sexta-feira, 25 de junho de 2010

São Ladislau, Rei da Hungria (1031-1095), 27 de Junho

Príncipe de vida exemplar, rigoroso contra toda injustiça, caritativo, paciente e fervoroso, modelo de como se pode praticar a virtude heróica no trono.
A Idade Média, tempo em que a filosofia do Evangelho governava os povos, deu frutos de santidade maiores do que em qualquer outra época. Para só falar no campo civil, vemos grandes santos desde o cimo da escala social até o mais baixo dela: imperadores, reis, duques e até pastores e empregadas domésticas.
São Ladislau, rei da Hungria, pertence ao número dos que praticaram no trono a virtude em grau heróico, sendo modelo para seus súditos e para os fiéis em geral. Era filho do rei Bela e neto de um primo-irmão do rei Santo Estêvão, da Hungria. Nasceu em 1041 na Polônia, onde se havia refugiado seu pai para fugir das violências de Pedro, o Germânico, sucessor de Santo Estêvão. Sua mãe, filha do duque Mesco, deu profunda formação religiosa a ele e a seu irmão Geisa.
Morto Pedro, o Germânico, subiu ao trono da Hungria André, irmão mais velho de Bela e tio de Ladislau. Chamou-os novamente à corte, deu a Bela o título de duque e quis que seus dois sobrinhos fossem criados em seu palácio, à sua vista, pois não tinha herdeiros. Como já ocorrera na Polônia, logo a corte admirou as virtudes de Ladislau, jovem casto, sóbrio, humilde, afável com todos e de extrema caridade para com os pobres.
 Ocorreu então que ao rei André nasceu um filho, Salomão, revogando ele o ato pelo qual havia designado Bela como seu sucessor. Bela não aceitou a medida e levantou-se em armas contra o irmão. André, ferido no combate, faleceu pouco depois, e Bela proclamou-se rei. Isso chocou muito a Ladislau, não só por ter sido seu pai responsável direto pela morte do tio, mas também porque julgava que o direito à sucessão pertencia a Salomão. Quando seu pai faleceu, trabalhou para que Salomão o sucedesse, o que ocorreu.
No trono, Salomão mostrou-se cruel e sanguinário, sendo deposto por Geisa, irmão de Ladislau, que foi proclamado rei. Mas Geisa faleceu apenas três anos depois, sem sucessor direto. Os prelados, a nobreza e os magistrados das principais cidades da Hungria, por unanimidade, escolheram-no para sucedê-lo, mas ele não queria aceitar a coroa em detrimento de Salomão, ainda vivo, por considerá-lo legítimo herdeiro do trono. Entretanto os húngaros mostraram-lhe que a sucessão no país não era hereditária, mas eletiva, pelo que tinham direito de escolher aquele que julgassem mais apto para governar. Diante disso ele concordou, mas não quis ser coroado nem usar diadema enquanto Salomão vivesse.

Reinando por Nosso Senhor Jesus Cristo
Esse príncipe verdadeiramente cristão quis fazer Jesus Cristo reinar em seus estados. Sua primeira providência foi restituir à Religião seu primitivo esplendor, trabalhando também para extinguir os últimos restos de paganismo no país e fazer nele reinar a paz de Cristo. Para progresso e esplendor da verdadeira Religião, dedicou-se a reformar as igrejas deterioradas e a construir novas. Entre elas edificou a célebre basílica de Nossa Senhora de Waradin, que se tornou magnífico monumento de piedade mariana e de louvor à Virgem Mãe de Deus, de quem era fiel devoto.
Notável por sua bondade, justiça e caridade, Ladislau constituiu-se o sustentáculo dos órfãos, dos infelizes e de todos os aflitos. Mostrava em seus julgamentos tanta suavidade e desejo de ajudar, que era olhado mais como um pai que acomodava as diferenças dos filhos do que como juiz.
Em seu palácio não se ouviam imprecações, blasfêmias nem palavras desonestas. Os jejuns eclesiásticos eram observados rigorosamente. Cada um procurava ser tão exímio em seu comportamento, que se diria terem alcançado a perfeição de um palácio real.
Ladislau convocou e presidiu uma assembléia entre os prelados e a nobreza, submetendo à sua deliberação uma série de ordenações de acordo com as peculiaridades de seu povo e a Lei Divina. Tais ordenações foram muito eficazes, mas o exemplo do rei era ainda mais cogente do que qualquer lei para manter os súditos em seus deveres e na exemplaridade de vida. Ele somente ordenava aquilo que era o primeiro a cumprir, e sendo o mais fiel cumpridor dos mandamentos de Deus e da Igreja, tornou-se uma lei viva, que indicava a cada um o próprio dever.

Propõe-se a abdicar em favor do primo
Ladislau fez de tudo para conquistar para Deus seu primo Salomão. Concedeu-lhe uma pensão principesca para que vivesse de acordo com seu nascimento, e enviou várias vezes altos prelados e homens de Estado para tentar aplacá-lo. Ofereceu mesmo deixar-lhe o trono, se ele mudasse de vida. Salomão respondeu a isso com traições e ameaças à vida do santo, chegando a conjurar-se com os hunos para atacar o país. Derrotado, foi preso numa praça forte.
Mas não por muito tempo. Quando Ladislau quis trasladar os restos de Santo Estêvão para um lugar mais digno e mandou exumá-los, os operários não conseguiam abrir o túmulo, por mais que tentassem. Uma santa religiosa declarou então ao rei que, segundo manifestação divina, a causa daquela dificuldade era a sua excessiva severidade contra Salomão, que desgostara grandemente ao Senhor. Ele acatou com humilde simplicidade a determinação divina e mandou libertar o prisioneiro, devolvendo-lhe todos os seus bens.
Salomão empenhou-se depois em várias guerras contra príncipes vizinhos, foi derrotado e forçado a fugir para uma espessa floresta, da qual não reapareceu. Historiadores dizem que, no isolamento, ele finalmente se arrependeu de seus desmandos. E, para fazer penitência, passou vários anos como solitário na floresta, onde morreu santamente, sendo enterrado em Póla, cidade da Ístria. Esse feliz resultado seria devido em grande parte às orações de São Ladislau, que não deixava de rezar por ele.

Valente na batalha, magnânimo na vitória
Embora fosse de índole pacífica, e talvez por causa disso, Ladislau teve que fazer face a vários inimigos que tentavam despojá-lo de seu trono. Procurava resolver os litígios por meios pacíficos, mas quando estes não surtiam efeito, saía destemidamente à frente de suas tropas. Assim, venceu os poloneses, tomando-lhes de passagem Cracóvia, sua capital; expulsou os bárbaros da Dalmácia e os hunos, que assolavam a Hungria, obrigando-os a pedir paz. Conquistou também parte da Bulgária e da Rússia.
De estatura elevada e majestosa, nas guerras ele era o primeiro a cavalo. À testa do exército, cumpria as funções do mais intrépido capitão e bravo soldado. Naqueles tempos cavalheirescos, para poupar vidas humanas, ele desafiava os generais dos exércitos inimigos para combates singulares, nos quais saía sempre vencedor.
Antes de empreender qualquer expedição, ordenava orações públicas e três dias de jejum para o bom êxito da empresa. De sua parte, preparava-se também com o jejum e a recepção dos sacramentos, para que o Senhor dos Exércitos lhe fosse propício. Era tão valente no campo de batalha quanto magnânimo na vitória.

Libertar a Terra Santa do islamismo
O que sobretudo almejava esse destemido rei era conduzir um exército contra os infiéis, para retomar a Terra Santa. Assim, quando o bem-aventurado papa Urbano II pregou a Cruzada, quis ser dos primeiros soldados da cruz. E quando os reis da França, Espanha e Inglaterra — que também fariam parte da expedição — pediram a Ladislau que chefiasse a armada, aceitou muito contente e se preparou para a tarefa. Mas os planos de Deus eram outros. Houve uma insurreição entre os boêmios, e ele foi forçado a pacificá-los. Caiu gravemente enfermo, e soube que seus dias estavam contados.
Tendo recebido com fé e alegria todos os socorros que a Santa Mãe Igreja tem para seus filhos em transe de morte, entregou sua bela alma a Deus no dia 30 de julho de 1095.
Não houve na Hungria monarca mais pranteado que ele. Todos consideravam os 18 anos de seu reinado como uma bênção do Céu. Durante três dias a nação inteira levou luto pelo seu rei, privando-se de qualquer entretenimento. Os restos mortais foram levados em cortejo para a igreja de Nossa Senhora. Segundo os cronistas, foi mais um triunfo do que uma pompa fúnebre.
Foram tantos os milagres realizados por sua intercessão, que o Papa Celestino III o elevou à honra dos altares no ano de 1192. O culto a São Ladislau é muito popular na Hungria, onde é chamado São Lalo. É o patrono de grande número de igrejas, e seu nome é dado aos recém-nascidos com muita freqüência, tanto lá quanto na Polônia. Costuma ser representado a cavalo, com um sabre numa das mãos e o terço na outra, pois era este o modo como comandava as batalhas.
Plinio Maria Solimeo

Obras consultadas:
·   Pe. Juan Croisset, S.J.,San Ladislao, Rey de Hungria, in Año Cristiano, Saturnino Calleja, Madri, 1901, tomo II, pp. 963 e ss.
·   Les Petits Bollandistes,Saint Ladislas, roi de Hongrie, in Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo VII, pp. 395 e ss.
·   Edelvives, San Ladislao I, in El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, Saragoça, 1947, tomo III, pp. 583 e ss.
·   Michael Bihl, St. Ladislaus, in The Catholic Encyclopedia, Online Edition Copyright © 2003 by Kevin Knight, www.NewAdvent.org.
·   Pe. Pedro de Ribadeneira, San Ladislao I, Rey de Hungria, in Flos Sanctorum, apud Dr. Eduardo Maria Vilarrasa, La Leyenda de Oro, L. Gonzalez y Cia., Barcelona, 1896, tomo II, p. 519.

Ver também :

Fontes :
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=51768&language=FR&img=&sz=full

São Pelágio, Mártir (+925), 26 de Junho

São Pelágio (ou Paio) era natural da Galícia, na Andaluzia (Espanha). Era sobrinho de Hermígio, bispo de Tui (atual diocese de Tui-Vigo). Nasceu no início do séc. X.
Tendo participado, como pajem, na dura batalha que opôs Ordonho II de Leão a Abdemarrão III, emir de Córdoba, foi feito prisioneiro e levado para esta cidade. As negociações entre as partes permitiram a libertação do bispo Hermígio, mas Pelágio teve de ficar como refém, apesar de ser ainda muito novo.
A formosura de Pelágio despertou sentimentos de desejo tanto no rei como num dos seus filhos, que tudo fizeram para seduzi-lo. A todos resistiu o jovem, o que exacerbou a ira do rei, que mandou torturá-lo até que cedesse aos seus apetites. No entanto, a fortaleza de ânimo de Pelágio foi superior à violência dos algozes, que o despedaçaram e acabaram por lançá-lo ao rio Guadalquivir. Tinha 13 anos de idade.
A sua fama espalhou-se por todo o nordeste da Península, havendo hoje muitas localidades portuguesas que têm o seu nome.

Ver também: São José Maria Escrivá

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100626&id=11530&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=75768&language=PT&img=&sz=full

quinta-feira, 24 de junho de 2010

São Guilherme de Vercelli, Abade, Fundador (+1142), 25 de Junho

Também conhecido como São William de Montevergine, ele nasceu  em Vercelli, Itália em 1085 de uma família nobre. Ficando órfão  quando menino,  foi criado por parentes e na idade de 14 fez uma peregrinação a Santiago de Compostela, Espanha; eventualmente  tornando-se um eremita em Monte Virgiliano (moderno Monte Vergine, perto de Beveneto, Itália). Ele recebeu tantos discípulos  que ele viu que seria necessário organizá-los em uma comunidade a qual passou a ser conhecida como os Eremitas de Monte Vergine e seguiam a Regra da  Ordem dos Beneditinos. Guilherme fundou subseqüentemente monastérios em Conza, Gulietto e Salermo servindo como valoroso conselheiro ao Rei Roger I de Nápoles.
Teria levado uma vida santa e diz a tradição que, na peste de 1120, ele cuidou pessoalmente dos doentes, e milagrosamente não contraiu a terrível doença; curava alguns doentes apenas com a sua benção e oração. Veio a falecer de causas naturais em 25 de junho de 1142, em Guglietto, e seu túmulo logo se tornou local de peregrinação. Vários milagres foram creditados a sua intercessão.
A lenda diz que Guilherme construía a fundação da casa de sua Comunidade com a ajuda de um jumento e um lobo atacou e matou o animal. São Guilherme  ordenou então ao lobo que tomasse o lugar do jumento por que ele (lobo) não poderia ter interrompido o trabalho da construção de uma Casa de Deus. O lobo passou a carregar as pedras no lugar do jumento.
Por isso na liturgia da Igreja, São Guilherme é mostrado ao lado de um lobo, com uma sela semelhante à de um jumento de carga.

Ver também: São Máximo de Turim

Fontes:
http://www.cademeusanto.com.br/sao_guilherme_vercelli.htm

São Vicente Lebbe, Missionário (+ 1940), 24 de Junho

Frédéric-Vincent Lebbe (1877 - 1940) é um missionário belga da Ordem dos Lazaristas. Enviado à China, promoveu uma Igreja Católica verdadeiramente chinesa.  

Biografia
Frédéric Lebbe nasceu em Gand, na Bélgica, em 19 de agosto de 1877. Durante a sua infância, ele leu a história de Jean-Gabriel Perboyre, missionário lazarista martirizado na China em 1840. Decidiu, então, tornar-se missionário e partir para a China, adotando o nome (religioso) de Vicente. Em 1895, entrou para o seminário dos Lazaristas em Paris. Em 1901, foi transferido para o vicariato apostólico de Pequim. Nessa época, os missionários cristãos, tolerados desde 1844 e oficialmente autorizados a se instalar naquela região depois dos tratados de Tianjin, em 1860, exerciam seu apostolado livremente, sendo, porém, fortemente ligados aos interesses dos Estados Unidos e das potências européias, especialmente a França para os católicos. Imediatamente, Vicente foi persuadido de que, como missionário, deveria se tornar chinês no idioma, na vida quotidiana, nas vestimentas e mesmo no patriotismo para poder exercer eficazmente seu ministério.
Após um começo bem-sucedido no campo, ele foi transferido para a cidade de Tien-Tsin (Tianjin), porto próximo a Pequim e sede das concessões estrangeiras. Lá, ele organizou a ação católica para os leigos chineses e travou importantes contatos com intelectuais chineses. Criou, em 1902, com Ying Lianzhi ( 英斂之 / 敛之 ), o primeiro quotidiano católico em idioma chinês, Yi shi bao 益世 (O Bem do Mundo), que rapidamente se tornou o jornal mais lido no Norte da China, graças à qualidade e à independência de suas informações.
Vicente Lebbe e seu amigo Antônio Cotta (1872-1957), que ele havia encontrado no seminário lazarista de Paris, militavam para que a hierarquia católica, vinda do estrangeiro e dependente das potências estrangeiras, se tornassem verdadeiramente chinesas. Eles retomaram os princípios que seu confrade, José Gabet, havia publicado em 1848, e que haviam sido então condenados. Em 1916, eles se opuseram à anexação, pelo consulado da França, de um terreno às margens da concessão francesa, a pedido das autoridades da Igreja, para construir a catedral. A pedido de autoridades francesas, Vicente Lebbe foi transferido para fora de Tianjin e, posteriormente, reconduzido à Europa.
Antônio Cotta redigiu, com Vicente Lebbe, um memorando para o Cardeal Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos no Vaticano, em favor da instituição de bispos chineses e de uma verdadeira “aclimatação” da Igreja. É a principal fonte da Encíclica Maximum illud do Papa Bento XV em 1919. O Papa Pio XI instituiu os seis primeiros bispos chineses em 1926, consagrando-os pessoalmente na Basílica de São Pedro, em Roma; Vicente Lebbe estava presente à cerimônia. O processo conduziu também, em 1939, à anulação da proibição dos ritos chineses, que datava de 1742. A Igreja da China foi instituída pelo Papa em 1942 e a China deixou o status de terra de missão1.
De 1920 a 1927, Vicente Lebbe participou do acolhimento aos estudantes chineses que chegavam em grande número à Europa, organizando-os em associações2. Ele inspirou o início da Sociedade dos Auxiliares das Missões, fundada a pedido dos bispos chineses, que formava padres seculares para colocá-los a serviço das Igrejas da Ásia e da África. Em 1928, retornou à China, transferido para a diocese de Hebei, dirigida por um bispo chinês. Vicente obteve, junto ao Governo da República da China, a nacionalidade chinesa, adotando o nome de Lei Mingyuan ( 雷鳴遠 / 鸣远 )3. Iniciou, então, a formação do clero regular naquele país, fundando a Congregação dos Irmãozinhos de São João Batista e as Irmãzinhas de Santa Teresa do Menino Jesus. Vicente mobilizou-os durante a guerra sino-japonesa, formando unidades de serviço de saúde e de socorro aos civis.
Encontrando-se do lado da República da China e de Tchang Kaï-chek, Vicente é considerado um espião e feito prisioneiro pelas forças comunistas do Exército Revolucionário Chinês, em Shanxi, no dia 9 de março de 1940. Morreu devido ao esgotamento físico em Chongqing, em 24 de junho de 1940, depois de ser libertado4.

Memória
Os arquivos de Vicente Lebbe são conservados e estudados na Faculdade de Teologia da Universidade Católica de Louvain, em Louvain-la-Neuve5.
A causa da beatificação foi aberta em 1988 pela diocese de Taichung, em Taiwan, da qual dependem os Irmãozinhos de São João Batista.
Inúmeras escolas e instituições têm o seu nome, dentre elas uma das vilas internacionais de Louvain-la-Neuve.

Notas
1.  Ver As incômodas intuições do Padre Lebbe (Les intuitions dérangeantes du Père Lebbe) e O Apoio de Antoine Cotta à promoção dos Chineses (L'appui d'Antoine Cotta à la promotion des Chinois) em Claude Soetens, A Igreja Católica na China no Século XX (L'Eglise catholique en Chine au XXe siècle), pg. 70 e s., Beauchesne, Paris, 1997. (En ligne [archive] sur Google Books.)
2.  Era nesta época que Zhou Enlai e Deng Xiaoping estudavam e trabalhavam na França.
3.  O prenome 鸣远 Mingyuan, transcrição distante foneticamente de Vincent significa barulho do trovão, ao longe.
4.  Uma biografia completa, em língua inglesa, está disponível no site dos Irmãos de São João Batista: Thunder in the Distance - Lei Ming Yuan [archive]
5.  Claude Soetens, Inventaire des archives Vincent Lebbe [archive], 1982, Cahiers de la revue théologique de Louvain, sur Persée.


Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: Solenidade do Nascimento de São João Batista

Sources:

terça-feira, 22 de junho de 2010

São José Cafasso, Presbítero (+1860), 23 de Junho

        Nasceu em Castelnuovo d'Asti, Piemonte, Itália, em 1811. Vinha de uma família rica e foi educado no seminário de Chieri. A sua vida foi escrita por São João Bosco ao qual José serviu como professor, conselheiro e diretor espiritual por  20 anos. Três anos após  ser ordenado, Cafasso foi nomeado professor de teologia moral no Colégio Eclesiástico de São Francisco em Turim, o qual acolhia cerca de 60 jovens padres de diversas dioceses. Mais tarde, foi Superior do Colégio e conservou essa posição até a morte. 
Exerceu o apostolado com presos, especialmente os condenados à morte. Deixou a sua marca como notável diretor espiritual e pregador. Levou uma vida de penitência e era famosa a sua devoção ao Santíssimo Sacramento. Como confessor, tinha o dom de ver o que se passava na mente das pessoas, e assim conseguia regenerar os corações mais  empedernidos.
A partir de 1827, dirigiu  João Bosco no seu apostolado com rapazes e ajudou-o a se instalar em Turim. É considerado co-fundador dos Salesianos. Em 1880, quando já estava bem doente,  fez um testamento deixando os seus bens para José Cottolengo e para João Bosco. No seu funeral,  o orador oficial foi  São João Bosco e houve uma enorme multidão a aguardar em longas filas para prestar sua ultima homenagem a este notável santo. Faleceu em 23 de Junho de 1860 em Turim e foi canonizado em 1947 pelo Papa Pio XII. 

Ver também: Beato Bento Menni

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100623&id=11556&fd=0

domingo, 20 de junho de 2010

São Paulino de Nola, Bispo (+431), 22 de Junho

Nasceu em Bordeaux (França) no ano de 355. Seguiu desde jovem a carreira política e exerceu diversos cargos públicos; contraiu matrimônio e teve um filho.

Com desejos de vida austera, recebeu o Batismo e, renunciando a todos os bens, abraçou a vida monástica, indo estabelecer-se em Nola (Itália). Mais tarde, foi ordenado bispo desta cidade. Empenhou-se generosamente em ajudar os peregrinos e aliviar todas as necessidades do seu tempo. Compôs uma coleção de poemas, notáveis pela elegância do seu estilo. 
Das Cartas de São Paulino de Nola 
(Epist. 3, a Alípio, 1,5.6: CSEL 29, 13-14.17-18) (Séc. V)
“O amor de Deus atua por toda a parte nos que são de Deus, por meio do Espírito Santo. É verdadeira caridade, é perfeito amor o sentimento que manifestastes para com a minha humilde pessoa, senhor verdadeiramente santo, beatíssimo e muito amado. Por meio de Juliano, um dos meus amigos que regressava de Cartago, recebi uma carta vossa. Nela se manifesta tão luminosamente a Vossa Santidade que mais me parece estar a reconhecer-vos do que a conhecer-vos pela primeira vez. Porque esta caridade procede d’Aquele que para Si nos predestinou desde o princípio do mundo, no qual fomos feitos antes de nascer, porque foi Ele quem nos fez e a Ele pertencemos, Ele que fez tudo quanto havia de existir. Formados, pois, pela sua presciência e ação, ficamos unidos, já antes de nos conhecermos, pelos laços da caridade, num mesmo sentimento e na unidade da fé ou na fé da unidade, de modo que, ainda antes de nos vermos corporalmente, já nos conhecemos pela revelação do Espírito.
Por isso me congratulo e me glorio no Senhor, que, sendo único, faz atuar o seu amor por toda a parte nos que são seus, por meio do Espírito Santo que derramou sobre todos os homens e que é a corrente caudalosa do rio que alegra a sua cidade. Foi Ele que vos colocou merecidamente entre os seus cidadãos como chefe espiritual com os príncipes do seu povo, nessa Igreja Apostólica, e também a mim me quis levantar do pó da terra para tomar parte no mesmo ministério que o vosso. Mais me alegra, porém, aquela graça que o Senhor me fez ao preparar-me um lugar no íntimo do vosso coração e conceder-me a vossa amizade. Deste modo, posso gloriar-me com toda a confiança no vosso amor, que tão obsequiosamente me mostrastes com estes serviços e que me obriga a corresponder-vos com amor semelhante.
Para nada ficardes a ignorar a meu respeito, devo dizer-vos que fui por muito tempo um pobre pecador e que, se fui retirado das trevas e da sombra da morte recebendo o sopro da vida, se pus as mãos ao arado e tomei a cruz do Senhor, necessito contudo da ajuda das vossas orações para perseverar até ao fim. Será uma graça que se irá juntar aos vossos grandes méritos, se me ajudar, com esta intervenção, a levar a minha carga. O santo – não me atrevo a chamar-vos simplesmente irmão – que vem auxiliar quem precisa, será exaltado como uma grande cidade.
Enviamos a Vossa Santidade um pão em sinal de unidade, e que é também símbolo da indivisível Trindade. Fareis deste pão uma bênção [eulogia], se vos dignais recebê-lo.”

Ver também: São Sir Tomás More e São João Fisher

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100622&id=11553&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=31530&language=PT&img=&sz=full

São Niceto de Nisyros, Mártir (+ 1732), 21 de Junho

               O nome Niceto provém do grego Νικήτας e quer dizer Vencedor. São Niceto de Nisyros nasceu numa pequena ilha perto de Rodes, na Grécia. Um dia, viu seu pai renegar a fé em Cristo para poder salvar a própria vida, bem como a de seus filhos. Niceto cresceu, então, sob o nome de Mehmed, mostrando um grande zelo pelo Islã. Quando descobriu que havia nascido cristão, deixou sua família e, ainda muito jovem, com menos de quinze anos, entrou para um mosteiro na ilha de Chio, demonstrando uma tal vocação a ponto de os outros monges pensarem que seu espírito estava perturbado.
Niceto desejava o martírio para reparar a sua falta (ou, antes, a apostasia cometida por seu pai, anos antes). Um dia em que tinha ido a Cora, recusou-se a pagar o pedágio que era exigido dos cristãos. O príncipe ouviu dizer que o rapaz se chamava Mehmet, mas se declarava cristão. Submetido a pesadas torturas durante dez dias, Niceto foi entregue a uma multidão furiosa, que o conduziu até o lugar da sua morte. Lá, o carrasco bateu diversas vezes em sua nuca, a fim de aumentar ainda mais a sua dor, antes do sacrifício final.

Ver também: São Luís Gonzaga

Fontes :

Beato Francisco Pacheco, Presbítero, Mártir (+1626), 20 de Junho

Nasceu em Ponte de Lima em 1565. Sobrinho de um mártir do Japão, ficou de tal forma entusiasmado com a história do tio que fez voto de ser também mártir, tendo apenas 10 anos. No entanto, já tinha vinte anos quando entrou para a Companhia de Jesus, tendo sido ordenado sacerdote em Goa.
Em 1604 já estava no Japão, donde teve de fugir duas vezes devido ao clima de perseguição que aí se vivia. Acabou por ser feito prisioneiro e levado para Nagasaki, onde foi queimado vivo em 1626. Com ele, morreram mais dois padres jesuítas, alguns catequistas, três famílias acusadas de o terem acolhido e ainda um menino chamado Luís.
Numa das suas últimas cartas escrevia: “Estamos todos já muito cansados e cortados, dos trabalhos desta perseguição; porém, as esperanças de nos caber alguma boa sorte de martírio nos animam e fazem continuar e fazer da fraqueza forças, esperando nessa hora em que nos caiba a ditosa sorte.”


Ver também:

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100620&id=11760&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=48403&language=PT&img=&sz=full

sábado, 19 de junho de 2010

São Romualdo, Abade, Fundador da Ordem dos Camaldulenses (+1027), 19 de Junho

Ravenna é a cidade, onde, em 956, descendente de nobre família dos duques de Onesti,  nasceu Romualdo. Pais sem religião, como foram os de Romualdo, nenhuma educação deram ao filho que, entregue à própria vontade, pode gozar de toda a liberdade, até a idade de 20 anos. Vivendo segundo os princípios do mundo, faltavam-lhe aspirações superiores e os dias corriam-lhe alegres, entre os exercícios de esportes. Oração, audição da palavra de Deus, leitura de bons livros, exercícios espirituais não eram de seu gosto; antes pelo contrário, o aborreciam. Deus, porém, abriu-lhe os olhos, por um fato que muito o impressionou. O pai, Sérgio, em duelo, na presença de Romualdo, matou um dos melhores amigos, cena, a que Romualdo teve que assistir. O resultado foi Romualdo retirar-se para o convento beneditino em Classis, com a intenção de, no sossego do claustro achar a tranqüilidade do espírito. Foi a primeira vez na vida que fez exercícios de piedade. Um dos religiosos, que mais se interessava pela  salvação do jovem conde, sugeriu a idéia de abandonar o mundo e tomar o hábito da Ordem. Romualdo, porém, não se mostrou disposto a seguir este conselho. Só depois de uma aparição que teve, de Santo Apolinário, padroeiro do convento, resolveu dedicar-se ao serviço de Deus, na Ordem de São Bento. Tal foi o seu zelo e dedicação, que em pouco tempo chegou a ser um religioso modelo. O rigor e a pontualidade com que observava a regra da Ordem, no meio dos próprios religiosos, provocaram indisposição e animosidade tão fortes contra Romualdo, que este achou indicado, como medida de prudência, sair do convento. Com licença do Superior, procurou o eremita Marinho, em cuja companhia continuou as práticas da vida religiosa.
Este exemplo abriu também a alguns amigos o caminho para a vida monástica. O próprio pai de Romualdo fez-se religioso e entrou num Convento. Se bem que lutasse com muitas dificuldades e mais de uma vez estivesse a ponto de voltar para o século, a palavra e a oração do filho fizeram com que perseverasse no serviço de Deus.
Romualdo voltou para o convento de Classis, onde tinha feito o noviciado. Deus permitiu que fosse provado pelas mais fortes tentações contra a virtude da pureza, contra a vida religiosa e contra a fé. Parecia-lhe quase impossível continuar na vocação. O remédio e a salvação em tão duro transe foi a oração. No meio da sua atribuição se dirigiu a Jesus Cristo, e com a alma angustiada, perguntou ao Salvador: “Jesus, por que me abandonastes? Entregaste-me inteiramente ao poder do inimigo?”
Como o Patriarca Jacó, ele viu em sonho uma misteriosa escada, que se apoiava na terra e cuja extremidade tocava no céu. Religiosos de hábito branco subiam e desciam por ela.
A grande obra para a qual Deus tinha chamado seu servo e que este, apesar de muitas dificuldades interiores, e exteriores, com ótimo resultado realizou, foi a reforma da disciplina monástica. O convento mais célebre fundado por Romualdo foi o de Camaldoli, em Toscana, que deu à Ordem toda o nome de Ordem dos Camaldulenses. Extraordinário era em Romualdo o espírito de penitência, sendo-lhe a vida um constante jejum, uma mortificação ininterrupta. “Como me confunde a vida dos Santos! Contemplando-a, queria morrer de vergonha”, ouviu-se o Santo muitas vezes dizer. Já no fim da vida, disse a um religioso de sua confiança: “Vai para vinte anos, que estou me preparando para a morte; quanto mais faço, tanto mais me convenço de que não sou digno de comparecer na presença de Deus”. Romualdo morreu em 1027. O túmulo tornou-se-lhe glorioso, pela multidão de milagres, que Deus obrou pela intercessão do Santo. Quando, cinco anos depois do seu trânsito, abriram o túmulo de Romualdo, o corpo foi encontrado intacto, sem sinal algum de decomposição. O mesmo espetáculo se repetiu 440 anos depois. Romualdo foi canonizado por Clemente VIII, em 1569.

Reflexões:
A santa vida de Romualdo deve lembrar-te de alguns pontos de grande alcance para a vida religiosa, pontos dignos de consideração e imitação:
1.   São Romualdo fez penitência pelos pecados cometidos na mocidade. Quando começarás a penitenciar-te, pelo tempo que passastes talvez em pecados graves e feios vícios?
2.   A lembrança das vaidades a que se entregou na mocidade, causava amargura e tristeza a São Romualdo, enquanto da penitência e mortificação colhia a mais pura alegria e consolação. Os prazeres do mundo não trazem paz e contentamento à alma. O mais forte consolo que poderemos experimentar na hora da morte, será a lembrança dos anos que passamos no serviço de Deus.
3.  Durante vinte anos São Romualdo se preparou para uma morte santa, sempre com medo de perder esta graça, de todas a maior. Não receias a morte e para ela não te preparas? Não sabes que dela depende a eternidade toda e que não pode ser boa uma morte que não teve preparação alguma?
4.  São Romualdo fazia mortificações nas refeições, não tocando em comidas que lhe apeteciam, dando-as depois aos pobres.
Não podias imitá-lo nesta prática de penitência e caridade?  Mortificações desta natureza são agradáveis a Deus e atraem a sua benção.

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