quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Nossa Senhora de Lourdes /São Bento de Aniane, Abade, Reformador (+821), 11 de Fevereiro

Nossa Senhora de Lourdes é o nome usado para se referir à aparição mariana que teria sido presenciada por várias pessoas em ocasiões distintas, em torno de Lourdes, França.

História
As aparições de Nossa Senhora de Lourdes começaram no dia 11 de fevereiro de 1858, quando Bernadette Soubirous, camponesa com 14 anos, foi questionada por sua mãe, pois afirmava ter visto uma "dama" na gruta de Massabielle, cerca de uma milha da cidade, enquanto ela estava recolhendo lenha com a irmã e um amigo.[1] A "dama" também apareceu em outras ocasiões para Bernadette até os dezessete anos.
Bernadette Soubirous foi canonizada como santa, e muitos católicos acreditam que suas visões seriam da Virgem Maria. A primeira aparição da "Senhora", relatada por Bernadette foi em 11 de fevereiro. O Papa Pio IX autorizou o bispo local para permitir a veneração da Virgem Maria em Lourdes, em 1862.
Em 11 de Fevereiro de 1858, Bernadette Soubirous foi com a irmã Toinette e Jeanne Abadie para recolher um pouco de lenha, a fim de vendê-la e poder comprar pão. Quando ela tirou os sapatos e as meias para atravessar a água, junto à gruta de Massabielle, ela ouviu o som de duas rajadas de vento, mas as árvores e arbustos não se mexaram. Bernadette viu uma luz na gruta e uma menina, tão pequena como ela, vestida de branco, com uma faixa-azul presa em sua cintura com um rosário em suas mãos em oração e rosas de ouro amarelo, uma em cada pé. Bernadette tentou manter isso em segredo, mas Toinette disse a mãe. Por essa razão ela e sua irmã receberam castigo corporal pela sua história.[2][3] Três dias depois, Bernadete voltou à gruta com as outras duas meninas. Ela trouxe água benta para utilizar na aparição, a fim testá-la e saber se não "era maligna", porém a visão apenas inclinou a cabeça com gratidão, quando a água foi dada a ela.[4]
Em 18 de fevereiro, ela foi informada pela senhora para retornar à gruta, durante um período de duas semanas. A senhora teria dito: "Eu prometo fazer você feliz não neste mundo, mas no próximo".[5]Após a notícia se espalhar, as autoridades policiais e municipais começaram a ter interesse. Bernadette foi proibida pelos pais e o comissário de polícia Jacomet para ir lá novamente, mas ela foi assim mesmo. No dia 24 de fevereiro, a aparição pediu oração e penitência pela conversão dos pecadores. No dia seguinte, a aparição convidou Bernadette a cavar o chão e beber a água da nascente que encontrou lá. Como a notícia se espalhou, essa água, foi administrada em pacientes de todos os tipos, e muitas curas milagrosas foram noticiadas. Sete dessas curas foram confirmados como desprovidas de qualquer explicação médica pelo professor Verges, em 1860. A primeira pessoa com um milagre certificado era uma mulher, cuja mão direita tinha sido deformada em conseqüência de um acidente. O governo vedou a Gruta e emitiu sanções mais duras para alguém que tentasse chegar perto da área fora dos limites. No processo, as aparições de Lourdes tornaram-se uma questão nacional na França, resultando na intervenção do imperador Napoleão III, com uma ordem para reabrir a gruta em 4 de Outubro de 1858. A Igreja decidiu ficar completamente longe da polêmica.
Bernadette, conhecendo as localidades bem, conseguiu visitar a gruta à noite, mesmo quando vedada pelo governo. Lá, em 25 de março, a aparição lhe disse: "Eu sou a Imaculada Conceição" ("Que Soy era Immaculada concepciou"). No domingo de Páscoa, 7 de abril, o médico examinou Bernadette e observou que suas mãos seguravam uma vela acesa e mesmo assim não possuiam qualquer queimaduras.[6] Em 16 de Julho, Bernadette foi pela última vez à Gruta e relatou que "Eu nunca a tinha visto tão bonita antes".[6] A Igreja, diante de perguntas de nível nacional, decidiu instituir uma comissão de inquérito, em 17 de Novembro de 1858. Em 18 de Janeiro de 1860, o bispo local declarou que: "A Virgem Maria apareceu de fato a Bernadette Soubirous".[6] Estes eventos estabeleceram o culto mariano de Lourdes, que, juntamente com Fátima, é um dos santuários marianos mais freqüentados no mundo, ao qual viajam anualmente entre 4 e 6 milhões de peregrinos.
A veracidade das aparições de Lourdes não são um artigo de fé para os católicos. Não obstante todos os últimos Papas visitaram este local. Bento XV, Pio XI e João XXIII foram quando ainda eram bispos, Pio XII, como delegado papal. Ele também declarou uma peregrinação a Lourdes em uma encíclica na comemoração sobre o 100º aniversário das aparições, completados em 1958. João Paulo II visitou Lourdes três vezes e o Papa Bento XVI concluiu uma visita lá em 15 de setembro de 2008 para comemorar o 150º aniversário das aparições em 1858.

Posição da Igreja Católica
Em 18 de janeiro de 1862, Dom Laurence, bispo de Tarbes, deu a declaração solene: "Inspirados pela Comissão composta por sábios, doutores e experientes sacerdotes que questionaram a criança, estudaram os fatos, examinaram tudo e pesaram todas as provas. Chamamos também a ciência, e estamos convencidos de que as aparições são sobrenaturais e divinas, e que por conseqüência, o que Bernadette viu foi a Santíssima Virgem Maria. Nossas convicções são baseadas no depoimento de Bernadette, mas, sobretudo, sobre as coisas que têm acontecido, coisas que não podem ser outra coisa senão uma intervenção divina."[7]
A Igreja Católica celebra uma missa em honra de Nossa Senhora de Lourdes (memória facultativa), em muitos países, em 11 de fevereiro de cada ano - o aniversário da primeira aparição. Havia uma longa tradição de interpretar o Cântico dos Cânticos (4,7) - "Tu és toda formosa, meu amor, não há mancha em ti", como uma alegoria à imaculada conceição e às aparições de Lourdes, isso até a reforma litúrgica na seqüência do Concílio Vaticano II.

O Santuário
O Santuário de Nossa Senhora de Lourdes é uma área com várias igrejas e outras instituições, construídas em torno da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, na cidade de Lourdes, França. Este terreno é propriedade administrada pela Igreja, e tem várias funções, incluindo atividades devocionais, escritórios e alojamentos para peregrinos doentes e seus ajudantes. O Santuário inclui a Gruta, torneiras próximas que dispensam a água de Lourdes, e os escritórios do departamento médico de Lourdes, bem como várias igrejas e basílicas. Compreende uma área de 51 hectares, e inclui 22 lugares distintos de culto.[8] Há seis línguas oficiais faladas no Santuário: Francês, Inglês, Italiano, Espanhol, Holandês e Alemão.

Na cultura popular
Em 1943, a história se tornou a base do filme A Canção de Bernadette. Jennifer Jones interpretou Bernadete, enquanto Linda Darnell retratou a Virgem Maria. O filme ganhou vários prêmios da Academia, incluindo um Oscar de Melhor Atriz por Jones. Na primeira cerimônia dos Globos de Ouro em 1944, Jones recebeu o prêmio de melhor atriz e o filme ganhou o Melhor Filme.

Referências
1. Catholic Online: Apparitions of Our Lady of Lourdes First Apparition
2. L Laurentin, Lourdes, Marienlexikon, Eos Verlag, Regenburg, 1988, 161
3. Harris, Ruth. Lourdes, Allen Lane, London, 1999, p 4
4.Harris 4
5. Laurentin 161
6. 6,0 6,1 6,2 Lautetin 162
7. Lourdes France: The encounters with the Blessed Virgin Mary
8. [1]

Ligações externas
§   ACI Digital e Aparições de Lourdes
§   Canção Nova e Nossa Senhora de Lourdes
§   NOSSA SENHORA DE LOURDES

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_de_Lourdes
http://caminho.perfeito.zip.net/images/nslourdes.jpg
http://picasaweb.google.fr/lh/view?q=sanctuaire+lourdes&uname=rio.dedeus2008&psc=G&filter=1#5436718206136475682
http://picasaweb.google.fr/lh/view?q=grotte+massabielle&uname=rio.dedeus2008&psc=G&filter=1#5092408155132259058
http://fr.wikipedia.org/wiki/Fichier:Lourdes_cathedrale-grotte.jpg



São Bento de Aniane
Conselheiro de imperadores, esse Santo restaurou a pureza do espírito e da regra de São Bento como Abade Geral dos mosteiros beneditinos do Império Carolíngio, além de ter sido um paladino da ortodoxia.
Plinio Maria Solimeo

Hagiografia
Agulfo, Conde de Magalones, no Languedoc francês, foi um dos cavaleiros mais destemidos do Rei franco Pepino, o Breve, no século VIII. Por sua bravura e integridade, era estimado em todo o reino. Infelizmente a História não guardou o nome de sua esposa. Ao seu primogênito, deu o nome godo Witiza; e logo que ele teve idade, Pepino o recebeu entre os jovens da nobreza que eram formados na corte no exercício das armas e outros próprios a seu estado.
O adolescente se fazia notar por um porte sério, um julgamento sólido e qualidades de espírito que o tornavam companhia agradável. Crescendo, sua habilidade no manejo das armas o levou a seguir o pai na carreira militar. Em breve ele o igualava em valor e determinação no campo de batalha.
O grande Carlos Magno, que sucedeu a Pepino, mostrou desde logo sua predileção por aquele jovem circunspeto e despretensioso, formando grandes planos para ele. Mas Witiza começou, aos 22 anos, a sentir o forte apelo da graça para deixar o mundo e dedicar-se inteiramente a Deus. Como dizer isso a seu pai? Como dizê-lo ao Imperador da barba florida, tão complacente para com ele?
Esperando a hora da Providência, Witiza continuou levando a vida na corte e nos campos de batalha como se nada houvesse nele mudado. Mas interiormente começou a levar uma vida mais ascética, dedicando muitas horas à oração e mortificação. Falava pouco, privava-se de passatempos mesmo inocentes, e, sobretudo, fugia de qualquer ocasião que pudesse ser perigosa para sua pureza.
Quanto tempo viveu assim? Não se sabe ao certo, mas pelo menos alguns anos. Ele não estava certo do caminho a seguir para executar seu projeto, até que um dia ele viu num fato a mão da Providência apressando sua ruptura com o mundo.
Corria o ano 774, e Witiza, com um irmão, lutava nas hostes do Imperador numa campanha na Itália. Em determinado momento viu que o irmão, sem medir a profundidade e correnteza de um rio, pôs-se a atravessá-lo a nado. Mas logo foi arrastado pela torrente. Witiza lançou-se a cavalo no rio em socorro do irmão, e por pouco ambos não pereceram.
Foi aí que o jovem tomou a resolução que havia tempos premeditava: assim que terminou essa campanha militar, fugiu sem nada dizer a ninguém, e foi ter ao mosteiro de São Sena (que deu o nome ao famoso rio que corta Paris), onde trocou o uniforme militar pelo hábito religioso.

Não ser monge pela metade
Witiza rompera com o mundo para entregar-se a Deus seriamente, e não pela metade. Por isso, começou uma vida de austeridade, oração e penitência, dormindo em tábua dura, passando a pão e água e tirando ao repouso longas horas que passava em contemplação. Entregava-se às mais humildes tarefas, usava hábitos rejeitados pelos outros, limpava, à noite, as sandálias de seus confrades.
Deus lhe concedeu a graça de uma verdadeira compunção de coração e o dom das lágrimas, de tal maneira que elas corriam abundantes quando entrava na consideração de seus pecados ou da misericórdia de Deus a seu respeito.
Ora, esse teor de vida era uma muda censura aos monges tíbios e acomodados. Começaram eles a acusá-lo de exagerado, e mesmo de louco. Riam-se dele, atiravam-lhe objetos e faziam toda sorte de injúrias. Witiza contentava-se por sofrer tudo em silêncio, na imitação do Salvador.
Aos poucos os risos cessaram, a inveja cedeu à admiração, e seis anos depois, ao morrer o superior do mosteiro, pensaram em elegê-lo para o cargo.

Fundador de mosteiros

Witiza, que tinha saído do mundo para fugir das honras, ficou horrorizado logo que soube desse plano. Por isso deixou o mosteiro às escondidas e voltou para sua terra, onde se estabeleceu como ermitão perto de um riacho que se chamava Aniane.
Logo, outros companheiros juntaram-se a ele e o lugar tornou-se pequeno. Witiza construiu então um mosteiro para abrigar tanta gente. Era tal a regularidade de vida e a observância religiosa nesse retiro, que sua fama atraiu mosteiros semelhantes ao seu redor.
O Imperador Carlos Magno, sempre edificado com a santidade de Witiza, construiu um grande mosteiro e igreja, no qual Witiza pudesse receber todos que o procuravam. No edifício, o Imperador não poupou nada em matéria de grandeza e de arte. Witiza dedicou o templo à Santíssima Trindade.
Foi então que trocou seu nome para o de Bento, em homenagem ao patriarca do monacato no Ocidente, e começou a seguir sua Regra. “E para conhecer melhor seu espírito — escreve seu primeiro biógrafo Adson — recorre os mosteiros, interroga os antigos, pesquisa bibliotecas e recolhe as velhas tradições” 1. Isso porque a primitiva regra de São Bento estava alterada e desfigurada, em virtude das inúmeras modificações que o relaxamento e a tibieza tinham introduzido nos mosteiros.
O reformador, para seguir o “Ora et Labora” beneditino em toda sua extensão, e para, ao mesmo tempo, formar campeões da ortodoxia, introduziu o estudo das diversas ciências em seus mosteiros, para ocupar o tempo vago dos monges. De maneira que, “assim, sem alterar a exata regularidade que atraía a atenção de todo mundo, ele fez florescer, nessa casa real, escolas de humanidades, de filosofia, a teologia e o estudo das Sagradas Escrituras. Foi assim que esse grande homem encontrou um meio de afastar da província onde se encontrava as trevas da ignorância, e que formou um grande número de discípulos que renderam depois, seja na qualidade de bispos, seja na de doutores ou missionários, seja na de abades, serviços muito consideráveis à Igreja” 2.
Aos poucos esse mosteiro e seu abade tornaram-se tão famosos, que todos consideravam uma honra oferecer-lhe terras e dinheiro para estabelecer mosteiros semelhantes em seus estados. Do que resultou que 12 deles o reconheciam como seu abade.
Os grandes do tempo também acorriam a ele, como Leidrado de Lyon, Teodulfo de Orléans, o grande Alcuíno — que fora preceptor de Carlos Magno e era considerado um dos homens mais eruditos de seu tempo — e o Duque São Guilherme de Aquitânia, para obter monges para realizar fundações.

Conselheiro do Imperador, Abade Geral do Império
O próprio Imperador Luís, o Bonachão — que sucedera a seu pai, o grande Carlos — querendo ter São Bento cerca de si para gozar de seus conselhos, construiu um mosteiro junto ao rio Inde, que ofereceu ao Santo. Este aproveitava-se da boa disposição real para ser o defensor e protetor dos órfãos e das viúvas, e um intercessor dos pobres junto ao monarca. E Luís, o Bonachão, atendia sempre solícito aos pedidos do Santo.
Ele foi mais longe. Vendo em Bento não só um conselheiro, mas a regra viva do monaquismo, nomeou-o uma espécie de Abade Geral do Império, com poder sobre todos os mosteiros de seus Estados, com o fim de empreender neles uma reforma geral.
Para cumprir os desejos do Imperador, Bento convocou uma reunião geral dos abades de todos os mosteiros da França, e com eles estudou a reforma a estabelecer para restaurar o antigo espírito monástico em toda sua pureza. Essa empresa necessitava de uma personalidade marcante e excepcional, como a de Bento, escudada pela autoridade real.
Visando uniformizar a vida conventual, Bento escreveu um livro, A Concordância das Regras, no qual analisa o espírito e o sentido das regras beneditinas.
O Abade Geral visitava pessoalmente os mosteiros para ver a aplicação da regra beneditina. Em suas inumeráveis viagens com esse intuito, vários milagres atestaram a santidade de Bento.
Apesar de tudo, isso atraiu-lhe inimigos, principalmente entre aqueles que disputavam o favor real. E uma campanha de difamação e de calúnias começou a circular, chegando até os ouvidos reais. Quando se esperava que o monarca iria pedir ao Santo para justificar-se, pelo contrário este o abraçou estreitamente à vista de todos os detratores, e lhe deu de beber de sua própria mão. Felizes tempos em que a virtude era premiada publicamente!...
São Bento de Aniane foi um dos baluartes da Igreja na luta contra a heresia de Felix de Urgel, e para isso foi várias vezes à Espanha para combatê-lo. Foi um dos que convocou um sínodo na própria Sé episcopal do heresiarca, onde Felix foi condenado por sua heresia.
Enfim, chegou o tempo predestinado pela Providência para que seu servo fosse receber o prêmio de seus labores e lutas. No ano 821, Bento foi atacado por febres e terríveis dores, e teve que ser acamado. Quando a notícia se espalhou, os primeiros a chegar foram os enviados do Imperador. Abades, monges, bispos, todos queriam receber os últimos ensinamentos do moribundo. Mas, depois de exercer o que a cortesia mandava, pediu ele para ficar só com Deus. E foi arrebatado num êxtase. Aos seus monges disse depois que nunca havia tido momentos tão doces em sua vida: “Eu acabo de ter a felicidade de me encontrar diante de Deus, no meio do coro dos Santos” (*).

Notas:
1. Fr. Justo Perez de Urbel, OSB, Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, 3a. edição, vol. I, p. 289.
2. Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, tomo II, p. 462.
(*) Outras obras consultadas: P. Kirsch, St. Benedict of Aniane, transcribed by Steve Fanning, The Catholic Encyclopedia, Volume II, Copyright © 1907 by Robert Appleton Company, Online Edition Copyright © 1999 by Kevin Knight; St. Benedict of Aniane, 1998-2000, Catholic Online Saints.

Fontes:
http://www.catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=182&mes=Fevereiro2002
http://www.abbaye-saint-benoit.ch/saints/aniane/benoitaniane.htm

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

São Guilherme de Malaval, Eremita da Toscana, Fundador (+1157), 10 de Fevereiro




Guilherme de Malaval viveu no Século XII. É o fundador de uma ordem eremítica beneditina, que deu origem à congregação religiosa dos Guilhermitas. Esta ordem espalhou-se pela França (priorados de Louvergny e de Montrouge) e no Santo Império Germânico (Alemanha). Sua memória é celebrada pela Igreja Católica em 10 de fevereiro.

Biografia
Desde o fim da Idade Média, a vida de Guilherme de Malaval se confunde com a de Guilherme X de Poitiers.
Segundo a hagiografia oficial, Guilherme de Malaval teria sido um cavaleiro, provavelmente originário da Aquitânia, que tinha uma carreira militar e uma vida aventureira e dissoluta. Por alguma razão desconhecida, ele teria sido excomungado. Após se aconselhar com São Bernardo de Claraval, Guilherme fez três grandes peregrinações: São Tiago de Compostella, Roma e Jerusalém.
Uma outra versão conta que ele teria ido a Roma, pedir perdão ao Papa Eugênio III, que lhe teria recomendado, como penitência, uma peregrinação a Jerusalém. Quando Guilherme retornou à Itália, decidiu viver como eremita, levando uma vida cada vez mais rigorosa, inicialmente no Monte Pisano e, em seguida, retirado no deserto de Malaval em Castiglione della Pescaia, na província de Grosseto, Toscana. Tornou-se então anacoreta, alimentando-se de raízes e orando incansavelmente.
Com o tempo, discípulos cada vez mais numerosos, atraídos por seu exemplo de santidade, começaram a partilhar com Guilherme o seu estilo de vida. A um deles, Alberto, que se tornaria seu biógrafo, o santo eremita teria ditado a Regra Guilhermita, aprovada pelo Papa Inocêncio III, em 1211. Após a morte de Guilherme, em 1157, seus discípulos construíram um priorado no local do seu túmulo. A Ordem dos Guilhermitas foi aprovada pelo Papa Alexandre IV, em 1256.
Conta a lenda que Guilherme de Malaval operou inúmeros milagres, chegando até mesmo a abater um *dragão com seu bastão de peregrino. Seus atributos iconográficos são uma coroa penitencial, um bastão e um dragão. Em algumas imagens, Guilherme também é representado usando um peitoral em malhas de aço sob a batina.

Curiosidades
Na igreja de São Tirso de Labruguière há uma capela no fundo da qual doze medalhões, pintados por Morelli no Século XIX, parecem representar a vida de Guilherme de Malaval: à frente de um batalhão de Cruzados; sendo tentado; visitando o Papa; vivendo como eremita na Toscana; massacrando dragões; ou ainda realizando uma cura. Nesta pintura, a paisagem ao fundo representa uma cidadela fortificada, podendo ser Jerusalém ou Saint-Jean-d’Acre.
O mosteiro dos Guilhermitas de Liège, na Bélgica, inspirou a decisão de dar o nome de Guilherme de Malaval a um bairro e à principal estação ferroviária da cidade, a Estação dos Guilherminos (Guillemins). Na França, a Rua dos Guilhermitas de Paris testemunhou, no Século XIII, a fundação, no bairro de Marais, do Mosteiro de Blancs-Manteaux (Mantos Brancos), apelido atribuído aos Guilhermitas parisienses após a dissolução da Ordem dos Servitas de Maria, em 1274.

*Na tradição ocidental (mitologias grega, céltica e nórdica), o dragão é uma criatura que se assemelha a um réptil alado que cospe fogo, evocando geralmente os princípios caóticos e primitivos. Inúmeros heróis ou deuses vão medir forças com os dragões, a fim de reestabelecer a ordem no mundo (no livro do Apocalipse, Capítulo 12, São João Evangelista nos conta a batalha travada entre a Mulher vestida de Sol e o Dragão que queria lhe devorar o Filho).
Os dragões são, antes de mais nada, criaturas ligadas à terra e ao fogo, símbolos do poder das forças naturais. Eles se unem, por essas características, às antigas criaturas Ctonianas (deuses ou espíritos do mundo subterrâneo que se opunham às divindades olímpicas. Por vezes são também denominados "telúricos" [do latim tellus]) que se assemelhavam à serpente das mitologias indo-européias: Apolo combatia Píton, Krishna rivalizava com Kaliya, Rê lutava contra Apófis.
Os dragões foram mantidos com esse aspecto selvagem por motivos associados, em geral, à proteção de alguma coisa. Esta característica se inscreve no próprio nome “dragão”: originário da palavra grega drákōn (δράκων), deriva de drakeîn (δρακεν), aorista do verbo dérkomai (δέρκομαι), que significa “ver, olhar de forma penetrante”.

Conheça também: Santa Escolástica
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/02/santa-escolastica-10-de-fevereiro.html

Fontes :
"San Guglielmo di Malavalle, eremita presso Castiglione della Pescaia in Maremma", Maddalena Delli - Pubblicato su ToscanaTascabile 02/2005
http://fr.wikipedia.org/wiki/Guillaume_de_Malavalle
http://fr.wikipedia.org/wiki/Dragon_(créature_fantastique)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ctónico
http://de.wikipedia.org/wiki/Datei:Figurchorgestühlbuxheim21.JPG
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/4f/Guillaume_et_le_dragon.jpg

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Santa Apolônia, Mártir, Padroeira dos Dentistas (+ 249) / São Miguel Febres Cordero Muñoz, Pedagogo, Professor, Religioso (+1910), 09 de Fevereiro



Santa Apolônia


Durante os reinados do Imperador Filipe I, o Árabe, (244-249) e de Trajano Décio (249-251), multidões ferozes na cidade de Alexandria (Egito) saíam às ruas à caça de cristãos. Apolônia, uma Diaconisa, foi apanhada pela turba e, como se recusava a renunciar a Jesus e à sua fé, foi cruelmente torturada. Os seus dentes foram arrancados com uma torquês (uma espécie de alicate). Quebraram os seus maxilares e ela foi levada para uma pira onde veio a morrer queimada. Apolônia não era jovem, mas Dionísio, que presenciou a sua morte, descreveu-a numa carta para Fabius, que foi preservada pelo historiador Eusébio, bispo de Antioquia:
"Eles amarraram esta preciosa virgem, quebraram todos os seu dentes com socos nos maxilares, fizeram uma fogueira e ameaçaram queimá-la viva, mas ela continuava recusando-se a recitar as blasfêmias que eles queriam que recitasse. Então, de repente, ela mesma entrou na pira e foi logo envolvida de um fogo do Espírito Santo pois, lá de dentro, ela nos olhava com o rosto de uma cristã sem nenhum medo."
Os anais de seus martírios contêm outras crueldades, mas na liturgia católica ela é mostrada com a pinça usada nos seus dentes. É a padroeira oficial dos dentistas e é invocada contra a dor de dentes.



Fontes:
http://www.levangileauquotidien.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100209&id=10278&fd=0
http://www.levangileauquotidien.org/zoom_img.php?frame=39803&language=PT&img=&sz=full





São Miguel Febres Cordero Muñoz

Irmão das Escolas Cristãs, Cordero é considerado o maior educador cristão do Equador. Nasceu em Quito em 1854, foi o primeiro irmão latino-americano dos irmãos de La Salle. Por mais de quarenta anos, lecionou no colégio de Quito e viu passar como alunos seus muitos jovens que mais tarde ocuparam postos relevantes no governo daquele país ou em instituições da nação. Foi um grande pedagogo, tanto na escrita quanto na palavra.
Seus textos escolares foram mais tarde adotados em todas as escolas do país, Equador. A partir de 1907, fez viagens de estudo e experiência pedagógica na Bélgica e na Espanha. Adoentado, retirou-se para Premiá de Bar [Barcelona - Espanha], onde veio a falecer em 9 de fevereiro de 1910. Seu corpo foi repatriado em 1936 onde foi recebido calorosamente pela nação. Repousa no colégio da Magdalena. Miguel Febres Cordero foi canonizado por João Paulo II.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100209&id=10276&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=36748&language=PT&img=&sz=full

Outras informações:
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/02/sao-miguel-febres-cordero-9-de.html

Beata Jacqueline de Septisoles, Discípula de São Franisco de Assis (1192-1239), 08 de Fevereiro

Esposa de um senhor romano, Jacqueline de Septisoles era mãe de dois filhos quando se tornou amiga de São Fancisco de Assis, numa ocasião em que ele foi pregar em Roma. Ela o ajudou a encontrar um convento que pudesse abrigá-lo e aos seus discípulos.
Pouco tempo antes de morrer, São Francisco escreveu a Jacqueline, pedindo que ela lhe enviasse um lençol. Avisada antecipadamente em oração, ela já estava a caminho com seus filhos para ficar à cabeceira do santo.
Depois de viúva, Jacqueline foi morar em Assis, onde morreu, sendo enterrada na Basílica de São Francisco.

Fonte:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100208&id=13359&fd=0

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Beata Rosália Rendu, Religiosa (+1856), 07 de Fevereiro

Rosália Rendu, filha da Caridade de São Vicente de Paulo, distinguiu-se pela dedicação para com os menos favorecidos no bairro de Mouffetard. Jeanne-Marie Rendu, seu nome de batismo, nasceu no dia 9 de Setembro de 1786 na cidadezinha de Confort (Jura, França), numa família simples, sendo a primeira das quatro filhas, nas quais a mãe  incute  a  piedade  e  a caridade.

A família procurou acolher sacerdotes perseguidos durante os tempos difíceis da revolução francesa e, entre eles, o próprio bispo de Annecy. Jeanne-Marie descobre no hospital o serviço das Filhas da Caridade e, a 25 de Maio de 1802 inicia o noviciado nessa Congregação, em Paris, sendo enviada para o bairro de Saint Marceau onde permaneceu ao serviço dos pobres durante 54 anos, até ao dia da sua morte.
Em 1814, Irmã Rosália emite dos votos solenes, e oito anos mais tarde, é nomeada Superiora da comunidade. Deixa de ensinar e dedica-se às visitas domiciliares distribuindo ajudas de acordo com o "Bureau de Bienfaisance" municipal e obtendo o auxílio de muitas pessoas abastadas que não sabiam dizer não a uma pessoa tão persuasiva.
É a pioneira em abrir uma casa para acolher criancinhas em idade inferior a dois anos, para permitir que as mães encontrassem um trabalho remunerado. Não foi bem compreendida nesta obra, pois segundo a sociedade da época, a mãe deve permanecer em casa. Oferece aos jovens uma formação profissional abrindo a primeira instituição para esse mister. Mais tarde, vendo com emoção o desespero das pessoas idosas abandonadas, abre um Asilo para elas. A sua caridade vai além do bairro. Claude Dinnat escreve no seu artigo:  "Por muitos anos, irmã Rosália manteve contato com Il Bon Sauver de Caen, hospital psiquiátrico fundado pelo Beato Padre Jamet. Ela convence-o a internar sacerdotes e religiosos em dificuldade e também muitos outros doentes”.
Ajuda algumas Congregações e Associações caritativas a estebelecer-se em Paris:  a Sociedade de São Francisco Regis, as comunidades das Filhas de Nossa Senhora de Loreto, as Damas Agostinianas do Sagrado Coração de Maria, a Comunidade dos Padres Pobres, entre outras. A sua coragem e determinação leva-a a ultrapassar as barricadas, durante a sublevação de Julho de 1830, para ajudar os feridos. Mais tarde, durante as epidemias de cólera (1832 e 1849), a atividade de Irmã Rosália excede até ao heroísmo, chegando a recolher cadáveres pelas ruas.
Em 1848 acontecem as mais sanguinolentas lutas entre o poder burguês e uma classe operária desenfreada, numa situação desesperadora. Irmã Rosália, arriscando a própria vida nesses confrontos, procura manter-se fiel aos seus princípios de religiosa dedicada aos que sofrem; faleceu em 7 de Fevereiro de 1856.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100207&id=12358&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=53327&language=PT&img=&sz=full

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Marta Robin, Mística (1902 - 1981), 6 de Fevereiro

Em Châteauneuf-de-Galaure, onde nasceu, viveu e morreu, cega e paralisada, Marta se alimentava de um alimento apenas : a sagrada Eucaristia. Em 1936, ela pediu, “da parte de Deus”, a um sacerdote de Lyon, o Padre Finet, que fosse fundado o primeiro “Foyer de Charité” (Lar de Caridade). Com o tempo, mais de sessenta foram fundados, no mundo inteiro.
Aos vinte anos de idade, Marta se sente chamada, a exemplo dos grandes místicos, a oferecer sua vida “pela conversão dos pecadores e a santificação das almas”. Descobrindo sua particular vocação ao sofrimento, ela redige uma carta estipulando seu total abandono a Deus. É quando, então, a paralisia toma conta dela, trazendo consigo sofrimentos indescritíveis.
Como acontece a todos os grandes mártires, é preciso que a noção de sacrifício seja abordada não como o fruto de uma vontade divina, mas como um dom de Amor livremente escolhido pelo místico, uma oferta de todo o seu ser para tomar sobre si a negatividade do mundo a ponto de ser, por isso, mutilado física e moralmente.
Durante uma visão, Marta recebe os estigmas de Cristo, uma espécie de confirmação da sua vocação. Todas as sextas-feiras, ela revivia a Paixão de Jesus Cristo e vivenciava o maior dos sofrimentos: o supremo abandono resultante da falta de Amor por parte da humanidade. Um vazio que ela, a cada crucificação, conseguia preencher com o Amor de Deus. Por isso, Marta dizia: “O sofrimento é a escola incomparável do verdadeiro Amor.”
Apesar da paralisia que progride incessantemente, Marta redige suas reflexões, mantém correspondências, recebe visitas sempre mais numerosas às quais ela oferece o gosto do esforço e da ressurreição permanentes. “Toda alma é um Getsêmani onde cada um deve beber, em silêncio, o cálice da sua própria vida”, dizia.
Em 1936, ela convida, “da parte de Deus”, o Padre Finet a iniciar um “Lar de Caridade, de Luz e de Amor” para a realização de retiros espirituais, o primeiro de inúmeros. Atualmente, estas comunidades “acolhem e congregam homens e mulheres que, a exemplo dos primeiros cristãos, partilham comunitariamente seus bens materiais, intelectuais e espirituais.”
Além dos sofrimentos que não cessam de aumentar, Marta sofre também implacáveis perseguições demoníacas, após as quais ela é encontrada ferida e vertendo lágrimas de sangue; um demônio que procurava, segundo ela, fazê-la crer que seu sofrimento não servia de nada. Vivificada, porém, pelo Amor incondicional que a anima, e encorajada pelas aparições regulares da Virgem Maria, ela nunca renunciou à sua vocação. Após sua última entrega de sacrifício, a visão, Marta permanecerá mais de cinqüenta anos deitada, sem dormir, sem beber e apenas se alimentando da Eucaristia.
 “Esquecendo-me de mim mesma, eu quero fazer com que Deus seja amado por todas as almas, doando-me por todos incessantemente e sem medidas, doar-me, doar-me sempre...” dizia Marta Robin, sem dúvida uma das maiores místicas e mártires do nosso tempo. Na mais total discrição e humildade ela vivenciou o seu sofrimento, fruto amargo da nossa negatividade que ela purificou pelo poder do seu Amor. Como não nos conscientizarmos das nossas insuficiências diante de tanta abnegação? Não podemos desejar senão carregarmos nossas próprias cruzes com o máximo de perseverança e de Amor, afirmando todos os dias como Marta: “Elevar-se é tudo superar e se superar incessantemente.”

Fontes:

http://www.passioniste.org.pf/martherobin.htm


http://www.medjugorje.ws/data/olm/images/articles/marthe-robin.jpg

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Santa Águeda, Mártir (+251), 5 de Fevereiro

Santa Águeda ficou conhecida tanto pelo seu nome verdadeiro Águeda, como por Ágata. Não se tem conhecimento das datas de seu nascimento ou morte, acredita-se que ela viveu durante o século III, na Sicília e foi martirizada durante a perseguição aos cristãos durante o império de Décio, por volta de 251, sendo seu suplicio um dos mais cruéis da época contra cristãos.
Segundo a tradição Santa Águeda foi entregue a uma mulher de má conduta para desviá-la de Deus. Como mantivesse a firmeza da fé, foi submetida a cruéis torturas: desconjuntamento dos ossos, dilaceramento dos seios. Foi arrastada por sobre cacos de vidros e carvões em brasa.
Santa Águeda é uma das santas mais populares da Itália, apenas Roma chegou a ter 12 igrejas dedicadas a ela.

Fontes:


www.seminario-campos.org.br
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100205&id=10264&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=38721&language=PT&img=&sz=full

Santa Joana de Valois, Rainha da França, Fundadora (1463-1503), 4 de Fevereiro

        Santa Joana de Valois, filha do rei Luís XI, nasceu muito feia e com deformações físicas. Em contrapartida, o Céu revelou nela, desde muito cedo, uma alma superior. Sua piedade e devoção para com a Virgem Maria marcou sua alma com o selo dos predestinados. Quando Joana tinha apenas cinco anos de idade, a Mãe de Deus dignou-se comunicá-la que ela era chamada a fundar, em Sua honra, uma Ordem cujo objetivo principal seria a imitação de Suas virtudes.
Contra a sua vontade, Joana teve que se casar com um príncipe que lhe tinha aversão e jamais a olharia como sua esposa. Após alguns anos repletos de provações, o rei Luís XI morreu e esta união, contraída em condições deploráveis, a pedido do marido, foi anulada pelo Sumo Pontífice. Na ocasião, Joana disse: “Que Deus seja glorificado, minhas cadeias foram quebradas; foi Ele quem o quis, a fim de que, doravante, eu possa servi-Lo melhor, como não pude fazer até agora.”
Sua despedida do príncipe foi tocante : “Eu lhe sou muito grata, pois você me retira da servidão ao mundo. Perdoe-me meus erros; doravante, minha vida será dedicada a orar por você e pela França.”
Desde então, a oração tornou-se companheira inseparável de Joana. Seu amor ardente por Jesus Cristo fez com que abraçasse as mortificações voluntárias, sendo vista mais de uma vez ajoelhada diante de um Crucifixo, batendo no peito com uma pedra e chorando copiosamente, pensando em seus pecados e nos sofrimentos de Jesus Cristo. Ela jejuava e prolongava suas vigílias, orações e macerações ao menos três vezes por semana.
Consolar os pobres, servi-los à mesa, lavar e beijar-lhes os pés, eis algumas das ocupações que lhe eram queridas ao coração. Sua humildade queria esconder a todos os olhos os prodígios de sua caridade. Joana queria por testemunha somente Deus, pois, praticando todas as virtudes, ela buscava apenas o Senhor.
A Eucaristia era a sua força misteriosa ; ela sempre A recebia banhada em lágrimas, e era aos pés do Tabernáculo que ela encontrava todos os tesouros da sua devoção.
Joana pôde, antes de morrer, fundar a Ordem da Anunciação, segundo a promessa que a Virgem Maria lhe fizera. No momento de sua morte, uma claridade extraordinária surgiu em seu quarto, perdurando mais de uma hora. Quando foram preparar o corpo de Joana, descobriram que ela portava um cilício com uma corrente de ferro.

Tradução e Adaptação :
Litanie Marie Sorel

Fontes :




Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de
l'année), Tours, Mame, 1950.
http://litaniemariesorel.wordpress.com/
http://www.passioniste.org.pf/jeannedevalois.htm

Santa Claudina Thévenet, Fundadora da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria (+1837), 3 de Fevereiro

Esta Serva de Deus nasceu em Lyon, na França, a 30 de Março de 1774, onde morreu em 3 de fevereiro de 1837. Foi solenemente canonizada pelo Papa João Paulo II no dia 21 de Março de 1993. Quando da sua beatificação, a 4 de Outubro de 1981, o mesmo Papa, em sua homilia, nos relata as angústias por que passou Claudina:

"Teve a adolescência perturbada pela revolução francesa que agitou tão violentamente a sua cidade natal. Numa manhã de Janeiro de 1794, esta jovem de 19 anos reconhece os seus dois irmãos, Luís e Francisco, num cortejo de condenados à morte. Tem a coragem de os acompanhar até ao lugar do suplício e de recolher as últimas palavras deles: 'Glady, perdoa, como nós perdoamos!'. Este fato foi sem dúvida elemento determinante da vocação de Claudina, já tão compassiva diante das misérias acumuladas pela tempestade revolucionária. Pensa em tomar-se mensageira da misericórdia e do perdão de Deus numa sociedade destroçada, e dedicar a própria vida à educação dos jovens, sobretudo dos mais pobres, cujo estado de abandono ultrapassa a imaginação. Por isso, com o apoio esclarecido do padre Coindre, Claudina funda em 1816 uma Piedosa União, que virá a ser dois anos mais tarde a Congregação de Jesus e Maria".
A seguir, o Santo Padre comentou a situação do novo Instituto:
"Hoje, para o maior prazer da Igreja, as Filhas da Madre Thévenet são mais de 2 mil, presentes em todos os continentes e vivendo verdadeiramente do seu espírito. Escolas e colégios, lares para jovens e para pessoas idosas, pastoral catequética e familiar, dispensários e casas de oração, não têm senão uma finalidade: levar a que se conheçam Jesus e Maria, trabalhando ao mesmo tempo na promoção social dos pobres".

Fontes:
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/09/santa-claudina-thevenet-fundadora-da.html
http://www.passioniste.org.pf/claudine_thevenet.jpg

São Teófano (Théophane) Vénard, Mártir (1829-1861), 2 de Fevereiro

Teófano Vénard, filho de um professor, nasceu em Saint-Loup-sur-Thouet no dia 21 de novembro de 1829. Estudou no Colégio de Doué-la-Fontaine e fez Filosofia no Seminário Menor de Montmorillon. Entrou no Seminário Maior de Poitiers em 1848, tornou-se acólito em dezembro de 1850 e, logo em seguida, pediu para entrar no Seminário das Missões Estrangeiras de Paris, onde chegou em 3 de março de 1851. Sua vocação missionária vinha desde a infância: aos nove anos, Teófano a descobriu lendo a Nota sobre a vida e a morte de Jean-Charles Cornay.
Em Paris, Teófano recebeu orientação espiritual de Dom Barran, que lhe ensinou a via da “infância espiritual”. Ordenado sacerdote em 5 de junho de 1852, o jovem missionário embarcou, pouco depois, para a China. A Sociedade das Missões Estrangeiras havia ficado encarregada de um novo território naquelas terras. Este projeto acabou sendo adiado e Teófano, após um ano e meio de espera em Hong Kong, foi enviado a Tonquin, onde chegou em julho de 1854.
Tendo estudado o idioma local, Teófano foi perseguido e acabou se refugiando em But-Dong, onde caiu gravemente enfermo. Em 1857, tornou-se responsável por um vicariato e, apesar da sua saúde sempre oscilante, traduziu aConcordância dos Evangelhos do abade Migne, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse. As perseguições levaram Teófano a uma vida de clandestinidade e incrivelmente penosa em esconderijos infectos. O bispo local o havia nomeado Superior do Seminário, mas as perseguições não lhe permitiram exercer suas funções. Denunciado, Teófano foi preso em Ke-Beo, em 30 de novembro de 1860, trancado numa espécie de jaula e levado a Hanói, onde foi decapitado em 2 de fevereiro de 1861.
A partir de 1864, o abade Eusébio Vénard, irmão do mártir, publicou uma obra em 14 volumes intitulada “Vida e correspondência de J. Teófano Vénard”. Santa Teresa do Menino Jesus leu esta obra que a tocou profundamente. Desde então, ela passou a viver numa verdadeira intimidade espiritual com o jovem mártir.
Teófano Vénard escrevia admiravelmente. Suas cartas belíssimas, manifestando a paz de sua alma, e também a veneração que Santa Teresa do Menino Jesus lhe devotava, fizeram dele o mártir mais popular da Sociedade das Missões Estrangeiras. J. Teófano Vénard foi beatificado em 1909, juntamente a inúmeros cristãos martirizados em Tonquin, na Conchinchina e na China. Foi canonizado pelo Papa João Paulo II, junto com cento e dezesseis outros mártires vietnamitas, em 19 de junho de 1988. Sua memória é celebrada em 2 de fevereiro.


Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com


Fontes : 
http://missel.free.fr/Sanctoral/11/24.php
http://www.levangileauquotidien.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100202&id=13491&fd=0
http://www.levangileauquotidien.org/zoom_img.php?frame=49842&language=FR&img=&sz=full

Nossa Senhora da Luz, 2 de Fevereiro





Nossa Senhora da Luz (também invocada sob os nomes de Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora das Candeias ou, ainda, Nossa Senhora da Purificação) é um dos muitos títulos pelos quais a Igreja Católica venera a Virgem Maria, sendo sob essa designação particularmente cultuada em Portugal, apesar de sua aparição ter ocorrido nas Ilhas Canárias (Espanha). 

História
A origem da devoção à Senhora da Luz tem os seus começos na festa da apresentação do Menino Jesus no Templo e da purificação de Nossa Senhora, quarenta dias após o seu nascimento (sendo celebrada, portanto, no dia 2 de Fevereiro). De acordo com a tradição mosaica, as parturientes, após darem à luz, ficavam impuras, devendo inibir-se de visitar ao Templo até quarenta dias após o parto; nessa data, deviam apresentar-se diante do sumo-sacerdote, a fim de apresentar o seu sacrifício (um cordeiro e duas pombas ou duas rolas) e assim purificar-se. Desta forma, José e Maria apresentaram-se diante de Simeão para cumprir o seu dever, e este, depois de lhes ter revelado maravilhas acerca do filho que ali lhe traziam, teria dito aos dois: «Agora, Senhor, deixa partir o vosso servo em paz, conforme a Vossa Palavra. Pois os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante dos olhos das nações: Luz para aclarar os gentios, e glória de Israel, vosso povo» (Lucas, 2, 29-33).
Com base na festa da Apresentação de Jesus e Purificação da Virgem, nasceu a festa de Nossa Senhora da Purificação; do cântico de São Simeão (conhecido pelas suas primeiras palavras em latim: o Nunc dimittis), que promete que Jesus será a luz que irá aclarar os gentios, nasce o culto em torno de Nossa Senhora da Luz, das Candeias ou da Candelária, cuja festa era geralmente celebrada com uma procissão de velas, para relembrar o fato.

Aparição
A Virgem da Candelária ou da Luz apareceu na ilha de Tenerife (Ilhas Canárias, Espanha), numa praia, em 1400, aos Guanches, nativos daquelas ilhas. Mais tarde, sua devoção chegou às Américas. Nossa Senhora da Luz é a padroeira das ilhas Canárias, sob o nome de Nossa Senhora da Candelária.[1][2]

Invocação e expansão do culto
Nossa Senhora da Luz era tradicionalmente invocada pelos cegos (como afirma o Padre Antônio Vieira no seu Sermão do Nascimento da Mãe de Deus: «Perguntai aos cegos para que nasce esta celestial Menina, dir-vos-ão que nasce para Senhora da Luz [...]»), e tornou-se particularmente cultuada em Portugal a partir do início do Século XV; segundo a tradição, deve-se a um português, Pedro Martins, muito devoto de Nossa Senhora, que descobriu uma imagem da Mãe de Deus por entre uma estranha luz, no sítio de Carnide, no termo de Lisboa. Aí se fundou de imediato um convento e igreja a ela dedicada, que conheceu grande incremento devido à ação mecenática (de mecenas)da Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I e sua terceira esposa, D. Leonor de Áustria.
A partir daí, a devoção à Senhora da Luz cresceu, e com a expansão do Império Português, também se dilatou pelas regiões colonizadas, com especial destaque para o Brasil, onde é a santa padroeira da cidade de Curitiba, capital do Paraná (veja-se a lenda de Nossa Senhora da Luz), Guarabira - PB, Pinheiro Machado - RS, Itu - SP, ou ainda Corumbá - MS. Em Juazeiro do Norte, no Ceará, ocorre todos os anos uma grande romaria em sua homenagem.

1. Nuestra Señora de la Candelaria (em Espanhol).
2. La devoción canaria a la Virgen de Candelaria en la Venezuela colonial (em Espanhol).

Fontes:
http://www.enciclopedia.com.pt/images/Nossa%20senhora%20candeias.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nossa_Senhora_da_Luz
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Virgem_do_Carvoeiro.jpg
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Candelaria_BW_2.JPG

Beata Ana Michelotti, Religiosa, Fundadora (+1887), 1º de Fevereiro


A beata Ana Michelotti ficou mais conhecida com o nome de Irmã Joana Francisca da Visitação, fundadora das pequenas Servas do Sagrado Coração de Jesus para os doentes pobres. Nasceu em Annecy (Alta Sabóia, França), em 29 de agosto de 1843. 
Ainda menina, conheceu o sofrimento por causa de uma doença e também a pobreza por causa da morte prematura do pai. O tio, Padre Jaime Michelotti, e o pároco encaminharam-na para a vida religiosa. Entrou para as aspirantes das Irmãs de São Carlos, voltadas para a instrução e educação da juventude. Mas o seu ideal desde a infância foi o da assistência aos pobres em domicílio. Por isso, estabeleceu-se em Lyon, onde, em 1869, com Catarina Dufaut, se entregou ao cuidado dos doentes em domicílio com o nome de Pequenas Servas. Um grupo de leigos de Lyon quis dar mais estabilidade ao grupo, atendendo em domicílio também os não crentes e as pessoas que estavam longe de Deus, sem nenhuma aparência de religiosas. 
Surgiram dificuldades. A guerra franco-prussiana de 1870 afastou a irmã Joana de Lyon. Em 1871 foi para Turim e em 1874, com duas companheiras, deu início ao seu instituto, com a permissão do arcebispo de Turim. Não obstante as dificuldades, a obra firmou-se e expandiu-se com a abertura de mais duas casas. Em 1887, Irmã Joana afastou-se da direção da sua obra por motivos de saúde e veio a morrer no ano seguinte, no dia 1º de Fevereiro. Foi beatificada em 1975.

Fontes:
http://fe-razao-conversao.blogspot.com/