casais mal-casados.
A isso movia-o o intenso desejo de livrar almas do inferno, pois “obriga-me a pregar sem parar o ver a multidão de almas que caem nos infernos, porque é de fé que todos os que morrem em pecado mortal se condenam”.
Animava-o o exemplo de São Paulo: “Como corre de uma parte a outra, levando, como vaso de eleição, a doutrina de Jesus Cristo!
Ele prega, escreve, ensina nas sinagogas, nos cárceres e em todas as partes; trabalha e faz trabalhar oportuna e inoportunamente; sofre açoites, pedras, perseguições de toda espécie, calúnias as mais atrozes”. Pode-se dizer que essa descrição cabe também a Santo Antônio Maria Claret.
Diz ele: “Quando ia missionando, tocava nas necessidades e, segundo via e ouvia, escrevia um livrinho ou um folheto. Se na população observava que havia o costume de cantar cânticos desonestos, publicava um folheto com um cântico espiritual ou moral. Por isso os primeiros folhetos que publiquei, quase todos, são de cânticos”.

Fundador dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria
Em 1849 o Pe. Antônio Maria fundou, com mais cinco sacerdotes, uma Congregação religiosa cujos membros seriam seus auxiliares na obra das missões, com o nome de Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria.
Assim descreve como deve ser esse missionário: “Um Filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e que abrasa por onde passa; que deseja eficazmente e procura por todos os meios acender em todo o mudo o fogo do divino amor. Nada o pára; goza nas privações; procura os trabalhos; abraça os sacrifícios; compraz-se nas calúnias e se alegra nos tormentos. Não pensa senão em como seguirá e imitará a Jesus Cristo em trabalhar, sofrer e no procurar sempre e unicamente a maior glória de Deus e a salvação das almas”.
Nomeado Arcebispo de Santiago de Cuba em 1850, afirma em suas palavras de saudação que “a verdadeira Prelada será a Virgem Santíssima, e a forma de governo a que Ela me inspire”.
Na primeira missão que pregou na Ilha o fruto foi tão grande, que 40 confessores não foram suficientes para atender todas as confissões. A comunhão geral, distribuída por três sacerdotes, durou seis horas! Somente nessa missão, foram legitimados 8.577 matrimônios.
Os “espíritos fortes” fizeram várias tentativas infrutíferas para matá-lo, mas Nossa Senhora velava por ele.

Espírito profético. Desvendando o futuro de Cuba e Espanha
Santo Antônio Claret fez muitas profecias. Por exemplo, quando em Cuba, profetizou “grandes terremotos”. Estes vieram. Quando as autoridades quiseram remover os escombros, alertou: “Haverá outro”. Depois profetizou: “Se os pecadores não despertam com os terremotos, Deus passará a castigá-los no corpo com a peste ou cólera”.
Veio a epidemia de cólera-morbo, que em três meses fez 2.734 vítimas. Afirmou, no entanto, que isso fora uma misericórdia de Deus, porque “muitos que não se haviam confessado na missão, se confessaram para morrer; e outros, que se haviam convertido e confessado na missão, se haviam precipitado outra vez nos mesmos pecados. E Deus, com a peste, os levou”.
Em 1861, já como confessor da Rainha Isabel II, “o Senhor me fez conhecer os três grandes males que ameaçavam a Espanha, e são: o protestantismo, ou melhor, a descatolização, a república e o comunismo. Para atalhar estes males, me deu a conhecer que se haviam de aplicar três devoções: o Triságio, o Santíssimo Sacramento e o Rosário”.





Combatendo os erros dos socialistas
Escrevendo sobre uma visita que fez às províncias da Andaluzia, na Espanha, no ano de 1862, o indômito Arcebispo comenta o trabalho dos socialistas naquela região, aproveitando-se da apatia de governantes e eclesiásticos. Anota vários erros espalhados por eles, dos quais, por sua atualidade, citaremos um que poderia ser subscrito hoje pela CPT, MST e congêneres:

“Até agora os ricos desfrutaram as terras. Já é tempo que as desfrutemos e as dividamos entre nós. Essa divisão não só é de eqüidade e justiça, mas também de grande utilidade e proveito; pois os terrenos aglomerados pelos ricos ladrões são infrutíferos. Divididos entre nós em pequenos lotes, e cultivados por nossas próprias mãos, darão abundantes colheitas”.

Comenta o Santo: “Com essas perorações e demais meios tão aliciantes e fascinantes, e ameaçando e insultando aos que não cediam logo, foi como [o movimento socialista] tomou grandes proporções em tão pouco tempo”.

Santo Antônio Maria Claret faleceu no dia 24 de outubro de 1870, no mosteiro cisterciense de Fontfroide (França), sendo canonizado por Pio XII em maio de 1950. A sua festa litúrgica celebra-se no dia 23 de outubro.

Sobre sua sepultura, como epitáfio, puseram as conhecidas palavras do Papa São Gregório VII: “Morro no desterro por ter amado a justiça e odiado a iniqüidade”. A seguir, duas belas orações compostas por Santo Antônio Maria Claret:

Oração de Santo Antônio Maria Claret para pedir as virtudes

Creio, Senhor, mas fazei que eu creia com mais firmeza.
Espero, Senhor, mas fazei que eu espere com mais segurança.
Amo, Senhor, mas fazei que eu ame com mais ardor.
Arrependo-me, Senhor, mas fazei que me arrependa com mais força.
Eu vos suplico, Senhor: que quereis que eu faça?
Ensinai-me a cumprir vossa vontade, porque vós sois o meu Deus.
Concedei-me um coração atento, para entender o vosso povo e discernir entre o bem e o mal.
Pai, dai-me humildade, mansidão, castidade, paciência e caridade.
Ensinai-me a bondade, a ciência e a disciplina e dai-me a imensa riqueza do vosso amor e da vossa graça.
Meu Deus, meu Jesus: com todo o meu ser, quero viver na Cruz, na Cruz morrer, da Cruz não descer por
minhas mãos, mas pelas mãos dos outros e somente depois de ter consumado meu sacrifício.
Quanto a mim, jamais me aconteça gloriar-me em outra coisa que não seja a Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo. Amém.


Invocações a Maria

Deus vos salve, Imaculada Maria, Filha de Deus Pai,
Deus vos salve, Imaculada Maria, Mãe de Deus Filho.
Deus vos salve, Imaculada Maria, Templo de Deus Espírito Santo.
Deus vos salve, Maria, Mãe e Advogada dos pecadores.
Bendita sois entre todas as mulheres.
Vós sois a glória de Jerusalém, a alegria de Israel e a honra do nosso povo.
Vós sois o amparo dos excluídos, o consolo dos aflitos, a luz dos navegantes.
Vós sois a saúde dos enfermos, o alento dos moribundos e a porta do céu.
Depois de Jesus Cristo, fruto bendito do vosso ventre, Vós sois toda a nossa esperança.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce e Imaculada Maria!

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Notas:
1- AAS 42 (1950), 480. Apud San Antonio Maria Claret – Escritos Autobiográficos y espirituales, Biblioteca de los Autores Cristianos (BAC), Madrid, 1959, Prólogo, p. xv.
2- Edelvives, El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S. A., Saragoça, 1955, vol. V, p. 543.
3- Autobiografia, BAC, edição acima. Todos os textos citados entre aspas sem menção da fonte foram extraídos desta obra.


Fontes:

São João de Capistrano, 23 de Outubro



O Santo de hoje, João de Capistrano, fez da ação um ato de amor e do amor uma força para a ação, por isso, muito penitente e grande devoto do nome de Jesus chegou à santidade.
João nasceu em Capistrano, em 1386, e com privilegiado e belos talentos, cursou os estudos jurídicos na universidade de Perugia. Juiz de direito, casado e nomeado governador de uma cidade na Itália, acabou na prisão por causa de intrigas políticas.
Diante do sistema mundo, frágil, felicidade terrena, e após a morte de sua esposa, João quis entrar numa Ordem religiosa.
Com este objetivo teve João, a coragem de vender os bens, pagar o resgate de sua missão, dar o resto aos pobres e seguir Jesus como São Francisco de Assis. O superior da Ordem, conhecendo os antecedentes de João o submeteu a duras provas de sua vocação, e por tudo, João passou com humildade e paciência.
Ordenado sacerdote se consagrou ao poder do Espírito no apostolado da pregação; viveu de modo profundo o espírito de mortificação. João de Capistrano enfrentou a ameaça dos turcos contra a Europa e a tentativa de desunião no seio da própria Ordem Franciscana.
Apesar de homem de ação prodigiosa e de suas contínuas viagens, através de toda a Europa, descalço, João foi também escritor fecundo, consumido pelo trabalho. São João de Capistrano veio a falecer, em terra Forio, Croata, em 23 de outubro de 1456.

São João de Capistrano... rogai por nós!

Fontes:
http://www.cancaonova.com/portal/canais/liturgia/santo/index.php?dia=23&mes=10

São Martinho de Dume, 22 de Outubro



Representação de S. Martinho de Dume no Códice Albeldensis, c. 976
(Biblioteca do Mosteiro de San Lorenzo de El Escorial, Madrid)


 Sabemos pelo próprio testemunho de Martinho (Epitáfio), confirmado por Venâncio Fortunato (Carminum libri, 5, 2) e Gregório de Tours (Historia Francorum, 5, 37), que era oriundo da Panônia (atual Hungria), ou descendente de panônios. Presume-se que seria de origem romana.
Feitas as contas a partir de outras datas prováveis, chega-se à conclusão que o ano do seu nascimento se situa próximo de 520.
Como aconteceu com muitas outras personagens do seu tempo, foi seduzido pela necessidade interior de se familiarizar com os Lugares Santos, como afirmam Gregório de Tours (Historia Francorum, 5, 37) e Isidoro de Sevilha (De viris illustribus, 35, 45). A estadia no Oriente enriqueceu-o pela oportunidade de contacto com personagens cultas que demandavam estas paragens e pelo conhecimento da vida monástica ao estilo dos Padres do Deserto, muito desenvolvida. Foi também ocasião para crescer no conhecimento das Escrituras e, provavelmente, da língua grega e da cultura oriental, como testemunham os mesmos Venâncio Fortunato, Gregório de Tours e ainda Isidoro de Sevilha (Historia de Regibus Gothorum, Wandalorum et Suevorum, 91).
São Martinho de Dume veio por mar e desembarcou num porto da Galécia, ao tempo que as relíquias do seu homônimo São Martinho, ou em época próxima. São várias as conjecturas para a localização deste porto, mas nenhuma dispõe de suporte suficiente para se impor.
A data deste acontecimento, que marcará um rumo novo na vida das populações da Galécia, deve situar-se próxima do ano 550. Tudo leva a crer que Martinho já era monge e presbítero. O metropolita de Braga era então Lucrécio.
Entretanto, o rei Carrarico, em cumprimento da promessa que tinha feito para alcançar a cura do seu filho, construiu em Dume, nos arredores de Braga, uma igreja em honra de S. Martinho de Tours e abandonou o arianismo.
Martinho, por sua vez, contando com o patrocínio do rei, edificou junto à igreja um mosteiro, de que foi o primeiro abade. Este mosteiro acabará por se converter num importante centro de formação e difusão de vida cristã e de cultura.
Por razões expressas que se desconhecem, mas que se prendem certamente com a sua invulgar estatura de homem culto e cristão convicto, com a sua proximidade à corte e com o determinante papel desempenhado na conversão dos suevos, foi criada para ele a diocese de Dume, mantendo a sua condição de abade. De acordo com o Breviário de Soeiro (Lectio IX), a sagração episcopal de Martinho teve lugar a 5 de Abril de 556. A sagração da igreja de Dume como sé celebrou-se no ano 558. Como bispo de Dume participou no I Concílio de Braga (561).
A diocese de Dume restringia-se ao seu mosteiro, suas terras, seus servos e famílias, numa extensão territorial igual ou ligeiramente superior aos atuais limites da paróquia do mesmo nome. Este tipo de diocese foi, até então, um fato inédito no Ocidente. Manteve-se até 866, altura em que o seu bispo, Sabarico, se retirou para Mondoñedo, devido às graves dificuldades criadas pelas invasões árabes. Durante este tempo os seus bispos ora eram somente abades e bispos de Dume, ora acumulavam com a Igreja de Braga. Quando em 1070 se procedeu à restauração da diocese de Braga, foi ordenado que nela se incorporasse a diocese de Dume. O então bispo de Mondoñedo protelou o cumprimento desta determinação, que só veio a cumprir-se em tempos do arcebispo de Braga S. Geraldo (1101).
Antes do ano 569, morreu o bispo e metropolita de Braga, Lucrécio. Sucedeu-lhe Martinho, sem deixar de ser bispo de Dume e abade do seu mosteiro.
No ano 572 presidiu ao II Concílio de Braga. Na introdução à Atas do Concílio, pode ler-se a interpelação de Martinho aos outros bispos para que se examinem questões de disciplina que possam existir "por ignorância ou por negligência2, já que "pela graça de Cristo, nesta Província, nada é duvidoso acerca da unidade e da retidão da fé". Com a sua cooperação, era já longo o caminho percorrido na consolidação da fé desde a sua chegada à Galécia.
Como metropolita, promoveu a reorganização paroquial, criou novos bispados e dividiu a metrópole bracarense em dois concílios ou sínodos, Lugo e Braga, continuando esta a ser a cabeça. Braga, sede da corte do Reino Suevo, ficou com as dioceses a Sul e a Norte do rio Douro. Há quem vislumbre neste seccionamento uma contribuição para a futura separação entre o Norte e o Sul da Galécia e, mais tarde, o nascimento de Portugal.
De acordo com a informação de Isidoro de Sevilha (De viris illustribus, 35, 45-46), Martinho fundou outros mosteiros. As tentativas para a sua identificação variam, em número e lugar, de autor para autor, sem ser possível chegar a conclusões seguras.
Segundo o Breviário de Soeiro, Martinho, o último dos escritores do Reino Suevo, morreu a 20 de Março de 579.
Foi sepultado na igreja do mosteiro de Dume. Aí se mantiveram o s seus restos mortais até meados do século IX, altura em que, pelo risco que corriam por causa da presença árabe, foram trasladados para Mondoñedo. Sabe-se que no século XV estavam de novo em Dume, na capela-mor da igreja. Em 1545 o arcebispo de Braga, D. Manuel de Sousa, tentou trasladar as relíquias para a catedral. Ante a enérgica oposição do povo de Dume, optou por, temporariamente, escondê-las aí, debaixo do altar-mor. Com a sua morte perdeu-se-lhes o rasto, até que, em 1591, são de novo descobertas pelo arcebispo D. Fr. Agostinho de Jesus que decide, uma vez mais, levá-las para Braga. Enquanto se faziam as obras necessárias para as receber, foram trasladadas para a igreja do mosteiro de S. Frutuoso. Finalmente, a 22 de Outubro de 1606, foram levadas para a sé, onde, depois de várias mudanças, podem ser na Capela das Relíquias. O túmulo que guardava os seus restos mortais, em Dume, encontra-se no Museu D. Diogo de Sousa (Braga).
O X Concílio de Toledo (656), em sintonia com o que era o sentir popular, já desde os contemporâneos de Martinho, tratou-o como santo. Depois, até a restauração da diocese de Braga, em 1070, perdeu-se o rasto do que terá sido o culto a São Martinho. Parece claro, contudo, que se lhe sobrepôs o culto do seu homônimo São Martinho de Tours. A partir de finais do século XI o seu nome começa a aparecer, ininterruptamente, nos calendários e livros litúrgicos bracarenses. No breviário bracarense do século XIV, que está na origem do Breviário de Soeiro (séc. XV), São Martinho aparece como padroeiro da Igreja de Braga. Este título acabará, entretanto, por se perder. Foi retomado oficialmente em 1984. A sua festa litúrgica foi fixada em 22 de Outubro, na diocese de Braga, e em 5 de Dezembro, para Portugal, juntamente com São Frutuoso e São Geraldo.
O breviário bracarense de 1588 dá-lhe o título de doutor, que se manteve até tempos recentes. Honra justificada, se considerarmos que, como escreve Madoz, estamos diante de "uma das figuras mais destacadas e eficientes que o olhar do historiador descobre na Igreja ocidental do Século VI". A ele se deve o renascimento literário e científico da Galécia do seu tempo. Como sintetiza Aires Nascimento, Martinho de Dume "não só introduziu um modelo de vida cenobítica como, promovendo a conversão do povo suevo, conseguiu ambiente de paz suficiente para reorganizar a sua Igreja, doutriná-la e transmitir aos seus clérigos normas de vida exemplares; preocupou-se em dotar a sua Igreja com textos fundamentais, nomeadamente com os textos conciliares da Igreja Oriental, mas cuidou, sobretudo, de uma pastoral direta, atenta às situações, interveniente e benevolente". Trata-se, enfim, de uma personagem quem antes e depois da sua chegada à Galécia, soube enriquecer-se num mundo de relações que conferem a sua figura e a sua ação sócio-religiosa uma surpreendente dimensão cosmopolita.

Pio Alves de Sousa
 © SNPC - Publicado em 22.10.2007
  
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