quinta-feira, 3 de junho de 2010

Santos Mártires de Uganda (†1885, †1886, †1887), 3 de Junho

 Bouquet espiritual: «Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão.» (Lc 13, 24)

Estes santos habitavam uma região central da África chamada Uganda. Ninguém ali jamais havia pronunciado o Nome de Deus, e o mal reinava através da escravidão, das feitiçarias e do canibalismo. Um dia, dois sacerdotes cristãos, Pe. Lourdel e Pe. Livinhac, lá desembarcaram. Apresentaram-se ao rei Mutesa, que acolheu-os pacificamente e concedeu-lhes o direito de ali permanecerem.
Os devotados missionários faziam-se tudo para todos, prestando-lhes todos os serviços possíveis. Apenas sete meses após o início do catecumenato, eles designaram algumas pessoas que consideravam já preparadas para receberem o batismo. O rei Mutesa se interessava pelo que os sacerdotes pregavam, mas logo suas pregações acenderam a cólera dos feiticeiros locais - por inveja – e dos árabes, que comercializavam os negros escravizados.
Pressentindo a perseguição, os Pes. Lourdel e Livignac batizaram os nativos já preparados e se retiraram para o Sul do Lago Vitória com alguns jovens negros libertos. Como a varíola dizimava a população desta região, os missionários batizaram um grande número de crianças que estavam à beira da morte.
Após três anos de exílio, o rei Mutesa morreu. Seu filho, Mwanga, favorável à nova religião, chamou de volta os “Padres brancos” ao país. Em 12 de julho de 1885, a população ugandesa, que não havia esquecido nenhum dos inúmeros benefícios realizados pelos missionários, acolheu-os triunfalmente. Os nativos, que haviam sido batizados antes de partir, já haviam batizado outros. O apostolado mostrava-se florescente. O ministro do novo rei ofendeu-se com o sucesso dos cristãos, sobretudo de um dos principais chefes, Joseph Mukasa, que combatia sua imoralidade.
Amigo e confidente do rei, superiormente dotado, ele poderia tornar-se o segundo homem em importância do reino, mas sua única ambição era a de cumprir os ensinamentos de Cristo. O ministro persuadiu o jovem rei de que os cristãos queriam tomar o seu trono; os feiticeiros insistiam para que os pretensos conspiradores fossem prontamente punidos com a morte. Mwanga cedeu a essas falsas acusações e mandou queimar Joseph Mukasa em 15 de novembro de 1885.
«Quando tiver matado aquele lá», disse o rei, «todos os outros ficarão com medo e abandonarão a religião dos Padres.» Contrariando essas previsões, as conversões não pararam de se multiplicar. Na noite seguinte ao martírio de Joseph, doze catecúmenos pediram a graça do batismo. Cento e cinco outros catecúmenos foram batizados na semana que se seguiu à morte de Joseph, dentre os quais estavam onze dos futuros mártires.
Em 25 de maio de 1886, seis meses após a terrível morte de Joseph, ao retornar da caça, o rei mandou chamar um de seus pajens chamado Denis, de quatorze anos. Interrogando-o, Mwanga ficou sabendo que ele estudava o catecismo com Muwafu, um jovem batizado. Repleto de raiva, matou o rapaz com sua lança envenenada. Os carrascos concluíram o serviço no dia seguinte pela manhã, 26 de maio, dia em que o déspota declarou oficialmente a perseguição aberta aos cristãos.
No mesmo dia, Mwanga mandou torturar e mutilar o jovem Honorat e prendeu ferros ao pescoço de um neófito chamado Jacques, que outrora havia tentado convertê-lo à fé cristã. Em seguida, mandou reunir os pajens cristãos e mandou que os levassem para que fossem queimados vivos na fogueira de Namugongo. Jacques morreu nessa fogueira, em companhia de outros mártires, em 3 de junho de 1886, festa da Ascensão.
 “Amarraram os jovens entre 18 e 25 anos”, escreveu o Pe. Lourdel; “as crianças eram igualmente amarradas, e tão apertadas umas junto às outras que não podiam caminhar sem se esbarrar. Vi o pequeno Kizito rir desses encontrões como se brincasse com seus companheiros.” Eram ao todo quinze católicos. Três seriam agraciados no último minuto. Conta-se oficialmente vinte e dois mártires católicos canonizados, cujos martírios ocorreram entre os anos de 1885 e 1887.
O grupo de condenados marchava para o lugar do suplício quando encontraram um nativo chamado Pontien. “Você sabe rezar?”, perguntou o carrasco que, diante da resposta afirmativa de Pontien, cortou-lhe a cabeça com a lança. Era o dia 26 de maio de 1886. Ao cair da noite, os mártires foram imobilizados. O filho do carrasco, que se encontrava entre as vítimas, foi conduzido à força para casa. Após uma longa e extenuante caminhada, repleta de maus tratos, os cativos chegaram, em 27 de maio, a Namugongo. Cerca de cem carrascos organizaram os prisioneiros em grupos.
Os cruéis carrascos trabalharam até o dia 3 de junho a fim de juntar toda a madeira necessária para alimentar a fogueira. Os prisioneiros tiveram então que esperar seis longos dias de privações e sofrimentos, noites de frio e insônia, mas também de orações ainda mais ardentes, antes que a morte viesse coroar seu heróico combate. O martelar frenético dos tan-tans que se faziam ouvir durante toda a noite do dia 2 de junho indicava aos mártires, que definhavam amarrados em suas celas, que o imenso braseiro de seu supremo holocausto logo seria aceso.
Charles Lwanga, magnífico atleta de um vigor pouco comum, a quem o rei havia confiado um grupo de pajens – aos quais ele havia ensinado secretamente o catecismo – foi separado de seus companheiros, a fim de ser queimado à parte, de um modo particularmente atroz. O carrasco acendeu a fogueira de modo a queimar somente os pés de sua vítima. “Tu me queimas”, disse Charles, “mas é como se tu derramasses água para me lavar!” Quando as chamas atacaram a região do coração, antes de morrer, Charles murmurou: “Meu Deus! Meu Deus!”
Como o grupo dos mártires avançava para a fogueira, ouviu-se um grito de triunfo: Nwaga, o filho do chefe dos carrascos, conseguira fugir de casa para, também ele, se lançar ao martírio. Saltava de alegria por se encontrar na companhia de seus amigos. Primeiro, bateram-no com um cetro; depois, foi enrolado com os outros em varas de cana para tornarem-se, num instante, presas das chamas.
Após queimar-lhes os pés, eles receberam a promessa de uma libertação imediata se renunciassem à oração. Mas esses heróis não temiam a morte de seus corpos e, diante de sua recusa categórica em cometer apostasia, começaram a acender a fogueira. Sobre o crepitar do braseiro e os clamores dos carrascos sanguinários, a oração dos santos mártires se elevava calma, ardente e serena: “Pai Nosso, que estais nos Céus...” Perceberam que eles estavam mortos quando pararam de orar.
O último dos mártires chamava-se Jean-Marie. Obrigado a se esconder durante um longo tempo, cansado de sua vida errante, ele desejou ardentemente morrer por sua fé. Apesar dos conselhos de seus amigos, que tentavam dissuadi-lo deste projeto, Jean-Marie resolveu apresentar-se ao rei Mwanga. Ninguém mais o viu, pois em 27 de janeiro de 1887, o rei mandou decapitá-lo e lançá-lo numa lagoa.
A devoção popular aos mártires de Uganda tornou-se universal após São Pio X proclamá-los Veneráveis, em 16 de agosto de 1912. A beatificação ocorreu em 6 de junho de 1920, e receberam a honra da canonização em 18 de outubro de 1964.

Extraído de Marteau de Langle de Cary, 1959, tomo II, pg. 305-308 – África Viva (Vivante Afrique), No 234 - Bimestral - Set-Out/1964.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: Beato João XXIII e São Juan Diego

Fontes:

terça-feira, 1 de junho de 2010

São Potino, Bispo, Sainte Blandine, Leiga e demais companheiros, Mártires de Lyon (+ 177), 02 de Junho

São Potino foi o primeiro bispo de Lyon. Tinha vindo da Ásia e se formara na Escola de São Policarpo, Bispo de Esmirna, por quem foi enviado à Gália (atual França).
Potino, após ter conquistado um grande número de almas para Jesus Cristo, foi preso no reinado de Marco Aurélio. Estava com a idade de noventa anos, fraco e doente; no entanto, seu zelo apostólico e o desejo pelo martírio sustentavam suas forças e sua coragem. Conduzido ao tribunal em meio às injúrias da população pagã, foi interrogado pelo governador, que lhe perguntou qual era o Deus dos cristãos: “Vós O conheceríeis se fôsseis digno Dele”, respondeu o Bispo. A estas palavras, a multidão furiosa precipitou-se sobre ele; os que estavam mais próximos chutaram-no e esmurraram-no, sem respeito algum por sua idade avançada. O ancião conservava a muito custo um sopro de vida quando foi jogado na prisão, onde morreu logo depois.
A narrativa do martírio dos companheiros de São Potino é uma das mais impressionantes páginas da história da Igreja dos primeiros séculos. O diácono Santus suportou, sem fraquejar, todas as torturas, ao ponto em que seu corpo tornou-se um monte disforme de ossos e de membros esmagados e de carne calcinada; ao fim de alguns dias, milagrosamente curado, ele estava forte novamente, para sofrer novos suplícios. Ele não queria dizer aos carrascos nem o seu nome, nem a sua pátria, nem a sua condição de vida; a todas as perguntas que lhe faziam, ele respondia: “Eu sou cristão!” Este título era tudo para ele. Por fim, entregue às feras, foi massacrado no anfiteatro.
Maturus teve que enfrentar os mesmo suplícios que o santo diácono; foi açoitado, padeceu na cadeira de ferro incandescente e, finalmente, foi devorado pelas feras. O médico Alexandre que, na multidão de espectadores, apoiava com gestos a coragem dos mártires, foi agarrado e também lançado aos suplícios.
Atala, enquanto tinha sua carne grelhada na cadeira de ferro, vingava os cristãos das odiosas e injustas acusações que lhes eram feitas: “Não são, dizia ele, os cristãos que devoram os homens! São vocês! Quanto a nós, nós evitamos tudo o que é mau!” Perguntaram-lhe como se chamava Deus: “Deus, disse ele, não tem nome como nós, mortais.”
Restavam ainda o jovem Ponticus, que tinha quinze anos, e Blandina, uma escrava, que haviam testemunhado a morte cruel de seus irmãos. Ponticus foi o primeiro a juntar-se aos mártires que o haviam precedido. Blandina, resplandecente de alegria, foi torturada com uma particular crueldade, uma vez que fora atada a um touro, que a lançou diversas vezes ao ar. Por fim, teve a cabeça cortada.

Abade L. Jaud, Vida dos Santos para cada dia do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.

Tradução e Adaptação :
Gisèle Pimentel

Ver também: Santos Marcelino e Pedro, Mártires

Fontes:

segunda-feira, 31 de maio de 2010

São Panfílio de Cesaréia, Sacerdote, Mártir (+ 308), 1º de Junho

Panfílio nasceu em Bêrut, na Fenícia (atualmente Beirute, Líbano). Após concluir brilhantes e profundos estudos nas escolas de Alexandria, foi ordenado padre da Igreja de Cesaréia. Ele foi um dos belos exemplos da aliança entre a filosofia e o dogma cristão. Ninguém melhor que ele soube unir o amor à Ciência a essas virtudes evangélicas que constituem a personalidade dos verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

Nosso santo montou uma enorme biblioteca composta dos melhores autores, sobretudo religiosos. O alvo de seus estudos e pesquisas era somente a defesa da fé. Deve-se a este homem ilustre a correção da versão das Sagradas Escrituras dita Septuaginta. Foi de sua preciosa biblioteca que o historiador Eusébio, discípulo de Panfílio, tirou todos os documentos de que precisou para escrever a história dos primeiros séculos.
A todos os seus trabalhos intelectuais, Panfílio adicionava exercícios de piedade e de penitência. Seu único bem eram seus livros. Ele havia distribuído aos pobres todo o seu rico patrimônio e vivia na solidão, repousando do peso de seus dias árduos em meio às orações da noite.
O sábio piedoso estava preparado para os santos combates de Cristo. Preso como um dos principais Doutores cristãos no tempo das perseguições do imperador Maximino Daïa, Panfílio compareceu diante do governador. As promessas e as seduções que lhe foram feitas (para que abandonasse a fé cristã) não tiveram sucesso algum; seria preciso, então, lançar mão de ameaças e torturas. Panfílio permaneceu inabalável. Rasgaram-lh os lados com garras de ferro; foi tão terrivelmente flagelado que os carrascos viram-se obrigados a transportá-lo para a prisão imerso em sangue e semi-morto. O governador esperava que as chagas do mártir fechassem para poder recomeçar o suplício, quando ele mesmo tornou-se vítima da ferocidade do imperador, que o condenou à morte devido aos seus crimes e devassidão, o que o havia tornado odioso aos olhos de todos.
Sob o novo governador, Panfílio permaneceu algum tempo esquecido na prisão, e aproveitou-se disso para escrever algumas de suas obras de sabedoria. Havia já dois anos que ele sofria pela fé, quando foi condenado junto com diversos outros cristãos. A execução aconteceu numa noite, e o corpo permaneceu até o dia seguinte no mesmo local do suplício. Porém nenhum animal se aproximou para devorá-lo, e os fiéis puderam dar-lhe uma sepultura honrosa. Foi no ano de 308 que o filósofo cristão, discípulo de São Justino, de São Luciano e de tantos outros, consumou o seu martírio.

Abade L. Jaud, Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: São Justino

Fontes :

domingo, 30 de maio de 2010

Santa Petronila, Mártir (Século I), 31 de Maio

O prenome Petronila é um diminutivo do prenome Pedro ou Petrus. Ela era descendente de Titus Flavius Petro, avô do imperador romano Vespasiano.
Como muitos dos santos dos primeiros tempos da Igreja, não se conhece praticamente muita coisa da vida de Petronila. As únicas informações seguras que há são o nome que ela trazia e o fato de ser uma mártir: estas duas indicações figuram num afresco do Século IV encontrado na basílica subterrânea das catacumbas de Roma.
Este afresco, um dos mais antigos da cristandade, encontra-se atrás da abside da basílica que o Papa Sirício (cujo papado durou de 384 a 399) mandou construir, entre 390 e 395, na Via Adreatina, conhecida como Via Domitilla. Neste afresco figura a inscrição PETRONELLA MART.
O sarcófago que conservava os restos da santa foi transferido para a basílica pontifical pelo Papa Paulo I, em 757 e se encontra, desde então, na Basílica de São Pedro.
De acordo com a tradição, Santa Petronila seria filha espiritual de São Pedro Apóstolo, pois teria sido batizada por ele. Chegou mesmo a ser dito, na *Legenda Áurea, que Petronila seria filha biológica de São Pedro. Todavia, o mais provável é que tudo não passe apenas de uma coincidência entre os dois prenomes.
Carlos Magno, Imperador francês, em meados do ano 800, foi visitar a capela onde repousava o corpo de Petronila e pareceu ter uma profunda veneração por ela. Aliás, desde a época de Carlos Magno, Petronila ficou conhecida como padroeira dos reis da França, tornando-se sua padroeira nacional quando aquele país foi nomeado “Filha primogênita da Igreja”, quer dizer, a França é a primeira “filha” da Igreja Católica, assim como Petronila é a “filha” do primeiro Chefe da Igreja (a França foi o primeiro grande país da Europa Ocidental a se converter ao Cristianismo – N.T.).
Conta a lenda que Flaccus, nobre romano, seduzido pela beleza da jovem Petronila, pediu-a em casamento, porém esta desejava consagrar-se a Deus e recusou-lhe o pedido. Flaccus ameaçou-a e deu-lhe um prazo de apenas três dias para responder-lhe favoravelmente. Petronila orou, jejuou e, atendendo às suas orações, Deus chamou-a para Si. Ao retornar, Flaccus pôde apenas assistir ao seu funeral.
Santa Petronila é representada com a palma do martírio, freqüentemente em companhia de São Pedro. Ela é invocada contra febres, pois ela teria sofrido muito com esse problema.


Tradução e Adaptação :
Gisèle Pimentel

Visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel

Fontes:

sábado, 29 de maio de 2010

Beata Matilde do Sagrado Coração Tellez Robles, Religiosa, Fundadora (+1902), 30 de Maio

Matilde Téliez Robles nasceu em Robledillo de la Vera (Cáceres - Espanha) no dia 30 de maio de 1841, um dia de plenitude primaveril inundado pela luz da solenidade litúrgica de Pentecostes. Ela recebeu as águas do batismo na igreja paroquial no dia seguinte do seu nascimento. Era a segunda dos quatro filhos de Félix Téliez Gómez e de sua esposa Basiléa Robles Ruiz. No mês de novembro de 1841, seu pai, devido a sua profissão de escrivão, se estabeleceu com a sua família em Béjar (Salamanca).
Nesta cidade de Béjar, importante pela sua indústria têxtil, a pequena Matilde vai crescendo; recebe uma formação cultural de base, própria da sua classe social média, e uma boa formação religiosa, iniciada no ambiente profundamente cristão do seu lar. Guiada por sua mãe, já desde pequenina começa a amar intensamente o Senhor e a exercitar-se na prática da oração e nas virtudes, com uma meiga devoção a Nossa Senhora e uma grande misericórdia pelos necessitados e os pecadores.
Ainda muito jovem, quando tudo na vida lhe sorria, Matilde faz a sua opção radical e definitiva por Cristo. Decidiu-se consagrar toda a sua existência a Ele, trabalhando com empenho constante e generoso em busca de corações que o amem.
Sua mãe compreende e apóia sempre a aspiração da filha, mas seu pai lhe deseja um futuro diferente. Obriga-a a engajar-se na vida da sociedade, limita o tempo que Matilde transcorre na igreja, desejando vê-la realizada na vida matrimonial. Obedecendo, ela se adorna e participa da vida social, encantando a todos com sua graça juvenil. Mas mesmo assim, a sua inclinação pelas coisas de Deus é clara e, no fim, o senhor Félix, vencido pela constância de sua filha, deixa-a em liberdade para seguir o caminho por ela escolhido.
Matilde continua a intensificar a sua vida espiritual e a sua devoção a Nossa Senhora. Sente no seu interior que Maria a conduz a uma profunda intimidade com Jesus na Eucaristia, a quem ama com grande paixão. Mesmo «no meio do inverno ardia quando se colocava perto do tabernáculo!», ela afirma nos seus escritos.
Aos 23 anos é eleita presidente da associação das Filhas de Maria, apenas estabelecida em Béjar, e pouco tempo depois é nomeada enfermeira investigadora das Conferências de São Vicente de Paulo. Ela, em seu ardente desejo de ganhar corações para Jesus, exclama diante do sacrário: «Meu Senhor, Jesus amante! O mundo é cheio de necessidades. Todos têm coração. Eu vou à procura daqueles de que sou capaz. Estes, eu vou trazê-los a Ti».
Unindo a contemplação e a ação, Matilde se lança por longos anos em uma intensa atividade apostólica com crianças e jovens, pobres e doentes; trabalha com as Filhas de Maria, faz catequese, atende a escola dominical, prepara os cristãos para o matrimônio e acompanha as jovens vocacionadas; percorre alegre a cidade em todas as direções para levar consolação e ajuda a qualquer doente ou necessitado, «visitando o seu amante Jesus na pessoa de seus pobres».
Sempre contemplativa na ação, a Eucaristia é a sua força, o sacrário é o seu refúgio. Ela vive prolongadas horas de oração, sendo Nossa Senhora a sua guia, mestra e companheira inseparável.
Ainda jovem sente o chamado para a vida religiosa e desde então recebe diante do tabernáculo a inspiração de fundar um Instituto religioso; e assim o comunica ao Papa Pio IX numa carta escrita no dia 4 de maio de 1874. Mas seu pai volta a provar a filha impedindo-a de realizar a sua vocação, por causa do clima político anticlerical daquela época na Espanha.
Matilde, no entanto, sofre em silêncio, reza e espera, confortada pelo seu diretor espiritual, Pe. Manuel da Oliva, sacerdote de São Filipe, até que seu pai lhe concede a desejada autorização.
Ela exulta de alegria em ação de graças a Deus e rapidamente prepara tudo para iniciar a fundação com sete jovens das filhas de Maria, que se comprometeram a segui-la na vida religiosa.
No dia 19 de março de 1875, solenidade de São José, todas devem participar da celebração eucarística na Paróquia de Santa Maria e, em seguida, unidas e solidárias, seguirem para a casa preparada, onde darão início à vida religiosa. Mas entre as sete jovens comprometidas só uma se apresenta: Maria Briz. Diante desta grande provação, Matilde não se desanima. Fortalecidas com o pão da Eucaristia, ela e a sua única companheira se dirigem alegres e esperançosas, com heróica intrepidez, na «casita de Nazaré», como Matilde a denomina.
Nesta casa procuram imitar a Sagrada Família de Nazaré, vivendo com muito amor e alegria no recolhimento e na oração, em humildade e pobreza, sem contar com nada e plenamente confiantes na divina Providência. Nesta nova residência, elas não têm um tabernáculo, mas são acompanhadas por uma imagem de Nossa Senhora, diante da qual rezam e a quem consultam tudo.
Poucos dias mais tarde, unindo sempre a contemplação e a ação, recebem em casa um grupo de meninas órfãs, dão aulas às crianças pobres e cuidam dos doentes a domicílio. O seu testemunho evangélico vai atraindo algumas jovens a unirem-se a elas, não obstante as críticas daqueles que consideram a fundação uma loucura.
No dia 23 de abril de 1876, o bispo de Plasência, D. Pedro Casas y Souto, autoriza provisoriamente a Obra com o título de «Amantes de Jesus e Filhas de Maria Imaculada»; e no dia 20 de janeiro de 1878, Matilde e Maria vestem o hábito religioso em Plasência.
No fim de março de 1879, a comunidade se transfere de Béjar para Don Benito (Badajoz), onde instalam o noviciado, acolhem as crianças órfãs, dão aulas diárias e dominicais, cuidam dos doentes em suas casas e prestam ajuda aos pobres.
Na comunidade se respira o espírito de Nazaré e toda a vida da casa se desenvolve em torno ao sacrário, diante do qual, a turno, as Irmãs passam várias horas durante todo o dia. Nossa Senhora também recebe um culto especial.
No dia 19 de março de 1884, o mesmo bispo erige canonicamente a Obra como Instituto religioso de direito diocesano, e no dia 29 de junho, a Fundadora com outras Irmãs emitem a profissão religiosa.
No ano seguinte declara-se uma terrível epidemia de cólera na cidade. Madre Matilde e todas as Irmãs consagram-se heroicamente ao cuidado amoroso dos contaminados pela peste, despertando grande admiração nas pessoas pela sua delicada caridade evangélica. A Irmã Maria Briz falece vítima de contágio e a Madre abre em sua memória um Hospital para os pobres.
Em 1889 começa a expansão do Instituto, com uma fundação em Cáceres, e continua nos anos seguintes com outras fundações em Trujillo, Béjar, Villanueva de Córdoba, Almendralejo, Los Santos de Maimona e Villaverde de Burguilios. De cada uma delas se poderia escrever uma bela história de amor: amor apaixonado a Jesus Eucaristia, amor a Maria, amor aos irmãos necessitados: doentes, pobres, meninas órfãs, etc. A missão da Fundadora e das irmãs nesta época é marcada pelo total desinteresse econômico e pela constante ajuda da Providência que não as abandona jamais.
Não faltam as provas e as dificuldades de todos os tipos, mas não importa:
Matilde prossegue o caminho, com Jesus sempre avante!, sempre praticando o lema por ela deixado para o seu Instituto: «Oração, Ação, Sacrifício»; sempre buscando forças em seus prolongados tempos de oração diante do sacrário e conduzida pela mão materna de Maria.
Da sua forte experiência eucarística nasce o seu ardor evangelizador bem como a ardente caridade que todos admiram. «Seja toda a vida um ato de amor!», ela repete às suas Irmãs. E bem assim o que observam na Madre: è uma vida cheia de Deus, em continua oração e ao mesmo tempo dedicada aos irmãos. Multiplica sua atenção maternal com as novas comunidades, é a animadora da Obra, a Regra viva. Sua simplicidade, sua prudência, sua bondade e sua inalterável alegria atraem a todos. Pobres e ricos se aproximam confiantes na Madre, pois para todos tem uma atenção, um conselho e um sorriso.
Com apenas 61 anos, o seu organismo encontra-se já muito debilitado, por causa dos sofrimentos passados, do intenso trabalho e das doenças que sofria. Madre Matilde parece pressentir o aproximar-se da sua hora de união definitiva com o Senhor. Ao sair de manhã para uma viajem, no dia 15 de dezembro de 1902, sofreu um forte ataque de apoplexia, e nas primeiras horas do dia 17, rodeada por suas filhas, com uma grande paz, partiu para a casa do Pai.
Todo o povoado, sobretudo os pobres, choraram a sua perda como se fosse uma mãe, proclamando ao mesmo tempo a sua grande caridade e as suas numerosas virtudes.
No dia 23 de abril de 2002, o Papa João Paulo II reconheceu oficialmente as Virtudes Heróicas da Serva de Deus Matilde Téllez, e no ano seguinte, no dia 12 de abril, promulgava-se o Decreto sobre o milagre operado por sua intercessão, constituindo esse fato a passagem decisiva para a sua Beatificação no dia 21 de março de 2004.
O Instituto da Madre Matilde, fiel à herança recebida da sua fundadora, continua a viver o seu carisma, tendo no centro a Eucaristia e Maria como Mãe e Mestra, para que Ela forme seu coração para o Evangelho e guie as Irmãs para a Eucaristia. Segundo as Constituições atuais, da Eucaristia nasce uma viva resposta de amor a Jesus Cristo e, n’Ele e com Ele, ao mundo inteiro, levando a boa nova do amor do Pai, com preferência e de modo integral, aos pobres, aos pequenos e aos que sofrem.
Atualmente as Filhas de Maria Mãe da Igreja (chamam-se assim a partir do ano 1965) realizam sua missão evangelizadora na Espanha, Portugal, Itália, Venezuela, Colômbia, Peru e México, através de: lares - internatos onde acolhem meninas e jovens marginalizadas; escolas e colégios abertos à todas as famílias e pessoas excluídas; comunidades sanitárias dedicadas aos doentes, idosos abandonados, transeuntes, alcoólatras, etc., comunidades orantes, casas de acolhida, e comunidades de Pastoral rural e de colaboração nas Paróquias.
Todas as Irmãs do Instituto suplicam a sua Fundadora que as ajudem a fazer de suas vidas um continuo ato de amor e uma «Eucaristia perene», para a maior glória de Deus e a salvação do mundo, assim como fez a Madre Matilde.

Ver também: Santa Joana D’Arc, Padroeira da França

Fontes:
www.vatican.va

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Nossa Senhora, Rainha dos Apóstolos, 29 de Maio

A invocação a Maria como Rainha dos Apóstolos não é recente, pois já existia nas Ladainhas Loretanas, instituídas por São Gregório Magno no século VII, atualizadas posteriormente. É também bastante conhecido nos meios artísticos um mosaico bizantino do século XII, na igreja do Torcello (Itália), no qual a Mãe de Deus aparece de pé com o Menino Jesus ao colo, rodeada pelos doze apóstolos. 

Através da história, a Santíssima Virgem tem-se manifestado sempre como Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos, atendendo solícita às súplicas de todos aqueles que de qualquer maneira trabalham para o anúncio da mensagem do Evangelho e a expansão do Reino de Deus.
São Vicente Pallotti o fundador da Sociedade do Apostolado Católico, colocou a sua obra missionária sob a tutela da Rainha dos Apóstolos, a fim de que os seus filhos, unidos em sincera e profunda devoção a Maria, com Ela e por Ela alcançassem as luzes e graças do Espírito Santo para tornarem-se destemidos propagadores do Reino de Cristo.
Também o Padre Tiago Alberione, fundador da "Família Paulina" (família formada de cinco congregações e três institutos), quis colocar as congregações sob a proteção de São Paulo Apóstolo e sob o olhar de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos.
cf. www.paulinas.org.br

Ver também: Beato Félix de Nicosia

Fontes:

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Santo André, o Louco, Escravo, Mendigo, Cristão (Século IX), 28 de Maio

Escravo de origem cita, André vivia em Constantinopla a serviço de um dignatário da corte imperial. Após inúmeras peripécias, simulando loucura, conseguiu que seu mestre lhe concedesse a liberdade.
André vivia vagando, vestido apenas com uma espécie de tapete rústico, bebendo água nas poças das ruas. Seguia à risca a palavra dita por São Paulo: "Nós, loucos por causa de Cristo" (I Cor 4, 10). André suportou as brincadeiras cruéis e as vexações dos passantes até o dia da sua morte.
Foi então que os moradores da localidade descobriram a santidade de André, através dos milagres que ocorreram após o seu falecimento.

Tradução e Adaptação :
Gisèle Pimentel

Ver também: São Germano de Paris

Fontes:

Beata Margaret Pole, Mártir da Inglaterra (+1541), 27 de Maio

Margaret Pole – também chamada Margaret Plantagenêt – nasceu no Castelo de Farleigh, em Somerset (Inglaterra) em 1473 e morreu em Londres em 1541, aos 67 anos. Foi a oitava Condessa de Salisbury, segunda filha de George da Inglaterra, Duque de Clarence. Seu pai era irmão dos reis Eduardo IV e Ricardo III da Inglaterra, e sua mãe era Isabelle Neville, filha de Richard Neville, Conde de Warwick.
Relações com Henrique VIII
Margaret era, por parte de seu avô paterno, Richard de York, herdeira da Mansão de York, a principal Mansão real que ainda conseguia ofuscar a Mansão dos Tudors e, assim, requisitar o trono real inglês para o seu representante, o rei Henrique VIII, embora Margaret e Henrique fossem primos. De fato, todos dois descendiam dos filhos de Eduardo III: Margaret, por parte de Lionel de Anvers, Duque de Clarence ; Henrique, por parte de Jean de Gand, Duque de Lancastre e Edmond de Langley, Duque de York (assim como Lionel de Anvers, igualmente.
Mas Margaret cometia o “grave erro” de ser católica. Um de seus filhos, nascido de seu casamento com Sir Richard Pole, Reginald Pole, havia mesmo se tornado um clérigo eminente da Igreja Católica Apostólica Romana. Todavia, quando este recusou-se a conceder ao rei Henrique VIII o direito de se divorciar de sua esposa, Catarina de Aragão, atacando a política do rei, Reginald atraiu para si e sua família a ira do monarca.
Margaret e um certo número de membros de sua família, dentre os quais o irmão de Reginald, Henry Pole I Barão de Montagu, tornaram-se vítimas de represálias por parte do rei.
Execução
A Condessa de Salisbury foi aprisionada na Torre de Londres, ali permanecendo durante vários anos. Vivia sua detenção em condições duríssimas, como numa “preparação” para a decapitação que ocorreria na manhã de 27 de maio de 1541, aos 67 anos de idade, diante de 150 testemunhas. Conta-se que, estando com a saúde muito debilitada, Margaret precisou ser arrastada até o local da execução. Ao primeiro golpe do machado, o carrasco, que era inexperiente, feriu-lhe o ombro, ao invés de cortar-lhe o pescoço, e isso se repetiu diversas vezes, até que conseguisse terminar a execução.
Considerada como mártir pela Igreja Católica, Margaret Pole foi beatificada em 1886 pelo Papa Leão XIII.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: Santo Agostinho de Cantuária

Fontes:

São Filipe Néri, Sacerdote, Fundador do Oratório (+ 1595), 26 de Maio - Memória

Filipe nasceu em Florença em 22 de julho de 1515. Desde a sua infância era chamado de “o bom Filipinho”, tanto ele era bom, doce e amável. Por volta dos dezoito anos de idade, ele renunciou à fortuna de um de seus tios para ir a Roma estudar Ciências Eclesiásticas. Nada de mais edificante que a sua vida de estudante: pobreza, mortificação, oração, trabalho, silêncio, recolhimento, tudo isso habitava a sua modesta cela.
Após vários anos de persistentes estudos nas universidades, Filipe trabalhou sozinho, ainda alguns anos, no silêncio e na solidão, e ao se tornar padre por obediência, começou a entregar-se ao pastoreio das almas, seu espírito já dócil e profundo adquiriu uma sabedoria ainda mais intensa. Sua pureza angélica sofreu os mais duros ataques, mas ele sempre saiu vencedor de todas as armadilhas, e recebeu como recompensa a graça de jamais cair na tentação da carne.
Um dia, Filipe foi de tal forma abrasado pelo amor de Deus, que duas de suas costelas se romperam. Freqüentemente suas conversas com Nosso Senhor eram tão suaves, que ele não conseguia se conter de alegria e acabava gritando: “Basta, Senhor, basta!”
Filipe visitava os hospitais, cuidava dos doentes, assistia aos pobres e os instruía, passava longas noites em oração nas catacumbas junto aos túmulos dos mártires. Por toda parte e em todas as ocasiões, ele procurava atrair almas para Deus. Amava de modo especial os mais jovens: esperava-os à saída das escolas, enturmava-se com eles e conversava com eles; abordava-os em locais públicos, procurava-os até mesmo nos ateliês e nas lojas, e multidões desses jovens se confessavam com Filipe. Este santo conseguiu retirar inúmeros jovens dos vícios daquela época. “Divirtam-se bastante”, dizia-lhes, “mas não ofendam o bom Deus!” Filipe exercia sobre as crianças, os adolescentes e os jovens em geral uma irresistível influência, e ninguém merece mais do que ele ser considerado Patrono das Obras da Juventude. São Filipe Néri fundou a Sociedade dos Padres do Oratório.
Deus Se utilizou de Filipe Néri para operar, ainda durante sua vida terrena, milagres e mesmo ressuscitar mortos. Apesar de seus dons extraordinários, São Filipe se considerava como o maior dos pecadores e sempre dizia ao Senhor: “Senhor, guardai-Vos de mim, pois tenho medo de Vos trair!” São Filipe Néri morreu aos oitenta anos de idade, em 26 de maio de 1595

Abade L. Jaud,Vida dos Santos para todos os dias do ano (Vie des Saints pour tous les jours de l'année), Tours, Mame, 1950.

Tradução e Adaptação :
Gisèle Pimentel

Ver também:

Fontes :
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=47526&language=FR&img=&sz=full

segunda-feira, 24 de maio de 2010

São Beda, o Venerável, Doutor da Igreja (+735), 25 de Maio

Todas as informações que temos sobre o extraordinário Beda, foram escritas por ele mesmo no livro "História da Inglaterra", um dos raros e mais completos registros da formação do povo inglês antes do século VIII, narradas assim:

"Eu, Beda, servo de Cristo e sacerdote, e monge do mosteiro de São Pedro e São Paulo, da Inglaterra, nasci neste país. Aos sete anos fui levado ao mosteiro para ser educado pelos monges. Desde então passei toda a minha vida no mosteiro, e me dediquei sobretudo ao estudo da Sagrada Escritura. Além de cantar e rezar na Igreja, a minha maior alegria foi poder dedicar-me a aprender, a ensinar e a escrever. Aos dezenove anos fui ordenado diácono e aos trinta sacerdote. Todos os momentos livres dediquei-os à busca de explicações da Sagrada Escritura, especialmente extraídas dos escritos dos Santos Padres."
Além desses dados podemos acrescentar ainda, com segurança, que Beda nasceu no ano 672, tendo sido educado e orientado espiritualmente pelo próprio São Bento Biscop, abade do mosteiro, que impressionado com os seus dons e inteligência tratava-o como se fosse seu filho na cidade de Wearmouth.
Cedo, Beda percebeu que um sermão podia ser ouvido por apenas algumas pessoas, mas podia ser lido por milhares delas e por muitos séculos. Por isso ele desejou escrever, e escreveu muito, sem se cansar, com cuidado no seu conteúdo e estilo, resultando em livros agradáveis à leitura, verdadeiras obras literárias, sobre os mais variados temas desde o teológico ao intelectual.
Ao todo foram sessenta obras sobre: teologia, filosofia, cronologia, aritmética, gramática, astronomia, música e até medicina. Mas Beda gostava de aprender, por isso pesquisava e estudava; e gostava também de ensinar, por isso escrevia e dava aulas. Atraídos pela linguagem simples, encantadora e acessível, ajudou a formar várias gerações de monges que eram dirigidos nos ensinamentos de Deus, por meio dessas matérias.
O Papa Gregório II chamou-o a Roma, para tê-lo como seu auxiliar, mas Beda implorou permanecer na solidão do mosteiro, onde ficou até aos últimos momentos da sua vida. Só saiu por poucos dias para estabelecer as bases da Escola de York, na qual depois estudou e se formou o famoso mestre Alcuíno, fundador da primeira universidade de Paris.
Ainda em vida era chamado de "Venerável Beda", ou "Beda o Venerável". Morreu com sessenta e três anos, na paz do seu mosteiro, no dia 25 de maio de 735 em Jarrow, Inglaterra. Muitos séculos depois, pelo imensurável serviço prestado à Igreja, o Papa Leão XIII, em 1899, proclamou-o Santo e Doutor da Igreja. São Beda, único Santo inglês que possui o título de Doutor da Igreja, é celebrado no dia 25 de maio.

Ver também: Santa Madalena Sofia Barat

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100525&id=10621&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=40926&language=PT&img=&sz=full

domingo, 23 de maio de 2010

Beato Louis Zéphyrin Moreau, Bispo (+ 1901), 24 de Maio

Louis Zéphyrin Moreau nasceu em 1824 em Bécancour, na província de Québec, no Canadá, quinto filho de uma família de treze filhos. Após concluir o curso no Seminário Menor de Nicolet, foi recusado no Seminário de Québec devido à sua saúde frágil, sendo posteriormente aceito no Seminário de Montreal pelo célebre e dinâmico bispo Dom Bourget. Foi ordenado padre em 1846.

A diocese de Montréal se dividira em dois, dando origem ao novo arcebispado de Saint Hyacinthe, cujo responsável era o Abade Dom Moreau, que se tornou bispo do local em 1876. No Século XIX, o Canadá, especialmente em sua parte francófona, conheceu um rápido crescimento e uma impressionante vitalidade. Dom Moreau, apesar de sua saúde frágil, levava uma vida austera e impressionantemente ativa. A seu respeito, o Papa João Paulo II deu esta definição: “O ministério episcopal não tem outra razão de ser senão o de reunir e estimular os membros da Igreja na sua complementaridade.”
Enfrentando a pobreza, o bispo funda duas congregações religiosas. Homem prudente e reflexivo, teve no entanto iniciativas corajosas para responder às necessidades dos novos tempos, tanto que suas ações se estenderam para além da sua diocese, especialmente quanto às relações ecumênicas. Encorajava as escolas, velava pela formação dos seminaristas, devotava-se aos pobres. Seu lema episcopal era: “Tudo posso Naquele que me fortalece”. Tratava-se, pois, de depositar sua fraqueza na força de Deus; eis por que ele escreveu: “Faremos bem as grandes coisas das quais somos incumbidos somente através de uma íntima união com Nosso Senhor.”
Após tanto ter amado seu rebanho com o amor ardente do Cristo, Dom Moreau, que pôde ser chamado “o bispo do Sagrado Coração”, morreu em 1901. Foi o primeiro bispo canadense beatificado.

Documentação Católica 1987, pg. 690

Tradução e Adaptação :
Gisèle Pimentel

Ver também : Nossa Senhora Auxiliadora

Fontes: