domingo, 18 de julho de 2010

São Frederico, Bispo, Mártir († 838), 18 de Julho

Frederico, neto de Radbodo, rei dos Frisonos, foi elevado (aos altares) com os clérigos da igreja de Utrecht que edificou por suas virtudes, suas austeridades, suas orações fervorosas.
Eleito bispo de Utrecht em 820, trabalhou para evangelizar o Norte da Frísia, reprovou com liberdade apostólica a conduta de Judith, segunda esposa de Luiz o Debonário, atraindo assim o ressentimento desta princesa. Frederico passou pela Ilha de Walcheren para lá combater os abusos das uniões incestuosas.
Um dia, enquanto fazia suas orações e ações de graças na capela de São João Batista, dois capangas enviados por Judith atingiram-no a golpes de punhal. Frederico morreu recitando as palavras do Salmo 114: “Na presença do Senhor continuarei o meu caminho na terra dos vivos.”
  

Tradução e Adaptação :
Gisèle Pimentel

Ver também: Beato Bartolomeu dos Mártires

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100718&id=5395&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=47398&language=FR&img=&sz=full

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Beato Inácio de Azevedo e Companheiros, Mártires (+1570), 17 de Julho

Inácio de Azevedo nasceu em Portugal, no Porto, no ano de 1527, era filho de Dom Emanuel e Dona Violante, descendentes de famílias lusitanas ricas e nobres. Aos dezoito anos de idade, tornou-se administrador dos bens familiares.

Em 1548, após um retiro em Coimbra, decidiu-se pela vida religiosa, entrando na Companhia de Jesus. Revelou-se excelente religioso, tendo sido nomeado reitor do Colégio Santo Antônio em Lisboa, antes mesmo de terminar o curso de teologia, apenas com 26 anos de idade. Após o fim do seu curso, foi mandado a Braga, para assessorar o bispo da cidade na reforma da Diocese.
No ano de 1565, São Francisco Borja confiou a Inácio a inspeção das missões das Índias e do Brasil, durando esta visita cerca de três anos. No seu relatório, Inácio pedia reforços e São Francisco de Borja ordenou-lhe que recrutasse em Portugal e Espanha elementos para o Brasil. Após cinco meses de intensos preparativos religiosos, no dia 5 de Junho de 1570, Inácio e mais 39 companheiros, partiram no navio mercante São Tiago enquanto outros trinta companheiros seguiam em barcos de guerra.
Jacques Sourie, que partiu de La Rochelle para capturar os jesuítas, alcançou-os e estes, após muita luta, foram dominados pelos calvinistas; Sourie declarou salvar a vida de todos os sobreviventes com exceção dos jesuítas; estes foram cruelmente degolados. O número de mártires chegou a 40, pois também foi degolado um postulante que havia sido recrutado durante a viagem.
Dos seus quarenta companheiros de martírio, nove eram espanhóis e os demais portugueses. O culto desses mártires foi confirmado pelo Papa Pio IX em 1854.

Fontes:

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Nossa Senhora do Carmo (ou do Monte Carmelo), 16 de Julho

A ordem dos Carmelitas tem como modelo o profeta Elias e caracteriza-se por uma profunda devoção a Maria. A Sagrada Escritura fala da beleza do Monte Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a fé do povo de Israel no Deus vivo e verdadeiro. Carmelo em hebraico significa "vinha do Senhor".

Ali Elias enfrentou os profetas de Baal. Segundo o Livro das Instituições, Elias teve uma visão em que a Virgem lhe apareceu sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia ao Carmelo.
Em 93, os monges construíram sobre o Monte Carmelo uma capela em honra à Virgem Maria. As gerações de monges sucederam-se através dos tempos. Em 1205, o patriarca de Jerusalém deu-lhes uma Regra baseada no trabalho, na meditação das Escrituras, na devoção a Nossa Senhora, na vida contemplativa e mística.
Entretanto, ainda no século XIII, os muçulmanos invadiram a Terra Santa. Os eremitas do Monte Carmelo fugiram para a Europa. Nesta época, tinham como superior geral São Simão Stock. Enquanto rezava, pedindo a Nossa Senhora que fosse a protetora da Ordem dos Carmelitas, recebeu das mãos de Nossa Senhora do Carmo o escapulário: «Eis o privilégio que dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: "todo o que for revestido desse hábito será salvo".»

Fontes:

terça-feira, 13 de julho de 2010

São Boaventura, Bispo, Doutor da Igreja (+1274), 15 de Julho

 Queridos irmãos e irmãs:
Hoje, eu gostaria de falar de São Boaventura de Bagnoregio. Confesso que, ao propor-vos este tema, sinto certa nostalgia, porque me lembro das pesquisas, que fiz, como jovem estudante, precisamente sobre este autor, particularmente querido para mim. Seu conhecimento incidiu muito em minha formação. Com muita alegria, há poucos meses, peregrinei ao lugar do seu nascimento, Bagnoregio, uma pequena cidade italiana, no Lácio, que custodia com veneração sua memória.
Nascido provavelmente em 1217 e falecido em 1274, ele viveu no século XIII, uma época em que a fé cristã, penetrada profundamente na cultura e na sociedade da Europa, inspirou obras imperecíveis no campo da literatura, das artes visuais, da filosofia e da teologia. Entre as grandes figuras cristãs que contribuíram para a composição desta harmonia entre fé e cultura, destaca-se precisamente Boaventura, homem de ação e de contemplação, de profunda piedade e de prudência no governo.
Ele se chamava Giovanni da Fidanza. Um episódio que ocorreu quando ele ainda era menino marcou profundamente sua vida, como ele mesmo relata. Ele tinha contraído uma grave doença e nem sequer seu pai, que era médico, esperava salvá-lo da morte. Sua mãe, então, recorreu à intercessão de São Francisco de Assis, canonizado há pouco. E Giovanni foi curado. A figura do Pobrezinho de Assis se tornou ainda mais familiar para ele alguns anos depois, quando se encontrava em Paris, por razões de estudo. Havia obtido o diploma de Professor de Artes, que poderíamos comparar ao de um prestigioso Liceu da nossa época. Nesse ponto, como tantos jovens do passado e também de hoje, Giovanni se fez uma pergunta crucial: “O que vou fazer com a minha vida?”
Fascinado pelo testemunho de fervor e radicalidade evangélica dos Frades Menores, que haviam chegado a Paris em 1219, Giovanni bateu à porta do convento franciscano dessa cidade e pediu para ser acolhido na grande família dos discípulos de São Francisco.
Muitos anos depois, explicou as razões da sua escolha: em São Francisco e no movimento iniciado por ele, reconheceu a ação de Cristo. De fato, escreveu em uma carta dirigida a outro religioso: “Confesso diante de Deus que a razão que me fez amar mais a vida do beato Francisco é que se parece com o início e com o crescimento da Igreja. A Igreja começou com simples pescadores e se enriqueceu imediatamente com doutores muito ilustres e sábios; a religião do beato Francisco não foi estabelecida pela prudência dos homens, mas por Cristo” (Epistula de tribus quaestionibus ad magistrum innominatum, em Opere di San Bonaventura. Introduzione generale, Roma 1990, p. 29).
Portanto, por volta de 1243, Giovanni vestiu o hábito franciscano e assumiu o nome de Boaventura. Foi imediatamente dirigido aos estudos e frequentou a Faculdade de Teologia da Universidade de Paris, seguindo um conjunto de cursos muito difíceis. Recebeu os diversos títulos requeridos pela carreira acadêmica, os de “bacharel bíblico” e o de “bacharel sentenciário”. Assim, Boaventura estudou profundamente a Sagrada Escritura, as Sentenças de Pietro Lombardo, o manual de teologia daquela época e os mais importantes autores de teologia; e, em contato com os professores e estudantes que chegavam a Paris de toda a Europa, amadureceu sua própria reflexão pessoal e uma sensibilidade espiritual de grande valor que, no decorrer dos seguintes anos, ele soube mostrar em suas obras e sermões, convertendo-se, assim, em um dos teólogos mais importantes da história da Igreja. É significativo recordar o título da tese que ele defendeu para recebera habilitação no ensino da teologia, a licentia ubique docendi, como se dizia na época. Sua dissertação intitulava-se “Questões sobre o conhecimento de Cristo”. Este tema mostra o papel central que Cristo teve sempre na vida e nos ensinamentos de Boaventura. Podemos dizer sem hesitar que todo o seu pensamento foi profundamente cristocêntrico.
Naqueles anos, em Paris, a cidade adotiva de Boaventura, começou uma violenta polêmica contra os Frades Menores de São Francisco de Assis e os Frades Pregadores de São Domingos de Gusmão. Discutia-se seu direito de lecionar na Universidade e se duvidava inclusive da autenticidade da sua vida consagrada. Certamente, as mudanças introduzidas pelas Ordens Mendicantes na forma de entender a vida religiosa, das quais falei nas catequeses anteriores, eram tão inovadoras que nem todos chegavam a compreendê-las. Acrescentavam-se também, como às vezes acontece entre pessoas sinceramente religiosas, motivos de fraqueza humana, como a inveja e o ciúme.
Boaventura, ainda que cercado pela oposição dos demais professores universitários, já havia começado a lecionar na cátedra de teologia dos Franciscanos e, para responder àqueles que criticavam as Ordens Mendicantes, compôs um escrito intitulado “A perfeição evangélica”. Nele, demonstra como as Ordens Mendicantes, especialmente os Frades Menores, praticando os votos de pobreza, castidade e obediência, seguiam os conselhos do próprio Evangelho. Muito além destas circunstâncias históricas, o ensinamento proporcionado por Boaventura nesta obra e em sua vida permanece sempre atual: A Igreja se torna luminosa e bela pela fidelidade à vocação desses filhos seus e dessas filhas suas que não somente colocam em prática os preceitos evangélicos, mas que, por graça de Deus, estão chamados a observar seus conselhos e, assim, dão testemunho, com seu estilo de vida pobre, casto e obediente, de que o Evangelho é fonte de alegria e de perfeição.
O conflito se apaziguou, pelo menos por certo tempo e, por intervenção pessoal do Papa Alexandre IV, em 1257, Boaventura foi reconhecido oficialmente como doutor e professor da universidade parisiense. Contudo, teve de renunciar a este prestigioso cargo, porque nesse mesmo ano o capítulo geral da ordem o elegeu como ministro geral.
Ele desempenhou este cargo durante 17 anos, com sabedoria e dedicação, visitando as províncias, escrevendo aos irmãos, intervindo às vezes com certa severidade para eliminar os abusos. Quando Boaventura começou este serviço, a Ordem dos Frades Menores havia se desenvolvido de maneira prodigiosa: eram mais de 30 mil os frades dispersos em todo o Ocidente, com presenças missionárias no norte da África, no Oriente Médio e também em Pequim. Era preciso consolidar esta expansão e, sobretudo, conferir-lhe, em plena fidelidade ao carisma de Francisco, unidade de ação e de espírito.
De fato, entre os seguidores do santo de Assis, registravam-se diversas formas de interpretar sua mensagem e existia realmente o risco de uma fratura interna. Para evitar esse perigo, o capítulo geral da ordem em Narbona, em 1260, aceitou e ratificou um texto proposto por Boaventura, no qual se unificavam as normas que regulavam a vida cotidiana dos Frades Menores. Boaventura intuía, contudo, que as disposições legislativas, ainda inspiradas na sabedoria e na moderação, não eram suficientes para garantir a comunhão do espírito e dos corações. Era necessário compartilhar os mesmos ideais e as mesmas motivações. Por esta razão, Boaventura quis apresentar o autêntico carisma de Francisco, sua vida e seus ensinamentos. Por isso, recolheu com grande zelo documentos relativos ao Pobrezinho e escutou com atenção as lembranças daqueles que haviam conhecido diretamente Francisco. Daí nasceu uma biografia, historicamente bem fundada, do Santo de Assis, intitulada Legenda Maior, redigida também de maneira mais sucinta e chamada, por isso, de Legenda Minor. A palavra latina, ao contrário da italiana (e também do termo em português, “lenda”, N. do T.), não indica um fruto da fantasia, mas, pelo contrário, legenda significa um texto autorizado, a “ser lido” oficialmente. De fato, o capítulo geral dos Frades Menores, em 1263, reunido em Pisa, reconheceu na biografia de São Boaventura o retrato mais fiel do fundador e esta se converteu, assim, na biografia oficial do Santo.
Qual é a imagem de São Francisco que surge do coração e da caneta do seu filho devoto e sucessor, São Boaventura? O ponto essencial: Francisco é um alter Christus, um homem que buscou Cristo apaixonadamente. No amor que conduz à imitação, ele se conformou inteiramente com Ele. Este ideal, válido para todo cristão, ontem, hoje e sempre, foi indicado como programa também para a Igreja do terceiro milênio pelo meu predecessor, o venerável João Paulo II. Este programa, escrevia na carta Tertio Millennio ineunte, centra-se “no próprio Cristo, que temos de conhecer, amar, imitar, para n’Ele viver a vida trinitária e com Ele transformar a história até sua plenitude na Jerusalém celeste” (n. 29).
Em 1273, a vida de São Boaventura teve outra mudança. O Papa Gregório X quis consagrá-lo bispo e nomeá-lo como cardeal. Pediu-lhe também que preparasse um importantíssimo acontecimento eclesial: o II Concílio Ecumênico de Lion, que tinha como objetivo o restabelecimento da comunhão entre a Igreja latina e a grega. Ele se dedicou a esta tarefa com diligência, mas não chegou a ver a conclusão daquela cúpula ecumênica, porque morreu durante sua realização. Um anônimo notário pontifício compôs um elogio a Boaventura, que nos oferece um retrato conclusivo deste grande santo e excelente teólogo: “Homem bom, afável, piedoso e misericordioso, repleto de virtudes, amado por Deus e pelos homens (...). Deus, de fato, havia lhe dado tal graça, que todos aqueles que o viam eram invadidos por um amor que o coração não podia ocultar” (cf. J.G. Bougerol, Bonaventura, en A. Vauchez (vv.aa.), Storia dei santi e della santità cristiana. Vol. VI. L’epoca del rinnovamento evangelico, Milão, 1991, p. 91).
Recolhamos a herança deste santo doutor da Igreja, que nos recorda o sentido da nossa vida com estas palavras: “Na terra, podemos contemplar a imensidão divina através da razão e do assombro; já na pátria celeste – onde seremos semelhantes a Deus –, por meio da visão e do êxtase, entraremos na alegria de Deus” (La conoscenza di Cristo, q. 6, conclusione, em Opere di San Bonaventura. Opuscoli Teologici /1, Roma 1993, p. 187).
Bento XVI, no dia 3.03.2010

Fontes:

segunda-feira, 12 de julho de 2010

São Camilo de Lellis, Presbítero, Fundador (+1614), 14 de Julho

São Camilo de Léllis nasceu em Bucchiánico de Chieti, Itália. Seu pai era marquês, homem de armas e dele herdou a coragem e a espada. Camilo ficou muitas vezes internado no hospital de São Thiago em Roma, buscando tratamento para um tumor; pagava a diária do hospital trabalhando como servente, pois o vício do jogo o fez perder todo o dinheiro que tinha. Colocou-se então ao serviço dos capuchinhos e, nesse período, teve a graça da conversão que o fez decidir-se a mudar de vida.
Ficou, então, como ajudante no hospital, servindo principalmente aos doentes mais repugnantes. Ausentava-se apenas nos domingos de folga, que passava ao lado de São Felipe Néri, pelo qual foi influenciado na determinação da obra que estava para empreender.
Foi no final do Ano Santo de 1575, quando os poucos hospitais romanos se mostravam insuficientes para atender todos os peregrinos necessitados de assistência, que São Camilo de Léllis fundou a Congregação dos Ministros, ou seja, servidores dos enfermos que deveriam cuidar espiritualmente e corporalmente dos doentes. Passado dois anos, São Camilo foi ordenado sacerdote e continuou dirigindo os seus religiosos durante mais vinte anos. A sua dedicação aos doentes era tanta, que sempre repetia quando alguém queria tirá-lo do leito dos enfermos: "Estou ocupado com nosso Senhor Jesus Cristo."
São Camilo de Léllis morreu no dia 14 de Julho do ano 1614 e foi canonizado em 1746. Em 1886, foi declarado patrono dos enfermos e dos hospitais.

Fontes:

Santos Henrique II, Imperador (+1024) e sua esposa Imperatriz Cunegundes (+1033), 13 de Julho

Muitos acusam a Idade Média como um tempo de trevas da história, e é fácil pensar assim se não abrirmos os olhos e olharmos para o alto, pois ali é que se encontram as luzes deste período, ou seja, os inúmeros Santos e Santas. Henrique e Cunegundes fazem parte deste "lustre", pois viveram uma perfeita harmonia de afetos, projetos e ideais de santidade.
Henrique era filho de duque e nasceu num castelo na Alemanha em 973. Pertencia a uma família santa e, por isso, foi educado por cônegos e, mais tarde, pelo bispo de Ratisbona, adquirindo assim toda uma especial formação cristã.
Conta-se que espiritualmente ele se preparou para assumir o trono da Alemanha, sem o saber, pois ainda jovem sonhara com estas breves palavras: "Entre seis". Primeiro, interpretou que teria seis dias antes de morrer, mas, como tal não aconteceu, preparou-se em vista a seis meses e em seguida a seis anos, até que, por providência, assumiu o reinado.
No caso de Henrique, o adágio de que "ao lado de um grande homem está uma grande mulher" funcionou, pois casou-se com a princesa de Luxemburgo, Cunegundes, que era um mulher de muitas virtudes e inúmeros dons. Durante vinte e sete anos, ela ajudou o seu esposo na organização do império e na implantação do Reino de Deus. Com a morte de Henrique II e seu reconhecimento de santidade, Cunegundes foi morar num mosteiro, onde cortou os cabelos, vestiu o hábito pobre e passou a obedecer às suas superioras até ir ao encontro de Henrique no Céu, quando tinha 61 anos.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100713&id=10716&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=46863&language=PT&img=&sz=full

São João Gualberto, Monge (+1073), 12 de Julho

São João Gualberto nasceu no inicio do Século XI em Florença, na Itália. Ao encontrar o assassino de seu irmão, foi tomado de ódio e de vingança e o antigo adversário, desarmado, caiu de joelhos e abriu os braços, tacitamente suplicante. Aquela atitude que projetava a sombra de uma cruz dissuadiu o feroz cavaleiro. Com um gesto inesperado e generoso, ergueu da terra o assassino de seu irmão, abraçou-o em sinal de perdão e disse: "Perdôo-te pelo Sangue que Cristo hoje derramou na Cruz". Era uma Sexta-feira Santa.
Uma grande paz invadiu a sua alma e, a partir desse momento, sua vida mudou completamente. Decidiu abandonar o mundo e foi bater na porta do mosteiro beneditino, vencendo as desculpáveis resistências do pai. Tempos depois, ameaçado pelo próprio abade e pelo bispo de Florença, os quais o acusaram de corrupção, teve de se refugiar entre as selvas dos Apeninos, no monte Vallombrosa, que se tornaria famoso pelo mosteiro que São João Gualberto aí edificou segundo a Regra beneditina. No lugar do trabalho manual colocou muito estudo, leitura e meditação.
De Vallombrosa descem os monges, temperados da Regra beneditina reformada, primeiro à vizinha Florença, depois a várias cidades da Itália, operando a benéfica transfusão de operosa santidade, seguindo o exemplo do santo abade: corrigir com os costumes as próprias instituições civis. Os florentinos confiaram aos monges valombrosianos até as chaves do tesouro e o sigilo da República. O Papa Leão XI realizou uma longa viagem para fazer-lhe uma visita.
São João Gualberto morreu no ano de 1073 e, antes de sua morte, disse aos seus monges: "Quando quiserem eleger um abade, escolham entre os irmãos o mais humilde, o mais doce, o mais mortificado."

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100712&id=11569&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=49757&language=PT&img=&sz=full

sexta-feira, 9 de julho de 2010

São Bento de Núrsia, Abade e Patrono da Europa (+547), 11 de Julho

Nascimento: 24 de Março do ano 480 em Núrcia (Úmbria, Itália)
Falecimento: 21 de Março de 547  
Venerado por: Igreja Católica, Igreja Anglicana, Igreja Ortodoxa, Igreja Luterana
Canonização: 1220
Principal templo: A Abadia do Monte Cassino,e também Saint-Benoît-sur-Loire, perto de Orleans, França e Sacro Speco, em Subiaco.
Festa litúrgica: 11 de julho
Atribuições: Sino, copo quebrado, serpente representando veneno, uma vareta de disciplina, corvo
Padroeiro: Europa, Alemanha. Intercessores

São Bento de Núrsia, nascido Benedetto da Norcia (Núrcia, c. 480 — monastério de Montecassino, c. 547) foi um monge italiano, fundador da Ordem dos Beneditinos, até hoje uma das maiores ordens monásticas do mundo. Foi o criador também da "Regra de São Bento", um dos mais importantes e utilizados regulamentos de vida monástica existentes e inspiração de muitas outras comunidades religiosas. Foi designado santo padroeiro da Europa e um grande intercessor pelo Papa Paulo VI em 1964, sendo venerado não apenas por católicos, como também por ortodoxos. Foi o fundador da Abadia do Monte Cassino, na Itália (destruída durante a Segunda Guerra Mundial e posteriormente restaurada). É comemorado a 11 de Julho.
Biografia
A fonte de todos os acontecimentos da vida de São Bento são os Diálogos de São Gregório Magno, que se baseou em fatos narrados por monges que conheceram pessoalmente São Bento.
Segundo São Gregório, São Bento foi filho de um nobre romano, tendo realizado os primeiros estudos na região de Núrsia (próximo à cidade italiana de Spoleto). Mais tarde, foi enviado a Roma para estudar retórica e filosofia, mas, tendo se decepcionado com a decadência moral da cidade, abandona logo a capital e se retira para Enfide (atual Affile). Ajudado por um abade da região chamado Romano, instalou-se em uma gruta de difícil acesso, a fim de viver como eremita. Depois de três anos nesse lugar, dedicando-se à oração e ao sacrifício, foi descoberto por alguns pastores, que divulgaram a fama de santidade.
A partir de então, foi visitado constantemente por pessoas que buscavam conselhos e direção espiritual. É então eleito abade de um mosteiro em Vicovaro, no norte da Itália. Por causa do regime de vida exigente, os monges tentaram envenená-lo, mas, no momento em que dava a bênção sobre o alimento, saiu da taça que continha o vinho envenenado uma serpente e o cálice se fez em pedaços. Com isso, São Bento resolve deixar a comunidade. Volta à caverna onde, recebendo grande quantidade de discípulos, funda diversos mosteiros. 
Em 529, por causa da inveja de um sacerdote da região, tem de se mudar para Montecassino, onde funda o mosteiro que viria a ser o fundamento da expansão da Ordem Beneditina. Em 540 escreve a Regula Monasteriorum (Regra dos Mosteiros). Morre em 547.
As representações de São Bento geralmente mostram, junto com o santo, o livro da Regra, um cálice quebrado e um corvo com um pão na boca, em memória ao pão envenenado que recebeu de um sacerdote invejoso. São Gregório conta que, por sua ordem, o corvo levou o pão até onde ninguém o encontrasse.
As relíquias de São Bento estão conservadas na cripta da Abadia de Saint-Benoît-sur-Loire (Fleury), próximo a Orleáns e Germigny-des-Prés, no centro da França.

Oração

Em Latim:
"Crux Sacra Sit mihi lux;
non draco sit mihi dux;
vade retro satana!;
nunquan suad mihi vana;
sunt mala quae libas;
ipse venena bibas"


Tradução:
"A Cruz sagrada seja a minha Luz.
Não seja o Dragão meu guia.
Retira-te Satanás!
Nunca me aconselhes coisas vãs.
É mal o que tu me ofereces.
Bebe tu mesmo do teu veneno! “

Rogai por nós bem aventurado São Bento,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Santificação

De acordo com a tradição, São Bento de Núrsia foi santificado por ter vencido duas ciladas armadas pelo diabo, nas quais lhe é oferecido um cálice de vinho envenenado e um pedaço de pão, também envenenado.
Além disso, em inúmeras vezes fora tentado efetivamente pelo Inimigo, além de ser ofendido e insultado de tal maneira que os irmãos de hábito que estavam ao seu redor podiam escutar as ofensas que ele recebia.
O Santo Varão, como também é chamado, vencia o Tentador utilizando-se do sinal da cruz e da oração contida na Cruz Medalha que fora esculpida nas paredes de um mosteiro.


A Regra de São Bento

A Regula Monasteriorum, que conta com 73 capítulos e um prólogo, foi retomada por Bento de Aniane no século IX, antes das invasões normandas; ele a estudou e codificou, dando origem a sua expansão por toda Europa carolíngia, ainda que tenha sido adaptada diversas vezes, conforme diversos costumes. Posteriormente, através da Ordem de Cluny e da centralização de todos os mosteiros que utilizavam a Regra, ela foi adquirindo grande importância na vida religiosa européia durante a Idade Média. No Século XI surgiu a reforma de Cister, que buscava recuperar um regime beneditino mais de acordo com a regra primitiva. Outras reformas (como a camaldulense, a olivetana ou a silvestriana), buscaram também dar ênfase a diferentes aspectos da Regra de São Bento.
Apesar dos diferentes momentos históricos, nos quais a disciplina, as perseguições ou as agitações políticas causaram uma certa decadência da prática da Regra de São Bento, e mesmo da população monástica, os mosteiros beneditinos conseguiram manter, durante todos os tempos, um grande número de religiosos e religiosas. Atualmente, perto de 700 mosteiros masculinos e 900 mosteiros e casas religiosas femininas, espalhados pelos cinco continentes, seguem a Regra de São Bento. Inclusive algumas comunidades de confissões Luterana e Anglicana.

A Cruz-Medalha de São Bento

Diz-se que a Cruz-Medalha de São Bento foi descoberta por ocasião da condenação de algumas bruxas, que afirmaram não conseguir praticar qualquer tipo de feitiçaria ou encanto contra os moradores do mosteiro local. Intrigados com o fato, foram averiguar o que existia no mosteiro. Ao entrarem em uma das dependências, observaram entalhadas na coluna as imagens contidas nas Medalhas utilizadas ainda hoje.
Observa-se ainda, que ao contrário da crendice popular, na frente da medalha não está a Cruz e sim a imagem do Homem de Deus, empunhando uma cruz e sua Regra.
Após a morte de São Bento, um fiel seguidor do santo cria uma medalha na qual estão escritas iniciais de frases em latim, como se vê abaixo:
·  Na frente da medalha:
"Ejus in obitu nostro praesentia muniamur" = Sejamos protegidos pela sua presença na hora de nossa morte.
·  No verso:
CSPB = Crux Sancti Patris Benedicti (Cruz do Santo Pai Bento)
CSSML = Crux Sacra Sit Mihi Lux (A Cruz Sagrada Seja a Minha Luz)
NDSMD = Non Draco Sit Mihi Dux (Não seja o demônio o meu guia)
VRS = Vade retro, satana! (Para trás, satanás!)
NSMV = Nunquam Suade Mihi Vana (Nunca seduzas minha alma)
SMQL = Sunt Mala Quae Libas (São coisas más que brindas)
IVB = Ipse Venena Bibas (Bebas do mesmo veneno)

Fontes:

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Beato Manoel Ruiz e Companheiros, Franciscanos, Mártires (+1860), 10 de Julho


Local de nascimento : Espanha

Ordem: Mártires franciscanos
Local de vida: Damasco
Espiritualidade: Foi um dos oito franciscanos trucidados pelos maometanos por resistirem até o fim, a renegar a Jesus Cristo. Manuel, Carmelo, Gilberto, Nicanor Maria e Pedro, sacerdotes. João e Tiago eram irmãos leigos. Eram sete espanhóis e um austríaco, embora os chamassem de "irmãos franceses". Manuel Ruiz era o superior e antes de falecer havia feito a seguinte profissão de fé: "Nós não temos senão uma alma. Perdida esta, tudo está perdido. Somos cristãos e queremos morrer cristãos". Os curdos assaltaram o convento em Damasco, o qual era muito conhecido. Lá se refugiaram três maronitas cristãos que também foram martirizados.
Frei Manuel era conhecido como Frei Paciência”. O trabalho que faziam chamavam a atenção dos muitos muçulmanos (os curdos) que lá viviam quanto à prosperidade. Teria sido mais terrível ainda se o próprio Ab-el-Kader, muçulmano, porém admirador da obra dos franciscanos, não interviesse em favor deles. Acabou não sendo atendido. Além desses freis, morreram mais onze cristãos.
Obs.: No livro das Edições Loyola (pág. 168), dia 10 é dia de São Cristóvão. Porém, como em algumas cidades comemoram-no no dia 25, você encontrará sua história anexada a um outro santo do mesmo dia: 25 de Jjulho, finalizando com uma oração também dedicada a ele.
Local de morte: Damasco
Devoção: Fidelidade a Cristo
Padroeiro: Dos viajantes e motoristas.
Morte: 10 de Julho de 1860
Oração: Beato Manuel Ruiz, vós que destes a vida junto aos vossos companheiros, inocente e injustamente, por serdes cristãos, vós que chamastes atenção pelosa prosperidade do convento pelo incansável trabalho, vós que tanto rezastes pelas criaturas de Deus que não professavam a fé em Cristo, por eles fostes mortos cruelmente. São Manuel, filho da Espanha, e todos os que padeceram os cruéis tormentos dos infiéis, rogai por nós para que também prefiramos mil vezes perder nossa vida, do que nossa alma, que é o nosso maior tesouro e é uma só. Abençoai-nos e protegei-nos, guardai-nos dos pobres invejosos, ciumentos e das rivalidades, dando a eles a conversão.
Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
(Regina Perina)

Ver também: Santa Felicidade e seus sete filhos, Mártires

http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/07/santa-veronica-de-giuliani-religiosa.html (após modificações)

Fontes:

http://www.asj.org.br/educacao_galeriadossantos.asp?codigo=263

http://www.diocesisdejerez.org/seminario/BJJacobo.jpg