terça-feira, 15 de junho de 2010

Beatos Mártires da perseguição nazista na Polônia durante a II Guerra Mundial (Memória Facultativa), 16 de Junho

BEATO ANICETO KOPLIN
Aniceto Koplin era originário de Dbrzno, na Pomerania Ocidental, onde entram em contacto duas culturas, a eslava e a alemã; e duas comunidades religiosas, os luteranos e os católicos.
Nasceu no dia 30 de Julho de 1875. Os seus pais chamavam-se Lourenço (Wawrzyniec), de origem polaca, e Berta Moldenhau, alemã, pertencentes à comunidade luterana.
No batismo, em 8 de Agosto de 1875, recebeu o nome de Alberto António. O primeiro nome foi, posteriormente, mudado por Adalberto. Tinha quatro irmãos. Freqüentou a escola elementar e média superior em Debrzno.
Aos 18 anos, no dia 23 de Setembro de 1893, entrou na Ordem dos Capuchinhos, em Sigolsheim. Depois de um ano de noviciado, emitiu os primeiros votos religiosos no dia 24 de Novembro de 1894. Na nossa Ordem recebeu o nome de Aniceto. Depois de terminar a Escola Superior, começou os estudos universitários no Seminário em ordem ao Sacerdócio. Professou solenemente no dia 25 de Novembro de 1897. Ordenou-se sacerdote no dia 15 de Agosto de 1900, na festa da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria.
Depois da ordenação, trabalhou em vários conventos da Província de Westfalia. Destacou-se como bom pregador. Sonhava ser missionário, mas não lhe permitiram ir para "terras de infiéis". Por ordem dos seus Superiores começou a trabalhar com os emigrantes polacos, como Capelão de prisioneiros e feridos de guerra.
No dia 20 de Março de 1901 chegou a Varsóvia. Não são muito claros os motivos desta mudança. Foi chamamento do seu espírito polaco ou teria sido enviado para aprender a língua a fim de ser mais eficaz o seu trabalho com os polacos? De qualquer modo, aquele ano foi marcante na vida de Fr. Aniceto. Ficará para sempre na Polônia.
Por volta de 1930 naturalizou-se polaco, mas, como religioso, permanece sempre como membro da Província Renano-Westfálica. Da língua polaca aprendeu o suficiente para poder ser entendido, mas tinha dificuldade em fazer uma homilia, por isso só o fazia em casos excepcionais.
Em Varsóvia, é famoso como confessor carismático. Procuram-no leigos e eclesiásticos. Foi confessor de Núncios Apostólicos, tais como: Aquiles Ratti, Lourenzo Lauri, Francisco Marmaggi e Felipe Cortesi. Também se confessavam  com ele vários Bispos de Varsóvia: o Cardeal Alexandre Kakowski, Stanislao Gall, José Gawlina.
O seu carisma assentava numa doutrina moral clara, pontual, seguindo sempre o critério de estimular os penitentes para uma vida de perfeição. Possivelmente, neste trabalho, possuía o dom de perscrutar os corações. Era chamado para atender os doentes, mesmo aqueles que rejeitavam a confissão no momento da morte.  Alcançou a conversão  e a reconciliação de muitas pessoas com Deus.
Muita gente se impressionava com a solenidade e a inspiração com que celebrava a Eucaristia. Disso era sinais a calma e o lento desenvolvimento do ritual; dava a impressão de que vivia, efetivamente, a realidade do mistério da Eucaristia.
Em Varsóvia, conhecem-no como mendicante (esmoleiro) e protetor dos pobres. Nos 20 anos que vive nesta cidade, Fr. Aniceto consagrou grande parte do seu tempo, exclusivamente, aos pobres, aos desempregados, aos necessitados. Consagrou-lhes as suas preocupações e capacidade. Inicialmente a sua ação cingiu-se ao distrito de Annpol, sobre a margem direita do rio Vístula.
Os Capuchinhos tiveram a iniciativa de criar uma grande cozinha, capaz de distribuir até umas oito mil refeições. Fr. Aniceto abastecia a mesa com os produtos que conseguia, e isto cobria, em grande parte, as necessidades econômicas. Arranjou trabalho a muitos desempregados, noutras ocasiões, ajudava nos estudos. Quem tivesse qualquer dificuldade podia contar com ele. Criou um sistema especial para pedir ajuda. Conseguiu que um grande número de pessoas oferecessem, semanal ou mensalmente, uma quota para os pobres. Além do dinheiro, recolhia víveres: farinha, pão, sêmola, azeite, açúcar.
Pedia ajuda às pessoas com possibilidades econômicas. Não evitava o assim dito, grande mundo. Ao pedir esmola foi objeto de grandes afrontas e humilhações que, nalguns casos, chegaram a ser físicas. Suportava tudo com calma, não obstante o seu forte caráter, o que causava assombro aos que o conheciam de perto.
Era poeta e sabia latim com perfeição. Freqüentemente fazia poesias nesta língua, em versos acrósticos, ou declamava, em honra de vários personagens do lugar, e assim conseguia esmolas para os seus pobres. A sua poesia estava ao serviço da caridade cristã.
Era muito conhecido na cidade. Não havia uma cerimônia importante em Varsóvia para a qual não fosse convidado. Os transeuntes e cocheiros conheciam-no muito bem e, freqüentemente, paravam-no para poderem acarinhar o famoso esmoleiro capuchinho.
Aniceto tinha sido muito dotado pela natureza, mas todos os seus talentos estavam ao serviço do próximo. À sua volta difundia a serenidade do espírito e alegria interior. Todos se reuniam à sua volta, e ele mostrava a sua bondade, escondida sob o hábito castanho escuro, a sua capacidade de consolar e a solidariedade humana. Encarnava aquela bondade humana que era capaz de atrair ao próximo e aproximá-lo de Deus. Os apelidos que o povo lhe atribuía  - pai dos pobres e esmoleiro de Varsóvia, mostravam a dimensão social da sua figura e, com o tempo, a sua evidente santidade.
Quando começou a II Guerra Mundial, em 1939, Fr. Aniceto não abandonou Varsóvia. Estava diante de uma Guerra que punha frente a frente os seus dois países – a Alemanha, em que tinha crescido, e a Polônia que tinha eleito. Efetivamente, era alemão, mas a sua concepção era universal. Também no plano emocional se identificava como polaco.
Depois da capitulação de Varsóvia, Fr. Aniceto permanece no Convento da cidade. Apesar das dificuldades, foi pródigo na busca de auxílio para os pobres e necessitados, que tinham aumentado grandemente. Para este objetivo, valia-se do conhecimento da sua família alemã. Na Primavera de 1940, os jornais da resistência referiam que 90% da população estava sem trabalho e morria de fome. Aniceto, no limite das suas possibilidades e forças, a todos socorria.
Em Junho de 1940, Fr. Aniceto e o Guardião do Convento, Fr. Inocente Hanski, foram chamados à Sede da Gestapo para serem interrogados. Quando lhes perguntavam se liam o jornal clandestino, Fr. Aniceto disse a verdade. Naquele momento poderá ter dito aos homens da Gestapo que se envergonhava de ser alemão.
Na noite de 26 para 27 de Junho de 1941, a Gestapo cercou o Convento dos Capuchinhos de Varsóvia. Depois de pesquisarem durante algumas horas, prenderam 22 religiosos e, entre eles, Fr. Aniceto. Todos foram trasladados para a prisão de Pawiak a fim de serem interrogados. Os guardas escarneciam os frades. Atormentavam-nos com a conhecida ginástica. Apanharam Fr. Aniceto que, de todos, era o mais velho. Tiraram-lhe o hábito religioso, deixando-o apenas com a camisa e roupa interior, e somente uns dias mais tarde lhe deram roupa de leigo.
No dia 4 de Setembro, Fr. Aniceto foi transferido, juntamente com os restantes irmãos, para o campo de concentração de Auschwitz. Ao descer do comboio foi maltratado; depois, ao caminhar a marcar passo, bateram-lhe várias vezes, porque, dada a sua idade, não podia manter o ritmo. Cansado como estava, ainda foi mordido por um dos cães das SS. No bloco, recebeu o 30.376, como número de matrícula.
Depois do período, dito de quarentena, Fr. Aniceto foi confiado ao bloco 19, porque ele não tinha idade para trabalhar. Isto equivalia a uma tácita condenação à morte. No bloco nunca se tinha salvo ninguém, pelo contrário, em conseqüência de uma ginástica homicida, a morte deveria chegar quanto antes. Todos os dias morriam centenas de prisioneiros nestas circunstâncias. A morte era acelerada com uma injeção de fenol.
Fr. Aniceto morreu no dia 16 de Outubro de 1941. Não conhecemos, com precisão, quais as causas da sua morte: se homicídio ou condições desumanas. O certo é que, um mês e meio depois de entrar no campo de concentração, sofreu o martírio.
A fama do martírio de Fr. Aniceto teve grande repercussão. As numerosas publicações dedicadas à sua vida e martírio são o testemunho do fervor dos fiéis que se recomendam à sua intercessão. No dia 26 de Março de 1999,  o Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo dos Mártires.

BEATO HENRIQUE KRZYZTOFIK
Nasceu no dia 22 de Março de 1908 em Zachorzew. Filho de José e de Francisca Franaszcyk. Foi batizado ma paróquia de Slawno (diocese de Sandormiez – Polónia), no dia 9 de Abril de 1908. Puseram-lhe o nome de José.
Terminada a escola primária em 1925, apresentou-se no Colégio de São Fiel dos Capuchinhos de Lomza. Entrou na Ordem dos Capuchinhos no Comissariado de Varsóvia. No dia 14 de Agosto de 1927 entrou no Convento de Nowe Miasto, onde recebeu o hábito Capuchinho, mudado o seu nome para Henrique (Henryk). Um ano depois, no dia 15 de Agosto de 1928, fez a sua profissão simples. Imediatamente foi enviado para a Holanda, para o Convento capuchinho de Breust-Eysden, Província de Paris. Aqui faz a sua profissão perpétua no dia 15 de Agosto de 1931, e no dia 30 de Julho de 1933 foi ordenado sacerdote. Por determinação dos Superiores, continuou os seus estudos na Faculdade de Teologia da Universidade Gregoriana, residindo no colégio Internacional de São Lourenço, dos Capuchinhos. Em 1935 obteve a Licenciatura em Teologia.
Regressando à Polônia foi destinado ao Convento de Lublín, onde foi professor de teologia dogmática no Seminário dos Capuchinhos. Pouco depois, foi designado Reitor do Seminário e Vigário do Convento. Na igreja do Convento pregou com grande entusiasmo espiritual e fervor interior. A Segunda Guerra Mundial, iniciada no dia 1 de Setembro de 1939, surpreendeu-o no cumprimento desta missão.
O Guardião do Convento de Lublin, Fr. Jesualdo Wilem de Holanda (naquele tempo, os Capuchinhos polacos eram ajudados por Capuchinhos provenientes da Holanda), foi obrigado a renunciar ao serviço de guardião e deixar a paróquia. Fr. Henrique é, então, nomeado guardião do Convento. Nesta condição e ao mesmo tempo Reitor do seminário, encontra-se em situação deveras complicada. Por causa da Guerra, as aulas no ano acadêmico de 1939-1940 começaram muito atrasadas. O clima era extremamente tenso. As tropas alemãs atacavam ferozmente e as detenções continuavam sem interrupção. Neste clima desfavorável, Fr. Henrique tratou de tranqüilizar os seminaristas.
No dia 23 de Janeiro de 1940, a Gestapo prendeu 23 Capuchinhos do Convento de Lublín, entre os quais estava o seu guardião, Fr. Henrique. O primeiro lugar de reclusão foi o Castelo de Lublín, à espera de um lugar na prisão.
Henrique disse: “Irmãos, enquanto temos lucidez mental façamos este bom propósito: qualquer coisa que aconteça, cada um de nós será uma oferenda propiciatória a Deus”. Durante todo o tempo que passou na prisão esteve atento a todos. Pela manhã celebrava a Eucaristia.
No dia 8 de Junho de 1940 foi transferido, juntamente com os outros irmãos, para o campo de concentração de Sachenhausen, perto de Berlim. Ali, “em condições muito precárias, não se esquecia de nenhum de nós”, - escreve um daqueles que partilhou o seu destino no campo de concentração, Fr. Ambrósio Jastrzebski. Quando no Outono de 1940 recebeu um donativo, comprou dois pães, partiu-os em 25 porções – era o número dos Capuchinhos – e disse: “Irmãos, recebamos os dons do Senhor, sirvamo-lo como Ele merece”. O já citado Fr. Ambrósio define assim o gesto do irmão: “Um gesto nobre, que só pode ser apreciado por quem esteve no campo de concentração; e quanta abnegação, diremos heroísmo, se requer para distribuir o pão quando se está com fome”.
No dia 14 de Setembro de 1940, Henrique, juntamente com os restantes irmãos, foi transferido para o campo de concentração de Dachau, onde recebeu o número 22 637. Apesar da dureza da vida no campo, não poupou esforços para ajudar os outros. Tal como estava, doente e fraco das pernas, ajudava os mais débeis, sobretudo os mais idosos. Esteve neste campo de concentração até ao Verão de 1941.
Em Julho de 1941, devido ao seu estremo cansaço que, agora, o impedia de caminhar sozinho, foi trasladado para o Hospital do Campo, o que equivale a uma condenação à morte. Fez chegar aos próprios clérigos uma mensagem secreta, que nos é recordada por um dos destinatários da mesma, Fr. Caetano Ambrozkiewicz: “Queridos irmãos, estou no corredor do bloco 7. estou totalmente magro e desidratado. Peso 35 quilos; só tenho ossos. Estou estendido sobre a minha cama como sobre a cruz, com Cristo. Ele deu-me a graça de sofrer como Ele. Rezo por vós e é por vós que eu ofereço estes sofrimentos a Deus” .
Morreu no dia 14 de Agosto de 1942 e foi incinerado no campo número 12. No dia 26 de Março de 1999,  o Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo dos Mártires.

BEATO FLORIANO STEPNIAK
Fr. Floriano nasceu em  Zdzary, perto de Nowe Miasto, no dia 3 de Janeiro de 1912. Os seus pais eram camponeses e chamavam-se Paulo e Ana Misztal. Foi batizado no dia 4 de Janeiro de 1912, com o nome de José. A sua mãe morreu quando ele era ainda muito pequeno. O seu pai casou-se novamente.
Terminada a escola primária em Zdzary, sentiu um grande desejo de estudar e ser Capuchinho. Graças aos Capuchinhos do Nowe Miasto terminou a escola secundária e, sucessivamente, em 1927, os estudos no Colégio de São Fiel dos Capuchinhos de Lomza.
Tinha pouca capacidade intelectual; supria esta carência com a diligência e o trabalho. Um companheiro de estudos, fr. Caetano Ambrokiewicz, descreveu-o do seguinte modo: “Uma alma santa. Solidário, franco, alegre, era, contudo, um pouco diferente de nós, rapazes inquietos e com a cabeça nas nuvens”.
Entrou na Ordem Franciscana Secular quando era estudante. Seguidamente, entrou na Ordem dos Capuchinhos, iniciando o noviciado no dia 14 de Agosto de 1931. Mudou o nome para Floriano. No noviciado o seu zelo, generosidade e devoção são evidentes. Faz a sua profissão simples no dia 15 de Agosto de 1932. Depois de terminar o curso de Filosofia, no dia 15 de Agosto de 1935, fez a profissão perpétua. Continuou os estudos teológicos em Lublín. Terminados estes, foi ordenado sacerdote no dia 24 de Junho de 1938. Depois, foi enviado para a Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Lublín para estudar Sagrada Escritura.
Quando rebentou a Guerra, no dia 1 de Setembro de 1939, encontra-se em Lublín. Naqueles tempos cruciais não abandonou o Convento, mas continuou a confessar, fielmente. Devido à perseguição, muitos sacerdotes estavam escondidos e não se encontrava ninguém para dar sepultura aos mortos. Fr. Floriano dedicou-se a isso com grande generosidade. Não fazia mais do que pôr em prática aquela frase da vida religiosa que tinha colocado, com a sua própria mão e letra, na faixa da sua ordenação sacerdotal: “Estejamos prontos não só a dar o Evangelho como a própria vida”. Uma frase que  resumia  a essência da sua vida.
Não pode continuar a trabalhar assim durante muito tempo em Lublín. No dia 25 de Janeiro de 1940, juntamente com os restantes irmãos, foi levado para o Campo de concentração de Sachsenhausen, perto de Berlim. Mesmo assim não perdeu o bom humor apesar da vida, no Campo de concentração, ser terrível. No dia 14 de Dezembro de 1940 foi transferido para o campo de Dachau, onde lhe deram o número 22 738.
O frio intenso terminou por afetar a sua saúde. Era um homem de estrutura forte e robusta, que necessitava de muito alimento. À debilidade, por causa da fome, seguiu-se a doença. No Verão de 1942, o seu estado de saúde agravou-se e foi levado ao Hospital do lugar chamado “corsia”. Naquele período, todos os que não podiam trabalhar e os doentes eram destinados para aqui; como inválidos eram transferidos para outro lugar que tivesse "melhores condições". Para lá levaram Fr. Floriano. Depois de algumas semanas, malgrado as rações de fome e as péssimas condições do hospital, a sua saúde melhorou. Como convalescente foi levado para o bloco dos inválidos, o número 29. O seu companheiro de prisão no Campo, Fr. Caetano Ambrozkiewicz, recorda assim o comportamento do Fr. Floriano: “Alguns amigos sacerdotes, que tinham saído do bloco dos inválidos, diziam que Fr. Floriano tinha levado luz àquela barraca horrorosa. Lá, os homens doentes estavam condenados a morrer ali mesmo. Morriam às dezenas e muitos eram conduzidos em grupos para onde não se sabia. Só mais tarde se soube que eram conduzidos para a Câmara de gás, nos arredores de Munich. Quem não estivesse estado naquele lugar não podia fazer uma idéia do que significava, para aquela gente de pele e osso, uma palavra de ânimo e de consolação; o que podia representar o sorriso de um Capuchinho reduzido à mesma situação que eles”.
Quando chega a carta «S» (o seu apelido era Stepniak), Fr. Floriano foi levado para a secção dos inválidos, ainda que se sentisse bem e com forças para regressar ao trabalho. Morreu na câmara de gás no dia 12 de Agosto de 1942.
Supõe-se que o seu corpo tenha sido incinerado. As autoridades do Campo entregaram aos seus pais o hábito religioso dizendo-lhes, falsamente, que o seu filho José tinha morrido de angina de peito. No dia 26 de Março de 1999, O Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo dos Mártires.

BEATO FIEL (FIDÉLIS) CHOJNACKI
Nasceu em Lodz, no dia da Festa de Todos o Santos, no ano de 1906. Era o mais novo de seis irmãos. No Batismo, recebido três dias depois, os seus pais Waclaw e Leokadia Sprusinska, puseram-lhe o nome de Jerônimo (Hieronim).
Na família recebeu uma educação exemplar, freqüentando a paróquia de Santa Cruz. terminada a Escola Superior, inscreve-se na Academia Militar. Concluídos os estudos, não consegue encontrar trabalho. Graças à ajuda de uns parentes trabalha durante um ano em Szczuczyn Nowogrodsky, perto do Instituto da Providência Social (ZUS) e, sucessivamente, trabalha no Centro de Correios de Varsóvia. Era muito apreciado pela sua afabilidade. Ao mesmo tempo, juntamente com o seu tio, Pe. Estanislau Sprudiinski, colaborava na direção da Ação Católica.
Abstêmio, empenha-se na campanha contra o alcoolismo. Trabalhando na Ação Católica, sente a necessidade de uma profunda vida interior. Entrou na Ordem Terceira de São Francisco, na igreja dos Capuchinhos de Varsóvia. A nobreza do seu caráter conquistou a confiança das pessoas e deu-lhe o poder de reconciliar as pessoas desavindas. Naquela altura conquistou a amizade de Aniceto Koplin, famoso esmoleiro de Varsóvia. A proximidade constante com os Capuchinhos suscitou nele a vocação religiosa.
No dia 27 de Agosto de 1933, tomou o hábito capuchinho em Nowe Miasto, recebendo o nome de Fidelis. Não obstante os seus 27 anos e a sua experiência na vida, denotava uma grande simplicidade, mantendo com todos uma grande amabilidade. No noviciado teve a preocupação de conhecer os princípios da vida interior, e dedicou-se empenhadamente no seu próprio aperfeiçoamento espiritual.
Fez a sua profissão simples no dia 28 de Agosto de 1934 e parte para Zakroczym para estudar Filosofia. Aqui, com autorização dos Superiores, fundou um Círculo de Colaboradores Intelectuais para os seminaristas. Prosseguiu com o seu trabalho contra o alcoolismo e fundou um Círculo de Abstêmios; além disso, cooperou com a Terceira Ordem Franciscana.
No princípio de 1937, superou com ótima classificação o exame final de Filosofia. No dia 28 de Agosto de 1937, fez a sua profissão perpétua. Depois, estudou Teologia no Convento de Lublín. No início da Segunda Guerra Mundial freqüentava o terceiro ano de Teologia. Numa carta, datada de 18 de Dezembro de 1939, para o seu tio, Pe. Estanislau, manifestou alguma desorientação e batimento pelo fato de não poder viver e estudar normalmente.
Um mês depois do Natal de 1939, no dia 25 de janeiro de 1940, foi preso e internado na Prisão do castelo de Lublín. Suportou com serenidade e com certo bom humor as duras condições da prisão, a falta de movimentos, de espaço e de ar. Passados cinco meses, a 18 de Junho de 1940, foi transferido, juntamente com todos os do grupo, para o campo de concentração de Sachsenhausen. Trata-se de um Bloco modelo, de um verdadeiro selo prussiano, especialmente na disciplina e na ordem, cuja finalidade era o aniquilamento do indivíduo. Aqui, o Fr. Fidelis perdeu o seu otimismo. O tratamento inumano dos prisioneiros chocavam-no e induzia-o ao pessimismo.
No dia 14 de dezembro de 1940, num comboio de sacerdotes e religiosos, foi transferido para o Campo de concentração de Dachau, perto de Munique, na Baviera, onde o seu estado de espírito piorou. Imprimiram-lhe no braço o seu número: 22 473. As notícias das contínuas vitórias militares, vindas da frente de batalha alemã, não permitiam aos prisioneiros pensar em sair dali um dia. A fome, o trabalho e as perseguições eram cada vez maiores. Ia perdendo a esperança de sair, rapidamente, do Campo de concentração, e as suas energias iam diminuindo. Devido ao trabalho superior às suas forças, à fome e à escassez de roupa, o Fr. Fidelis contraiu uma doença pulmonar.
Uma manhã de Inverno de 1942, enquanto transportava juntamente com outro companheiro uma grande caldeira de café para a cozinha, resvalou, e o café provocou-lhe uma grande queimadura. A dura situação a que o sujeitava o chefe do Bloco ainda o debilitou mais. Fr. Caetano Ambrozkiewicz, seu companheiro no campo de concentração, narra assim o adeus do Fr. Fidelis: “Nunca esquecerei aquela tarde de domingo do Verão de 1942, quando o Fr. Fidelis saiu da nossa barraca 28 para ser transferido para o Bloco dos inválidos. Estava estranhamente absorto, nos seus olhos havia um reflexo de serenidade, mas não era uma serenidade deste mundo. Despediu-se de todos com as palavras de São Francisco – Seja louvado Jesus Cristo, ver-nos-emos no Céu”.
Pouco tempo depois, no dia 9 de Julho de 1942, é internado no Hospital do Campo. O seu corpo foi levado ao crematório. No dia 26 de Março de 1999, o Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo dos Mártires.

BEATO SINFORIANO DUCKI
Nasceu no dia 10 de Maio de 1888 em Varsóvia. Os seus pais chamavam-se Julião Ducki e Mariana Lenardt. No batismo, celebrado no dia 27 de Maio, recebeu o nome Félix (Feliks). Freqüentou a escola elementar na sua cidade natal.
Em 1918, quando os Capuchinhos regressaram ao seu Convento, donde foram expulsos durante a perseguição Czarista de 1864, Félix apresentou-se como um aspirante de velha data à vida da Ordem Capuchinha, juntando-se a eles primeiro como aspirante. No dia 9 de Maio de 1920, depois de dois anos de prova, entrou no noviciado em Nowe Miasto, com o nome de Sinforiano, que terminou no dia 20 de Maio de 1921 com a sua profissão simples. Terminado o ano do noviciado, dedicou-se ao serviço dos irmãos nos Conventos de Varsóvia, de 27 de Maio de 1924 até à sua profissão solene que ocorreu no dia 22 de Maio de 1925.
Em Varsóvia, exerceu o ofício de irmão esmoleiro empenhando-se, sobretudo, em recolher donativos para a construção do Seminário Menor de São Fidelis, e depois, foi nomeado irmão Sócio do Ministro Provincial.
De caráter sociável, simples, cortês e amistoso, conquistava com facilidade a amizade das pessoas e conseguia novos amigos para a Ordem. Não obstante a sua vida muito ativa entre as pessoas, não perdeu o espírito de oração devota e fervorosa. Era conhecido e estimado pelos habitantes da capital.
Ao começar a Segunda Guerra Mundial, preocupou-se com que não faltasse o necessário, até, que, no dia 27 de Junho de 1941, a Gestapo prendeu todos os Capuchinhos do Convento da capital. No início, Fr. Sinforiano foi internado na prisão de Pawiak, e, depois, no dia 3 de Setembro, no Campo de concentração de Auschwitz. De compleição física robusta, sente mais que os outros a fome e as perseguições, tudo suportando em silêncio. A pouca quantidade de comida dada pelos alemães, realmente, não satisfazia nem uma quarta parte das necessidades do organismo de um homem normal. Depois de sete meses foi condenado a morrer lentamente.
Uma noite, enquanto os alemães tinham começado a matar brutalmente os prisioneiros, partindo-lhes a cabeça à paulada, Fr. Sinforiano afrontou-os fazendo sobre eles o sinal da Cruz. A testemunha ocular – seu companheiro de prisão, Czeslaw Ostankowich, declara que foi golpeado na cabeça com um pau, caindo ao chão. Pouco depois, com a pouca força que lhe restava, volta a fazer o sinal da cruz. Foi nesse preciso momento que o assassinaram. Era o dia 11 de Abril de 1942.
A morte de Fr. Sinforiano pôs fim à tremenda execução que os alemães estavam a perpetrar, e uma quinzena de prisioneiros salvou-se graças à sua intervenção. Estes carregaram com grande veneração os restos mortais de Fr. Sinforiano, juntamente com outros, no carro que os levaria até ao forno crematório.
Com o seu martírio, Sinforiano demonstrou grande heroísmo, confessou a sua fé na Santíssima Trindade e salvou a vida a muitos companheiros. No dia 26 de Março de 1999, o Papa João Paulo II inscreveu-o no Catálogo dos Mártires.

Fontes:

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Santa Maria Micaela do Santíssimo Sacramento, Religiosa, Fundadora (+1865), 15 de Junho


Micaela nasceu em Madrid, Espanha, no dia 1º de Janeiro de 1809. Nobre e generosa como o seu pai, piedosa e caritativa como a sua mãe, ótimos alicerces para o controvertido trabalho em favor das mulheres que viviam da prostituição. Para elas abriu a sua primeira casa no dia 21 de Abril de 1845.

Como com qualquer pessoa, o seu caminho de santidade não foi fácil. O Espírito Santo fazia a Sua parte nos exercícios espirituais decisivos, em Abril de 1847, assim como na festa de Pentecostes do mesmo ano, brindando-a com uma graça extraordinária. Ela foi titubeando, entre obras de caridade e a vida mundana que a sua classe social exigia; as cortes de Paris e Bruxelas abriam-lhe as suas portas, juntamente com o seu irmão Diego, embaixador da Espanha nos anos 1847 e 1848, respectivamente. Precisamente os mesmos anos em que ela procurava com verdadeira paixão o seu lugar, o seu caminho, a orientação total da sua vida. Conseguiria ela, no meio de tanto bulício, ouvir a única voz que pacifica e dilacera? Saberia ela escolher, entre os muitos candidatos amantes, o único AMOR da sua vida? "Vi-O tão grande, tão bom, tão AMANTE e misericordioso, que decidi não servir mais que a Ele, que tudo reúne para preencher o meu coração."
E começou a semear casas de acolhimento, em meio a dificuldades econômicas, incompreensões e perseguições, gerando filhas acolhedoras que, juntamente com ela, guiadas pelo Espírito Santo e alimentadas na Eucaristia, deram origem à Congregação de Adoradoras Escravas do Santíssimo Sacramento e da Caridade. É o dia 1º de Março de 1856.
Micaela, que agora já se chama Madre Sacramento, faleceu no dia 24 de Agosto de 1865. Morreu como os santos: dando a vida "pelas suas jovens", num gesto de heróica caridade; "por uma só que se salve, eu daria a minha vida". Ainda não tinham se passado 70 anos da sua morte e a Igreja proclamou-a santa. Foi o Papa Pio XI quem, no dia 4 de Março de 1934, elevando-a aos altares, disse à comunidade dos crentes que o caminho de Micaela foi, sem dúvida, um caminho de santidade.
Ver também: Santa Germana Cousin

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100615&id=11761&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=37205&language=PT&img=&sz=full

domingo, 13 de junho de 2010

São Metódio, o Confessor, Patriarca de Constantinopla (790-847), 14 de Junho

Os gregos professam uma grande devoção a São Metódio, Patriarca de Constantinopla, devido ao importante papel que desempenhou na luta contra os iconoclastas, por sua decisiva contribuição para a sua derrota final, bem como pela sua resistência heróica diante das perseguições que sofreu e, portanto, é honrado com os títulos do "Confessor" e "o Grande".
Metódio, que era natural de Sicília, em Siracusa, sua cidade natal, recebeu uma excelente educação e transferiu-se para Constantinopla com objetivo de obter um posto na corte. Lá, porém, ele conheceu um monge por quem passou a ter um grande afeto e, movido por seu aconselhamento espiritual, decidiu deixar o mundo e entrar para a vida religiosa. Construiu, mais tarde, um monastério na ilha de Kios, e quando apenas começava a formar a sua comunidade, foi chamado à Constantinopla pelo então Patriarca Nicéforo. Em 815, durante a segunda fase das perseguições iconoclastas, sob o reinado de Leão o Armênio, adotou uma atitude bastante firme e corajosa em defesa da veneração às imagens sagradas. Imediatamente após a deposição e exílio de São Nicéforo, Metódio partiu para Roma, provavelmente com a missão de informar ao Papa São Pascoal I, sobre a situação em Constantinopla, permanecendo por lá até a morte do Rei Leão V de Constantinopla.
Acalentava-se grande esperança de que o seu sucessor, Miguel, o Tartamudo, fosse ficar favorável aos cristãos e, em 821, São Metódio retornou à Constantinopla com uma carta do Papa São Pascoal ao imperador, na qual solicitava a reposição de São Nicéforo ao trono de Constantinopla. Entretanto, logo que Miguel Tartamudo leu a carta, encheu-se de cólera, acusando Metódio de agitador profissional e de tentar criar sedição, ordenando que fosse banido, após receber uma grande surra. Alega-se que, em vez de bani-lo, foi aprisionado por sete anos numa espécie de túmulo ou mausoléu, juntamente com outros dois ladrões. Um deles morreu logo, mas o santo e seu outro companheiro de infortúnio foram abandonados em sua estreita prisão até que se cumprisse toda a sentença.
Metódio, ao ser libertado, estava como um esqueleto, mantendo apenas um sopro de vida e, mesmo assim, conservava íntegro o seu espírito. Num curto espaço de tempo, já se encontrava plenamente restabelecido. Teve início, então, uma nova perseguição, patrocinada, desta vez, pelo imperador Teófilo. Metódio foi levado à sua presença e frontalmente acusado de novo de ter se envolvido em atividades subversivas no passado e de ter incitado o papa a escrever a famosa carta. O santo respondeu firmemente que tudo era falso, aproveitando a oportunidade para expressar as suas opiniões sobre o culto às imagens com estas palavras: "Se uma imagem tem tão pouco valor aos vossos olhos, e se renegais e condenais as imagens de Cristo, por que, do mesmo modo, não condenais também a veneração às vossas próprias representações? Ao contrário, longe de condenar o culto às vossas imagens, multiplicais continuamente!"
Com a morte do imperador, em 842, sucedeu-o no trono a sua viúva, Theodora como regente de seu pequeno filho Miguel III. A Imperatriz se declarou favorável à veneração das imagens sagradas, tornando-se sua protetora. Durante um período de 30 anos, portanto, cessaram as perseguições, e os clérigos exilados puderam retornar, as imagens sagradas foram restituídas às igrejas de Constantinopla, e grande foi a alegria entre todos. João, o Gramático, iconoclasta declarado, foi deposto do trono, e São Metódio foi restabelecido em sua cátedra de Constantinopla.
Entre os principais acontecimentos que marcaram o Patriarcado de São Metódio, destaca-se a realização de um Sínodo em Constantinopla, que ratificou os cânones promulgados pelo Concílio de Nicéia sobre os ícones; a instituição de uma festa da Ortodoxia denominada o "Triunfo da Ortodoxia", que até os dias atuais é celebrada no primeiro domingo da Grande Quaresma; e o traslado das relíquias de seu predecessor, São Nicéforo, para Constantinopla. Além disso, este período de reconciliação ficou marcado por uma forte disputa entre os monges estuditas, que antes haviam sido os mais fervorosos apoiadores de São Metódio. Ao que parece, a causa destas desavenças teria sido a condenação de certos escritos de São Teodoro, o Estudita, pelo Patriarca.
Após quatro anos no Trono Patriarcal de Constantinopla, São Metódio morreu, vítima de hidropesía, em 14 de junho de 847. O santo foi um escritor bastante profícuo. Mas, lamentavelmente, das muitas obras de poesia, teologia e controvérsias que lhe são atribuídas, restaram apenas alguns fragmentos que, ainda assim, podem não ser autênticos. No entanto, nos tempos modernos, graças a certas provas manuscritas recentemente descobertas, as autoridades no assunto estão inclinadas a crer que São Metódio seja, de fato, autor de alguns escritos hagiográficos que ainda estão conservados, especialmente "A Vida de São Teófanes".

Tradução:
Padre André
Fontes: 
http://www.levangileauquotidien.org/zoom_img.php?frame=36602&language=FR&img=&sz=full

sábado, 12 de junho de 2010

Santo Antônio de Lisboa, Presbítero, Doutor da Igreja (+1231), 13 de Junho

Santo Antônio nasceu em Lisboa, provavelmente a 15 de Agosto de 1195, numa casa junto das portas da antiga cidade (Porta do Mar), que se pensa ter sido o local onde, mais tarde, se ergueu a Igreja em sua honra. Tendo então o nome de Fernando, fez na vizinha Sé os seus primeiros estudos, tomando mais tarde, em 1210 ou 1211, o hábito de Cônego Regrante de Santo Agostinho, em São Vicente de Fora, pela mão do Prior D. Estêvão.

Ali permaneceu até 1213 ou 1214, data em que se deslocou para o austero Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde realizou os seus estudos superiores em Direito Canônico, Ciências, Filosofia e Teologia. Segundo a tradição, talvez um pouco lendária, o Santo tinha uma memória fora do comum, sabendo de cor não só as Escrituras Sagradas, como também a vida dos Santos Padres.
As relíquias dos Santos Mártires de Marrocos que chegaram a Coimbra em 1220, fizeram-no trocar de Ordem Religiosa, envergando o burel de Frade Franciscano e recolher-se como Eremita nos Olivais (em Coimbra). Foi nessa altura que mudou o seu nome para Antônio e decidiu deslocar-se a Marrocos, onde uma grave doença o reteve todo o inverno na cama. Decidiram os superiores repatriá-lo como medida de convalescença. Quando de barco regressava a Portugal, desencadeou-se uma enorme tempestade que o arrastou para as costas da Sicília, sendo precisamente na Itália que iria revelar-se como teólogo e grande pregador.
Em 19 de Março de 1222, em Forli, falou perante religiosos Franciscanos e Dominicanos recém ordenados sacerdotes e tão fluentemente o fez que o Provincial pensou dedicá-lo imediatamente ao apostolado. Fixou-se em Bolonha onde se dedicou ao ensino de Teologia, bem como à sua leitura. Exercendo as funções de pregador, mostrou-se contra as heresias dos Cátaros, Patarinos e Valdenses. Seguiu depois para França com o objetivo de lutar contra os Albijenses e em 1225 prega em Tolosa. Na mesma época, foi-lhe confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e seria custódio da Província de Limoges, um cargo para que foi eleito pelos Frades da região. Dois anos mais tarde instalou-se em Marselha, mas brevemente seria escolhido para Provincial da Romanha.
Assistiu à canonização de São Francisco em 1228 e deslocou-se a Ferrara, Bolonha e Florença. Durante 1229 as suas pregações dividiram-se entre Vareza, Bréscia, Milão, Verona e Mântua. Esta atividade absorvia-o de tal maneira que a ela passou a dedicar-se exclusivamente. Em 1231, e após contactos com Gregório IX, regressou a Pádua, sendo a Quaresma do ano seguinte marcada por uma série de sermões da sua autoria. Instalou-se depois em casa do Conde de Tiso, seu amigo pessoal, onde morreu em 1231 no Oratório de Arcela.
O fato de ter sido canonizado um ano após a sua morte, mostra-nos bem qual a importância que teve como Homem, para lhe ter sido atribuída tal honra. Este ato foi realizado pelo Papa Gregório IX, que o chamou de "Arca do Testamento".
Considerado Doutor da Igreja e alvo de algumas biografias, todos os autores destas obras são unânimes em considerá-lo como um homem superior. Daí os diversos atributos que lhe foram conferidos: "Martelo dos hereges, defensor da fé, arca dos dois Testamentos, oficina de milagres, maravilha da Itália, honra das Espanhas, glória de Portugal, querubim eminentíssimo da religião seráfica etc.".
Com a sua vida, quase mítica, quase lendária, mas que foi passando de geração em geração, e com os milagres que lhe foram atribuídos em bom número, transformou-se num taumaturgo de importância especial.

Ver também: Beato Afonso Maria Mazurek

Fontes:

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Nossa Senhora do Sameiro / São João de Sahagún, Apóstolo de Salamanca (+1479), 12 de Junho

Em 14 de Junho de 1637, o então Arcebispo de Braga jurou solenemente defender o privilégio da Imaculada Conceição da Virgem Nossa Senhora, mais de duzentos anos antes de a Igreja definir o seu dogma. Na mesma data de 1863, foi benzida e lançada a primeira pedra de um monumento em honra de Maria Imaculada, no alto do monte Sameiro, sobranceiro à cidade. O monumento era um amplo quadrado com uma coluna encimada por uma bela estátua de mármore da padroeira.
Só em Agosto de 1880 foi benzida uma capela, junto ao monumento, que receberia a imagem que ainda hoje lá se venera, esculpida em Roma e benzida pelo Papa Pio IX.
O atual templo, que alberga a mesma imagem, foi iniciado dez anos depois e elevado por Paulo VI à categoria de Basílica.
Dos finais do século XIX ao primeiro quartel do século XX, o Sameiro aparece como “centro de convergência de orientação e de apoio de todas as forças católicas da Nação contra o indiferentismo, o liberalismo e a perseguição religiosa reinante”. Pólo de grandes peregrinações, só em 1955 entraram no Sameiro mais de um milhão de pessoas. Por outro lado, acarinhado por vários Papas, a partir de Pio IX, o santuário foi visitado em 1982 por Sua Santidade João Paulo II e a ele dedicou o monumento ao Papa Peregrino.
A festa da Senhora do Sameiro foi fixada em 12 de Junho, dia em que S. Pio X coroou oficialmente a imagem de Nossa Senhora da Conceição.



São João de Sahagún
João Gonzáles de Castrillo, filho de nobres e cristãos, nasceu em 1430 na cidade de Sahagún, reino de León, Espanha. Estudou na sua cidade natal com os monges beneditinos da Abadia de São Facundo, recebendo a ordenação sacerdotal em 1453.
O Arcebispo de Burgos nomeou-o seu pajem e, depois, cônego e capelão da diocese. Depois da morte do bispo, João doou todos os seus bens, menos uma residência, onde construiu a capela de Santa Agnes, em Burgos. Devoto da Santíssima Eucaristia, celebrava a Missa diariamente, ministrando o Sacramento, pregando para a população pobre e ignorante. Esta era sua maneira de catequizar. Mas depois João afastou-se para cursar teologia na faculdade de Salamanca. Porém, antes de retornar à sua diocese, deixou sua marca nesta cidade.
Consta dos registros oficiais que, certa vez, a comunidade se dividiu em dois partidos antagônicos e a disputa saiu do campo das idéias para chegar a uma luta de vida e morte. Entretanto, antes que a batalha iniciasse, João colocou-se entre os dois, pregou, orientou, aconselhou e um pacto de paz foi assinado entre eles para nunca mais haver derramamento de sangue. Desde então ganhou o apelido de "O Pacificador".
O seu fervor ao celebrar o Santo Sacrifício emocionava os fiéis, que em número cada vez maior acorria para ouvir seus ensinamentos. Um fato foi relatado sobre ele e que todos aqueles que estavam dentro da igreja também presenciaram: a forma do corpo de Jesus em uma de suas consagrações. Com isto passou a ser o conselheiro espiritual de todos na cidade e todos seguiam seus conselhos.
Em 1463 ele foi acometido de uma doença muito grave. Nesta ocasião decidiu que depois de curado entraria para uma ordem religiosa. No ano seguinte, ingressou na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho em Salamanca. Conhecido como João de Sahagún, logo foi o noviço sênior enquanto continuava a pregar em público, tornado seus sermões cada vez mais eloqüentes e destemidos.
Consta que durante uma de suas pregações condenava com veemência os poderosos e, ao perceber a presença de um duque que se sentiu atingido pelo discurso, disse diretamente a ele que não temia a morte, como se adivinhasse seus pensamentos.
Chamado de Apóstolo de Salamanca, foi eleito Prior da comunidade em 1478. Ele mesmo previu a sua morte. Que ocorreu como uma conseqüência dos dons que possuía de enxergar o coração das pessoas e de aconselhá-las, para conseguir a conversão e a remissão da vida pecadora destes cristãos. Ele foi envenenado, por vingança de uma ex-amante, cujo companheiro, convertido por ele, abandonou-a para voltar à vida familiar cristã.
João de Sahagún morreu em 11 de junho de 1479. Venerado ainda em vida por sua santidade, depois da morte, as graças e milagres por sua intercessão continuaram a ocorrer. O seu culto foi autorizado para o dia 12 de junho, quando foi declarado Santo pela Igreja em 1690. A cidade de Salamanca considera São João de Sahagún um dos seus padroeiros.

Ver também: Beato Ludovico Mzyk

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100612&id=11514&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=75765&language=PT&img=&sz=full

Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, Sexta-feira, 11 de Junho de 2010

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus já existia desde os primeiros tempos da Igreja, desde quando se meditava sobre o lado e o Coração abertos de Jesus, de onde saíram sangue e água. Deste Coração nasceu a Igreja e por este mesmo Coração se abriram as portas do Céu. A devoção ao Sagrado Coração de Jesus está acima das outras devoções porque veneramos o mesmo Coração de Deus. Mas foi o próprio Jesus que, no Século XVII, em Paray-le-Monial, na França, pediu, através de uma humilde religiosa, que se estabelecesse definitiva e especificamente a devoção ao Seu Sacratíssimo Coração.
De fato, em 16 de junho de 1675, Jesus apareceu a Santa Margarida Maria Alacocque. Seu Coração estava rodeado de chamas de amor, coroado de espinhos, com uma ferida aberta da qual jorrava sangue e, do seu interior, surgia uma Cruz. Santa Margarida Maria escutou Nosso Senhor dizer-lhe: “Eis aqui o Coração tanto tem amado os Homens, e que em troca, da maior parte dos Homens, nada recebe além de ingratidão, irreverência e desprezo, neste Sacramento de amor.” Com estas palavras, Nosso Senhor mesmo nos diz em que consiste a devoção ao Seu Sagrado Coração. A devoção em si é voltada para a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo e ao Seu amor não correspondido, representado por Seu Coração. Portanto, dois são os atos essenciais desta devoção: amor e reparação. Amor, pelo muito que Ele nos ama. Reparação e desagravo, pelas muitas injúrias que Ele recebe, sobretudo na Sagrada Eucaristia.
A devoção ao Coração de Jesus não apenas preenche inteiramente os requisitos mencionados no documento do Concílio Vaticano II referentes à Liturgia como, além disso, encontra-se enraizada nas entranhas do mesmo Evangelho de onde procedem todos aqueles ideais, atitudes, condutas e práticas fundamentais, definidoras do autêntico cristianismo e peculiares do culto cristão. Neste sentido, a devoção ao Coração de Jesus está totalmente de acordo com a essência do cristianismo, que é religião de amor, tendo por fim o aumento do nosso amor a Deus e aos Homens. Não surgiu repentinamente na Igreja, nem se pode afirmar que sua origem provém de revelações privadas, pois é evidente que as revelações a Santa Margarida Maria Alacocque não adicionaram novidade alguma à Doutrina Católica.
A importância dessas revelações é que serviram unicamente para que, de forma extraordinária, Cristo nos chamasse a atenção e nos fixássemos nos mistérios do Seu amor. “Em Seu Coração devemos depositar todas as esperanças”, uma vez que “a Eucaristia, o Sacerdócio e Maria são dons do Coração de Jesus” (Papa Pio XII, Encíclica Haurietis Aquas).

Fontes: 
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=SP&module=saintfeast&localdate=20100611&id=12881&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=53434&language=SP&img=&sz=full

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Beato João Dominici, Religioso, Teólogo, Escritor, Fundador (+1419), 10 de Junho

João Dominici nasceu no ano 1355, em Florença, na Itália. De origem muito humilde ele teve sérias dificuldades para estudar e, além disso, gaguejava. Com forte vocação religiosa, tentou ingressar no convento dos dominicanos, mas foi recusado pela falta de qualificação intelectual e o fato de ser gago também pesou. 
Apesar destas desvantagens, João não desistiu, na segunda tentativa, aos dezessete anos, ingressou na Ordem Dominicana no convento de Santa Maria Novella. Surpreendeu a todos pelo caráter afável e generoso, pela inteligência e dedicação nos estudos, pelo destacado zelo às regras, às orações e pela austeridade de vida e duras penitências.
A única coisa que o entristecia era a dificuldade encontrada na pregação dos vigorosos sermões que escrevia, mas que ao serem pronunciados pareciam ridículos. Em 1381 sua cura aconteceu, quando prostrado e chorando orou à Santa Catarina de Siena, para que intercedesse por ele. E a Santa de sua devoção o atendeu. Foi completar os estudos em Pisa e Paris tornando-se um excelente teólogo e um eloqüente pregador.
Ao destacado ministério da Palavra uniu sua talentosa eficácia de escritor, cujas obras alcançaram um alto valor catequético e pedagógico. Tornou-se estreito colaborador de Raimundo da Cápua, agora Beato, Provincial daquela região, que à época se dedicava a restaurar as regras da estrita observância, tanto assim que foi considerado um segundo fundador da Ordem Dominicana. Este Provincial enviou João à Veneza, em 1394, para promover a Reforma em todos os conventos e mosteiros.
Ali foi eleito prior do convento de Santa Maria Novella e em seguida começou a obra da restauração da estrita observância, pelo Convento de São Domingos de Veneza. Depois foi de convento em convento preparando o grande reflorescimento da santidade e do apostolado, como o fundador da Ordem dos pregadores, São Domingos, havia projetado.
Fundou um convento feminino chamado de Corpus Christi e o Convento masculino de São Domingos de Fiesole, que foi celeiro de Santos e de apóstolos, entre os quais se destacaram Antonino e Frà Angélico, ambos discípulos de João Dominici. Em 1406 ele foi nomeado pelo Papa Gregório XII, seu Embaixador em Florença. E dois anos depois, animado pelas virtudes de João, o consagrou Arcebispo de Ragusa e Cardeal do título de São Xisto.
Participou entre 1414 e 1418, do Concílio de Constança conseguindo com sua influência e autoridade de confessor particular e conselheiro pessoal do Papa Gregório XII, que este renunciasse, colocando um fim no cisma que iniciara na Igreja do Ocidente.
O novo Papa, Martinho V, em 1418, o nomeou Delegado do seu governo, para a Boêmia, Polônia e Hungria, onde novas heresias começavam a proliferar. Porém seu zeloso trabalho apostólico foi interrompido, quando uma febre fulminante lhe tolheu a vida, em 10 de junho de 1419, na cidade de Budapeste, na Hungria. 
O Papa Gregório XVI beatificou João Dominici em 1832, confirmando para o dia de sua morte o culto litúrgico.

Ver também: Santo Anjo da Guarda de Portugal

Fontes: