sábado, 9 de janeiro de 2010

Santo Adriano, Abade (+710), 9 de Janeiro

Adriano nasceu no ano 635 no norte da África e foi batizado com o nome de Hadrian. Tinha apenas cinco anos de idade quando sua família imigrou para a cidade italiana de Nápolis, pouco antes da invasão dos árabes. Lá estudou no convento dos beneditinos de Nerida, onde se consagrou sacerdote. 
Adriano se tornou um estudioso da Sagrada Escritura, profundo conhecedor de grego e latim, professor de ciências humanas e teologia. A fama de sua capacidade e conhecimento chegou ao imperador Constantino II que em 663 o fez seu embaixador junto ao papa Vitalino, função que exerceu duas vezes. Depois, este papa o nomeou como um dos seus conselheiros. 
Quando morreu o bispo da Cantuária, Inglaterra, o papa Vitalino convidou Adriano para assumir aquele cargo, mas ele recusou a indicação duas vezes, alegando não ter suficiente competência para ocupar esse posto. O papa lhe pediu para que indicasse alguém mais competente, pois ele mesmo não conhecia. 
Nesta ocasião Adriano havia se encontrado com seu grande amigo, o teólogo grego e monge beneditino Teodoro de Tarso que estava em Roma. Adriano o indicou ao papa Vitalino. Consultado, Teodoro disse que estava disposto a aceitar, mas somente se Adriano concordasse em ir para a Inglaterra ajudá-lo na missão evangelizadora. Adriano aceitou de imediato. O papa consagrou Teodoro bispo da Cantuária e nomeou Adriano seu assistente e conselheiro, em 668. 
Ele chegou à Inglaterra um ano depois, pois foi detido durante a viagem na França, sob suspeita que tinha uma missão secreta do imperador Constantino II, para os reis ingleses, mas foi solto ao atestarem a sua integridade de sacerdote. 
Adriano e Teodoro foram evangelizadores altamente bem sucedidos, junto ao povo inglês cuja maioria era pagã. O bispo Teodoro, logo colocou Adriano como abade do convento beneditino de São Pedro, depois chamado de Santo Agostinho, na Cantuária. Sob sua liderança, esta escola se tornou um centro de aprendizagem e formação de clérigos para a Igreja dos povos anglicanos. 
Adriano viveu neste país durante trinta e nove anos, totalmente dedicados ao serviço da Igreja. Nele os ingleses encontraram um pastor cheio de sabedoria e piedoso, um verdadeiro missionário e instrumento de Deus. Muitos se iluminaram com os seus exemplos de vida profundamente evangélica. 
Morreu em 9 de janeiro de 710, e foi enterrado no cemitério daquele convento, na Inglaterra. A sua sepultura se tornou um lugar de graças, prodígios e peregrinação. Em 1091, o seu corpo foi encontrado incorrupto e trasladado para a cripta da igreja do mesmo convento. Adriano foi proclamado Santo pela Igreja, que o festeja no dia em que morreu.

Fontes:

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Santo Isidoro de Yuriev, Sacerdote e Paroquianos, Mártires, 08 de Janeiro

Santo Isidoro era padre da igreja de São Nicolau na cidade de Yuriev (Derpto, atualmente Tartu, na Estônia). Segundo os termos do tratado concluído em 1463 entre o grande príncipe Ivan III de Moscou e os cavaleiros Livonianos, estes últimos seriam obrigados a dispensar toda proteção necessária aos Cristãos Ortodoxos em Derpto. Mas os cavaleiros Livonianos, que eram Católicos Romanos, romperam o tratado e tentaram forçar os Ortodoxos a tornar-se Católicos Romanos.

Padre Isidoro,então, assumiu uma defesa firme da Ortodoxia, preferindo aceitar a coroa do martírio a cometer apostasia e se submeter aos Católicos Romanos. O bispo latino e a nobreza Católica Romana de Yuriev inventaram que Santo Isidoro e os Ortodoxos da cidade haviam criticado as crenças e costumes dos Germânicos. Quando Santo Isidoro e 72 de seus paroquianos foram àquela cidade para abençoar as águas de Omovzha (ou Emaiyga, atualmente Emajogi), pelos festejos da Teofania, foram presos e lhes tiraram os sapatos diante do bispo latino, André, e dos juízes civis da cidade. Pressionaram-lhes para que se convertessem ao catolicismo romano, mas o santo e seus fiéis recusaram-se a renunciar ao Cristo e à fé Ortodoxa. Furiosas, as autoridades jogaram-nos na prisão.
Santo Isidoro encorajou seus fiéis a se prepararem para a morte, e a não temerem a tortura. Pegou as santas Hóstias que havia conseguido levar consigo, e todos ali presentes, homens, mulheres e crianças, comungaram dos Santos e vivificantes Mistérios do Cristo. Em seguida, foram novamente conduzidos diante do bispo e dos juízes, que lhes ordenaram novamente a escolherem o catolicismo romano. Os Ortodoxos, novamente, se recusaram; foram arrastados até o rio, onde foram jogados no buraco que eles haviam cavado, no gelo, para abençoarem as águas. Foi assim que todos eles sofreram e morreram pelo Cristo, que lhes concedeu a coroa da glória eterna.
Durante as cheias da primavera, os corpos incorruptos dos santos mártires, inclusive o corpo do hieromártir Isidoro ainda vestido com seus hábitos sacerdotais, foram encontrados por mercadores russos que navegavam naquele rio. Eles sepultaram os santos em torno da igreja de São Nicolau.
O povo logo começou a venerar estes santos. Porém, eles foram oficialmente glorificados pela Igreja apenas em 1897.

Fontes :
http://stmaterne.blogspot.com/2009/01/hiromartyr-isidore-et-72-compagnons.html
http://i61.servimg.com/u/f61/11/61/74/35/0108is10.jpg

São Luciano de Antioquia, Sacerdote, Mártir (+312), 07 de Janeiro

São Luciano era natural de Samosate, cidade da Síria. Recebeu de seus piedosos pais uma excelente educação, mas, aos 12 anos de idade, teve a infelicidade de perdê-los. 
Não tendo mais nenhum laço com este mundo, Luciano vendeu todos os seus bens, fez-se monge e aspirava a uma glória somente: a de consagrar seus grandes talentos e toda a sua vida ao conhecimento das Sagradas Escrituras e à defesa da fé cristã. Logo formou-se uma escola em torno dele, em Antioquia, e um grande número de jovens vieram buscar, junto a ele, as lições da ciência e da virtude. 
Seu zêlo alarmou os inimigos da religião de Jesus Cristo. Luciano foi preso por ordem do Imperador Maximiano e passou nove anos na prisão. Lá, ele encontrou o meio para se comunicar, através de cartas, com os habitantes de Antioquia, para consolá-los e fortalecê-los. Compôs uma sábia apologia à religião, a qual ele ousou apresentar aos juízes. O próprio Imperador tentou, pessoalmente, vencer as resistências de Luciano.
Após tentar em vão empregar suas promessas mais sedutoras, ele o jogou aos animais ferozes; fez Luciano sofrer os diversos suplícios da roda, do cavalete, do fogo, e outros mais. Cada tormento conduzia a uma vitória milagrosa. O herói cristão foi reconduzido à prisão, onde passou quatorze dias em privações e sofrimentos. A Epifania se aproximava, e Deus concedeu ao Seu mártir a força e os meios necessários para celebrá-la; ali não havia altar, e a prisão infecta não era apropriada ao sacrifício: "Meu peito", disse o santo a seus discípulos inquietos, "servirá de altar, e vós que me cercais, vós formareis o templo que nos esconderá dos olhares dos profanos."
Uma última vez, Luciano foi chamado diante do tirano, que o interrogou: "Qual é a tua pátria?" "Eu sou cristão!" "Qual é a tua profissão?" "Eu sou cristão!" Há alguma coisa mais sublime que esta resposta? Ela foi logo seguida da recompensa, pois Luciano, jogado ao mar após ter sido amarrado a uma enorme pedra, consumou assim seu sacrifício.

Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.


Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100107&id=1035&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=52068&language=FR&img=&sz=full

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Beato André Bessette, Confessor (+1937), 06 de Janeiro


André nasceu no ano de 1845 no Canadá. Desde o nascimento, sofreu com doenças, tanto que, depois do Batismo, o padre não acreditava na sua sobrevivência, mas, graças a Deus e a intercessão de São José, ele viveu até os noventa e um anos.
De família pobre, trabalhou na lavoura e também como padeiro, sapateiro, funileiro e ferreiro. André estava em constante oração, pois oferecia os sacrifícios a Jesus. Ingressou, por indicação de um amigo sacerdote, na Congregação da Santa Cruz.
Este padre amigo foi o instrumento de Deus para semear no coração do beato uma profunda devoção a São José, a ponto de testemunhar: "Sou filho adotivo de São José e irmão de Jesus". No mesmo ano em que recebia o hábito, São José era proclamado Padroeiro da Igreja, por isso André comprometeu-se com o amigo do Céu a honrá-lo e fazê-lo amado por todos.
Frei André foi nomeado porteiro do Colégio de Nossa Senhora, em Montreal, tornou-se amigo dos pobres, doentes e aflitos; acolhia com carinho os católicos, protestantes e ateus.
Dentre todos os que procuravam André, muitos conseguiram milagres através da oração do Santo, que tudo pedia a Jesus por meio de São José. Perseguido, chamado charlatão e supersticioso, Frei André tudo suportou sem murmurar da vida.
O beato chegou a apresentar um projecto ao seu padre reitor sobre a construção de um santuário em devoção a São José. Depois da inspiração apareceram-se as dúvidas, pois seria preciso muito dinheiro para comprar o grande terreno: “Então, Irmão André, acha mesmo que São José vai conseguir tão grande terreno?” Respondeu com simplicidade: “Claro que sim, Padre Reitor! São José é o pai do Dono de todo o Mundo!”
A construção, que chegou à Basílica, tornou-se a maior em todo o mundo em honra de São José.

Fontes:
alexandrinabalasar.free.fr/andre_bessette_pt.htm

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

São Gerlach de Houthem, Eremita (+1170), 05 de Janeiro





São Gerlach (também conhecido sob os nomes de Gerlachus, Gerlac de Valkenberg, Gerlache) é um eremita holandês do Século XII, falecido por volta de 1170. Ele é particularmente venerado na aldeia de Sint Gerlach, parte do vilarejo de Houthem, na comunidade holandesa de Valkenburg aan de Geul. Sua festa é em 5 de janeiro.
Sua vida e lenda tornaram-se conhecidas por um documento escrito por volta de 1227, a Vita Beati Gerlaci Eremytæ. Gerlach era soldado, oficial do Imperador germânico, libertino e malfeitor. Ele era casado. Após a morte de sua esposa, ele se tornou cristão, e um cristão essencialmente piedoso. Logo no início (da sua conversão) ele peregrinou a Roma, onde fez uma confissão geral de seus pecados ao Papa Eugênio III. Em seguida, este Papa o enviou a Jerusalém, a fim de cuidar dos doentes, o que ele fez durante sete anos.
Ao retornar à Holanda, Gerlach doou aos pobres tudo o que possuía e isolou-se num carvalho oco, que lhe serviu de eremitério, próximo a Houthem. Lá, ele se alimentava de pão misturado a cinzas, e ia todo dia, em peregrinação, a  Maastricht, à Basílica de Saint Servais.
Monges vizinhos desejavam vê-lo integrar seu monastério, sobretudo porque eles acreditavam que Gerlach era muito rico e escondia seu tesouro justamente na cavidade da árvore onde ele vivia. O bispo local ordenou, então, que o carvalho fosse abatido. Quando eles se deram conta de que não havia tesouro algum escondido, o bispo mandou que a árvore fosse cortada em pranchas e que, com elas, fosse construído um novo eremitério para Gerlach.
As pessoas da vizinhança já o consideravam como um santo, e Gerlach era também beneficiado com a proteção de grandes personagens, como Hildegarde de Bingen.
Havia um poço de cuja água Gerlach ia beber. Reza a lenda que, quando ele havia cumprido penitências suficientes, essa água transformou-se em vinho, sinal de que seus pecados haviam sido perdoados.
Gerlach morreu por volta do ano 1170, e conta-se que os últimos sacramentos foram-lhe administrados pela alma de São Servais (Bispo de Tongres, 300-384 d.C.).

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:

Santo Odo de Cluny, Abade (+1048), 04 de Janeiro

Conhecido também como Santo Odílio ou Santo Odilon. Nasceu em Auvergne, França em 962. Era de uma de uma família aristocrática de Mercoeur. Ele entrou para o monastério de Cluny ainda jovem e em 991 foi indicado como Abade. Odo tornou-se o quinto Abade do monastério de Cluny.
Durante 54 anos no ofício, ele trouxe outras casas para se afiliarem ao seu monastério e ficarem subordinadas as regras austeras da casa matriz e aumentou a número de fundações de 37 para 65. Ele deu grande suporte ao Abade Ricardo de Saint-Vanne para que fosse instituída a chamada Trégua de Deus (Treuga Dei) e para que ela fosse aceita em toda a França de modo que as hostilidades militares eram suspensas em certos dias como de Sexta a Segunda, no Advento e na Quaresma.
Esta medida tinha significado religioso e social visto que foi garantido santuário à aqueles que buscavam refúgio nas igrejas. São Odo efetivamente promoveu o Pactum Dei onde as pessoas e propriedades eclesiásticas eram protegidas dos ataques durante as várias hostilidades e guerras na Europa.
Em 998 (ou em 1031, de acordo com outras fontes) ele ordenou todas as casas de sua ordem a celebrarem no dia 2 de novembro, o dia da memória e de oração aos mortos e que ficou sendo o dia de Finados. Esse costume se alastrou em toda a Igreja Ocidental.
Embora ele fosse amigo de príncipes e papas ele era muito gentil e bondoso e conhecido por toda a cristandade como liberal e preocupado com o pobres, famintos e doentes e ficou famoso pela sua ajuda aos famintos na seca e fome de 1006 quando o tesouro de suas casas alimentaram os pobres e de novo na fome e praga de 1028 - 1033.
Segundo a tradição São Odo experimentou extasies e as vezes curava os doentes apenas com a sua benção. Era muito querido pelos seus contemporâneos. Fulbert Chartes chamava Odo de o “Arcanjo dos Monges”.
São Odo juntava seu caráter firme com gentileza e bondade, e possuía notável senso organizacional e grande habilidade de reconciliar inimigos. Ele promoveu o espírito de ajuda entre os monastérios e tentou acabar com os abusos e disputas. Ele promoveu também o espírito de unidade entre as suas casas e a Santa Sé.
Os seus sermões favoritos eram sobre os mistérios da encarnação de Jesus durante o Natal e por isso ele teve a premonição que morreria, muito apropriadamente, na oitava do Natal e foi exatamente o que aconteceu.
Ele também escreveu bastante sobre o papel da Virgem Maria e os trabalhos sobre Maria, de São Bernardo são muito influenciados pelos escritos de São Odo.
Ele fazia sempre viagens de inspeção aos seus monastérios e numa destas viagem, já muito doente, veio a falecer em Souvigny com cerca de 86 anos no dia 1° de janeiro.
Na arte litúrgica da Igreja São Odo é representado como um Abade Beneditino com uma caveira e dois ossos cruzados aos seus pés. Por causa da instituição do Dia de Finados, às vezes é mostrado dizendo a missa com a porta do Purgatório aberta ao seu lado, ou às vezes com anjos liberando almas do fogo do Purgatório. Ele é invocado como padroeiro das almas no Purgatório e contra a icterícia.

Fontes: 

domingo, 3 de janeiro de 2010

Beato Ciríaco Elias Chavara, Fundador da Ordem Carmelita de Maria Imaculada (+1871), 04 de Janeiro

Ciríaco Elias Chavara nasceu em 10 de fevereiro de  1805. Filho de pais piedosos, foi levado à igreja Sírio-Malabar, em Kainakary (Índia),  tendo sido batizado no oitavo dia após seu nascimento, conforme o costume local.  
Entre os  cinco e dez anos de idade freqüentou a  escola do vilarejo (Kalari), onde foi  educado e submetido aos estudos das línguas e diferentes dialetos, bem como das ciências elementares. Seu orientador era um professor hindu, de nome Asan.  Inspirado pelo desejo ardente de tornar-se um sacerdote,  ingressou nos primeiros estudos sob a  orientação do pároco da igreja de  São José.  
No ano de 1818, quando tinha 13  anos de idade,  o menino Ciríaco ingressou no seminário de Pallipuran, e teve como reitor Tomás Palackal.  Sua ordenação sacerdotal deu-se em 29 de  novembro de 1829, quando tinha 24 anos de idade, tendo celebrado sua primeira missa na igreja de Chennankari. 
Logo após sua ordenação, foi-lhe, primeiramente, destinado o ministério pastoral. Entretanto, assim que pôde, retornou ao seminário de origem  para pregar e  também assumiu as funções de substituir o reitor Tomás Palackal,  quando de  sua ausência.   Desta forma, juntou-se a  Tomás Palackal e Tomás Porukara, que estavam  planejando a  formação de uma congregação religiosa. Em 1830 recebeu  a  missão de  ir  para Mannanam, a fim de construir a primeira casa da congregação, cuja pedra  fundamental foi lançada no dia 11 de maio de 1831. Com a morte de ambos os idealizadores da congregação, Ciríaco  assumiu com empenho resoluto a liderança para o seu estabelecimento. No dia 8 de dezembro de 1855, festa da Imaculada Conceição, fez  a profissão religiosa junto com outros dez companheiros. Estava assim  consolidada  a Ordem Carmelita de Maria Imaculada. 
Permaneceu como prior-geral de todos os  monastérios da Congregação no período compreendido entre 1856 até  sua morte, em  1871.
"O dia em que você não prestar algum auxílio aos outros não será contado entre os dias da sua vida."

Combateu heroicamente a igreja de Kerala durante um grande cisma que atingiu a Igreja local no ano de 1861.  Com a supressão das  sedes de Cranganor e Cochin, por decisão do Papa Gregório XVI muitos anos antes (1838), todos os  católicos malabares passaram a ser subordinados da  Sede de Verapoli. Durante este período,  cismáticos que defendiam a manutenção de ritos indianos/orientais nas cerimônias da Igreja tiveram de suportar, contrariados, as ordens de uma autoridade de rito latino, e acabaram tentando estabelecer um prelado próprio por intercessão do patriarca caldeu José Audo VI. Este mandou-lhe, em 1861,  um bispo caldeu de nome Tomás Rokos que, sem autoridade eclesiástica reconhecida por Roma,  tentou inutilmente impor liderança e autoridade sobre a comunidade católica local. Pela resistência que encontrou, principalmente pela atuação brilhante de Ciríaco, que manteve e difundiu fidelidade a Roma,  a  autoridade de Tomás Rokos não foi reconhecida, tendo de  retornar para seu local de origem.  Em decorrência dos fatos, Ciríaco Elias Chavara foi nomeado como Vigário-Geral da Igreja Sírio-Malabar pelo Arcebispo de Verapolly.  Por isto,  desde aquele tempo até hoje, é reconhecido pela  comunidade católica e pelos mais altos dignitários da Igreja como defensor da Igreja de Cristo, pela sua incansável e árdua luta pelo  respeito e fidelidade a Roma, especialmente sua histórica  liderança, rápida e eficaz no combate à infiltração cismática de Tomás Rokos.  

O  cisma,  embora não tenha  prevalecido,  deixou rastros de malignas divisões, que persistem até hoje na região. Isto porque,  três anos após a morte do Beato Ciríaco (1874),  um bispo, de nome Mar Elias Mellus, recusando-se a  obedecer às ordens  de Roma, formou uma comunidade  independente, denominados "melusinos",  cujos seguidores  totalizam  cerca de  5 mil nos dias de hoje.
Se a Igreja Católica  possui base em grande parte daquelas comunidades, isto se deve ao grande  Beato. Não fosse seu empenho e  o apoio de católicos iluminados por Deus, certamente o catolicismo estaria hoje extinto na região. 
Após contrair  doença de curta duração, porém extremamente dolorosa, Ciríaco Elias Chavara entregou santamente sua alma a  Deus, como mencionamos,  no ano de 1871, na cidade de Koonammavu, próximo de Kochi.

Oração
Deus, nosso Pai, suscitastes o Beato Ciríaco Elias Chavara, Vosso presbítero, para consolidar a unidade da Igreja. Concedei-nos, por sua intercessão, que, iluminados pelo Espírito Santo, possamos discernir sabiamente os sinais dos tempos e difundir, por palavras e obras, o anúncio do Evangelho entre os homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém.


 Fontes:

sábado, 2 de janeiro de 2010

Santíssimo Nome de Jesus / Beato Ciríaco Elias Chavara, Fundador da Ordem Carmelita de Maria Imaculada (+1871), 03 de Janeiro




                                          "Deram-lhe o nome de Jesus" (Lc 2, 21)

"Ainda que seja inefável o nome santíssimo de Jesus que foi imposto na Circuncisão a Cristo Senhor, Redentor do gênero humano, todavia para não nos calarmos completamente em tão grande solenidade, alguma coisa apresentaremos em louvor e glória de tão grande nome, diante do qual 'todo o joelho se dobra nos Céus, na Terra e nos Infernos' (Fil 2, 10). Porque tão grande é a consolação da alma que se alegra em Cristo, que a pobreza se torna como riquezas, a aspereza como delícias e a vileza como honras, e pelo seu nome todos os suplícios se fazem para eles doces.
 Na verdade, diz-se por causa deste nome: 'Saíram da sala do Sinédrio cheios de alegria por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do nome de Jesus' (At 5, 41). Portanto, se mergulha na tua mente o negrume da tristeza, se está eminente uma grave e violenta tempestade, se as costas do mar ribombam com terrível e honroso mugido, se são batidas as praias do oceano, e se também a nau está invadida pelas ondas, invoca Jesus, que se julga estar a dormir nas navios, mas é um Jesus que nem dorme nem dormita; e com toda a fé diz-lhe: 'Levanta-te, Senhor Jesus'. 
Oh! Nome de Jesus exaltado acima de todo o nome, oh! gozo dos Anjos, oh! alegria dos justos, oh! pavor dos condenados: em Vós está a esperança de qualquer perdão, em Vós toda a esperança da indulgência, em Vós toda a expectativa de glória. Oh! Nome dulcíssimo, Vós dais o perdão aos pecadores, renovais os costumes, encheis os corações de doçura divina. Oh nome desejável, nome admirável, nome venerável, Vós, nome de rei Jesus, assim levantais ao mais alto dos céus os espíritos, que todos os que principam a ter devoção a este nome, graças a ele encontram a glória e a salvação, por Jesus Cristo nosso Senhor.

(Homilia de São Bernardino de Sena, o grande promotor da devoção ao SS. Nome de Jesus.)

  Beato Ciríaco Elias Chavara
Ciríaco Elias Chavara nasceu em 10 de fevereiro de  1805. Filho de pais piedosos, foi levado à igreja Sírio-Malabar, em Kainakary (Índia),  tendo sido batizado no oitavo dia após seu nascimento, conforme o costume local.  
Entre os  cinco e dez anos de idade freqüentou a  escola do vilarejo (Kalari), onde foi  educado e submetido aos estudos das línguas e diferentes dialetos, bem como das ciências elementares. Seu orientador era um professor hindu, de nome Asan.  Inspirado pelo desejo ardente de tornar-se um sacerdote,  ingressou nos primeiros estudos sob a  orientação do pároco da igreja de  São José.  
No ano de 1818, quando tinha 13  anos de idade,  o menino Ciríaco ingressou no seminário de Pallipuran, e teve como reitor Tomás Palackal.  Sua ordenação sacerdotal deu-se em 29 de  novembro de 1829, quando tinha 24 anos de idade, tendo celebrado sua primeira missa na igreja de Chennankari. 
Logo após sua ordenação, foi-lhe, primeiramente, destinado o ministério pastoral. Entretanto, assim que pôde, retornou ao seminário de origem  para pregar e  também assumiu as funções de substituir o reitor Tomás Palackal,  quando de  sua ausência.   Desta forma, juntou-se a  Tomás Palackal e Tomás Porukara, que estavam  planejando a  formação de uma congregação religiosa. Em 1830 recebeu  a  missão de  ir  para Mannanam, a fim de construir a primeira casa da congregação, cuja pedra  fundamental foi lançada no dia 11 de maio de 1831. Com a morte de ambos os idealizadores da congregação, Ciríaco  assumiu com empenho resoluto a liderança para o seu estabelecimento. No dia 8 de dezembro de 1855, festa da Imaculada Conceição, fez  a profissão religiosa junto com outros dez companheiros. Estava assim  consolidada  a Ordem Carmelita de Maria Imaculada. 
Permaneceu como prior-geral de todos os  monastérios da Congregação no período compreendido entre 1856 até  sua morte, em  1871.
"O dia em que você não prestar algum auxílio aos outros não será contado entre os dias da sua vida."

Combateu heroicamente a igreja de Kerala durante um grande cisma que atingiu a Igreja local no ano de 1861.  Com a supressão das  sedes de Cranganor e Cochin, por decisão do Papa Gregório XVI muitos anos antes (1838), todos os  católicos malabares passaram a ser subordinados da  Sede de Verapoli. Durante este período,  cismáticos que defendiam a manutenção de ritos indianos/orientais nas cerimônias da Igreja tiveram de suportar, contrariados, as ordens de uma autoridade de rito latino, e acabaram tentando estabelecer um prelado próprio por intercessão do patriarca caldeu José Audo VI. Este mandou-lhe, em 1861,  um bispo caldeu de nome Tomás Rokos que, sem autoridade eclesiástica reconhecida por Roma,  tentou inutilmente impor liderança e autoridade sobre a comunidade católica local. Pela resistência que encontrou, principalmente pela atuação brilhante de Ciríaco, que manteve e difundiu fidelidade a Roma,  a  autoridade de Tomás Rokos não foi reconhecida, tendo de  retornar para seu local de origem. Em decorrência dos fatos, Ciríaco Elias Chavara foi nomeado como Vigário-Geral da Igreja Sírio-Malabar pelo Arcebispo de Verapolly.  Por isto,  desde aquele tempo até hoje, é reconhecido pela  comunidade católica e pelos mais altos dignitários da Igreja como defensor da Igreja de Cristo, pela sua incansável e árdua luta pelo  respeito e fidelidade a Roma, especialmente sua histórica  liderança, rápida e eficaz no combate à infiltração cismática de Tomás Rokos.  
O  cisma,  embora não tenha  prevalecido,  deixou rastros de malignas divisões, que persistem até hoje na região. Isto porque,  três anos após a morte do Beato Ciríaco (1874),  um bispo, de nome Mar Elias Mellus, recusando-se a  obedecer às ordens  de Roma, formou uma comunidade  independente, denominados "melusinos",  cujos seguidores  totalizam  cerca de  5 mil nos dias de hoje.
Se a Igreja Católica  possui base em grande parte daquelas comunidades, isto se deve ao grande  Beato. Não fosse seu empenho e  o apoio de católicos iluminados por Deus, certamente o catolicismo estaria hoje extinto na região. 
Após contrair  doença de curta duração, porém extremamente dolorosa, Ciríaco Elias Chavara entregou santamente sua alma a  Deus, como mencionamos, no ano de 1871, na cidade de Koonammavu, próximo de Kochi.

Oração
Deus, nosso Pai, suscitastes o Beato Ciríaco Elias Chavara, Vosso presbítero, para consolidar a unidade da Igreja. Concedei-nos, por sua intercessão, que, iluminados pelo Espírito Santo, possamos discernir sabiamente os sinais dos tempos e difundir, por palavras e obras, o anúncio do Evangelho entre os homens. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fontes:

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

São Gaspar del Búfalo, Sacerdote (+1836), 2 de Janeiro

 Nasceu em 6 de janeiro de 1786 em Roma, Itália, filho de Antônio del Bufalo um “chef” do príncipe Altieri  e de Annunzaiata Quartieroni. Quando criança, sofreu com problemas ocularesoftalmológicos que quase o cegaram. Foi curado em 1788 em seguida a intensas orações a São Francisco de Assis. Ele estudou no Colégio Romano e pretendia se tornar um jesuíta. Foi presidente da recém-instituída Ordem Catecista da Escola de Santa Maria del Painto com a idade de 19. Ordenado em 31 de julho de 1808. Em 23 de outubro ele e três  amigos, Frei Bonanni e Frei Santelli e Frei Gonnelli fundaram o Oratório de Santa Maria, em Vincis. Em 8 de dezembro de 1808 ele fundou com o Padre Albertini a Confraria do Precioso Sangue de Jesus, em San Nicola. 

Seguindo-se a queda de Roma aos franceses em 1809, e sendo o Estado Papal suprimido em 17 de maio, o Papa Pio VII foi deportado em 6 de julho e os padres foram ordenados a prestarem voto de lealdade a Napoleão. Gaspar recusou-se e no dia 13 de junho de 1810 partiu para o exílio, por 5 anos, com vários padres, para Piacenza e de lá para Bolonha .Em 13 de setembro de 1811, recusou-se uma segunda vez a fazer o voto de lealdade  e foi enviado para a prisão de San Giovani, em Ímola e, depois, para a fortaleza de Ímola. Uma terceira recusa fez com que fosse transferido para  a fortaleza em Lugo em 16 de maio de 1813. Em seguida a uma quarta recusa, em 10 de dezembro de  1813, ele foi sentenciado ao exílio na Córsega Enquanto esperava o transporte em Florença, recebeu um convite para se juntar aos “Trabalhadores Evangélicos”, grupo de padres que fazia um trabalho missionário. Embora seja questionável  se Gaspar na época poderia ser de alguma ajuda, ele  entusiasticamente entrou para o movimento. Menos de um mês mais tarde Murat restaurou a liberdade a todos os padres.
A rainha do Preciosíssimo Sangue, imagem que São Gaspar levava às missões.

Assim em fevereiro de 1815 retornou aroma após 4 anos de cativeiro. Ele ajudou a formar os Missionários do Precioso Sangue em 1815  em Giano, Soleto, Itália, uma congregação dedicada a trazer os sacramentos de volta a Itália (destruída pela guerra) sob o patrocínio de São Francisco Xavier. Muitos se opunham ao seu trabalho, mas o Papa Pio VII após conversar com ele pessoalmente aprovou seu trabalho. Em 1821 Papa Pio VII designou Gaspar para libertar as províncias dos bandidos e a fundar 6 missões na área. Gaspar  ficou  os próximos 5 anos no púlpito. Em fevereiro de 1826 ele foi indicado como Núncio Papa no Brasil. Gaspar pediu para ser dispensado, pois pretendia continuar a pregar, mas foi forçado a ficar 8 meses nessa nova função. Voltou à sua Congregação na Casa Mãe, em San Felice, em outubro e voltou a pregar nas Casas Missionárias nos 10 anos que se seguiram. Vários milagres foram creditados a ele, inclusive a cura de doentes apenas com sua  benção e oração. Ele próprio  cuidava dos doentes na peste de 1830 (cólera). Acabou contraindo a terrível doença e veio a falecer em 28 de dezembro de 1837.

Foi enterrado em Santa Maria, em Trívio. Beatificado em agosto de 1904 pelo Papa Pio X e canonizado em 12 de junho de 1954 pelo Papa Pio XII .

Sua festa é celebrada no dia 2 de janeiro.

Fontes:
http://www.cademeusanto.com.br/sao_gaspardelbuffalo.htm
http://www.30giorni.it/br/articolo.asp?id=4078

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Santa Maria, Mãe de Deus, 1º de Janeiro


A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se à Virgem Santa como a Mãe de Jesus, mas também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencendo ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431. Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o Filho de Deus, resulta sempre mais claro que Maria é a Theotokos, a Mãe de Deus.
Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem "a Mãe de Jesus" e afirmem que Ele é Deus (Jo, 20, 28; cf. 5, 18; 10, 30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. Mt. 1, 22-23). Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os cristãos do Egito dirigiam-se a Maria com esta oração: "Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo o perigo, ó Virgem gloriosa e bendita" (Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho a expressão Theotokos, "Mãe de Deus", aparece pela primeira vez de forma explícita. Na mitologia pagã, acontecia com freqüência que alguma deusa fosse apresentada como mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por mãe a deusa Réia. Esse contesto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do titulo "Theotokos", "Mãe de Deus", para a mãe de Jesus. Contudo, é preciso notar que este título não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, d'Aquele que desde sempre era o Verbo eterno de Deus.
No Século IV, o termo Theotokos é já de uso freqüente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais freqüente, a esse termo, já entrado no patrimônio de fé da Igreja. Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título "Mãe de Deus".
Ele, de fato, propenso a considerar Maria somente como mãe do homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão "Mãe de Cristo". Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade em admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas - divina e humana - presentes n'Ele. O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.
As dificuldades e as objeções apresentadas por Nestório oferecem-nos agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correto esse título. A expressão Theotokos, que literalmente significa "aquela que gerou Deus", à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus.
A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só à geração humana do Filho de Deus e não à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e Lhe é consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz por Maria. Proclamando Maria "Mãe de Deus", a Igreja quer, portanto, afirmar que ela é a "Mãe do Verbo encarnado, que é Deus". Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana. A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é pessoa divina, é Mãe de Deus.
Ao proclamar Maria "Mãe de Deus", a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Esta união emerge já no Concílio de Éfeso; com a definição da maternidade divina de Maria, os Padres queriam evidenciar a sua fé na divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir este título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem. Na Theotokos a Igreja, por um lado, reconhece a garantia da realidade da Encarnação, porque - como afirma Santo Agostinho - "se a mãe fosse fictícia, seria fictícia também a carne... fictícias seriam as cicatrizes da ressurreição" (Tracto. in Ev. Ioannis, 8, 6-7). E, por outro, ela contempla com admiração e celebra com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu filho.
A expressão "Mãe de Deus" remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama, também, a nobreza da mulher e a sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento. Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, os fiéis entregam-se Àquela que, sendo Mãe de Deus, pode obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna.

Fontes:
cf.www.psmn.hpg.com.br
cf. www.ecclesia.pt

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

São Silvestre, Papa (+ 335), 31 de Dezembro


São Silvestre era natural de Roma. Quando chegou à idade em que poderia dispor de sua fortuna, sua alegria consistia em acolher hospitaleiramente os cristãos estrangeiros que passavam pela cidade. Ele os levava à sua casa, lavava-lhes os pés, dava-lhes de comer, enfim, em nome de Jesus Cristo, ele lhes dispensava todos os cuidados na sua sincera caridade.


Um dia, chegou a Roma um ilustre confessor, chamado Timóteo de Antioquia. Ninguém ousava recebê-lo; Silvestre o recebeu com a mais generosa hospitalidade e, durante um ano, Timóteo pregou Jesus Cristo com um zelo inacreditável. Quando este homem heróico conquistou a palma do martírio, Silvestre escondeu seus preciosos restos mortais e enterrou-os durante a noite. Logo, porém, ele foi conduzido aos tribunais, acusado de ter escondido os tesouros do mártir: "Timóteo, disse ele, legou-me somente a herança de sua fé e coragem."


O prefeito local ameaçou-o de morte e jogou-o na prisão. Deixando-o, Silvestre lhe disse: "Insensato, tu mesmo, esta noite, vais prestar contas a Deus." De fato, o perseguidor engoliu uma espinha de peixe e morreu durante a noite. O temor dos castigos celestes "amoleceu" o carrasco e o jovem heróico foi posto em liberdade. Esta bela conduta de Silvestre conduziu-o ao diaconato pelo Papa São Melquíades,  de quem foi eleito sucessor.

Seu longo pontificado de vinte e um anos é célebre por diversas razões, sobretudo pelo Concílio de Nicéia, o Batismo do Imperador Constantino e o triunfo da Igreja. O Batismo de Constantino é situado numa época mais tardia por inúmeros autores, mas testemunhos igualmente numerosos e não menos sérios situam o Batismo deste grande Imperador sob o papado de São Silvestre, e o Breviário Romano confirma esta tese.


Constantino, ainda pagão e pouco favorável aos cristãos cuja doutrina ele ignorava completamente, foi atingido por uma espécie de lepra que lhe cobriu o corpo. Uma noite, São Pedro e São Paulo, resplandecendo em intensa luz, lhe apareceram e lhe ordenaram a chamar o Papa Silvestre, que o curou dando-lhe o Batismo. De fato, o Papa instruiu o neófito real e o batizou. Iniciava-se o reinado social de Jesus Cristo; a conversão de Constantino teria, por feliz conseqüência, a do universo.






Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do Ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com


Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20091231&id=779&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=55440&language=FR&img=&sz=full