quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Santa Joana de Valois, Rainha da França, Fundadora (1463-1503), 4 de Fevereiro

        Santa Joana de Valois, filha do rei Luís XI, nasceu muito feia e com deformações físicas. Em contrapartida, o Céu revelou nela, desde muito cedo, uma alma superior. Sua piedade e devoção para com a Virgem Maria marcou sua alma com o selo dos predestinados. Quando Joana tinha apenas cinco anos de idade, a Mãe de Deus dignou-se comunicá-la que ela era chamada a fundar, em Sua honra, uma Ordem cujo objetivo principal seria a imitação de Suas virtudes.
Contra a sua vontade, Joana teve que se casar com um príncipe que lhe tinha aversão e jamais a olharia como sua esposa. Após alguns anos repletos de provações, o rei Luís XI morreu e esta união, contraída em condições deploráveis, a pedido do marido, foi anulada pelo Sumo Pontífice. Na ocasião, Joana disse: “Que Deus seja glorificado, minhas cadeias foram quebradas; foi Ele quem o quis, a fim de que, doravante, eu possa servi-Lo melhor, como não pude fazer até agora.”
Sua despedida do príncipe foi tocante : “Eu lhe sou muito grata, pois você me retira da servidão ao mundo. Perdoe-me meus erros; doravante, minha vida será dedicada a orar por você e pela França.”
Desde então, a oração tornou-se companheira inseparável de Joana. Seu amor ardente por Jesus Cristo fez com que abraçasse as mortificações voluntárias, sendo vista mais de uma vez ajoelhada diante de um Crucifixo, batendo no peito com uma pedra e chorando copiosamente, pensando em seus pecados e nos sofrimentos de Jesus Cristo. Ela jejuava e prolongava suas vigílias, orações e macerações ao menos três vezes por semana.
Consolar os pobres, servi-los à mesa, lavar e beijar-lhes os pés, eis algumas das ocupações que lhe eram queridas ao coração. Sua humildade queria esconder a todos os olhos os prodígios de sua caridade. Joana queria por testemunha somente Deus, pois, praticando todas as virtudes, ela buscava apenas o Senhor.
A Eucaristia era a sua força misteriosa ; ela sempre A recebia banhada em lágrimas, e era aos pés do Tabernáculo que ela encontrava todos os tesouros da sua devoção.
Joana pôde, antes de morrer, fundar a Ordem da Anunciação, segundo a promessa que a Virgem Maria lhe fizera. No momento de sua morte, uma claridade extraordinária surgiu em seu quarto, perdurando mais de uma hora. Quando foram preparar o corpo de Joana, descobriram que ela portava um cilício com uma corrente de ferro.

Tradução e Adaptação :
Litanie Marie Sorel

Fontes :




Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de
l'année), Tours, Mame, 1950.
http://litaniemariesorel.wordpress.com/
http://www.passioniste.org.pf/jeannedevalois.htm

Santa Claudina Thévenet, Fundadora da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria (+1837), 3 de Fevereiro

Esta Serva de Deus nasceu em Lyon, na França, a 30 de Março de 1774, onde morreu em 3 de fevereiro de 1837. Foi solenemente canonizada pelo Papa João Paulo II no dia 21 de Março de 1993. Quando da sua beatificação, a 4 de Outubro de 1981, o mesmo Papa, em sua homilia, nos relata as angústias por que passou Claudina:

"Teve a adolescência perturbada pela revolução francesa que agitou tão violentamente a sua cidade natal. Numa manhã de Janeiro de 1794, esta jovem de 19 anos reconhece os seus dois irmãos, Luís e Francisco, num cortejo de condenados à morte. Tem a coragem de os acompanhar até ao lugar do suplício e de recolher as últimas palavras deles: 'Glady, perdoa, como nós perdoamos!'. Este fato foi sem dúvida elemento determinante da vocação de Claudina, já tão compassiva diante das misérias acumuladas pela tempestade revolucionária. Pensa em tomar-se mensageira da misericórdia e do perdão de Deus numa sociedade destroçada, e dedicar a própria vida à educação dos jovens, sobretudo dos mais pobres, cujo estado de abandono ultrapassa a imaginação. Por isso, com o apoio esclarecido do padre Coindre, Claudina funda em 1816 uma Piedosa União, que virá a ser dois anos mais tarde a Congregação de Jesus e Maria".
A seguir, o Santo Padre comentou a situação do novo Instituto:
"Hoje, para o maior prazer da Igreja, as Filhas da Madre Thévenet são mais de 2 mil, presentes em todos os continentes e vivendo verdadeiramente do seu espírito. Escolas e colégios, lares para jovens e para pessoas idosas, pastoral catequética e familiar, dispensários e casas de oração, não têm senão uma finalidade: levar a que se conheçam Jesus e Maria, trabalhando ao mesmo tempo na promoção social dos pobres".

Fontes:
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/09/santa-claudina-thevenet-fundadora-da.html
http://www.passioniste.org.pf/claudine_thevenet.jpg

São Teófano (Théophane) Vénard, Mártir (1829-1861), 2 de Fevereiro

Teófano Vénard, filho de um professor, nasceu em Saint-Loup-sur-Thouet no dia 21 de novembro de 1829. Estudou no Colégio de Doué-la-Fontaine e fez Filosofia no Seminário Menor de Montmorillon. Entrou no Seminário Maior de Poitiers em 1848, tornou-se acólito em dezembro de 1850 e, logo em seguida, pediu para entrar no Seminário das Missões Estrangeiras de Paris, onde chegou em 3 de março de 1851. Sua vocação missionária vinha desde a infância: aos nove anos, Teófano a descobriu lendo a Nota sobre a vida e a morte de Jean-Charles Cornay.
Em Paris, Teófano recebeu orientação espiritual de Dom Barran, que lhe ensinou a via da “infância espiritual”. Ordenado sacerdote em 5 de junho de 1852, o jovem missionário embarcou, pouco depois, para a China. A Sociedade das Missões Estrangeiras havia ficado encarregada de um novo território naquelas terras. Este projeto acabou sendo adiado e Teófano, após um ano e meio de espera em Hong Kong, foi enviado a Tonquin, onde chegou em julho de 1854.
Tendo estudado o idioma local, Teófano foi perseguido e acabou se refugiando em But-Dong, onde caiu gravemente enfermo. Em 1857, tornou-se responsável por um vicariato e, apesar da sua saúde sempre oscilante, traduziu aConcordância dos Evangelhos do abade Migne, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse. As perseguições levaram Teófano a uma vida de clandestinidade e incrivelmente penosa em esconderijos infectos. O bispo local o havia nomeado Superior do Seminário, mas as perseguições não lhe permitiram exercer suas funções. Denunciado, Teófano foi preso em Ke-Beo, em 30 de novembro de 1860, trancado numa espécie de jaula e levado a Hanói, onde foi decapitado em 2 de fevereiro de 1861.
A partir de 1864, o abade Eusébio Vénard, irmão do mártir, publicou uma obra em 14 volumes intitulada “Vida e correspondência de J. Teófano Vénard”. Santa Teresa do Menino Jesus leu esta obra que a tocou profundamente. Desde então, ela passou a viver numa verdadeira intimidade espiritual com o jovem mártir.
Teófano Vénard escrevia admiravelmente. Suas cartas belíssimas, manifestando a paz de sua alma, e também a veneração que Santa Teresa do Menino Jesus lhe devotava, fizeram dele o mártir mais popular da Sociedade das Missões Estrangeiras. J. Teófano Vénard foi beatificado em 1909, juntamente a inúmeros cristãos martirizados em Tonquin, na Conchinchina e na China. Foi canonizado pelo Papa João Paulo II, junto com cento e dezesseis outros mártires vietnamitas, em 19 de junho de 1988. Sua memória é celebrada em 2 de fevereiro.


Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com


Fontes : 
http://missel.free.fr/Sanctoral/11/24.php
http://www.levangileauquotidien.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100202&id=13491&fd=0
http://www.levangileauquotidien.org/zoom_img.php?frame=49842&language=FR&img=&sz=full

Nossa Senhora da Luz, 2 de Fevereiro





Nossa Senhora da Luz (também invocada sob os nomes de Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora das Candeias ou, ainda, Nossa Senhora da Purificação) é um dos muitos títulos pelos quais a Igreja Católica venera a Virgem Maria, sendo sob essa designação particularmente cultuada em Portugal, apesar de sua aparição ter ocorrido nas Ilhas Canárias (Espanha). 

História
A origem da devoção à Senhora da Luz tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro). De acordo com a tradição mosaica, as parturientes, após darem à luz, ficavam impuras, devendo inibir-se de visitar ao Templo até quarenta dias após o parto; nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote, a fim de apresentar o seu sacrifício (um cordeiro e duas pombas ou duas rolas) e assim purificar-se. Desta forma, José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever, e este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, teria dito aos dois: «Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo» (Lucas, 2, 29-33).
Com base na festa da Apresentação de Jesus e Purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação; do cântico de São Simeão (conhecido pelas suas primeiras palavras em latim: o Nunc dimittis), que promete que Jesus será a luz que irá aclarar os gentios, nasce o culto em torno de Nossa Senhora da Luz, das Candeias ou da Candelária, cuja festa era geralmente celebrada com uma procissão de velas, para relembrar o fato.

Aparição
A Virgem da Candelária ou da Luz apareceu na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha), numa praia, em 1400, aos Guanches, nativos daquelas ilhas. Mais tarde, sua devoção chegou às Américas. Nossa Senhora da Luz é a padroeira das ilhas Canárias, sob o nome de Nossa Senhora da Candelária.[1][2]

Invocação e expansão do culto
Nossa Senhora da Luz era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o Padre Antônio Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: «Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Luz [...]»), e tornou-se particularmente cultuada em Portugal a partir do início do Século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que descobriu uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí se fundou de imediato um convento e igreja a ela dedicada, que conheceu grande incremento devido à ação mecenática (de mecenas)da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I e sua terceira esposa, D. Leonor de Áustria.
A partir daí, a devoção à Senhora da Luz cresceu, e com a expansão do Império Português, também se dilatou pelas regiões colonizadas, com especial destaque para o Brasil, onde é a santa padroeira da cidade de Curitiba, capital do Paraná (veja-se a lenda de Nossa Senhora da Luz), Guarabira - PB, Pinheiro Machado - RS, Itu - SP, ou ainda Corumbá - MS. Em Juazeiro do Norte, no Ceará, ocorre todos os anos uma grande romaria em sua homenagem.

1. Nuestra Señora de la Candelaria (em Espanhol).
2. La devoción canaria a la Virgen de Candelaria en la Venezuela colonial (em Espanhol).

Fontes:
http://www.enciclopedia.com.pt/images/Nossa%20senhora%20candeias.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Luz
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Virgem_do_Carvoeiro.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Candelaria_BW_2.JPG

Beata Ana Michelotti, Religiosa, Fundadora (+1887), 1º de Fevereiro


A beata Ana Michelotti ficou mais conhecida com o nome de Irmã Joana Francisca da Visitação, fundadora das pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para os doentes pobres. Nasceu em Annecy (Alta Sabóia, França), em 29 de agosto de 1843. 
Ainda menina, conheceu o sofrimento por causa de uma doença e também a pobreza por causa da morte prematura do pai. O tio, Padre Jaime Michelotti, e o pároco encaminharam-na para a vida religiosa. Entrou para as aspirantes das Irmãs de São Carlos, voltadas para a instrução e educação da juventude. Mas o seu ideal desde a infância foi o da assistência aos pobres em domicílio. Por isso, estabeleceu-se em Lyon, onde, em 1869, com Catarina Dufaut, se entregou ao cuidado dos doentes em domicílio com o nome de Pequenas Servas. Um grupo de leigos de Lyon quis dar mais estabilidade ao grupo, atendendo em domicílio também os não crentes e as pessoas que estavam longe de Deus, sem nenhuma aparência de religiosas. 
Surgiram dificuldades. A guerra franco-prussiana de 1870 afastou a irmã Joana de Lyon. Em 1871 foi para Turim e em 1874, com duas companheiras, deu início ao seu instituto, com a permissão do arcebispo de Turim. Não obstante as dificuldades, a obra firmou-se e expandiu-se com a abertura de mais duas casas. Em 1887, Irmã Joana afastou-se da direção da sua obra por motivos de saúde e veio a morrer no ano seguinte, no dia 1º de Fevereiro. Foi beatificada em 1975.

Fontes:
http://fe-razao-conversao.blogspot.com/

São João Bosco, Sacerdote, Fundador (+1888), 31 de Janeiro

Apóstolo da juventude
Figura ímpar nos anais da santidade no século XIX, D. Bosco foi escritor, pregador e fundador de duas congregações religiosas, tendo, sobretudo, exercido admirável apostolado junto à juventude, numa época de grandes transformações. 
Dotado de discernimento dos espíritos, do dom da profecia e dos milagres, era admirado pelos personagens mais conhecidos da Europa no seu tempo. 
Nascido em Murialdo, aldeia de Castelnuovo de Asti, no Piemonte, aos dois anos de idade faleceu-lhe o pai, Francisco Bosco. Mas felizmente tinha ele como mãe Margarida Occhiena, que lembra a mulher forte do Antigo Testamento. Com sua piedade profunda, capacidade de trabalho e senso de organização, conseguiu manter a família, mesmo numa época tão difícil para a Europa como foi a do início do século XIX, dilacerada pelas cruentas guerras napoleônicas. João Bosco tinha um irmão, dois anos mais velho que ele, e um meio-irmão já entrando na adolescência.

Lar pobre e religioso; a mãe, exemplo de virtudes
A influência da mãe sobre o filho caçula foi altamente benéfica. “Parece que a paciência e a doce firmeza de Mamãe Margarida influenciaram São João Bosco, e que toda uma parte de sua amenidade, de seus métodos afáveis, deve ser atribuída aos modos de sua mãe, à sua maneira de ordenar e de prescrever, sem gritos nem tumulto. [...] Margarida terá sido uma dessas grandes educadoras natas, que impõem sua vontade à maneira de doce implacabilidade” [...].
 “João Bosco é um entusiasta da Virgem. Mamãe Margarida lhe revelou, pelo seu exemplo, a bondade, a ternura, a solicitude de Mamãe Maria. As duas mães se confundem em seu coração. Dom Bosco será um dos grandes campeões de Maria, seu edificador, seu encarregado de negócios”1.

Talentos naturais e discernimento dos espíritos
A Providência falava a ele, como a São José, em sonhos. Aos nove anos teve o primeiro sonho profético, no qual — sob a figura de um grupo de animais ferozes que, sob sua ação, vão se transformando em cordeiros e pastores — foi-lhe mostrada sua vocação de trabalhar com a juventude abandonada e fundar uma sociedade religiosa para dela cuidar.
Extremamente dotado, tanto intelectual quanto fisicamente, era um líder nato. Por isso, "se bem que pequeno de estatura, tinha força e coragem para meter medo em companheiros de minha idade; de tal forma que, quando havia brigas, disputas, discussões de qualquer gênero, era eu o árbitro dos contendores, e todos aceitavam de bom grado a sentença que eu desse”2, dirá ele em sua autobiografia. Observador como era, aprendia os truques dos saltimbancos e prestidigitadores, de maneira a atrair seus companheiros para seus jogos e pregação, pois desde os sete anos foi um apóstolo entre eles.
Possuía um vivo discernimento dos espíritos, como ele mesmo afirmou: "Ainda muito pequeno, já estudava o caráter de meus companheiros. Olhava-os na face e ordinariamente descobria os propósitos que tinham no coração”3Essa preciosa qualidade depois o ajudaria muito no apostolado com a juventude.
Órfão de pai, muito pobre para estudar para o sacerdócio como pretendia, e tendo sobretudo a incompreensão do meio-irmão, que o queria no campo, aos 12 anos a mãe lhe pôs sobre os ombros um bornal com alguns pertences e o enviou a procurar trabalho nas fazendas vizinhas. Assim o adolescente perambulou pela região, servindo de garçom num café, de aprendiz de alfaiate, de sapateiro, de marceneiro, de ferreiro, preceptor, tudo com um empenho exímio, que o levará depois a ensinar esses ofícios a seus "birichini"4 nas escolas profissionais que fundará.

Talentos naturais e discernimento dos espíritos
 A Providência falava a ele, como a São José, em sonhos. Aos nove anos teve o primeiro sonho profético, no qual — sob a figura de um grupo de animais ferozes que, sob sua ação, vão se transformando em cordeiros e pastores — foi-lhe mostrada sua vocação de trabalhar com a juventude abandonada e fundar uma sociedade religiosa para dela cuidar.
Extremamente dotado, tanto intelectual quanto fisicamente, era um líder nato. Por isso, "se bem que pequeno de estatura, tinha força e coragem para meter medo em companheiros de minha idade; de tal forma que, quando havia brigas, disputas, discussões de qualquer gênero, era eu o árbitro dos contendores, e todos aceitavam de bom grado a sentença que eu desse”2, dirá ele em sua autobiografia. Observador como era, aprendia os truques dos saltimbancos e prestidigitadores, de maneira a atrair seus companheiros para seus jogos e pregação, pois desde os sete anos foi um apóstolo entre eles.
Possuía um vivo discernimento dos espíritos, como ele mesmo afirmou: "Ainda muito pequeno, já estudava o caráter de meus companheiros. Olhava-os na face e ordinariamente descobria os propósitos que tinham no coração”3. Essa preciosa qualidade depois o ajudaria muito no apostolado com a juventude.
Órfão de pai, muito pobre para estudar para o sacerdócio como pretendia, e tendo sobretudo a incompreensão do meio-irmão, que o queria no campo, aos 12 anos a mãe lhe pôs sobre os ombros um bornal com alguns pertences e o enviou a procurar trabalho nas fazendas vizinhas. Assim o adolescente perambulou pela região, servindo de garçom num café, de aprendiz de alfaiate, de sapateiro, de marceneiro, de ferreiro, preceptor, tudo com um empenho exímio, que o levará depois a ensinar esses ofícios a seus "birichini"4 nas escolas profissionais que fundará.

Vivendo de confiança na ajuda sobrenatural
A vida de São João Bosco é um milagre constante. É humanamente inexplicável como ele conseguiu, sem dinheiro algum, construir escolas, duas igrejas — uma sendo a célebre Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora — prover de máquinas específicas suas escolas profissionais, nutrir e vestir mais de 500 rapazes numa época de carestia.
Para Pio XI, "em D. Bosco o sobrenatural havia chegado a ser natural; o extraordinário, ordinário; e a legenda áurea dos séculos passados, realidade presente”8.
Quando mais ele precisava e menos possibilidade tinha de obter dinheiro, aparecia algum doador anônimo para lhe dar a exata quantia necessitada. Mas ele empenhava-se também em promover rifas, leilões e tudo que pudesse render algum dinheiro para sua obra.
Educador ímpar e, sobretudo, eficaz diretor de consciências, vários de seus meninos morreram em odor de santidade, sendo o mais conhecido deles São Domingos Sávio. Dom Bosco escreveu-lhe a biografia e a de vários outros.
Necessitando Dom Bosco de ajuda para seu apostolado incipiente, não teve dúvidas em ir pedi-la à sua mãe, já entrada na velhice e vivendo retirada junto ao outro filho e netos. Essa mulher forte pegou alguma roupa e objetos de que poderia necessitar, e, sem olhar para trás, seguiu seu filho a pé, nos 30 quilômetros que separavam sua vila de Turim. Tornou-se ela a mãe de tantos "birichini", aos quais alimentava, vestia e ainda dava sábios conselhos. Foi seguindo seu costume que seu filho instituiu as belas Boa Noite, ou palavras edificantes aos meninos antes de eles irem dormir.

Escrevendo a reis e imperadores
São João Bosco mantinha uma correspondência intensa, escrevendo para imperadores, reis, nobreza, dirigentes da nação, com uma liberdade que só os santos podem ter. Assim, transmitiu ao Imperador da Áustria um recado memorável de Nosso Senhor para que ele se unisse às potências católicas, a fim de se opor ao poderio crescente da Prússia protestante. Escreveu também à nossa Princesa Isabel, recomendando-lhe seus salesianos no Brasil. Ao rei do Piemonte, prestes a tomar medidas contra a Igreja, alertou-o da morte que reinaria no palácio, caso isso ocorresse. Como o soberano não voltou atrás, quatro membros da família real se sucederam no túmulo, em breve espaço de tempo.
São João Bosco morreu em Turim a 31 de janeiro de 1888, sendo canonizado por Pio XI em 1934.

Notas:
1.La Varende, Don Bosco, Le Livre de Poche Chrétien, Arthème Fayard, Paris, pp. 15 e 21.
2.San Juan Bosco, Memorias del Oratorio, Primera Fase, 1, p. 7, in"Biografía y Escritos", B.A.C.
3.Id. Ib.
4.Plural de "birichino" — garoto, gaiato (Dizionario Portoghese-Italiano, Italiano-Portoghese, Carlo Parlagreco e Maria Cattarini, Antonio Vallardi Editore, Milano, 1960).
5.Pe. Rodolfo Fierro, SDB, Biografía y Escritos..., Introdução, p. 14.
6.Id. ib., p. 15.
7.Id. ib., p. 51.
8.Discurso de 3 de abril de 1932, apud BAC, op. cit., p. 11.

Oferecido pela Revista Catolicismo

Fontes:

sábado, 30 de janeiro de 2010

São Francisco Xavier Bianchi, Sacerdote (+1815), 31 de Janeiro

Nascido em 1743 em Arpino, no Lácio, Francisco Xavier Maria Bianchi desde cedo demonstrava uma inteligência precoce e manifestava uma grande pureza de alma. Tendo entrado para a congregação dos Barnabitas que haviam sido seus mestres, foi nomeado professor em Nápoles, mas preferiu abraçar o ministério de confessor e de diretor espiritual.
Amava o silêncio e a vida na clausura, e aceitava por obediência os encargos pastorais que ele cumpria como apóstolo de Cristo. Francisco pôde colher inúmeros frutos graças ao seu exemplo de vida de santidade ao apoio do Senhor, que o cobria de carismas e de graças extraordinárias.
Com as pernas cobertas de chagas, Francisco passava longas horas no confessionário e, após anos de paciente sofrimento, morreu em 31 de janeiro de 1815.

Fontes :
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100131&id=1629&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=47978&language=FR&img=&sz=full

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Santa Batilde, Rainha da França, Viúva (+680) / Santa Jacinta Mariscotti, Religiosa (+1640), 30 de Janeiro

Santa Batilde

Inglesa de nascimento, levada para a França, encantou Clóvis II por sua virtude e prudência. Este a fez sua esposa. Mãe de três reis - Clotário III, Childerico II e Thierry III - tornou-se regente à morte do esposo, governando o reino com rara habilidade.

Santa Jacinta Mariscotti
Religiosa franciscana, durante dez anos não deu bom exemplo a suas irmãs de hábito, pois não quis observar o espírito de pobreza e viveu num quarto decorado com luxo. Quando adoeceu gravemente, desejou confessar-se, mas o capelão do convento se recusou a atendê-la naquele quarto, dizendo que o Céu não fora feito para pessoas que se portavam de maneira orgulhosa e frívola, como Jacinta. 
Dando-se conta do escândalo que causara, Jacinta arrependeu-se sinceramente e pediu perdão a toda a comunidade, passando a partir daí a ser exemplo heróico de mortificação e pobreza, até atingir os cumes da mais alta santidade.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100130&id=12316&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100130&id=10237&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=41297&language=PT&img=&sz=full
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=50672&language=PT&img=&sz=full

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

São José Freinademetz, Presbítero, Fundador (+1908), 29 de Janeiro

Giuseppe (José) Freinademetz nasceu a 15 de abril de 1852, em Oies, um povoado de cinco casas entre os Alpes dolomitas do norte da Itália. Batizado no mesmo dia do nascimento, herdou da família uma fé simples, porém tenaz e uma grande capacidade de trabalho. 

Quando ainda cursava seus estudos teológicos, começou a pensar seriamente nas "missões estrangeiras" como uma possibilidade para a sua vida. Ordenado sacerdote em 25 de julho de 1875, foi destinado à comunidade de São Martino di Badia, bem perto de sua terra natal, onde logo conquistou o coração de seus conterrâneos. Entretanto, a inquietação missionária não o havia abandonado. Apenas dois anos depois de sua ordenação, pôs-se em contato com padre Arnaldo Janssen, fundador da casa missionária que logo se converteria oficialmente na "Sociedade do Verbo Divino"
Em 2 de março de 1879 recebeu a cruz missionária e partiu rumo à China, junto com outro missionário verbita, padre João Batista Anzer. Foram anos duros, marcados por viagens longas e difíceis, sujeitas a assaltos de bandoleiros, e por árduo trabalho para formar as primeiras comunidades cristãs. Assim que conseguia formar uma comunidade, chegava a ordem do bispo para deixar tudo e recomeçar em outro lugar.
Toda sua vida esteve marcada pelo esforço de fazer-se chinês entre os chineses, a ponto de escrever aos seus familiares: "Amo a China e os chineses; entre eles quero morrer, entre eles quero ser sepultado"
Cada vez que o bispo tinha que viajar fora da China, Freinademetz devia assumir a administração da diocese. No final de 1907, enquanto administrava a diocese pela sexta vez, surgiu uma epidemia de tifo. José, como bom pastor, prestou assistência incansável aos enfermos, até que ele próprio contraiu a doença. Voltou imediatamente a Taikia, sede da diocese, onde morreu em 28 de janeiro de 1908. Ali mesmo o sepultaram, sob a décima segunda estação da Via Sacra do cemitério e a sua tumba logo se transformou em um ponto de referência e peregrinação para os cristãos. 
Freinademetz soube descobrir e amar profundamente a grandeza da cultura do povo ao qual havia sido enviado. Dedicou sua vida a anunciar o Evangelho, mensagem do amor de Deus à humanidade e a encarnar esse amor na comunhão das comunidades cristãs chinesas. Entusiasmou muitos chineses para que fossem missionários de seus compatriotas como catequistas, religiosos, religiosas e sacerdotes. Sua vida inteira foi expressão do que foi seu lema: "O idioma que todos entendem é o amor"

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100129&id=11691&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=50104&language=PT&img=&sz=full

São Tomás de Aquino ("Doutor Angélico"), Presbítero, Doutor da Igreja (+1274), 28 de Janeiro


"Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e arruinar a sua vida? Pois o que daria o homem em troca de sua vida?" (Mc 8,36-37) 
Hoje a Igreja celebra um dos maiores santos da História: São Tomás de Aquino. É o autor da Suma Teológica. Pertenceu à Ordem dos padres dominicanos. Costuma ser indicado como o maior teólogo da Idade Média, como também, mestre dos teólogos até aos dias de hoje. Declarado "Doutor da Igreja", em 1567; e Padroeiro das Universidades, Academias e Colégios católicos, em 1880. 
Foi de fato um gênio, que poderia ter-se perdido, não fora ter-se libertado das atrações mundanas de sua classe, pois era rico, nobre e cerceado em seu desenvolvimento pela própria família. Foi em Paris - o maior centro de estudos teológicos do seu tempo - que ele pôde compor a sua gigantesca obra a Suma Teológica, verdadeira síntese do passado e intuição do futuro. Até hoje, essa obra não encontrou similar, nem em matéria de Filosofia nem em matéria de Teologia. 
Por vezes, esquecemos, atrás do sábio, a grandeza do santo. E São Tomás soube desapegar-se das grandezas do mundo, para revelar o amor mais profundo à oração e à contemplação. Tornou-se, assim, o modelo de todos os que buscam a Deus, vivendo segundo o plano divino. 

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100128&id=10230&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=45093&language=PT&img=&sz=full

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Beato Jorge Matulewicz, Sacerdote (+1927), 27 de Janeiro

A hagiografia de Jorge Matulewicz (1871-1927) está intimamente ligada à congregação dos Marianos, fundada em 1673 pelo Padre Estanislau Papczynski, na polônia. Esta congregação desenvolveu-se nos países do Leste Europeu e em Portugal, onde chegou em 1754, sendo de lá expulsa em 1834, por Antônio Joaquim Aguiar, da mesmaforma como aconteceu com todas as congregações religiosas. Os Marianos tinham, naquela época, 3 conventos: um em Balsamão, um em Algoso (ambos em Trás-os-Montes) e outro em Lisboa.
Nos países de Leste, em 1864, o Czar Nicolau II, a pretexto de manter a qualidade da vida religiosa, decretou que se encerrassem todos os conventos que não tivessem, pelo menos, 8 membros, obrigando esses membros a ir para conventos maiores. Proibiu, porém, que as ordens recebessem novos candidatos. Os Marianos foram, pouco a pouco, reduzidos aos irmãos do Convento de Mariampole, no Principado da Lituânia. Em 1909, restava apenas um membro: o Padre Vicente Senkowski, Superior Geral.
O Padre Jorge Matulewicz (1871-1927), da diocese de Kielce, na Polônia, era natural de Mariampole (a Lituânia e a Polônia eram uma única nação, na época) e havia sido batizado pelos Padres Marianos. Vendo esta Congregação definhar, Jorge decidiu fazer parte dela. Propôs ao Padre Vicente a sua renovação, de modo a adaptá-la aos novos tempos. O projeto foi aceito. A Santa Sé permitiu que ele fizesse os votos sem ser preciso fazer o noviciado, em 29 de agosto de 1909, na presença do Superior Geral, Padre Vicente Senkowski, em Varsóvia.Padre Jorge, respeitando o carisma da fundação e a genuína tradição do Instituto (a difusão do culto ao mistério da Imaculada Conceição, o auxílio aos fiéis defuntos e o anúncio do Evangelho ao povo simples), imprimiu à Congregação dos Marianos um amor apaixonado por Cristo e pela Igreja, preparando os seus membros para viver em ambiente de perseguição.
A congregação renovada regressou a Portugal em 1954. Atualmente, os Marianos são cerca de 550 em todo o mundo, espalhados por 18 países. Em 2007 realizou-se a beatificação do Fundador, Padre Estanislau Papczynski. O Renovador, Padre Jorge, que foi bispo de Vilno, já havia sido beatificado em 1987.

Fonte:
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=73439