sábado, 17 de abril de 2010

Beata Sabina Petrilli, Religiosa (+1923) / Santa Maria da Encarnação (Madame Acarie), Mãe de Família (+1618), 18 de Abril

Beata Sabina Petrilli
  

Nasceu em Siena em 29 de agosto de 1851, segunda filha de Celso e Matilde Venturini. Aos 15 anos se inscreveu na Congregação das Filhas de Maria e é rapidamente eleita presidente. Dentro de um ano fez o seu primeiro voto de virgindade. Em 1869 é recebida pelo Papa Pio IX que a exorta a seguir a norma de Santa Catarina de Siena. Em 15 de agosto de 1873 na capelinha da casa, junto com outras cinco companheiras, ela profere os votos de pobreza, obediência e castidade, na presença do confessor e com a aprovação do Monsenhor Enrico Bindi ,que concede a primeira licença para iniciar uma obra em beneficio dos pobres.   
A nova família religiosa recebe o nome de Congregação das Irmãs dos Pobres de Santa Catarina de Siena. Em 1881 Madre Sabina inicia a fundação do Convento em Viterbo e em 1903 a primeira missão em Belém, no Brasil. A Constituição da Congregação, já enviada ao pontífice, é aprovada em 17 de junho de 1906.
Sucessivamente Madre Sabina toma o voto de “não negar voluntariamente ao Senhor”, o voto de “perfeita obediência” e ao  Diretor Espiritual o voto de “não lamentar-se deliberadamente de nenhum sofrimento externo e interno”e o voto de “completo abandono à vontade do Senhor”.
Savina Petrilli faleceu às 17:20 do dia 18 de abril de 1923.
Com 25 casas na Itália, a Congregação opera no Brasil, Argentina, Estados Unidos, Filipinas e Paraguai. O carisma transmitido pela Madre Sabina e a sua vontade de viver radicalmente para o sacerdócio de Cristo na adoração total e na total dependência da vontade do Senhor, faz como centro de sua via a Eucaristia, continuar a missão de Cristo, o serviço da evangelização, promover a fraternidade e  ajudar o próximo, em  especial aos pobres. Pela visão de  Madre Sabina, a pobreza é um Sacramento de Cristo e pode ser considerado com mistério da fé tal qual a Eucaristia.
Assim a Congregação está sempre a serviço da pobreza e de todos  que sofrem e são  oprimidos.
O Papa João Paulo II a proclamou Beata  na Praça de São Pedro, em 24 de abril de 1988.

Fontes:
http://www.cademeusanto.com.br/beata_savina_petrilli.htm


Santa Maria da Encarnação (Madame Acarie)

Era uma mãe de seis filhos, que alcançou a graça de levar para o seu país três novas comunidades religiosas, chegando a ter três filhas religiosas e um filho sacerdote, além de dois filhos muito católicos e bons pais de família. Maria da Encarnação Acarie nasceu em Paris no ano de 1565, de família nobre. Seu marido, Pedro Acarie, um jovem advogado que ocupava um alto posto no Ministério da Fazenda, era muito piedoso e caridoso. Ajudava com grande generosidade os católicos que precisavam fugir da Inglaterra devido à perseguição da Rainha Elisabeth.
Monsieur Acarie pertencia à Liga Católica, partido que foi derrotado por Henrique IV, rei de França, que baniu os líderes da Liga, confiscando-lhes todos os seus bens. De uma hora para outra, Madame Acarie viu-se sem o marido e sem seus bens, com seis filhos pequenos para sustentar. Mas ela não era uma mulher fraca. Não se deixava derrotar pelas dificuldades. Chegou mesmo a conquistar a admiração do mesmo rei Henrique IV. Desde os primeiros anos de seu casamento, Maria da Encarnação decidiu levar uma vida de muita piedade em seu lar. Aos empregados, fazia rezar determinadas orações pela manhã e à noite. Sempre lhes oferecia toda sorte de ajuda material, e cuidava para que cada um cumprisse bem seus deveres para com Deus.
Madame Acarie reunia-se com algumas empregadas suas para rezarem juntas, corrigirem-se mutuamente, ler livros piedosos e ajudarem-se em tudo que dissesse respeito à vida espiritual. A bondade de seu coração alcançava todos: alimentava os famintos, visitava os enfermos, ajudava aos que passavam por situações econômicas difíceis, assistia aos agonizantes, instruía os que não conheciam bem o Catecismo, evangelizava os hereges e aos que haviam passado para outras religiões, e ajudava todas as comunidades religiosas, conforme lhe era possível. Após a morte de seu marido, ela pôde se dedicar exclusivamente aos serviços religiosos.
Um dia, enquanto orava após ter lido algumas páginas da autobiografia de Santa Teresa d’Avilla, Madame Acarie teve uma visão mística desta santa, que lhe diz: “Você precisa se esforçar para que a minha comunidade das carmelitas consiga chegar à França.” Ela, então, foi falar com o Arcebispo, mas quando tudo parecia já estar encaminhado, novamente lhes foi negada a entrada naquele país. Numa nova aparição, Santa Teresa d’Avilla vem recomendar-lhe que não se canse de fazer todos os esforços possíveis para que as religiosas carmelitas possam entrar na França. Por causa dos pedidos insistentes de Madame Acarie, o Padre Bérulle (futuro Cardeal Bérulle) viajou à Espanha, onde conseguiu que se preparasse um grupo de carmelitas para serem enviadas a Paris.
Nossa santa não era dessas pessoas que ficam paradas, de braços cruzados. Sabia que havia chegado a Paris o famoso Bispo São Francisco de Salles, que pregaria uma importante série de sermões. Convidou-o a ir à sua casa. Foi quando este santo apóstolo de Cristo tornou-se seu melhor e maior aliado. São Fancisco de Salles falou com as mais altas personalidades da época e ajudou Madame Acarie a conseguir a permissão de que as carmelitas necessitavam. O Papa Clemente VIII firmou um decreto permitindo a entrada das Irmãs na França. Uma importante conquista! Em 1604, chegaram a Paris as primeiras Irmãs Carmelitas. À frente do grupo estava duas religiosas que, mais tarde, se tornariam beatas: Irmã Ana de Jesus e a Madre Ana de São Bartolomeu. Pouco depois, as três filhas de Madame Acarie tornaram-se monjas carmelitas, sendo logo seguidas pela mãe.
A comunidade das carmelitas estava destinada a fazer um bem enorme à França, durante muitos séculos, e a gerar Irmãs que se tornariam santas muito conhecidas, como por exemplo Santa Teresa do Menino Jesus (Teresa de Lisieux). Maria da Encarnação Acarie, mãe de seis filhos (três religiosas, um sacerdote e dois casados), viúva, dama da alta sociedade, tornara-se uma humilde monja num convento onde uma de suas filhas era a Madre Superiora. Os últimos anos da Irmã Maria da Encarnação (nome que adotou na comunidade) foram de uma profunda vida mística, com freqüentes êxtases. Em abril de 1618, caiu gravemente doente, ficando semi-paralisada. Não se cansava de bendizer a Deus por todas as misericórdias que lhe havia concedido ao longo de sua vida. Em 16 de abril daquele ano, teve um êxtase e, quando terminou, uma monja lhe perguntou: “Irmã, o que fazia durante esse tempo ?” Ela respondeu: “Estava falando com meu Bom Pai, Deus.” Deu um leve sorriso e morreu.

Oremos
Senhor Deus, Todo-Poderoso, que concedeste à Beata Maria da Encarnação o dom de imitar fielmente o Cristo pobre e humilde, concede-nos também, pela intercessão desta santa, a graça de que, vivendo fielmente nossa vocação, caminhemos rumo à perfeição que Tu nos propões na pessoa de Teu Filho. Que vive e reina Contigo. Amém.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Fontes:

Beata Maria Ana de Jesus Navarro de Guevara, Religiosa (+1624), 17 de Abril


Nasceu em Madrid, e muito jovem sentiu-se chamada à vida religiosa, mas foi impedida pelos pais. Finalmente, ingressou na Ordem Mercedária.

Ver também: Beata Catarina Tekakwitha

Fontes:

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Santa Bernadette Soubirous, Religiosa, Vidente de Lourdes (1879), 16 de Abril

Marie-Bernard Soubirous ou Maria Bernada Sobeirons em occitano (Lourdes, 7 de Janeiro de 1844 – Nevers, 16 de Abril de 1879) foi uma religiosa francesa canonizada pela Igreja Católica.

Filha de um pobre moleiro chamado Francisco Soubirous e de Luísa Castèrot, Bernadette foi a primeira de nove filhos. Na sua infância trabalhou como pastora e criada doméstica. O pai esteve preso sob a acusação de furto de farinha, contudo foi absolvido.
Durante os dez primeiros anos viveu no moinho de Boly (onde nasceu). Depois, passando por graves dificuldades financeiras, a família muda-se para Lourdes onde vive em condições de miséria, morando no prédio da antiga cadeia municipal que fora abandonado pouco tempo antes. Apesar de parecer insalubre, moravam no andar superior do edifício, o do primo de Francisco Soubirous, pai de Bernadette, junto à sua mulher e seus filhos. Era um buraco infecto e sombrio, a divisão inabitável da antiga prisão abandonada por causa da insalubridade.
Desde pequena, Bernadete teve a saúde debilitada devido à extrema pobreza de sua habitação. Nos primeiros anos de vida foi acometida pela cólera, o que a deixou extremamente enfraquecida. Em seguida, por causa também do clima frio no inverno, adquiriu aos dez anos uma asma. Tinha dificuldades de aprendizagem e na catequese, o que fez com que a sua primeira comunhão fosse atrasada. Não pôde freqüentar a escola e até os quatorze anos mantém-se estritamente analfabeta.
Em Lourdes, uma cidade com população em torno de quatro mil habitantes, no dia 11 de fevereiro de 1858, Bernadete disse ter visto uma aparição de Nosssa Senhora numa gruta denominada "Massabielle"(Massavièlha”, em Occitano), o que significa, no dialeto local, "pedra velha" ou "rocha velha", junto à margem do Rio Gave, aparição que de outra vez se lhe apresentou como sendo a "Imaculada Conceição", segundo o seu relato.
Enquanto o assunto era submetido ao exame da hierarquia eclesiástica que se comportava com cética prudência, curas cientificamente inexplicáveis foram verificadas na gruta de "Massabielle". Em 25 de fevereiro de 1858, na presença de uma multidão, por ocasião de uma das suas visões, surgiu sob as mãos de Bernadete uma fonte que jorra água até os dias de hoje no volume de cinco mil litros por dia.
De acordo com o pároco da cidade, padre Dominique, que bem a conhecia, era impossível que Bernadete soubesse ou pudesse ter o conhecimento do que significava o dogma da "Imaculada Conceição", então recentemente promulgado pelo Papa. Afirmou ter tido dezoito visões da Virgem Maria no mesmo local entre 11 de fevereiro e 16 de julho de 1858.
Afirmou e defendeu a autenticidade das aparições com um denodo e uma firmeza incomuns para uma adolescente da sua idade com o seu temperamento humilde e obediente, nível de instrução e nível sócio-econômico, contra a opinião geral de todos na localidade: sua família, o clero e autoridades públicas. Pelas autoridades civis foi submetida a métodos de interrogatórios, constrangimentos e intimidações que seriam inadmissíveis nos dias de hoje. Não obstante, nunca vacilou em afirmar com toda a convicção a autenticidade das aparições, o que fez até a sua morte.
Para fugir à curiosidade geral, Bernadete refugiou-se como "pensionista indigente" no hospítal das Irmãs da Caridade de Nevers em Lourdes (1860). Ali recebe instrução e, em 1861, faz de próprio punho o primeiro relato escrito das aparições. No dia 18 de janeiro de 1862, Monsenhor Bertrand Sévère Laurence, Bispo de Tarbes, reconhece pública e oficialmente a realidade do fato das aparições.
Em julho de 1866 Bernadette inicia o seu noviciado no convento de Saint-Gildard e, em 30 de outubro de 1867, faz a profissão de religiosa da Congregação das Irmãs da Caridade de Nevers. Dedicou-se à enfermagem até ser imobilizada, em 1878, pela doença que lhe causou a morte.

Ver também: São Bento José Labre

Fontes:

quarta-feira, 14 de abril de 2010

São Paterno de Vannes, Bispo (+Século V), 15 de Abril



Conhecido também como Paterno o Ancião, para distingui-lo daquele de Coutances, na Normandia. Sabe-se pouca coisa sobre São Paterno de Vannes, mas o criativo autor do amável romance hagiográfico conhecido como “Vita Paterni” conseguiu preencher bem essas lacunas.
Este bretão de Armorique emigrou pra a Bretanha Insular (atual País de Gales), fazendo um movimento contrário ao que habitualmente os bretões daquela época faziam. Fundou, no condado de Cardigan, um mosteiro que se chamaria "Lhan-Paderne-Vaur"“Igreja do Grande Paterno”.
Conta-se que ele construiu outros mosteiros no País de Gales e promoveu a conversão dos reis da Irlanda. Durante uma peregrinação à Terra Santa, ele recebeu a consagração episcopal em Jerusalém. De volta a Armorique, o rei Caradoc confiou-lhe a diocese de Vannes.
O recém-chegado tornou-se amigo de seu vizinho, São Samson, bispo de Dol. Difamado por falsos Irmãos, ele se retira, antecipando sua aposentadoria.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: São Damião de Veuster

Fontes:

São Pedro Gonzales Telmo, Confessor (+1246), 14 de Abril


Pedro Gonzalez Telmo nasceu perto de Valência (Espanha) em 1190. Era de família abastada e gostava do luxo e do prazer. Um dia, o cavalo em que passeava empinou-se e Pedro foi cair numa poça de lodo. Perante a troça de todos, decidiu abandonar tudo e fechar-se na sua raiva. Mas encontrou Deus através de uma congregação de dominicanos, onde foi acolhido, transformando-se num frade concentrado e austero.

Acompanhou Fernando III na conquista de Córdoba. Mais tarde, recolheu ao convento de Compostela, donde irradiou em obras de caridade e de evangelização. Foi também frade em Amarante, antes de acabar os seus dias em paz, no convento de Tui.
Um milagre que teria operado, ainda em vida, na vila galega de Baiona, está na origem da grande devoção que lhe tiveram e têm os marinheiros portugueses. Por ele clamam (São Telmo! São Telmo!) em noite de tormenta e dizem que o santo vem, com o seu próprio corpo (o "Corpo Santo") defendê-los do mal.

Fontes:

segunda-feira, 12 de abril de 2010

São Sabás Reyes Salazar, Presbítero, Mártir (+1927), 13 de Abril

Nasceu em Cocula, Jal (Arquidiocese de Guadalajara), em 5 de dezembro de 1883. Foi Vigário de Tototlán, Jal (Diocese de San Juan de los Lagos). Simples e fervoroso, tinha uma especial devoção à Santíssima Trindade. Também invocava freqüentemente as almas do purgatório.Procurou incentivar muito a formação das crianças, tanto na catequese como no ensino das ciências, ofícios e artes, principalmente na música. 
Realizado e abnegado em seu ministério, Padre Sabás exigia muito respeito em tudo o que se referia ao culto, e gostava que se cumprisse imediatamente qualquer dever. Quando o aconselhavam a sair de Tototlán, devido ao perigo que os sacerdotes corriam, respondia: "Puseram-me aqui e aqui espero, para ver o que Deus deseja". 
Durante a Semana Santa de 1927, as tropas federais e os camponeses chegaram, procurando o Pároco Francisco Vizcarra e seus auxiliares. Encontraram apenas o Padre Reyes e nele concentraram todo o seu ódio. Levaram-no preso, amarraram-no fortemente a uma coluna da igreja paroquial, torturaram-no durante três dias fazendo-o passar fome e sede. Valeram-se de um sadismo indescritível, queimando-lhe as mãos, porque foram consagradas na ordenação. 
Em 13 de abril de 1927, Quarta-feira Santa, o Padre Reyes foi levado para o cemitério. Terminaram de torturá-lo com tiros, mas antes de morrer, o padre mártir ainda conseguiu gritar, mais alma do que com a voz: "Viva Cristo Rei!" 

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: São Martinho I

Fontes:

domingo, 11 de abril de 2010

Santa Teresa de Jesus Fernandez Solar (Santa Teresa de Jesus dos Andes), Religiosa (+1920), 12 de Abril


Teresa dos Andes, tal como ficou conhecida, é a primeira santa que viveu no Século XX a ser canonizada. Nascida em 1900, morre antes de completar os 20 anos, com apenas onze meses de vida religiosa.
Por ocasião da sua canonização, a 21 de Março de 1993, João Paulo II declarou: “A uma sociedade secularizada que vive de costas voltadas para Deus, apresento com viva alegria como modelo de eterna juventude da Igreja esta carmelita chilena. Ela dá-nos o testemunho límpido de uma existência que proclama aos homens e às mulheres de hoje que é no amor, na adoração e serviço a Deus que reside a grandeza e a alegria, a liberdade e plena realização da criatura humana.”
Juana Fernandez Solar, assim era o seu nome de batismo, nasce no dia 13 de Julho de 1900 em Santiago do Chile, no seio de uma família de tradição católica, uma das mais ricas do país, tendo beneficiado de uma infância privilegiada. Tímida e engraçada, é acarinhada por todos. Mas os mimos estragam e torna-se caprichosa. Preguiçosa, rebelde e de caráter orgulhoso, custa-lhe obedecer. Mas nem tudo são defeitos: esforça-se por melhorar o seu feitio enquanto a sua sensibilidade e generosidade aproximam-na dos pobres.
Partilha com os seus irmãos os tempos livres, mas não se coíbe de apreciar e procurar a solidão e o silêncio. Na verdade, Juana, após cada comunhão, entretém-se longamente com Jesus, que ela descobre presente no seu íntimo, ao ponto de exasperar os familiares que aguardam por ela. Mas é com Ele que ela se sente bem. Jesus responde às suas questões, guia-a, ilumina-a. De tudo isso, ela tem a certeza. Jesus é o seu noivo, muito rico e muito belo, pois Ele é o Senhor do universo. Passa horas junto ao sacrário, em oração. É o seu primeiro e único amor da sua vida. Jesus a fará perceber que a quer como carmelita.
Juana cresce. Jovem adolescente, a sua formosura e posição social atraem a atenção de muitos jovens pretendentes. Mas ela apenas se preocupa em assistir os mais necessitados e amparar os da sua casa. É que a sua família, por má gestão, arruína-se. Os pais separam-se, o irmão mais velho, Lucho, seduzido pela modernidade afasta-se de Deus enquanto outro irmão, Miguel, poeta dotado, cai na dependência do álcool. A todos, Juana tenta ajudar, aconselhando uns e procurando curar os ressentimentos de outros. É um ano difícil, gasto em favor dos outros, separada da sua amiga e confidente Rebeca, é na oração que ela encontra força. Confrontada às diversas solicitações que o mundo propõe, abandona-se à vontade de Deus. Já nada a pode separar de Deus. É hora de se consagrar definitivamente a Ele, no carmelo.
Tendo obtido o consentimento do seu pai, transpõe a porta do pequeno convento “Los Andes” no dia 7 de Maio de 1919. Tem dezenove anos.
A separação da família foi, naturalmente, difícil para Juana e os seus. Porém, a nova postulante – agora chamada Teresa de Jesus – não olha para trás. Está à escuta daquilo que Deus espera dela, numa oferta incondicional pela salvação da humanidade.
“Por eles totalmente me entrego, para que também eles fiquem a ser teus inteiramente, por meio da Verdade” (Jo 17, 19). Teresa faz suas estas palavras de Jesus. Nunca, como agora, ela se sentiu tão próxima da sua família, dos seus amigos, de todos. Torna-se a sua advogada junto de Deus, colhendo os frutos da sua doação: a mãe serena, perdoando ao marido, associando-se à Ordem Terceira Carmelita; Lucho recupera a paz e Rebeca far-se-á, também ela, carmelita.
Teresa é uma autêntica torrente de fogo, impetuosidade e fervor no amor que tem por Deus. As religiosas apercebem-se que a jovem caminha a passos largos, adaptando-se à vida da comunidade, aos trabalhos e costumes da Ordem, aceitando tudo com alegria e serenidade, por amor a Jesus: Procuro renunciar a tudo para possuir Aquele que é Tudo”.
A sua solicitude por todos não conhece limites, não fazendo acepção de pessoas, nem olhando a sacrifícios: Sobre a Cruz está o amor, e amando somos felizes.”
Na Sexta-feira Santa de 1920, Teresa arde em febre. Os médicos não dão qualquer esperança. Adormece amorosamente em Deus no dia 12 de Abril do mesmo ano.

Fontes:

sábado, 10 de abril de 2010

Beata Elena Guerra, Religiosa (+1914), 11 de Abril

Elena Guerra nasceu em Lucca (Itália), no dia 23 de Junho de 1835. Viveu e cresceu em um clima familiar profundamente religioso. Durante uma longa enfermidade, se dedica à meditação da Palavra de Deus e ao estudo dos Padres da Igreja, o que determina sua orientação da vida interior e de seu apostolado; primeiro na Associação das Amigas Espirituais, idealizada por ela mesma para promover entre as jovens a amizade em seu sentido cristão, e depois nas Filhas de Maria.

Em Abril de 1870, Elena participa de uma peregrinação pascal em Roma juntamente com seu pai, Antônio. Entre outros momentos marcantes, a visita às Catacumbas dos Mártires confirmam nela o desejo pela vida consagrada. Em 24 de Abril, assiste na Basílica de São Pedro a terceira sessão conciliar do Vaticano I, na qual vinha aprovada a Constituição “Dei Filius” sobre a Fé. A visita ao Papa Pio IX a comove de tal maneira que depois de algumas semanas, já em Lucca, no dia 23 de Junho, faz a oferta de toda a sua vida pelo Papa.
No ano de 1871, depois de uma grande noite escura, seguida de graças místicas particulares, Elena com um grupo de Amigas Espirituais e Filhas de Maria, dá início a uma nova experiência de vida religiosa comunitária, que em 1882 culminará na fundação da Congregação das Irmãs de Santa Zita, dedicada a educação cultural e religiosa da juventude. É neste período que Santa Gemma Galgani se tornará “sua aluna predileta”.
Em 1886, Elena sente o primeiro apelo interior a trabalhar de alguma forma para divulgar a Devoção ao Espírito Santo na Igreja. Para isto, escreve secretamente muitas vezes ao Papa Leão XIII, exortando-o a convidar “os cristãos modernos” a redescobrirem a vida segundo o Espírito; e o Papa, amavelmente solicitado pela mística Luquese, dirige à toda Igreja alguns documentos, que são como uma introdução a vida segundo o Espírito e que podem ser considerados também como o início do “retorno ao Espírito Santo” dos tempos atuais: A breve “Provida Matris Charitate” de 1895; a Encíclica “Divinum Illud Munus” em 1897 e a carta aos bispos “Ad fovendum in christiano populo”, de 1902.
Em Outubro de 1897, Elena é recebida em audiência por Leão XIII, que a encoraja a prosseguir o apostolado pela causa do Espírito Santo e autoriza também a sua Congregação a mudar de nome, para melhor qualificar o carisma próprio na Igreja: Oblatas do Espírito Santo.
Para Elena, a exortação do Papa é uma ordem, e se dedica ainda com maior empenho à causa do Espírito Santo, aprofundando assim, para si e para os outros, o verdadeiro sentido do “retorno ao Espírito Santo”: Será este o mandato da sua Congregação ao mundo.
Elena, em suas meditações com a Palavra de Deus, é profundamente impressionada e comovida por tudo o que acontece no Cenáculo histórico da Igreja Nascente: Ali, Jesus se oferece como vítima a Deus para a salvação dos homens; ali institui o Sacramento de Amor, a Eucaristia; ali, aparece aos seus discípulos depois da ressurreição e ali, enfim, manda de junto do Pai o Espírito Santo sobre a Igreja Nascente.
A Igreja é chamada a realizar os Mistérios do Cenáculo, Mistérios permanentes, e, portanto, o Mistério Pascal: A Igreja é, por isto, prolongamento do Cenáculo, e, analogamente, é ela mesma como um Cenáculo Espiritual Permanente.
É neste Cenáculo do Mistério Pascal, no qual o Senhor Ressuscitado reúne a comunidade sacerdotal real e profética, que também nós, e cada fiél em particular, fomos inseridos pelo Espírito mediante o Batismo e a Crisma, e capacitados a participar da Eucaristia, que é uma assembléia de confirmados, e, portanto, semelhante a primeira comunidade do Cenáculo depois da descida do Espírito Santo. É nesta prospectiva que Elena Guerra concebe e inicia o “Cenáculo Universal” como movimento de oração ao Espírito Santo.
Elena morreu no dia 11 de Abril de 1914, sábado santo, com o grande desejo no coração de ver “os cristãos modernos” tomando consciência da presença e da ação do Espírito Santo em suas vidas, condição indispensável para um verdadeiro “renovamento da face da terra”.
Elevada à honra dos altares em 26 de Abril de 1959, justamente o Papa a definiu “Apóstola do Espírito Santo dos tempos modernos”, assim como Santa Maria Madalena foi a apóstola da Ressurreição e Santa Maria Margarida Alacoque a apóstola do Sagrado Coração.
O carisma profético de Elena é ainda atual, visto que a única necessidade da Igreja e do Mundo é a renovação contínua de um perene e “Novo Pentecostes” que por fim “renove a face da terra”.

Fontes:
http://www.elenaguerra.com

Beato Bonifácio Zukowski, Sacerdote, Mártir (+1942), 10 de Abril

Pedro Zukowski nasceu em 13 de Janeiro de 1913, em Baran Rapa, um vilarejo lituano pertencente ao Império Russo, próximo a Wilno (atualmente Vilnius). Esta região seria integradda à nova Polônia, que se tornou independente após a I Guerra Mundial.
Aos 16 anos, Pedro entrou para a congregação dos Frades Menores Conventuais (Franciscanos) na Cidade da Imaculada (Niepokalanow), fundada por São Maximiliano Maria Kolbe.

Era um imenso convento a cerca de 40 Km de Varsóvia, reunindo diversas construções dedicadas aos diferentes grupos de serviços dos Irmãos que editavam jornais católicos, dentre os quais o Cavaleiro da Imaculada, que atingiu, antes da guerra, 1 milhão de exemplares. Mais de 700 monges trabalhavam e se santificavam pela Virgem Maria.

 
       Basílica da Cidade da Imaculada


Pedro pronunciou seus primeiros votos em 1932, adotando o nome de Bonifácio e, em 1935, fez sua profissão solene. Quando os alemães invadiram o Oeste da Polônia, em Ssetembro de 1939, aprisionando pela primeira vez o Padre Kolbe e outros monges, Irmão Bonifácio conseguiu salvar o material tipográfico. Quando o Padre Kolbe foi libertado, o Cavaleiro da Imaculada pode ser editado ainda uma vez. São Maximiliano Maria Kolbe foi preso em 17 de Fevereiro de 1941 e o Beato Bonifácio Zukowski, em 14 de Outubro do mesmo ano, juntamente com seis outros Irmãos, dos quais o Beato Timóteo Trojanowski.
Na prisão de Varsóvia, Irmão Bonifácio e os outros monges recitavam o santo Rosário, confortando espiritual e humanamente os outros prisioneiros.
Em 8 de Janeiro de 1942, eles foram deportados para o campo de concentração de Auschwitz, onde foram forçados a realizar trabalhos de terraplanagem e de demolição em condições deploráveis. Irmão Bonifácio morreu de pneumonia depois de duas semanas de sofrimentos, em 10 de Abril de 1942. Tinha 29 anos. Foi beatificado em 1999 pelo Papa João Paulo II.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Fontes :

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Santa Maria de Cléofas, Discípula de Jesus (Séc. I), 09 de Abril

Nos grandiosos eventos da Redenção, durante o dramático epílogo sobre o Calvário, um coro silencioso e doloroso de piedosas mulheres aguarda, não muito distante, que tudo seja consumado: “Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas e Maria Madalena”, diz o evangelista são João. Era o grupo daquelas “que o seguiam desde quando estava na Galiléia para servi-lo, e muitas outras que tinham vindo de Jerusalém juntamente com ele.” Entre as espectadoras estava, portanto, a santa de hoje, cuja presença contínua e vigilante ao lado do Salvador mereceu-lhe um lugar especial na devoção dos cristãos, mais do que pelo seu parentesco com Nossa Senhora e São José.
Maria de Cléofas (ou Cléopas) é considerada a mãe dos “irmãos de Jesus”, termo semítico para indicar também os primos, Tiago Menor, Apóstolo e bispo de Jerusalém e José. O historiador palestino Hegésipo, diz que Cléopas era irmão de são José e pai de Judas Tadeu e Simão. Este último sucedeu a seu irmão Tiago Menor na sede episcopal de Jerusalém.
A identificação de Alfeu com Cléopas, sustentada pelos antigos, traz como conseqüência a identificação de Maria de Cléofas como cunhada de Nossa Senhora e mãe de três apóstolos. Cléopas Alfeu é, além disso, um dos discípulos que no dia da ressurreição de Jesus, indo à cidade natal Emaús, foram alcançados e acompanhados pelo próprio Jesus, havendo-o reconhecido “na fração do pão”.
Enquanto o marido se afastava de Jerusalém, com o coração pesado de melancolia e desilusão, a esposa Maria Cléofas, segundo o impulso do seu coração, apressava-se em ir ao túmulo do Redentor para prestar-lhe a extrema homenagem da unção ritual com vários ungüentos. Na sexta-feira à tarde tinha se demorado em companhia de Madalena para ver “onde O haviam colocado”.
Passado o sábado, de manhã bem cedo, enquanto o marido voltava a casa, Maria de Cléofas e as outras companheiras “compraram perfumes e foram até o seu sepulcro para fazer-lhe unções.” Mas: “Não está aqui, ressuscitou!”, anunciou-lhes o mensageiro divino. Coube às piedosas mulheres, que tinham ido ao sepulcro com seus ungüentos e sua dor, o privilégio do testemunho mais empenhado: “Por que procuram o vivo entre os mortos?” Se Cristo não ressuscitou a nossa fé não vale nada e nós seremos mentirosos, dirá são Paulo. Mas Cristo ressuscitou dos mortos, primícias dos que adormeceram e ressurgirão. Essa é a grande alegria que foi dada “aos onze e a todos os outros” pelas mulheres que tinham ido ao sepulcro, e entre elas Maria de Cléofas.

Fontes:

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Beato Domingos do Santíssimo Sacramento Iturrate, Presbítero (+1927), 08 de Abril


Nasceu em Dima, Vizcaya, na Espanha, em 11 de Maio de 1901. Foi uma criança exemplar, um verdadeiro modelo de virtude em sua juventude. Viveu com toda radicalidade a vocação religiosa. Seu lema era: "Farei o ordinário extraordinariamente bem".
 Educado de maneira cristã pelos pais, sentiu-se logo atraído pela vida religiosa e sacerdotal. Ingressou na Ordem da Santíssima Trindade, vivendo com entusiasmo sua espiritualidade. Em 9 de Agosto de 1925, logo depois de ser ordenado sacerdote, adoeceu gravemente de tuberculose. Aceitou a enfermidade, a dor e a morte sem tristeza nem queixa; mais ainda, com amor e grande submissão à vontade de Deus. Morreu em Belmonte, Cuenca, em 7 de Abril de 1927.
Seus restos são venerados na igreja trinitária do "Redentor" (Jesus Nazareno), de Algorta. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 30 de Outubro de 1983.


Fontes:

terça-feira, 6 de abril de 2010

Beato Hermann-Joseph, Religioso *Premonstratense (+ 1230), 07 avril

* Cônegos Brancos, Cônegos de São Norberto ou Norbertinos:

O beato Hermann de Steinfeld, conhecido como Hermann-Joseph devido à sua pureza, nasceu na cidade de Colônia, na Alemanha. Sua infância foi marcante, graças à sua piedade realmente angelical; todos os dias, ele passava longos momentos nas igrejas, diante da imagem da Santíssima Virgem Maria. Com uma ingenuidade cativante, ele confiava a Maria e a Jesus, seu Divino Filho, todos os seus segredinhos, tristezas e desejos. Freqüentemente, ele dizia ao terminar a visita: “Meu querido Jesusinho, eu ficaria mais com Você e Sua Santa Mãe; mas é preciso que eu vá à escola; abençoe-me e pense em mim, esperando minha volta!” Conta-se que, um dia, ele ofereceu uma mação à Santa Virgem, e a estátua estendeu sua mão para recebê-la. Bem pequeno, ele recebia a graça das visões e revelações celestiais, e uma vez ele passou horas a fio numa piedosa conversa com Jesus e Maria.
Desde os doze anos, Hermann se apresentou aos Premonstratenses, que o aceitaram na Ordem. Após terminar seus estudos, ele desempenhou sucessivamente, com regularidade e caridade, as funções de cozinheiro e sacristão.
Graças extraordinárias eram, para Hermann-Joseph, quotidianas: quase sempre ele exalava perfumes celestes; Maria aparecia para ele, colocando o Menino Jesus em seus braços; uma outra vez, Ela lhe disse que estava muito feliz pois haviam dado a ele o nome de Joseph (José), que ele não queria aceitar por humildade. Esta humildade era tão perfeita, que Hermann-Joseph se achava digno de um castigo eterno, se achava um “zero à esquerda”, uma “maçã podre”, um peso inútil sobre a Terra. Só se contentava em usar hábitos usados e sapatos remendados.
Deus lhe enviou cruzes tão terríveis e sofrimentos tão intensos, que Hermann-Joseph tornou-se a imagem viva de Jesus crucificado. Nunca uma queixa saíra de sua boca; ele sofreu tudo com um sorriso no rosto. Ele adicionava a essas cruzes sacrifícios voluntários e terríveis mortificações. Seu hagiógrafo, querendo dar uma idéia da sua caridade, diz que “seu coração era como um hospital geral, onde todos os aflitos e miseráveis encontravam lugar”.

Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Fontes: