segunda-feira, 18 de maio de 2009

São Ivo (Yves) Hélory de Kermartin, "Advogado dos Pobres", 19 de Maio

Ivo, ou melhor, Yves Hélory de Kermartin, filho de um nobre, nasceu em 17 de outubro de 1253, no castelo da família, na Baixa Bretanha, França. Educado e orientado por sua mãe, muito religiosa, até a idade de catorze anos, recebeu uma sólida formação religiosa e cultural. Nessa ocasião, decidiu continuar os estudos em Paris, acompanhado de seu professor, João de Kernhoz. 
Os próximos doze anos foram dedicados aos estudos de teologia e filosofia na escola de são Boaventura e de direito civil e canônico, cursados na cidade de Orléans, junto ao famoso jurista Pierre de la Chapelle. Era muito respeitado no meio acadêmico, por sua aplicação nos estudos e devido à sua vida de piedade muito intensa. Dessa forma, atender ao chamado do Senhor pelo sacerdócio seria apenas uma questão de tempo para Ivo. 
Atuou como destacado advogado, tanto na corte civil quanto na corte eclesiástica. Aos vinte e sete anos, passou a trabalhar para o diaconato da diocese de Rennes, onde foi nomeado juiz eclesiástico. Pouco tempo depois, o bispo o convocou para trabalhar junto dele na mesma função, mas antes o consagrou sacerdote. 
Ivo, aos poucos, despojou-se de tudo para se conformar de maneira radical a Jesus Cristo, exortando os seus contemporâneos a fazerem o mesmo, por meio de uma existência diária feita de santidade, no caminho da verdade, da justiça, do respeito pelo direito e da solidariedade para com os mais pobres. 
Seus conhecimentos legais estavam sempre à disposição dos seus paroquianos, defendendo a todos, ricos e pobres, com igual lisura. Foi o primeiro a instituir, na diocese, a justiça gratuita para os que não podiam pagá-la. A fama de juiz austero, que não se deixava corromper, correu rapidamente e Ivo tornou-se  o melhor mediador da França, sempre tentando os acordos fora das cortes para diminuir os custos legais para ambas as partes. 
Essa sua dedicação na defesa dos fracos, inocentes, viúvas e pobres lhe conferiu o título de "advogado dos pobres". Muitos foram os casos julgados por ele, registrados na jurisprudência, que mostraram bem seu modo de agir. Ficou constatado que, quando lhe eram denunciados roubos de carneiros, bois e cavalos, com a desculpa de impostos não pagos, Ivo ia pessoalmente aos castelos recuperar os animais. Famosa também era sua caridade. 
Contam os devotos que ele tirava a roupa do corpo, mesmo no inverno, e ia distribuindo aos pobres e mendigos, indo para sua casa muitas vezes só com a camisa. Diz a tradição que, certa vez, deu sua cama a um mendigo que dormia na porta de uma casa e foi dormir onde dormia o mendigo. 
Por tudo isso, sua saúde ficou comprometida. Em 1298, a doença se agravou e ele se retirou no seu castelo, o qual transformara num asilo para os mendigos e pobres ali tratados com conforto, respeito e fervor. Morreu em 19 de maio de 1303, aos cinqüenta anos de idade. O papa Clemente VI declarou-o santo 1347. Ele é o padroeiro da Bretanha, dos advogados, dos juízes e dos escrivães.

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domingo, 17 de maio de 2009

São João I, Papa, Mártir (+526), 18 de Maio


João nasceu em Túsculo, uma província da Itália. Foi eleito sucessor do Papa Hormisdas, em 523, e costuma ser identificado como João Diácono, autor da epístola "Ad Senartun", importante para a história da liturgia batismal. É reconhecido também pela autoria de "A Fé Católica", transmitida pelos antigos, entre as obras do filósofo e mártir São Severino Boécio, cujo trabalho exerceu grande influência sobre São Tomás de Aquino. Vejamos qual foi a situação herdada pelo Papa João I.
O Papa Hormisdas e o imperador Justino tinham feito cessar o cisma entre Roma e Constantinopla, que iniciara em 484, com o então imperador Zenão, através do que parecia impossível: um acordo entre católicos e arianos. Com esse esquema, Hormisdas obtivera bons resultados políticos, pois os godos eram arianos.
Porém, no final de 524, o imperador Justino publicou um decreto ordenando o fechamento das igrejas arianas de Constantinopla e a exclusão dos arianos de toda função civil e militar.
Roma era então governada pelo imperador Teodorico, o Grande, o rei dos bárbaros arianos, que tinha invadido a Itália. Ele obrigou o Papa João I a viajar a Constantinopla para solicitar ao imperador Justino a revogação daquele decreto.
Apesar de o imperador Justino ter-se ajoelhado perante o primeiro Sumo Pontífice a pisar em Constantinopla, o papa João I  não conseguiu demovê-lo da perseguição aos arianos. A solicitação foi atendida apenas em parte, pois o imperador concordou em devolver as igrejas confiscadas aos arianos, mas manteve o impedimento aos arianos convertidos ao catolicismo de poderem retornar ao arianismo.
Com o fracasso de sua missão, o Papa João I despertou a ira do imperador Teodorico. Assim, quando colocou os pés em Roma, João I foi detido e aprisionado em Ravena, onde morreu no dia 18 de maio de 526. Foi, então, declarado mártir da Igreja.

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sexta-feira, 15 de maio de 2009

São Pascoal Baylon, Irmão Leigo Franciscano (+1592), 17 de Maio


Pascoal Baylon nasceu na cidade de Torre Hermosa, na Espanha, em 16 de maio de 1540. Filho de uma família humilde, foi pastor de ovelhas desde muito jovem e, aos dezoito anos, seguindo sua vocação, tentou ser admitido no convento franciscano de Santa Maria de Loreto. Sua primeira tentativa foi frustrada, mas, em 1564, após recusar uma grande herança de um rico senhor que havia sido curado por ele e por causa dos seus dons carismáticos, ele pôde ingressar na Ordem.
Pascoal, por humildade, permaneceu um simples irmão leigo, exercendo as funções de porteiro e ajudante dos serviços gerais. Bom, caridoso e obediente às regras da Ordem, fazia penitência constante, alimentando-se muito pouco e mantendo-se em constante oração. Por causa de sua origem pobre, não possuía nenhuma formação intelectual, porém era rico em dons transmitidos pelo Espírito Santo, possuindo uma sabedoria inata.
Era tão carismático que a ele recorriam ilustres personalidades para aconselhamento, até mesmo o seu provincial, que lhe confiou a tarefa perigosa de levar documentos importantes para Paris. Essa viagem Pascoal fez a pé, descalço e com o hábito de franciscano, arriscando ser morto pelos calvinistas.
Defensor extremado de sua fé, travou grande luta contra os calvinistas franceses, que negavam a Eucaristia. Apesar da sua simplicidade, Pascoal era muito determinado quando se tratava de dissertar sobre a sua espiritualidade e conhecimentos eucarísticos.
Foi autor de um pequeno livro de sentenças que comprovam a real presença de Cristo na Eucaristia e o poder sagrado transmitido ao sumo pontífice. Por isso foi considerado um dos primeiros e mais importantes teólogos da Eucaristia.
Ele morreu no dia 17 de maio de 1592, aos cinquenta e dois anos, em Villa Real, Valência. Em 1690, foi canonizado. O papa Leão XIII nomeou São Pascoal Baylon patrono das obras e dos congressos eucarísticos.
  
Fonte:

Santo André Bobola, Padroeiro da Polônia, Apóstolo da Lituânia, Sacerdote, Mártir (+1657), 16 de Maio


Filho de pais nobres, cristãos poloneses, André nasceu no dia 30 de novembro de 1591, na cidade de Sandomir. Aos vinte anos, ingressou no seminário dos jesuítas de Vilna, atual Vilnius, Lituânia. Lá ele se ordenou sacerdote em 1622, com o único desejo de evangelizar, mas acabou se tornando enfermeiro durante uma epidemia de cólera, dando prioridade a esse trabalho. 
Depois foi eleito superior em Bobruik, percorrendo a região por vinte anos, com seu apostolado de pregação e evangelização. O sacerdócio era um risco contínuo nesse território devastado pelas freqüentes guerras entre poloneses, lituanos, russos "brancos" e "moscovis", suecos e cossacos. Esses nômades foram também para a Polônia, que tentava controlar o ingresso com normas rígidas de permissão, sem interromper, contudo, os confrontos sangrentos. 
Além do conflito político, havia o religioso entre os católicos romanos; os cristãos orientais, divididos entre si; e os grupos da Reforma. É nesse cenário que padre Bobola marcou sua presença de fé tranqüila e pacífica, alicerçada pelo estudo e pelo gosto pessoal pelos diálogos e debates vigorosos com as demais pessoas. 
Ele não vivia sem a pregação. Todos, católicos ou não, admiravam sua coragem. Os inimigos o chamavam de "caçador de almas", com uma aversão que era mais um reconhecimento ao seu valor e à sua coragem diante de tudo e de todos. 
Uma revolta dos cossacos, a serviço do Império Russo, inimigo da Polônia, desencadeou uma perseguição político-religiosa sem precedentes. As igrejas, conventos e seminários foram incendiados, e os católicos, torturados e martirizados. Todavia, padre André Bobola não desistiu do apostolado, nem diminuiu sua pregação. No dia 16 de maio de 1657, os cossacos o capturaram e, após muito suplício e tortura, foi cruelmente assassinado. 

Os católicos levaram seu corpo para Pinsk, onde todos foram venerá-lo, mesmo os ortodoxos e os dissidentes. Ali suas relíquias repousaram até o ano de 1808, quando foi trasladado para Polock, na Rússia Branca, antiga União Soviética. 
Em 1922, depois da revolução bolchevista, seu corpo foi levado para um museu médico em Moscou. Mas, no ano seguinte, entregaram-no a uma comissão de jesuítas, depois de acertos oficiais entre o papa Pio XI e as autoridades do governo russo. 
Assim, a urna do jesuíta mártir foi conduzida a Roma, em 1924, e depositada na igreja de Jesus. Em 1938, o papa Pio XI o proclamou santo e suas relíquias seguiram, numa última viagem, a Varsóvia, Polônia. Santo André Bobola viveu apenas sessenta e seis anos, mas seu corpo viajou por toda a Europa ao longo de três séculos. Ele foi declarado padroeiro da Polônia, junto com Nossa Senhora de Czestochowa, e apóstolo da Lituânia.


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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Santa Joana de Lestonnac, Religiosa, Fundadora (+1640), 15 de Maio


História da Ordem da
Companhia de Maria Nossa Senhora
A Ordem da Companhia de Maria Nossa Senhora, Instituto Apostólico na Igreja, foi fundada por Santa Joana de Lestonnac. O projeto de fundação, elaborado a partir de 1605, foi aprovado pelo Papa Pio V, em 07 de abril de 1607.
Santa Joana de Lestonnac nasceu em Bordeaux, na França, em 1556, época de muitas guerras político-religiosas. Foi batizada na Igreja Católica, apesar de sua mãe ser calvinista, contrariando assim os costumes da época, em que a menina deveria ser educada na mesma religião da mãe. Recebeu formação e orientação de seu pai, Ricardo de Lestonnac, que era católico. Também influenciou em sua educação o filósofo humanista Miguel de Montaigne, irmão de sua mãe, Joana Eyquem de Montaigne.
Joana de Lestonnac buscava a oração como forma de entender e integrar a luta interior em que vivia: o conflito religioso em seu país e em sua casa. Num desses momentos de oração, ela foi sensível à voz de Deus, que lhe dizia: "Cuida, minha filha, de não deixares apagar a chama que acendi em teu coração e que te leva, com tanto ardor, ao Meu serviço".
Desejava ser religiosa para fazer na França o que Teresa d' Ávila fazia na Espanha; porém, aceita o acordo sobre seu casamento, confiando em seu pai como mediador do querer de Deus para com ela, naquele momento. Aos 17 anos, casa-se com o Barão de Montferrant. Durante seus 24 anos de matrimônio, enriquece-se como mulher, nas dimensões de esposa e mãe de 7 filhos, dos quais duas jovens tornam-se religiosas. 
No cumprimento de seus deveres de esposa e mãe, seu coração continuou sendo todo de Deus. Aos 41 anos de idade, fica viúva e perde também o filho mais velho. A partir de então, Joana assume a administração do patrimônio da família e dedica-se a completar a educação de seus filhos. Voltam, entretanto, ao seu coração, as inquietações da juventude e o desejo de consagrar-se a Deus. Entra, então, no Cister de Toulouse, mosteiro da Ordem de São Bernardo. O estilo de vida e as austeras penitências prejudicam-lhe a saúde e os médicos exigem que Joana deixe o Cister, no qual vivera durante dez meses como noviça. Joana resiste em aceitar tal determinação, mas, em sua última noite no Mosteiro, expondo a Deus toda a sua angústia, vê-se mergulhada em uma experiência de luz em que vislumbra sua futura missão: vê diante de si uma multidão de jovens prestes a cair no inferno, perdendo-se por falta de ajuda, e sente que era ela quem deveria estender-lhes a mão.
Ao deixar o Cister na manhã seguinte, seu coração está em paz. Um projeto novo começa a germinar a partir dessa experiência. No silêncio do Castelo de la Mothe, um lugar retirado, Joana busca a reflexão e o amadurecimento para o que vira em sua última noite no Cister. E surge uma nova Ordem Religiosa, sob a proteção de Maria, dedicada à educação da juventude feminina, que deseja reparar as injúrias lançadas contra a Mãe de Deus, testemunhadas na infância por Joana. Tratava-se de um novo estilo de vida religiosa para aquela época: unia contemplação e ação.
Dois anos mais tarde, Joana vai a Bordeaux prestar socorro às vítimas das epidemias, pois sente que deve estar sempre onde alguém necessita de sua ajuda. Encontra nos padres de Bordes e Raymond, jesuítas, o auxílio necessário para concretizar através de um projeto todas as idéias que vinha tendo, tudo o que vinha sentindo. À luz da experiência obtida ao fazer os Exercícios Espirituais de Santo Inácio, elabora as Constituições da Companhia de Maria. A síntese do novo Instituto é Maria Nossa Senhora, presença inspiradora que convida à interioridade e ao compromisso.
Joana pôde ver a rápida expansão de sua Ordem pois, já em 1638 publica o texto definitivo das Constituições. Morre num dia consagrado a Maria, 02 de fevereiro de 1640, aos 84 anos de idade.
Após a morte de Santa Joana, a expansão da Ordem fora dos limites da França não se fez esperar: em 1650 chegou a Barcelona, na Espanha, e, no século seguinte, em território americano (México - 1753; Argentina - 1780; Colômbia - 1783). A Revolução Francesa quase extingue a Companhia de Maria na França, mas ela é restaurada no século XIX e entra em nova fase de expansão, atingindo, no século XX, outros países da América (entre eles, o Brasil, em 1936) e, posteriormente, África e Ásia.
A Companhia de Maria é um Instituto Apostólico na Igreja desde sua origem. No entanto, constituiu-se numa Ordem Religiosa com Mosteiros Autônomos e Clausura Papal, atendendo às exigências da Igreja na época de sua fundação. As religiosas exerciam a missão de educadoras, recebendo as alunas dentro dos Mosteiros. O espírito apostólico-missionário mantinha-se, graças a uma freqüente e eficaz comunicação entre as casas, conforme o desejo da fundadora.
Em 1921, deu-se a união de uma boa parte das casas e começou a existir um governo geral para estas. A união total só aconteceu em 1956. A partir do Vaticano II, com o Decreto Perfectae Caritatis, a Companhia de Maria foi dispensada da clausura papal, por ter sido concebida, desde a sua origem, como Instituto dedicado às obras externas do apostolado.
No XI Capítulo Geral realizado em Roma, em 1979, a Companhia de Maria revê suas Constituições e, a 15 de maio de 1981, a Igreja aprova essa releitura. Com esse gesto, mais uma vez, a Igreja acolhe o Carisma de Santa Joana de Lestonnac, confirmando sua validade e vitalidade, que lhe permitem expressar-se em novas formas, adaptadas a novos tempos e lugares.
Joana de Lestonnac foi canonizada pelo Papa Pio XII no dia 15 de maio de 1949, data consagrada para a celebração anual de sua festa. Em 1999, a Companhia de Maria celebrou, em profunda ação de graças a Deus, o cinqüentenário da canonização de sua Fundadora.

Fontes:

São Matias, Apóstolo, Mártir (Século I), 14 de Maio




Matias, o Apóstolo “póstumo”. É assim chamado porque surgiu depois da morte do Apóstolo Judas Iscariotes, o traidor. Alguns teólogos se referem a ele como o décimo terceiro Apóstolo, pois foi eleito para ocupar esse posto, conforme consta dos Atos dos Apóstolos, na Bíblia.

A eleição dos onze apóstolos deu-se dias depois da Ascensão de Jesus e da vinda do Espírito Santo e assim foi descrita: "Depois da Ascensão de Jesus, Pedro disse aos demais discípulos: 'Irmãos, em Judas se cumpriu o que dele se havia anunciado na Sagrada Escritura: Com o preço de sua maldade se comprou um campo'. O salmo 109 ordena 'que outro receba seu cargo'.
Convém, então, que elejamos um para o lugar de Judas. E o eleito deve ser dos que estiveram entre nós o tempo todo em que o Senhor conviveu entre nós, desde que foi baptizado por João Baptista até que ressuscitou e subiu aos céus' " (At 1, 21-26)
As outras informações existentes sobre Matias fazem parte das tradições e dos escritos da época. Esses registros, entretanto, são apenas fragmentos com algumas citações e frases, que foram recuperadas e, segundo os teólogos, são de sua autoria. De fato, existe uma certa confusão entre os apóstolos Matias e Mateus em alguns escritos antigos.
Segundo a tradição, Matias evangelizou na Judeia, Capadócia e, depois, a Etiópia. Ele sofreu perseguições e o martírio, morrendo apedrejado e decapitado em Colchis, Jerusalém, testemunhando sua fidelidade a Jesus.
Há registros de que Santa Helena, mãe do imperador Constantino, o Grande, mandou trasladar as relíquias de São Matias para Roma, onde uma parte está guardada na igreja de Santa Maria Maior. O restante delas se encontra na antiquíssima igreja dedicadas a São Matias, em Treves, na Alemanha, cidade que a tradição diz ter sido evangelizada por ele e que o tem como seu padroeiro.
São Matias era comemorado no dia 24 de fevereiro, mas atualmente a sua festa ocorre no dia 14 de maio.

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Primeira Aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos de Fátima, Portugal, 13 de Maio

         Em preparação para as aparições de Nossa Senhora, um anjo que se identificou como o Anjo de Portugal, falou em primeiro lugar às crianças dizendo-lhes: "Não tenham medo. Eu sou o anjo da Paz. Rezem comigo".




Depois ajoelhou-se, inclinando-se até tocar o seu rosto no solo e rezou: 
"Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos! 
Peço-Vos perdão por aqueles que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam!" 
E disse esta oração três vezes. 
Quando parou, disse às crianças: "Rezem assim. Os corações de Jesus e Maria estão atentos à voz de suas súplicas". Ele deixou as crianças que começaram a dizer esta oração freqüentemente.
Na aparição final do anjo, ele trouxe-lhes um cálice o qual suspendeu no ar; por cima deste havia uma hóstia. Gotas de sangue caíam da Hóstia para o cálice. Antes de oferecê-lo a Lúcia, a única que tinha recebido a Primeira Comunhão, ele se prostrou na terra e disse:


"Santíssima Trindade,
Pai, Filho, Espírito Santo,
adoro-Vos profundamente
e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo,
presente em todos os sacrários da terra,
em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido.
E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração
e do Coração Imaculado de Maria,
peço-Vos a conversão dos pobres pecadores."
Ele repetiu esta oração três vezes e ao parar, levantou a Hóstia e olhando-a disse: "Comam e bebam o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente insultado pelos homens ingratos. Façam reparação por seus crimes e consolem a Deus".
A primeira aparição de Nossa Senhora ocorreu no dia 13 de maio, quando a Virgem apareceu flutuando em uma nuvem, rodeada de uma luz brilhante e segurando um rosário. Ela disse aos pastorinhos: "Não tenham medo. Eu não lhes farei mal!" 
Lúcia perguntou à Senhora de onde era, ao que Ela respondeu: "Eu sou do céu". Depois disso, Lúcia perguntou-lhe o que queria deles. A Senhora replicou: "Eu venho pedir-lhes que venham aqui por seis meses consecutivos, no dia 13 a esta mesma hora. Depois Eu lhes direi quem sou, e o que quero. Depois eu voltarei aqui pela sétima vez". 
Lúcia perguntou se ela iria ao céu, a Senhora respondeu-lhe, "Sim, sim irás". Depois perguntou se Jacinta e Francisco iriam também ao céu. A Senhora respondeu: "Também. Mas Francisco terá que dizer muitos rosários!"
Depois Lúcia perguntou-lhe sobre duas meninas que tinham morrido recentemente, e a Senhora respondeu de novo: "Vocês desejam oferecer-se a Deus, suportar todos os sofrimentos que Ele se compraz em enviar-lhes, como um ato de reparação pelos pecados pelos quais Ele é ofendido, e pedir pela conversão dos pecadores?" As crianças responderam: "Sim, sim desejamos". A Senhora então lhes disse que eles teriam que sofrer muito, mas que a Graça de Deus seria seu consolo.
Na aparição de julho, a Virgem disse às crianças: "Sacrifiquem-se pelos pecadores, e repitam com frequência, especialmente quando fizerem um sacrifício por eles: 'O Jesus, é por amor a Ti, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria' ".
Ela também confiou a eles três segredos muito importantes, que eles tinham que guardar até que Ela decidisse quando poderiam revelar. Também predisse dar-lhes um grande sinal no dia da futura aparição em outubro.
"Quando vocês rezarem o Rosário, digam depois de cada mistério 'Oh meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o céu, especialmente as que mais necessitarem da Tua Misericórdia' ".
Em 13 de outubro de 1917, Nossa Senhora apareceu às três crianças, que tinham reunido por volta de 70 mil pessoas que foram testemunhas do incrível fenômeno do sol. Nossa Senhora se manifestou com o título de "Nossa Senhora do Rosário".
Em 17 de outubro, O Dia, um jornal de Lisboa, reportou o seguinte: "À uma da tarde, meio-dia pelo sol, a chuva parou. O céu, com uma cor cinza-perolado, iluminava a vasta paisagem árida com uma luz estranha.
O sol tinha um fino véu transparente, viu-se girar e rodopiar no círculo das nuvens abertas. Um grito saiu de cada boca e as pessoas caíram de joelhos no chão pantanoso.
A luz tornou-se de azul formoso como se tivesse vindo através de vidros defumados de janelas de catedral e espalhou-se sobre as pessoas que estavam ajoelhadas com as mãos abertas. O azul se desvaneceu devagar e então a luz parecia passar através de um vidro amarelo. Manchas amarelas caíram sobre os panos brancos e sobre as saias escuras das mulheres. Também foram vistas nas árvores, nas pedras e na serra. As pessoas choravam e rezavam com as cabeças descobertas na presença do milagre que eles tinham esperado."
Outro grande jornal de Lisboa, o Século, mandou seu editor, Avelino de Almeida, ao local das aparições. Ele veio preparado para ridicularizar as aparições, entretanto isto foi o que ele reportou:
"Desde a estrada, onde os veículos estavam estacionados, estavam reunidas centenas de pessoas que não se atreviam a atravessar o pântano, podia-se ver a imensa multidão que olhava para o sol, o que parecia estar livre das nuvens e a pino. Parecia como uma placa de prata desbotada e era possível olhá-lo sem nenhum incômodo.
Poderia ter sido um eclipse que estava acontecendo. Mas nesse momento escutou-se um grande grito e podia-se escutar os espectadores mais próximos gritando: 'Milagre! Milagre!' Diante dos olhos atônitos da multidão, cujo aspecto era bíblico como se estivessem descobertos, ansiosamente buscando o céu, o sol tremeu, fez alguns movimentos incríveis fora de suas leis cósmicas — o sol 'dançou' — de acordo com as expressões típicas das pessoas."
O Doutor Joseph Garret, um professor de ciências da Universidade de Coimbra notou isto:
"Este não foi um relampear normal de um corpo celestial, porque o sol girou ao redor de si mesmo em um redemoinho louco, quando repentinamente o clamor foi escutado por todas as pessoas. O sol, rodopiando, parecia perder-se do firmamento e avançar ameaçador sobre a terra como se fosse esmagar-nos com seu grande peso abrasador. A sensação durante estes momentos era terrível."

Fonte: