quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Eusébio de Vercelli, Papa, Mártir (+309), 16 de Dezembro

Eusébio de Vercelli (Sardenha, c. 283 - Vercelli, 1º de agosto de 371) foi o primeiro bispo da antiga diocese de Vercelli e foi um dos principais expoentes da luta contra a difusão da heresia ariana. É venerado como santo pela Igreja Católica.




Biografia:

Santo Eusébio era filho de pais piedosos e ricos; nasceu na ilha da Sardenha. Segundo a tradição, mudou-se com a mãe e a irmã menor para Roma após o martírio de seu pai. Instruído nas ciências sacras e profanas em Roma, foi unido ao clero romano, quando São Silvestre governava a Igreja.  Na "Urbe", primeiro  foi "leitor" e, depois, ordenado presbítero pelo Papa Marco e consagrado bispo pelo Papa Júlio I, em 15 de dezembro de 345.

Dedicou-se com grande empenho à evangelização das zonas rurais e em grande parte pagãs. Fundou uma sociedade sacerdotal inspirada no modelo monástico, da qual saíram importantes bispos e santos. Foi destacado para Vercelli, no Piemonte, para dirigir aquela diocese. Segundo testemunho de Santo Ambrósio, foi o primeiro sacerdote secular do Ocidente, que com este estado ligava o de sacerdote regular, e que obrigava o clero da cidade a levar uma vida quase de monges. Eusébio vivia com o clero em comunidade. Pela oração e penitência, pediam-se as bênçãos de Deus para o trabalho da cura de almas. Além disto estudavam os santos livros, trabalhavam nas paróquias e ocupavam-se de ofícios manuais. Referindo-se a este estado de vida, Santo Ambrósio disse: "Pode haver coisa mais maravilhosa? Tudo ali é digno de imitação. O rigor do jejum é compensado pela paz da consciência e pelo sossego da alma. O poder do bom exemplo sustenta a todos. O que mais custa à natureza, torna-se fácil pelo costume". Desta santa comunidade saiu uma série de excelentes bispos. Esta vida em comum preparou Eusébio para as lutas que o esperavam, e deu-lhe força para sair vencedor de todas.

Eusébio defendeu a tese da "plena divindade de Jesus Cristo" frente à política ariana do imperador Constâncio, para quem a fé ariana era políticamente mais interessante. Esta atitude custou-lhe o desterro e exílio, primeiro na Palestina e, depois, na Capadócia e Tebaida. Apesar de tudo, manteve sempre correspondência epistolar com a sua comunidade de fiéis. Nas suas cartas, pede-lhes que "saúdem também aqueles que estão fora da Igreja e que se dignam nutrir por nós sentimentos de amor". A sua relação com a sua diocese não se limitava aos cristãos, mas estendia-se a todos os que, de alguma forma, reconheciam a sua autoridade espiritual ou o respeitavam como homem exemplar.

Por ocasião da sucessão de Constâncio por Juliano, o Apóstata, foi-lhe permitido retornar à sua diocese. Educou o clero de sua diocese com observância de regras monásticas, embora vivessem no meio da cidade, porque "o bispo e o clero devem compartilhar os problemas dos cidadãos de forma crível, cultivando ao mesmo tempo uma cidadania diversa: a do céu".

Dificuldades e Triunfo da Fé Católica:

Em 355, apareceu a primeira dificuldade, quando o Imperador Constâncio convocou o Concílio de Milão, ao qual Eusébio se negou a comparecer, prevendo a preponderância que haveria de elementos arianos. Só quando recebeu o convite escrito do imperador, dos bispos arianos e católicos, prontificou-se a ir, mas com a declaração, de que agiria segundo a sua consciência e os ditames da justiça. Esta declaração determinou os membros do Concílio a dar-lhe acesso às sessões, bem como ao Legado do Papa, mas só no décimo dia, quando não havia mais nada a receber de sua presença. Ainda assim exigiram que assinasse uma bula, que continha a excomunhão de Santo Atanásio, a que se opôs enérgica e resolutamente, apelando para a assembléia que devia respeitar as resoluções do Concílio de Nicéia.

As sessões do Concílio foram então transferidas para os salões do palácio imperial, e foi ali que o imperador, com a espada em punho, exigiu peremptoriamente que assinasse aquele documento. Eusébio ainda assim negou a assinatura, o que lhe importou a prisão e o exílio para Scitópolis, na Palestina. Os católicos viram neste gesto do santo o triunfo da fé católica, e deram a Eusébio as provas mais claras e comoventes de solidariedade e dedicação. Em Scitópolis teve de sofrer muitas contrariedades, da parte do bispo ariano daquela cidade. O fanatismo dos arianos chegou a ponto de maltratar fisicamente o santo prelado, e pô-lo em incomunicabilidade com os católicos. Eusébio passou por um verdadeiro martírio. O Seu consolo era o amor dos católicos, que o cumulavam de atenções, sempre que podiam, e a visita de Santo Epifânio . Os arianos, porém, não o deixavam em paz. Se por algum tempo conseguia livrar-se da prisão, outra mais apertada se lhe abria. Assim aconteceu que, arrebatado dos católicos, ficasse preso, incomunicável, durante seis dias, sem se alimentar. O alimento que os arianos lhe ofereciam, rejeitava-o e aos católicos era impossível chegar aonde estava. No sexto dia os católicos apareceram em grande número, e com veementes protestos e grandes ameaças, exigiram a libertação do bispo.

De Scitópolis, Eusébio foi transferido para a Capadócia e de lá para Tebaida, onde permaneceu até a morte do imperador Constâncio, em 361. Sob o governo de Juliano, Apóstata, os bispos católicos exilados tiveram liberdade de voltar para as dioceses. Depois de uma expatriação de seis anos, Eusébio foi a Alexandria, onde Santo Atanásio realizava um Concílio, a que assistiu para depois se dirigir a Antioquia, onde reinavam graves dissensões entre os católicos. Deixando Antioquia, visitou quase todas as Igrejas do Oriente, confortando os católicos, animando os fracos e chamando os separados ao seio da Igreja. Igual apostolado realizou na Ilíria, onde o arianismo tinha produzido lamentáveis estragos. Por fim, chegou à Itália, onde teve uma recepção brilhante, em que tomaram parte os colegas do episcopado e o povo. Em companhia de Santo Hilário, bispo de Poitiers, começou o apostolado de unificação das Igrejas. Eusébio e Hilário contestaram a legitimidade do bispo ariano Auxênio em Milão; nada, porém, conseguiram, porque Auxêncio soube habilmente enganar o inperador Valentiniano e alguns bispos.

Depois de tantos trabalhos e lutas, Eusébio retirou-se para a sua diocese de Vercelli, onde encontrou tudo em boa ordem, graças ao zelo do clero por ele formado. Não tardou muito que Deus chamasse seu fiel servo ao bem merecido repouso, em 370. Por causa dos grandes sofrimentos que passou Santo Eusébio, em defesa da fé, deu-se-lhe o título de mártir.

Bento XVI diz sobre ele: “O pastor e os fiéis da Igreja estão no mundo, mas não são do mundo. Por isso, os pastores devem exortar a seus fiéis a não considerar as cidades do mundo como sua morada estável, mas a buscar a definitiva (...) Jerusalém celestial (...) Esta decisão permite aos pastores e aos fiéis a salvaguardar a escala justa de valores, sem dobrar-se nunca às modas do momento e às injustas pretensões do poder político. (...) Por isto, Eusébio recomendava sempre aos seus fiéis ‘guardar com especial esmero a fé, manter a concórdia e a ser assíduos na oração’ " (Alocução de 17 out. 2007, praça de S. Pedro - VISnews 071017‏).

Reflexões:

Como é admirável a firmeza de Santo Eusébio nas lutas, nas dificuldades, nas perseguições! Desta firmeza o católico deve procurar ter uma boa parcela. Muitas vezes se vê o contrário. Se vem uma contrariedade, é fácil ouvirem-se palavras de desânimo, de queixas contra Deus e até ameaças de abandonar a religião. Quando vai tudo bem, não é preciso muita virtude, por achar fácil a conformidade com a vontade de Deus.

Sofrer pelo amor de Deus é uma honra, uma segurança. Muitos pensam contrariamente, julgando ser uma graça especial de Deus quando não se sofre nada. O pecador, que assim raciocina, engana-se. São Bernardo escreve: "Quem pecou, não experimentando o castigo de Deus, pode estar certo que é objeto da ira de Deus. Deus condena no outro mundo a quem nesta vida não conseguiu corrigir pela adversidade". De Santo Agostinho são as seguintes palavras: "Se vives em pecado e Deus não te castiga, mal sinal é". A isenção de sofrimento, portanto, longe de ser sinal da amizade de Deus, deve causar sérias apreensões ao pecador. Aos amigos, Jesus Cristo oferece o cálice da dor. Disso tens a prova nos Apóstolos, mártires e confessores. Queres fazer exceção desta honrosa regra?

P.S.: Com a reforma do calendário litúrgico, o Papa Paulo VI, em 1969, transferiu a sua comemoração para o dia 2 de agosto como memória facultativa. Porém, algumas fontes mantêm a celebração de sua memória litúrgica em 16 de dezembro, sua data original.


Fontes:




segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Santa Cristina, Mártir Cristã (Século IV), 15 de Dezembro

Os registros gregos mostram como sua terra natal Tiro, na Fenícia, hoje conhecida como Tunísia, enquanto os latinos citam Bolsena, na Toscana, Itália. 

Estes relatos do antigo povo cristão contam que o pai de Cristina, Urbano, era pagão e um oficial do Império, que ao saber da conversão da filha, queria obrigá-la a renunciar ao Cristianismo. Por isso, decidiu trancar a filha numa torre na companhia das doze servas pagãs. Para mostrar que não abdicava da fé em Cristo, Cristina despedaçou as estátuas dos deuses pagãos existentes na torre e jogou janela abaixo as jóias que as adornavam, para que os pobres pudessem aproveitá-las. 

Quando tomou conhecimento do feito, Urbano mandou chicoteá-la e prendê-la num cárcere. Nem assim conseguiu a rendição da filha e, por isso, entregou-a  aos juízes. 

Cristina foi terrivelmente torturada e, depois, lançada numa cela, onde três anjos celestes limparam e curaram as suas feridas. Como solução final, o governante pagão mandou que lhe amarrassem uma pedra ao pescoço e a jogassem num lago. Novamente anjos intervieram: sustentaram a pedra que ficou boiando na superfície da água e levaram a jovem até a margem do lago. 

As torturas continuaram: Cristina foi novamente flagelada, depois amarrada a uma grade de ferro quente e colocada numa fornalha superaquecida, mordida por cobras venenosas e teve os seios cortados, antes de finalmente ser morta com duas lanças transpassando seu corpo.


Fontes:

http://www.portalangels.com/




domingo, 13 de dezembro de 2009

São João da Cruz, Presbítero, Reformador, Místico, Doutor da Igreja (+1591), 14 de Dezembro

São João da Cruz (João de Yepes) nasceu perto de Ávila, em Fontiveros, Espanha, no ano de 1542. Era filho de tecelões. Após ter dado provas da sua imperícia nas várias ocupações para as quais a família, muito pobre, tentou encaminhá-lo, ao vinte anos ingressou na Ordem dos Carmelitas. 

Estudou artes e teologia em Salamanca, onde foi prefeito dos estudantes. Foi ordenado sacerdote no ano de 1567, época em que se encontrou com Santa Teresa de Ávila (Teresa de Jesus) a reformadora das carmelitas. A Santa fundadora tinha em mente alargar a reforma também aos conventos masculinos da Ordem Carmelita, e seu delicado discernimento fê-la entrever naquele frade, pequeno, extremamente sério, fisicamente insignificante, mas rico interiormente, o parceiro ideal para levar por diante o seu corajoso projeto.


Aos vinte e cinco anos de idade João de Yepes mudou de nome, passando a chamar-se João da Cruz e pôs mãos à obra na reforma, fundando em Durvelo o primeiro convento dos carmelitas descalços. Santa Teresa de Jesus chamava-o de seu "pequeno Sêneca", brincava amavelmente com a sua baixa estatura mas não hesitava em considerá-lo o pai de sua alma, afirmando também que não era possível discorrer com ele sobre Deus sem vê-lo em êxtase. Vinte e sete anos mais jovem que Teresa, João de Yepes é uma das figuras da mística moderna.

Mas a chamada "religiosidade do deserto" custou ao santo fundador maus tratos físicos e difamações: em 1577 ficou preso durante oito meses no cárcere de Toledo. Mas foi nessas trevas exteriores que se acendeu a grande chama da sua poesia espiritual. "Padecer e depois morrer" era o lema do autor da Noite Escura da Alma, da Subida do Monte Carmelo, do Cântico Espiritual e da Chama de Amor Viva.

São João da Cruz, morreu no convento de Ubeda, aos quarenta e nove anos, no dia 14 de dezembro de 1591. Foi canonizado em 1726. O Papa Pio XI conferiu-lhe o título de doutor da Igreja, dois séculos depois.

cf. www.catolicanet.com.br

Fontes:

sábado, 12 de dezembro de 2009

Santa Otília (ou Odília), Religiosa (Século VII), 13 de Dezembro


Nasceu em 660 d.C. em Oberheim, nas Montanhas Vosges, Alsácia, filha do Lorde  Alaric e Bereswinda  de família nobre. Nasceu cega e,  devido ao seu problema, a família, em vez de a sacrificar, deu a criança a uma família que desejava uma filha para criar. Foi levada para um convento com a idade de 12 anos. Convertida ao cristianismo, ela  voltou  a ver, milagrosamente, quando foi batizada por Santo Erhard de Regenburg. O seu irmão quis trazê-la de volta para lhe arranjar um bom casamento. 


Quando o pai de Odília ficou sabendo das maquinações do filho e da cura milagrosa de Odilia, ficou tão furioso que matou o filho. Odília fugiu do Convento para escapar do casamento arranjado e sua família desistiu da idéia. Ela entrou para a Abadia e mais tarde fundou o Mosteiro de Odilienberg, em Niedermunst.

Faleceu em 13 de dezembro de 720. Seu túmulo logo se tornou objeto de peregrinação e vários milagres foram atribuidos à sua intercessão. Mais tarde, as suas relíquias foram trasladadas para um Santuário ao lado da igreja do Convento de Odileinberg.

Na arte litúrgica da Igreja ela é representada  com um livro no qual estão dois olhos ou ainda segurando um ramo com dois olhos.

Ver também: Santa Luzia, Mártir



Fontes:




http://www.cademeusanto.com.br/santa_odila.htm

http://www.levangileauquotidien.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20091213&id=11246&fd=0

Santa Joana Francisca de Chantal, Religiosa (+1641), 12 de Dezembro


Neste dia queremos lembrar a vida da santa que na liturgia comemoraremos amanhã, Joana Francisca de Chantal, modelo de jovem, mãe, irmã e, por fim, de religiosa. Nasceu em Dijon, centro da França, em 1572 e foi pelas provações modelada até a santidade.
A mãe tão amada faleceu quando Joana era criança; o pai, homem de caráter exemplar, era presidente da câmara dos vereadores e por causa de maquinações políticas chegou a sofrer pobreza e muitas humilhações. Joana, que recebeu da família a riqueza da fé, deu com 5 anos um exemplo marcante quanto a presença de Jesus no Santíssimo Sacramente, pois falou a um calvinista que questionava o pai: "O Senhor Jesus Cristo está presente no Santíssimo Sacramento, porque Ele mesmo o disse. Se pretendeis não aceitar o que Ele falou, fazeis dele um mentiroso".
Santa Joana Francisca com 20 anos casou-se com um Barão (Barão de Chantal), tiveram quatro filhos, e juntos começaram a educar os filhos, principalmente com o exemplo. Joana era sempre humilde, caridosa para com o esposo, filhos e empregados; amava e muito amada.
Tristemente perdeu seu esposo que foi vítima de um tiro durante uma caça e somente com a graça de Deus conseguiu perdoar os causadores, e corajosamente educar os filhos. Como santa viúva, Joana conheceu o Bispo Francisco de Sales que a assumiu em direção espiritual e encontrou na santa a pessoa ideal para a fundação de uma Ordem religiosa. Isto no ano de 1604. A partir disso, começou e se desenvolveu uma das mais belas amizades que se têm conhecido entre os santos da Igreja.
Santa Joana Francisca de Chantal, já com os filhos educados, encontrou resistência dos seus familiares, porém, diante do chamado de Cristo, tornou-se fundadora das Irmãs da Visitação de Nossa Senhora. Seguindo o exemplo de Maria, a santa de hoje com suas irmãs fizeram um grande bem à sociedade e à toda Igreja. A longa vida religiosa da Senhora de Chantal foi cheia de trabalhos, sofrimentos e consolações. Faleceu em Moulins, no ano de 1641. Nessa época, já existiam na França noventa casas da sua Ordem.
São Francisco de Sales nunca abandonou a filha espiritual; sobreviveu-lhe ela dezenove anos e repousa a seu lado na capela da Visitação, em Annecy (local da fundação da primeira casa da Ordem das Irmãs da Visitação de Nossa Senhora).
Santa Joana Francisca de Chantal, rogai por nós!

Fontes:

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Santa Maravilhas de Jesus, 11 de Dezembro


Fiel filha espiritual de Santa Teresa de Ávila no seu amor à Religião e à Ordem carmelitana, Madre Maravilhas de Jesus, carmelita descalça, lutou tenazmente no século XX para que permanecessem intactas as regras, os usos e costumes legados pela grande Santa de Ávila, Reformadora do Carmelo. Sua festa transcorre no dia 11.
Plinio Maria Solimeo

Maria de las Maravilhas Pidaly Chico de Guzmán nasceu em Madri no dia 4 de novembro de 1891, filha de Luís Pidal e Cristina Chico de Guzmán y Muñoz, Marqueses de Pidal. Seu pai exerceu os cargos de ministro de Fomento, embaixador da Espanha junto à Santa Sé e presidente do Conselho de Estado.
Os Marqueses de Pidal eram muito religiosos e esmoleres, rezavam o terço diariamente em família e cumpriam com a maior exatidão seus deveres de estado. Num ambiente familiar assim, Maravilhas sentiu-se desde cedo predisposta à virtude. Além disso, beneficiava-se da boa influência de sua avó materna, Da. Patricia Muñoz Dominguez, piedosa e austera, com quem compartilhava a habitação.
Madre Maravilhas de Jesus afirmará que sentiu o apelo divino para a vida religiosa com o despertar da razão. Aos cinco anos de idade, fez voto de castidade. Diariamente ia com sua avó à santa Missa e, apesar de seu desejo, não pôde fazer a primeira comunhão senão depois dos 10 anos de idade, como era costume na época. Dirá ela a seu diretor espiritual: “O dia de minha primeira comunhão foi felicíssimo. Só falei com o Senhor de meus anelos de que chegasse o dia de poder ser toda sua na vida religiosa”.1
 Ardente desejo de consagração a Jesus
Nesse tempo, foi recebida como filha de Maria. A adolescente escreveu na primeira página de seu manual francês, também nesse idioma: “Maravilhas, filha de Maria! Ó Santa Mãe de Deus, obtende-me um coração ardente para desejar a Jesus; um coração puro para recebê-Lo; um coração constante para não O perder jamais”.
Em 1913 morre seu pai, e no mês seguinte sua avó materna. Como seus irmãos já se haviam casado, tocava a Maravilhas ficar com a mãe, o que tornava mais difícil para ela a entrada no convento.
Anos depois, indo passar uma temporada com seu irmão e cunhada em Torrelavega, foram até Covadonga, onde Maravilhas suplicou muito à Virgem ali venerada que lhe concedesse a graça de entrar o quanto antes num carmelo. Nossa Senhora a ouviu. Pouco depois, tanto seu diretor espiritual quanto sua mãe concederam-lhe a esperada permissão. Entrou no carmelo de El Escorial no dia 12 de outubro de 1919. A obediência a fizera esperar até os 27 anos para consagrar-se toda a Jesus!
O Cerro de los Angeles e o novo carmelo
Em junho de 1911 realizou-se em Madri o Congresso Eucarístico Internacional. Como conclusão do mesmo, foi organizado um ato de consagração da Espanha ao Coração de Jesus Sacramentado. Alguns fervorosos católicos tiveram a idéia de erigir um monumento a esse Divino Coração no Cerro de los Angeles, a 14 quilômetros da capital, solenemente inaugurado no dia 30 de maio de 1919, com a presença de toda a família real e ministros, tendo então o jovem rei Alfonso XIII lido o ato de consagração.
No entanto, não havendo boas estradas, o monumento do Cerro foi caindo no esquecimento. Certo dia Nosso Senhor, por meio de inspirações interiores, comunicou à então Irmã Maravilhas seu desejo de que fosse edificado um carmelo naquele local, para velar pelo monumento e se imolar pela Espanha. Também inspirou outra freira do mesmo convento a secundar a Irmã Maravilhas nessa empresa.
Depois de mil e uma dificuldades, as duas religiosas com sua antiga Mestra de Noviças e uma noviça fundaram o carmelo no Cerro de los Angeles. Este depressa prosperou, tendo recebido muitas vocações. A Irmã Maravilhas, apesar de ter feito os votos solenes pouco tempo antes, foi designada Mestra de Noviças, e logo depois priora do novo carmelo.
Enfrentando a revolução comunista de 1936
Era necessário um pulso forte para enfrentar a tormenta que se avizinhava, e que resultou numa das mais cruentas perseguições à Religião de que se tem notícia — a revolução comuno-anarquista de 1936 a 1938, que produziu um número imenso de mártires.
Não coube a Madre Maravilhas e às suas filhas espirituais, embora o desejassem ardentemente, darem a vida pela Fé. Foram expulsas do convento e passaram um ano em Madri, mantendo a vida de comunidade num apartamento, sob constante risco. Até que ela e suas 20 freiras, com alguns leigos que a ela tinham se confiado, conseguiram sair da Espanha para nela reentrar na região não dominada pelos comunistas. Assim surgiu o convento de Batuelas, onde se estabeleceu a comunidade até a liberação do país do jugo vermelho. Então, como havia muitas pretendentes para o carmelo, foi possível voltar ao Cerro de los Angeles deixando uma comunidade em Batuelas.
Madre Maravilhas, que em 1933 já havia enviado religiosas para a ereção de um convento carmelita em Kottayan, na Índia, fundaria ainda mais 10 na Espanha. Enviou também freiras suas para reforçar o carmelo de Ávila, onde tinha vivido Santa Teresa, bem como outro no Equador.
Fidelidade heróica ao espírito de Santa Teresa
Pela Constituição Sponsa Christi, Pio XII propunha aos religiosos a formação de federações de mosteiros com noviciados comuns, madres federais e religiosos para as assessorar. Isso trazia como conseqüência reuniões, visitas dos dirigentes da federação etc., o que alterava muito a vida de um convento de contemplativas como são as carmelitas. E não se coadunava com o que Santa Teresa estipulara para seus carmelos, que deveriam ser comunidades autônomas e estáveis, com número limitado de monjas, clausura estrita etc.
Madre Maravilhas, que não desejava nenhuma alteração naquilo que Santa Teresa legara, fez o possível para evitar modificações que alterassem a vontade da grande reformadora do Carmelo. Consultou o Geral da Ordem do Carmo, o Pe. Silvério de Santa Teresa, a quem já conhecia e com quem tratara por ocasião da fundação do carmelo de Cerro de los Angeles. Dirigiu-se mesmo ao Secretário da Congregação dos Religiosos, o espanhol Pe. Arcádio Larraona. Os dois concordaram com o ponto de vista da Madre. Mobilizou ela todos os contatos que mantivera, tanto no campo civil quanto no eclesiástico, em favor de sua aspiração.
Para ela, tratava-se de uma verdadeira batalha, para a qual tinha que usar todos os recursos da piedade, mas também da argúcia, da tenacidade e da sua extraordinária vitalidade.
Tenaz defensora da Ordem carmelitana
A todo momento lemos em sua correspondência da época as palavras milagre, salvar a Ordem, e outras que externam suas profundas preocupações, bem como sua sensação de que se entrava em difíceis tempos.
Assim, quando o embaixador da Espanha junto à Santa Sé, Fernando Castiella, comunicou-lhe boas notícias a respeito do andamento de suas gestões no Vaticano, escreveu à priora do Cerro em 5 de junho de 1954: “Isto foi um milagre verdadeiro. A Santíssima Virgem quis salvar sua Ordem”.2 Em outra carta à mesma, três meses mais tarde, afirmava: “A Santíssima Virgem, em seu Ano Mariano [1954], vai nos salvar”. A essa Madre, ela já afirmara pouco antes: “Minha Madre! Quanto temos que pedir à Santa Madre Teresa que livre sua Ordem! A Santíssima Virgem no-lo concederá”.3
A Frei Victor de Jesus Maria, O.C.D., canonista e Definidor Geral da Ordem, escreveu ela em 4 de julho de 1956: “Já sei que V. Revma. não nos esquecerá e pedirá muitíssimo para que não permita o Senhor que a Ordem de sua Mãe seja tocada em nada. Já não nos resta mais que a oração, mas realmente é a arma mais poderosa”.4
Resistindo aos ventos dos novos tempos
A questão arrasta-se, sobretudo com o início do Concílio Vaticano II. Em carta escrita em abril de 1967 ao Preposto Geral da Ordem, Frei Miguel Ângelo de São José, diz ela: “A eleição de V. Revma. nos encheu de alegria, e vimos como Nossa Mãe Santíssima vela por sua Ordem, pondo-a em suas mãos nestes tão difíceis e delicados momentos”.5
No dia de São Miguel, 29 de setembro de 1967, volta a escrever ao mesmo:“Faça tudo quanto seja necessário para salvar a ‘Ordem da Virgem’ nestes tão difíceis tempos. Com a ajuda de Cristo, nosso Bem, e de sua Mãe Santíssima, não podemos duvidar de que assim será”.
O tempo foi passando, e um dos decretos do Vaticano II, o Perfectae Caritatis, voltou com a proposta de Pio XII, recomendando às religiosas contemplativas a formação de federações, uniões ou associações, como um meio de ajuda mútua entre os mosteiros. Madre Maravilhas vê no número 22 do decreto a saída que buscava. Recomenda esse item que “os Institutos e Mosteiros autônomos promovam entre si [...] uniões, se têm iguais constituições e costumes e estão animados do mesmo espírito, principalmente se são demasiado pequenos”.
Discernia ela aí uma saída: fundar uma união de carmelos (dos por ela fundados e mais alguns que pediram sua admissão) sem ter que alterar em nada a vida desses mosteiros. A finalidade de tal associação era a de que esses carmelos pudessem ajudar-se com facilidade, espiritual e economicamente, e até com o pessoal necessário, sem saídas nem entradas, sem visitas nem visitadoras etc.7
Realização do desejo de “não mudar nada
Depois de muitas dificuldades, tensões e argúcias da Madre, finalmente Roma aprovou essa união em 14 de dezembro de 1972, com o nome deAssociação de Santa Teresa, sendo Madre Maravilhas eleita sua presidente por unanimidade, em 12 de março de 1973.
Numa carta enviada a Madre Luísa do Espírito Santo, priora de Arenas, em 22 de março desse mesmo ano, mostra Madre Maravilhas seu contentamento ao mesmo tempo em que indiretamente aponta as principais conquistas: “Como vêem, já nos concedeu o Senhor esta graça que lhe vínhamos pedindo, se essa fosse sua vontade, e já temos aprovada a nossa Associação de Santa Teresa na Espanha. Foi como um milagre que o Senhor tenha feito que a aprovassem tal como a havíamos pedido. Para nossos conventinhos tudo isso não supõe nenhuma novidade, pois o vínhamos vivendo, com a ajuda do Senhor, desde há tantos anos; mas é muito que o Senhor, pondo em nossa maneira de viver o selo e a aprovação da Igreja, parece dizer-nos, pelo caminho mais seguro, que está contente com isso e que aprova nossos desejos de não mudar nada, e que sigamos adiante pelos mesmos caminhos que nossa Santa Madre nos traçou. [...] De vários conventos nos pedem para entrar em nossa união, mas por agora nos parece que não convém aumentar o número”.8
Madre Maravilhas de Jesus morreu em 11 de dezembro de 1974, sendo beatificada por João Paulo II em 1998, e por ele canonizada em 3 de maio de 2003.

Notas:
1.Pe. Rafael Maria López Melús, O.Carm., Nuestra Dulcíssima Madre — La Virgen Maria en la vida y escritos de la Beata Madre Maravilhas, Edibesa, Madri, 2001, p. 50.
2.Id., p. 104.
3.Id., ib.
4.Id., p. 105.
5.Id., ib.
6.Paulo VI, Decreto Perfectae Caritatis — Sobre a adequada renovação da vida religiosa, 28 de outubro de 1965, n. 22.
7.Pe. Rafael M. López Melús, op. cit., p. 106.
8.Id., p. 107.

Fontes:


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Nossa Senhora do Loreto, Padroeira dos Aviadores, 10 de Dezembro


O título Nossa Senhora de Loreto tem como referencial a casa de Nazaré, onde viveu a Santíssima Virgem. Por um misterioso prodígio esta casa atravessou oceanos até fixar-se na Itália, num bosque de loureiros, próximo à vila de Recanati. 

Uma explicação plausível seria a seguinte: a fim de poupar a Santa Casa de Nazaré de invasões, onde templos e monumentos eram violados e destruídos, o Senhor ordenou a Seus anjos que a transportassem pelos ares à cidade de Tersatz, na Dalmácia, em 10 de Maio de 1291 e daí para um bosque de loureiros, em Loreto, na Itália, em 10 de Dezembro de 1294. 


Ainda hoje o santuário de Loreto, onde a "santa casa" é conservada e venerada, é local de concorridas peregrinações. 


É padroeira dos aviadores.


Fontes:



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Beato Bernardo Maria Silvestrelli, Presbítero (+1911), 09 de Dezembro

Bernardo Maria, da nobre família Silvestrelli (Roma, 1831 - Moricone, Itália, 1911), já sacerdote, entra na Congregação dos Passionistas (1857), tendo sido, durante o seu noviciado, companheiro de S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores. Depois de ter ocupado distintos cargos na Congregação, foi Superior Geral nos anos 1878-1889 e 1893-1907. 


Ardoroso defensor do espírito da Congregação, herdado do Fundador, São Paulo da Cruz, colaborou eficazmente na expansão do Instituto, criando-se, durante seu governo, seis novas províncias na Europa, no continente Americano e na Austrália. João Paulo II beatificou-o em 1988.


Fontes:

www.passionistas.org.br