Aquiléia, antiga capital do Veneto, na Itália, destruída por Átila pouco depois da morte do nosso santo, era um centro político importante, sede da 10ª Região Militar do Império Romano. Cromácio pertencia ao clero dessa cidade, onde nasceu, de família profundamente cristã, e prestou serviços relevantes na diocese, ajudando Valeriano na organização da diocese e na luta contra o arianismo. Ao falecer o bispo Valeriano, clero e povo aclamaram Cromácio para sucedê-lo, tendo sido sagrado pelo bispo de Milão, Sto Ambrósio.
Cromácio foi um pastor sábio, erudito e ao mesmo tempo popular. De sua pena se conservam vários sermões e um extenso comentário ao evangelho de São Mateus. Seu epistolário se perdeu, mas temos cartasde outras personalidades a ele dirigidas. São Jerônimo dedicou-lhevárias de suas obras de exegese bíblica, em agradecimento pela ajuda financeira para continuar sua monumental obra de tradução, para o latim, de toda a Bíblia. Cromácio, ainda padre, participou do concílio de Aquiléia, encerrado em 3-9-381. Governou a igreja de Aquiléia de 388 até a data de sua morte, ocorrida no ano de 408.
O fim da sua vida foi muito difícil. Os godos de Alarico, atravessados os Alpes Júlios, assediaram a cidade em novembro de 401. Não sabemos se a cidade resistiu ou não, mas certamente seguiram-se em toda região massacres, violência e deportações, de modo que os habitantes da cidade fugiram para as ilhas, donde se originou a cidade de Veneza.
A missão dos jesuítas na Inglaterra começou com a chegada de Edmund Campion. Era sacerdote jovem ainda quando foi martirizado. Foi o primeiro de um grupo de 10 santos mártires jesuítas, condenados e mortos à sombra dos “Decretos de Persuasão” de 1581, que declaravam crime de alta traição converter ou ser convertido à Fé Católica.
Faziam apostolado às escondidas e, quando presos, para ódio dos membros da Reforma, uns jesuítas formavam outros: as masmorras eram consideradas por eles um noviciado ideal para entrada na Companhia e no Céu. Em 1585, a Rainha Isabel I decretou a lei que condenava à morte qualquer jesuíta em seus domínios. Foram todos torturados, enforcados, arrastados e esquartejados, com exceção do Irmão Nicholas Owen, que morreu durante a tortura. Foram canonizados por Paulo VI em 1970.
“E pelo que diz respeito à Companhia de Jesus, é preciso que saibais que fizemos um pacto - todos os jesuítas do mundo, cujo número deve ultrapassar os cálculos da Inglaterra – de levar com alegria as cruzes que puserdes sobre nós e de nunca desesperar da vossa conversão, enquanto tivermos um só homem para ser despedaçado nos vossos suplícios ou definhar e morrer nas vossas masmorras. O custo está calculado, a empresa começou; é de Deus e é impossível resistir. Assim foi implantada a fé e assim tem que ser restaurada.”
A liturgia do primeiro Domingo do Advento convida-nos a equacionar a nossa caminhada pela história à luz da certeza de que “o Senhor vem”. Apresenta também aos crentes indicações concretas acerca da forma devem viver esse tempo de espera.
A primeira leitura é um apelo dramático a Jahwéh, o Deus que é “pai” e “redentor”, no sentido de vir mais uma vez ao encontro de Israel para o libertar do pecado e para recriar um Povo de coração novo. O profeta não tem dúvidas: a essência de Deus é amor e misericórdia; essas “qualidades” de Deus são a garantia da sua intervenção salvadora em cada passo da caminhada histórica do Povo de Deus.
O Evangelho convida os discípulos a enfrentar a história com coragem, determinação e esperança, animados pela certeza de que “o Senhor vem”. Ensina, ainda, que esse tempo de espera deve ser um tempo de “vigilância” – isto é, um tempo de compromisso activo e efectivo com a construção do Reino.
A segunda leitura mostra como Deus se faz presente na história e na vida de uma comunidade crente, através dos dons e carismas que gratuitamente derrama sobre o seu Povo. Sugere também aos crentes que se mantenham atentos e vigilantes, a fim de acolherem os dons de Deus.
Os gregos chamam a este ousado apóstolo "Protókletos", que significa: "o primeiro chamado". Ele foi um dos afortunados que viram Jesus na verde planície de Jericó. Ele passava. O Batista indicou-o com o dedo de Precursor e disse: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo". André e João foram atrás d'Ele. Não se atreveram a falar-Lhe até que Jesus se virou para trás e perguntou: "Que procurais?" - Mestre, onde habitas? - "Vinde e vede". A Igreja deve muito a Santo André. Terá sido martirizado numa cruz em forma de aspa ou X, que é conhecida pelo nome de cruz de Santo André.
André foi o primeiro a reconhecer o Senhor como seu mestre... O seu olhar percebeu a vinda do Senhor e deixou os ensinamentos de João Baptista para entrar na escola de Cristo... João Baptista tinha dito: "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). Eis aquele que liberta da morte; eis aquele que destrói o pecado. Eu sou enviado, não como o esposo, mas como quem o acompanha (Jo 3,29). Vim como servo e não como mestre. Levado por estas palavras, André deixa o seu antigo mestre e corre para quem ele anunciava..., levando consigo João, o evangelista. Ambos deixam a lâmpada (Jo 5,35) e caminham para o Sol... Tendo reconhecido o profeta de quem Moisés dissera: "É a Ele que escutareis" (Dt 18,15), André conduz até ele o seu irmão Pedro. Mostra a Pedro o seu tesouro: "Encontramos o Messias (Jo 1,41), aquele que desejávamos; vem agora saborear a sua presença". Ainda antes de ser apóstolo, conduz a Cristo o irmão... Foi o seu primeiro milagre.
Após Pentecostes, Santo André foi pregar na Trácia, na Macedônia, na Grécia e na Ásia Menor. Foi também o pregador do Evangelho em Bizâncio. As numerosas conversões que obteve suscitaram o furor dos idólatras, que o acusaram e o levaram ao tribunal de Egea, pró-consul da cidade de Patrás, na Criméia. Obrigado a sacrificar oferendas aos deuses e tendo-se recusado, foi condenado a morrer crucificado. Durante sua lenta agonia exortava à verdadeira fé a multidão que o rodeava. E assim, com humildade e alegria, entregou seu espírito ao Senhor.
Pelas orações de Santo André, ó Cristo Nosso Deus, tem piedade de nós!
Doxastikon do Lucernário, t.4
Abandonando a pesca dos peixes, é aos homens que fisgas com o caniço da divina pregação e o anzol da fé, ilustre Apóstolo que resgata do abismo do erro as assembléias das nações. Tu o irmão do Corifeu, cuja voz ressoa para instruir o mundo inteiro, ó André, não pare de interceder por nós, os fiéis que celebram de todo coração a tua sagrada memória.
De acordo com santo Epifânio de Jerusalém (séc. IX), o Apóstolo Santo André chegou a Kyiv pelam via oriental: de Jerusalém através de Antioquia, Capadócia, Ponto, Sinope, Armênia, Sarmátia até a cidade de Fanagória, nas margens orientais do mar de Azov. Daí, foi às margens ocidentais do mar de Azov, às cidades de: Bósforo (atual Kertch), Teodósia e Quersoneso, de onde foi pelo rio Dnipró até Kyiv.
De lá, de acordo com a “Crônica...” foi a Novgorod (Nova Cidade), ao norte de Kyiv, e de lá a Roma, para visitar seu irmão Pedro. De Roma, bordeando a margem direita do Rio Danúbio, voltou para Sinope.
Naquele tempo as terras da Ucrânia atual estavam sob o domínio da Cítia. E conforme os escritores eclesiásticos Orígenes (185-254 d.C), Tertuliano (160-230 d.C) Santo Atanásio (295-373 d.C) e outros, a Cítia foi destinada, por sorteio, à pregação de Santo André.
A Cítia, naquele tempo, extendia-se dos montes Bálcãs (no oeste) até o rio Volga, o mar Cáspio e os montes do Cáucaso (no leste), incluindo a península da Criméia (no sul); dos mares de Azov (no sul) até os bosques do norte. Essa região era habitada não somente pelos citas, mas também por outros povos dominados por eles. Entre os povos dominados pelos Citas, encontramos os precursores do povo ucraniano, como os Alanos (atuais Kozacos de Don e Kubánh), Dácios (eslavos misturados com romanos, atuais romenos) Getas, Krevêtchi (atuais bielorussos), roxolanos (roksolanos; atuais ucranianos da Ucrânia central), Servos, Tauros (atuais ucranianos do Sul da Ucrânia), Tiragetas (tevértsi, atuais ucranianos do Sul da Ucrânia), Trácios (eslavos misturados com búlgaros, os búlgaros atuais), Ulêtchi (atuais ucranianos do Sul da Ucrânia) e outros.
O Cristianismo chegava às terras da Ucrânia também pela via ocidental:
a) pelas vias marítimas e fluviais;
b) através dos comerciantes;
c) através dos soldados da Ásia Menor;
d) através dos próprios eslavos, a partir de Tessalônica, Macedônia, Trácia, Mésia e Dácia (os três últimos são a Bulgária e a Romênia atuais) até a Ucrânia Ocidental. Este ramo do Cristianismo provém das viagens e pregações de São Paulo por terras eslavas.
Saturnino forma um elo entre a Gália, França, e a Judéia, entre a nossa civilização e a de Jesus Cristo. De acordo com a tradição, ele era grego e viveu nos tempos de Cristo. Tendo ouvido falar de São João Batista, foi ouvi-lo pessoalmente, e ficou tão comovido que se tornou um de seus discípulos. Ele foi batizado no Rio Jordão no mesmo dia que Jesus, tornando-se um de Seus 72 discípulos.
Ele continuou com os apóstolos após a Crucificação e estava com eles no Cenáculo quando o Espírito Santo desceu sobre eles, em Pentecostes. Foi com São Pedro para evangelizar o Oriente Médio. De lá foi enviando à Gália, dirigindo-se depois para Arles e Nimes. Finalmente fixou-se em Toulouse com dois de seus companheiros: Paoul, que Pedro havia enviado com ele, e Honestus, que ele converteu em sua jornada.
Quando chegou a Toulouse, ele começou a destruir os ídolos pagãos, deixando o povo muito desconfiado. Saturnino sentiu que algo mais deveria ser feito. Assim, um dia, Saturnino curou a lepra de Austris da Saxônia, filha de Marcellus, o governador de Toulouse! Imediatamente quase toda a cidade se converteu. De lá,ele enviou seu discípulo Honestus para Pamplona, e ele conseguiu chegar até Toledo, onde converteu centenas de pessoas. Se encontrava multidões desconfiadas, ele simplesmente fazia um milagre com sua benção, invocando os poderes de Jesus: curava um paralítico, um leproso ou um cego e seguia em frente. Mais tarde, retornou a Toulouse, encontrando a cidade em boas condições. Outro grande milagre: O evangelista fora para longe por anos e, quando retornava, tudo estava como se ele tivesse continuado presente!
Mas o trabalho de Saturnino não estava completo. Agora, restava-lhe morrer. Morrer como São Pedro ou como São João Batista. Diz a tradição que ele retirou as estátuas dos deuses pagãos de um templo que ainda havia na cidade, e que os sacerdotes pagãos da época colocaram outras estátuas de ídolos em seus lugares, mas elas simplesmente quebravam ou, o que era mais impressionante, saíam andando para fora da cidade. Com isso, silenciaram-se os oráculos pagãos de onde os sacerdotes recebiam sua principal renda.
Eles capturaram Saturnino e ataram seus pés a um touro selvagem, que saiu arrastando o santo pela cidade afora e, mesmo quando seus devotos o socorreram, ele já estava com a cabeça e o corpo estilhaçados.
Hoje, a igreja de São Saturnino em Toulouse é a maior igreja (no estilo românico) da França, e o seu corpo repousa num grande túmulo construído em 1746. Na arte litúrgica da Igreja, ele é mostrado como um Bispo sendo arrastado por um touro,ou com um touro a seus pés.
São Sóstenes viveu no primeiro século e foi discípulo do Apóstolo Paulo. O Martirológio afirma a seu respeito:"Perto de Corinto, a morte de São Sóstenes, um dos discípulos do bem-aventurado Apóstolo Paulo, que o menciona ao escrever aos coríntios. Sóstenes era chefe da sinagoga daquela cidade, mas, convertido a Jesus Cristo, foi batido com violência em presença do procônsul Galião, consagrando por um glorioso princípio as primícias da sua fé (primeiro século)". De fato, na primeira Carta ao Coríntios, Paulo diz: "Paulo, apóstolo de Jesus Cristo por vontade e chamado de Deus, e o irmão Sóstenes, à igreja de Deus que está em Corinto ..."(1 Coríntios 1,1).
Nesta carta à comunidade de Corinto, Paulo exorta os cristãos à união. Corinto era uma cidade rica e de florescente comércio. Ali, raças e religiões se mesclavam. O ambiente corrompido e ganancioso apresentava-se como um desafio às comunidades cristãs, muitas vezes divididas internamente.
As advertências e as orientações que Paulo faz aos cristãos de Corinto ainda continuam sendo de grande valor para nós, hoje, chamados à dar testemunho numa sociedade consumista, dividida, profanadora dos mais altos valores da pessoa humana. Mais do que nunca devemos lembrar o ensinamento de Paulo: Jesus Cristo ressuscitado, presente e vivo na comunidade, é o Senhor de todos. Nele nos tornamos um único corpo, uma só alma e um só coração.
(Cf. ALVES, José Benedito.Os Santos de cada dia, São Paulo, Paulinas, 1998)
Numa família profundamente cristã de remediados lavradores da Borgonha, em França, nasceu a 2 de Maio de 1806 Catarina Labouré. Órfã de mãe aos nove anos, foi morar mais tarde com uma cunhada, diretora de um colegioem Chatillon. Convivendo com as Irmãs da Caridade, que viviam perto dali, acendeu-se nela o desejo de imitá-las.
Tendo feito o postulantado, seguiu para Paris, onde iniciou o noviciado na Rua du Bac. Entrou naquela casa durante a solene novena que precedeu a trasladação das relíquias de S. Vicente de Paulo.
Na noite de 17 para 18 de Julho de 1830, estando a dormir é acordada por uma criança aparentando quatro anos de idade, que lhe diz:"Vem à capela; Nossa Senhorateespera". Entrando na capela profusamente iluminada, viu Nossa Senhora sentada numa cadeira. Seguiu-se um diálogo de duas horas. A Senhora descerrou-lhe o véu do futuro, prognosticando-lhe as desgraças que, daí a 40 anos, cairiam sobre a França. A esta aparição seguir-se-iam mais duas. Já referimos esta visão no dia de ontem (27 de Novembro), ao celebrarmos Nossa Senhora das Graças ou da Medalha Milagrosa.
Depois das aparições, continuou a servir os pobres durante 46 anos. Catarina Labouré é, realmente, a santa do silêncio, da humildade. Enquanto viveu foi desconhecida. Faleceu a 3 de Dezembro de 1876. Foi beatificada em 1933 e canonizada em 1947.
Numa tarde de sábado, no dia 27 de novembro de 1830, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos um outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e, num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor.
Santa Catarina Labouré relatou assim sua visão: "A Virgem Santíssima baixou para mim os olhos e me disse no íntimo de meu coração: 'Este globo que vês representa o mundo inteiro (...) e cada pessoa em particular. Eis o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que as pedem.' Desapareceu, então, o globo que tinha nas mãos e, como se estas não pudessem já com o peso das graças, inclinaram-se para a terra em atitude amorosa. Formou-se em volta da Santíssima Virgem um quadro oval, no qual em letras de ouro se liam estas palavras que cercavam a mesma Senhora: Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. Ouvi, então, uma voz que me dizia: 'Faça cunhar uma medalha por este modelo; todas as pessoas que a trouxerem receberão grandes graças, sobretudo se a trouxerem no pescoço; as graças serão abundantes, especialmente para aqueles que a usarem com confiança.' "
Então o quadro se virou, e no verso apareceu a letra M, monograma de Maria, com uma cruz em cima, tendo um terço na base; por baixo da letra M estavam os corações de Jesus e sua Mãe Santíssima. O primeiro cercado por uma coroa de espinhos, e o segundo atravessado por uma espada. Contornando o quadro havia uma coroa de doze estrelas.
A mesma visão se repetiu várias vezes, sobre o sacrário do altar-mor; ali aparecia Nossa Senhora, sempre com as mãos cheias de graças, estendidas para a terra, e a invocação já referida a envolvê-la.
O Arcebispo de Paris, Dom Quelen, autorizou a cunhagem da medalha e instaurou um inquérito oficial sobre a origem e os efeitos da medalha, a que a piedade do povo deu o nome de Medalha Milagrosa, ou Medalha de Nossa Senhora das Graças. A conclusão do inquérito foi a seguinte: "A rápida propagação, o grande número de medalhas cunhadas e distribuídas, os admiráveis benefícios e graças singulares obtidos, parecem sinais do céu que confirmam a realidade das aparições, a verdade das narrativas da vidente e a difusão da Medalha".
Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é a mesma Nossa Senhora das Graças, por ter Santa Catarina Labouré ouvido, no princípio da visão, as palavras: "Estes raios são o símbolo das Graças que Maria Santíssima alcança para os homens."
Eu sou o Tiago Alberione, nasci no dia 4 de Abril de 1884, numa aldeia chamada São Lourenço de Fossano (Itália). Freqüentei o Seminário de Alba e fui ordenado sacerdote no dia 29 de Junho 1907.Senti-me interpelado por Deus a fazer alguma coisa pelos homens e mulheres do novo século com os quais vivi.
Dei início à Família Paulina em 1914. Esta Família é constituída por 5 Congregações, 4 Institutos Seculares e uma Associação de cooperadores leigos.
Desde o dia 26 de Novembro de 1971 encontro-me junto do Pai.
Santa Catarina de Alexandria -Bartolomé Esteban Murillo
Nascimento287 em Alexandria, Egito
Falecimento305 em Alexandria, Egito
Principal temploMosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, no Monte Sinai, Egito
Festa litúrgica25 de Novembro
Atribuiçõesroda, espada, uma coroa aos seu pés, véu e anel, pomba, flagelo, livro, mulher argumentando com filósofos pagãos.
PadroeiraApologética, artesãos que trabalham com uma roda (ceramistas, fiação etc.), arquivistas, pessoas morrendo, educadores, jovens, juristas, advogados, bibliotecários, bibliotecas, do Balliol College em Oxford, trituradores, enfermeiros, filósofos, pregadores, acadêmicos, estudantes, escribas, secretários, taquigrafia, estudantes, professores, teólogos, Universidade de Paris, jovens solteiros.
Catarina de Alexandria (nome provavelmente derivado de Hécata, erroneamente muitos o fazem derivar de katharós, ou seja, “pura”) nasceu em Alexandria, no Egito, por volta do ano 287 d.C. Uma das santas mais populares da Igreja Católica e venerada como megalomártir pela Igreja Ortodoxa, era conhecida por sua sabedoria. Por seu exemplo heróico tornou-se epônimo de grandes santas como Catarina de Sena e grandes personagens históricas como Catarina, a Grande. De família nobre (da Selêucida) e princesa por posição, era uma moça extremamente bela e culta que gostava de estudar filosofia, principalmente Platão, o que, para uma mulher naquela época, era extremamente raro.
A história de Catarina de Alexandria é composta basicamente por lendas, com diferentes versões, que variam de acordo com a cultura local. Uma das versões mais populares conta que Catarina, filha do Rei Costus, governador de Alexandria, declarou aos seus pais que só se casaria com alguém que a superasse em reputação, saúde, beleza e sabedoria. Sua mãe, Saninela, que era secretamente cristã, enviou-a para um eremita de nome Ananias, que lhe disse que conhecia um jovem que a superava em todas as suas virtudes: “A beleza Dele é mais radiante do que o brilho do sol, a sabedoria Dele governa a criação e Suas riquezas se espalham pelo mundo.”
Em uma visão, Catarina foi transportada para o céu, encontrou-se com o menino Jesus e a Virgem Maria e, em êxtase, casou-se misticamente com Cristo, convertendo-se ao cristianismo. Ela tinha, na época, 18 anos de idade.
Foi, então, à presença do imperador romano Maximino, que perseguia violentamente os cristãos, censurando-o por sua crueldade. Apontou a limitação do imperador, por crer em falsos deuses, e afirmou que seu Deus era o único realmente vivo e o seu Rei era Jesus Cristo. O imperador mandou prendê-la no cárcere, até que viessem os 50 maiores sábios do mundo, e a humilhassem quanto à sua argumentação aparentemente simples.
Quando chegaram, os sábios riram-se do imperador, por tê-los convocado para contra-argumentar com uma simples garota. Porém o imperador os advertiu que, se conseguissem convencê-la, ele os presentearia com os melhores bens do mundo, mas se não conseguissem, ele os condenaria à morte. Catarina foi tão plenamente sábia nas suas colocações e argumentos que mesmo diante desta ameaça, os sábios não conseguiram convertê-la aos ídolos. Pelo contrário, vencidos pela eloqüência de Catarina, converteram-se ao cristianismo. Frustrado, o imperador mandou prender e torturar Catarina na masmorra. Visitada na prisão pela esposa do imperador e pelo chefe de sua guarda, Catarina os converteu, fazendo o mesmo com inúmeros soldados.
Mais enfurecido ainda, o imperador mandou assassinar os sábios e sua esposa, lançou os guardas aos leões no Coliseu e condenou a Santa à morte lenta na "roda com lâminas", instrumento de tortura que mutilava e causava grande sofrimento. Dizem os relatos que a roda explodiu, ou pelo toque de Catarina ou pela intervenção dos anjos. Ao determinar sua execução, apareceu-lhe o Arcanjo Miguel para confortá-la e Catarina rezou a Cristo suplicando que "em nome do seu martírio Deus ouvisse as orações de todos aqueles que a ela recorressem e tudo obtivessem por sua intercessão". Por fim, Catarina de Alexandria morreu decapitada e conta a lenda que, ao invés de sangue, saiu leite dos ferimentos e, por isso, as mães que amamentam recorrem também à sua intercessão.
A lenda diz ainda que o corpo de Catarina desapareceu milagrosamente, sendo transportado por anjos para o topo de Jebel Katerina, o pico mais alto da península do Sinai. Três séculos mais tarde, o seu corpo, supostamente incorrupto, foi encontrado por monges e levado para o Mosteiro da Transfiguração, onde algumas das suas relíquias e o seu nome ficaram até hoje.
Histórias narram que foi ouvindo a voz de Santa Catarina que Joana d'Arc encontrou a espada que usaria em sua missão e mudaria a história da França. Junto de Santa Margarida e do Arcanjo São Miguel, era uma das vozes que falavam com ela e a instruíram na sua missão de salvar a França.
Santa Catarina é considerada padroeira dos estudantes, filósofos e professores, e também é invocada pelos que trabalham com rodas, e também contra acidentes de trabalho. No Brasil, é a padroeira principal do Estado e da Ilha de Santa Catarina e co-padroeira da Catedral metropolitana de Florianópolis.
Historiadores e pesquisadores de tendência positivista acreditam que Catarina possa não ter existido de fato. Para eles a ausência de documentos históricos e o aspecto lendário de sua vida levam a crer que ela representa um ideal, talvez a versão cristã da filósofa Hipátia deAlexandria, cuja biografia apresenta exatamente os mesmos elementos da lenda de Catarina.
Em 1969, a Igreja Católica eliminou do Calendário Litúrgico Universal a celebração do dia 25 de novembro, em memória de seu martírio, em função da falta de evidências históricas de sua existência. Essa retirada foi mal interpretada como uma cassação, pois Santa Catarina de Alexandria continua a ser legitimamente venerada nos calendários particulares das dioceses e paróquias.
As razões da atual revisão histórica são:
a) a descoberta de afrescos dos séculos VIII e IX, em Roma e Nápoles, com a identificação de seu nome Ekaterina;
b) diante dessa descoberta, hoje não é mais possível afirmar que seu culto começou apenas à época dos cruzados;
c) devemos salientar o princípio de que não é o documento que está na origem do culto e que não parece científico negar sua historicidade a partir do argumento de escassez documentária;
d) devemos também frisar a distinção hermenêutica entre o núcleo histórico e legendário nas narrativas;
e) por, fim, é mister refletir que, entre as mártires de historicidade comprovada na perseguição de Maximino, a Tradição cristã, por circunstâncias não bem esclarecidas, pouco a pouco passou a proferir o nome Catarina.
A evangelização do Vietnã começou no Século XVI, através de missionários europeus de diversas ordens e congregações religiosas. São quatro séculos de perseguições sangrentas que levaram ao martírio milhares de cristãos massacrados nas montanhas, florestas e em regiões insalubres. Enfim, em todos os lugares onde buscaram refúgio. Foram bispos, sacerdotes e leigos de diversas idades e condições sociais, na maioria pais e mães de família e alguns deles catequistas, seminaristas ou militares.
Hoje, homenageamos um grupo de cento e dezessete mártires vietnamitas, beatificados no ano jubilar de 1900 pelo papa Leão XIII. A maioria viveu e pregou entre os anos 1830 e 1870. Dentre eles muito se destacou o padre dominicano André Dung-Lac, tomado como exemplo maior dessas sementes da Igreja Católica vietnamita.
Filho de pais muito pobres, que o confiaram desde pequeno à guarda de um catequista, ordenou-se sacerdote em 1823. Durante seu apostolado, foi cura e missionário em diversas partes do país. Também foi salvo da prisão diversas vezes, graças a resgates pagos pelos fiéis, mas nunca concordou com esse patrocínio.
Uma citação sua mostra claramente o que pensava destes resgates: "Aqueles que morrem pela fé sobem ao céu. Ao contrário, nós que nos escondemos continuamente gastamos dinheiro para fugir dos perseguidores. Seria melhor deixar-nos prender e morrer." Finalmente, foi decapitado em 24 de novembro de 1839, em Hanói, Vietnã.
Passada essa fase tenebrosa, veio um período de calma, que durou cerca de setenta anos. Os anos de paz permitiram à Igreja que se reorganizasse em numerosas dioceses que reuniam centenas de milhares de fiéis. Mas os martírios recomeçaram com a chegada do comunismo à região.
A partir de 1955, os chineses e os russos aniquilaram todas as instituições religiosas, dispersando os cristãos, prendendo, condenando e matando bispos, padres e fiéis, de maneira arrasadora. A única fuga possível era através de embarcações precárias, que sucumbiam nas águas que poderiam significar a liberdade, mas que levavam, invariavelmente, à morte.
Entretanto o evangelho de Cristo permaneceu no coração do povo vietnamita, pois quanto mais perseguido maior se tornou seu fervor cristão, sabendo que o resultado seria um elevadíssimo número de mártires. O Papa João Paulo II, em 1988, inscreveu esses heróis de Cristo no Livro dos Santos da Igreja, para serem comemorados juntos e como companheiros de Santo André Dung-Lac no dia de sua morte.
A festa do Cristo Rei foi instituída pelo Papa Pio XI (encíclica Quas primas de 11 de dezembro de 1925). Mas, considerando-se o contexto da época, podemos nos perguntar de que realeza se trata. Seria daquela de que nos falam os Evangelhos?
As palavras « rei, realeza, reino » são comumente empregadas pelos Judeus que conheceram o regime monárquico durante os cinco séculos anteriores a Jesus Cristo. Mas a realeza em Israel tem alguma coisa de original. Na Bíblia, o rei não possui o poder absoluto. Deus é o Rei, é Ele quem governa Seu povo. O rei é apenas seu tenente responsável pelo povo, ao qual deve dar exemplo de fidelidade. É devido à infidelidade do rei Salomão à aliança com Deus que a realeza terá fim em Israel. Todavia, na época de Jesus, propaga-se a crença num Messias, restaurador do reino de Israel. Ela é fortemente preservada devido à humilhação que o povo judeu sofre por causa da ocupação dos Romanos, e também pelo seu desejo de não perder sua própria identidade. Os discípulos de Jesus crerão, até a Sua partida, que Ele veio como Messias para restabelecer a realeza. “Senhor, é agora que Tu vais restabelecer a realeza em Israel?”(Atos 1, 6).
Face a esta expectativa, as palavras empregadas por Jesus não são desprovidas de ambigüidade. Pode-se, com efeito, entendê-las de duas formas distintas. Ele inaugura Sua vida de pregação proclamando a proximidade do Reino de Deus (ou dos Céus, o que quer dizer a mesma coisa). Por esta expressão, pode-se efetivamente imaginar tanto um reino temporal quanto um reino espiritual. Se Ele mesmo se mostra reservado em relação ao título de “rei” que as pessoas querem Lhe atribuir, e se Ele foge quando querem fazê-Lo rei (João 6, 15), Ele reconhece, entretanto, uma forma de realeza: “Tu o disseste: Eu sou rei”(João 18, 37), Jesus responde a Pilatos quando este procura um motivo para condená-Lo. Se Jesus emprega estas palavras da tradição judaica, é no sentido bíblico que elas possuem. Se Jesus tem um reino, este reino não é deste mundo. Portanto ele não tem nada a ver com um poder, uma polícia, um exército. Jesus é até mesmo explícito quanto a isso: “Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus”(João 18, 36b). Seu reino é desprovido de toda e qualquer conotação política. Os Evangelhos nos falam desse reino, embora de modo ínfimo e pouco visível, como um grão semeado ou o fermento numa massa, quer dizer, cheios de potencialidades insuspeitas.
Se há um rei, podemos dizer que é um rei às avessas: Ele se deixa aclamar no dia dos Ramos, porém montado num jumento, a montaria dos pobres. Sua força se manifesta na doçura, Seu poderio reside na impotência de um Condenado cravado numa Cruz, o Altíssimo que se fez “Baixíssimo”. É em meio ao escárnio que Ele é chamado de Rei: revestido de um ridículo manto real e coroado de espinhos.
Mas é em meio a toda essa humilhação que explode a realeza do Amor capaz de transfigurar as pessoas e o universo inteiro. Pois este reino que Jesus veio anunciar, Ele o inaugurou ao libertar os cativos de suas prisões, ao curar os doentes, ao reintegrar os excluídos na sociedade, e esta tarefa, agora, é nossa.
Quando, no início do Século XX, foi instituída a festa de Cristo Rei, tratava-se, de fato, de recuperar o poder que a Igreja via escapar-lhe num contexto de secularização. Parece que, desta forma, fica-se bem perto da realeza triunfante esperada pelos primeiros discípulos. Usar um Deus Todo-Poderoso a seu proveito permanece uma tentação sempre presente. Mas isso significa desfigurar a imagem do Deus humilde, espantosamente amoroso, e que vivencia os sofrimentos humanos. O Deus que Jesus veio nos revelar.