Matias, o Apóstolo“póstumo”. É assim chamado porque surgiu depois da morte do Apóstolo Judas Iscariotes, o traidor. Alguns teólogos se referem a ele como o décimo terceiro Apóstolo, pois foi eleito para ocupar esse posto, conforme consta dos Atos dos Apóstolos, na Bíblia.
A eleição dos onze apóstolos deu-se dias depois da Ascensão de Jesus e da vinda do Espírito Santo e assim foi descrita: "Depois da Ascensão de Jesus, Pedro disse aos demais discípulos: 'Irmãos, em Judas se cumpriu o que dele se havia anunciado na Sagrada Escritura: Com o preço de sua maldade se comprou um campo'. O salmo 109 ordena 'que outro receba seu cargo'.
Convém, então, que elejamos um para o lugar de Judas. E o eleito deve ser dos que estiveram entre nós o tempo todo em que o Senhor conviveu entre nós, desde que foi baptizado por João Baptista até que ressuscitou e subiu aos céus' " (At 1, 21-26).
As outras informações existentes sobre Matias fazem parte das tradições e dos escritos da época. Esses registros, entretanto, são apenas fragmentos com algumas citações e frases, que foram recuperadas e, segundo os teólogos, são de sua autoria. De fato, existe uma certa confusão entre os apóstolos Matias e Mateus em alguns escritos antigos.
Segundo a tradição, Matias evangelizou na Judeia, Capadócia e, depois, a Etiópia. Ele sofreu perseguições e o martírio, morrendo apedrejado e decapitado em Colchis, Jerusalém, testemunhando sua fidelidade a Jesus.
Há registros de que Santa Helena, mãe do imperador Constantino, o Grande, mandou trasladar as relíquias de São Matias para Roma, onde uma parte está guardada na igreja de Santa Maria Maior. O restante delas se encontra na antiquíssima igreja dedicadas a São Matias, em Treves, na Alemanha, cidade que a tradição diz ter sido evangelizada por ele e que o tem como seu padroeiro.
São Matias era comemorado no dia 24 de fevereiro, mas atualmente a sua festa ocorre no dia 14 de maio.
Em preparação para as aparições de Nossa Senhora, um anjo que se identificou como o Anjo de Portugal, falou em primeiro lugar às crianças dizendo-lhes: "Não tenham medo. Eu sou o anjo da Paz. Rezem comigo".
Depois ajoelhou-se, inclinando-se até tocar o seu rosto no solo e rezou:
"Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos!
Peço-Vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam!"
E disse esta oração três vezes.
Quando parou, disse às crianças:"Rezem assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz de suas súplicas".Ele deixou as crianças que começaram a dizer esta oração freqüentemente.
Na aparição final do anjo, ele trouxe-lhes um cálice o qual suspendeu no ar; por cima deste havia uma hóstia. Gotas de sangue caíam da Hóstia para o cálice. Antes de oferecê-lo a Lúcia, a única que tinha recebido a Primeira Comunhão, ele se prostrou na terra e disse:
"Santíssima Trindade,
Pai, Filho, Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da terra,
em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores."
Ele repetiu esta oração três vezes e ao parar, levantou a Hóstia e olhando-a disse: "Comam e bebam o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente insultado pelos homens ingratos.Façam reparação por seus crimes e consolem a Deus".
A primeira aparição de Nossa Senhora ocorreu no dia 13 de maio, quando a Virgem apareceu flutuando em uma nuvem, rodeada de uma luz brilhante e segurando um rosário. Ela disse aos pastorinhos: "Não tenham medo. Eu não lhes farei mal!"
Lúcia perguntou à Senhora de onde era, ao que Ela respondeu: "Eu sou do céu". Depois disso, Lúcia perguntou-lhe o que queria deles. A Senhora replicou: "Eu venho pedir-lhes que venham aqui por seis meses consecutivos, no dia13 aesta mesma hora. Depois Eu lhes direi quem sou, e o que quero.Depois eu voltarei aqui pela sétima vez".
Lúcia perguntou se ela iria ao céu, a Senhora respondeu-lhe,"Sim, sim irás". Depois perguntou se Jacinta e Francisco iriam também ao céu. A Senhora respondeu:"Também. Mas Francisco terá que dizer muitos rosários!"
Depois Lúcia perguntou-lhe sobre duas meninas que tinham morrido recentemente, e a Senhora respondeu de novo:"Vocês desejam oferecer-se a Deus, suportar todos os sofrimentos que Ele se compraz em enviar-lhes, como um ato de reparação pelos pecados pelos quais Ele é ofendido, e pedir pela conversão dos pecadores?" As crianças responderam:"Sim, sim desejamos". A Senhora então lhes disse que eles teriam que sofrer muito, mas que a Graça de Deus seria seu consolo.
Na aparição de julho, a Virgem disse às crianças: "Sacrifiquem-se pelos pecadores, e repitam com frequência, especialmente quando fizerem um sacrifício por eles: 'O Jesus, é por amor a Ti, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria' ".
Ela também confiou a eles três segredos muito importantes, que eles tinham que guardar até que Ela decidisse quando poderiam revelar. Também predisse dar-lhes um grande sinal no dia da futura aparição em outubro.
"Quando vocês rezarem o Rosário, digam depois de cada mistério 'Oh meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o céu, especialmente as que mais necessitarem da Tua Misericórdia' ".
Em 13 de outubro de 1917, Nossa Senhora apareceu às três crianças, que tinham reunido por volta de 70 mil pessoas que foram testemunhas do incrível fenômeno do sol. Nossa Senhora se manifestou com o título de"Nossa Senhora do Rosário".
Em 17 de outubro,O Dia, um jornal de Lisboa, reportou o seguinte:"À uma da tarde, meio-dia pelo sol, a chuva parou. O céu, com uma cor cinza-perolado, iluminava a vasta paisagem árida com uma luz estranha.
O sol tinha um fino véu transparente, viu-se girar e rodopiar no círculo das nuvens abertas. Um grito saiu de cada boca e as pessoas caíram de joelhos no chão pantanoso.
A luz tornou-se de azul formoso como se tivesse vindo através de vidros defumados de janelas de catedral e espalhou-se sobre as pessoas que estavam ajoelhadas com as mãos abertas. O azul se desvaneceu devagar e então a luz parecia passar através de um vidro amarelo. Manchas amarelas caíram sobre os panos brancos e sobre as saias escuras das mulheres. Também foram vistas nas árvores, nas pedras e na serra. As pessoas choravam e rezavam com as cabeças descobertas na presença do milagre que eles tinham esperado."
Outro grande jornal de Lisboa, oSéculo, mandou seu editor, Avelino de Almeida, ao local das aparições. Ele veio preparado para ridicularizar as aparições, entretanto isto foi o que ele reportou:
"Desde a estrada, onde os veículos estavam estacionados, estavam reunidas centenas de pessoas que não se atreviam a atravessar o pântano, podia-se ver a imensa multidão que olhava para o sol, o que parecia estar livre das nuvens e a pino. Parecia como uma placa de prata desbotada e era possível olhá-lo sem nenhum incômodo.
Poderia ter sido um eclipse que estava acontecendo. Mas nesse momento escutou-se um grande grito e podia-se escutar os espectadores mais próximos gritando: 'Milagre! Milagre!' Diante dos olhos atônitos da multidão, cujo aspecto era bíblico como se estivessem descobertos, ansiosamente buscando o céu, o sol tremeu, fez alguns movimentos incríveis fora de suas leis cósmicas — o sol 'dançou' — de acordo com as expressões típicas das pessoas."
O Doutor Joseph Garret, um professor de ciências da Universidade de Coimbra notou isto:
"Este não foi um relampear normal de um corpo celestial, porque o sol girou ao redor de si mesmo em um redemoinho louco, quando repentinamente o clamor foi escutado por todas as pessoas. O sol, rodopiando, parecia perder-se do firmamento e avançar ameaçador sobre a terra como se fosse esmagar-nos com seu grande peso abrasador. A sensação durante estes momentos era terrível."
Santa Joana nasceu no dia 6 de fevereiro de 1452. Era filha primogênita de Dom Afonso V, rei de Portugal. Órfã de mãe aos 15 anos, tomou para si os encargos do governo da casa real. Possuía grande beleza e personalidade marcante. Exerceu a regência do Reino quando seu pai foi à frente de uma esquadra conquistar Arzila e Tânger, na África.
Desejosa de se consagrar a Deus na Ordem Dominicana, precisou vencer a resistência do pai e de seu irmão Dom João (futuro Dom João II), que desejavam um casamento vantajoso para ela. Embora pretendida por muitos príncipes, entre eles o filho de Luis XI da França, para espanto de todos, em 1471 recolheu-se temporariamente no mosteiro de Odívelos. Conseguiu ingressar no convento dominicano de Aveiro, mas devido a sua frágil saúde viu-se impedida.
Continuou passando no convento a maior parte do seu tempo, conservando o hábito religioso; mesmo quando estava fora do convento praticava eximiamente a regra da Ordem. Levava vida penitente, usando cilício sob as vestes reais e passando as noites em oração. Jejuava freqüentemente e como divisa ou insígnia real usava uma coroa de espinhos.
Os pobres, os enfermos, os presos, os religiosos viam nela a sua protetora e amparo. Conservava um livro onde anotava os nomes de todos os necessitados, o grau de pobreza de cada um e o dia em que deveria ser dada a esmola. Por ocasião da Semana Santa, lavava os pés de doze mulheres pobres e as presenteava com roupas, alimentos e dinheiro. Dali foi para o mosteiro de Aveiro, onde viveu despojada de tudo até a morte, no dia 12 de maio de 1490 e foi beatificada em 1693.
ORAÇÃO
Santa Joana de Portugal, vós que tudo tivestes para imperar como soberana entre as mais fartas lisonjas, honras e riquezas preferistes o caminho do calvário, vós que escolhestes os pobres como um de vossos maiores amores, vós que em tudo procurastes proceder como Jesus, eu vos louvo profundamente pela vida que abraçastes e vos peço com todo o coração, que intercedais por mim a Deus, para que também eu e toda a humanidade possamos ter este grande desejo de santidade acima de todas as coisas, para sermos plenamente agradáveis ao nosso Deus. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
O pai, Antônio Galvão de França, nascido em Portugal, era o capitão-mór da vila. Sua mãe, Isabel Leite de Barros, Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestígio social e influência política. O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, mandou o filho com a idade de treze anos para o Colégio de Belém, dos padres jesuítas, na Bahia, onde já se encontrava seu irmão José.
Lá fez grandes progressos nos estudos e na prática cristã, de 1752 a 1756. Queria tornar-se jesuíta, mas por causa da perseguição movida contra a Ordem pelo Marquês de Pombal, seu pai o aconselhou a entrar para os franciscanos, que tinham um convento em Taubaté, não muito longe de Guaratinguetá. Assim, renunciou a um futuro promissor e influente na sociedade de então, e aos 16 anos, entrou para o noviciado na Vila de Macacu, no Rio de Janeiro.
Distinguia-se pela piedade e virtudes. A 16 de abril de 1761 fez seus votos solenes. Um ano após foi admitido à ordenação sacerdotal, pois julgaram seus estudos suficientes. Este privilégio mostra a confiança que nutriam pelo jovem clérigo.
Foi então mandado para o Convento de São Francisco em São Paulo a fim de aperfeiçoar os seus estudos de filosofia e teologia, e exercitar-se no apostolado. Data dessa época a sua "entrega a Maria", como seu "filho e escravo perpétuo", consagração mariana assinada com seu próprio sangue a 9 de março de 1766.
Terminados os estudos foi nomeado Pregador, Confessor dos Leigos e Porteiro do Convento, cargo este considerado de muita importância, pela comunicação com as pessoas e o grande apostolado resultante. Foi confessor estimado e procurado e, muitas vezes, quando era chamado ia sempre a pé mesmo nos lugares mais distantes. Em 1769-70 foi designado confessor de um Recolhimento de piedosas mulheres, as "Recolhidas de Santa Teresa", em São Paulo.
Fundação de Novo Recolhimento
Neste Recolhimento encontrou Irmã Helena Maria do Espírito Santo, religiosa de profunda oração e grande penitência que afirmava ter visões pelas quais Jesus lhe pedia para fundar um novo Recolhimento. Frei Galvão, ouvindo também o parecer de pessoas sábias e esclarecidas, considerou válidas essas visões. No dia 2 de fevereiro de 1774 foi oficialmente fundado o novo Recolhimento e Frei Galvão era o seu fundador.
Em 23 de fevereiro de 1775, um ano após a fundação, Madre Helena morreu repentinamente. Frei Galvão tornou-se o único sustentáculo das Recolhidas, missão que exerceu com humildade e grande prudência. Enquanto isso o novo capitão-general da capitania de São Paulo, homem inflexível e duro, retirou a permissão e ordenou o fechamento do Recolhimento. Fazia isso para opor-se ao seu predecessor, que havia promovido a fundação. Frei Galvão aceitou com fé e também as recolhidas obedeceram, mas não deixaram a casa e resistiram até os extremos das forças físicas. Depois de um mês, graças a pressão do povo e do Bispo, o recolhimento foi aberto.
Devido ao grande número de vocações, o Servo de Deus se viu obrigado a aumentar o recolhimento. Durante catorze anos cuidou dessa nova construção (1774-1788) e outros catorze para a construção da igreja (1788-1802), inaugurada aos 15 de agosto de 1802. Frei Galvão foi arquiteto, mestre de obras e até mesmo pedreiro. A obra, hoje o Mosteiro da Luz, foi declarada "Patrimônio Cultural da Humanidade" pela UNESCO.
Frei Galvão, além da construção e dos encargos especiais dentro e fora da Ordem Franciscana, deu toda a atenção e o melhor de suas forças à formação das Recolhidas. Era para elas verdadeiro pai e mestre. Para elas escreveu um estatuto, excelente guia de vida interior e de disciplina religiosa. Esse é o principal escrito de Frei Galvão, e que melhor manifesta a sua personalidade.
Frei Galvão era considerado santo já em vida e a cidade fez dele o seu prisioneiro. Em várias ocasiões as exigências da sua Ordem Religiosa pediam que se mudasse para outro lugar para realizar outras funções, mas tanto o povo e as Recolhidas, como o bispo, e mesmo a Câmara Municipal de São Paulo intervieram para que ele não saísse da cidade. Diz uma carta do "Senado da Câmara de São Paulo" ao Provincial (superior) de Frei Galvão: "Este homem tão necessário às religiosas da Luz, é preciosíssimo a toda esta Cidade e Vilas da Capitania de São Paulo, é homem religiosíssimo e de prudente conselho; todos acorrem a pedir-lho; é homem da paz e da caridade".
Frei Galvão viajava constantemente pela capitania de São Paulo, pregando e atendendo as pessoas. Fazia todos esses trajetos sempre a pé, não usava cavalos nem a liteira levada por escravos, o que era absolutamente normal para aquele tempo. Vilas distantes sessenta quilômetros ou mais, municípios do litoral, ou mesmo viajando para o Rio de Janeiro, enfim, não havia obstáculos para o seu zelo apostólico. Por onde passava as multidões acorriam. Ele era alto e forte, de trato muito amável, recebendo a todos com grande caridade.
Fenômenos místicos e canonização
Frei Galvão era homem de muita e intensa oração, e dele se atestam certos fenômenos místicos, como os êxtases e a levitação. São famosos em sua vida os casos de bilocação: estando em determinado lugar, aparecia em outro, improvisamente, para atender um doente ou moribundo que precisava da sua atenção.
Era também procurado para a cura, em tempos em que não havia recursos e ciência médica como hoje. Numa dessas ocasiões, inspirado por Deus, escreveu num pedaço de papel uma frase em latim do Ofício de Nossa Senhora: Post partum Virgo Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis, que poderia ser traduzida assim: "Depois do parto, Ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós!". Enrolou o papel em forma de pílula e deu a um jovem que estava quase morrendo por fortes cólicas renais. Imediatamente cessaram as dores e ele expeliu um grande cálculo. Logo veio um senhor pedindo orações e um 'remédio' para a mulher que estava sofrendo em trabalho de parto. Frei Galvão fez novamente uma pilulazinha, e a criança nasceu rapidamente. A partir daí teve que ensinar as irmãs do recolhimento a confeccionar as pílulas e dar às pessoas necessitadas, o que elas fazem até hoje.
É interessante ver na imensa relação de graças alcançadas por intermédio de Frei Galvão, no Mosteiro da Luz, que, embora cerca de 60 a 70% das graças sejam relacionadas a cura de câncer, um grande número de graças refere-se a problemas por cálculos renais, gravidez e parto, ou de casais que não conseguiam ter filhos e foram atendidos.
Em 1811, a pedido do bispo de São Paulo, Dom Mateus de Abreu Pereira, Frei Galvão fundou o Recolhimento de Santa Clara em Sorocaba, onde permaneceu por onze meses para encaminhar a nova fundação e comunidade. Posteriormente, após a sua morte, outros mosteiros foram fundados por essas duas comunidades, seguindo assim, a orientação deixada pelo beato.
Faleceu em 23 de dezembro de 1822 e, a pedido do povo e das irmãs, foi sepultado na igreja do Recolhimento da Luz, que ele mesmo construíra. Seu túmulo sempre foi lugar de contínuas peregrinações.
Beatificação
Em 8 de abril de 1997, foi beatificado pelo papa João Paulo II, tornando-se o primeiro beato brasileiro. O milagre que o conduziu à beatificação aconteceu em 1990 em São Paulo, com a menina Daniela, que aos 4 anos de idade teve complicações bronco-pulmonares e crises convulsivas.
Foi então internada na UTI do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, com diagnóstico de encefalopatia hepática por conseqüência da hepatite causada pelo vírus A, insuficiência hepática grave, insuficiência renal aguda, intoxicação por causa de metocloropramida e hipertensão.
Os sintomas acima a levaram a uma parada cardio-respiratória que evoluiu com epistaxe, sangramento gengival, hematúria, ascite, broncopneumonia, parotidite bilateral, faringite, e mais duas infecções hospitalares.
Após 13 dias de UTI, os familiares, amigos, vizinhos e religiosas do Mosteiro da Luz rezaram e deram à menina as pílulas de Frei Galvão. Em 13 de junho de 1990, a menina Daniela deixou a UTI e, em 21 de junho, teve alta do hospital, considerada curada.
O pediatra que a acompanhou atestou perante o Tribunal Eclesiástico que: "Atribuo à intervenção divina, não só a cura da doença, mas a recuperação total dela".
Canonização
O papa Bento XVI reconheceu em 16 de dezembro de 2006 o segundo milagre do frade franciscano António de Sant'Ana Galvão, canonizando-o em 11 de maio de 2007, durante a visita do pontífice ao Brasil. A comprovação oficial e o anúncio foram feitos em 16 de dezembro de 2006. Com isso, ele é o primeiro brasileiro nato a ser declarado santo pelo Vaticano.
Trata-se do caso da Sra. Sandra Grossi de Almeida e de seu filho Enzo de Almeida Gallafassi, da cidade de São Paulo-SP, hoje residentes em Brasília-DF, Brasil.
A Sra. Sandra já havia sofrido três outros abortos espontâneos, devido a malformação do seu útero, que tornara impossível levar a termo qualquer gravidez.
Em maio de 1999, Sandra ficou novamente grávida e sabia que a qualquer momento poderia ter uma hemorragia e morrer.
Apesar do prognóstico médico ser de provável interrupção da gravidez ou de que esta chegasse, no máximo, ao quinto mês, a gestação evoluiu normalmente até a trigésima segunda semana da gestação.
Por ser caso alto risco, foi decidido parto por cesariana em 11/12/1999, pois exames comprovavam problemas ma, o parto não teve nenhuma complicação.
A criança nasceu pesando 1.995 gr. e medindo 0,42 cm, mas apresentou problemas respiratórios gravíssimos. Foi entubada, porém teve uma evolução positiva muito rápida e foi extubada no dia seguinte. Recebeu alta hospitalar dia 19/12/1999.
O êxito favorável deste caso raro foi atribuído a intercessão do Beato Frei Antônio de Sant'Anna Galvão, que foi desde o início e durante toda a gravidez invocado pela família com muita oração e por Sandra, que além das novenas contínuas que fez, tomou também as "Pílulas de Frei Galvão" com fé e com a certeza de sua ajuda.
Realizado o processo diocesano, os Peritos Médicos da Congregação das Causas dos Santos, aprovaram, por unanimidade, o fato como "cientificamente inexplicável no seu conjunto, segundo os atuais conhecimentos científicos".
Finalmente, o Santo Padre Bento XVI depois de conhecer o fato, autorizou no dia 16/12/2006, a Congregação das Causas dos Santos a promulgar o Decreto, a respeito do milagre atribuído à intercessão do Beato Frei Antônio de Sant'Anna Galvão.
O nome do primeiro santo brasileiro ficou Santo Antônio de Sant'Anna Galvão, conhecido comumente como São Frei Galvão.
A missa foi realizada no Campo de Marte num dia frio e ensolarado, com a presença de milhares de fiéis vindos de toda a parte do mundo e com transmissão ao vivo para todo o país.
Damião De Veuster nasceu no dia 3 de Janeiro de 1840, na Bélgica, e morreu no dia 15 de Abril de 1889, com o corpo e o rosto desfigurados pela hanseníase (lepra). Declarado bem-aventurado pelo papa João Paulo II e santo por Bento XVI, a figura deste missionário continua suscitando perguntas sobre a radicalidade de sua entrega.
Enviado para o Havaí, Damião deixa o porto de Brema, na Alemanha, em 1863. Distribui seu retrato aos familiares, sabendo que nunca mais iria revê-los, e carrega consigo somente um pequeno crucifixo, único companheiro de sua vida missionária. A entrega total de sua vida a Deus e à causa missionária começa já neste momento da saída definitiva, para não mais voltar. A missão é sempre um caminho sem retorno. Arrebatado pelo amor de Jesus, o missionário vive completamente pelo Reino. Quando, em 1873, o bispo Maigret convoca os missionários e revela sua preocupação e dor pela situação de miséria e abandono em que se encontravam os hansenianos na ilha de Molokai, Damião é o primeiro a se oferecer para pisar naquela ilha“maldita”. A hanseníase, naquele tempo, era um verdadeiro terror para todos.
Quem se contagiasse deixava de fazer parte da sociedade civil e era totalmente segregado. Os hansenianos daquela área eram obrigados a procurar Molokai e a viver como animais, até a morte. Damião chega à ilha no dia 10 de maio de 1873. Um grande grupo de hansenianos aproxima-se e ele não hesita em apertar a mão de cada um. Bem cedo, torna-se a única esperança daqueles pobres. Ama-os e identifica-se com eles. Começa sempre seus discursos com as palavras:“Nós, leprosos”. Ainda não sabe que, mais tarde, isto será realidade também para ele. Ajuda a organizar a comunidade dos hansenianos e a garantir-lhes uma vida mais digna.
Esta completa dedicação faz-se amor sem limites. Compartilhando a vida dos excluídos, luta para que não vivam como animais. A dedicação faz o missionário solidário. Morre hanseniano e abandonado, com seus amigos hansenianos e também abandonados.
A vida de Damião de Molokai revela algo de fundamental para o caminho da missão: o amor a Jesus Cristo traduz-se numa vida doada e oferecida aos mais pobres e excluídos, sem reservas e até as últimas conseqüências. Não se pode reter uma parte de si mesmo. Não se pode oferecer somente o supérfluo. A missão é um projeto de vida doada para sempre e em toda sua radicalidade. A fonte para tal heroísmo pode ser expressada com estes termos: a vida adquire seu maior significado e tem valor de imortalidade quando é doada aos pobres, sem reservas, por amor a Jesus e ao seu Reino.
Pacômio nasceu no Egito em 287, em Tebaida. Filho de pais pagãos, cheios de superstições e idolatrias, desde a infância mostrou grande aversão a tudo isso. Aos vinte anos de idade foi convocado para o exército imperial, acabou sendo aprisionado em Tebes. Foi quando fez o seu primeiro contato com os cristãos, cuja religião até então lhe era desconhecida.
À noite, na prisão, recebeu um pouco de alimento de alguns cristãos que, escondidos, conseguiram lá entrar. Comovido com esse gesto de pessoas desconhecidas, perguntou quem havia mandado que fizessem aquilo e eles responderam:“Deus que está no céu”. Nessa noite, Pacômio rezou com eles para esse Deus, sentindo já nas primeiras palavras ouvidas que esta seria a sua doutrina. O Evangelho o tocou de tal forma que ele se converteu e voltou para o Egito, onde recebeu o batismo.
Depois, compartilhou durante sete anos a companhia de um ancião eremita de nome Palêmon, cuja vida era dedicada à oração. A princípio, o ancião não quis aceitá-lo como discípulo, porque sabia que a vida de solidão e orações não era nada fácil. Mas Pacômio estava determinado e convenceu-o de que deveria ficar.
Um dia, durante suas caminhadas, Pacômio ouviu uma voz que lhe dizia para inaugurar ali, exatamente naquele lugar, um mosteiro onde receberia e acolheria muitos religiosos. Depois, apareceu-lhe um anjo que o ensinou como deveria organizar o mosteiro.
Pacômio pôs-se a trabalhar arduamente até concluir a construção do mosteiro. As profecias que ele ouviu se concretizaram e muitas pessoas se juntaram a ele. Monges, eremitas e religiosos de todos os lugares pediram admissão no mosteiro de Pacômio, que obteve a aprovação do bispo Atanásio, santo e doutor da Igreja. Até seu irmão João, que distribuiu toda a sua riqueza entre os pobres, uniu-se a ele.
Com Pacômio nasceu a vida monástica, ou cenobítica, no Egito, não mais como um chefe carismático que agregava ermitãos reunidos em pequenos grupos em torno de si, mas uma comunidade de religiosos, com regras precisas de vida em comum na oração, contemplação e trabalho, a exemplo dos primeiros apóstolos de Jesus.
Pacômio ainda abriu mais oito mosteiros masculinos e um feminino. Sua fama de santidade espalhou-se pelo Egito e pela Ásia Menor. Foi agraciado por Deus com o dom da profecia.
Morreu no ano de 347, vítima de uma peste que assolava o Egito na época. Até o Século XII havia, ainda, cerca de quinhentos monges da Ordem de São Pacômio, o Eremita, que até hoje é considerado um dos representantes de Deus que mais prestaram serviço à Igreja Católica.