sábado, 5 de setembro de 2009

Beata Madre Teresa de Calcutá, Religiosa, Fundadora, Missionária (+1997), 05 de Setembro

Biografia
Madre Teresa de Calcutá, cujo nome verdadeiro é Agnes Gonxha Bojaxhiu, nasceu em 26 de agosto de 1910, em Skopje, na Macedônia, filha de pais albaneses, numa família de três filhos, sendo duas moças e um rapaz. Naturalizada indiana, foi beatificada pela Igreja Católica no dia 19 de outubro de 2003, pelo Papa João Paulo II. Considerada, por alguns, a missionária do século XX, fundou a congregação "Missionárias da Caridade".
Na infância, Agnes freqüentou uma escola não católica. Aos 12 anos, ouviu um jesuíta que era missionário na Índia dizer: Cada qual em sua vida deve seguir seu próprio caminho. Tais palavras a impressionaram e se determinou a dar um sentido à sua vida, a entregar-se a serviço dos outros: fazer-se missionária. E já nesta idade procurou o referido jesuíta para saber como fazer isso, ao que o prudente homem respondeu que aguardasse a confirmação do tempo e da voz de Deus.
Seis anos mais tarde, cada vez mais convicta de sua vocação, solicitou a admissão na Congregação das Irmãs do Loreto que trabalhava em Bengala, mas teve primeiro de aprender a língua inglesa em Dublim. De Dublim foi enviada para a Índia em 1931 a fim de iniciar seu noviciado em Darjeeling no colégio das Irmãs de Calcutá.

No dia 24 de maio de 1931, fez a profissão religiosa, e emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de "Teresa". A origem da escolha deste nome residiu no fato de ser em honra à monja francesa Teresa de Lisieux, padroeira das missionárias, canonizada em 1927 e conhecida como Santa Teresinha.
De Darjeeling passou para Calcutá, onde exerceu, durante os anos 30 e 40, a docência em Geografia no colégio bengalês de Sta. Mary, também pertencente à congregação de Nossa Senhora do Loreto. Impressionada com os problemas sociais da Índia, que se refletiam nas condições de vida das crianças, mulheres e velhos que viviam na rua e em absoluta miséria, fez a profissão perpétua a 24 de maio de 1937.
Com a partida do colégio, tirou um curso rápido de enfermagem, que veio a tornar-se um pilar fundamental da sua tarefa no mundo.

Em 1946, decidiu reformular a sua trajetória de vida. Dois anos depois, e após muita insistência, o Papa Pio XII permitiu que abandonasse as suas funções enquanto monja, para iniciar uma nova congregação de caridade, cujo objetivo era ensinar as crianças pobres a ler. Desta forma, nasceu a sua Ordem – As Missionárias da Caridade. Como hábito, escolheu o sári, nas cores — justificou ela — "branco, por significar pureza e azul, por ser a cor da Virgem Maria". Como princípios, adotou o abandono de todos os bens materiais. O espólio de cada irmã resumia-se a um prato de esmalte, um jogo de roupa interior, um par de sandálias, um pedaço de sabão, uma almofada e um colchão, um par de lençóis, e um balde metálico com o respectivo número.

Começou a sua atividade reunindo algumas crianças, a quem começou a ensinar o alfabeto e as regras de higiene. A sua tarefa diária centrava-se na angariação de donativos e na difusão da palavra de alento e de confiança em Deus.

No dia 21 de dezembro de 1948, foi-lhe concedida a nacionalidade indiana. A partir de 1950 empenhou-se em auxiliar os doentes com lepra.

Em 1965, o Papa Paulo VI colocou sob controle do papado a sua congregação e deu autorização para a sua expansão a outros países. Centros de apoio a leprosos, velhos, cegos e doentes com HIV surgiram em várias cidades do mundo, bem como escolas, orfanatos e trabalhos de reabilitação com presidiários.

Servindo ao mundo


Ao primeiro lar infantil ou "Sishi Bavan" (Casa da Esperança), fundada em 1952, juntou-se o "Lar dos Moribundos", em Kalighat.

Mais de uma década depois, em 1965, a Santa Sé aprovou a Congregação Missionárias da Caridade. Ao longo de vinte anos, entre 1968 e 1989, a Congregação Missionárias da Caridade estabeleceu a sua presença em inúmeros países, tais como Albânia, Rússia, Cuba, Canadá, Palestina, Bangladesh, Austrália, Estados Unidos da América, Ceilão, Itália, antiga União Soviética, China etc.
O reconhecimento do mundo pelo trabalho de Madre Teresa concretizou-se com o Templeton Prize, em 1973, e com o Nobel da Paz, no dia 17 de outubro de 1979.
Morreu em 1997, aos 87 anos, mas o seu trabalho missionário continua através da irmã Nirmala, eleita no dia 13 de março de 1997 como sua sucessora. Tratado como um funeral de Estado, vários foram os representantes do mundo que quiseram estar presentes para prestar a sua homenagem. As televisões do mundo inteiro transmitiram ao vivo durante uma semana, os milhões que queriam vê-la no estádio Netaji.
Um de seus pensamentos era este: “Não usemos bombas nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”.


A "noite escura" de Madre Teresa


Uma coleção de cartas dirigidas a uns poucos conselheiros espirituais e recolhidas no livro "Madre Teresa venha, seja minha luz" (Mother Teresa: Come Be My Light) publicado em 4 de setembro de 2007, traduzido e publicado no Brasil pela editora Thomas Nelson, organizado pelo Padre Brian Kolodiejchuk, postulador da causa da sua canonização revelaram, segundo alguns, dúvidas profundas de madre Teresa sobre sua fé em Deus, provocando discussões sobre uma possível posição agnóstica.

Madre Teresa, em suas cartas, descreveu como sentia falta de respostas de Deus. Em 1956 escreveu: "Tão profunda ânsia por Deus - e ... repulsa - vazio - sem fé - sem amor - sem fervor. Almas não atrai - O céu não significa nada - reze por mim para que eu continue sorrindo para Ele apesar de tudo." Em 1959: "Se não houver Deus - não pode haver alma - se não houver alma então, Jesus - Você também não é real."
Uma de suas cartas ao Padre Neuner dizia: "Pela primeira vez ao longo de 11 anos - cheguei a amar a escuridão. - Pois agora acredito que é parte, uma parte muito, muito pequena da escuridão e da dor de Jesus neste mundo. O Senhor ensinou-me a aceitá-la [como] um 'lado espiritual de sua obra', como escreveu. - Hoje senti realmente uma profunda alegria - que Jesus já não pode passar pela agonia - mas que quer passar por mim. - Abandono-me a Ele mais do que nunca. - Sim - mais do que nunca estarei à disposição."

No entanto, o texto de suas cartas não deve afetar a campanha por sua santificação, já que a Igreja defende que outros santos também demonstraram dúvidas em relação a sua fé, como por exemplo São Tomé.

§ A crise espiritual.

Segundo o postulador da causa da canonização de Madre Teresa e autor do livro, a sua crise espiritual começou nos anos 50, logo após a fundação da ordem das Missionárias da Caridade; a partir daí "viveu uma grande fase de escuridão interior que se prolongou até a sua morte". "Sabia que estava unida a Deus, mas não conseguia sentir nada." Este fenômeno é conhecido na tradição e na teologia mística cristã, e foi São João da Cruz quem o chamou de noite escura do espírito, o que considera uma etapa no caminho de alguns santos no caminho de identificação com Deus.


§ Silêncio divino.

Bento XVI comentando as cartas disse que este silêncio serve para que os crentes percebam a situação daqueles que não acreditam em Deus. Falando sobre as experiências místicas da beata disse que "tudo aquilo que já sabíamos se mostra agora ainda mais abertamente: com toda a sua caridade, a sua força de fé, Madre Teresa sofria com o silêncio de Deus".


§ Antídoto contra o sentimentalismo.

Kolodiejchuk enxerga na atitude da beata um antídoto contra o sentimentalismo: "A tendência em nossa vida espiritual, e também na atitude mais geral relativamente ao amor, é que o que conta são os nossos sentimentos. Assim a totalidade do amor é o que sentimos. Mas o amor autêntico a alguém requer o compromisso, fidelidade e vulnerabilidade. Madre Teresa não 'sentia' o amor de Cristo, e poderia ter cortado, mas levantava-se às 4:30 h. cada manhã por Jesus e era capaz de escrever-lhe: Tua felicidade é o único que quero. Este é um poderoso exemplo, inclusive em termos não puramente religiosos."


§ Santa da escuridão.

O jornal The New York Times em editorial de 5 de setembro de 2007 assinala que Madre Teresa em uma de suas cartas afirma que se alguma vez chegarei a ser santa, seguramente o serei da escuridão. O editorial cita a jornalista e escritora Flannery O’Connor, católica, que passou por uma difícil enfermidade de natureza degenerativa, que escreveu que existem pessoas que "pensam que a fé é um grande cobertor elétrico, quando é com certeza a cruz". O artigo procura estabelecer um paralelismo entre o sofrimento dessas duas mulheres quando considera que "ambas não falaram sobre o seu próprio sofrimento e continuaram a trabalhar". "Madre Teresa, enferma de nostalgia por um sentido do divino, manteve a fé com os enfermos de Calcutá", conclui o editorial.

Michael Gerson, colunista do Washington Post, a respeito da "noite escura" de Madre Teresa, escreve que este fato interior e o contraste externo de sua alegria e sorriso não podem ser considerados como se fosse hipocrisia. Afirma que "Há uma espécie de valentia na perda da ilusão sem perder o coração" e que "a santidade tem que ver mais com obediência que com sentimentos espirituais, que a fé pode coexistir com o sofrimento e a dúvida, que a santidade pode ser mais áspera e mais difícil do que imaginamos".



Deus Caritas Est

Bento XVI, na sua encíclica Deus caritas est, de 25 de dezembro de 2005, "sobre o amor cristão", cita Madre Teresa como exemplo de pessoa de oração e ao mesmo tempo de fé operativa: a piedade não afrouxa a luta contra a pobreza ou mesmo contra a miséria do próximo. A beata Teresa de Calcutá é um exemplo evidentíssimo do fato que o tempo dedicado a Deus na oração não só não lesa a eficácia nem a operosidade do amor ao próximo, mas é realmente a sua fonte inexaurível. Na sua carta para a Quaresma de 1996, essa beata escrevia aos seus colaboradores leigos: "Nós precisamos desta união íntima com Deus na nossa vida cotidiana. E como poderemos obtê-la? Através da oração."

Fontes:

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Nossa Senhora Consoladora (ou Consolata), 04 de Setembro


A devoção para com Nossa Senhora Consolata (ou Consoladora dos Aflitos) surgiu em Turim (norte da Itália), na metade do século V. Segundo uma tradição alicerçada em sólidos fundamentos, o quadro de Nossa Senhora Consolata foi trazido da Palestina por Santo Eusébio, Bispo de Vercelli, que o doou a São Máximo, Bispo de Turim. São Máximo, por sua vez, no ano 440, expôs o quadro à veneração dos fiéis de Turim, num altarzinho erguido no interior da igreja do Apóstolo Santo André.
O povo, a convite do seu Bispo, começou a venerar a efígie daquele quadro com grande fé e devoção. E Maria começou a distribuir muitas graças, inclusive graças extraordinárias, sobretudo em favor das pessoas doentes e sofredoras. Sensibilizados com o amor misericordioso da Virgem Maria, o Bispo e o povo começaram então a invocá-la com os títulos de “Mãe das Consolações”, “Consoladora dos Aflitos”, e “Consolata” (Consolata é a forma popular de Consoladora).
O quadro de Nossa Senhora Consolata permaneceu exposto à veneração dos fiéis sem sofrer nenhum transtorno, durante quatro séculos consecutivos.
Por volta do ano 820 penetrou na cidade de Turim a funesta heresia dos iconoclastas (pessoas que quebravam e destruíam toda e qualquer imagem ou quadro religioso expostos ao culto). Em tal circunstância, temendo que o quadro da Consolata fosse destruído, os religiosos que tomavam conta da igreja de Santo André resolveram tirá-lo do altar do oratório e escondê-lo nos subterrâneos da igreja, esperando que passasse a onde devastadora dos iconoclastas. Mas a perseguição se prolongou por longos anos. As pessoas que haviam escondido o quadro morreram sem revelar o lugar do seu esconderijo. Assim, o quadro ficou desaparecido pelo espaço de um século. Este fato fez com que os fiéis deixassem de freqüentar o oratório e perdessem, aos poucos, a lembrança da Virgem Consoladora.
Mas a Divina Providência velava. No ano 1014, Nossa Senhora apareceu a Arduíno, Marquês de Ivréia, gravemente enfermo, e pediu-lhe que construísse três capelas em sua honra: uma em Belmonte, outra em Crea e a terceira em Turim, esta última junto às ruínas da antiga igreja de Santo André, cuja torre ainda permanecia de pé. O Marquês Arduíno milagrosamente curado por Nossa Senhora, logo mandou construir as três capelas.
Ao fazerem as escavações para os alicerces da capela de Turim, os operários encontraram no meio dos escombros o quadro de Nossa Senhora Consolata, ainda intacto, apesar de ser uma pintura em tela. O facto encheu de alegria a população da cidade e a devoção à Mãe das Consolações renasceu mais forte que antes. Parecia que nunca mais se apagaria, mas não foi assim.
As numerosas guerras, as freqüentes epidemias que assolavam a região, as invasões, etc., fizeram que muitos habitantes de Turim abandonassem a cidade; com tal situação, a igreja de Santo André e a capela de Nossa Senhora Consolata foram desmoronando aos poucos e tudo acabou novamente num monte de escombros. E o quadro da Consolata, mais uma vez, ficou mergulhado nas ruínas pelo espaço de 80 anos...
Deus intervém de novo, e de forma extraordinária. Em 1104 um cego de Briançon (pequena cidade da França), chamado João Ravache, teve uma visão de Nossa Senhora; a Virgem Maria prometeu devolver-lhe a luz dos olhos se fosse a Turim visitar a sua capela que jazia em ruínas... Lutando contra muitas dificuldades o cego chegou a Turim. O Bispo da cidade, Mainardo, acolheu e ouviu o cego; ciente de que se tratava de um fato real, mandou fazer as escavações no local mencionado pelo cego, de acordo com a indicação que Nossa Senhora lhe dera durante a visão. No dia 20 de Julho de 1104, o quadro da Consolata foi reencontrado sob as ruínas, ainda intacto. O cego, conduzido à presença do quadro, recuperou instantaneamente a vista. O numeroso povo que presenciara ao fato rompeu em brados de alegria. O Bispo Mainardo, comovido, ergueu repetidas vezes esta invocação a Nossa Senhora: “Rogai por nós, Virgem Consoladora!” E o povo respondeu: “Intercedei pelo vosso povo!”
Este episódio consolidou na alma do povo de Turim a devoção para com Nossa Senhora Consolata. A profunda confiança dos fiéis na poderosa proteção da Mãe das Consolações foi sobejamente premiada ao longo dos séculos.
Hoje, depois de 15 séculos, no local do primeiro oratório, surge o devoto santuário da Consolata, que se tornou o coração mariano de todo o norte da Itália. Foi junto àquele santuário que, no primeiro decénio do século XX, o Beato José Allamano fundou o Instituto dos Missionários e das Missionárias da Consolata. Atualmente, a devoção de Nossa Senhora Consolata é conhecida em muitos países de vários continentes.

Fontes:

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

São Gregório Magno, Papa, Doutor da Igreja (+604), 03 de Setembro


«Mulher, porque choras?»
São Gregório Magno, Homilia 25


Maria torna-se testemunha da compaixão de Deus; sim… aquela Maria a quem um fariseu queria quebrar o arroubo de ternura. “Se este homem fosse profeta, exclamava ele, saberia quem é esta mulher que o toca e o que ela é: uma pecadora” (Lc 7,39). Mas as suas lágrimas apagaram-lhe as manchas do corpo e do coração; ela precipitou-se a seguir os passos do seu Salvador, afastando-se dos caminhos do mal. Estava sentada aos pés de Jesus e escutava-o (cf. Lc 10, 39). Vivo, apertava-o nos seus braços; morto, procurava-o. E encontrou vivo aquele que procurava morto. Encontrou nele tanta graça que acabou por ser ela a levar a boa nova aos apóstolos, aos mensageiros de Deus!
Que devemos ver aqui, meus irmãos, senão a infinita ternura do nosso Criador, que, para dar novo ânimo à nossa consciência, nos dá constantemente exemplos de pecadores arrependidos. Lanço os meus olhos sobre Pedro, olho para o ladrão, examino Zaqueu, considero Maria e só vejo neles apelos à esperança e ao arrependimento. Foi a vossa fé tocada pela dúvida? Pensem em Pedro que chora amargamente a sua covardia. Estais ardendo em cólera contra o vosso próximo? Pensai no ladrão: em plena agonia, arrepende-se e ganha as recompensas eternas. A avareza seca-vos o coração? Prejudicastes alguém? Vede Zaqueu que devolve quatro vezes mais aquilo que tinha roubado a um homem. Por causa de uma paixão, perdestes a pureza da carne? Olhai para Maria que purifica o amor da carne com o fogo do amor divino.
Sim, Deus todo-poderoso oferece-nos constantemente exemplos e sinais da sua compaixão. Enchamo-nos, pois, de horror pelos nossos pecados, mesmo pelos mais antigos. Deus todo-poderoso esquece com facilidade que nós cometemos o mal e está pronto a olhar para o nosso arrependimento como se fosse a própria inocência. Nós que, depois das águas da salvação, nos tínhamos de novo manchado, renasçamos das nossas lágrimas… O nosso Redentor consolará as vossas lágrimas com a sua alegria eterna.

São Gregório Magno,
rogai por nós!
* * *

http://4.bp.blogspot.com/_qZwTHaYo6i0/SGq2dRAexTI/AAAAAAAAAWc/zZLdn03fS3E/s320/Xto%2Bressuscitad.jpg

"Gregório" significa "vigilante"São Gregório Magno, nasceu em Roma no ano de 540. A família Anícia, à qual pertencia, era uma das principais de Roma. Quando seu pai morreu, Gregório, ainda muito jovem, era prefeito da cidade. O historiador protestante Harnack admira "a sabedoria, a justiça, a mansidão, a força de iniciativa, a tolerância" e Bossuet considera-o o "modelo perfeito de como se governa a Igreja". É considerado um dos mais célebres Papas da história da Igreja, e seu pontificado durou 14 anos (de 3 de Setembro de 590 a 12 de Março de 604), é marcada por coisas incríveis: organiza a defesa de Roma ameaçada por Aginulfo, com quem reata depois relações de boa vizinhança; administra os bens públicos com religiosa equidade, suprindo o descanso dos funcionários imperiais; favorece o progresso dos agricultores eliminando todo o resíduo de escravidão da gleba; animado pelo zelo, promove a missão de Santo Agostinho de Cantuária na Inglaterra e é o primeiro a usar o nome de servo dos servos de Deus.
O epistolário (chegaram a nós 848 cartas) e as homilias ao povo dão-nos farto testemunho de suas múltiplas atividades, deixando a sua marca em toda parte: lembramos, por exemplo, o campo litúrgico, com a promoção do canto gregoriano, o direito canônico, a vida ascética monacal, a pastoral e o apostolado leigo. A sua familiaridade com a Sagrada Escritura aparece nas Homilias sobre Ezequiel e sobre o Evangelho, enquanto os Moralia in Job atestam a sua admiração por Santo Agostinho.
Era admirador excepcional figura de São Bento, fundou sete mosteiros, seis na Sicília e um em Roma. Profunda influência exerceu, juntamente com a Vida de São Bento, o seu livro Regra pastoral, válido ainda hoje.
  
Fontes:

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Santa Dorotéia, Mártir, 02 de Setembro

Santa Dorotéia nasceu em Cesaréia da Capadócia. Seus pais foram martirizados. De educação esmerada, aliava à riqueza invejáveis dotes e era sumamente bela. A jovem vivia em jejum e oração.

O governador Fabrício havia recebido ordens do imperador para exterminar todos os cristãos. Denunciada, ela foi uma das primeiras vítimas: apesar de não aparecer muito em público, era considerada uma verdadeira apóstola de Cristo, pelas atividades que desenvolvia junto aos cristãos.

Foi intimada, perante o governador, a oferecer sacrifício aos deuses. Movida pela ousadia, ela confessou a sua fé destemidamente. Fabrício irritado ordenou que fosse estendida no cavalete, esbofeteando-a. Vendo que ela continuava a manifestar a sua alegria, formulou a sentença: "Ordenamos que Dorotéia, jovem repleta de orgulho, que se recusou a sacrificar aos deuses imortais e conservar assim a sua vida, desejosa de morrer por um homem chamado Jesus Cristo, morra à espada."

Ao sair do pretório, um advogado, chamado Teófilo, à sua passagem lhe disse: "Dorotéia, esposa de Cristo, envia-me do jardim de teu Esposo frutos ou rosas." Ela respondeu: "Crê de todo o coração no Deus por cujo nome sofro tudo isto, e te enviarei o que pedes."

Chegando ao lugar do martírio, pediu ao carrasco instantes para rezar, e percebendo na multidão um menino, chamou-o e entregou-lhe em suas mãos o lenço com que enxugava o rosto, dizendo: "Toma este lenço, e entrega-o ao Teófilo, o advogado, dizendo: 'Dorotéia, a serva do Senhor, te envia frutos do jardim do Cristo, seu Esposo e Filho de Deus, conforme teu pedido.' "

O menino entregou o lenço na hora em que Dorotéia foi decapitada. Teófilo, pegando entre as mãos o lenço, começou a dar graças a Deus. Tendo confessado Jesus Cristo, foi também condenado à decapitação, indo alegre para o suplício.



Fontes:



http://www.allposters.com/gallery.asp?aid=999354&search=GUIDO+RENI&DestType=5&Referrer
%20=http://www.ocaiw.com/catalog/?lang=pt&catalog=pitt&author=604

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Santa Teresa Margarida Redi do Coração de Jesus,OCD, Religiosa, 1º de Setembro



"Permanecei no meu amor."
Em seu plano de amor, Jesus revela os preferidos de seu Pai: os pobres, os aprisionados, os cegos e os oprimidos .

Teresa Maragarida Redi do Sagrado Coração de Jesus, no século Anna Maria Redi, nasceu em Arezzo (Toscana – Itália) a 15 de julho de 1747. Freqüentou, como educanda, o mosteiro de Santa Apolônia de Florença até 1764. Decisiva para a sua vocação foi a inspiração atribuída a Santa Teresa de Ávila, graças à qual escolheu o Carmelo. Ingressou no convento carmelita de Florença em 1º de setembro de 1764, e tomou o hábito de carmelita descalça a 11 de março de 1765, com o nome de Irmã Teresa Margarida do Coração de Jesus.
A segunda grande inspiração de sua vida foi a passagem da Primeira Carta de João, "Deus é amor" (1Jo. 4,16), afirmação sobre a qual baseou sua vida.
Nas vésperas da festa de Nossa Senhora do Carmo de 1747, em Arezzo, na nobre família dos Redi, veio à luz Ana Maria, a segunda de um total de treze crianças. Em uma família profundamente cristã cresceu como um lírio branco: pediu repetidas vezes aos pais e tios que falassem para ela de Jesus e sempre perguntava sobre o que precisava ser feito para agradá-lo. Ela amava permanecer no seu quarto para rezar e admirar seus “santinhos”. Com nove anos, foi enviada a Florença com sua irmã Eleanor Catherine, para o Educandário de beneditino de Santa Apolônia. Recebeu a Primeira Comunhão no dia da Assunção de Nossa Senhora, em 1757. Fato significativo foi ter como seu maior confidente o próprio pai, Inácio Maria Redi, homem religioso e iluminado. Entre os dois iniciou-se uma relação intensa através de cartas que, infelizmente, foram quase totalmente perdidas, pois ambos se prometeram de dar fogo às letras. Ana Maria disse repetidamente que ela era imensamente agradecida ao seu pai, mais por aquilo que ele ensinou que por tê-la gerado.
De Margarida Maria Alacoque, nasceu-lhe uma grande devoção ao Sagrado Coração, um íntimo amor a Cristo. Aos dezessete anos, seguindo o exemplo da amiga Cecília Albergotti, sentiu a vocação para entrar no Carmelo, não obstante a dolorosíssimo processo de adeus à família. No dia 1º. de Setembro de 1764 foi aceita no Mosteiro de Maria dos Anjos, em Florença. Fez a profissão religiosa em 12 de março de 1766 e se tornou Irmã Teresa Margarida do Coração de Jesus.
Escrupulosa por querer viver em conformidade com a regra, amou a oração mental, até mesmo durante a noite. Um sorriso doce foi sempre impresso em seu rosto.
Com a amiga Cecília deu início a um santo desafio no amar o Cristo e assumiram o compromisso de, nos momentos de silêncio, confiarem-se cada falta, através de bilhetes. Pelo testemunho do seu pai e do diretor espiritual P. Idelfonso de S. Luís, conhecemos a sua escalada à santidade. Ainda jovem professa, sentiu um profundo desejo de conhecer a vida oculta de Jesus. Padre Ildefonso deu-lhe como tarefa a meditação de uma passagem da carta de S. Paulo aos Colossenses que diz: "Você está morto e vossa vida está escondida com Cristo em Deus." Matar a sede de Deus através da imitação de Cristo tornou-se o objetivo da sua existência. Nasce assim aquela singular expressão: “Ó que bela escada, que escada preciosa e indispensável é o nosso bom Jesus!” Mestre, modelo e porta para entender e entrar no mistério divino. A sua contemplação era trinitária: O Espírito Santo é a fonte, Cristo o caminho para se alcançar o Pai. Sua contemplação foi a Santíssima Trindade: o Espírito Santo foi a fonte, e Cristo a caminho de alcançar o Pai.
No dia da profissão religiosa, por amor a Jesus, renunciou ao que mais amava: a relação epistolar com o pai. Isto custou-lhe muitíssimo, mas prometeram-se que daquele dia em diante, todas as noites, antes do repouso, encontrariam-se no Coração de Jesus. No domingo, 28 de junho de 1767, enquanto estava no coro para a Hora Terça, ouviu da leitura breve: “Deus charitas est et qui manet in charitate, in Deo manet” (Jo. 14,16). Um sentimento sobrenatural a invadiu e por diversos dias ficou numa crise positiva por isso. Doou o seu coração a Cristo, oferecendo-se para ser consumada por seu amor. Havia alcançado o último degrau da escada, transformando-se em Templo do Deus Vivo. Tudo o viveu na mais grande humildade, com o desejo porém de transmitir tal dom místico às irmãs. Pediu ao confessor a permissão de fazer a oferta de Alacoque: colocar a própria vontade nas chagas do lado do Cristo e entrar no seu Coração. Sentia-se, porém, pequena e a sua maior preocupação era a de amar bastante. O amor a Deus se concretizou na tarefa de auxiliar de enfermagem que exercitou com extraordinária abnegação, em particular em relação a uma irmã que, por problemas psíquicos, agia com violência. A sua caridade foi silenciosa e heróica. Além disso, naquele período as irmãs doentes e idosas eram muitas. A sua mesma comunidade transforma-se em instrumento de mortificação e assim, no último Capítulo da comunidade, irmã Teresa Margarida foi repreendida porque, pelo excessivo trabalho de enfermeira, parecia negligenciar a vida contemplativa. O total domínio de si, depois de um breve abatimento, a fez superar a repreensão com um pouco de bom humor.
De Santa Teresa Margarida possuímos poucos escritos: algumas cartas, vários bilhetes que gostava de dar às irmãs com pensamentos e máximas, os propósitos e para os retiros de 1768 e um outro breve propósito. Das cartas podemos apreender alguns momentos de desconforto: “encontrando-me assim, num estado de sumo desânimo, a todo momento cometo alguma falta”... “Faço tantos propósitos, mas nem sempre consigo praticá-los”. Por isso Teresa pedirá à priora que a trate com dureza.
A sua ardente devoção a fez alcançar uma altíssima experiência mística, testemunha do que a oração pode fazer em uma alma. Foi atenta por manter escondidas as suas virtudes e por humildade, com humor, desviava a curiosidade das irmãs, a ponto de ser considerada uma “espertinha”. Chegou, porém, a dizer ao diretor espiritual que deveria tornar público os seus defeitos. Mesmo não tendo muito conhecimento teológico, foi muito atenta à compreensão da Sagrada Escritura, entendida como dom do Espírito. Teve muito cara também a leitura das obras de Santa Madre Teresa e a sua exortação de dar lugar a Deus com o silêncio interior. Ardente foi o seu amor pela Eucaristia: “No ofertório, renovo a profissão: antes que se eleve o Santíssimo, oro a Nosso Senhor para que, assim como transforma o pão e o vinho no seu preciosíssimo Corpo e Sangue, assim digne-se de transformar-me toda em si mesmo. Ao ser elevado o adoro, e renovo ainda a minha profissão, e depois peço aquilo que desejo dele.” A seu pedido a comunidade celebrou pela primeira vez a festa do Sagrado Coração de Jesus, e empenhou-se em cada particular para que fosse solene. Nisto foi sustentada pelo pai e pelo tio, o jesuíta Diego Redi. Eram os anos nos quais nascia esta devoção, nem sempre bem acolhida por causa das influências jansenistas.



Uma peritonite fulminante, depois de 18 horas de atroz sofrimento, a fez encontrar com o seu Esposo Celeste, tão amado e desejado. Esquecida de si, poucas horas antes de morrer, continuava a preocupar-se das irmãs doentes. Morreu com menos de 23 anos, no dia 7 de março de 1770. Seu corpo emanava um perfume suave e ainda hoje é conservado incorrupto no Mosteiro das Carmelitas Descalças de Florença. No dia 19 de março de 1934, o Papa Pio XI a proclamou santa definindo-a “neve ardente”. A existência breve desta simples irmã, sem dotes particulares, é hoje exemplo à Igreja universal.
“O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em ter uma grande desnudez e em padecer pelo Amado.”
São João da Cruz – D 113

Fonte:
http://ocdsprovinciasaojose.blogspot.com/2009/08/liturgia-01-de-setembro-santa-teresa.html

Santo Aristides, Confessor (+ Atenas, Séc. II) / São Raimundo Nonato, Confessor, 31 de Agosto

     Antes de converter-se, Santo Aristides ensinava filosofia em Atenas. Depois de convertido, dirigiu ao Imperador uma apologia à Religiäo cristã, mostrando que os bárbaros, os gregos e os judeus formavam uma idéia falsa da divindade (cristã), e que só os cristãos a conheciam verdadeiramente.
* Martirológio Romano - Monástico, Abadia de S. Pierre de Solesmes, traduzido e adaptado para o Brasil pelos Monges do Mosteiro da Ressurreiçäo, Ponta Grossa (PR), 1997.


São Raimundo Nonato

Ingressou, com 24 anos, na Ordem dos Mercedários, destinada ao resgate de cativos. Ofereceu-se voluntariamente para ficar escravo entre os mouros, a fim de permitir a libertação de um católico que estava periclitando na fé.
Visava também exercer seu ministério entre os demais pobres cativos e, mais ainda, pregar a Religião católica aos próprios maometanos. Para impedi-lo de pregar, os mouros furaram-lhe os lábios com um ferro quente, e mantinham sua boca fechada com um cadeado.
Passou oito meses prisioneiro, sofrendo atrozmente. Depois de libertado, foi nomeado cardeal, em reconhecimento pelos seus méritos. Faleceu com apenas 36 anos. Recebeu o nome de Nonato (do latim "non natus", isto é, não nascido) porque sua mãe morreu antes de dá-lo à luz e ele precisou ser extraído do corpo já inerte da mãe. É por isso invocado como padroeiro das parturientes e das parteiras.

Fontes:

sábado, 29 de agosto de 2009

Beata Joana Jugan, Religiosa, 30 de Agosto


Joana Jugan lembra a misericórdia de Deus para com os pobres. Fundadora das Irmãzinhas dos Pobres, em 1830, foi beatificada por João Paulo II, no dia 3 de outubro de 1982. Natural da França, nasceu em 1792 e morreu em 1879. Durante toda sua vida, ela procurou identificar-se totalmente com os pobres e necessitados. Por ocasião de sua beatificação, João Paulo II afirmou:
"Na nossa época, o orgulho, a busca da eficiência e a tentação dos meios poderosos dominam facilmente o mundo e por vezes, infelizmente, a Igreja. Criam obstáculos à implantação do reino de Deus. Por isso a fisionomia espiritual de Joana é capaz de atrair os discípulos de Cristo e de lhes encher os corações de simplicidade e humildade, de esperança e de alegria evangélica, vindas de Deus e do esquecimento próprio" (apud J. Leite, op. cit., vol. II, p. 524).
Por ocasião de sua morte, havia cerca de 2.400 Irmãzinhas dos Pobres dedicadas ao serviço dos excluídos e a congregação espalhara-se por mais de dez países. Atualmente as irmãzinhas encontram-se presentes em mais de 30 nações, nos cinco continentes, e são cerca de 5 mil religiosas no mundo inteiro.

Fontes:

Martírio de São João Batista, 29 de Agosto




A festa do martírio de São João Batista remonta ao século V, na França; e ao século VI, em Roma. Está ligada à dedicação da igreja construída em Sebaste, na Samaria, no suposto túmulo do Precursor de Jesus. O próprio Jesus apresenta-nos João Batista:
Ao partirem eles, começou Jesus a falar a respeito de João às multidões: "Que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? Mas que fostes ver? Um homem vestido de roupas finas? Mas os que vestem roupas finas vivem nos palácios dos reis. Então, que fostes ver? Um profeta? Eu vos afirmo que sim, e mais do que um profeta. É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti. Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João, o Batista, e, no entanto, o menor no Reino dos céus é maior do que ele...’” (Mateus 11:2-11).
O martírio de João Batista liga-se à denúncia profética das injustiças cometidas pelos poderosos, inclusive o luxo da corte, cujo desfecho fatal é a morte do inocente e a opressão dos marginalizados.

Fontes:
www.ecclesia.pt