sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Santo Antão, Padre do Deserto, 17 de Janeiro


Desde os primeiros tempos do cristianismo, na própria época apostólica, começa a manifestar-se a vida monástica: a prática dos conselhos evangélicos, renúncia ao mundo, retiro e solidão. Na primitiva Igreja, apareceu também a instituição das "virgens cristãs".

Durante o século III e princípios do IV, aumenta o número dos que, abandonando a família e tudo o que possuíam, se retiravam ao deserto para fazer penitência. "O substancial neste segundo estágio da vida monástica é o retiro à solidão de uma maneira definitiva, isolando-se para sempre do mundo, e entregando-se a determinadas práticas de piedade e penitência, vivendo em perfeita castidade". Eram chamados solitários, eremitas e mais comumente anacoretas. O mais famoso anacoreta foi Paulo, o eremita, morto em 347 no deserto do Egito.

Santo Antão (Antônio) nasceu em Cosme, no Alto Egito. Se a glória do eremita Paulo é ter dado o primeiro exemplo conhecido da vida escondida no deserto, a de Antão é a de ter reunido multidões de solitários sob as regras de uma vida comum. Antão havia recebido de seus pais uma educação profundamente cristã. Pouco tempo após a morte deles, estando com dezoito anos, ele escutou a leitura, na igreja, destas Palavras do Evangelho: "Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dê (tudo isso) aos pobres". Ele toma, assim, estas palavras para si e, querendo cumprir esta ordem à risca, ele se retira no deserto, onde divide seu tempo entre a oração e o trabalho; ele faz sua única refeição após o pôr do sol, ou seja, um pouco de pão, de sal e de água, e às vezes jejua até quatro dias inteiros. O pouco de sono a que se permite é sobre uma simples esteira de palha ou sobre a terra nua.

Assim sendo, com Santo Antão a vida monástica dá um novo passo: passa-se da vida totalmente isolada do anacoreta para uma forma embrionária de vida comum. "Os solitários, seus discípulos, viviam ainda em cabanas isoladas e cada um sozinho; mas todos formavam grupos ou comunidades, colocados sob a direção de Santo Antão. Era, por assim dizer, um termo médio entre a vida eremítica, propriamente dita, e a vida de comunidade cenobítica."

Esta evolução não se deu sem resistências de parte do próprio Antão. Ele buscava a solidão. Mas sua fama logo atraiu outros solitários, que constituíram choças em redor da sua.

Por duas vezes, ele se embrenha ainda mais no deserto e se aprofunda mais e mais na penitência e na oração. Antão viveu dezoito anos ininterruptos de solidão, mas quando seus discípulos chegaram de novo, procurando-o, compreendeu que a caridade é uma virtude superior à própria oração. Nunca, aliás, tinha recusado sua ajuda aos irmãos: no tempo da perseguição de Maximino, tinha descido à cidade de Alexandria para confirmar a fé dos perseguidos e sofrer o martírio. A perseguição o faz retornar ao mundo: "Vamos, diz ele, ver os triunfos de nossos irmãos que combatem pela causa de Deus; vamos combater com eles." Viam-no consolar os crentes em Jesus Cristo nas masmorras, acompanhá-los diante dos juízes e exortá-los à constância. Sua coragem espantava os juízes e os carrascos; ele esteve cem vezes para ser martirizado; mas Deus lhe reservava uma outra coroa. Mais tarde, voltou para combater os arianos. Nos últimos anos de sua vida, embora vivendo na solidão (admitia, contudo, visitas como as de Santo Atanásio, que morou com ele e escreveu posteriormente a sua vida), visitava regularmente seus discípulos do mosteiro de Pispir.

Tendo cessado a perseguição, ele retornou ao deserto, fundou mosteiros e tornou-se o pai espiritual de uma multidão de religiosos. O trabalho manual, os cânticos sagrados, a leitura das Sagradas Escrituras, a oração, os jejuns e as vigílias eram a sua vida.

Assim, a partir de 305, Antão dera início, sem pretendê-lo, ao monacato oriental. Esse movimento difundiu-se extraordinariamente. Segundo o testemunho de Santo Atanásio e do historiador Rufino, os seguidores imediatos de Santo Antão chegaram a seis mil. O passo posterior no desenvolvimento do monacato seria dado por São Pacômio, criador dos cenobitas.

Santo Antão é particularmente célebre por seus combates contra os demônios. Legiões infernais o atacavam e o deixavam semi-morto; os espíritos malignos, para assustá-lo, tomavam as formas mais horripilantes. Mas ele ria dos esforços deles. Após expulsá-los pelo sinal da Cruz: "Onde estavas Tu, Senhor?", ele gritava; e Deus lhe respondia: "Antão, Eu estava contigo e me alegrei com a tua vitória."

O deserto, habitado por anjos, florescia todas as virtudes, e Antão era a alma deste grande movimento cenobítico. Ele morreu aos cento e cinco anos. Sua alegria, ao deixar esta terra, foi tão grande que ele parecia ver o Céu aberto diante de seus olhos, e os espíritos celestes prontos a acompanhá-lo.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
(Cf PALACÍN S.J., Carlos; PISANESCHI, Nilo. Santo nosso de cada dia, rogai por nós!, São Paulo: Loyola, 1991
Abbé L. Jaud, Vie des Saints pour tous les jours de l'année, Tours, Mame, 1950.

São Marcelo I, Papa, Mártir / São Berardo e Companheiros, Franciscanos, Mártires, 16 de Janeiro

Nasceu em Roma. Foi eleito aproximadamente 4 anos depois da morte de Marcelino, devido às terríveis condições em que viviam os cristãos perseguidos por Diocleciano.


Durante o brevíssimo tempo do seu pontificado ditou alguma normas importantes. A primeira proibia a convocação de qualquer concílio geral sem a autorização do papa de Roma. A segunda estabelecia as modalidades a respeitar nos casos em que se concedia o perdão aos cristãos que tinham abjurado por medo durante as perseguições.


Marcelo negou-se a oferecer sacrifícios aos ídolos. O novo imperador, Magêncio, mandou prendê-lo e condenou-o a servir nos estábulos imperiais com o objectivo de o humilhar.


Morreu de privações e humilhações. Sepultaram-no no cemitério de Priscila.


Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/www/popup-saints.php?language=PT&id=10190&fd=0
 http://stejalleblv-valence.cef.fr/SAINT%20MARCEL-2_clip_image010.jpg

São Berardo e Companheiros

Em 1219, S. Francisco de Assis enviou em missão para Marrocos seis dos seus mais destemidos frades menores, apaixonados do Evangelho, precursores de todos os missionários portugueses, lançados ao mar tenebroso e à conquista dos povos para Cristo, obedecendo ao mandato do Infante de Assis em serviço do Rei dos reis, Jesus Cristo. E lá foram os obedientes frades de origem italiana: Vital, Berardo, Otão (sacerdotes), Pedro (Diácono), Acúrsio e Adjuto (Leigos).

Partiram descalços, sem dinheiro e nenhuma provisão conforme recomedava Francisco. Passaram por Portugal e, enfrentando muitas dificuldades, alcançaram Sevilha, que se encontrava sob o domínio dos mouros.

Foram recebidos em Coimbra pela rainha D. Urraca, mulher de Afonso II que então reinava em Portugal. Continuaram para Alenquer, onde se apresentaram à infanta D. Sancha, filha de D. Sancho I e irmã do rei D. Afonso II, fundadora do primeiro convento franciscano em Portugal.

Seguiram viagem e, depois de passarem em Lisboa, chegaram a Sevilha. Aí ficaram uma semana, finda a qual foram à mesquita, precisamente no dia em que os mouros festejavam Maomé, e começaram a pregar a doutrina de Jesus e denunciando que o profeta Maomé não passava de uma idolatria. Corridos à pancada para fora da mesquita, passaram a Marrocos, onde começam a percorrer as ruas pregando o nome de Jesus e, quando vêem aproximar-se o Miramolim Aboidil, com mais ânimo continuaram a proclamar a mensagem cristã. O Miramolim mandou-os prender e ficaram numas masmorras vinte dias sem comer nem beber.

Uma vez libertos, apressaram-se em retomar a sua missão. Decretada mais uma vez a sua morte, o Sultão encarrega o seu filho Abosaide de os prender e decapitar. É chegado então, e definitivamente, o momento tão desejado por estes frades: finalmente, o martírio pelo nome de Jesus iria acontecer. Foi realmente uma morte violenta a destes cinco frades. São açoitados e, atados de mãos e pés, arrastam-nos de um lado para o outro com cavalos. Em seguida, sobre seus corpos descarnados deixam cair azeite a ferver, continuando depois a arrastá-los pelo chão mas desta vez sobre vidros e cacos espalhados pelo chão.

O Miramolim ainda os tentou com dinheiro e mulheres. Mas não havia nada a fazer e o Miramolim dizia então que só a espada poderia calar aqueles homens decididos e firmes no que diziam. “Os nossos corpos miseráveis estão nas tuas mãos sob a tua autoridade, mas as nossas almas estão nas mãos de Deus." Com a sua ira no limite, o Miramolim pegou na sua cimitarra a acabou com a vida daqueles cinco frades, rachando-lhes o crânio ao meio e, depois, decepando-lhes as cabeças. São conhecidos como os primeiros mártires franciscanos do mundo. Isso ocorreu no mesmo ano da morte de São Francisco, em 1226, e conta-se que, quando São Francisco recebeu a notícia, exclamou: "Agora posso dizer que, verdadeiramente, tenho cinco irmãos". Era o ano de 1220. Cedo acabou a tarefa missionária daqueles cinco frades, mas a sua voz continua a ecoar por toda a terra e a sua mensagem até aos confins do mundo.

Os Mártires de Marrocos foram canonizados pelo Papa Sisto IV em 1481.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/www/popup-saints.php?language=PT&id=10189&fd=0
http://franciscodeassis.no.sapo.pt/sberardo.htm
http://www.evangelhoquotidiano.org/www/zoom_img.php?frame=41400&language=PT&img=&sz=full

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

São Mauro (ou Amaro) / Santo Arnaldo Janssen, Fundador, 15 de Janeiro


São Mauro salva São Plácido no riacho

Santo Amaro (no Brasil conhecido por São Mauro) é um monge do século VI que desde menino serviu à ordem dos Beneditinos. Foi confiado a São Bento, juntamente com o seu amigo Plácido, que também foi canonizado. Os meninos entraram para o mosteiro de Subiaco para estudarem e aprofundarem a sua fé em Deus.

Certo dia, São Bento estava a rezar enquanto Amaro se ocupava com as tarefas do mosteiro, e São Bento teve uma visão do menino Plácido, que tinha ido buscar água no riacho, a afogar-se. São Bento então chamou Amaro e avisou que o seu amigo estava a afogar-se e pediu a ele que corresse até lá e tentasse salvá-lo de qualquer forma. Santo Amaro apressou-se para salvar Plácido, e chegando ao riacho pronto para cumprir a tarefa que lhe havia pedido
 São Bento, caminhou sobre as águas e retirou de lá o amigo. Este foi seu primeiro milagre.

Pela sua prova de humildade e paciência, São Bento pediu que fosse à França e abrisse um mosteiro beneditino. O seu nome foi dado à Congregação Beneditina Francesa de Saint Maur, uma das mais importantes instituições católicas pela formação de seus monges. Santo Amaro faleceu no mosteiro francês aos setenta e dois anos, a 15 de janeiro de 567, depois de uma peste que também levou à morte muitos de seus monges.

Arnaldo Janssen - Fundador de três institutos missionários
Arnaldo Janssen, fundador de três institutos religiosos missionários - Congregação do Verbo Divino, Missionárias Servas do Espírito Santo e Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua, nasceu em Goch, no Norte da Alemanha, no seio de uma família profundamente cristã. O coadjutor da sua paróquia encaminhou-o para o seminário menor da diocese de Münster. Entre o estudo da filosofia e da teologia, por inclinação natural para a matemática e as ciências naturais e por ser ainda muito jovem, matriculou-se nas universidades de Münster e Bona onde se diplomou como professor do ensino secundário.


Foi ordenado sacerdote da diocese de Münster, a 15 de Agosto de 1861, e colocado como professor e vice-diretor no colégio diocesano de Bocholt. Aí tomou contacto com o Apostolado da Oração, que promoveu e de que se tornou diretor diocesano em 1867. Para se dedicar mais intensamente às tarefas apostólicas, em 1873 deixou os cargos no colégio.

Numa Alemanha que procurava a unificação dos seus vários estados, mas era ainda afetada por profundas divisões políticas e religiosas, Arnaldo Janssen empenhou-se na promoção da unidade dos cristãos. Sentia também o apelo de outra grande urgência: a evangelização dos povos não cristãos. Convenceu-se de que também na Igreja de expressão alemã devia haver um seminário das missões que formasse e enviasse missionários para os países ainda não evangelizados. Para divulgar a idéia da fundação e conseguir apoios: escreveu, percorreu paróquias, falou em congressos e reuniões de católicos e contatou personalidades do mundo missionário. Dado que não se sentia chamado a ir para as missões estrangeiras, Arnaldo não se considerava apto para fundador, mas o bispo Raimondi, prefeito apostólico de Hong Kong, mostrou-lhe que toda a obra missionária precisa de uma retaguarda sólida e lançou-lhe o desafio: “Funde o senhor um seminário das missões!”

Confrontado com a legislação restritiva da Alemanha, que proibia a abertura de novos seminários, Arnaldo Janssen resolveu fundar a sua casa missionária na Holanda, na pequena aldeia de Steyl, a poucos quilômetros da fronteira alemã. Apesar da extrema modéstia da casa, no dia 8 de Setembro de 1875, na homilia da missa inaugural, Arnaldo afirmou convictamente: “Se a obra é de Deus, o êxito é certo.”

Os primeiros tempos foram difíceis. A pobreza era grande e não eram menores as dificuldades internas. Três dos membros iniciais depressa saíram. Contudo alguns meses depois, para surpresa geral, a casa começou a desenvolver-se bem. Quatro anos mais tarde, em 1979, Arnaldo pôde enviar já os primeiros dois sacerdotes para a China, (entre os quais estava o P. José Freinademetez que vai também ser canonizado). Poucos anos depois, os Missionários do Verbo Divino e as Missionárias Servas do Espírito Santo trabalhavam já em diversos países da Europa, Ásia, África e Américas.

Arnaldo Janssen quis desde o início fundar também um instituto religioso feminino que reforçasse e completasse a ação dos seus sacerdotes e irmãos missionários. Assim, no dia 8 de Dezembro de 1989, fundou as Missionárias Servas do Espírito Santo. A 8 de Dezembro de 1896 fundou as Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua, um instituto de vida contemplativa para apoiar a atividade missionária através da oração constante e da adoração eucarística.

Arnaldo Janssen viveu numa época de profundas mudanças técnicas, sociais e políticas e foi um homem de visão. Valorizou muito a pessoa e a ação do irmão religioso e missionário proporcionando-lhe ótima formação profissional e tornando-o um parceiro válido e indispensável do sacerdote na atividade missionária. Abriu as suas casas a exercícios espirituais regulares para sacerdotes e leigos. Fortalecendo-os na fé e despertando neles o interesse pela atividade missionária da Igreja, encontrou neles apoio espiritual e material. Viu como poucos a importância da imprensa como veículo do ideal cristão e missionário e por isso montou tipografias e fundou revistas que informavam sobre a atividade missionária e geravam fundos consideráveis para o sustento das casas de formação e das missões. Abriu editoras em vários países; numa palavra, foi um autêntico pioneiro do apostolado da imprensa.

Quando morreu, no dia 15 de Janeiro de 1909, Arnaldo tinha enviado pessoalmente 730 missionários: 332 sacerdotes, 187 irmãos missionários e 211 irmãs religiosas. Hoje os seus filhos e filhas espirituais são 10.191 homens e mulheres de 65 nacionalidades - Missionários do Verbo Divino (6029), Servas do Espírito Santo (3.755), Servas da Adoração Perpétua (407) - e crescem, sobretudo, na Ásia onde teve início a ação missionária verbita.

Paulo VI beatificou-o em 19 de Outubro de1975, Dia Mundial das Missões e ano do centenário da Congregação do Verbo Divino. O Papa João Paulo II canonizou-o a 5 de Outubro de 2003, propondo-o como modelo de vida cristã e ideal missionário.

Aplica-se-lhe bem a epígrafe sobre o seu sarcófago na cripta da capela da casa-mãe da SVD em Steyl: - PATER, DUX, FUNDATOR (Pai, Guia, Fundador).

José Hipólito Jerônimo, SVD

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/www/popup-saints.php?language=PT&id=11319&fd=0
http://scholastmaur.free.fr/maur_sauve_placide.jpg

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

São Pedro Donders, 14 de Janeiro


Nasceu em Tilburg, no Brabante do Norte (Noord-Brabant, Países Baixos), em 27 de outubro de 1805. Filho de Arnold e de Petronila van den Brekel, com 32 anos foi ordenado sacerdote, em 5 de junho de 1842, Oogstgeest.

Profundamente impressionado pelas expressões de S. Paulo sobre o sacerdócio (Hb 5,1), em 1842 deixou a sua pátria e trabalhou apostolicamente por quase 45 anos sob o sol tropical da Guiana Holandesa (Suriname). Morreu em 14 de janeiro de 1887, em Batávia, então colônia de leprosos.

O seu corpo se acha atualmente na catedral de Paramaribo. Os pobres e abandonados foram desde sempre os seus prediletos.

Quando, em 1855, o Vicariato Apostólico da Guiana Holandesa foi confiado aos redentoristas, que queriam ocupar-se das almas mais abandonadas, Pe. Pedro pediu para ser admitido entre os mesmos e, em 27 de julho de 1867, emitiu os votos perpétuos, tornando-se definitivamente um dos filhos de Sto, Afonso. Logo depois, retornou para o meio de seus leprosos, entre os quais trabalhava com a máxima dedicação desde 1856. Além dos leprosos, ocupou-se também dos índios e dos negros. O seu primeiro biógrafo intitulou a sua obra Novo apóstolo dos negros, dos índios e dos leprosos. Entre os índios, teve grande sucesso com a tribo dos arauaques. Em relação aos negros, tinha cuidados especiais pelos que se achavam escravizados. A escravidão só foi supressa do Suriname em 1863, antes que no Brasil. Ele tentou também evangelizar os "negros selvagens", os que tinham sido levados da África para o trabalho escravo e que tinham fugido de seus patrões e se refugiados nas florestas tropicais. Somente em 1869, Pe. Pedro conseguiu com indescritível sacrifício entrar em contato com eles, mas o fruto desse apostolado foi muito exíguo. Pe. Pedro naturalmente prestou também aos brancos os seus serviços sacerdotais. De 1842 a 1856, trabalhou na capital, Paramaribo, e, de 1883 a 1885, em Coronie, na costa.

(Cf PALACÍN S.J., Carlos; PISANESCHI, Nilo. Santo nosso de cada dia, rogai por nós!, São Paulo: Loyola, 1991

Fontes:

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Santo Hilário de Poitiers, Doutor da Igreja, 13 de Janeiro


Audiência geral: 
Santo Hilário de Poitiers
Texto integral
 ROMA, Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007 (ZENIT.org) – Publicamos abaixo o texto integral da catequese dada pelo Papa Bento XVI durante a audiência geral, nesta quarta-feira, na Praça de São Pedro.

Caros irmãos e irmãs,

Hoje, quero falar de um grande Pai da Igreja do Ocidente, Santo Hilário de Poitiers, uma das grandes figuras episcopais que marcaram o Século IV. Ao longo do confronto com os arianos, que consideravam o Filho de Deus, Jesus, como uma criatura, sem dúvida eminente, porém unicamente como uma criatura, Hilário consagrou toda a sua vida à defesa da fé na divindade de Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus, como o Pai, que O gerou na eternidade.

Não dispomos de informações precisas sobre a maior parte da vida de Hilário. As fontes, muito antigas, dizem que ele nasceu em Poitiers, provavelmente em torno do ano 310. Oriundo de uma família abastada, ele recebeu uma sólida formação literária, bastante evidenciada em seus escritos. Não é provável que ele tenha crescido num meio cristão. Ele mesmo nos fala de um caminho de busca pela verdade que, pouco a pouco, o conduziu ao reconhecimento do Deus Criador e do Deus Encarnado, morto para nos dar a Vida Eterna. Batizado por volta do ano 345, ele foi eleito bispo de sua cidade natal em meados de 353-354. Nos anos seguintes, Hilário escreveu sua primeira obra, o Comentário ao Evangelho de Mateus. Trata-se do mais antigo comentário em língua latina que temos sobre este Evangelho. Em 356, Hilário assiste como bispo ao Sínodo de Béziers, no Sul da França, segundo suas próprias palavras, o "Sínodo dos Falsos Apóstolos", pois a reunião foi dominada por bispos filo-arianos, que negavam a divindade de Jesus Cristo. Esses "falsos apóstolos" pediram ao Imperador Constantino a condenação ao exílio do bispo de Poitiers. Hilário foi, assim, obrigado a deixar a Gália durante o verão de 356.

Exilado na Frigia, atual Turquia, Hilário encontrou-se em contato com um meio religioso totalmente dominado pelo arianismo. Lá também, sua solicitude de pastor moveu-o a trabalhar incansavelmente pelo restabelecimento da unidade da Igreja, calcada sobre a fé justa formulada pelo Concílio de Nicéa. Foi com este objetivo que ele começou a redação da sua obra dogmática mais importante e conhecida: De Trinitate (Sobre a Trindade). Nela, Hilário expõe seu caminho pessoal rumo ao conhecimento de Deus, e se preocupa em mostrar que as Sagradas Escrituras atestam claramente a divindade do Filho e sua igualdade com o Pai, não somente no Novo Testamento, mas também num grande número de páginas do Antigo Testamento, no qual já aparece o mistério do Cristo. Face aos arianos, ele insiste sobre a verdade dos Nomes do Pai e do Filho, e desenvolve toda a sua teologia trinitária a partir da fórmula do Batismo que nos foi dada pelo Senhor mesmo: "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".

O Pai e o Filho são da mesma natureza. E se certas passagens do Novo Testamento podem fazer supor que o Filho é inferior ao Pai, Hilário oferece regras precisas para evitar interpretações errôneas: certos textos das Escrituras falam de Jesus como (falam) de Deus; outros evidenciam sua humanidade. Certos textos se referem a Ele na sua pré-existência junto ao Pai; outros levam em consideração o estado de "abaixamento" (kenosi), ou seja, sua descida até a morte. Outros textos, enfim, O contemplam na glória da Ressurreição. Durante os anos de seu exílio, Hilário escreveu igualmente o Livro dos Sínodos, no qual ele reproduz e comenta, para seus confrades bispos da Gália, as confissões de fé e outros documentos de sínodos ocorridos no Oriente por volta da metade do Século IV. Sempre firme na sua oposição aos arianos radicais, Santo Hilário mostra um espírito conciliador perante os que aceitavam professar que o Filho era semelhante ao Pai na Sua essência, naturalmente procurando conduzi-los à plenitude da fé de Nicéa, segundo a qual não há somente uma semelhança, mas uma verdadeira igualdade do Pai e do Filho na divindade. Isso também me parece característico: o espírito de conciliação que busca compreender aqueles que ainda não chegaram à fé, e que os ajuda, com uma grande inteligência teológica, a alcançar a plenitude da fé na verdadeira divindade do Senhor Jesus Cristo.

Em 360 ou 361, Hilário pôde finalmente retornar à sua pátria, após o exílio, e retomou imediatamente a atividade pastoral na Igreja, mas a influência do seu magistério estendeu-se, na verdade, para muito além das fronteiras do seu país. Um sínodo ocorrido em Paris, em 360 ou 361, retoma a linguagem do Concílio de Nicéa. Alguns autores antigos pensam que esta mudança anti-ariana do episcopado da Gália deveu-se, em grande parte, à firmeza e à mansidão do bispo de Poitiers. Este era precisamente o seu dom: conjugar a firmeza na fé e a doçura nas relações interpessoais. Durante os últimos anos de sua vida, ele redigiu ainda os Tratados sobre os Salmos, um comentário sobre cinqüenta e oito Salmos, interpretados segundo o princípio sublinhado na introdução da obra: "Não há dúvida alguma de que todas as coisas que são ditas nos Salmos devem ser entendidas segundo o anúncio evangélico, de modo a que, qualquer que seja o tom com que o Espírito profético fale, tudo esteja ligado ao conhecimento da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, encarnação, paixão e reino, e à glória e poder da nossa ressurreição" (Instructio Psalmorum 5). Ele vê em todos os Salmos esta compreensão do mistério do Cristo e de Seu Corpo, que é a Igreja. Em diversas ocasiões, Hilário encontrou São Martinho: precisamente perto de Poitierso futuro bispo de Tours fundou um monastério, que existe ainda hoje. Hilário morreu em 367. Sua memória litúrgica é celebrada em 13 de janeiro. Em 1851, o Bem-Aventurado Pio IX o proclamou Doutor da Igreja.


Para resumir o essencial da sua doutrina, eu quero dizer que Hilário encontra o ponto de partida de sua reflexão teológica na fé batismal. No De Trinitate, Hilário escreve: Jesus "pediu para que se batize em Nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt 28, 19), quer dizer, na profissão de fé no Autor, no Filho Único e no Dom. Há somente um Autor de todas as coisas, pois Deus Pai é um só, do qual tudo procede. E Nosso Senhor Jesus Cristo é um só, através do qual tudo foi feito (1 Co 8, 6), e o Espírito é um só (Ef 4, 4), Dom em todos... Nada pode ser encontrado que falte a uma plenitude tão grande, em que a imensidão do Eterno, a revelação na Imagem, a alegria do Dom convergem para o Pai, o Filho e o Espírito Santo" (De Trinitate 2, 1). Deus Pai, sendo inteiramente Amor, é capaz de comunicar em plenitude Sua divindade ao Filho. Acho particularmente bela a seguinte fórmula de Santo Hilário: "Deus conhece apenas o Amor, Ele não sabe ser mais nada além de Pai. E Aquele que O ama não é invejoso, e Aquele que é o Pai, o É na Sua totalidade. Este Nome não admite ficar comprometido como se Deus pudesse ser o Pai sob certos aspectos, mas não o fosse sob outros" (ibid. 9, 61).

Eis por que o Filho é plenamente Deus sem falta alguma nem diminuição: "Aquele que vem da Prfeição é Perfeito, pois Aquele que tudo tem, tudo Lhe deu" (ibid. 2, 8). É apenas no Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, que a humanidade encontra sua salvação. Assumindo a natureza humana, Ele uniu cada Homem a Ele, "Ele se fez nossa carne para todos" (Tractatus in Psalmos 54, 9) ; "Ele assumiu em Si a natureza de toda carne, e por meio desta Ele se tornou a Verdadeira Vida, Ele possui em Si as raízes de cada galho" (ibid. 51, 16). É precisamente por esta razão que o caminho para o Cristo é aberto a todos – pois Ele atraiu cada um na sua natureza de homem – mesmo se a conversão pessoal se faz sempre necessária: "Através da relação com Sua carne, o acesso ao Cristo é aberta a todos, contanto que eles se despojem do homem velho (cf. Ep 4, 22) e que eles o preguem sobre sua cruz (cf. Col 2, 14); contanto que eles abandonem as obras de outrora e que eles se convertam, para serem enterrados com Ele no Seu batismo, visando a Vida (cf. Col 1, 12; Rm 6, 4)" (ibid. 91, 9).

A fidelidade a Deus é um Dom da Sua graça. Eis por que Santo Hilário pede, ao final de seu Tratado sobre a Trindade, para conseguir permanecer sempre fiel à fé do Batismo. É uma característica deste livro: a reflexão se transforma em oração, e a oração volta a ser reflexão. Todo o livro é um diálogo com Deus. Eu quero concluir a catequese de hoje com uma destas orações, que se torna, assim, a nossa oração: "Faça, ó Senhor - recita Santo Hilário de maneira inspirada - que eu permaneça sempre fiel ao que eu professei no Símbolo da minha regeneração, quando fui batizado no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Faça com que eu Te adore, nosso Pai, e ao mesmo tempo que eu adore Teu Filho; faça com que eu mereça Teu Espírito santo, que procede de Ti através do teu Filho único... Amém"  (De Trinitate 12, 57).

Tradução:
Gisele Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
http://www.zenit.org/article-16375?l=french

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

São Bento Biscop, Abade, Fundador de Wearmouth e de Jarrow, 12 de Janeiro

Na brumosa Inglaterra, e de nobre família cortesã, nasceu Bento Biscop, no ano de 629. Oswy reinava sobre o território de Nortúmbria, e desde o primeiro momento tratou o jovem cortesão com especial solicitude.

Movido por suas precoces inquietudes religiosas, Bento viajou para Roma, desejando aprofundar-se na observância cristã e no estudo das ciências eclesiásticas. Tempos depois, Bento regressou para a sua pátria, onde recebeu a entusiasta ajuda de Egfrido, herdeiro e sucessor de Oswy.

Bento fundou o monastério Wearmouth, colaborou com Teodoro de Tarso, arcebispo de Cantuária, com Adriano, na gigantesca tarefa de evangelizar a Grã-Bretanha.

Depois de fundar o seu segundo mosteiro, o de São Pedro de Jarrow, dedicou-se Bento Biscop ao ensino da música gregoriana e do completo ritual do catolicismo nas práticas religiosas das Ilhas Britânicas. Fomentou a arte em suas diversas expressões, pictórica, escultórica e arquitetônica, e acabou sendo um dos grandes pilares da incorporação inglesa à comunidade cristã do Ocidente.

Durante a vida, São Bento Biscop foi para todos um exemplo vivo do mais puro amor a Deus e de todas as virtudes religiosas. Mas isso se manifestou de modo especial nos últimos anos de sua vida. Debilitado por várias enfermidades, deu a todos o exemplo de paciência e resignação cristã. Durante sua longa enfermidade, gostava de relatar suas correrias apostólicas e suas viagens a Roma, assim como os fatos que havia testemunhado em um sem-número de casas religiosas. E quando já não mais conseguia dispor de forças para falar ou rezar, pedia que um monge viesse recitar para ele as do ofício divino. Assim o fez, sobretudo durante os três últimos anos de sua vida, quando uma paralisia lhe tolheu todo e qualquer movimento.

Particularmente digno de menção é seu constante esforço para manter a presença de Deus, do qual brotavam ardentes exortações, que dirigia a seus discípulos: "Não considereis como minhas as constituições que vos dei. Depois de visitar dezessete mosteiros, que viviam na melhor observância, procurei fazer uma síntese das regras e práticas religiosas que me pareceram as melhores, e isto é que vos dei. Este é o meu testamento".

(Cf PALACÍN S.J., Carlos; PISANESCHI, Nilo. Santo nosso de cada dia, rogai por nós!, São Paulo: Loyola, 1991)




Fontes:

http://www.puc-rio.br/campus/servicos/pastoral/santo_janeiro.html

imagem: http://www.pliniocorreadeoliveira.info/DIS_SD_11_01_66%20_Sao_Bento_Biscop.htm