quinta-feira, 8 de julho de 2010

Santa Verônica Giuliani, Religiosa, Mística (+1727), 09 de Julho

Santa Verônica Giuliani nasceu em 27 de dezembro de 1660 em Mercatello sul Metauro, na província de Pesaro et Urbino, atualmente Marche, e morreu em 9 de julho de 1727 em Città di Castello, na província de Perúgia, na Úmbria. Verônica Giuliani é uma santa mística e uma das grandes representantes italianas do período barroco da espiritualidade da Paixão.

Biografia
§   1660-1664: Verônica nasceu em Mercatello sul Metauro, cidadezinha do ducado de Urbino, atualmente no Marche. Foi batizada com o nome de Úrsula. Quinta e última criança do casal Giuliani, foi uma menina muito “mimada” por seu pai e suas irmãs mais velhas. De um temperamento forte, ela soube logo tirar proveito desta predileção. Sua mãe morreu quando a pequena tinha apenas quatro anos.
§   1664-1677 : A família de Verônica (Úrsula) é muito cristã, e a alma da menininha não demora a se abrir à divina Presença. Diante de alguns quadros religiosos que havia em sua casa, ela conversava com o Menino Jesus, e vinha freqüentemente brincar com Ele. A menina ficava muito tocada com a narrativa da vida dos ascetas e, sobretudo, da vida de Santa Rosa de Lima. Úrsula sonhava igualar-se a esses gigantes da vida de penitência. Sonhava também aprender a oração silenciosa, à qual se entregava enquanto meditava os mistérios da Paixão de Jesus Cristo. Esta orientação foi determinante para a sua espiritualidade. A criança se sentia também intensamente atraída pela Eucaristia e, aos dez anos de idade, obteve a autorização para fazer a sua Primeira Comunhão. Esta seria, para ela, uma experiência inesquecível, e o início do seu desejo de tornar-se religiosa. Aos dezessete anos, Úrsula recebeu de seu pai a permissão para entrar no Convento das Clarissas de Città di Castello, na Úmbria.
§   1677-1681 : Primeira etapa de sua vida religiosa. Úrsula adota o nome religioso de verônica e logo inicia uma vida de intensa penitência. Ela precisa aprender a se adaptar à vida conventual. É preciso que ela supere, especialmente, a incompreensão de seus confessores. Aprende, assim, a ter somente um Mestre como Guia: o próprio Jesus Cristo.
§   1681-1697: É o período das grandes graças místicas. Em 1688, com apenas 28 anos, Verônica foi nomeada Mestra das noviças, cargo que conservou quase ininterruptamente até o fim de sua vida. Em 1694, Verônica viveu a experiência das Núpcias Místicas. Dois anos mais tarde, Jesus feriu terrivelmente seu coração com uma flecha (este ferimento sangrava de forma manifesta).
§   Em 5 de abril de 1697, Verônica recebeu a graça dos estigmas nas mãos, nos pés e no lado (peito). Ela conta em seu Diário que “das chagas de Jesus saíram raios de fogo”: quatro tomaram o aspecto de cravos (pregos) e a quinta, a forma de uma ponta de lança cintilante (o ferimento do lado). Ela escreveu: “Eu senti uma dor terrível, mas ao mesmo tempo eu compreendi claramente que eu acabara de ser inteiramente transformada em Deus.” As marcas dos estigmas permaneceram visíveis durante três anos, tempo correspondente aos exames realizados na religiosa pela Santa Sé. Ao fim das pesquisas, ela foi restabelecida em todos os seus direitos e na sua liberdade de ação. Ficou conhecido, então, o alto grau da sua santidade.
§   1697-1716 : Trata-se, para Verônica, de uma nova etapa de purificação e de progresso espiritual. Desde então, a espiritualidade da Paixão ocupa todos os espaços de sua vida e o desejo do Céu torna-se a única razão da sua vida.
§   1716-1727 : Verônica torna-se abadessa de seu mosteiro e assim continuará até a sua morte, que ocorre em 9 de julho de 1727. Suas últimas palavras foram: “O Amor Se deixou encontrar! Esta é a razão da minha languidez. Diga isso a todas: eu encontrei o Amor!” O bispo local imediatamente deu início ao processo informativo em vista da sua beatificação. Data de 1728 a primeira biografia da santa.
§   Verônica foi beatificada em 17 de junho de 1804 e canonizada em 26 de março de 1839. A Igreja celebra sua festa em 9 de julho, aniversário de sua morte.
§   Em obediência às ordens dos seus confessores, durante 33 anos ela redigiu o seu Diário. Trata-se de um registro monumental que conta 22 mil páginas manuscritas. Este texto permaneceu inédito até o fim do Século XIX.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também : Madre Paulina

Fontes :

terça-feira, 6 de julho de 2010

São Gregório Grassi (Bispo) e Companheiros, Mártires (+1900), 08 de Julho

Beato Gregório Grassi, (Castellazzo Bormida, diocese de Alessandria, Itália, 13.XII.1833 – Tai-yuang-fu 9.VII.1900), bispo titular de Ortósia na Fenícia, membro da Ordem dos Frades Menores, mártir na China.
Em 1848 entrou para os Frades Menores Franciscanos de Observância. Em 1856 foi ordenado sacerdote. Em 1861 partiu para a China, onde permaneceu durante quarenta anos exercendo o apostolado como missionário. Mais tarde, em 1876, assumiu o cargo de bispo titular de Ortósia, coadjutor com direito de sucessão.
Tornou-se, em 1891, vigário apostólico do Shan-si setentrional, onde promoveu um notável desenvolvimento às conquistas missionárias. Na perseguição de 1900, organizada por Tse-Hsi, mãe do Imperador, com o apoio da seita dos Boxers, que fez milhares de mártires, foi feito prisioneiro na sua residência de Tai-yuang-fu no dia 5 de Julho e morto por ódio à fé em 9 de Julho.

Ver também: Santos Áquila e Priscila

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100708&id=11753&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=51604&language=PT&img=&sz=full

São Marcos Ji Tianxiang, Mártir (+1900), 07 de Julho de 2010


De antiga família cristã convertida em 1650, irmão de um sacerdote, pai de família, culto, hábil médico, administrador da pequena comunidade cristã de Ye-Tcang-Ten, era universalmente estimado e amado pelos seus excelentes dotes e pela sua generosidade. Muito fiel às práticas religiosas, queria que todos o fossem na sua família. Tantas qualidades eram, porém, obscurecidas pelo vício do ópio. Resistiu, caiu, voltou a resistir, recaiu muitas vezes, até que o ópio o dominou.
Os missionários, no princípio, absolveram-no repetidas vezes, mas, por último, sendo grave o escândalo, proibiram-no de receber a comunhão. "Ah!, exclamou, tenho apenas uma esperança de salvação, o martírio, sem o martírio não conseguirei encontrar a porta do paraíso." Esse comportamento, que se diria paradoxal, durou 30 anos. Na manhã de 7 de Julho de 1900, cerca de 200 guardas entraram na sua aldeia. Marcos e os seus, em número de 13 pessoas, refugiaram-se num cemitério local, mas foram traídos e levados presos para uma cidade vizinha, comparecendo diante do mandarim. Uma grande multidão de amigos e beneficiados imploravam para ele a graça de ser perdoado, mas esta só poderia ser-lhe concedida com a condição de renunciar à fé. Foi incitado pelos amigos para que o fizesse, para defender a vida e os seus. "O nosso cristianismo vai tão longe como a dinastia Ming, disse ele. Preferimos a morte à apostasia. Não podemos renegar a nossa fé."
Não só não quis renunciar à fé, mas nem mesmo entregar, como uma simulação de apostasia, as medalhas e os escapulários que ele e seus familiares levavam. Dignamente agradeceu aos presentes, reafirmou a sua fé e a dos presentes, cantando a ladainha de Nossa Senhora. Num dos carros que os transportavam, o neto de 8 anos, Francisco, perguntou: "Para onde nos levam, avô?" O velho apontou para o céu e respondeu: "Voltamos para casa, meu menino." Chegando ao lugar do suplício, Marcos disse aos seus: "Meus filhos, não temais. O paraíso está aberto e próximo." Depois, pediu como favor ser decapitado em último lugar. Queria estar certo de que ninguém faltaria ao encontro no Céu. Por fim, dobrou a sua cabeça diante da espada. Era o dia 7 de Julho de 1900. Marcos tinha 61 anos.

Ver também: Beata Maria Romero Meneses

Fontes:

domingo, 4 de julho de 2010

Beata Maria Teresa Ledochówska, Religiosa, Fundadora (+1922), 06 de Julho


Maria Teresa Ledochowska nasceu a 29 de Abril de 1863 em Loosdorf, Áustria. Oriunda de nobre família polonesa, distinguiu-se por uma rara inteligência, vontade férrea, gênio lúcido e prático, sensibilidade a fugir-lhe  para os mais pobres.
Maria Teresa era aluna externa das Damas Inglesas. Apesar de ser a mais nova depressa ultrapassou todas as companheiras. Os seus exercícios de redação causavam admiração geral, quer pelo conteúdo, quer pela forma. Foi Dama da Corte da Toscana desde 1885-1890. Foi aí que, pela primeira vez, num encontro com as Missionárias Franciscanas de Maria, deparou-se com  os problemas missionários, sobretudo com a escravidão. Após o encontro, fez o propósito de rezar muito pelas missões.
Em 1886 uma amiga protestante ofereceu-lhe o livro do Cardeal Lavigerie sobre a escravatura em África, que dizia: “Mulheres cristãs da Europa, se Deus vos concedeu talento para escrever, colocai-o ao serviço desta causa. Não encontrareis outra mais santa!”
A partir daquele momento, novo caminho se lhe deparou e seguiu-o com todas as suas forças. Pôs  imediatamente mãos à obra e começou a escrever um drama sobre os escravos intitulado “Zaida, a jovem negra”.
A partir de Outono de 1889, Maria Teresa começou a escrever artigos sobre as missões. O Eco de África foi publicado pela primeira vez, em Novembro do mesmo ano.  Ela já estava em contato com seis congregações missionárias, que lhe forneciam notícias de diferentes territórios da África.
  Em 15 de Abril de 1891 pediu e obteve a dispensa do trabalho na corte, o que lhe foi concedido pelo imperador Francisco José. No dia 9 de Maio do mesmo ano, despediu-se da corte.  
Depois de consumir heroicamente a sua vida a favor das Missões, faleceu a 6 de Julho de 1922 aos 59 anos de idade. Foi beatificada pelo Papa Paulo VI em 19 de Outubro de 1975, então Dia Mundial das Missões.

Ver também: Santa Maria Goretti

Fontes:

Santo Atanásio o Atonita, Igúmeno e Místico (+ 1003) – 05 e/ou 18 de Julho

Santo Atanásio, o Atonita, introduziu grandes mudanças na vida dos monges do Monte. Era oriundo de Trebizond e foi professor em Constantinopla. Seguiu para o Monte Atos, provavelmente em 957, com o objetivo de tornar-se eremita.
Posteriormente, participou com seu amigo Nicéforo Focas na campanha militar da ilha de Creta, nos anos 960-961, juntando algum dinheiro e conseguindo organizar um pequeno grupo de anacoretas, que rapidamente transformou-se numa comunidade de 80 monges.
Seu amigo Nicéforo II Focas tornou-se imperador, reinando de 963 a 969, e o ajudou financeiramente a construir a chamada Grande Lavra, que se destacava em comparação com outros mosteiros, principalmente por tratar-se da primeira comunidade cenobítica, isto é, de vida em comunidade, contrapondo-se à vida nos eremitérios, à vida anacorética, isto é, em solidão e em isolamento.

Ver também: Santo Antônio Maria Zacarias

Fontes:

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Beato Pier Giorgio Frassati, Leigo (+1925), 04 de Julho

Pier Giorgio Frassati (Turim, 6 de abril de 1901 — Turim, 4 de julho de 1925) foi um ativista católico italiano. Modelo do jovem leigo, tornou-se significativamente popular nas décadas seguintes à sua inesperada morte, sobretudo nas Conferências de São Vicente de Paulo e na Ação Católica. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II como o Homem das Oito Bem-Aventuranças, aos 20 de maio de 1990.

Filho de Alfredo Frassati e Adelaide Ametis, família abastada, dona do jornal La Stampa. Tendo vivido entre 1918 e 1922 em Berlim, onde o seu pai foi embaixador de Itália, Pier Giorgio viveu, sobretudo, no Piemonte, na cidade de Turim.
Pier-Giorgio era profundamente anti-fascista, chegando a envolver-se em confrontos físicos com adeptos do Partido Social Fascista de Benito Mussolini. Quando aquele dirigente assumiu o poder, em 1922, o seu pai demitiu-se de embaixador e regressou a Itália com a família. Em 1921 Pier Giorgio inscreveu-se no Partido Popular italiano (Partito Popolare Italiano), dirigido por Luigi Sturzo que se reclamava das idéias da Democracia Cristã.





Dedicou-se desde muito novo a várias obras sociais, de caridade e religiosas. Envolveu-se no seio de vários grupos católicos de juventude, como o Apostolado da Oração e a Sociedade de São Vicente de Paulo, sendo igualmente membro da Ordem Terceira de São Domingos. Uma da suas máximas de vida era: «A Caridade não é suficiente: precisamos de reformas sociais». Foi um dos fundadores do jornal «Momento», baseado nos ensinamentos sociais do Papa Leão XIII explanados na sua encíclica Rerum Novarum. Estudante de Engenharia Industrial Mecânica na Escola Real Politécnica entre 1918 e 1925, pretendia vir a dedicar-se integralmente aos mineiros, que ele via como uma das classes profissionais mais sofredoras, tanto em termos de dureza profissional quanto em termos sociais.
Era um desportista, praticando diversas modalidades entre as quais se destacava o montanhismo, mediante o qual aproveitava para se isolar, rezar e refletir na solidão das montanhas.
Frassati morreu em 1925 de poliomelite e milhares de pessoas participaram no seu funeral. Encontra-se enterrado na Catedral de Turim. Foi chamado de Homem das oito beatitudes pelo Papa João Paulo II, que o nomeou Patrono dos Desportistas e o beatificou a 20 de Maio de 1990. Sua festa religiosa é celebrada em 4 de julho.

Ver também: Santa Isabel, Rainha de Portugal

Fontes:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Fichier:Versolalto.jpg Pier Giorgio Frassati lors de la dernière randonnée au Lunelle le 7 juin 1925. « Verso l'alto » (« vers le sommet ») est la légende que Pier Giorgio apposa lui-même sur cette photo

terça-feira, 29 de junho de 2010

Santo Anatólio de Constantinopla, Patriarca (+458), 03 de Julho


Anatólio (449 — 458) foi o décimo patriarca a figurar na Lista sucessória dos Patriarcas Ecumênicos de Constantinopla, ele foi elevado ao Patriarcado em substituição a Flaviano de Constantinopla, por imposição de Dióscoro, Patriarca de Alexandria, imediatamente após o Segundo Concílio de Éfeso, em 449.
Embora adepto do Monofisismo, Anatólio, viu-se obrigado a ceder à imposição da Imperatriz Pulquéria, que pretendia auxiliar ao papa na reversão do quadro político em que se via metida a Igreja, vitimada por Eutiques e seus simpatizantes.
Ela ordenou ao patriarca Anatólio que cedesse à posição romana e estreitasse os laços com a ortodoxia, se quisesse conservar a sua posição. Anatólio, intimidado com as ameaças, reuniu um concílio para o qual convidou os legados do papa, a fim de dar conhecimento da já conhecida carta de São Leão Magno O Tomo ad Flavianus endereçada a Flaviano, seu antecessor. Os presentes ao novo Concílio declararam sua aprovação a todo conteúdo da carta, e Anatólio pronunciou o anátema contra Nestório e Eutiques, condenou a sua doutrina. Em conseqüência de seus atos foi reconhecido como patriarca legítimo de Constantinopla.

Ver também: São Tomé, Apóstolo

Fontes:

Beato Julião Maunoir, Sacerdote Jesuíta, Missionário na Bretanha (1606-1683), 02 de Julho

Nascido em 1606, o Beato Julião Maunoir fez os estudos em Rennes, França, e depois entrou na Companhia de Jesus em Paris, em 1625. Em Quimper, o venerável Miguel Le Nobletz impeliu-o a continuar o apostolado na Baixa Bretanha,  onde a assistência religiosa estava nessa época muito descuidada. Em três dias, segundo se diz, por intercessão da Virgem Maria, o Padre Maunoir aprendeu a língua bretã e consagrou-se imediatamente ao ensino do catecismo na região.

De 1634 a 1638 terminou os estudos teológicos em Bourges e, quando se propunha ir para as missões do Canadá, foi atacado por doença grave. Nesse momento, fez o voto de se consagrar às missões da Bretanha, se recuperasse a saúde. Restabelecido, começou vasta obra de restauração religiosa da gente dessa região. Durante 42 anos, perseverou nesse trabalho, pregando, catequizando e dando retiros; estes, em Quimper, reuniam uns mil padres por ano. Pelos muitos que encaminhou para a vida sacerdotal na idade madura, segundo foi escrito, o Beato merecia ser tomado como padroeiro das vocações tardias. Julião Maunoir faleceu a 28 de Janeiro de 1683 e foi beatificado por Pio XII, a 20 de Maio de 1951.
Reproduzimos parte do elogio que o mesmo Sumo Pontífice fez, a seguir, do novo Beato, diante dos peregrinos franceses que tinham vindo assistir à cerimônia na Basílica de São Pedro:
“Em conseqüência de que transformação chegou a Bretanha a merecer que a apontassem ao mundo como exemplo de vida ardorosa, moral e profundamente cristã? Ela própria atribui a honra disso ― depois de Deus, da Virgem Maria e dos Santos padroeiros ― aos seus missionários, na primeira linha dos quais ela venera o beato Julião Maunoir.
Mas que fez ele e qual foi o seu segredo? Foi nada mais que apóstolo, mas foi-o em toda a extensão e toda a força do termo: apóstolo de Cristo, formado na sua escola, dócil aos seus princípios e às suas lições, penetrado pelo seu puro espírito... Ação intensa, adaptação às disposições e aos métodos do tempo. Bem nos parece que foram esses, entre outros, os traços da fisionomia e da actividade do Beato Julião Maunoir...
No capítulo da ação intensa, Maunoir pode fácil e vitoriosamente ser comparado com seja quem for: trabalhos, fadigas, incômodos e sofrimentos, sem nunca descansar nem se poupar na sucessão ininterrupta das Missões, e que Missões! No continente e nas ilhas, pregações, procissões, catecismo, confissões, visita dos doentes e tudo mais. Quem lê a sua vida pergunta-se como um só homem pôde bastar para tantos trabalhos, como pôde a sua natureza agüentar tal cansaço... Homem de ação mais que ninguém, punha acima da ação o estudo, e acima do estudo a oração... Tinha, dizia ele próprio, recebido de Deus um dom de oração que o mantinha em contínua união com Ele...
Foi para se colocar ao alcance de todos que ele aprendeu a difícil língua que falavam. Ensinava, por meio de grandes quadros figurados, a doutrina e a moral. E punha-as em estribilhos e estrofes, que tão bem se imprimiam na memória, que ainda hoje o povo os canta...”

Ver também : São Bernardino Realino

Fonte:
http://alexandrinabalasar.free.fr/juliao_maunoir.htm

Beato Ignacio Falzon, Religioso Franciscano Terceiro (+1865), 1º de Julho



Ignácio nasceu em La Valleta (capital da República de Malta), em 1º de julho de 1813. Sua família tinha uma situação financeira bastante confortável – seu pai, o advogado Giuseppe Francesco, fazia parte da comissão para a redação do novo Código Civil e, mais tarde, foi nomeado Juiz de Sua Majestade. Dois de seus irmãos, Doutores em Direito, tornaram-se sacerdotes.
Aos quinze anos, recebeu a primeira tonsura (a tonsura é uma cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordinando ao conferir-lhe o primeiro grau no clero, chamado também “prima tonsura”); três anos mais tarde, recebeu as Ordens Menores, mas nunca se sentiu digno de receber a Ordenação Sacerdotal.

Aos vinte anos, em 7 de setembro de 1833, obteve o Doutorado em Direito Canônico e Civil no Ateneu de Malta, porém nunca exerceu essa profissão. Estudou a língua inglesa, coisa rara naqueles tempos, mas essencial para manter contato com os soldados ingleses (eram, então, cerca de vinte mil) que chegavam a Malta para preparar a guerra da Criméia (ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Crimeia).

Dedicou-se à oração e ao ensino do catecismo, devotava-se muito à Santíssima Eucaristia, tendo também como alimentos espirituais a adoração e a meditação, ao ponto de despertar a admiração de todos os fiéis que freqüentavam a igreja paroquial de São Paulo Náufrago, assim como a igreja franciscana de Santa Maria de Jesus. Tinha particular devoção à Santíssima Virgem e a São José. Rezava o santo Rosário todos os dias.

Ignácio sempre apoiou as vocações sacerdotais. Socorria continuamente os necessitados. Destacou-se especialmente pela missão que desempenhou entre os soldados e marinheiros ingleses. Começou organizando encontros de orações e turmas de catecismo para os militares católicos que se preparavam para partir para a frente de batalha. Logo fazia amizade com os outros soldados, protestantes ou não cristãos, aos quais dava bons conselhos. Assim, atraiu para a fé católica centenas de homens. Os documentos que se conservam na igreja dos jesuítas em La Valletta contêm os nomes de mais de 650 pessoas que Ignácio preparou para receber o batismo. Além disso, destacava-se também por sua capacidade de inspirar confiança inclusive nos que não se haviam convertido: estes lhe confiavam seus objetos pessoais e valiosos para que os entregasse a seus entes queridos, caso morressem na guerra.

Pioneiro no campo do ecumenismo, desempenhou esta missão com a ajuda dos leigos. Alguns de seus colaboradores tornaram-se sacerdotes e capelães militares ou navais. Um deles, que permaneceu em Malta, deu continuidade à missão de Ignácio.

Nosso beato viveu uma existência silenciosa: podia-se intuir sua santidade ao vê-lo orar diante do Santíssimo Sacramento. Morreu em 1º de julho de 1865, no dia em que completava 52 anos de idade. Era membro da Ordem Franciscana Secular (ou Terceira). Foi sepultado no jazigo de sua família na igreja franciscana de Santa Maria de Jesus, em La Valletta. As graças obtidas por sua intercessão difundiram sua fama de santidade não só na Ilha de Malta, mas também nos países que acolheram, e acolhem, imigrantes malteses.


Tradução e Adaptação:

Gisèle Pimentel


Ver também: Preciosíssimo Sangue de Cristo



Fontes:



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Beato Januário Sarnelli, Presbítero (+1744), 30 de Junho

Januário Maria Sarnelli, filho do Barão de Ciorani, nasceu em Nápoles no dia 12 de setembro de 1702. Quando tinha 14 anos, acompanhou a beatificação de Francisco Régis e decidiu tornar-se um jesuíta. Foi logo desencorajado por seu pai, devido a sua pouca idade. Começou então os estudos de jurisprudência e se doutorou em leis eclesiásticas e civis em 1722. Logo se destacou na Associação dos Advogados e se inscreveu na Ordem dos Cavaleiros das Profissões Médico-Legais, dirigida pelos Pios Operários em São Nicolau de Toledo. Entre as normas desta associação, havia a obrigação de visitar os doentes no Hospital dos Incuráveis. E foi neste ambiente que ele se sentiu chamado ao sacerdócio.
Em setembro de 1728, tornou-se seminarista e foi encardinado pelo Cardeal Pignatelli, como clérigo na paróquia de Santana di Palazzo. No dia 4 de junho de 1729, com o objetivo de estudar em condições mais favoráveis, tornou-se interno no Colégio da Sagrada Família, conhecido como o Colégio Chinês, fundado por Mateus Ripa. No dia 8 de abril do ano seguinte, deixou o colégio e no dia 5 começou o noviciado na Congregação das Missões Apostólicas.
No dia 28 de maio de 1731, concluiu seu noviciado e a 8 de julho do ano seguinte, foi ordenado sacerdote. Durante esses anos, além de visitar o hospital, ele se empenhou em ensinar catecismo às crianças que já eram obrigadas a trabalhar. Visitava também os velhinhos no Asilo de São Januário e os condenados perpétuos e que se encontravam internados por doenças. Nesses anos, ele desenvolveu uma amizade com Santo Afonso de Ligório e entrou em contato com seu apostolado. Juntos eles se dedicaram a ensinar catecismo aos leigos adultos, organizando reuniões à noite.
Após sua ordenação, foi designado pelo Cardeal Pignatelli, Diretor de Instrução Religiosa na paróquia de São Francisco e São Mateus, no Bairro Espanhol. Tornando-se consciente e preocupado com a realidade gritante da corrupção de meninas, decidiu canalizar suas energias contra a prostituição. Neste mesmo período (1733), ele corajosamente defendeu seu amigo, Afonso de Ligório, contra críticas infundadas e injustas, após a fundação da Congregação Missionária do Santíssimo Redentor, em Scala, no dia 9 de novembro de 1732. Em junho do mesmo ano, tendo ido a Scala para ajudar os Redentoristas na missão de Ravello, decidiu tornar-se também Redentorista, continuando ao mesmo tempo a ser membro das Missões Apostólicas. Após sua entrada para a Congregação, em abril de 1736, ele se dedicou sem restrições às missões paroquiais e a escrever. Escreveu principalmente em defesa das "meninas em perigo". Também escreveu sobre a vida espiritual. Trabalhava a tal ponto que chegou à beira da morte. Com o consentimento de Santo Afonso, voltou a Nápoles para tratamento da saúde e lá retomou seu apostolado de recuperação das prostitutas.
Fazendo um apostolado redentorista juntamente com as Missões Apostólicas, ele incentivou a meditação em comum junto aos leigos, ao publicar "O Mundo Santificado". Fez também campanhas contra a blasfêmia, em outro livro que escreveu. Em 1741 participou com Santo Afonso na grande missão pregada nos arredores de Nápoles, em preparação à visita canônica do Cardeal Spinelli. Apesar da precariedade de sua saúde, continuou a pregar até o fim de abril de 1744, quando sua saúde decaiu e ele, muito doente, voltou a Nápoles, onde morreu no dia 30 de junho com a idade de apenas 42 anos. Seu corpo jaz na igreja de Ciorani, a primeira igreja redentorista.
Januário Maria Sarnelli nos deixou 30 escritos, entre meditações, teologia mística, direção espiritual, leis, pedagogia, temas morais e pastorais. Devido a seus trabalhos sociais em defesa da mulher, é considerado um dos mais importantes autores que tratou deste assunto na Europa, na primeira metade do século dezoito. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 12 de maio de 1996, na Praça de São Pedro, Cidade do Vaticano.

Ver também: Santos Protomártires

Fontes:

Santas Salomé e Judite, Monjas (+Século IX), 29 de Junho

Foi em meados do Século IX que Judite, filha do rei da Inglaterra decidiu abraçar a fé cristã na prática da solidão e intensos  sacrifícios por amor a Nosso Senhor.
Tudo começou quando Salomé, parenta próxima do rei, decidiu oferecer a Deus o seu amor, abandonando a corte real. A sua formosura era o reflexo das belas  virtudes que lhe adornavam a alma.  Duas  empregadas dedicadas e fiéis, notando na senhora mudança muito grande, e querendo saber os motivos  de seu recolhimento, interpelaram-na. Salomé, com suas santas argumentações, acabou despertando nelas igual desejo de  pertencer só a Deus e de se afastarem do mundo. De comum acordo e sem se despedirem de  pessoa alguma, empreenderam uma viagem à Terra Santa, onde, com muita devoção, visitaram os  Santos Lugares. 
Salomé, que acompanhava o Divino Esposo no caminho da dor até o Monte Calvário, teve de percorrer ainda outro caminho, ainda mais doloroso para ela. Na viagem de regresso perdeu, pela morte, as fiéis  companheiras.  Firme, porém,  era-lhe o propósito de  não voltar mais  à corte real  da  Inglaterra, e levar uma vida pobre e desconhecida no estrangeiro.
Com  muitas dificuldades chegou a Ratisbona, na Baviera (Alemanha), onde se aborreceu  profundamente por causa de alguns galanteios à sua formosura. Humilhando-se diante de Deus, em fervorosas preces pediu que lhe tirasse  os atrativos tentadores. Esta oração foi ouvida.  Acometida de  uma enfermidade, em poucos dias perdeu a vista. Além da cegueira, Deus mandou-lhe uma doença que  se  parecia com a lepra e que a atormentou por algum tempo. Hospedada em casa de uma piedosa  senhora, lá poderia ter ficado, se o desejo insaciável de penitência não lhe tivesse reclamado constantemente uma vida mais retirada. O abade de Niederaltaich, tendo notícia da vida santa de Salomé, convidou-a a mudar de residência para perto do convento. Salomé obedeceu à ordem de seu diretor espiritual e  foi ocupar a  cela que o mesmo mandara construir  para seu  uso, nas adjacências do mosteiro. 
O rei da Inglaterra, alarmado com a excessiva demora da parenta, fez repetidas buscas para descobrir-lhe o paradeiro. A Princesa Judite, sua filha, que tinha enviuvado, resolveu ir à Terra Santa, para onde levou grande equipamento, animada de esperança de encontrar a querida Salomé. Na volta, passando pela Baviera, descobriu  o lugar onde ela morava. Grande foi o contentamento de ambas. Mas, em vez de voltar à Inglaterra, resolveram terminar  seus dias na solidão, servindo a Deus em oração e praticando penitência.  

Reflexões:
Se não podemos imitar Santa Judite e Santa Salomé no heroísmo e sair também da nossa pátria para, no estrangeiro, dedicarmos a Deus uma vida de sacrifícios e de oração, devemos admirar a prontidão com que seguiram a inspiração que do Céu lhes veio de abandonar tudo e  morrer  na solidão. Achando-nos, como nos achamos, no caminho da eternidade, cuidemos de não nos afastar do caminho reto e não nos perder, no meio de perigos e contrariedades. Louvável, se não sempre exeqüível, é o desejo de visitar os Santos Lugares da Palestina. Na Santíssima Eucaristia temos mais que os Santos Lugares. Cada Comunhão confere-nos maiores graças que a visita aos lugares da Terra Santa. O Santíssimo Sacramento é Deus Nosso Senhor em pessoa; Nele encontramos a Carne, o Sangue, a humanidade e a divindade, o corpo e a alma de Jesus.  

Ver também: São Pedro e São Paulo, Apóstolos

Fontes:
Referência bibliográfica: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas  Gerais, 1959.  
http://www.paginaoriente.com/santos/judite2906.htm

sexta-feira, 25 de junho de 2010

São Leão II, Papa (+ 683), 28 de Junho


Após a morte do Papa Agatão, a Sé Apostólica permaneceu vaga durante dezenove meses. Então, após este longo período, foi eleito um dos últimos Papas da Idade Média, São Leão II, originário da Grande Grécia, em Piano-di-San-Martino, perto de Reggio. Filho de um médico, perfeitamente versado nas Sagradas Escrituras, Leão era tão piedoso quanto sábio, e seus bons exemplos conduziam todos pelo caminho da virtude.
Tornando-se cônego regular, começou a cuidar especialmente dos pobres, dos órfãos e das viúvas. Seu curto pontificado, que durou apenas dez meses, foi marcado pela confirmação do sexto Concílio Ecumênico que seu predecessor havia reunido em Constantinopla para combater os hereges Monotelitas (diziam que, em Jesus Cristo, embora havendo duas naturezas, só havia uma vontade, pela identificação perfeita da vontade humana com a vontade divina)
Conhecendo bem tanto o idioma grego quanto o latino, São Leão traduziu as atas desse Concílio para os Ocidentais, do grego para o latim. O santo Papa Leão II ordenou que fosse dada a paz a todos os fiéis durante a santa missa. Este costume piedoso já vinha sendo praticado e observado desde os primeiros séculos da Igreja, como se pode constatar nos escritos de São Denis e de São Justino.
Os cânticos que São Gregório o Grande havia composto e estabelecido na Igreja encontravam-se, então, numa extrema confusão e decadência. São Leão II reformou pessoalmente os cânticos gregorianos e compôs também alguns novos hinos que a Igreja conservou até os nossos dias. Ainda que ele tenha permanecido na Sé durante apenas dez meses e dezessete dias, São Leão II é um dos mais excelentes Papas que já governaram a Igreja. Amado e respeitado por todos, tanto por causa de sua virtude quanto por sua doçura natural, sempre afável e benevolente, São Leão II contava com todas as qualidades necessárias para exercer o cargo de Pastor supremo.
Todos os fiéis sentiram sua perda como a de um verdadeiro pai. Seu corpo foi enterrado no Vaticano, no mausoléu dos soberanos pontífices. Ele é representado abraçando um mendigo, em alusão à sua caridade para com os infelizes, ou tendo consigo um livro onde se lêem notas musicais.

Ver também : Santo Irineu de Lyon

Fontes :
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100628&id=4943&fd=0
Extraído dos Petits Bollandistes, Paris, 1874, tomo VII, pgs. 417-418.
http://i43.servimg.com/u/f43/11/53/59/59/saint_82.jpg