quarta-feira, 17 de março de 2010

Santo Eduardo, Rei de Inglaterra, Mártir (+978), 18 de Março

Eduardo, o Mártir (cerca 962  18 de Março de 978) foi Rei da Inglaterra entre 975 e 978, sucedendo seu pai, o rei Edgar. Seu reinado começou quando curiosamente um cometa passou perto da Terra. De acordo com um amigo astrólogo, este era um sinal de que Deus aprovava sua coroação.


Primeiros anos
Não se sabe sua data de nascimento, mas sabe-se que quando seu pai morreu era jovem. De seus 3 irmãos Eduardo era o mais velho. Era filho de Edgar, mas não era filho da esposa de seu pai. Diz-se que sua mãe era filha de um militar no norte da Inglaterra, outros ainda dizem que era um freira que vivia nos arredores da Cornualha.

Questão religiosa
Seu reinado foi curto, de 975 a 978, e não houve mudanças consideráveis durante seu governo. Seu pai tinha brigado com a Igreja, fechando inúmeros monastérios beneditinos. O paganismo crescia lentamente no norte da Inglaterra. Como forma de fazer as pazes com a Igreja, o rei implantou igrejas no norte e reconstruiu alguns monastérios.


O país
A Europa recomeçava a traçar as antigas rotas comerciais, alguns reinos europeus já idealizavam as grandes feiras. A Inglaterra participava do mesmo plano começando a instituir, mesmo que fracamente, o comércio criando os primeiros bancos. Já a população ia começando a sair do campo e rumando para pequenas aldeias que logo se tornariam cidades, mas esta população enfrentava a miséria. No nordeste inglês as enchentes abalavam as colheitas, no leste os ventos fortes destruíam casas e mais casas. Foi um momento em que a nobreza e o clero estavam apavorados. Neste tempo a explicação dada era que a Inglaterra estava sendo punida pelos pecados de seus habitantes, o que levou multidões a paróquias.

 
Castelo de Cofrer, Cornwall

A morte do rei
Há muitas hipóteses sobre seu assassinato, mas está registrado que o rei foi morto no Castelo de Cofrer em 978. Santo Eduardo, o Mártir foi canonizado em 1001.

Fontes: 

terça-feira, 16 de março de 2010

São José de Arimatéia, Discípulo de Cristo (Século I), 17 de Março

As Igrejas do Oriente celebram a memória deste membro do Sinédrio, discípulo de Jesus, que teve autorização para retirar o Corpo de Jesus da Cruz e enterrá-lo num túmulo novo, num jardim de sua propriedade.
Segundo uma lenda difundida no Ocidente, São José de Arimatéia foi para a Gália (França) com Lázaro, Marta e Maria. Depois, teria ido para a Inglaterra levando o Santo Graal, o cálice utilizado por Jesus na Última Ceia e que, no Calvário, teria sido usado para recolher um pouco do Sangue de Cristo.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel



Ver também : São Patrício






Fontes:

Beata Benedita, Religiosa, Clarissa (+1260) / Santo Abraão, Eremita (Séc. V), 16 de Março

Beata Benedita

Também conhecida como Bendita, ela era clarissa no convento de São Damião, tendo por abadessa a fundadora da ordem, Santa Clara. Quando esta morreu, em 1253, foi Benedita quem a sucedeu na direção do convento.
Benedita foi muito venerada. Ela entregou sua alma a Deus em 1260.










Abraão de Clermont 
Santo Abraão foi um monge cristão que viveu no Século V. Nascido nas margens do rio Eufrates, emigrou para o Egito, fugindo da perseguição persa. Em território egípcio, foi aprisionado por ladrões, mas conseguiu "escapar para o Ocidente e se estabeleceu no Auvergne (França), como eremita".
 Mais tarde, assumiu a liderança do Mosteiro de Saint-Cirques, nas proximidades de Clermont. Morreu em 477.









Fontes:

domingo, 14 de março de 2010

Beato Artêmides Zatti, Leigo Salesiano, Enfermeiro (+1951), 15 de Março


Nasceu em Boretto, na Itália, em 1880, e emigrou aos 16 anos com toda a sua família para a Argentina (Baía Blanca). Tendo contraido tuberculose, levaram-no para Viedma para ser tratado. Pediu e obteve a cura por meio de Nossa Senhora Auxiliadora. Foi então que encontrou a sua vocação de salesiano.
Concluído o noviciado e emitidos os votos exerceu, no mesmo hospital, as funções de farmacêutico, enfermeiro, administrador e vice-director. Durante 40 anos, este salesiano leigo foi o pai dos pobres e dos doentes. Visitava-os regularmente, dia e noite, na sua velha bicicleta. 
Foi beatificado em 2002 por João Paulo II.

Ver também: Santa Luiza de Marillac
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/03/santa-luiza-de-marillac-viuva-e.html

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100315&id=12163&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=40346&language=PT&img=&sz=full

sábado, 13 de março de 2010

Beata Josefina Gabriela Bonino, Religiosa, Fundadora (+1906), 14 de Março

Nasceu em Savigliano, no Piemonte, e, sob a proteção da Sagrada Família de Nazaré fundou uma congregação religiosa para educar órfãos e assistir os enfermos pobres.

Educada religiosamente no seu lar, aprende, com as palavras e o exemplo dos pais o amor, o respeito e a generosidade para com os pobres e os necessitados.
Indo morar em Turim, recebe a educação com as Irmãs de São José, progredindo na sua vida espiritual com a oração e os sacramentos. De novo em Savigliano, cuida do seu pai doente até que ele morra e continua as suas práticas de vida cristã.
Aos 18 anos fez voto temporal de castidade; então, com o desejo de desprender-se mais das comodidades familiares, ingressa na Ordem Terceira Carmelita e, pouco depois, na Oedrem Terceira Franciscana. Dedicou-se a colaborar nas obras paroquiais. 
Doente com uma neoplasia na coluna vertebral, submeteu-se a uma dolorosa cirurgia sem que produzisse efeito a anestesia aplicada. A sua cura foi considerada milagrosa, e foi a Lourdes em ação de graças à Santíssima  Virgem. Depois da morte da sua mãe, consagra-se à obra “Colombo” em favor das meninas órfãs de Savignano, trabalho que é criticado pela “gente de bem” da sua terra natal.
Finalmente decide-se a fundar um instituto religioso para a educação das órfãs, para a sua formação escolar e religiosa e para o serviço dos enfermos pobres. Com a idade de 38 anos torna-se Superiora do Instituto, cargo que desempenhará com prudência e sabedoria até a morte.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100314&id=12293&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=51549&language=PT&img=&sz=full

sexta-feira, 12 de março de 2010

Santa Eufrásia, Leiga (+412) / Santa Serafina, Leiga (+1253), 13 de Março


Santa Eufrásia
Eufrásia, cujo nome em grego significa alegria, nasceu no ano 380, na Ásia Menor e cresceu durante o reinado do imperador Teodósio, de quem seus pais eram parentes. Portanto, foi educada para viver na corte, rodeada pelos prazeres e luxos. Mas, nunca se sentiu atraída por nada disso, mesmo porque seus pais também viviam na humildade, apesar da fortuna que possuíam. 
Depois que ela nasceu, filha única, o casal decidiu fazer voto de castidade. Desejavam viver como irmãos, para melhor se dedicarem a Deus. Quanto à jovem, desde pequena fazia jejuns e orações que chegavam a durar alguns dias. Com a morte de seu pai, a sua mãe que começou a ser cortejada, resolveu retirar-se para o Egito. Lá, com sua fortuna, também intensificou a caridade da família, levando com freqüência Eufrásia em suas visitas aos conventos e hospitais que ajudava a manter. 
Numa dessas visitas a um convento, quando Eufrásia tinha apenas sete anos, ela pediu para não voltar para casa. Queria ficar definitivamente ali. Os registros mostram que, apesar da pouca idade, acompanhava as religiosas em todos os seus afazeres com disciplina e pontualidade, que chegavam a impressionar por sua maturidade. O tempo passou, sua mãe faleceu e Eufrásia continuava no convento. 
Vendo-a assim órfã, o imperador, seu parente, procurou-a e ofereceu-lhe a proposta que recebera de um senador, que desejava desposá-la. O que, além de lhe dar estabilidade social, aumentaria consideravelmente sua já enorme fortuna. Contudo Eufrásia recusou, confirmando que desejava continuar na condição de virgem e seguir a vida religiosa. Aliás, não só recusou como pediu ao governante para distribuir todos seus bens entre os pobres. 
Os registros narram inúmeras graças e fatos prodigiosos ocorridos através de Eufrásia. Consta que curou um menino à beira da morte com o sinal da cruz. 
Certo dia, a sua superiora teve uma visão, onde era avisada da morte de Eufrásia e sua futura proclamação como santa. A jovem nada sentia, mas mesmo assim fez questão de receber os sacramentos e como previsto, no dia seguinte, foi acometida de uma febre fortíssima e morreu. Era o ano 412 e Eufrásia foi sepultada no convento que tanto amava. 
O culto a Santa Eufrásia é muito difundido no Oriente e Ocidente, pela singeleza de sua vida e pelas graças que até hoje ocorrem por sua intercessão. Sua festa litúrgica acontece no dia 13 de março, data provável de sua morte.

Santa Serafina
Santa Serafina nasceu em 1238, pertencente a uma nobre família italiana. Era uma menina modesta, pura, piedosa, de grande mortificação, bondosa e caridosa para com todos. Santa Serafina, que amava muito os seus pais e deles recebeu conselhos contra a malícia do mundo, sempre buscou com muito empenho a pureza, a ponto de receber a graça de se consagrar ao Cristo como virgem. 
Com apenas 10 anos, Santa Serafina contraiu uma grave doença que cobriu o seu corpo de chagas incuráveis e dolorosas. Durante a sua enfermidade Santa Serafina escolheu estar sobre uma tábua, a fim de se assemelhar o Cristo e, como São Paulo, completar com os seus sofrimentos o que faltava no Cristo sofredor. Santa Serafina teve momentos muito difíceis na sua vida, porém, devota à Paixão e Morte de Jesus, ofereceu tudo pela conversão dos pecadores até que, em 1253, com 15 anos, entrou na Casa do Pai.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100313&id=12445&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100313&id=10388&fd=0
http://www.aciprensa.com/santoral/images/eufrasia13-3.jpg
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=55612&language=PT&img=&sz=full

quinta-feira, 11 de março de 2010

São Luís Orione, Sacerdote, Fundador (+1940), 12 de Março

O Papa João Paulo II, em 1980, colocou diante dos nossos olhos um grande exemplo de santidade, expressa na caridade: Luís Orione. Este novo santo italiano nasceu em 1872 e bem cedo percebeu o chamamento do Senhor ao sacerdócio. Ao entrar para o Oratório Salesiano, em Turim, recebeu no coração as palavras de São Francisco de Sales, proferidas por São João Bosco: "Um terno amor ao próximo é um dos maiores e mais excelentes dons que a Divina Providência pode conceder aos homens".

Concluiu o ensino secundário, deixou o Oratório Salesiano, voltou para casa e depois entrou no seminário, onde tirou o curso de filosofia, teologia, até chegar ao sacerdócio. O seu lema era: "Renovar tudo em Cristo".
Luis Orione, sensível aos sofrimentos da humanidade, deixou-se guiar pela Divina Providência a fim de aliviar as misérias humanas. Assim sendo, dedicou-se totalmente aos doentes, necessitados e marginalizados da sociedade. Fundou a Congregação da Pequena Obra da Divina Providência, tendo desenvolvido o carisma de cuidar dos órfãos, enfermos, pobres e crianças abandonadas.
Em 1908, Luís Orione socorreu numerosas vítimas do terremoto que abalou a Itália, com o auxílio dos seus filhos espirituais, irmãos e irmãs no mesmo carisma. 
Em 1940, Dom Orione atacado por graves doenças de coração e das vias respiratórias foi enviado e praticamente forçado pelos médicos e confrades a retirar-se para Sanremo. Foi para lá protestando: "Não é entre as palmeiras que eu quero viver e morrer, mas no meio dos pobres que são Jesus Cristo". Três dias depois de ter chegado, ali morreu no dia 12 de Março, sussurrando: "Jesus! Jesus! Estou indo".
São Luís Orione viveu o sermão que o Divino Mestre fez sobre a montanha, pois em toda a sua vida sentiu a força da Providência Divina, que o acolheu, depois de doar-se totalmente, com 68 anos de idade. 
O corpo foi sepultado devotamente na cripta do Santuário da Guarda e encontrado incólume vinte e cinco anos depois, em 1965. No dia 26 de Outubro de 1980, João Paulo II declarou Dom Orione bem-aventurado e em 16 de maio de 2004 foi solenemente canonizado.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100312&id=10385&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=52199&language=FR&img=&sz=full
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=52192&language=PT&img=&sz=full

quarta-feira, 10 de março de 2010

Santo Eulógio, Sacerdote, Mártir (+859), 11 de Março

Eulógio talvez seja a vítima mais célebre da invasão da Espanha pelos árabes vindos da África ao longo dos séculos VIII ao XIII. Entretanto, inicialmente todos os cristãos espanhóis não eram candidatos ao martírio ou à escravidão e os Califas não eram tidos como intolerantes e sanguinários. Ao contrário, a Espanha gozava, sob a dominação dos árabes, longos períodos de paz e de benesses, determinantes para o desenvolvimento de um alto padrão de civilização, diferente do concedido pela dominação dos romanos.

Também na religião,eles pareciam tolerantes. Não combatiam o Cristianismo, mas o mantinham à sombra e abafado, sem força para se difundir, para fazer progressos, para que não entrasse em polêmica com a religião do Estado, ou seja, a muçulmana. Desejavam um Cristianismo adormecido.

Mas os católicos da Espanha não se submeteram aos desejos dos árabes. E não por provocação aos muçulmanos, mas porque a sua fé, vivida com coerência , não podia se apagar pela renúncia e pelo silêncio. Também Eulógio, nascido em Córdoba de uma família da nobreza da cidade, foi um desses cristãos íntegros. 

Ele era sacerdote de Córdoba quando a perseguição aos cristãos começou e já era famoso pela cultura e atuação social audaciosa, ao mesmo tempo em que trabalhava com humildade junto aos pobres e necessitados. Formado na Universidade de Córdoba, muito requisitada na época, ele lecionava numa escola pública e se reciclava visitando dezenas de museus, mosteiros e centros de estudos.

Escrevia muito, como por exemplo os livros: "Memorial" e "Apologia", nos quais fez uma contundente análise da religião muçulmana confrontada com a cristã, pregando a verdade à luz do cristianismo e a liberdade pela fé em Cristo. Essa defesa da fé cristã e dos fiéis ele apregoava na escola pública onde lecionava bem como nos conventos e igrejas que visitava, aprimorando os preceitos do cristianismo aos fiéis e às pessoas que o escutavam, conseguido milhares de conversões.

Por isso, e por assistir aos cristãos presos, os quais amparava na fé, o valoroso padre espanhol irritou as autoridades árabes que, apesar do respeito que tinham por ele, mandaram prende-lo. Baseado no que ocorria nos calabouços, onde eram jogados os cristãos antes da execução da pena de morte, escreveu a "História dos Mártires da Espanha". Uma obra que registrou para a posteridade o martírio de pessoas cujo único crime era manter sua convicção na fé em Cristo.

Depois, libertado graças à influência de familiares e autoridades locais, voltou a atuar com a mesma força. Falecido o bispo de Córdoba, Eulógio foi nomeado para o cargo. Passou então a ser considerado líder da resistência aos muçulmanos e, quando conseguiu converter a filha de um influente chefe árabe, a paciência dos islâmicos chegou ao fim. Eulógio foi novamente processado, preso e, desta vez, condenado à morte.

Sua execução se deu no dia 11 de março de 859. Data que a Igreja manteve para sua festa, já muito antiga para os cristãos espanhóis e os da África do Norte, depois estendida para todos os cristãos, pela tradição de sua veneração.

 


Santo Eulógio... Rogai por nós!

Fontes: 
http://www.prestservi.com.br/diaconoalfredo/santos/e/eulogio.htm
http://www.magnificat.ca/cal/gifs/0311.jpg

terça-feira, 9 de março de 2010

Quarenta Mártires de Sebaste (+320), 10 de Março

Lembramos hoje o testemunho dos quarenta Mártires que deram tão grande testemunho de fé e coragem que Santo Éfrem disse a seu respeito: "Que desculpa poderemos apresentar ao tribunal de Deus, nós, que , livres de perseguição e torturas, deixamos de amar a Deus e trabalhar na salvação de nossas almas?" 
Chegou até nós o testemunho da ousadia destes homens que, no Século IV, foram impelidos pelo imperador Licínio a um juramento de fidelidade para todos os soldados, o qual consistia em sacrificar aos ídolos protetores do Império. Diante da injusta ordem das autoridades, quarenta cristãos pertencentes à guarda do Império recusaram-na, dizendo: "Até ao presente combatemos e vencemos ao serviço de um senhor mortal como nós; agora queremos lutar e vencer sob a bandeira de Cristo, que é o Deus verdadeiro a quem devemos obediência e adoração!" 
Desta forma venceram e ganharam o direito à coroa imperecível, tendo sido torturados até à morte.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100310&id=10377&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=35051&language=PT&img=&sz=full

segunda-feira, 8 de março de 2010

Santa Francisca Romana, Fundadora das Oblatas de São Bento (+1440), 09 de Março

Santidade em todos os estados de vida

Esta santa foi exemplo de donzela católica, esposa, mãe, viúva, religiosa, e um prodígio de graça e santidade. Ainda em vida teve desvendados mistérios de além-túmulo, sendo favorecida por visões do Inferno, Purgatório e Céu, bem como pela presença visível de seu Anjo da Guarda. Recebeu também a proteção de um Arcanjo, e depois de uma Potestade.
*****
Francisca, nascida em 1384 de uma alta família do patriciado romano, recebeu a formação católica da mãe, mas foi dirigida nas vias da santidade pelo Divino Espírito Santo. De pureza virginal, não pensava senão em consagrar-se inteiramente a Deus. Aos 12 anos fez voto de ser religiosa. Mas não era esse o desígnio de Deus, pelo menos naquele momento. E assim, aconselhada pelo diretor espiritual, teve que aceitar o matrimônio, proposto por seu pai, com o jovem Lourenço Ponziani, também de alta estirpe e boa disposição para a virtude.
Apesar de sua pouca idade, a jovem esposa empenhou-se em estudar o gênio do marido, para com ele viver em perfeita harmonia conjugal. E o fez tão bem que, durante os 40 anos que durou seu casamento, jamais houve o menor desentendimento entre esposo e esposa.
Casando-se, Francisca foi morar no palácio do marido. Lá encontrou um tesouro na pessoa de sua cunhada Vanossa, predisposta a segui-la em tudo, na linha da virtude e do bem. As duas passaram a visitar os pobres, assistir os doentes e praticar toda espécie de obras de misericórdia. Para tal, os respectivos maridos, reconhecendo os méritos e alta virtude das esposas, davam-lhes inteira liberdade de ação.
Assim, um dia Roma, estupefata, viu Francisca, a grande dama da aristocracia, arrastando pelas ruas principais da cidade um asno carregado de lenha, e ainda com um feixe sobre a cabeça, que ia distribuindo aos pobres. Também foi vista às portas das igrejas junto aos pobres, mendigando com eles para socorrer os que estavam impossibilitados de fazê-lo. Num ano de muita carestia, Francisca e Vanossa foram de porta em porta pedir esmolas para os pobres. Muitos se escandalizavam em ver duas matronas da aristocracia praticando tão modesta tarefa. Outros, pelo contrário, edificavam-se com tanta humildade e juntavam-se a elas.
Através do exemplo de Francisca, diversas mulheres receberam a graça da conversão; porém, a algumas que não quiseram fazer penitência e emendar-se, empenhou-se para que fossem expulsas de Roma ou de asilos a que se tinham retirado, para que não pervertessem outras.

Formando os filhos para o Céu

Crendo que os filhos são dados para “preencher os tronos vazios no Céu pela queda dos demônios”, Francisca os pediu a Deus. E teve três. Ao primeiro deu como patrono São João Batista, ao segundo São João Evangelista, e à terceira, uma menina, Santa Inês.
Cuidando ela mesma de sua educação, preparou-os antes para a vida que não tem fim. Assim João Evangelista, que viveu apenas nove anos, progrediu tanto na virtude, que chegou a ter o dom da profecia. No momento da morte, viu São João e Santo Onofre que vinham buscá-lo.
Tempos depois de morrer, apareceu à mãe todo resplandecente de glória, acompanhado por um jovem ainda mais brilhante, dizendo-lhe que, da parte de Deus, viria logo buscar sua irmãzinha Inês, então com cinco anos. E que Deus dava à mãe, para ajudá-la nas vicissitudes da vida, além de seu Anjo da Guarda, um Arcanjo para a proteger e iluminar no caminho da virtude.
Francisca passou a ter a presença radiante desse Arcanjo noite e dia, de modo tal que não precisava da luz material para seus afazeres, pois a do espírito celeste lhe bastava.

Estado de continência na vida conjugal

Como Santa Francisca viveu na tumultuada época em que Roma estava dividida em dois partidos - o dos Orsini, que lutavam em favor do Papa, e em cujo serviço Lourenço tinha alto cargo, e o dos Colonas, que apoiavam Ladislau de Nápoles-, teve muito que sofrer. Seu marido foi gravemente ferido em uma das batalhas e levado como prisioneiro, e seu filho como refém; teve também a casa saqueada, sendo despojada de seus bens. Como um novo Jó, apenas repetia: "Deus me deu, Deus me tirou, bendito seja Ele". Mais tarde, como o patriarca, teve seus familiares e bens restituídos.
Quando Lourenço foi gravemente ferido, Francisca tratou-o com todo amor e carinho. E aproveitou, quando este se restabeleceu, para persuadi-lo a viverem dali para a frente em perfeita continência. Ele acedeu contanto que ela não o abandonasse e continuasse dirigindo sua casa. Feliz, Francisca vendeu suas jóias e ricos vestidos, deu o dinheiro aos pobres e passou a andar com uma grosseira túnica sobre áspero cilício. Começou a tomar uma só refeição por dia, e ainda assim consistindo apenas em legumes insípidos. Aumentou as disciplinas e passou a dedicar mais tempo à oração.

Elaboração da Regra de sua Ordem: orientação de Apóstolos e grandes santos

Francisca via o perigo que corriam muitas damas de Roma entregues às frivolidades e futilidades de uma sociedade decadente, na qual já se podiam perceber os indícios do Renascimento. Por isso orava e chorava diante de Deus, pedindo remédio para isso. Ouviu então uma voz que lhe dizia: "Vai, trabalha, reúne-as, infunde teu espírito e o espírito de Bento, o patriarca, espírito de paz, de oração e de trabalho" [1]. A serva de Deus começou então a reunir viúvas e donzelas dispostas a viver no estado de perfeição. No princípio, formou só uma associação de mulheres piedosas dedicadas ao culto da Mãe de Deus e ao trabalho da própria santificação. Mas depois, por inspiração de Deus, surgiram as "Oblatas de São Bento". São Pedro, São Paulo, São Bento e Santa Maria Madalena apareceram-lhe diversas vezes, instruindo-a sobre os pontos da regra. "Ela a levou depois a uma tal perfeição, que se pode dizer que nela deixou a idéia mais perfeita da vida religiosa" [2].
Quando faleceu seu marido, Francisca encaminhou o futuro do filho que lhe restava, deixando-lhe toda sua herança, e pediu admissão na congregação que fundara. Por obediência a seu confessor, aceitou o cargo de superiora. E Deus bendisse seu sacrifício dando-lhe por companheiro mais um Anjo do coro das Potestades, cuja glória era muito mais esplendorosa ainda que a do Arcanjo. Era também muito maior seu poder contra os demônios, pois com um só olhar os afugentava [3].

Vítimas de violentos ataques

Se é verdade que a santa vivia em contínua união com os anjos, não é menos verdade que também o espírito infernal não lhe dava trégua, agredindo-a muitas vezes, até fisicamente. Assim, uma vez estava ela de joelhos junto a uma religiosa doente, quando o demônio a agarrou com fúria e a arrastou pelo quarto até a porta. Outra noite, estando ela em oração, tomou-a pelos cabelos e levou-a a um terraço, deixando-a pendurada sobre a via pública. Encomendou-se Francisca a Deus, e logo viu-se em sua cela.
Numa outra ocasião, Santa Francisca acendia uma vela benta. O espírito infernal pegou a vela, atirou-a ao solo e cuspiu em cima. A santa lhe perguntou por que profanava uma coisa santa. Ele respondeu: "Porque as bênçãos da Igreja me desagradam sobremaneira".

Impressionantes visões do Inferno, Purgatório e Céu

Santa Francisca foi favorecida com muitas visões sobre a vida do além, tendo sido levada em espírito por seu Anjo ao Inferno, ao Purgatório e ao Paraíso celeste. Depois de testemunhar os horrores do Inferno, foi levada ao Purgatório. Sobre este lugar de expiação, diz ela: "Nele não reina nem o horror, nem a desordem, nem o desespero, nem as trevas eternas [do inferno]; lá a esperança divina difunde sua luz. " E lhe foi dito que esse lugar de purificação era também chamado de “pousada de esperança”. Ela viu ali almas que sofriam cruelmente, mas anjos as visitavam e as assistiam em seus sofrimentos [4].
Foi levada ao Paraíso celeste, onde compreendeu algo da essência de Deus.
A Paixão de Cristo era sua meditação ordinária, sendo que, algumas vezes, sentia fisicamente as dores padecidas por Cristo. Era grande devota da Sagrada Eucaristia, sobre a qual fazia longas meditações diante do Sacrário. Na véspera de Natal de 1433, Francisca teve a graça de receber (espiritualmente) em seus braços o Divino Menino Jesus.

Falecimento e elogio ímpar de Doutor da Igreja

Em 9 de março de 1440, conforme havia predito, a Santa entregou a alma a Deus. Contava 56 anos de idade, dos quais havia passado doze na casa paterna, quarenta no estado de matrimônio e quatro como religiosa.
Roma chorou e exaltou aquela ilustre filha. Milagres começaram a operar-se em seu túmulo.
"Quando, em 1606, estava em andamento o processo de canonização de Francisca, o Cardeal São Roberto Belarmino, Doutor da Igreja, juntou ao seu voto favorável uma declaração que consistiu num elevado elogio da extraordinária Santa. Afirmou que, tendo ela vivido primeiro em virgindade, depois, uma série de anos, em casto matrimônio, tendo suportado os incômodos da viuvez, e tendo seguido finalmente a vida de perfeição no claustro, merecia tanto mais as honras dos altares quanto mais podia ser apresentada como modelo de virtude a todas as idades e todos os estados" [5].

Plínio Maria Solimeo

[1] Fr. Justo Pérez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madrid, 1945, tomo I, p.454.
[2] Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, d'après le Père Giry, Paris, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, 1882, tomo III, p. 314
[3] Edelvives, El Santo de Cada Día, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoza, 1947, tomo II, p. 98.
[4] Pe. F. X. Shouppe, S.J., Purgatory _ Explained by the Lives and Legends of the Saints, TAN Books and Publishers, Inc., Rockford, Illinois, USA, 1973, p. 11.
[5] Pe. José Leite, S.J., Santos de Cada Dia, Editorial Apostolado da Oração, Braga.

Fontes:
http://alexandrinabalasar.free.fr/francisca_romana.htm
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=48197&language=PT&img=&sz=full

domingo, 7 de março de 2010

São João d' Ávila, Sacerdote, Apóstolo da Andaluzia (+1569), 7 de Março

Santo espanhol nascido em Almodóvar del Campo, próximo de Toledo. De espírito reformista, foi um do maior pregadores do seu tempo, tornando-se conselheiro de bispos e nobres, diretor de almas, coluna da Igreja. Foi um defensores da Contra-Reforma católica no século XVI. Foi  pai espiritual de um grande número de santos na Espanha de sua época.
Descente de uma família de judeus convertidos e de boas posses, era filho único de Alonso de Ávila e Catarina Xixón. Aos 14 anos, entrou para a famosa Universidade de Salamanca para estudar Direito. Porém seu apego à fé em Jesus Cristo pesou mais fortemente e abandonou os estudos, voltando para casa.
Depois de três anos de profunda dedicação à religiosidade, dirigiu-se à famosa Universidade de Alcalá com o objetivo de seguir o sacerdócio. Lá estudou filosofia e teologia. Foi discípulo do renomado Domingos de Soto. Foi ordenado sacerdote. 
Com a morte dos pais, vendeu sua grande fortuna em heranças, distribuiu o valor aos necessitados e passou a viver de esmolas. Dirigiu-se a Sevilha com o intuito de embarcar para as Índias, mas foi persuadido a permanecer na Espanha, onde deu início à sua brilhante carreira apostólica, que o tornaria conhecido como o grande Apóstolo da Andaluzia.
Autor e diretor espiritual cuja liderança religiosa a Espanha durante o século XVI, morreu em Montilla, de problemas renais.

Fontes:
www.dec.ufcg.edu.br
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100308&id=11339&fd=0
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sábado, 6 de março de 2010

São Pedro Sukeyiro, Terceiro Franciscano, Mártir (+1597), 07 de Março


Pedro Sukeyiro havia se tornado cristão e franciscano secular em Meaco, com os missionários franciscanos, aos quais tinha prestado toda a colaboração na qualidade de catequista para a instrução e formação dos neófitos, na assistência aos enfermos nos hospitais da missão e na educação dos meninos das diversas escolas.
Quando, em 1596, desencadeou-se a perseguição de Hideyoshi que, como furacão, se abateu sobre homens e instituições, tudo destruindo, os missionários e os terciários japoneses de Meaco e Osaka foram aprisionados e levados a Nagasaki, a fim de serem crucificados. 
Durante a viagem Pedro Sukeyiro e Francisco Fahelante, dois cristãos originários de Meaco, a quem os missionários tinham como colaboradores inscritos na Ordem Terceira de São Francisco, quiseram acompanhar os prisioneiros para servi-los e apoiá-los, ajudando-os nas dificuldades do caminho.
Ocupados com esse serviço voluntário, fizeram-no tão perfeitamente, que impressionaram um dos guardas, que exclamou: "Os cristãos são realmente valentes, unidos entre si com laços de verdadeira caridade e fraternidade." 
Em vista de sua persistência neste serviço, também a eles foi decretada a ordem de captura. E dessa maneira foram associados aos outros prisioneiros e martirizados com eles. Na manhã de 5 de fevereiro de 1597 os santos mártires chegaram a Nagasaki. 
Escolheu-se como lugar de suplício uma parte plana de uma colina próxima do mar, que se parece muito com o Calvário, tanto na forma como nas sendas tortuosas por onde se chega a ela e de onde se pode ver a cidade.
O governador tinha feito levantar 26 cruzes: as seis do meio para os franciscanos e as outras para os japoneses. Daquele dia em diante o local passou a ser chamado "Monte dos Mártires" ou "Colina Santa", pelo sangue de cristãos derramado por quase meio século.
Nas primeiras horas da noite Fazamburo tinha publicado um edito no qual anunciava a execução dos mártires e se proibia a todos, sob pena de morte sair da cidade para acompanhar os condenados.  Nas portas da cidade foram colocados soldados com a ordem de não deixar passar ninguém. Precauções inúteis! 
Quando se soube que os condenados estavam chegando, todos, cristãos e pagãos, precipitaram-se até as portas da cidade e como torrente envolveram os guardas, precipitando-se para os mártires, a fim de acompanhá-los ao local do suplício.
Pedro Sukeyiro e os demais companheiros, na manhã de 5 de fevereiro de 1597, como invictos heróis, cantando, sofreram o martírio da crucifixão.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100307&id=12287&fd=0
http://www.asianews.it/files/img/giappone_-_martiri_(250_x_157).jpg