segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

São Gregório Nazianzeno o Teólogo, Padre da Igreja (+389), 25 de Janeiro

Foi na escola de Cesaréia de Capadócia, fundada por Orígenes depois de sua fuga de Alexandria, que Gregório Nazianzeno, com freqüência chamado Gregório, o Teólogo (329-389), estudou inicialmente.

Ele prosseguiu seus estudos em Atenas, em companhia de um de seus condiscípulos de Cesaréia, que um dia seria são Basílio. Gregório parece inclusive ter prolongado bastante sua permanência em Atenas para aí ensinar, por sua vez, a eloqüência. Só recebeu o batismo em aproximadamente 367, quando de sua volta a Cesaréia. Ordenado padre, depois elevado ao episcopado, sem ter, ao que parece, ambicionado nem uma nem outra dignidade, permaneceu sempre um orador, um escritor, um poeta, inimigo das responsabilidades da vida pública, voltado para a vida interior, a ascese e a contemplação. Deve seu título honorífico – Gregório, o Teólogo – a um grupo de cinco sermões (XXVII-XXXI) dentre os quarenta e cinco que dele possuímos e que são designados pelo título distinto de Discursos teológicos (em 380). Contêm uma exposição do dogma da Trindade, que se tornou clássica na história da teologia cristã, e nos informam sobre a situação intelectual dos cristãos na época em que foram pronunciados.
Falando dos Padres da Igreja, pensamos principalmente no uso que fizeram da filosofia para definir o dogma e corremos o risco de esquecer seus adversários, que, na mesma época, esforçavam-se, ao contrário, por utilizar a fé cristã para alimentar com ela sua filosofia. A heresia de Ário parece ter nascido, em larga medida, desse desejo de trazer a religião para os limites da razão. Gregório Nazianzeno e Basílio encontraram-se em presença de uma atitude análoga à dos teístas do século XVII, isto é, de uma racionalização do dogma cristão espontaneamente efetuada por espíritos sensíveis ao valor explicativo da fé cristã, mas preocupados em reduzir o que ela continha de mistérios às normas do conhecimento metafísico. A preocupação de racionalidade que o arianismo atesta em toda parte contribuiu muito para seu imenso êxito, e não se deve esquecer que o objeto da luta que os Padres travaram contra ele era nada menos que a própria fé cristã. Tratava-se de saber se a metafísica absorveria o dogma ou se o dogma absorveria a metafísica. Gregório Nazianzeno, precisamente, encontrava diante de si um adversário de peso na pessoa do ariano Eunômio (falecido em cerca de 395). Para esse chefe de seita e seus discípulos, o mundo dependia de um Deus único, concebido como sendo essencial e supremamente essência, substância ou realidade (ousia). Absolutamente simples, essa essência divina exclui toda pluralidade de atributos. Tudo o que se pode dizer a seu respeito é que ela existe, absolutamente. Como na doutrina do próprio Ário, o Deus de Eunômio é, pois, antes de mais nada, caracterizado pela necessidade de ser que já definia a ousia de Platão. Portanto, será concebido antes de mais nada como “não tornado” ou “não gerado”, isto é, como desfrutando do privilégio único da “inascibilidade”. Daí decorre naturalmente a conseqüência de que o Verbo, que é o Filho, sendo gerado, é inteiramente dessemelhante (anomoios) ao Pai e em nada consubstancial (homoousios) a ele. Como o demiurgo do Timeu, que fez deuses, e os fez eternos, o Deus de Eunômio pôde fazer do Filho um deus por adoção, associou-o de antemão à sua própria divindade e à sua própria glória, mas não pôde realizar a contradição de fazer que o gerado fosse consubstancial ao inascível. Reprova-se por vezes a Eunômio os “sofismas” que ele empregava para ajustar-se ao dogma. Talvez seja equivocar-se quanto a suas intenções. Eunômio não procurava delimitar o mistério com uma fórmula preocupada com defini-lo e situá-lo, mas sim trazê-lo ao plano do inteligível.
Desse ponto de vista, sua lógica era correta. Se o Filho é consubstancial ao Pai, o Pai gerou a si mesmo e o inascível nasceu dele. Como os dialéticos do século XII, Eunômio teve como único erro eliminar o mistério em nome da lógica. Se nasceu, dizia do Filho, é porque não existia antes de nascer. Em vez de falar do Deus cristão na língua de Platão, Eunômio fazia do demiurgo de Platão o Pai do Verbo cristão.
Compreende-se melhor, com isso, um dos traços mais constantes da atitude de Gregório Nazianzeno e o sentido da sua obra. No admirável Sermão XXXVI, intitulado Sobre ele mesmo, em que procura explicar por que os ouvintes de Constantinopla acotovelavam-se em torno da sua cátedra, Gregório alega como motivo principal que, numa época em que a filosofia invade tudo, ele contentou-se em beber na fonte da fé. O que falta aos filósofos, aos sofistas e aos sábios de seu tempo é precisamente a sabedoria. Se eles descarregarem um pouco o barco, este só flutuará melhor. Voltar aos costumes e à fé dos cristãos, eis o verdadeiro remédio. E é por conselhos do mesmo gênero aos filósofos que Gregório abre, no Sermão XXVII, a série de suas Theologica. Dirigindo-se aos eunomianos, adjura-os a voltarem primeiro à simplicidade da fé, o que exige que eles primeiro se purguem de seus vícios e não se apliquem à meditação das Escrituras, não para as julgar e criticar na qualidade de filósofos (XXVII, 6), mas para se submeter a elas. Não é, aliás, que o próprio Gregório renuncie a filosofar. Muito ao contrário, ele exige o direito de discutir o mundo ou os mundos, a matéria, a alma, os seres racionais, os bens e os males, a ressurreição, o julgamento, os sofrimentos de Cristo, recompensas e castigos. Nada mais legítimo, desde que se o faça com moderação, depois de ter-se instruído das Escrituras, para depois instruir os outros. Assim é, de fato, a teologia (Sermão XXVIII), não a desses “teólogos profanos”, que tudo resolvem, mas a dos cristãos, que se exprimem comedidamente diante da incompreensibilidade de Deus.
Apoiando-se ao mesmo tempo nas Escrituras e na razão, Gregório estabelece primeiro, contra Epicuro, que Deus não é um corpo, não está circunscrito por nenhum lugar, depois, desculpando-se por parecer ceder ao furor de debater sobre tudo o que grassa em seu tempo (Sermão XXVIII 11), empreende a exposição, ponto por ponto, da noção cristã de Deus, pelo menos aquela que é concebível à luz do que o próprio Deus nos ensina a esse respeito. Porque é isso o essencial e como que o ponto de partida da filosofia (XXVIII, 17): se, como ensinam os próprios filósofos, Deus é incompreensível, nossa única chance de conhecê-lo consiste em nos instruirmos primeiro acerca do que Ele mesmo nos diz de Si. Portanto, é tão-somente a partir daí que Gregório consente especular, mas, fortalecido por essa garantia, o faz sem escrúpulo. A existência de Deus pode ser conhecida a partir da ordem do mundo, cuja existência e cuja disposição não se explicam razoavelmente pelo acaso. Portanto, é preciso admitir um Logos para explicá-la. Se podemos, assim, saber que Deus é, não podemos saber o que ele é. Esse segredo, que o envolve, ensina-nos a humildade, mas provoca-nos, apesar disso, à busca. Seguramente, sabemos de antemão que nossos esforços permanecerão vãos em grande medida. O corpo do homem se interpõe entre sua alma e Deus. Imagens sensíveis se mesclam inevitavelmente aos conceitos que formamos dele e nos tornam impossível concebê-lo tal como ele é. O que podemos fazer de mais útil para nos aproximarmos do que seria um conhecimento próprio da natureza divina é negar o que é manifestamente impossível atribuir-lhe. Já dissemos que Deus não é um corpo, ainda que tão sutil quanto o éter, pois é simples; mas tampouco é luz, sabedoria, justiça ou razão, pelo menos no único sentido distinto que esses termos possam ter para nós. Os únicos atributos que mais nos aproximam de um conhecimento positivo de Deus são os que o determinam como ser: a infinidade e a eternidade. Como ele próprio disse a Moisés, Deus é o Ser, e Gregório Nazianzeno teve o grande mérito de dar a essa noção toda a positividade que o pensamento cristão da Idade Média devia reconhecer-lhe. Usando uma fórmula que será popularizada por João Damasceno, Gregório compara Deus a um “oceano de realidade (pélagos ousias) infinita e sem limites, inteiramente emancipada da natureza e do tempo”.
     Todas essas noções, hoje familiares a quem conhece um pouco a teologia natural de um autor cristão qualquer, eram reunidas e formuladas aqui pela primeira vez numa língua elegante, em termos acessíveis a todos. Mas Gregório sempre se detém respeitosamente no limiar do mistério. Como o Pai pode ter gerado e como o Filho pode ter sido gerado? Ignoramo-lo. Obstinar-se, como Eunômio, a reduzir o mistério à lógica é dar prova de certa ingenuidade. O Pai, diz ele, gerou um existente e um não-existente, e assim por diante. Vãs questões! Acaso elas não equivalem a representar a geração do Verbo pelo Pai como a de um homem por um homem? Nada é mais frívolo. O fato de o próprio Gregório utilizar termos filosóficos para descrever o mistério não significa, pois, de forma alguma, que ele pretenda esclarecê-lo e, finalmente, dissipá-lo. Como diz com razão A. Puech: “Gregório é profundamente cristão. Se algumas idéias neoplatônicas contribuíram para desenvolver sua teologia, se o que há de mais elevado no cinismo e no estoicismo integra em parte seu ideal ascético, seu pensamento e sua vida sempre foram dirigidos pela fé. Mas ele conservava, arraigado em seu coração, o amor antigo, o amor helênico das letras, o amor da poesia e da retórica. Nunca pensou em renunciar a ele, e se desculpava comprazendo-se no pensamento de que a fé nos foi revelada pelo Verbo divino. Portanto, é preciso que seja o verbo humano a pregá-la. O Verbo divino patrocina e defende a eloqüência; o Logos protege os logoi. Isso não era, para Gregório, um simples trocadilho; para ele, era a própria verdade.” Não se poderia dizer melhor; acrescentemos apenas que, fórmulas à parte, essa atitude de Gregório Nazianzeno é a dos três grandes capadócios.

Fontes:
http://sites.google.com/site/didascalion/sao-gregorio-nazianzeno
http://www.aquinate.net/figuras-aquinate/s_gregorio_nazianzeno.gif

sábado, 23 de janeiro de 2010

Beata Maria Poussepin, Religiosa Dominicana, Fundadora (1653-1744), 24 de Janeiro

A bem-aventurada Maria Poussepin, responsável por uma manufatura, exerceu um papel social de vanguarda em seu tempo.
Inicialmente Dominicana Terceira, Maria consagrou-se, mais tarde, juntamente com um grupo de outras Dominicanas Terceiras. Em 1696, Maria fundou em Sainville-em-Beauce a primeira Congregação Dominicana feminina de vida apostólica, as Dominicanas da Apresentação, que trabalhavam com a instrução de moças e se punham a serviço dos doentes pobres, seguindo a mesma linha de apostolado dos grandes servos da caridade dos Séculos XVII e XVIII. 
Maria Poussepin foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 20 de outubro de 1994, e sua memória é celebrada em 24 de janeiro.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes :

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Henrique de Suso, Místico, Teólogo (+1366), 23 de Janeiro

Santo Henrique de Suso - Xilogravura - Século XV


Henrique de Suso  foi um místico e teólogo germânico, declarado beato em 1831 pelo Papa Gregório XVI. Sua festa religiosa é comemorada em 23 de Janeiro.
Suso e o seu amigo dominicano Johann Tauler eram discípulos de Mestre Eckhart, também dominicano Os três formaram o núcleo daquela que veio a ser conhecida como "escola de misticismo renano". Como poeta lírico e trovador da sabedoria divina, Suso explorou com intensidade psicológica as verdade espirituais da filosofia mística de Eckart. 
Suas reflexões eram calcadas na especulação filosófica e na aceitação das provações oferecidas pela vida. Gostava de se denominar "Servidor da Sabedoria eterna". É considerado como uma das principais figuras da espiritualidade do final da Idade Média, devido às suas obras devocionais imensamente populares. Henrique é citado pelo Papa Pio XII em sua encíclica Haurietis Aquas.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_Suso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Suso_bild.jpg
http://fr.wikipedia.org/wiki/Henri_Suso

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Beata Laura Vicuña (+1904), 22 de Janeiro



Laura Vicuña Pino nasceu em Santiago do Chile, em 5 de abril de 1891, e morreu em  Junín de los Andes, no dia 22 de janeiro de 1904. É padroeira das vítimas de abusos e incestos, dos órfãos, dos mártires e da Argentina. Seu dia é 22 de janeiro.
Laura era a primeira filha do matrimônio de José Domingo Vicuña e Mercedes Pino. Seu pai era militar e pertencia a uma família da alta sociedade chilena; sua mãe, por sua vez, vinha de uma camada social mais humilde, o que não agradava muito à família de seu esposo.
No fim do século XIX, o Chile enfrentava uma Guerra Civil e de Sucessão. Num dos lados na disputa estava Cláudio Vicuña, um parente distante de José Domingo, a quem queriam fazer o sucessor do presidente José Manuel Balmaceda. Sem embargo, Vicuña não aceitou o cargo e iniciou-se uma perseguição a toda a família Vicuña, obrigando seus membros a partir para o exílio.
Em 1894, logo após o nascimento de Júlia Amanda, a segunda filha de Mercedes e José Domingo, este faleceu, deixando a esposa e as filhas sem recursos, sem um futuro claro ou horizontes que pudessem seguir, além do risco decorrente de carregar o sobrenome Vicuña. Como uma medida desesperada, as três rumaram para a Argentina, onde permaneceriam por um tempo, enquanto os conflitos no Chile continuassem.
Mercedes e suas filhas se estabeleceram nas proximidades de Neuquén, Argentina. Inicialmente, a chefe da família procurou trabalho para bancar os estudos das meninas, chegando à estância de Quilquihué, de propriedade de Manuel Mora. Este não tardaria a aproximar-se de Mercedes, pressionando-a para que vivesse como sua esposa; assim, ele bancaria os estudos de suas filhas e as três poderiam permanecer na estância.
Assim, Laura ingressou no colégio "Las Hijas de María Auxiliadora", pertencente à Congregação Salesiana, onde foi instruída tanto cultural como religiosamente.
Laura realizou sua primeira comunhão em 2 de junho de 1901, manifestando sua vocação de amor a Deus e a sua vontade de servi-Lo, demonstrando-se inclusive disposta a entregar sua vida em vez de pecar.
Devido à sua profunda conexão com Deus, muitas companheiras pensavam que Laura se sentia superior a elas, uma vez que passava recreios completos rezando na capela do colégio.
Apesar de sua pouca idade, já possuía uma grande maturidade, que lhe permitiu conhecer os problemas de sua mãe e notar o quão distante se encontrava de Deus. Isto a motivou a rezar todos os dias pela conversão de sua mãe e para que abandonasse Manuel Mora.
Mercedes Vera (Mercedita) era a melhor amiga de Laura no colégio, acompanhando-a não somente nos estudos, mas também em sua devoção espiritual; era com ela que compartilhava os desejos que alimentava em seu coração, e junto a ela fez-se filha de Maria para assemelhar-se em virtudes com a mãe de Jesus.
Durante uma de suas férias escolares, Laura sofreu dois violentos ataques por parte do padrasto, que buscava dobrá-la às suas vontades. Como não alcançou seu objetivo, Manuel negou-se a continuar custeando os gastos dos estudos das meninas.
Imediatamente, o colégio resolveu o problema e permitiu que Laura seguisse estudando. Apesar disto, Laura sentia que a situação de sua mãe não havia melhorado, sentindo que não havia feito nada para ajudá-la.
Um dia, recordando da frase de Jesus: "Não há mostra de amor maior que dar a vida por seus amigos", Laura opta por entregar sua vida em troca da salvação de sua mãe. Este pedido foi escutado e em poucos meses caiu enferma, piorando sua saúde conforme avançava sua enfermidade. Em uma visita com sua mãe, Manuel Mora a agride, deixando-a ferida em sua cama.
Antes de morrer, Laura pede a sua mãe: “Morro; eu mesma o pedi a Jesus. Faz dois anos que ofereci minha vida por ti, para pedir a graça de sua conversão, mamãe. Antes de morrer, terei a sorte de ver-te arrependida?” Mercedes, com os olhos molhados, respondeu-lhe: “Te juro que farei o que me pedes. Deus é testemunha de minha promessa.” Finalmente, Laura sorri e diz a sua mãe: “Graças, Jesus! Graças, María! Adeus, mamãe! Agora morro contente!”
Assim, em 22 de janeiro de 1904, morreu Laura Vicuña Pino, entregando sua vida para a conversão de sua mãe. Seu corpo repousou, entre 1937 e 1958, no cemitério de Neuquén, tendo sido transladado para Baía Blanca, onde se encontram atualmente.
Após a morte de Laura, sua mãe refugiou-se durante algum tempo na Argentina, antes de mudar-se para Temuco. Em 1906, retornou à cidade de Junín de los Andes, onde sua segunda filha, Amanda, casou-se com Horácio Jones aos 12 anos de idade.
Com o matrimônio de sua filha, mudou-se para Freire, onde se casou na igreja e no civil com Malitón Parra, homem trabalhador e justo. Mercedes morreu em 17 de setembro de 1929. Manuel Mora foi assassinado numa disputa, durante uma corrida de cavalos, entre 1906 e 1907.
A Congregação Salesiana iniciou o processo de canonização de Laura, na década de 1950, encomendando a tarefa à Madre Célia Genghini, que passou vários anos coletando informações sobre sua vida e obra. Um impulso para a congregação foi a beatificação de Domingos Sávio (5 de março de 1950) e a canonização de Maria Goretti (24 de junho de 1950). Foi assim que na cidade de Viedma, província de Rio Negro, iniciou-se o processo de beatificação de Laura Vicuña. Célia Genghini não chegou a ver sua obra realizada, pois morreu naquele mesmo ano.
Laura não podia ser considerada mártir, e sua pouca idade não dava muitas esperanças para sua beatificação. De qualquer maneira, em março de 1981, este último requisito foi alcançado pela Congregação Plenária no Dicastério Romano. Com o decreto de 18 de março de 1982, a Congregação para a Causa dos Santos introduz a causa de Laura Vicuña. Em 5 de junho de 1986, com o Decreto de Virtudes Heróicas, Laura Vicuña Pino foi declarada Venerável.
Seu processo de beatificação foi impulsionado pelo milagre que, por sua intercessão, Deus concedeu à religiosa pertencente à ordem de Maria Imaculada, Ofélia del Carmen Lobos Arellano. Esta religiosa sofria de problemas pulmonares, e sua saúde se encontrava bastante delicada. Em agosto de 1955, foi desenganada pelos médicos, que a enviaram ao seu convento para “morrer em casa”. De imediato, pôs-se a rezar com fé a Laura Vicuña e melhorou de forma notória, recuperando a saúde e parte dos pulmões que se achavam irrecuperáveis. Na pesquisa científica da Congregação pela Causa dos Santos, foi catalogada como "5 sobre 5, recuperação inexplicável mediante a ciência".
Com o milagre já cumprido, em 3 de setembro de 1988 foi beatificada pelo Papa João Paulo II, em meio às celebrações pelos cem anos da morte de São João Bosco.
Aos pés do Cerro Renca e ocupando 30 hectares, na cidade de Santiago, encontra-se localizado o Santuário de Laura Vicuña, que possui uma capela com capacidade para cem pessoas, salas para encontros católicos e uma ampla área para reuniões de grupos dispostos a orar com Laura Vicuña.
Em 9 de dezembro de 1999, na cidade de Junín de los Andes, inaugurou-se um templo que foi restaurado e dedicado à memória de Laura Vicuña, sendo bancado pelas alunas do Colégio Maria Auxiliadora. A Primeira Eucaristia foi celebrada pelo Bispo de Neuquén, Mons. Agustín Radrizzani.

Bibliografia
-   Vida de Laura Vicuña, Editorial CSS, ISBN 848316762X (em espanhol)
-   Laura Vicuña, Editoral CSS, ISBN 8470438298 (em espanhol)
 Una muchacha valiente: Laura Vicuña, ISBN 8483167611 (em espanhol)
-   Beata Laura Vicuña, ISBN 9604051 (em espanhol)
-   Laurita delle Ande. Vita di Laura Vicuna, ISBN 8831526979 (em italiano)
-   Laura Vicuña, Editora Salesiana, ISBN 8575471651(em português)

Filme
Em 1993, houve a produção filme Laura, Un Gran Amor dirigido por Giuseppe Rolando e que narrava a vida de Laura Vicuña e seus padecimentos antes de alcançar a conversão de sua mãe.

Ligações externas
-   Fundación Laura Vicuña (em espanhol)
-   Especial de Laura Vicuña, Sitio web de San Juan Bosco (em espanhol)
-   Especial de Laura Vicuña, Sitio web de Iglesia.cl (em espanhol)

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Laura_Vicuña
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/16/Laura_Vicuna.jpg

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

São Máximo o Confessor, Monge, Pai da Igreja (+662), 21 de Janeiro

Máximo o Confessor (580-662) era monge e teólogo bizantino. Sua festa é celebrada em 21 de janeiro, na Igreja do Ocidente, e em 13 de agosto, nas Igrejas do Oriente.


Dados hagiográficos
Há duas versões da história de vida de Máximo. Segundo uma hagiografia (biografia dos santos) datada do Século X, mas que se apóia em dados de fontes anteriores, ele teria nascido numa ilustre família de Constantinopla. Nascido em 580 d.C., Máximo teria sido, aos trinta anos, protasekretis (palavra grega que significa Primeiro Secretário) na corte do imperador Heráclito. Ele teria se tornado monge em 613, no mosteiro de Crysópolis, próximo a Constantinopla, e depois em Cyzico. Após a invasão persa no ano de 626, teria se refugiado em Cartago.
De acordo com um polêmico texto siríaco do Século VII, atribuído ao monofisita George (Gregório) de Resaina, Máximo seria, ao contrário, natural do vilarejo palestino de Heshfin e teria entrado no mosteiro de São Sabas, próximo a Jerusalém. Parece que esta versão é a mais próxima às relações que Máximo mantinha com personalidades palestinas, como Sofrônio de Jerusalém ou o Papa Teodoro1. Mas, por outro lado, algumas indicações presentes na obra de Máximo favorecem a primeira versão.
Máximo escreveu comentários sobre trechos difíceis ou ambíguos das Sagradas Escrituras: as  Quaestiones ad Thalassium, e dos Padres da Igreja: as Ambigua ad Iohannem, assim como opúsculos ascéticos e místicos, uma carta-tratado sobre a liturgia: a Mistagogia, e outras cartas abrangendo a teologia, bem como obras de controvérsia. Ele se opunha aos monofisitas, grupo que sustentava a idéia de que Cristo possui apenas uma natureza: a divina, em detrimento de Sua humanidade.
Em 638, um decreto imperial quis conciliar monofisitas e ortodoxos, declarando que havia em Cristo duas naturezas (humana e divina), mas uma só vontade (monotelismo). A partir de 639, Máximo implicou-se na controvérsia sobre o monotelismo em Constantinopla, na África e em Roma. Conforme o Concílio da Calcedônia, que reconhecia “um só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem”, Máximo defendia a teoria das duas vontades, sem as quais Cristo não poderia ser perfeitamente nem Homem, nem Deus. Em 645, ele conseguiu, durante um debate, trazer novamente à ortodoxia o antigo patriarca de Constantinopla, Pyrrus, então partidário do monofisismo e do monotelismo.
 Enquanto monge, ele não pôde participar do Sínodo de Latrão, ocorrido em Roma no ano de 649, que condenou o monotelismo, mas sem dúvida Máximo inspirou a decisão final dos bispos e contribuiu para a redação dos Atos do Concílio. Sua assinatura está presente num documento levado ao Concílio em nome dos monges de São Sabas. (Há grandes dúvidas sobre a autenticidade deste Concílio de Latrão, cujos atos parecem ter sido redigidos em grego antes mesmo que ele tenha acontecido.) Máximo permaneceu em Roma até 653.
Em seguida, as variações doutrinais dos imperadores bizantinos voltaram-se contra ele. Ainda em 653, ele foi preso por Constante II ao mesmo tempo que o Papa Martinho. Durante seu processo em Constantinopla, Máximo recusou-se a se declarar em comunhão com o patriarca de Constantinopla. Isto lhe valeu o exílio em Bizya, às marges do Mar Negro, em 655. Ele recusou as ofertas de perdão e de reconciliação do imperador e do patriarca de Constantinopla, partidários do monotelismo.
Máximo foi novamente convocado a Constantinopla, em 662, e novamente julgado pelos bispos e senadores bizantinos. Torturado, ele teve a língua e a mão direita decepadas. Em seguida, foi deportado para a região de Lazes (região Tsagueri, a Oeste do Mar Negro e ao Norte da atual Geórgia), onde veio a morrer em conseqüência dos ferimentos, no dia 13 de agosto do mesmo ano.
Sua firmeza na fé, assim como os maus tratos que recebeu, valeram a Máximo o título de “Confessor” da fé. Hoje ele é reconhecido como uma autoridade de referência para a teologia, sobretudo no diálogo entre católicos e ortodoxos2.
Obra
A obra de São Máximo é considerável. Nela encontramos, entre outros títulos, “Questões a Thalassios”, “Séculos de Caridade”, “Mistagogia”, “Cartas”, “Ambíguas a João” (esclarecimentos sobre passagens ambíguas dos escritos de São Gregório o Teólogo e de Denis o Aeropagita), “Opúsculos teológicos e polêmicos”, um “Discurso ascético”, um “Comentário sobre o ‘Pai Nosso’ ”, dentre outros.
Seus escritos teológicos e espirituais são fortemente influenciados pelas obras de Evágrio Pôntico, dos Padres capadócios, do Pseudo-Dênis o Aeropagita, de Cirilo de Alexandria e de Leôncio de Jerusalém. O monotelismo, ao qual Máximo se opunha fortemente, foi enfim condenado pelo III Concílio de Constantinopla (6º Concílio Ecumênico) em 680.


 Citações
 “Quem conseguiu se iniciar com bom senso e sabedoria nos ritos praticados na Igreja, fez de sua própria alma uma Igreja divina, uma Igreja verdadeiramente de Deus.” (Mistagogia, fim do cap. 5)
“Nós fomos salvos pela vontade humana de uma Pessoa divina.”
“Não é minha intenção desagradar ao Imperador, mas não posso optar por ofender Deus.”


Notas 
1. Ver o artigo de Ch. Boudignon, “Seria Máximo um constantinopolitano?”, em Orientalia Lovanensia Analecta 137, 2004, p. 1 – 43.
2. Ver o livro de J.C. Larchet : “Máximo o Confessor, mediador entre Oriente & Ocidente” (“Maxime le Confesseur, médiateur entre Orient & Occident”), Ed. Cerf, 1998.

Tradução e Adaptação :
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes :
http://fr.wikipedia.org/wiki/Maxime_le_Confesseur
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/31/Maximus_Confessor.jpg

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

São Fabião (ou Fabiano), Papa, Mártir (+250), 20 de Janeiro


Fabião era romano. Segundo o relato de Eusébio, a sua eleição foi maravilhosa. Depois da morte do Papa Antero, o clero e o povo reuniram-se para nomear o sucessor de Pedro. Estando divididos os votos, viu-se baixar do alto uma pomba que foi pousar sobre a cabeça de Fabião. Todos viram nesse acontecimento um sinal e começaram a clamar que devia ser ele o escolhido. Como humilde que era, apesar de Fabião resistir, alegando não ser digno de ser um sucessor de São Pedro, foi consagrado Sumo Pontífice numa época conturbada, onde os cristãos eram perseguidos por Maximiano.
Várias provas deu este santo Papa da sua firmeza e vigilância em conservar a pureza da fé e a santidade da religião cristã, lutando contra as heresias que iam emergindo no seio da própria Igreja. Finalmente, sob o Império de Décio, houve uma grande e cruel perseguição aos cristãos, à frente dos quais ia Fabião, animando heroicamente os fiéis com a Palavra e o seu exemplo, recebendo por isso a coroa do martírio no ano de 250.

Fontes:
http://www.levangileauquotidien.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100120&id=11321&fd=0
http://www.levangileauquotidien.org/zoom_img.php?frame=47375&language=PT&img=&sz=full

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Santos Mário, Marta, Audíface e Ábaco, Mártires (+270), 19 de Janeiro

A Igreja comemora hoje São Mário, Santa Marta, Santo Audifax e Santo Ábaco, que saíram da Pérsia e vieram em peregrinação até Roma, para rezar no túmulo dos mártires. Apesar de poucos documentos que comprovem a história desses santos, ainda hoje todo o mundo festeja a prova de fé dada por esta família. Há quem afirme que São Mário e Santa Marta eram casados, e Audifax e Ábaco, seus filhos. Não temos nada que possa comprovar historicamente. 
Durante esta viagem São Mário ajudou várias famílias cristãs, dando sepultura digna aos seus entes queridos mortos pelas perseguições. Foram mais de 260 mártires, cujos corpos jaziam insepultos. Foram apanhados pelos soldados do imperador Cláudio II enquanto cumpriam este dever cristão. Presos, recusaram-se a oferecer sacrifícios aos deuses pagãos e não renunciaram à fé cristã. São Mário, Audifax e Ábaco foram martirizados e mortos na via Cornélia, e os corpos incinerados para que nenhum fiel pudesse recolher seus restos mortais e celebrar sua memória. Já Santa Marta foi condenada à morte por afogamento. Hoje, no local do ocorrido, ainda existem as ruínas de uma antiga igreja, construída para reverenciar os quatro Santos.

Fontes:

Maria Teresa Fasce, Religiosa (+1947), 18 de Janeiro

Maria Teresa Fasce (cujo nome civil era Maria Giovanna) nasceu perto de Gênova (Itália) no dia 27 de Novembro de 1881. Educada na fé cristã numa família religiosíssima e rica, deixou-se bem depressa conquistar por uma perspectiva evangélica da perfeição cristã. Ficou bastante impressionada pelo extraordinário testemunho de santidade de Santa Rita de Cássia, quando se celebrava, em Gênova, na paróquia freqüentada pela família Fasce, a Canonização desta insigne Santa.
Decidiu-se, então, tornar monja agostiniana contemplativa em Cássia, superando todas as resistências familiares, e entrou no mosteiro a 18 de Junho de 1906. Emitiu os votos solenes no dia 28 de Maio de 1912, com o firme propósito de imolar a sua vida por Cristo e pela sua Igreja.
Exerceu o cargo de Mestra das noviças, foi Vigária e Abadessa, mostrando-se sempre verdadeiramente «Mãe» e modelo da sua comunidade. Testemunho claro, vivo e esplêndido da sua atividade foram as inúmeras obras por ela instituídas em favor dos habitantes de Cássia, duramente provados pela tragédia da guerra. Transformou o seu mosteiro num centro de irradiação da devoção a Santa Rita no mundo inteiro, a qual foi por ela imitada com a experiência mística da Cruz, aceitando um tumor maligno como um seu tesouro e longo calvário. Morreu a 18 de Janeiro de 1947.

Fontes:

sábado, 16 de janeiro de 2010

Santa Rosalina, Religiosa (+1329), 17 de Janeiro

Filha mais velha de Arnaud de Villeneuve e Sybille de Sabran, Rosalina nasceu no Castelo dos Arcos em 27 de janeiro de 1263. Muito cedo a criança mostrou-se dotada de uma grande bondade: distribuía sem medidas, aos pobres do local, as reservas do Castelo, apesar da proibição feita por seu pai. Um dia, ele a surpreendeu com o avental repleto de pães; confusa, Rosalina mostrou o que escondia, e uma braçada de rosas caiu do avental. É o chamado “Milagre das Rosas”.
Devido ao contato com sua tia Jeanne, Priora do mosteiro de la Celle-Roubaud, Rosalina desejava tornar-se monja cartuxa. Arnaud queria realizar um bom casamento para a filha, mas acabou cedendo ao seu desejo. Em 1278, ela se tornou noviça. [...]
Em 1300, aos 37 anos de idade, Rosalina tornou-se Priora, sucedendo sua tia. Inúmeros milagres, dentre os quais “a refeição dos anjos”, ocorreram desde o seu noviciado. Ela morreu em 17 de janeiro de 1329, aos 66 anos.
Exumada cinco anos após sua morte, o corpo de Rosalina foi encontrado intacto, seus olhos abertos haviam conservado todo o brilho. A fim de permitir que os fiéis a venerassem, seu corpo foi posto numa redoma e seus olhos, num relicário. Em 1660, o rei Luís XIV quis verificar a realidade deste prodígio. Crendo que fosse um engodo, seu médico, Vallot, perfurou o olho esquerdo da santa. O globo ocular imediatamente se irritou, provando que os olhos estavam mesmo naturais.

Tradução:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100117&id=1263&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=53230&language=FR&img=&sz=full

Santo Honorato, Bispo de Arles, França (429), 16 de Janeiro



Santo Honorato nasceu na Gália (atual França), numa família ilustre e pagã. Muito cedo Deus inspirou o desejo do Batismo ao menino, um predestinado, que se preparou para a data solene vivendo todas as virtudes que são o ornamento da juventude.
Ele devia tudo à graça e à sua felicidade natural, pois tinha contra seus ideais os próprios pais, os amigos e o meio em que vivia. Até praticamente a hora do Batismo, o pai de Honorato tentou, por todos os meios possíveis e imagináveis, demovê-lo da decisão de abraçar a vida cristã; porém, em meio a todas as seduções, o invencível rapaz dizia a si mesmo: "Esta vida é agradável, mas enganadora." Desde então, Honorato viveu como um monge, o semblante abatido pelo jejum e os dias ocupados pela oração.
Após alguns anos de incerteza sobre a sua verdadeira vocação, Honorato decidiu ir para a Ilha de Lérins, na costa da Provença; as serpentes tornavam este local inabitável, mas desapareceram sob os passos do religioso. Esta ilha, árida e deserta, tornou-se um jardim delicioso, perfumado pelas flores de connhecimento e santidade de Honorato, por meio de quem o Ocidente pôde também encontrar sua *Tebaida; Lérins tornou-se um viveiro de sábios, de bispos e de santos.
Após a morte de seu bispo, a igreja de Arles solicitou um Pontífice (bispo) virtuoso, e a voz do povo clamou para que Honorato ocupasse a Sé ilustre. Lá, ele se superou e refletiu em sua vida, feita toda de zêlo e de santas obras, a imagem do pastor em conformidade com o Coração de Deus, um pastor cuja caridade é comparável apenas à coragem inflexível de defender os interesses de Jesus Cristo. 
Santo Hilário de Arles, seu discípulo e sucessor, nos deixou um magnífico elogio de Santo Honorato, do qual "pinçamos" esta bela palavra: "Se alguém quisesse representar a caridade sob uma figura humana, seria preciso fazer o retrato de Honorato."

*Alexandria e a Tebaida, regiões mais tradicionais do monacato (grupo de monges) egípcio, localizadas no alto Egito, em suas regiões mais extremas, onde em suas solidões habitariam monges, encontrando-se ainda em grandes quantidades nos ermos contíguos ao rio Nilo (Valério do Bierzo, 1942, p.130-134).  




Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
Abade L. Jaud, Vida dos Santos para cada dia do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

São Remo, Arcebispo de Reims, Apóstolo dos Francos (+ 533), 15 de Janeiro

       Através da história de Santa Clotilde, podemos aprender como Clóvis (rei dos Francos) se converteu ao Deus dos cristãos, na batalha de Tolbiac, da qual saiu vitorioso. Foi São Remo quem completou a instrução religiosa de Clóvis. Na noite anterior ao Batizado, São Remo foi ao encontro do rei, da rainha e de toda a sua corte no castelo dos soberanos, para conduzi-los à igreja, onde o santo fez um eloqüente discurso sobre a vaidade dos falsos deuses e os grandes mistérios da religião cristã. São Remo predisse a Clóvis e a Clotilde as grandezas futuras dos reis de França, se eles se mantivessem fiéis a Deus e à Igreja.
        Na hora do Batismo, São Remo disse ao rei: "Incline a cabeça, Sicambriano orgulhoso; adore Aquele que você queimou, e queime o que você adorou." Quando ia ungir o rei com o Santo Óleo, o pontífice, percebendo que não tinha óleo, levantou os olhos para o Céu e pediu a Deus que o providenciasse. De repente, surgiu uma pomba branca descendo do alto, trazendo um frasco cheio de um bálsamo milagroso. O santo prelado pegou-o e com ele ungiu a fronte do rei. Este frasco, chamado historicamente de "Ampola Santa", existiu até 1793, época em que foi quebrado pelos revolucionários.



Além da unção batismal, São Remo também conferiu ao rei Clóvis a unção real. Duas irmãs do rei, três mil senhores, inúmeros soldados, mulheres e crianças foram batizados no mesmo dia. 
Clovis I foi o primeiro rei dos Francos, povo que deu origem aos franceses, e foi quem introduziu o cristianismo na França, considerada a "filha mais velha da Igreja Católica".
São Remo morreu aos noventa e seis anos de idade.




Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Fontes:
Abade L. Jaud, Vida dos Santos para cada dia do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

São Félix de Nola, Confessor (+256), 14 de Janeiro

Nasceu no terceiro século, em Nola, perto de Nápoles, Itália. Filho mais velho de Hermias, um soldado sírio que tinha se retirado para Nola. Após a morte de seu pai, Félix vendeu quase todos os seus bens e deu para os pobres e passou a seguir a sua vocação clerical. Ordenado pelo bispo Maximus de Nola.
 Durante as perseguições do Imperador Décius, o velho bispo ajudado por Félix fugiu para as montanhas e Félix foi preso, surrado e torturado para renegar a sua fé. A lenda diz que um anjo o livrou da prisão para que ele cuidasse de seu bispo doente. Félix escondeu Maximus em uma casa abandonada. Diz ainda a tradição que quando os dois estavam seguros dentro desta velha casa uma aranha rapidamente teceu uma enorme teia sobre a porta de modo que todos pensassem que a casa estava abandonada há tempos.
Os soldados imperiais por lá passaram e não entraram devido a enorme teia e os dois cristãos ficaram assim seguros lá dentro.
Com a morte de Décius em 251DC as autoridades encerraram as perseguições aos cristãos.
Após a morte do Bispo Maximus Félix foi escolhido para ser o bispo de Nola, mas recusou a favor de Quintus um padre mais antigo e mais experiente.
Félix passou a explorar a sua pequena fazenda  e dava tudo que nela produzia para os pobres e doentes. A pouca informação que temos sobre São Félix vem de cartas e poesias que enviava para São Paulinus de Nola, que serviu como um porteiro na igreja dedicada a São Félix e que reuniu informações sobre ele dos peregrinos e dos paroquianos e mais tarde escreveu uma espécie de biografia de São Félix de Nola.   
Félix faleceu em 255 de causas naturais, mas é normalmente listado como  mártir, devido às torturas e privações de que foi vítima durante as perseguições aos cristãos.
Seu túmulo tornou-se local de peregrinações e vários milagres foram creditados  a sua intercessão. Ele é invocado contra doenças dos olhos e picadas de insetos.
Na arte litúrgica da Igreja ele é representado como:
1 ) jovem padre na prisão;
2) um jovem padre carregando um velho bispo;
3) um padre acorrentado com um anjo removendo os grilhões;
4) um jovem com um aranha;
5) um jovem com uma teia de aranha a sua frente;
6) um jovem em uma velha casa  com uma teia de aranha na porta.   


Fontes:
http://www.cademeusanto.com.br/sao_felix_de_nola.htm
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=47436&language=PT&img=&sz=full