segunda-feira, 8 de junho de 2009

Beato José de Anchieta, Jesuíta, Missionário (+1597), 09 de Junho


José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, na cidade de São Cristóvão da Laguna, na ilha de Tenerife, do arquipélago das Canárias, Espanha. Foi educado na ilha até os quatorze anos de idade. Depois, seus pais, descendentes de nobres, decidiram que ele continuaria sua formação na Universidade de Coimbra, em Portugal. Era um jovem inteligente, alegre, estimado e querido por todos. Exímio escritor, sempre se confessou influenciado pelos escritos de São Francisco Xavier. Amava a poesia e, mais ainda, gostava de declamar. Por causa da voz doce e melodiosa, era chamado pelos companheiros de “canarinho”
Mas também tinha forte inclinação para a solidão. Tinha o hábito de recolher-se na sua cela ou de retirar-se para um local ermo a fim de dedicar-se à oração e à contemplação. Certa vez, isolou-se na catedral de Coimbra e, quando rezava no altar de Nossa Senhora, compreendeu a missão que o aguardava. Naquele mesmo instante, sentiu o chamado para dedicar sua vida ao serviço de Deus. Tinha dezessete anos e fez o voto de consagrar-se à Virgem Maria. 
Ingressou na Companhia de Jesus e, quando se tornou jesuíta, seguiu para o Brasil, em 1553, como missionário. Chegou na Bahia junto com mais seis jesuítas, todos doentes, inclusive ele, que nunca mais se recuperou. Em 1554, chegou à capitania de São Vicente, onde, junto com o provincial do Brasil, padre Manoel da Nóbrega, fundou, no planalto de Piratininga, aquela que seria a cidade de São Paulo, a maior da América do Sul. No local foi instalado um colégio e seu trabalho missionário começou. 
José de Anchieta não apenas catequizava os índios. Dava condições para que se adaptassem à chegada dos colonizadores, fortalecendo, assim, a resistência cultural. Foi o primeiro a escrever uma “gramática tupi-guarani”, mas, ao mesmo tempo, ensinava aos silvícolas noções de higiene, medicina, música e literatura. Por outro lado, fazia questão de aprender com eles, desenvolvendo diversos estudos da fauna, da flora e do idioma. 
Anchieta era também um poeta, além de escritor. É célebre o dia em que, estando sem papel e lápis à mão, escreveu nas areias da praia o célebre “Poema à Virgem”, que decorou antes que o mar apagasse seus versos. A profundidade do seu trabalho missionário, de toda a sua vida dedicada ao bem do próximo aqui no Brasil, foi exclusivamente em favor do futuro e da sobrevivência dos índios, bem como para preservar sua influência na cultura geral de um novo povo. 
Com a morte do padre Manoel da Nóbrega, em 1567, o cargo de provincial do Brasil passou a ser ocupado pelo padre José de Anchieta. Neste posto mais alto da Companhia de Jesus, viajou por todo o país orientando os trabalhos missionários. 
José de Anchieta morreu no dia 9 de junho de 1597, na pequena vila de Reritiba, atual cidade de Anchieta, no Espírito Santo, sendo reconhecido como o “Apóstolo do Brasil”. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 1980. A festa litúrgica foi instituída no dia de sua morte.
  
Fontes:

domingo, 7 de junho de 2009

Beata Maria do Divino Coração / Beata Maria Teresa Chiramel Mankidiyan, Religiosa, Fundadora, Mística, 08 de Junho



A Bem-aventurada Maria do Divino Coração pertencia à Congregação de Nossa Senhora da Caridade do Bom Pastor. Natural de Münster, Alemanha (alemã pelo nascimento, portuguesa pelo coração), Maria do Divino Coração nasceu em 1863. Era filha dos condes de Münster. Em 1888 ingressou no Convento das Irmãs do Bom Pastor, cujo apostolado específico se realiza junto à juventude feminina marginalizada.
Em 1894, aos 31 anos, partiu para Portugal. Depois de três meses passados em Lisboa, chegou ao Porto como Superiora do Recolhimento do Bom Pastor. Conseguiu, graças a muita tenacidade e absoluta confiança no Coração de Jesus, transformar aquela casa em ruínas num florescente jardim de Deus. Em 1896, caiu doente, afetada por uma osteomielite, ou seja, uma inflamação da medula espinhal. A paralisia torna-se progressiva.
No Porto, cada vez mais pessoas criam que "a Superiora do Bom Pastor é uma santa", e todos rezavam pela sua cura.
Entre 1897 e 1899, ela pediu repetidas vezes ao Papa Leão XIII a consagração do mundo a Sagrado Coração de Jesus. Finalmente, Maria recebeu a notícia, através de jornais, que a Encíclica "Annum sacrum" havia sido publicada em 25 de maio de 1899, na qual o Papa marcava a data em que consagraria o mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Maria morreu em 8 de junho do mesmo ano, na véspera do tríduo preparatório para esta consagração.
Irmã Maria ofereceu a Deus o seu sofrimento, unindo-se ao Servo Sofredor que continuamente oferece a Sua vida pela salvação do mundo. Foi declarada Beata pelo Papa Paulo VI, em 1º de novembro de 1975.



MARIA TERESA CHIRAMEL MANKIDIYAN
Nasceu a 26 de Abril de 1876 em Puthenchira, no Estado do Querala (Índia). Como escrevia na sua autobiografia, redigida por obediência ao seu diretor espiritual, desde a mais tenra idade sentiu um intenso desejo de amar a Deus, que a levava a jejuar quatro vezes por semana e a recitar o Rosário várias vezes por dia. A sua mãe procurava dissuadi-la desses severos jejuns, mas ela persistiu neste gesto a fim de se assemelhar cada vez mais a Cristo sofredor, e chegou a consagrar a sua virgindade quando tinha apenas dez anos.
Como conseqüência da morte da sua mãe, interrompeu o estudo escolar mas continuou muito interessada no discernimento da sua vocação. Queria uma vida escondida para se dedicar à oração, e em 1891 decidiu sair de casa para levar uma vida eremítica e de penitência, mas o seu projeto fracassou.
Intensificou então a sua colaboração na paróquia, juntamente com três companheiras, dedicando-se aos pobres, doentes, pessoas sozinhas e órfãos. Orava pelos pecadores, fazendo contínuos jejuns pela conversão deles. Esse apostolado era demasiado revolucionário para os moralistas do seu tempo e por isso sofreu fortes críticas, inclusive nos ambientes eclesiásticos.
Recebeu de Deus muitos favores místicos, entre os quais visões e estigmas, mas permaneceu sempre no caminho da humildade e do recolhimento. O seu Bispo, duvidando da autenticidade de tais fenômenos místicos, mandou-a submeter-se várias vezes a exorcismos.
Em 1903 explicou ao Vigário Apostólico de Trichur o seu desejo de fundar uma casa de retiro e oração, mas foi-lhe sugerido entrar no convento das Clarissas Franciscanas. Depois, tendo sido enviada ao convento das Carmelitas de Ollur, também ali Maria Teresa percebeu que não era esta a sua vocação. Finalmente, o Bispo compreendeu que Deus desejava uma nova Congregação religiosa ao serviço da família. No dia 14 de Maio de 1914 foi erigida canonicamente a nova Ordem, que se denominou Congregação da Sagrada Família. Durante e após os difíceis anos da primeira guerra mundial, com indômita energia e total confiança na Providência divina, ela deu vida a três novos conventos, duas escolas, uma casa de estudos e um orfanato.
Maria Teresa morreu com fama de santidade a 8 de Junho de 1926.

Fontes:
http://alexandrina.balasar.free.fr/marie_du_divin_coeur_fr.htm
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=37908&language=PT&img=&sz=

Festa da Santíssima Trindade / Beata Maria Teresa de Soubiran La Louvière, Religiosa, Fundadora da Sociedade Auxiliadora, 07 de Junho

A Festa que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de "um Deus em três pessoas", mas sim um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para fazê-los comungar nesse mistério de amor.
Na primeira leitura, Jahwéh revela-se como o Deus da relação, empenhado em estabelecer comunhão e familiaridade com o seu Povo. É um Deus que vem ao encontro dos homens, que lhes fala, que lhes indica caminhos seguros de liberdade e de vida, que está permanentemente atento aos problemas dos homens, que intervém no mundo para nos libertar de tudo aquilo que nos oprime e para nos oferecer perspectivas de vida plena e verdadeira.
A segunda leitura confirma a mensagem da primeira: o Deus em Quem acreditamos não é um Deus distante e inacessível, que Se "demitiu" do seu papel de Criador e que assiste com indiferença e impassibilidade aos dramas dos homens; antes, é um Deus que acompanha com paixão a caminhada da humanidade e que não desiste de oferecer aos homens a vida plena e definitiva.
No Evangelho, Jesus dá a entender que ser Seu discípulo é aceitar o convite para se vincular com a comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os discípulos de Jesus recebem a missão de testemunhar a sua proposta de vida no meio do mundo e são enviados a apresentar, a todos os homens e mulheres, sem exceção, o convite de Deus para integrar a Comunidade Trinitária.


Beata Maria Teresa de Soubiran La Louvière

Sofia Teresa de Soubiran La Louvière nasceu em 16 de maio de 1834 em Castelnaudary (em occitano, Castèlnòu d'Arri), região sul da França. Criada numa família profundamente cristã, desde muito jovem ela quis responder ao chamado de Deus, consagrando-Lhe sua vida.
Aos 20 anos, ela tentou entrar para a vida religiosa numa comunidade católica em Gand, na Bélgica, mas esta experiência durou somente um ano, e ela voltou à França, onde queria implantar essa comunidade. Em 1854, com algumas companheiras, ela iniciou a experiência de vida religiosa comunitária. Durante vários anos, as Irmãs partilharam uma vida de pobreza na oração e no trabalho. Elas construíram uma casa para acolher moças pobres, mas tão logo terminaram a obra, a casa foi destruída por um incêndio.
Para melhor discernir a vontade de Deus, Maria Teresa partiu para Toulouse em 1864, para fazer um retiro de trinta dias. Em oração, ela entendeu que Deus lhe pedia para continuar a fundação esboçada, mas sobre outra base que Ele lhe daria, e que lá ela deveria permanecer para assegurar o crescimento da obra. Sofia Teresa consagrou, então, a nova comunidade a Maria, de quem todas as Irmãs adotariam o nome a partir daquele momento. A Congregação de Maria Auxiliadora havia nascido. As Irmãs adotaram a espiritualidade inaciana, encontrando Deus tanto na oração quanto na ação apostólica.
A Casa-Mãe de Toulouse logo deu origem a outras casas que se espalharam por toda a França, chegando até mesmo à Inglaterra, após a guerra de 1870.
“Apoiar moças de idades entre quatorze e vinte e cinco anos. Especialmente esta parte da juventude que, sem família, mora nas grandes cidades, freqüenta o ateliê e as fábricas. Isto torna-se uma necessidade em nossas sociedades modernas, que centralizam tudo e substituem as famílias cristãs pelas ‘massas’ de indivíduos.”
Para melhor se colocar nas Mãos de Deus, “para ser apenas um pano de fundo para Ele”, Maria Teresa renunciou a todos os seus bens pessoais através de um voto radical de pobreza: Deus lhe deu uma tarefa a cumprir, e ela contava somente com Ele para realizá-la. “Aquele que coloca sua confiança em Deus é fortalecido com a mesma força de Deus.”
Porém uma Irmã, que a substituiu à frente da obra, expulsou Maria Teresa da Congregação. Em 1874, ela chega a Paris onde é acolhida pelas Irmãs de Nossa Senhora da Caridade, sendo esquecida até a sua morte, em 7 de junho de 1889. Um ano depois, a nova Superiora eleita pela Congregação reabilita a memória de Madre Maria Teresa junto às Irmãs de Maria Auxiliadora.
Maria Teresa de Soubiran La Louvière foi beatificada por Pio XII, em 20 de outubro de 1946.

Fontes:
www.ecclesia.pt
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=30937&language=PT&img=&sz=

sexta-feira, 5 de junho de 2009

São Marcelino José Bento Champagnat (Padre Champagnat), Fundador, 06 de Junho

Marcelino José Bento Champagnat, penúltimo de 10 filhos, nasceu a 20 de maio de 1789 em Marlhes, próximo de Saint-Étienne (Loire, França) e foi batizado no dia seguinte, festa da Ascensão do Senhor.

Do seu pai, João Batista, herdou os ideais da Revolução Francesa, aprendeu o amor ao trabalho e o espírito de iniciativa. A sua mãe, Maria, e a sua tia, uma religiosa exclaustrada deram-lhe a piedade, a caridade cristã e a devoção mariana. Um sacerdote disse-lhe: “Meu filho, deves fazer-te padre; Deus o quer”. Convencido que esta era a sua vocação, entrou no Seminário Menor de Verrières e, depois, no Seminário Maior de Lyon.

Com alguns companheiros teve a ideia de fundar uma associação que se chamaria “Sociedade de Maria”. No projeto, havia a ideia de Irmãos para educar os jovens. Pediu-se-lhe que levasse à frente a sua intuição. Foi ordenado sacerdote no dia 22 de Julho de 1816 e nomeado pároco em La Valla-en-Gier, paróquia de 2.500 pessoas. A assistência a um jovem moribundo de 17 anos, o jovem Montagne, que ignorava as verdades essenciais do Cristianismo, serviu de arranque para o seu projeto.

No dia 2 de Janeiro de 1817 fundou o Instituto ao acolher dois jovens do campo, de 15 e 23 anos. Quando os Irmãos dirigiam já quatro escolas, em 1822, o Padre Champagnat foi alvo de uma campanha de difamação, vinda de seus colegas sacerdotes. Foram momentos muitos difíceis. Em 1824, dedicou-se completamente aos Irmãos. No ano seguinte construía a Casa de Nossa Senhora do Eremitério. Não tinha recursos, mas tinha uma grande fé. Pouco depois caiu gravemente doente. Ao recuperar a saúde, continuou com o seu projeto. Em 1836, professou os votos como sacerdote na Sociedade de Maria, quando foi reconhecida pela Santa Sé. O seu lema foi: “Tudo a Jesus por Maria, tudo a Maria para Jesus”. Nesse lema, via Maria como o seu recurso Habitual.

Morreu no dia 6 de Junho de 1840, com 51 anos.



Fontes:

São Bonifácio de Mainz, Bispo, Mártir (+754), 05 de Junho



Bonifácio de Mainz nasceu em 672 ou 673, em Devonshire, Inglaterra. Seus pais, pertencentes a uma rica família de nobres ingleses, deram-lhe o nome de Winfrid. Como era o costume da época, foi entregue ao mosteiro dos beneditinos, ainda na infância, para receber uma boa educação e formação religiosa. Logo Winfrid percebeu que sua vocação era seguir os passos de Cristo. Aos dezenove anos professou as regras na abadia de Exeter, iniciando o apostolado como professor de regras monásticas primeiro nesta mesma abadia, depois na de Nurslig.
Em seguida, decidiu iniciar seu trabalho missionário para a evangelização dos povos germânicos do Além-Reno, mas por questões políticas entre o duque Radbod, um pagão, e o rei cristão Carlos Martel, os resultados foram frustrantes. Numa peregrinação a Roma, em 718, conseguiu o apoio do papa Gregório II para reiniciar sua missão na Alemanha. Além disso, o papa orientou Winfrid também a assumir, como missionário, o nome de Bonifácio, célebre mártir romano.
Bonifácio parou primeiro na Turíngia, depois dirigiu-se à Frísia, realizando as primeiras conversões nessas regiões. Durante três anos percorreu quase toda a Alemanha e, numa segunda viagem a Roma, o papa, agora já outro, entusiasmado com seu trabalho, nomeou-o bispo de Mainz. Esse contato constante com os pontífices foi importante, pois a Igreja na Alemanha foi implantada em plena consonância com a orientação central da Santa Sé. Bonifácio fundou o mosteiro de Fulda, centro propulsor da cultura religiosa alemã, só comparável ao italiano de Montecassino. E muitos outros mosteiros masculinos e femininos, igrejas e catedrais de norte a sul do país, recrutando os beneditinos da Inglaterra. Acabou estendendo sua missão até a França.
Incansável, com sua sede episcopal fixada em Mainz, atuou em vários concílios e promulgou várias leis. Em 754, foi para o norte da Europa, região onde atualmente se encontra a Holanda. No dia 5 de junho do mesmo ano, dia de Pentecostes, foi ao encontro de um grande grupo de catecúmenos de Dokkun, os quais receberiam o crisma. Mal iniciou a santa missa, o local foi invadido por um bando de pagãos frísios. Os cristãos foram todos trucidados e Bonifácio teve a cabeça partida ao meio por um golpe de espada.
Mesmo que são Bonifácio não tenha evangelizado por completo a Alemanha, ao menos pode-se afirmar que foi graças a ele que isso aconteceu, nos tempos seguintes, como herança de seu trabalho. São Bonifácio é venerado como o “Apóstolo da Alemanha”. Seu corpo foi sepultado na igreja do mosteiro de Fulda, que ainda hoje o conserva, pois em vida havia expressado essa vontade.

Fonte:

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Santa Clotilde de França, Rainha da França, Viúva, Religiosa (+545), 04 de Junho


Clotilde nasceu em Lyon, França, no ano 475, filha do rei ariano Childerico de Borgonha. Mais tarde, o rei, junto com a esposa e três dos seus cinco filhos, foi assassinado pelo próprio irmão, que lhe tomou o trono. Duas princesas foram poupadas; uma delas era Clotilde. 
A menina foi entregue a uma tia, que educou-a na religião católica. Cresceu muito bonita, delicada, gentil, dotada de grande inteligência e sabedoria. Clóvis, rei dos francos, encantou-se por ela. Foi aconselhado pelos bispos católicos do seu reino a pedir a mão de Clotilde. Ela aceitou e tornou-se a rainha dos francos.
Ao lado do marido, pagão, irascível, ambicioso e guerreiro, Clotilde representava a gentileza, a bondade e a piedade cristã. Imbuída da vontade de fazer com que o rei se tornasse cristão, a fim de que ele fosse mais justo com seus súditos oprimidos e parasse com as conquistas sangrentas, ela iniciou sua obra de paciência, de persuasão e de bom exemplo católico.
Clóvis, de fato, amava muito a esposa. Com ela teve três herdeiros, que, infelizmente, herdaram o seu espírito belicoso. Não se importava que Clotilde rezasse para seu Deus, em vez de ir ao templo pagão levar oferendas aos deuses pagãos, quando partia e voltava vitorioso dos combates. Por outro lado, apreciava os conselhos do bispo de Reims, (São) Remígio, que se tornara confessor e amigo pessoal da rainha. Com certeza, a graça já atuava no coração do rei.
Foi durante a batalha contra os alemães, em 496, que ele foi tocado pela fé. O seu exército estava quase aniquilado quando ele se lembrou do “Deus de Clotilde”. Clóvis, então, ajoelhou-se  e rezou para Jesus Cristo, prometendo converter-se, bem como todo o seu exército e reino, se conseguisse a vitória. E isso aconteceu.
Clóvis, ao vencer os alemães, unificou o reino dos francos, formando o da França, do qual foi consagrado o único rei. Pediu o batismo ao bispo Remígio, assistido por todos os súditos. Em seguida, todos os soldados do exército foram batizados, seguidos por toda a corte e súditos. Ele tornou a França um Estado católico, o primeiro do Ocidente, em meio a tantos reinos pagãos ou arianos. Por isto, a França é chamada de "Filha Primogênita da Igreja".
Clotilde e Clóvis construíram a igreja dos Apóstolos, hoje chamada de igreja de Santa Genoveva, em Paris. Mas, logo depois, Clóvis morreu. Pela lei dos francos, quando o rei morria o reino era dividido entre os filhos homens; no caso de Clóvis e Clotilde, estes eram três.
Foi então que começou o longo período de sofrimento da rainha Clotilde, assistido por todos os seus súditos que a amavam e a chamavam de “rainha santa”. Os filhos envolveram-se em lutas sangrentas disputando o reino entre si, gerando muitas mortes na família. Então, Clotilde retirou-se para a cidade de Tours, perto do sepulcro de são Martinho, para rezar, construir igrejas, mosteiros e hospitais para os pobres e abandonados.
Depois de trinta e quatro anos, a rainha faleceu, no dia 3 de junho de 545, na presença de seus filhos. Imediatamente, a fama de sua santidade propagou-se. O culto a santa Clotilde foi autorizado pela Igreja. A sua memória tornou-se uma bênção para o povo francês e para todo o mundo católico, sendo venerada no dia 4 de junho.

Fonte:

Beato João XXIII, Papa / São Juan Diego, Vidente de Guadalupe, 03 de Junho

Nasceu em Sotto il Monte, Bérgamo, em 1881. Papa entre 1958 e 1963, Angelo Giuseppe Roncalli chegou ao episcopado em 1925 e foi visitador apostólico da Bulgária e posteriormente delegado apostólico da Turquia e Grécia (1935). Pio XII enviou-o como núncio para Paris em 1944 e, em 1953, nomeou-o cardeal patriarca de Veneza. Neste último posto convocou um concílio e restaurou a Basílica de São Marcos.
Quase imediatamente depois de ser elevado ao pontificado convocou um concílio em Roma, o Concílio Vaticano II, que se iniciou em 1962. Ampliou o colégio cardinalício e abriu o diálogo da Igreja Católica com o mundo, além de favorecer as relações com os cristãos das diversas confissões, para o que criou o Secretariado para a União dos Cristãos. O seu magistério teve a sua melhor expressão nas encíclicas "Mater et magistra" e "Pacem in terris".




São Juan Diego, Vidente de Guadalupe
O beato Juan Diego nasceu em 1474 no "calpulli" de Tlayacac, em Cuauhtitlán, México, estabelecido em 1168 pela tribo nahua e conquistado pelo chefe Asteca Axayacatl em 1467. 
Quando nasceu recebeu o nome de Cuauhtlatoatzin, que quer dizer "que fala como águia" ou "águia que fala". Juan Diego pertenceu à mais numerosa e baixa classe do Império Asteca, sem chegar a ser escravo. Dedicou-se a trabalhar a terra e plantava árvores que logo vendia. Possuía um terreno onde construiu uma pequena moradia. Casou-se com uma nativa, e não tiveram filhos.
Entre 1524 e 1525 converteu-se ao cristianismo e foi batizado junto com sua esposa, recebendo o nome de Juan Diego e ela, o de Maria Luzia. Foram batizados pelo missionário franciscano Frei Turíbio de Benavente, chamado pelos índios "Motolinia" ou "o pobre".
Antes de sua conversão Juan Diego já era um homem piedoso e religioso. Era muito reservado e de caráter místico, gostava do silêncio e estava acostumado a caminhar desde seu povoado até o Tenochtitlán, a 20 quilômetros de distância, para receber instrução religiosa. Sua alma gêmea Maria Luzia faleceu em 1529. Nesse momento Juan Diego foi viver com seu tio Juan Bernardino em Tolpetlac, a só 14 Km da igreja de Tlatilolco, Tenochtitlán. Durante uma de suas caminhadas para Tenochtitlán, que costumavam durar três horas através de montanhas e povoados, ocorreu a primeira aparição de Nossa Senhora, no lugar agora conhecido como "Capela do Cerrito", onde a Virgem Maria lhe falou em seu idioma, o náhuatl.
Juan Diego tinha 57 anos no momento das aparições, certamente uma idade avançada num lugar e época onde a expectativa de vida masculina pouco ultrapassava os 40 anos. Após o milagre do Guadalupe, Juan Diego foi viver num pequeno quarto junto à capela que alojava a Santa imagem, depois de deixar todos os seus haveres para seu tio Juan Bernardino. Passou o resto de sua vida dedicado à difusão do relato das aparições entre as pessoas de seu povo.
Morreu em 30 de maio de 1548, aos 74 anos de idade. Juan Diego foi beatificado em abril de 1990 pelo Papa João Paulo II, que igualmente o canonizou em 2002.

Fontes:

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Santos Marcelino e Pedro, Sacerdotes, Mártires (+304), 2 de Junho


Esta página da história da Igreja foi-nos confirmada pelo próprio Papa São Dâmaso, que na época era um adolescente e testemunhou os acontecimentos. Foi assim que tudo se passou.
Na Roma dos tempos terríveis e sangrentos do imperador Diocleciano, padre Marcelino era um dos sacerdotes mais respeitados entre o clero romano. Por meio dele e de Pedro, outro sacerdote, exorcista, muitas conversões ocorreram na capital do império. Como os dois se tornaram conhecidos por todos daquela comunidade, inclusive pelos pagãos, não demorou a serem denunciados como cristãos. Isso porque os mais visados eram os líderes da nova religião e os que se destacavam como exemplo entre a população. Intimados, Marcelino e Pedro foram presos para julgamento. No cárcere, conheceram Artêmio, o diretor da prisão.
Alguns dias depois notaram que Artêmio andava triste. Conversaram com ele e o miliciano contou que sua filha Paulina estava à beira da morte, atacada por convulsões e contorções espantosas, motivadas por um mal misterioso que os médicos não descobriam a causa. Para os dois, aquilo indicava uma possessão demoníaca. Falaram sobre o cristianismo, Deus e o demónio e sobre a libertação dos males pela fé em Jesus Cristo. Mas Artémino não lhes deu crédito. Até que naquela noite presenciou um milagre que mudou seu destino.
Segundo consta, um anjo libertou Pedro das correntes e ferros e o conduziu à casa de Artêmio. O miliciano, perplexo, apresentou-o à sua esposa, Cândida. Pedro, então, disse ao casal que a cura da filha Paulina dependeria de suas sinceras conversões. Começou a pregar a Palavra de Cristo e pouco depois os dois se converteram. Paulina curou-se, convertendo-se também.
Dias depois, Artêmio libertou Marcelino e Pedro, provocando a ira de seus superiores. Os dois foram recapturados e condenados à decapitação. Entrementes, Artêmio, Cândida e Paulina foram escondidos pelos cristãos, mas eles passaram a evangelizar publicamente, conseguindo muitas conversões. Assim, logo foram localizados e imediatamente executados. Artêmio morreu decapitado, enquanto Cândida e Paulina foram colocadas vivas dentro de uma vala que foi sendo coberta por pedras até morrerem sufocadas.
Quanto aos santos, o prefeito de Roma ordenou que fossem também decapitados, porém fora da cidade, para que não houvesse comoção popular. Foram levados para um bosque isolado onde lhes cortaram as cabeças. Era o dia 2 de junho de 304.
Os seus corpos ficaram escondidos numa gruta límpida por muito tempo. Depois foram encontrados por uma rica e pia senhora, de nome Lucila, que desejava dar uma digna e cristã sepultura aos santos de sua devoção. O culto dedicado a eles se espalhou no mundo católico até que o imperador Constantino mandou construir sobre essas sepulturas uma igreja. Outros séculos se passaram e, em 1751, no lugar da igreja foi erguida a belíssima basílica de São Marcelino e São Pedro, para conservar a memória dos dois santos mártires, a qual existe até hoje.

Fontes: