domingo, 6 de junho de 2010

Santo Antonio Maria Gianelli, Arcebispo, Fundador (+1846), 07 de Junho

Nasceu em  12 de abril de 1789 em Cerreto, Itália. Filho de Maria e Giacomo Gianelli, Antonio cresceu numa família pobre, mas piedosa que habitava uma pequena fazenda. Sua mãe ensinou-lhe o catecismo e seu pai era conhecido como um pacificador da cidade. Antonio era um estudante tão promissor que o proprietário da fazenda pagou sua educação no seminário. Ordenado em 24 de maio de 1812 era tão jovem que precisou receber uma autorização especial para poder ser ordenado, uma vez que era um candidato muito promissor ao bom exercício do sacerdócio. Serviu como pároco em sua paróquia.
Foi Arcebispo de Chiavariem e, em 1827, fundou a Ordem dos Missionários de Santo Alfonso, uma congregação de missionários que durou até 1856. Fundou,então, a Ordem dos Oblatos de Santo Alfonso em 1828, que durou até 1848. Depois, fundou a Ordem das Irmãs de Nossa Senhora do Jardim em 1829, uma Ordem de professoras que trabalhavam com os doentes e que continua seu trabalhos na Europa, Estados Unidos e Ásia até hoje. Foi Bispo de Bobbio em 1837.
Organizou a Sociedade de São Rafael e a Sociedade de Santa Dorothéa para instruir os devotos de sua Diocese. Restaurou a devoção a São Columbanus (padroeiro dos motociclistas). Conduziu dois sínodos e estava constantemente na estrada, de paróquia em paróquia, visitando seus fieis. Faleceu em 7 de junho de 1846 de causas  naturais. Foi beatificado em 1925 e canonizado em 21 de outubro de 1951 pelo Papa Pio VII.

Ver também: Beata Maria Teresa de Soubiran La Louvière / Festa da Santíssima Trindade


Fontes:

sexta-feira, 4 de junho de 2010

São Norberto de Xanten (ou de Gennep), Arcebispo, Fundador da Ordem dos Premonstratenses (Cônegos Brancos, Cônegos de São Norberto ou Norbertinos) (+ 1134), 06 de Junho

Norberto nasceu, por volta de 1080, em Gennep, Baixo Reno, na Holanda. Filho mais novo de uma família da nobreza, podia escolher entre a carreira militar e a religiosa. Norberto escolheu a segunda, mas buscou apenas prazeres e luxos, como faziam muitos nobres da Europa. Circulava em altas rodas, vestindo riquíssimas roupas da moda, dedicando-se a caçadas e à vida da corte, até que um dia foi atingido por um raio, quando cavalgava no bosque. Seu cavalo morreu e, quando o jovem nobre despertou do desmaio, ouviu uma voz que lhe dizia para abandonar a vida mundana e praticar a virtude para salvar sua alma. Entendeu o acontecido como um presságio para uma conversa com Deus.
A partir daquele instante, abandonou a família, amigos, posses e a vida dos prazeres. Passou a percorrer, na solidão, com os pés descalços e roupa de penitente, os caminhos da Alemanha, Bélgica e França. Para aprimorar o dom da pregação, completou os estudos teológicos no mosteiro de Siegburgo e recebeu a ordenação sacerdotal. Talvez envergonhado pelo passado, empreendeu a luta por reformas na Igreja, visando acabar com os privilégios dos nobres no interior do cristianismo.
Foi muito contestado, principalmente pelo próprio clero, mas conseguiu o apoio do Papa e seu trabalho prosperou. Quando as reformas estavam já implantadas e em andamento, retirou-se para a solidão e fundou a Ordem dos Cônegos Regulares Premonstratenses, também conhecida como "dos Monges Brancos", uma referência ao hábito, que é dessa cor. A principal regra da nova Ordem era fazer com que os sacerdotes vivessem sua vida apostólica com a disciplina e a dedicação dos monges, uma concepção de vida religiosa revolucionária para a época.
Mas não encerrou aí seu apostolado, pois desejava continuar como pregador fora do mosteiro. Reiniciou sua obra de evangelização itinerante como um simples sacerdote mendicante. Em 1126, foi nomeado Arcebispo de Magdeburgo, lutando contra o cisma que ameaçava dividir a Igreja naquele tempo. Respeitado pelo rei Lotário III, da Alemanha, foi por ele escolhido como seu conselheiro espiritual e chanceler junto ao Papa.
Norberto morreu no dia 6 de junho de 1134, na sua sede episcopal, onde foi sepultado. Foi canonizado em 1582 pelo Papa Gregório XIII. Devido à Reforma Protestante, suas relíquias foram trasladadas para a abadia de Strahov, na cidade de Praga, capital da República Tcheca, em 1627, onde estão guardadas até hoje.
Ao lado de são Bernardo, são Norberto é considerado um dos maiores reformadores eclesiásticos do Século XII. Atualmente, existem milhares de cônegos da Ordem de São Norberto, em vários mosteiros encontrados em muitos países de todos os continentes, inclusive no Brasil.
 Resumindo...
...Foi convertido de uma vida mundana para intensa experiência de fé, fundou a Ordem Premonstratense em 1120, em latim Ordo Præmostratensis ou Canditus et Canonicus Ordo Præmostratensis, O. Præm. Tornou-se Arcebispo de Magdeburgo em 1126. Por seu exemplo e pela sua pregação, trabalhou com exímio ardor na reforma religiosa e moral na França e na Alemanha. Sua festa litúrgica é celebrada em 6 de junho.

Fontes :
http://www.levangileauquotidien.org/zoom_img.php?frame=33092&language=FR&img=&sz=full

Dom Fenando, o Infante Santo, Príncipe, Cavaleiro (+1443), 05 de Junho

O Beato Fernando de Portugal, dito o Infante Santo (29 de Setembro 1402 - 5 de Junho 1443[1]), foi um príncipe de Portugal da Dinastia de Avis. Fernando era o oitavo filho do rei João I de Portugal e de sua mulher Filipa de Lencastre, o mais novo dos membros da Ínclita Geração.
Fernando cedo se mostrou interessado na questão religiosa e, ainda muito jovem, foi ordenado Grão Mestre da Ordem de Avis pelo seu pai. Por ser o irmão mais novo, não tem acesso, como os mais velhos, a tantas riquezas, e intenta pôr-se ao serviço do Papa, do Imperador, ou de outro soberano europeu para ganhar prestígio e prebendas. Por motivação dos irmãos mais velhos acaba por desistir, virando as suas atenções para a luta em Marrocos, da qual lhe poderia vir imensa fortuna.
Assim, em 1437 participa numa expedição militar ao Norte de África, comandada pelo irmão mais velho o Infante D. Henrique, mas com o voto desfavorável dos outros infantes, Pedro, Duque de Coimbra e João, Infante de Portugal e do próprio Rei D. Duarte que, vítima de estranhos pressentimentos, só muito a contragosto consentiu na partida expedição. O Rei teria entregue ao Infante D. Henrique uma carta com algumas recomendações úteis, que foram por algum motivo ignoradas. A campanha revelou-se um desastre e, para evitar a chacina total dos portugueses, estabelece-se uma rendição pela qual as forças portuguesas se retiram, deixando o infante como penhor da devolução de Ceuta (conquistada pelos portugueses em 1415). No entanto, o Infante pareceu ter pressentido o seu destino, pois ao despedir-se do seu irmão, o Infante D. Henrique, lhe terá dito "Rogai por mim a El-Rei, que é a última vez que nos veremos!"
A divisão na metrópole entre os defensores da entrega imediata de Ceuta, ou a sua manutenção, conseguindo por outras vias (diplomática ou bélica), o resgate do infante, foi coeva da morte de D. Duarte (que morreu vítima da epidemia de peste que contaminou o Reino e, ao que parece, de desgosto pelo fracasso da expedição a Tânger e do cativeiro de D. Fernando), o que impediu um desfecho favorável à situação.
Fernando foi, entretanto, levado para Fez, sendo tratado ora com todas as honras, ora como um prisioneiro de baixa condição (sobretudo depois de uma tentativa de evasão gorada, patrocinada por Portugal). Daí escreve ao seu irmão D. Pedro, então regente do reino, um apelo, pedindo a sua libertação a troco de Ceuta. Mas a divisão verificada na Corte em torno deste problema delicado e diversas ocorrências ocorridas com os governadores da praça-forte levam a que D. Fernando assuma o seu cativeiro com resignação cristã e morra no cativeiro de Fez em [[1443] - acabando assim o problema da devolução ou não de Ceuta por se resolver naturalmente. Pelo seu sacrifício em nome dos interesses nacionais, viria a ganhar o epíteto de Infante Santo.
Pesará sempre a lembrança da morte trágica de D. Fernando, e com a maioridade de Afonso V, seu sobrinho, desejoso de feitos guerreiros contra o Infiel na África, sucedem-se as tentativas de conquista, voltadas sempre para Tânger, a fim de vingá-lo - primeiro em 1458 (acabando por desistir, dada a aparente inexpugnabilidade da cidade, e voltando-se para Alcácer Ceguer), depois nas "correrrias" de 1463-1464, enfim a tomada de Arzila em 1471, embora uma vez mais o objectivo fosse Tânger. De resto, após a tomada de Arzila, os mouros de Tânger, sentindo-se desprotegidos (pois eram a única praça muçulmana no meio de terra de cristãos) e abandonados pelo seu chefe (que a troco do reconhecimento, por Afonso V, do título de rei de Fez, concedia ao monarca português o domínio de todo a região a Norte de Arzila, na qual Tânger se encontrava), deixaram a cidade, fato que muito custou ao rei português, por se ver assim impossibilitado de fazer pagar cara a morte de D. Fernando, seu tio.
Por meio desse mesmo tratado concluído com o agora rei de Fez, os restos mortais do Infante, que se achavam naquela cidade, passaram para as mãos dos portugueses, tendo sido solenemente transferidos para o Mosteiro da Batalha, onde hoje repousam ao lado dos pais e irmãos, na Capela do Fundador. O seu culto religioso foi aprovado em 1470.

Referências:
1.  Página no Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico de Portugal de João Romano Torres (em português).
Ver: "Blessed Ferdinand" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês).

Ver também: São Bonifácio de Mainz

Fontes:

quinta-feira, 3 de junho de 2010

São Francisco Caracciolo, Sacerdote, Co-fundador da Congregação dos Frades Menores (1563-1608), 04 de Junho

Nasceu em 13 de outubro de 1563 no Castelo de sua família na Villa Santa Maria, Abruzzi, Itália, como Ascanio Pisquizio. Nascido na nobreza, ele era parente de Santo Thomas de Aquino e do Príncipe de Nápoles. Gostava de caçada. Certa vez aos 22 anos de idade ele curou um leproso com seu toque e tomou este fato como um sinal de sua vida. Vendeu todos os seus  bens, deu o dinheiro para os pobres foi estudar teologia em Nápoles em 1585. Ordenado em 1587. Entrou para a Confraria dos Hábitos Brancos da Justiça (Bianchi della Giustizia) e pregava para os prisioneiros.
Com João Agostinho Adorno fundou a Congregação dos Frades Menores, passando a cuidar dos doentes e prisioneiros. Receberam a aprovação do Papa Sixtus V em 1º de julho 1588 e do Papa Gregório XIV em 18 de fevereiro de 1591 e do Papa Clemente VIII em 1º de junho de 1592.    
Escolhido superior da Congregação em Nápoles em 89 de marco de 1592 ele fez questão de fazer também as tarefas mais humildes da casa como varrer os corredores. Notável pelo seu trabalho junto aos pobres, era um fazedor de milagres e tinha o dom da profecia, e era um pregador muito popular em sua região, curava várias doenças apenas com sua benção e o sinal da cruz.
O Papa Paulo V desejava que ele fosse Bispo mas recusou repetidamente, citando a o voto da Congregação que proibia aceitar qualquer alta posição na Igreja. No final de sua vida ele renunciou de suas funções e passou seu tempo em oração e a se preparar para a morte.
Várias vezes foi encontrado embaixo da escada da casa, em êxtase. No dia em que morreu, uma hora antes do amanhecer ele levantou-se e gritou: “Para o Céu” e logo depois  faleceu. Era o dia 4 de junho de 1608 quando Francisco morreu em Agnone, Itália. Suas relíquias estão parte em Nápoles e parte em San Lorenzo in Lucina, Roma. Foi beatificado pelo Papa Clemente XIV, em 1769, e canonizado em 24 de maio de 1807, pelo Papa Pio VII. É padroeiro da Associação dos cozinheiros italianos, escolhido em 1838. 
  
Ver também: Santa Clotilde, Rainha da França

Fontes:

Santos Mártires de Uganda (†1885, †1886, †1887), 3 de Junho

 Bouquet espiritual: «Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão.» (Lc 13, 24)

Estes santos habitavam uma região central da África chamada Uganda. Ninguém ali jamais havia pronunciado o Nome de Deus, e o mal reinava através da escravidão, das feitiçarias e do canibalismo. Um dia, dois sacerdotes cristãos, Pe. Lourdel e Pe. Livinhac, lá desembarcaram. Apresentaram-se ao rei Mutesa, que acolheu-os pacificamente e concedeu-lhes o direito de ali permanecerem.
Os devotados missionários faziam-se tudo para todos, prestando-lhes todos os serviços possíveis. Apenas sete meses após o início do catecumenato, eles designaram algumas pessoas que consideravam já preparadas para receberem o batismo. O rei Mutesa se interessava pelo que os sacerdotes pregavam, mas logo suas pregações acenderam a cólera dos feiticeiros locais - por inveja – e dos árabes, que comercializavam os negros escravizados.
Pressentindo a perseguição, os Pes. Lourdel e Livignac batizaram os nativos já preparados e se retiraram para o Sul do Lago Vitória com alguns jovens negros libertos. Como a varíola dizimava a população desta região, os missionários batizaram um grande número de crianças que estavam à beira da morte.
Após três anos de exílio, o rei Mutesa morreu. Seu filho, Mwanga, favorável à nova religião, chamou de volta os “Padres brancos” ao país. Em 12 de julho de 1885, a população ugandesa, que não havia esquecido nenhum dos inúmeros benefícios realizados pelos missionários, acolheu-os triunfalmente. Os nativos, que haviam sido batizados antes de partir, já haviam batizado outros. O apostolado mostrava-se florescente. O ministro do novo rei ofendeu-se com o sucesso dos cristãos, sobretudo de um dos principais chefes, Joseph Mukasa, que combatia sua imoralidade.
Amigo e confidente do rei, superiormente dotado, ele poderia tornar-se o segundo homem em importância do reino, mas sua única ambição era a de cumprir os ensinamentos de Cristo. O ministro persuadiu o jovem rei de que os cristãos queriam tomar o seu trono; os feiticeiros insistiam para que os pretensos conspiradores fossem prontamente punidos com a morte. Mwanga cedeu a essas falsas acusações e mandou queimar Joseph Mukasa em 15 de novembro de 1885.
«Quando tiver matado aquele lá», disse o rei, «todos os outros ficarão com medo e abandonarão a religião dos Padres.» Contrariando essas previsões, as conversões não pararam de se multiplicar. Na noite seguinte ao martírio de Joseph, doze catecúmenos pediram a graça do batismo. Cento e cinco outros catecúmenos foram batizados na semana que se seguiu à morte de Joseph, dentre os quais estavam onze dos futuros mártires.
Em 25 de maio de 1886, seis meses após a terrível morte de Joseph, ao retornar da caça, o rei mandou chamar um de seus pajens chamado Denis, de quatorze anos. Interrogando-o, Mwanga ficou sabendo que ele estudava o catecismo com Muwafu, um jovem batizado. Repleto de raiva, matou o rapaz com sua lança envenenada. Os carrascos concluíram o serviço no dia seguinte pela manhã, 26 de maio, dia em que o déspota declarou oficialmente a perseguição aberta aos cristãos.
No mesmo dia, Mwanga mandou torturar e mutilar o jovem Honorat e prendeu ferros ao pescoço de um neófito chamado Jacques, que outrora havia tentado convertê-lo à fé cristã. Em seguida, mandou reunir os pajens cristãos e mandou que os levassem para que fossem queimados vivos na fogueira de Namugongo. Jacques morreu nessa fogueira, em companhia de outros mártires, em 3 de junho de 1886, festa da Ascensão.
 “Amarraram os jovens entre 18 e 25 anos”, escreveu o Pe. Lourdel; “as crianças eram igualmente amarradas, e tão apertadas umas junto às outras que não podiam caminhar sem se esbarrar. Vi o pequeno Kizito rir desses encontrões como se brincasse com seus companheiros.” Eram ao todo quinze católicos. Três seriam agraciados no último minuto. Conta-se oficialmente vinte e dois mártires católicos canonizados, cujos martírios ocorreram entre os anos de 1885 e 1887.
O grupo de condenados marchava para o lugar do suplício quando encontraram um nativo chamado Pontien. “Você sabe rezar?”, perguntou o carrasco que, diante da resposta afirmativa de Pontien, cortou-lhe a cabeça com a lança. Era o dia 26 de maio de 1886. Ao cair da noite, os mártires foram imobilizados. O filho do carrasco, que se encontrava entre as vítimas, foi conduzido à força para casa. Após uma longa e extenuante caminhada, repleta de maus tratos, os cativos chegaram, em 27 de maio, a Namugongo. Cerca de cem carrascos organizaram os prisioneiros em grupos.
Os cruéis carrascos trabalharam até o dia 3 de junho a fim de juntar toda a madeira necessária para alimentar a fogueira. Os prisioneiros tiveram então que esperar seis longos dias de privações e sofrimentos, noites de frio e insônia, mas também de orações ainda mais ardentes, antes que a morte viesse coroar seu heróico combate. O martelar frenético dos tan-tans que se faziam ouvir durante toda a noite do dia 2 de junho indicava aos mártires, que definhavam amarrados em suas celas, que o imenso braseiro de seu supremo holocausto logo seria aceso.
Charles Lwanga, magnífico atleta de um vigor pouco comum, a quem o rei havia confiado um grupo de pajens – aos quais ele havia ensinado secretamente o catecismo – foi separado de seus companheiros, a fim de ser queimado à parte, de um modo particularmente atroz. O carrasco acendeu a fogueira de modo a queimar somente os pés de sua vítima. “Tu me queimas”, disse Charles, “mas é como se tu derramasses água para me lavar!” Quando as chamas atacaram a região do coração, antes de morrer, Charles murmurou: “Meu Deus! Meu Deus!”
Como o grupo dos mártires avançava para a fogueira, ouviu-se um grito de triunfo: Nwaga, o filho do chefe dos carrascos, conseguira fugir de casa para, também ele, se lançar ao martírio. Saltava de alegria por se encontrar na companhia de seus amigos. Primeiro, bateram-no com um cetro; depois, foi enrolado com os outros em varas de cana para tornarem-se, num instante, presas das chamas.
Após queimar-lhes os pés, eles receberam a promessa de uma libertação imediata se renunciassem à oração. Mas esses heróis não temiam a morte de seus corpos e, diante de sua recusa categórica em cometer apostasia, começaram a acender a fogueira. Sobre o crepitar do braseiro e os clamores dos carrascos sanguinários, a oração dos santos mártires se elevava calma, ardente e serena: “Pai Nosso, que estais nos Céus...” Perceberam que eles estavam mortos quando pararam de orar.
O último dos mártires chamava-se Jean-Marie. Obrigado a se esconder durante um longo tempo, cansado de sua vida errante, ele desejou ardentemente morrer por sua fé. Apesar dos conselhos de seus amigos, que tentavam dissuadi-lo deste projeto, Jean-Marie resolveu apresentar-se ao rei Mwanga. Ninguém mais o viu, pois em 27 de janeiro de 1887, o rei mandou decapitá-lo e lançá-lo numa lagoa.
A devoção popular aos mártires de Uganda tornou-se universal após São Pio X proclamá-los Veneráveis, em 16 de agosto de 1912. A beatificação ocorreu em 6 de junho de 1920, e receberam a honra da canonização em 18 de outubro de 1964.

Extraído de Marteau de Langle de Cary, 1959, tomo II, pg. 305-308 – África Viva (Vivante Afrique), No 234 - Bimestral - Set-Out/1964.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: Beato João XXIII e São Juan Diego

Fontes: