quinta-feira, 1 de julho de 2010

Beato Pier Giorgio Frassati, Leigo (+1925), 04 de Julho

Pier Giorgio Frassati (Turim, 6 de abril de 1901 — Turim, 4 de julho de 1925) foi um ativista católico italiano. Modelo do jovem leigo, tornou-se significativamente popular nas décadas seguintes à sua inesperada morte, sobretudo nas Conferências de São Vicente de Paulo e na Ação Católica. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II como o Homem das Oito Bem-Aventuranças, aos 20 de maio de 1990.

Filho de Alfredo Frassati e Adelaide Ametis, família abastada, dona do jornal La Stampa. Tendo vivido entre 1918 e 1922 em Berlim, onde o seu pai foi embaixador de Itália, Pier Giorgio viveu, sobretudo, no Piemonte, na cidade de Turim.
Pier-Giorgio era profundamente anti-fascista, chegando a envolver-se em confrontos físicos com adeptos do Partido Social Fascista de Benito Mussolini. Quando aquele dirigente assumiu o poder, em 1922, o seu pai demitiu-se de embaixador e regressou a Itália com a família. Em 1921 Pier Giorgio inscreveu-se no Partido Popular italiano (Partito Popolare Italiano), dirigido por Luigi Sturzo que se reclamava das idéias da Democracia Cristã.





Dedicou-se desde muito novo a várias obras sociais, de caridade e religiosas. Envolveu-se no seio de vários grupos católicos de juventude, como o Apostolado da Oração e a Sociedade de São Vicente de Paulo, sendo igualmente membro da Ordem Terceira de São Domingos. Uma da suas máximas de vida era: «A Caridade não é suficiente: precisamos de reformas sociais». Foi um dos fundadores do jornal «Momento», baseado nos ensinamentos sociais do Papa Leão XIII explanados na sua encíclica Rerum Novarum. Estudante de Engenharia Industrial Mecânica na Escola Real Politécnica entre 1918 e 1925, pretendia vir a dedicar-se integralmente aos mineiros, que ele via como uma das classes profissionais mais sofredoras, tanto em termos de dureza profissional quanto em termos sociais.
Era um desportista, praticando diversas modalidades entre as quais se destacava o montanhismo, mediante o qual aproveitava para se isolar, rezar e refletir na solidão das montanhas.
Frassati morreu em 1925 de poliomelite e milhares de pessoas participaram no seu funeral. Encontra-se enterrado na Catedral de Turim. Foi chamado de Homem das oito beatitudes pelo Papa João Paulo II, que o nomeou Patrono dos Desportistas e o beatificou a 20 de Maio de 1990. Sua festa religiosa é celebrada em 4 de julho.

Ver também: Santa Isabel, Rainha de Portugal

Fontes:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Fichier:Versolalto.jpg Pier Giorgio Frassati lors de la dernière randonnée au Lunelle le 7 juin 1925. « Verso l'alto » (« vers le sommet ») est la légende que Pier Giorgio apposa lui-même sur cette photo

terça-feira, 29 de junho de 2010

Santo Anatólio de Constantinopla, Patriarca (+458), 03 de Julho


Anatólio (449 — 458) foi o décimo patriarca a figurar na Lista sucessória dos Patriarcas Ecumênicos de Constantinopla, ele foi elevado ao Patriarcado em substituição a Flaviano de Constantinopla, por imposição de Dióscoro, Patriarca de Alexandria, imediatamente após o Segundo Concílio de Éfeso, em 449.
Embora adepto do Monofisismo, Anatólio, viu-se obrigado a ceder à imposição da Imperatriz Pulquéria, que pretendia auxiliar ao papa na reversão do quadro político em que se via metida a Igreja, vitimada por Eutiques e seus simpatizantes.
Ela ordenou ao patriarca Anatólio que cedesse à posição romana e estreitasse os laços com a ortodoxia, se quisesse conservar a sua posição. Anatólio, intimidado com as ameaças, reuniu um concílio para o qual convidou os legados do papa, a fim de dar conhecimento da já conhecida carta de São Leão Magno O Tomo ad Flavianus endereçada a Flaviano, seu antecessor. Os presentes ao novo Concílio declararam sua aprovação a todo conteúdo da carta, e Anatólio pronunciou o anátema contra Nestório e Eutiques, condenou a sua doutrina. Em conseqüência de seus atos foi reconhecido como patriarca legítimo de Constantinopla.

Ver também: São Tomé, Apóstolo

Fontes:

Beato Julião Maunoir, Sacerdote Jesuíta, Missionário na Bretanha (1606-1683), 02 de Julho

Nascido em 1606, o Beato Julião Maunoir fez os estudos em Rennes, França, e depois entrou na Companhia de Jesus em Paris, em 1625. Em Quimper, o venerável Miguel Le Nobletz impeliu-o a continuar o apostolado na Baixa Bretanha,  onde a assistência religiosa estava nessa época muito descuidada. Em três dias, segundo se diz, por intercessão da Virgem Maria, o Padre Maunoir aprendeu a língua bretã e consagrou-se imediatamente ao ensino do catecismo na região.

De 1634 a 1638 terminou os estudos teológicos em Bourges e, quando se propunha ir para as missões do Canadá, foi atacado por doença grave. Nesse momento, fez o voto de se consagrar às missões da Bretanha, se recuperasse a saúde. Restabelecido, começou vasta obra de restauração religiosa da gente dessa região. Durante 42 anos, perseverou nesse trabalho, pregando, catequizando e dando retiros; estes, em Quimper, reuniam uns mil padres por ano. Pelos muitos que encaminhou para a vida sacerdotal na idade madura, segundo foi escrito, o Beato merecia ser tomado como padroeiro das vocações tardias. Julião Maunoir faleceu a 28 de Janeiro de 1683 e foi beatificado por Pio XII, a 20 de Maio de 1951.
Reproduzimos parte do elogio que o mesmo Sumo Pontífice fez, a seguir, do novo Beato, diante dos peregrinos franceses que tinham vindo assistir à cerimônia na Basílica de São Pedro:
“Em conseqüência de que transformação chegou a Bretanha a merecer que a apontassem ao mundo como exemplo de vida ardorosa, moral e profundamente cristã? Ela própria atribui a honra disso ― depois de Deus, da Virgem Maria e dos Santos padroeiros ― aos seus missionários, na primeira linha dos quais ela venera o beato Julião Maunoir.
Mas que fez ele e qual foi o seu segredo? Foi nada mais que apóstolo, mas foi-o em toda a extensão e toda a força do termo: apóstolo de Cristo, formado na sua escola, dócil aos seus princípios e às suas lições, penetrado pelo seu puro espírito... Ação intensa, adaptação às disposições e aos métodos do tempo. Bem nos parece que foram esses, entre outros, os traços da fisionomia e da actividade do Beato Julião Maunoir...
No capítulo da ação intensa, Maunoir pode fácil e vitoriosamente ser comparado com seja quem for: trabalhos, fadigas, incômodos e sofrimentos, sem nunca descansar nem se poupar na sucessão ininterrupta das Missões, e que Missões! No continente e nas ilhas, pregações, procissões, catecismo, confissões, visita dos doentes e tudo mais. Quem lê a sua vida pergunta-se como um só homem pôde bastar para tantos trabalhos, como pôde a sua natureza agüentar tal cansaço... Homem de ação mais que ninguém, punha acima da ação o estudo, e acima do estudo a oração... Tinha, dizia ele próprio, recebido de Deus um dom de oração que o mantinha em contínua união com Ele...
Foi para se colocar ao alcance de todos que ele aprendeu a difícil língua que falavam. Ensinava, por meio de grandes quadros figurados, a doutrina e a moral. E punha-as em estribilhos e estrofes, que tão bem se imprimiam na memória, que ainda hoje o povo os canta...”

Ver também : São Bernardino Realino

Fonte:
http://alexandrinabalasar.free.fr/juliao_maunoir.htm

Beato Ignacio Falzon, Religioso Franciscano Terceiro (+1865), 1º de Julho



Ignácio nasceu em La Valleta (capital da República de Malta), em 1º de julho de 1813. Sua família tinha uma situação financeira bastante confortável – seu pai, o advogado Giuseppe Francesco, fazia parte da comissão para a redação do novo Código Civil e, mais tarde, foi nomeado Juiz de Sua Majestade. Dois de seus irmãos, Doutores em Direito, tornaram-se sacerdotes.
Aos quinze anos, recebeu a primeira tonsura (a tonsura é uma cerimônia religiosa em que o bispo dá um corte no cabelo do ordinando ao conferir-lhe o primeiro grau no clero, chamado também “prima tonsura”); três anos mais tarde, recebeu as Ordens Menores, mas nunca se sentiu digno de receber a Ordenação Sacerdotal.

Aos vinte anos, em 7 de setembro de 1833, obteve o Doutorado em Direito Canônico e Civil no Ateneu de Malta, porém nunca exerceu essa profissão. Estudou a língua inglesa, coisa rara naqueles tempos, mas essencial para manter contato com os soldados ingleses (eram, então, cerca de vinte mil) que chegavam a Malta para preparar a guerra da Criméia (ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_da_Crimeia).

Dedicou-se à oração e ao ensino do catecismo, devotava-se muito à Santíssima Eucaristia, tendo também como alimentos espirituais a adoração e a meditação, ao ponto de despertar a admiração de todos os fiéis que freqüentavam a igreja paroquial de São Paulo Náufrago, assim como a igreja franciscana de Santa Maria de Jesus. Tinha particular devoção à Santíssima Virgem e a São José. Rezava o santo Rosário todos os dias.

Ignácio sempre apoiou as vocações sacerdotais. Socorria continuamente os necessitados. Destacou-se especialmente pela missão que desempenhou entre os soldados e marinheiros ingleses. Começou organizando encontros de orações e turmas de catecismo para os militares católicos que se preparavam para partir para a frente de batalha. Logo fazia amizade com os outros soldados, protestantes ou não cristãos, aos quais dava bons conselhos. Assim, atraiu para a fé católica centenas de homens. Os documentos que se conservam na igreja dos jesuítas em La Valletta contêm os nomes de mais de 650 pessoas que Ignácio preparou para receber o batismo. Além disso, destacava-se também por sua capacidade de inspirar confiança inclusive nos que não se haviam convertido: estes lhe confiavam seus objetos pessoais e valiosos para que os entregasse a seus entes queridos, caso morressem na guerra.

Pioneiro no campo do ecumenismo, desempenhou esta missão com a ajuda dos leigos. Alguns de seus colaboradores tornaram-se sacerdotes e capelães militares ou navais. Um deles, que permaneceu em Malta, deu continuidade à missão de Ignácio.

Nosso beato viveu uma existência silenciosa: podia-se intuir sua santidade ao vê-lo orar diante do Santíssimo Sacramento. Morreu em 1º de julho de 1865, no dia em que completava 52 anos de idade. Era membro da Ordem Franciscana Secular (ou Terceira). Foi sepultado no jazigo de sua família na igreja franciscana de Santa Maria de Jesus, em La Valletta. As graças obtidas por sua intercessão difundiram sua fama de santidade não só na Ilha de Malta, mas também nos países que acolheram, e acolhem, imigrantes malteses.


Tradução e Adaptação:

Gisèle Pimentel


Ver também: Preciosíssimo Sangue de Cristo



Fontes:



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Beato Januário Sarnelli, Presbítero (+1744), 30 de Junho

Januário Maria Sarnelli, filho do Barão de Ciorani, nasceu em Nápoles no dia 12 de setembro de 1702. Quando tinha 14 anos, acompanhou a beatificação de Francisco Régis e decidiu tornar-se um jesuíta. Foi logo desencorajado por seu pai, devido a sua pouca idade. Começou então os estudos de jurisprudência e se doutorou em leis eclesiásticas e civis em 1722. Logo se destacou na Associação dos Advogados e se inscreveu na Ordem dos Cavaleiros das Profissões Médico-Legais, dirigida pelos Pios Operários em São Nicolau de Toledo. Entre as normas desta associação, havia a obrigação de visitar os doentes no Hospital dos Incuráveis. E foi neste ambiente que ele se sentiu chamado ao sacerdócio.
Em setembro de 1728, tornou-se seminarista e foi encardinado pelo Cardeal Pignatelli, como clérigo na paróquia de Santana di Palazzo. No dia 4 de junho de 1729, com o objetivo de estudar em condições mais favoráveis, tornou-se interno no Colégio da Sagrada Família, conhecido como o Colégio Chinês, fundado por Mateus Ripa. No dia 8 de abril do ano seguinte, deixou o colégio e no dia 5 começou o noviciado na Congregação das Missões Apostólicas.
No dia 28 de maio de 1731, concluiu seu noviciado e a 8 de julho do ano seguinte, foi ordenado sacerdote. Durante esses anos, além de visitar o hospital, ele se empenhou em ensinar catecismo às crianças que já eram obrigadas a trabalhar. Visitava também os velhinhos no Asilo de São Januário e os condenados perpétuos e que se encontravam internados por doenças. Nesses anos, ele desenvolveu uma amizade com Santo Afonso de Ligório e entrou em contato com seu apostolado. Juntos eles se dedicaram a ensinar catecismo aos leigos adultos, organizando reuniões à noite.
Após sua ordenação, foi designado pelo Cardeal Pignatelli, Diretor de Instrução Religiosa na paróquia de São Francisco e São Mateus, no Bairro Espanhol. Tornando-se consciente e preocupado com a realidade gritante da corrupção de meninas, decidiu canalizar suas energias contra a prostituição. Neste mesmo período (1733), ele corajosamente defendeu seu amigo, Afonso de Ligório, contra críticas infundadas e injustas, após a fundação da Congregação Missionária do Santíssimo Redentor, em Scala, no dia 9 de novembro de 1732. Em junho do mesmo ano, tendo ido a Scala para ajudar os Redentoristas na missão de Ravello, decidiu tornar-se também Redentorista, continuando ao mesmo tempo a ser membro das Missões Apostólicas. Após sua entrada para a Congregação, em abril de 1736, ele se dedicou sem restrições às missões paroquiais e a escrever. Escreveu principalmente em defesa das "meninas em perigo". Também escreveu sobre a vida espiritual. Trabalhava a tal ponto que chegou à beira da morte. Com o consentimento de Santo Afonso, voltou a Nápoles para tratamento da saúde e lá retomou seu apostolado de recuperação das prostitutas.
Fazendo um apostolado redentorista juntamente com as Missões Apostólicas, ele incentivou a meditação em comum junto aos leigos, ao publicar "O Mundo Santificado". Fez também campanhas contra a blasfêmia, em outro livro que escreveu. Em 1741 participou com Santo Afonso na grande missão pregada nos arredores de Nápoles, em preparação à visita canônica do Cardeal Spinelli. Apesar da precariedade de sua saúde, continuou a pregar até o fim de abril de 1744, quando sua saúde decaiu e ele, muito doente, voltou a Nápoles, onde morreu no dia 30 de junho com a idade de apenas 42 anos. Seu corpo jaz na igreja de Ciorani, a primeira igreja redentorista.
Januário Maria Sarnelli nos deixou 30 escritos, entre meditações, teologia mística, direção espiritual, leis, pedagogia, temas morais e pastorais. Devido a seus trabalhos sociais em defesa da mulher, é considerado um dos mais importantes autores que tratou deste assunto na Europa, na primeira metade do século dezoito. Foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 12 de maio de 1996, na Praça de São Pedro, Cidade do Vaticano.

Ver também: Santos Protomártires

Fontes:

Santas Salomé e Judite, Monjas (+Século IX), 29 de Junho

Foi em meados do Século IX que Judite, filha do rei da Inglaterra decidiu abraçar a fé cristã na prática da solidão e intensos  sacrifícios por amor a Nosso Senhor.
Tudo começou quando Salomé, parenta próxima do rei, decidiu oferecer a Deus o seu amor, abandonando a corte real. A sua formosura era o reflexo das belas  virtudes que lhe adornavam a alma.  Duas  empregadas dedicadas e fiéis, notando na senhora mudança muito grande, e querendo saber os motivos  de seu recolhimento, interpelaram-na. Salomé, com suas santas argumentações, acabou despertando nelas igual desejo de  pertencer só a Deus e de se afastarem do mundo. De comum acordo e sem se despedirem de  pessoa alguma, empreenderam uma viagem à Terra Santa, onde, com muita devoção, visitaram os  Santos Lugares. 
Salomé, que acompanhava o Divino Esposo no caminho da dor até o Monte Calvário, teve de percorrer ainda outro caminho, ainda mais doloroso para ela. Na viagem de regresso perdeu, pela morte, as fiéis  companheiras.  Firme, porém,  era-lhe o propósito de  não voltar mais  à corte real  da  Inglaterra, e levar uma vida pobre e desconhecida no estrangeiro.
Com  muitas dificuldades chegou a Ratisbona, na Baviera (Alemanha), onde se aborreceu  profundamente por causa de alguns galanteios à sua formosura. Humilhando-se diante de Deus, em fervorosas preces pediu que lhe tirasse  os atrativos tentadores. Esta oração foi ouvida.  Acometida de  uma enfermidade, em poucos dias perdeu a vista. Além da cegueira, Deus mandou-lhe uma doença que  se  parecia com a lepra e que a atormentou por algum tempo. Hospedada em casa de uma piedosa  senhora, lá poderia ter ficado, se o desejo insaciável de penitência não lhe tivesse reclamado constantemente uma vida mais retirada. O abade de Niederaltaich, tendo notícia da vida santa de Salomé, convidou-a a mudar de residência para perto do convento. Salomé obedeceu à ordem de seu diretor espiritual e  foi ocupar a  cela que o mesmo mandara construir  para seu  uso, nas adjacências do mosteiro. 
O rei da Inglaterra, alarmado com a excessiva demora da parenta, fez repetidas buscas para descobrir-lhe o paradeiro. A Princesa Judite, sua filha, que tinha enviuvado, resolveu ir à Terra Santa, para onde levou grande equipamento, animada de esperança de encontrar a querida Salomé. Na volta, passando pela Baviera, descobriu  o lugar onde ela morava. Grande foi o contentamento de ambas. Mas, em vez de voltar à Inglaterra, resolveram terminar  seus dias na solidão, servindo a Deus em oração e praticando penitência.  

Reflexões:
Se não podemos imitar Santa Judite e Santa Salomé no heroísmo e sair também da nossa pátria para, no estrangeiro, dedicarmos a Deus uma vida de sacrifícios e de oração, devemos admirar a prontidão com que seguiram a inspiração que do Céu lhes veio de abandonar tudo e  morrer  na solidão. Achando-nos, como nos achamos, no caminho da eternidade, cuidemos de não nos afastar do caminho reto e não nos perder, no meio de perigos e contrariedades. Louvável, se não sempre exeqüível, é o desejo de visitar os Santos Lugares da Palestina. Na Santíssima Eucaristia temos mais que os Santos Lugares. Cada Comunhão confere-nos maiores graças que a visita aos lugares da Terra Santa. O Santíssimo Sacramento é Deus Nosso Senhor em pessoa; Nele encontramos a Carne, o Sangue, a humanidade e a divindade, o corpo e a alma de Jesus.  

Ver também: São Pedro e São Paulo, Apóstolos

Fontes:
Referência bibliográfica: Na luz Perpétua, 5ª. ed., Pe. João Batista Lehmann, Editora Lar Católico - Juiz de Fora - Minas  Gerais, 1959.  
http://www.paginaoriente.com/santos/judite2906.htm

sexta-feira, 25 de junho de 2010

São Leão II, Papa (+ 683), 28 de Junho


Após a morte do Papa Agatão, a Sé Apostólica permaneceu vaga durante dezenove meses. Então, após este longo período, foi eleito um dos últimos Papas da Idade Média, São Leão II, originário da Grande Grécia, em Piano-di-San-Martino, perto de Reggio. Filho de um médico, perfeitamente versado nas Sagradas Escrituras, Leão era tão piedoso quanto sábio, e seus bons exemplos conduziam todos pelo caminho da virtude.
Tornando-se cônego regular, começou a cuidar especialmente dos pobres, dos órfãos e das viúvas. Seu curto pontificado, que durou apenas dez meses, foi marcado pela confirmação do sexto Concílio Ecumênico que seu predecessor havia reunido em Constantinopla para combater os hereges Monotelitas (diziam que, em Jesus Cristo, embora havendo duas naturezas, só havia uma vontade, pela identificação perfeita da vontade humana com a vontade divina)
Conhecendo bem tanto o idioma grego quanto o latino, São Leão traduziu as atas desse Concílio para os Ocidentais, do grego para o latim. O santo Papa Leão II ordenou que fosse dada a paz a todos os fiéis durante a santa missa. Este costume piedoso já vinha sendo praticado e observado desde os primeiros séculos da Igreja, como se pode constatar nos escritos de São Denis e de São Justino.
Os cânticos que São Gregório o Grande havia composto e estabelecido na Igreja encontravam-se, então, numa extrema confusão e decadência. São Leão II reformou pessoalmente os cânticos gregorianos e compôs também alguns novos hinos que a Igreja conservou até os nossos dias. Ainda que ele tenha permanecido na Sé durante apenas dez meses e dezessete dias, São Leão II é um dos mais excelentes Papas que já governaram a Igreja. Amado e respeitado por todos, tanto por causa de sua virtude quanto por sua doçura natural, sempre afável e benevolente, São Leão II contava com todas as qualidades necessárias para exercer o cargo de Pastor supremo.
Todos os fiéis sentiram sua perda como a de um verdadeiro pai. Seu corpo foi enterrado no Vaticano, no mausoléu dos soberanos pontífices. Ele é representado abraçando um mendigo, em alusão à sua caridade para com os infelizes, ou tendo consigo um livro onde se lêem notas musicais.

Ver também : Santo Irineu de Lyon

Fontes :
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100628&id=4943&fd=0
Extraído dos Petits Bollandistes, Paris, 1874, tomo VII, pgs. 417-418.
http://i43.servimg.com/u/f43/11/53/59/59/saint_82.jpg

São Ladislau, Rei da Hungria (1031-1095), 27 de Junho

Príncipe de vida exemplar, rigoroso contra toda injustiça, caritativo, paciente e fervoroso, modelo de como se pode praticar a virtude heróica no trono.
A Idade Média, tempo em que a filosofia do Evangelho governava os povos, deu frutos de santidade maiores do que em qualquer outra época. Para só falar no campo civil, vemos grandes santos desde o cimo da escala social até o mais baixo dela: imperadores, reis, duques e até pastores e empregadas domésticas.
São Ladislau, rei da Hungria, pertence ao número dos que praticaram no trono a virtude em grau heróico, sendo modelo para seus súditos e para os fiéis em geral. Era filho do rei Bela e neto de um primo-irmão do rei Santo Estêvão, da Hungria. Nasceu em 1041 na Polônia, onde se havia refugiado seu pai para fugir das violências de Pedro, o Germânico, sucessor de Santo Estêvão. Sua mãe, filha do duque Mesco, deu profunda formação religiosa a ele e a seu irmão Geisa.
Morto Pedro, o Germânico, subiu ao trono da Hungria André, irmão mais velho de Bela e tio de Ladislau. Chamou-os novamente à corte, deu a Bela o título de duque e quis que seus dois sobrinhos fossem criados em seu palácio, à sua vista, pois não tinha herdeiros. Como já ocorrera na Polônia, logo a corte admirou as virtudes de Ladislau, jovem casto, sóbrio, humilde, afável com todos e de extrema caridade para com os pobres.
 Ocorreu então que ao rei André nasceu um filho, Salomão, revogando ele o ato pelo qual havia designado Bela como seu sucessor. Bela não aceitou a medida e levantou-se em armas contra o irmão. André, ferido no combate, faleceu pouco depois, e Bela proclamou-se rei. Isso chocou muito a Ladislau, não só por ter sido seu pai responsável direto pela morte do tio, mas também porque julgava que o direito à sucessão pertencia a Salomão. Quando seu pai faleceu, trabalhou para que Salomão o sucedesse, o que ocorreu.
No trono, Salomão mostrou-se cruel e sanguinário, sendo deposto por Geisa, irmão de Ladislau, que foi proclamado rei. Mas Geisa faleceu apenas três anos depois, sem sucessor direto. Os prelados, a nobreza e os magistrados das principais cidades da Hungria, por unanimidade, escolheram-no para sucedê-lo, mas ele não queria aceitar a coroa em detrimento de Salomão, ainda vivo, por considerá-lo legítimo herdeiro do trono. Entretanto os húngaros mostraram-lhe que a sucessão no país não era hereditária, mas eletiva, pelo que tinham direito de escolher aquele que julgassem mais apto para governar. Diante disso ele concordou, mas não quis ser coroado nem usar diadema enquanto Salomão vivesse.

Reinando por Nosso Senhor Jesus Cristo
Esse príncipe verdadeiramente cristão quis fazer Jesus Cristo reinar em seus estados. Sua primeira providência foi restituir à Religião seu primitivo esplendor, trabalhando também para extinguir os últimos restos de paganismo no país e fazer nele reinar a paz de Cristo. Para progresso e esplendor da verdadeira Religião, dedicou-se a reformar as igrejas deterioradas e a construir novas. Entre elas edificou a célebre basílica de Nossa Senhora de Waradin, que se tornou magnífico monumento de piedade mariana e de louvor à Virgem Mãe de Deus, de quem era fiel devoto.
Notável por sua bondade, justiça e caridade, Ladislau constituiu-se o sustentáculo dos órfãos, dos infelizes e de todos os aflitos. Mostrava em seus julgamentos tanta suavidade e desejo de ajudar, que era olhado mais como um pai que acomodava as diferenças dos filhos do que como juiz.
Em seu palácio não se ouviam imprecações, blasfêmias nem palavras desonestas. Os jejuns eclesiásticos eram observados rigorosamente. Cada um procurava ser tão exímio em seu comportamento, que se diria terem alcançado a perfeição de um palácio real.
Ladislau convocou e presidiu uma assembléia entre os prelados e a nobreza, submetendo à sua deliberação uma série de ordenações de acordo com as peculiaridades de seu povo e a Lei Divina. Tais ordenações foram muito eficazes, mas o exemplo do rei era ainda mais cogente do que qualquer lei para manter os súditos em seus deveres e na exemplaridade de vida. Ele somente ordenava aquilo que era o primeiro a cumprir, e sendo o mais fiel cumpridor dos mandamentos de Deus e da Igreja, tornou-se uma lei viva, que indicava a cada um o próprio dever.

Propõe-se a abdicar em favor do primo
Ladislau fez de tudo para conquistar para Deus seu primo Salomão. Concedeu-lhe uma pensão principesca para que vivesse de acordo com seu nascimento, e enviou várias vezes altos prelados e homens de Estado para tentar aplacá-lo. Ofereceu mesmo deixar-lhe o trono, se ele mudasse de vida. Salomão respondeu a isso com traições e ameaças à vida do santo, chegando a conjurar-se com os hunos para atacar o país. Derrotado, foi preso numa praça forte.
Mas não por muito tempo. Quando Ladislau quis trasladar os restos de Santo Estêvão para um lugar mais digno e mandou exumá-los, os operários não conseguiam abrir o túmulo, por mais que tentassem. Uma santa religiosa declarou então ao rei que, segundo manifestação divina, a causa daquela dificuldade era a sua excessiva severidade contra Salomão, que desgostara grandemente ao Senhor. Ele acatou com humilde simplicidade a determinação divina e mandou libertar o prisioneiro, devolvendo-lhe todos os seus bens.
Salomão empenhou-se depois em várias guerras contra príncipes vizinhos, foi derrotado e forçado a fugir para uma espessa floresta, da qual não reapareceu. Historiadores dizem que, no isolamento, ele finalmente se arrependeu de seus desmandos. E, para fazer penitência, passou vários anos como solitário na floresta, onde morreu santamente, sendo enterrado em Póla, cidade da Ístria. Esse feliz resultado seria devido em grande parte às orações de São Ladislau, que não deixava de rezar por ele.

Valente na batalha, magnânimo na vitória
Embora fosse de índole pacífica, e talvez por causa disso, Ladislau teve que fazer face a vários inimigos que tentavam despojá-lo de seu trono. Procurava resolver os litígios por meios pacíficos, mas quando estes não surtiam efeito, saía destemidamente à frente de suas tropas. Assim, venceu os poloneses, tomando-lhes de passagem Cracóvia, sua capital; expulsou os bárbaros da Dalmácia e os hunos, que assolavam a Hungria, obrigando-os a pedir paz. Conquistou também parte da Bulgária e da Rússia.
De estatura elevada e majestosa, nas guerras ele era o primeiro a cavalo. À testa do exército, cumpria as funções do mais intrépido capitão e bravo soldado. Naqueles tempos cavalheirescos, para poupar vidas humanas, ele desafiava os generais dos exércitos inimigos para combates singulares, nos quais saía sempre vencedor.
Antes de empreender qualquer expedição, ordenava orações públicas e três dias de jejum para o bom êxito da empresa. De sua parte, preparava-se também com o jejum e a recepção dos sacramentos, para que o Senhor dos Exércitos lhe fosse propício. Era tão valente no campo de batalha quanto magnânimo na vitória.

Libertar a Terra Santa do islamismo
O que sobretudo almejava esse destemido rei era conduzir um exército contra os infiéis, para retomar a Terra Santa. Assim, quando o bem-aventurado papa Urbano II pregou a Cruzada, quis ser dos primeiros soldados da cruz. E quando os reis da França, Espanha e Inglaterra — que também fariam parte da expedição — pediram a Ladislau que chefiasse a armada, aceitou muito contente e se preparou para a tarefa. Mas os planos de Deus eram outros. Houve uma insurreição entre os boêmios, e ele foi forçado a pacificá-los. Caiu gravemente enfermo, e soube que seus dias estavam contados.
Tendo recebido com fé e alegria todos os socorros que a Santa Mãe Igreja tem para seus filhos em transe de morte, entregou sua bela alma a Deus no dia 30 de julho de 1095.
Não houve na Hungria monarca mais pranteado que ele. Todos consideravam os 18 anos de seu reinado como uma bênção do Céu. Durante três dias a nação inteira levou luto pelo seu rei, privando-se de qualquer entretenimento. Os restos mortais foram levados em cortejo para a igreja de Nossa Senhora. Segundo os cronistas, foi mais um triunfo do que uma pompa fúnebre.
Foram tantos os milagres realizados por sua intercessão, que o Papa Celestino III o elevou à honra dos altares no ano de 1192. O culto a São Ladislau é muito popular na Hungria, onde é chamado São Lalo. É o patrono de grande número de igrejas, e seu nome é dado aos recém-nascidos com muita freqüência, tanto lá quanto na Polônia. Costuma ser representado a cavalo, com um sabre numa das mãos e o terço na outra, pois era este o modo como comandava as batalhas.
Plinio Maria Solimeo

Obras consultadas:
·   Pe. Juan Croisset, S.J.,San Ladislao, Rey de Hungria, in Año Cristiano, Saturnino Calleja, Madri, 1901, tomo II, pp. 963 e ss.
·   Les Petits Bollandistes,Saint Ladislas, roi de Hongrie, in Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris, 1882, tomo VII, pp. 395 e ss.
·   Edelvives, San Ladislao I, in El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, Saragoça, 1947, tomo III, pp. 583 e ss.
·   Michael Bihl, St. Ladislaus, in The Catholic Encyclopedia, Online Edition Copyright © 2003 by Kevin Knight, www.NewAdvent.org.
·   Pe. Pedro de Ribadeneira, San Ladislao I, Rey de Hungria, in Flos Sanctorum, apud Dr. Eduardo Maria Vilarrasa, La Leyenda de Oro, L. Gonzalez y Cia., Barcelona, 1896, tomo II, p. 519.

Ver também :

Fontes :
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=51768&language=FR&img=&sz=full