terça-feira, 17 de novembro de 2009

Santa Rosa Felipina Duchesne, Religiosa da Sociedade do Sacré-Coeur (França), 18 de Novembro



Rosa Felipina Duchesne nasceu em Grenoble (França) em 29 de agosto de 1769. Batizada na igreja de São Luís, recebeu, como se fosse um presságio, os nomes do apóstolo Felipe e de Rosa de Lima, primeira santa do Novo Continente. Sua educação iniciou-se no Convento da Visitação de Santa Maria do Alto. Atraída pela vida contemplativa das religiosas, Rosa Felipina entrou, aos 18 anos, para o noviciado no mosteiro.
Na época da Revolução Francesa, a comunidade foi dispersada. Felipina voltou para a sua família, e passou a dedicar-se a cuidar dos prisioneiros, dos doentes e dos pobres. Após a *Concordata de 1801, ela tentou, com algumas companheiras, fazer reviver o Mosteiro da Visitação, mas seu esforço foi em vão.
Em 1804, Felipina toma conhecimento da fundação de uma nova congregação: a Sociedade do Sacré-Coeur  (Sagrado Coração) de Jesus, e oferece seu antigo mosteiro à fundadora, Madeleine-Sophie Barat; Felipina está pronta a entrar para a congregação. Pouco depois, Madre Barat chega a Santa Maria do Alto e acolhe a religiosa e suas companheiras como noviças na Sociedade.
Após sua profissão religiosa, ao mesmo tempo em que sentia vontade de ingressar numa vida contemplativa, Felipina sente fortemente o chamado, que lhe era feito desde a adolescência, às missões. Numa carta a Madre Barat, ela confia a experiência espiritual que viveu ao longo da noite de adoração da Quinta-Feira Santa diante do Santíssimo Sacramento: "A noite inteira, eu estive no novo continente... Eu levava meu Tesouro (o Santíssimo Sacramento) por todos os cantos... (...) Quando a senhora me disser 'eu vos envio', rapidamente eu responderei: eu vou." Ela precisou esperar durante 12 anos.
Em 1808, seu sonho se realizou: ela partiu, atendendo ao pedido do bispo da Louisiana (EUA), que procurava uma congregação de ensino, para ajudá-lo a anunciar o Evangelho aos Índios e aos jovens franceses da sua diocese. Em Saint Charles, próximo a Saint Louis (Missouri), Felipina funda a primeira casa da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus fora da Europa. Não passava de uma cabana de madeira. Lá, ela conheceu todas as dificuldades de uma vida de pioneira: frio extremo, trabalho pesado, falta de dinheiro. Ela enfrentava também muita dificuldade em aprender o inglês; o correio era lento, as cartas da sua querida França várias vezes nem chegavam. Mas a religiosa se esforçava para ser fiel, permanecendo sempre unida à Sociedade na França.
Felipina e suas quatro companheiras religiosas progrediam. Em 1820, ela abriu a primeira escola gratuita do Oeste do Mississipi. A partir de 1828, seis casas são abertas ao acolhimento de jovens alunos do Missouri e da Louisiana. Ela amava muito seus alunos, auxiliando-os bastante, mas no seu coração, ela aspirava sempre ao trabalho junto aos Índios. Aos 72 anos de idade, Felipina é liberada de toda e qualquer responsabilidade; porém uma escola para os Potawatomis vai ser aberta em Sugar Creek, no Kansas. 
Muita gente achava que a saúde de Felipina estava muito debilitada para que ela partisse, mas o Jesuíta que dirigia essa missão insistiu: "Ela precisa vir; ela não pode fazer muitos trabalhos, mas ela garantirá o sucesso da missão pela sua oração. Sua presença atrairá toda sorte de favores divinos para os nossos trabalhos." 
Ela permanece somente um ano com os Potawatomis; todavia, sua coragem não diminuiu, e suas longas horas de oração contemplativa levaram os Índios a chamá-la "a mulher que ora sempre". Sua saúde, porém, não resiste às condições da aldeia. Em julho de 1842, ela retorna a Saint Charles, ainda que o seu desejo pelas missões permaneça vivo em seu coração. Ela dizia: "O mesmo desejo ardente que eu sentia na França em vir para a América, eu sinto pelas missões de Rocky Mountains ou quaisquer outras semelhantes..."
Felipina Duchesne morreu em Saint Charles no dia 18 de novembro de 1852, aos 83 anos. Foi canonizada pelo Papa João Paulo II em 3 de julho de 1988.

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*Concordata de 1801:
A Revolução Francesa abolira, ou tentara abolir, a religião, buscando o Estado absolutamente leigo. Ora, Bonaparte considera o sentimento religioso um elemento de estabilização da sociedade; e religião, na França, significa catolicismo, a religião professada pela esmagadora maioria dos franceses. Assim, ele busca um entendimento com o Papa Pio VII, chegando à Concordata de 1801, que permite que, a partir de 1802, a Igreja seja reorganizada em sessenta dioceses, com novos bispos, e um clero “burocrático”: os bispos são indicados pelo chefe do Estado e recebem sua investidura canônica do Papa. O clero é remunerado pelo Estado e tem por função assegurar a paz, a coesão social e o respeito às leis. Outros pontos da Concordata: o catolicismo é declarado “a religião da grande maioria dos franceses"; tolerância religiosa para judeus e protestantes; a igreja renuncia a reclamar as terras confiscadas durante a Revolução; o calendário gregoriano é restabelecido. 

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Ver também: Dedicação das Basílicas de São Pedro e São Paulo, Roma 

Fontes:

São Gregório, o Taumaturgo, Bispo de Neocesaréia (Nova Cesaréia), 17 de novembro


São Gregório operou tantos prodígios que, em vida, ele foi denominado "o Taumaturgo", ou seja, "o Milagreiro". Nascido de pais nobres e ricos, porém pagãos, desde a infância porém ele se sentiu tocado pela verdade pregada pelo cristianismo. O ensinamento do grande Orígenes o impulsionou em seu pensamento, levando-o a buscar e receber o Batismo: "Sirva-se, escreveu-lhe seu Diretor Espiritual, dos talentos que Deus lhe deu para a defesa da religião do Cristo e, para isto, cuide sobretudo de unir a oração ao estudo."
Gregório poderia ter ocupado os mais altos postos; contudo, ele preferiu vender todos os seus bens, doar o valor aos pobres e retirar-se na solidão para ficar a sós com Deus. Logo, porém, ele precisou aceitar o fardo do episcopado. Sua ciência e seus milagres davam-lhe uma capacidade espantosa de influenciar o povo. Gregório era um homem dotado do espírito dos Apóstolos e dos Profetas.
Toda a sua conduta, diz São Basílio, trazia a marca da perfeição evangélica. Gregório jamais orava com a cabeça descoberta; ele falava com simplicidade e modéstia; tinha horror à mentira, aos desvios e habilidades que não estivessem de acordo com a verdade exata. Ele não podia suportar aquilo que fere a doçura e a caridade.
São Gregório morreu deixando apenas dezessete (ex-)idólatras em quem ele encontrou dezessete cristãos.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.

domingo, 15 de novembro de 2009

São José Moscati, Leigo, Médico, 16 de Novembro



Nasceu na Itália em 1880 numa família que vivenciava tanto a fé em Deus que, com apenas 17 anos, José decidiu fazer voto particular de castidade perpétua.

Devotado aos estudos, cursou a faculdade de medicina na Universidade de Nápoles e chegou, com 23 anos, ao doutorado e nesta área pôde ocupar altos cargos, além de representar a Itália nos Congressos Médicos Internacionais. Com competência profissional, Moscati curou com particular eficiência e caridade milhares e milhares de doentes.

Em Nápoles, embora procurado por toda classe de doentes, dava, contudo, preferência aos mais pobres e indigentes. Sem dúvida foi na prática da caridade para com os pobres que se manifestou toda sua grandeza, ao ponto de receber o título de médico e pai dos pobres, isto num tempo em que a cultura se afastava da fé.

José Moscati viveu corajosamente até 1927 e testemunhou a Verdade, tanto assim que encontramos em seus escritos: "Ama a verdade, mostra-te como és, sem fingimentos, sem receios, sem respeito humano. Se a verdade te custa a perseguição, aceita-a; se te custa o tormento, suporta-o. E se, pela verdade, tivesses que sacrificar-te a ti mesmo e a tua vida, sê forte no sacrifício".

Fontes:
http://www.cancaonova.com

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Beata Madalena Morano, 15 de Novembro


Nasceu em Turim / Itália, no dia 15 de novembro de 1847 e morreu em Catânia, na ilha da Sicília, em 26 de março de 1908, aos 60 anos. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 05 de Novembro de 1994.
Com a idade de oito anos, Madalena começou a trabalhar para ajudar no sustento da família após a morte de seu pai, Francisco, falecido vítima de uma pneumonia violenta, aos 51 anos. E justamente um mês depois, Francisca, a irmã mais velha, faleceu repentinamente, aos 17 anos. Era uma jovem trabalhadeira e era a grande auxiliadora na manutenção da família.
Grande foi o desalento da mãe, Catarina, que começou a ver um futuro sombrio e distante a enfrentar, e ainda com filhos muito pequenos. Madalena, com apenas 8 anos de idade, ficou impressionada com o choro contínuo da mãe e lhe disse: “Mamãe, não chore mais! Tenha coragem, eu vou crescer depressa e vou ajudar muito, muito, como papai e Francisca faziam. Eles estão no Paraíso e rezam por nós”.
Desde então, mesmo pequena, Madalena foi a grande força da mãe, ajudando e interessando-se por tudo da casa. Mas continuava a estudar e terminou o curso elementar. Em casa sentou-se no tear da irmã Francisca e com seus frágeis bracinhos, tecia dezenas de metros de cadarço e com a mãe, ia vender em Chieri. 
Com grande força de vontade continuou a estudar e conseguiu o diploma de professora de primeiro grau aos 17 anos. A Prefeitura de Montaldo, distante 12 quilômetros, ofereceu-lhe um melhor trabalho e melhor salário, dando-lhe também a hospedagem. A mãe ficou penalizada com a saída da filha, mas era necessário que tudo fosse acontecendo. Era a conquista de um sonho que já há muito continuava a bater em seu coração.
Como professora, seu interesse pela vida cristã de suas crianças e jovens despertou-lhe o desejo de ensinar também o valor da vida com Deus. Tudo isto povoou seu coração com idéias sublimes e positivas e o desejo de ser religiosa e tudo aumentava  a alegria de viver, se dedicando à educação das crianças e da juventude. Devido às obrigações familiares, Madalena não pôde satisfazer imediatamente os seus desejos e começou a ensinar numa escola rural em Montaldo. Foi, então, uma grande catequista e educadora em sua Paróquia durante 12 anos. Sua seriedade, unida à doçura de seus gestos, fez um grande bem e conquistou a confiança e estima de todos, pais e alunos.
Em 1878, já dona de si e tendo conseguido acumular um certo valor para cuidar de sua mãe, Madalena procurou Dom Bosco e se apresentou como candidata para ser Religiosa. A pouca conversa com o Santo da Juventude, já deu para ele sentir a força, o dinamismo e coragem daquela mulher excepcional que Nossa Senhora estava trazendo à Congregação.  
A sede central das Filhas de Maria Auxiliadora era em Mornese, pequeno povoado da diocese de Acqui. Foi acompanhada pelo seu irmão Pedro, já pai de família, e lá chegou justamente durante um retiro presidido por Dom Bosco. Madalena foi recebida por Maria Mazzarello, co-fundadora da Congregação.
Madalena já é Consagrada, é Salesiana e é enviada para a ilha da Sicília, em Trecastagni para dirigir um Instituto para moças, ao qual ela deu uma nova orientação inspirada nos princípios dos métodos salesianos. Seria uma terceira obra na ilha, e ela com verdadeiro ardor de educadora, começa sua missão com coragem, mesmo em terras nunca antes tendo visto. Em Catânia, Ir. Madalena ficou 4 anos e uma nova obediência a traz de volta para Turim, mas os acontecimentos se precipitam e ela deve retornar para Trecastagni e assumir a responsabilidade de todas as casas da Sicília. Com pulso corajoso e muito humano, era a mulher do otimismo, da vontade sólida e persistente.
A Sicília tornou-se seu segundo lar, onde ela fez vários e frutíferos apostolados, abrindo novas casas, criando atividades pós escolares, aulas de costura e estágio para professoras. Seu verdadeiro amor, entretanto, eram as aulas de catecismo, porque ela estava convencida que a formação de um cristão era a base da maturidade pessoal e da melhoria social. Assim coordenou as aulas de catecismo em 18 igrejas da Catania e treinou catequistas leigos e religiosos, para levar a mensagem de Cristo aos rapazes e moças.
Madre Morano passou 25 anos na Sicília e serviu sua comunidade como superiora local, demonstrando ser sempre uma mãe atenta, cuidando e guiando as muitas vocações locais  seguindo fielmente o carisma de Madre Maria Mazzarello, co-fundadora do Instituto. 
Palavras de João Paulo II à Congregação Salesiana, no dia da Beatificação de Madre Madalena Morano, em 5 de novembro de 1994: “Amados irmãos e irmãs, vossa antiga Igreja, a qual  recentemente, celebrou o 900° aniversário de sua Catedral como local de oração, é chamada hoje por circunstancias que servem para renascer a cidade, mobilizando energias que o Senhor constantemente renova nela, através  de incansáveis atividades a serviço do bem. Irmã Madalena Morano trabalhou  precisamente com isto em mente! Ela,  professora nata, veio para Turim, à cidade de Don Bosco, com o seu notável talento pedagógico e o seu amor a Deus e ao próximo. Na ilha da Sicília, Ir. Madalena fez uma intensa, frutífera e espiritual atividade educacional em benefício de seu povo. Por longos anos ela se transformou em uma de vocês, tornou-se um modelo de fiel serviço a Deus e aos seus irmãos e irmãs. Olhem para ela, fiel amada, o melhor para cumprir a missão apostólica e o projeto missionário com o qual  todos os membros da Igreja, na Catânia, estavam desejosos de  promover quando ouviam a voz do Espírito e concentravam os seus esforços do diligente discernimento do sinal dos tempos”.  

Fontes:

Todos os Santos Carmelitas, 14 de Novembro - Festa


Os Santos do Carmelo constituem uma grande multidão de irmãos e irmãs que consagraram a sua vida a Deus, seguindo os ensinamentos do Seu Filho e imitando a Sua vida, entregando-se ao serviço da Virgem Maria na oração, na abnegação evangélica, no amor aos irmãos, a ponto de alguns terem derramado o seu sangue. 
Eremitas do monte Carmelo, mendicantes da Idade Média, mestres e pregadores, missionários e mártires, religiosas que enriqueceram o povo de Deus com a misteriosa fecundidade da sua vida contemplativa, apostólica e docente, leigos que, na sua vida, souberam encarnar o espírito da Ordem: esta é a grande família carmelita que, enquanto peregrina, dedicou-se  à prática assídua da oração e que, tendo terminado a sua prova no estádio deste mundo, e tendo-nos deixado o seu exemplo, agora celebra a liturgia celeste. 
Unidos a esta grande família, e na esperança de nos virmos associar a ela, celebramos e antegozamos, por meio desta festa, as alegrias eternas dos santos que Deus conduziu ao seu monte para introduzi-los na sua Casa de Oração. O exemplo e a intercessão destas almas de oração é para nós um estímulo a vivermos a nossa vocação carmelita em obséquio de Jesus Cristo e na imitação da nossa Mãe e Rainha, Flor do Carmelo, Padroeira e Esperança de todos os carmelitas. 
Esta festa, já mencionada por Inocêncio VIII em 16 de Julho de 1492, estendeu-se à Ordem em 1672.

Fontes:

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

São Teodoro Studita, Abade, Confessor / São Luís Versiglia e São Calisto Caravario, Mártires, 13 de Novembro

PAPA BENTO XVI
AUDIÊNCIA GERAL

Praça de São Pedro
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

São Teodoro Studita

Queridos irmãos e irmãs

O Santo que hoje encontramos, São Teodoro Studita leva-nos à plena Idade Média bizantina, a um período bastante turbulento sob os pontos de vista religioso e político. São Teodoro nasceu em 759 numa família nobre e piedosa: a mãe, Teoctista, e um tio, Platão, abade do mosteiro de Sakkudion, na Bitínia, são venerados como santos. Foi precisamente o tio que o orientou para a vida monástica, que ele abraçou com a idade de 22 anos. Foi ordenado sacerdote pelo Patriarca Tarásio, mas em seguida interrompeu a comunhão com ele pela debilidade demonstrada no caso do matrimônio adúltero do imperador Constantino VI. A conseqüência foi o exílio de Teodoro para Tessalônica em 796. A reconciliação com a autoridade imperial aconteceu no ano seguinte, sob a imperatriz Irene, cuja benevolência levou Teodoro e Platão a transferir-se para o mosteiro urbano de Studios, juntamente com uma boa parte da comunidade dos monges de Sakkudion, para evitar as incursões dos sarracenos. Deste modo teve início a importante "reforma studita".
Todavia, a vicissitude pessoal de Teodoro continuou a ser movimentada. Com a sua energia habitual, tornou-se o chefe da resistência contra o iconoclasmo de Leão V, o Armênio, que se opôs novamente à existência de imagens e ícones na Igreja. A procissão de ícones, organizada pelos montes de Studios, desencadeou a reação da polícia. De 815 a 821, Teodoro foi flagelado, aprisionado e exilado em diversos lugares da Ásia. No final conseguiu voltar para Constantinopla, mas não para o seu mosteiro. Então, estabeleceu-se com os seus monges na outra margem do Bósforo. Parece que veio a falecer em Prinkipo, a 11 de Novembro de 826, dia em que o calendário bizantino o recorda. Teodoro distinguiu-se na história da Igreja como um dos grandes reformadores da vida monástica e também como defensor das imagens sacras, durante a segunda fase do iconoclasmo, ao lado do Patriarca de Constantinopla, São Nicéforo. Teodoro compreendera que a questão da veneração dos ícones interpelava a própria verdade da Encarnação. Nos seus três livros Antirretikoi (Contestações), Teodoro faz uma comparação entre as relações eternas intratrinitárias, onde a existência de cada uma das Pessoas divinas não destrói a unidade, e as relações entre as duas naturezas em Cristo, que não comprometem n'Ele a única Pessoa do Logos. E argumenta: abolir a veneração do ícone de Cristo significaria eliminar a Sua própria obra redentora, dado que, assumindo a natureza humana, a Palavra eterna invisível apareceu na carne humana visível e, deste modo, santificou todo o cosmos visível. Santificados pela bênção litúrgica e pelas orações dos fiéis, os ícones unem-nos à Pessoa de Cristo, aos Seus santos e, através deles, ao Pai celeste, e dão testemunho do ingresso da realidade divina no nosso cosmos visível e material.
Teodoro e os seus monges, testemunhas de coragem no tempo das perseguições iconoclastas, estão inseparavelmente ligados à reforma da vida cenobítica no mundo bizantino. A sua importância já se impõe por uma circunstância externa: o número. Enquanto nos mosteiros dessa época não havia mais que trinta ou quarenta monges, da Vida de Teodoro sabemos da existência global de mais de mil monges studitas. É o próprio Teodoro que nos informa sobre a presença, no seu mosteiro, de cerca de trezentos monges; portanto, vemos o entusiasmo da fé que nasceu no contexto deste homem realmente informado e formado pela própria fé. No entanto, mais do que o número, revelou-se influente o novo espírito que o fundador imprimiu à vida cenobítica. Nos seus escritos, ele insiste sobre a urgência de um retorno consciente ao ensinamento dos Padres, principalmente a São Basílio, primeiro legislador da vida monástica, e a São Doroteu de Gaza, famoso padre espiritual do deserto da Palestina. A contribuição característica de Teodoro consiste na insistência sobre a necessidade da ordem e da submissão por parte dos monges. Durante as perseguições, eles dispersaram-se, habituando-se a viver cada qual segundo o próprio juízo. Agora, que fora possível reconstituir a vida comum, era necessário comprometer-se profundamente para voltar a fazer do mosteiro uma verdadeira comunidade plenamente organizada, uma autêntica família ou, como ele mesmo diz, um verdadeiro "Corpo de Cristo". É em tal comunidade que se verifica, de maneira concreta, a realidade da Igreja no seu conjunto.
Outra convicção fundamental de Teodoro é a seguinte: em relação aos seculares, os monges assumem o compromisso de observar os deveres cristãos com maior rigor e intensidade. Por isso, pronunciam uma profissão especial, que pertence às hagiasmata (consagrações) e é quase um "novo batismo", cujo símbolo é a vestidura. Contudo, a característica dos monges em relação aos seculares é o compromisso da pobreza, da castidade e da obediência. Dirigindo-se aos monges, Teodoro fala da pobreza de modo concreto, às vezes quase pitoresto, mas no seguimento de Cristo ela é, desde o início, um elemento essencial do monaquismo e indica também um caminho para todos nós. A renúncia à propriedade particular, esta liberdade das coisas materiais, assim como a sobriedade e a simplicidade, valem de forma radical somente para os monges, mas o espírito de tal renúncia é igual para todos. Com efeito, não podemos depender da propriedade material mas, ao contrário, temos que aprender a renúncia, a simplicidade, a austeridade e a sobriedade. Somente assim pode crescer uma sociedade solidária e pode ser superado o problema da pobreza deste mundo. Portanto, neste sentido o sinal radical dos monges pobres indica substancialmente também a vereda para todos nós. Além disso, quando expõe as tentações contra a castidade, Teodoro não esconde as próprias experiências, e demonstra o caminho de luta interior para encontrar o domínio de si mesmo e, assim, o respeito pelo próprio corpo e do próximo, como templo de Deus.
Mas, para ele, as renúncias principais são exigidas pela obediência, porque cada um dos monges tem o seu modo de viver, e a inserção na grande comunidade de trezentos monges implica realmente um novo estilo de vida, que ele qualifica como o "martírio da submissão". Também aqui os monges apresentam apenas um exemplo de como isso é necessário para nós mesmos, porque depois do pecado original a tendência do homem é fazer a própria vontade, o princípio primário é a vida do mundo e todo o resto deve ser submetido à própria vontade. Mas, deste modo, se cada um seguir somente a si mesmo, o tecido social não poderá funcionar. Só aprendendo a inserir-se na liberdade comum, a compartilhar e a submeter-se a esta, aprendendo a legalidade, ou seja, a submissão e a obediência às regras do bem comum e da vida conjunta poderei salvar a sociedade e eu mesmo da soberba de ser o centro do mundo. Assim, com uma introspecção requintada, São Teodoro ajuda os seus monges e, enfim, também a nós, a compreendermos a verdadeira vida, a resistir à tentação de pôr a própria vontade como máxima regra de vida, e a conservar a verdadeira identidade pessoal – que é sempre uma identidade em conjunto com os outros – e a paz do coração.
Para Teodoro Studita, uma virtude tão importante quanto a obediência e a humildade é a aphilergia, ou seja, o amor ao trabalho, em que ele vê um critério para provar a qualidade da devoção pessoal: quem é fervoroso nos compromissos materiais, quem trabalha com assiduidade, argumenta ele, o é também nos compromissos espirituais. Por isso não admite que, sob o pretexto da oração e da contemplação, o monge se exima do trabalho, também do trabalho manual, que na realidade é, na sua opinião e segundo toda a tradição monástica, o modo para encontrar Deus. Teodoro não tem medo de falar do trabalho como do "sacrifício do monge", da sua "liturgia" e até de um tipo de Missa através da qual a vida monástica se torna uma vida angélica. E, precisamente assim, o mundo do trabalho deve ser humanizado e, mediante o trabalho, o homem torna-se mais ele mesmo, mais próximo de Deus. Uma consequência desta visão singular merece ser recordada: exatamente porque é fruto de uma forma de "liturgia", as riquezas alcançadas a partir do trabalho comum não devem servir para a comodidade dos monges, mas ser destinadas à ajuda aos pobres. Aqui todos nós podemos entrever a necessidade de que o fruto do trabalho seja um bem para todos. Obviamente, o trabalho dos "studitas" não era apenas manual: eles tiveram uma grande importância no desenvolvimento religioso-cultural da civilização bizantina como calígrafos, pintores, poetas, educadores dos jovens, professores escolares e bibliotecários.
Mesmo exercendo uma atividade externa muito vasta, Teodoro não se deixava distrair por aquilo que considerava estritamente pertinente à sua função de superior: ser o pai espiritual dos seus monges. Ele sabia como fora decisiva a influência que tiveram, na sua vida, tanto a boa mãe como o santo tio Platão, por ele qualificado com o título significativo de "pai". Por isso, exercia sobre os monges a direção espiritual. Cada dia, menciona o biógrafo, depois da oração vespertina ele punha-se diante da iconostase para ouvir as confissões de todos. Aconselhava também espiritualmente muitas pessoas fora do próprio mosteiro. O Testamento espiritual e as Cartas põem em evidência esta sua índole aberta e carinhosa, demonstrando como da sua paternidade nasceram autênticas amizades espirituais, no âmbito monástico e mesmo fora dele.
A Regra, conhecida com o nome de Hypotyposis, codificada pouco tempo depois da morte de Teodoro, foi adotada com algumas modificações no Monte Athos quando, em 962, Santo Atanásio Athonita fundou aí a Grande Lavra, na Rus' de Kiev quando, no início do segundo milênio, São Teodósio a introduziu na Lavra das Grutas. Compreendida no seu significado genuíno, a Regra revela-se singularmente atual. Hoje, existem numerosas correntes que ameaçam a unidade da fé comunitária e impelem para um tipo de perigoso individualismo e soberba espirituais. É necessário comprometer-se em defender e fazer crescer a perfeita unidade do Corpo de Cristo, na qual podem compor-se harmoniosamente a paz da ordem e os sinceros relacionamentos pessoais no Espírito.
Talvez seja útil retomar, no final, alguns dos elementos principais da doutrina espiritual de Teodoro. Amor ao Senhor encarnado e à Sua visibilidade na Liturgia e nos ícones. Fidelidade ao batismo e compromisso de viver na comunhão do Corpo de Cristo, entendida inclusive como comunhão dos cristãos entre si. Espírito de pobreza, de sobriedade, de renúncia, castidade, domínio de si mesmo, humildade e obediência contra o primado da própria vontade, que destrói o tecido social e a paz das almas. Amor pelo trabalho material e espiritual. Amizade espiritual nascida da purificação da própria consciência, da própria alma e da própria vida. Procuremos seguir estes ensinamentos, que realmente nos indicam o caminho da verdadeira vida.

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana





São Luís Versiglia e São Calisto Caravario
Luís Versiglia nasceu em 5 de junho de 1873, em Oliva Gessi, Pádua, Lombardia, Itália em 1873. Aos 12 anos foi estudar para Valdocco. O ambiente intensamente religioso, o entusiasmo missionário e o fascínio e a santidade de Dom Bosco, já nos seus últimos anos de vida, transformaram a postura do rapaz. De Dom Bosco ouviu um dia: "Vem ter comigo, tenho uma coisa para te dizer".
Este encontro nunca chegou-se a dar, porque Dom Bosco faleceu entretanto. Mas Luís foi conquistado da mesma maneira e, no fim dos estudos, pediu para "ficar com Dom Bosco". Nutria no coração a secreta esperança de partir um dia como missionário. Fez os estudos de filosofia e teologia em Roma. Ao mesmo tempo mantinha uma importante atividade pastoral no oratório do Sagrado Coração, junto à estação Termini de Roma. Foi Ordenado Sacerdote Salesiano em 21 de dezembro de 1895.
Tornou-se depois professor e assistente dos noviços em Foglizzo, perto de Turim. Foi sempre um eficaz formador de personalidades, cordial e bom amigo de todos.
Em 1906 ele liderou a primeira expedição missionária salesiana à China, preenchendo uma profecia de Dom Bosco. Logo estabeleceu a casa Matriz em Macau. Foi indicado Vigário Apostólico em Shiu Chow e Bispo titular de Carystus em 22 de abril de 1920. Em 1929, Mons. Versiglia ordenou como padre o salesiano Calisto Caravario. Ambos haviam sido alunos da casa mãe de Valdocco. Padre Calisto nasceu em Cuorgnè, junto de Turim. Em 1922, encontrou-se com Mons. Versilgia e prometeu-lhe: "Segui-lo-ei até a China".

E assim foi. A 23 de Fevereiro de 1930, Don Versiglia e Don Caravario e outros cinco jovens missionários partiram juntos para uma longa viagem apostólica, em visita a uma pequena comunidade cristã em Lin Chow (Li Tau Tseu).
Mas, dois dias depois, foram mortos pelos comunistas, que tinham ódio à Fé católica. Foram mortos por serem missionários católicos que pregavam o Evangelho de Jesus Cristo e, também, por terem defendido algumas jovens catequistas que viajavam com eles e que os bandidos queriam escravizar.
Mons. Luís Versiglia e Calisto Caravário são, pois, os primeiros mártires salesianos. O Papa João Paulo II declarou-os santos em Roma a 1º de Outubro de 2000. A sua festa celebra-se a 25 de fevereiro data de seus martírios, também no dia 13 de novembro que é o dia que a comunidade salesiana celebra a Missa para os benfeitores mortos da Família Salesiana e no dia 28 de setembro, junto com os demais mártires da China.

Fontes:
http://www.inspetoriasalesiana.com.br/missionaria/
http://www.salesians.org.uk/dbuk/saints4.html

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Santo Anastácio (conhecido também como Santo Anastasius, o Persa), Mártir, 12 de Novembro



Nasceu na Pérsia com o nome de Mangundat. De acordo com o seu biógrafo grego, Mangundat era um jovem soldado persa no exercito do Rei Chrosroes II quando capturou Jerusalém em 614 d.C.Ele tornou-se curioso a cerca da religião dos cristãos e ficou muito impressionado pelas suas sublimes verdades. Quando ele voltou para a Pérsia deixou o exército e se retirou para Hierápolis. Ali ele morava e trabalhava com um devoto cristão persa que era ferreiro. A arte religiosa que ele ficou conhecendo inspirou ainda mais a sua fé e finalmente ele deixou Hierápolis e foi para Jerusalém onde ele foi batizado como Anastasius por Modestus e entrou em um monastério em 621.
Anastácio era o primeiro em suas obrigações espirituais, especialmente em assistir a Missa. Seus sermões piedosos atestam a sinceridade de sua alma. Ele lia acerca dos triunfos dos mártires com lágrimas abundantes. Após sete anos de monastério ele obteve a permissão de ir para a Caesarea, na Palestina para visitar os lugares santos e pregar o Evangelho as guarnições persas. Por lá ele foi preso, açoitado e colocado para trabalhos forçados.
O governador Marzabanes ordenou que ele fosse acorrentado a um outro prisioneiro, seu pescoço e um pé ligados por uma pesada corrente, e o condenou a carregar pedras em uma pedreira próxima. Sabendo dos problemas de Anastácio seu velho Abade enviou dois monges para assisti-lo e ordenou que rezassem por ele. Nesse meio tempo Anastácio orava todas as noites. Um judeu relatou que o viu envolto em uma luz brilhante com anjos orando com ele.
O governador mandou chamá-lo. Marzabanes havia recebido ordens detalhadas de Chrosroes. Se Anastácio renegasse o Cristianismo em público, ele poderia retornar ao serviço militar ou ainda continuar cristão e retornar ao monastério. O governador ainda adicionou que ele poderia continuar um cristão de coração, desde que renunciasse a Cristo, privadamente na presença apenas do governador. Anastácio enviou sua resposta que ele nunca iria mentir, privada ou públicamente.
Sempre recusando a renegar a sua fé, ele foi levado acorrentado para Euphrates onde um oficial de Chrosroes falhou a induzi-lo a renunciar a Cristo, mesmo com a ajuda da tortura. Foi açoitado com varas por três dias consecutivos. Sua pele chegou a sair em várias partes. O oficial ficou pasmo com a tranqüilidade e paciência de Anastácio e foi de novo a Rei para relatar o acontecido. 
Neste período, o carcereiro, que era um cristão, deu livre acesso ao prisioneiro e logo a prisão estava cheia de cristãos. Cada um beijava suas correntes e seus pés e guardava qualquer relíquia tocada pelo santo. Eles também passavam cera nas correntes para receberem suas impressões. O santo estava embaraçado por tudo isso e tentava desencorajar seus admiradores.
Num mesmo evento, junto com 68 outros cristãos, Anastácio foi estrangulado e degolado às margens do Rio Eufrates. Os corpos foram deixados expostos para serem devorados pelos cães e aves de rapina, mas milagrosamente seu corpo e sua cabeça ficaram intocados.
Seu corpo foi enterrado no Monastério de São Sérgio, próximo ao local onde foi morto e, mais tarde, foi levado para a Palestina, Constantinopla e em 640 para Roma, onde ele está num Santuário na Capela de Scalas Sanctus perto de São João de Latrão. O monge que o recebeu, levou sua túnica de linho de volta ao seu Monastério na Palestina.
Sua cabeça foi levada para Roma e está em um Santuário na Igreja de São Anastácio. Vários milagres são atribuído a esta cabeça, os quais foram aprovados pelo Sétimo Consilho Geral. A vida de Anastácio foi escrita por São Beda. São Anastácio é honrado pela Igreja Grega, Romana e Inglesa. No Brasil, é padroeiro da cidade de Tamboril no Ceará. Sua festa é celebrada no dia 12 de novembro.

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São Mennas do Egito, Mártir, 11 de Novembro



Provavelmente nasceu no Egito.Todas as representações dele sempre o apresentam acompanhado de dois camelos e ele deve ter sido um condutor de camelos antes de se alistar no exército romano. Ele também era um cristão. Quando sua legião chegou em Frígia as perseguições sob o imperador Diocleciano começaram. Mennas desertou do seu posto de modo a escapar da morte e se escondeu em uma caverna na montanha.
Mas como cada vez mais e mais cristãos eram assassinados por ordem dos editos de Diocleciano, Mennas decidiu que deveria fazer uma profissão pública da sua fé. Ele cuidadosamente escolheu o momento. Durante os jogos anuais na arena em Phrygia, Mennas repentinamente apareceu diante dos espectadores e anunciou que ele era um cristão. Ele foi torturado e acoitado para renunciar a sua fé, mas como não o fizesse foi decapitado. Diz a tradição que seu olhos foram arrancados e sua língua e mãos foram cortados e foi deixado para morrer por sangramento, mas no dia seguinte estavam milagrosamente restauradas, e este fato fez com que Hermógenes fosse convertido. O procônsul encarregado do martírio, furioso ordenou então que fosse decapitado, isto em 303 DC.
Após a sua morte o corpo de Mennas foi levado de volta ao Egito para ser enterrado. Na sua tumba foi erigido um santuário, e a água santa retirada neste local é encontrada em todos os países do mediterrâneo.
O templo dele em Karm Abu Mina ao sudoeste de Alexandria e Lago Mareotis, a beira do deserto da Líbia, onde as ruínas de uma igreja e antigas peças de honrarias a São Mennas podem ser encontradas até hoje. Ele foi muito venerado na idade média e ainda hoje é considerado um dos grande santos do Egito.

Na arte litúrgica da Igreja ele é mostrado como um jovem cavaleiro com uma alabarda. Outras vezes ele é mostrado sem os olhos e com suas mãos cortadas, mas sempre tendo ao lado dois camelos. Ele e é o patrono dos andarilhos e daqueles que são falsamente acusados. Sua festa é celebrada no dia 11 de novembro.
Não confundir com Santa Menna, que tem uma linda igreja em Sao José do Campos, SP e em outros locais do Brasil.

Ver também: São Martinho de Tours

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