sábado, 14 de agosto de 2010

São Tarcísio, Mártir (Início da Era Cristã) / Santo Estanislau Kostka, Estudante Jesuíta (+1568), 15 de Agosto

            São Tarcísio

No tempo de Santa Inês vivia em Roma um menino chamado Tarcísio. Era coroinha e ajudava o Sacerdote na Santa Missa. Certo dia, o sacerdote procurava um homem de confiança para levar a Santa Comunhão aos encarcerados. Tarcísio ofereceu-se. Mas o sacerdote, olhando para ele, disse: “És criança ainda, Tarcísio, e não sabes desempenhar esta santa missão.” O menino retrucou: “Sou menino ainda, tanto melhor, porque de mim, ninguém desconfiará, podendo de tal maneira, me aproximar de nossos irmãos encarcerados. E, também, sei guardar as Santas Hóstias e nunca as entregarei aos pagãos.”
O sacerdote, conhecendo o grande amor de Tarcísio por Jesus, e admirado do seu argumento, colocou algumas partículas sobre uma toalhinha de linho branco, dobrando-a cuidadosamente e o entregou. Recebeu ele as Santas Hóstias com grande respeito e segurando-as sobre o seu peito, as cobriu com as mãos, cuidadosamente. Como se sentiu feliz em colocar o seu Jesus junto a seu peito!
Andava assim pelas ruas em busca de irmãos encarcerados, quando de repente, outros meninos o chamaram para brincar, pois faltava um para completar a brincadeira. Tarcísio desculpou-se, dizendo ter pressa. Um rapaz atrevido pegou-o pelo braço e quis forçá-lo. Tarcísio resistiu. Entretanto, perceberam que ele segurava algo contra o peito. Curiosos perguntaram-lhe o que era. Não atendendo às suas exigências, fizeram violência para lhe arrancarem o segredo.
Nesse ínterim, passaram por ali várias pessoas e ouvindo o que se tratava, disse uma delas: “Leva consigo o Deus dos cristãos”. Então, os rapazes caíram sobre o pobre menino para lhe arrancar à força as Santas Hóstias. Mas, Tarcísio segurava com tanta firmeza o seu tesouro, que força alguma conseguiu arrancá-lo.
Encolerizados, espancaram e maltrataram Tarcísio sem piedade. Exausto e quase morto, segurava as Santas Hóstias com força, sobrenatural. Neste instante, passou um soldado, alto e robusto que era também cristão. Percebeu o que se passava. Com a mão forte, dispersou os malvados, tomou Tarcísio sobre seus braços e levou-o ao sacerdote.
No caminho, morreu nos braços do soldado. O sacerdote recebeu-o com grande veneração. Tirou com facilidade as Santas Hóstias, tão heroicamente defendidas pelo pequeno mártir, e, beijou, por entre lágrimas, as mãos deste santo herói, que tinha derramado seu sangue em defesa de Jesus Hóstia.
“Ó meu Jesus, ninguém vos tirará do meu coração”.

Leituras Eucarísticas – extraído do livro: Leituras Eucharisticas – 1935 da Ed. Vozes – Frei Mariano Wentzen , cedido pela amiga Geralda Maia de Caxambu- MG
Contribuição de Lourdinha Salles e Passos – Paróquia São Francisco Xavier – Niterói – RJ
Página- 24 – Leituras Eucharisticas

Santo Estanislau Kostka
Pertencia a uma das mais nobres e ricas famílias da Polônia e estudava em Viena, em companhia de um irmão mais velho. Convidado a ingressar na Companhia de Jesus pela própria Santíssima Virgem, encontrou grandes dificuldades para responder ao chamado. Seu pai, embora católico, opôs-se inabalavelmente à vocação religiosa de Estanislau. Em Viena, o provincial da Companhia dispôs-se a admiti-lo, desde que ele fosse autorizado pelo pai, pois era menor de idade.
Conhecendo a obstinação paterna, Estanislau compreendeu que nunca obteria a sua autorização. Aconselhou-se então com o Pe. Francisco Antônio, jesuíta português que era confessor da imperatriz, e fez um voto heróico: o de peregrinar pela Terra inteira, se necessário fosse, até encontrar uma casa da Companhia de Jesus que o quisesse aceitar sem a licença do pai. Fugiu ocultamente de Viena e caminhou a pé 700 km, despistando o irmão que o perseguia, à procura de São Pedro Canísio, superior dos jesuítas da Alemanha. 
Este acolheu-o com bondade e encaminhou-o para Roma, com uma carta de recomendação a São Francisco de Borja. Mais 800 km Estanislau caminhou a pé, até a Cidade Eterna. Lá, teve a alegria de ser aceito como noviço da Companhia, mas permaneceu nessa condição somente 9 meses, pois morreu, como desejava, na festa da Assunção de Nossa Senhora do ano de 1567. Não chegou a completar 17 anos de idade.
Fontes:
http://www.universocatolico.com.br/index.php?/o-martir-da-eucaristia-sao-tarcisio.html
http://grupodecoroinhasnsc.wordpress.com/padroeiros/

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Beata Isabel Renzi, Religiosa, Fundadora das Mestras Pias da Virgem Dolorosa (+1859), 14 de Agosto

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II ÀS MESTRAS PIAS DA VIRGEM DOLOROSA POR OCASIÃO DO CAPÍTULO GERAL DA CONGREGAÇÃO

Caríssimas Irmãs! 
1. Enquanto estais a realizar o Capítulo Geral do vosso Instituto, é-me grato enviar-vos a minha cordial saudação, fazendo-a extensiva a todas as Mestras Pias da Virgem Dolorosa. 
Quisestes iniciar o Capítulo com uma celebração eucarística junto do túmulo da vossa Fundadora, Madre Isabel Renzi, que há dez anos tive a alegria de proclamar Beata. A sua presença espiritual no meio de vós e a sua intercessão celeste garantem aos vossos trabalhos a inspiração autêntica que brota do carisma originário. Esta referência às raízes iluminará o vosso discernimento acerca do futuro caminho da Congregação que, no limiar do ano 2000, completa 160 anos de vida. 
«Rumo ao terceiro milênio com a alegria do Ressuscitado, para conservar a unidade na diversidade»: é este o tema que vos propusestes para o presente Capítulo Geral. Também para vós, como para a Igreja inteira, a passagem do século ao terceiro milênio se torna evocadora de uma nova chamada de Deus, em cujas mãos está o futuro de toda a realidade humana. 
É bastante significativo que as «Mestras Pias da Virgem Dolorosa» se encaminhem rumo ao terceiro milênio «com a alegria do Ressuscitado». De fato, quem melhor do que Maria Santíssima, intimamente unida ao mistério do Crucificado, conheceu a alegria da sua ressurreição? E quem mais do que Ela pode comunicar a vós, suas filhas, esta alegria, para que preencha os vossos corações e o vosso testemunho? 
2. Esta profunda inserção no dinamismo pascal é fruto da oração contemplativa, que justamente considerais como a alma de todas as vossas ações. Da contemplação, com efeito, haurem origem, com o fundamental dom do Espírito, todas as dádivas e, em particular, a da vida consagrada (cf. Exort. Apost. Vita consecrata, 23). 
Na celebração eucarística renovais quotidianamente a comunhão com Cristo crucificado e ressuscitado, e na adoração experimentais a alegria de permanecer no seu amor (cf. Jo 15, 9). De maneira especial nestes momentos fortes do espírito, realizais a aspiração da vossa Fundadora: «Quereria que todo o meu ser calasse e em mim tudo adorasse, e assim penetrar cada vez mais em Jesus e d'Ele estar tão repleta, que O pudesse dar àquelas pobres almas que não conhecem o dom de Deus».
3. Da contemplação deriva a missão. Antes de se caracterizar pelas obras exteriores, esta é exercida ao tornar presente no mundo o próprio Cristo mediante o testemunho pessoal. Consiste nisto, queridas Irmãs, a vossa tarefa primordial como pessoas consagradas. Também o vosso estilo de vida deve fazer transparecer o ideal que professais, propondo-se como eloqüente, embora muitas vezes silenciosa, pregação do Evangelho. 
Quando o carisma de fundação o prevê, o testemunho de vida e as obras de apostolado e de promoção humana são de igual modo necessários: com efeito, ambos representam Cristo e a sua ação salvífica.
 «Além disso, a vida consagrada participa na missão de Cristo mediante outro elemento peculiar que lhe é próprio: a vida fraterna em comunidade para a missão. Por isso, a vida religiosa será tanto mais apostólica quanto mais íntima for a sua dedicação ao Senhor Jesus, quanto mais fraterna for a sua forma comunitária de existência, quanto mais ardoroso for o seu empenhamento na missão específica do Instituto» (Exort. Apost. Vita consecrata, 72). Toda a Igreja conta muito com o testemunho de comunidades ricas «de alegria e de Espírito Santo» (At 13, 52).
4. Madre Isabel Renzi, numa época de profundas agitações, foi conduzida pela divina Providência a perceber, com intuito profético, algumas das necessidades mais agudas da sociedade do seu tempo. Então, ela deu-se conta de que um novo chamamento do Senhor lhe dizia respeito. Deus mesmo a tinha como que transplantada junto dos problemas da juventude feminina da sua terra. A sua regra de vida foi a de se abandonar a Deus, a fim de que Ele dispusesse os passos e os tempos para o desenvolvimento da obra segundo o Seu agrado (cf. Homilia para a Beatificação, 18/6/1989, n. 6; L'Osserv. Rom. ed. port., 25/6/1989, pág. 3). 
A vossa Fundadora sentiu forte o apelo a testemunhar o amor de predileção de Deus pelas suas criaturas mais pequeninas e necessitadas; e respondeu com inteligência profética, fazendo-se mãe, educadora e assistente. 
A Igreja considerou sempre a educação como um elemento essencial da sua missão, e o Sínodo sobre a vida consagrada reafirmou-o com vigor. Portanto, convido vivamente também vós a ter em grande estima o vosso carisma originário e as vossas tradições, conscientes de que o amor preferencial pelos pobres encontra uma expressão privilegiada no serviço à educação e à instrução (cf. Exort. Apost. Vita consecrata, 97). 

5. Com satisfação tive conhecimento de que o vosso Instituto suscitou a cooperação de numerosos leigos, os quais compartilham não só a atividade prática, mas também as motivações e a própria inspiração que estão na sua base. Encorajo de bom grado estes percursos de comunhão e de colaboração, dos quais pode derivar uma irradiação de operosa espiritualidade para além das fronteiras do Instituto, e ao mesmo tempo a promoção de uma sinergia mais intensa entre pessoas consagradas e leigos em ordem à missão (cf. ibid., 55). 
6. «Construir a unidade na diversidade». Neste objetivo condensastes o vosso empenho no limiar do ano 2000, mostrando que estais em sintonia com toda a Igreja. Com efeito, ela sente-se chamada a tornar-se sinal e instrumento de unidade em um mundo que põe sempre mais em contacto e em confronto realidades humanas diferentes entre si. Viveis este desafio no seio da vossa própria Família religiosa, que nestes anos se está a enriquecer de pessoas provenientes de vários Países e até de diversos Continentes. 
Trata-se de um típico sinal dos tempos em que vivemos, e vós decidistes acolhê-lo e lê-lo na perspectiva evangélica, como apelo a uma mais profunda e maior comunhão. «O melhor caminho» (cf. I Cor 12, 31) a percorrer é sempre o da caridade, que harmoniza todas as diversidades e em todas infunde a força do apoio mútuo no impulso apostólico.
«Situadas nas várias sociedades do nosso planeta – sociedades tantas vezes abaladas por paixões e interesses contraditórios, desejosas de unidade mas incertas sobre os caminhos a seguir – as comunidades de vida consagrada, nas quais se encontram como irmãos e irmãs pessoas de diversas idades, línguas e culturas, aparecem como sinal de um diálogo sempre possível e de uma comunhão capaz de harmonizar as diferenças» (Exort. Apost. Vita consecrata, 51). 
7. Caríssimas Irmãs, desejo deixar-vos, como última palavra, o eco do mote da vossa Fundadora: «Ardere et Lucere». Possa cada Mestra Pia da Virgem Dolorosa, assim como o inteiro Instituto, arder e resplandecer do amor divino para o irradiar nos irmãos, especialmente nos mais pobres, lá onde a Providência vos chama a viver e a trabalhar. 
A Virgem das Dores vele constantemente sobre vós e obtenha os frutos que esperais desta assembléia capitular. Acompanhe-vos no vosso trabalho também a minha Bênção que, com afeto, concedo a vós e a todas as Coirmãs. 

Castel Gandolfo, 22 de Julho de 1999.

PAPA JOÃO PAULO II


Ver também: São Maximiliano Maria Kolbe

Fontes:

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Marco De Aviano, Presbítero, Religioso (1631-1699), 13 de Agosto

Nasceu em Aviano a 17 de Novembro de 1631 e foi batizado no mesmo dia, tendo recebido o nome de Carlo Domenico.
Recebeu formação cultural e espiritual na sua terra natal, depois aperfeiçoada no Colégio dos Jesuítas em Gorizia, onde teve a oportunidade de aprofundar sua cultura clássica e científica, ao mesmo tempo em que avançava na vida de piedade ajudado pela Congregação Mariana, na qual se tinha inscrito.
A sua vida modificou-se a partir do momento em que, no clima da guerra de Cândia entre a República de Veneza e o Império Otomano, ele se sentiu decidido a dar a sua vida em defesa da fé cristã. Mas o homem põe e Deus dispõe; e Deus dispôs que ele batesse à porta do convento capuchinho de Capodistria, onde recebeu o conselho de voltar à casa paterna.
Deus voltou a marcar presença e Marco sente que pode entrar na Ordem dos Capuchinhos; foi recebido no Noviciado em Setembro de 1648, emitindo em 21 de Novembro do ano seguinte os votos religiosos com o nome de Marco d'Aviano.
Ali viveu num forte compromisso de oração e de vida comum, na humildade e obscuridade, mas animado de zelo e observância da regra e constituições da Ordem. A partir de 1664 dedicou-se à pregação, tendo aí utilizado as suas melhores energias; ficou conhecido em toda a Itália, sobretudo pelas suas pregações de Advento e Quaresma.
Foi Superior do Convento de Belluno em 1672, para em 1674 dirigir a comunidade de Oderzo. Sua fama tornou-se ainda maior quando foi enviado a pregar no mosteiro paduano de São Prodoscimo, onde, para além da força da sua palavra, conseguiu a cura de uma senhora doente havia treze anos, depois da sua bênção. Outros acontecimentos extraordinários apareceram, mas ele não se deixou perturbar pela fama criada à sua volta. Isto obrigou-o a fazer inúmeras viagens pela Europa, onde se relacionou com grandes personalidades do tempo, todas elas desejosas de conhecer o humilde capuchinho e de receber os seus conselhos.
Aliado aos Imperadores cristãos, chegou a tomar parte em campanhas militares, onde o seu apostolado se tornou muito conhecido. Teve ação preponderante na paz da Europa, promovendo a unidade das potências católicas para a defesa da fé cristã, sempre ameaçada pelo poder otomano.
Teve de interromper a sua atividade apostólica por motivos de saúde, tendo recebido, nessas circunstâncias, a visita da Família Imperial e a Bênção Apostólica que lhe foi enviada através do Núncio Apostólico. Morreu em 13 de Agosto de 1699, assistido pelo Imperador Leopoldo e pela Imperatriz Leonor, apertando nas mãos o crucifixo.
Todos queriam ver os seus restos mortais, pelo que o próprio Imperador mandou que o seu funeral se realizasse apenas no dia 17, no cemitério da Fraternidade, mas não longe do túmulo imperial.
Com uma mensagem de conversão e de fé que a todos dirigia, sentia sempre a necessidade de salvaguardar a identidade cristã da Europa, através do seu apostolado e da sua oração. Por isso lhe chamaram "o médico espiritual da Europa".

Ver também: Santos Hipólito e Ponciano, Mártires

Fontes:

Beato Inocêncio XI, Papa (+1689), 12 de Agosto

Nome de nascimento:  Benedetto Odescalchi
Nascimento:  Como, Itália, 19 de Maio de 1611
Eleição:  21 de Setembro de 1676
Fim do pontificado:  12 de Agosto de 1689
Predecessor:  Clemente X
Sucessor:  Alexandre VIII

O Papa Inocêncio XI, nascido Benedetto Giulio Odescalchi (Como, 19 de Maio de 1611 - Roma, 12 de Agosto de 1689) foi eleito no dia 21 de Setembro de 1676. Filho de Livio Odescalchi e Paola Castelli, de famílias de comerciantes abastados de Bérgamo. Estudou em Roma e Nápoles, doutorando-se nesta última em Direito Civil e Canônico.
Trabalhou com os papas Urbano VII e Inocêncio X em diversos cargos da Cúria romana. Este último nomeou-o cardeal em 1645 e Legado do Papa na cidade de Ferrara onde grassou uma grande fome, destacando-se o futuro papa Inocêncio XI na ajuda aos mais desfavorecidos e ganhando o apelido de «pai dos pobres». Em 1650 foi ordenado bispo de Novara, onde colocou a sua diocese ao serviço dos doentes e dos mais pobres. Renunciou à sua diocese em 1656, regressando ao serviço da cúria romana.
Eleito em 1676, depois de ter sido vetado pelo rei francês Luis XIV na eleição de 1670, mas tendo de ceder desta vez, atendendo à sua forte popularidade entre o povo romano e junto de toda a Igreja. Assim que eleito, de imediato decretou uma severa redução de gastos inúteis na cúria romana, passando a viver de forma bastante simples e apelando aos demais cardeais para seguirem o seu exemplo.
Assumiu um caráter profundamente reformador, fosse sobre as finanças, estilo de vida, ou mesmo pastoral. Em 1679 condenou 65 proposições, retiradas dos escritos de Escobar, Francisco Suárez, e outros no gênero, considerando-as como "propositiones laxorum moralistarum" e proibiu o seu ensino a quem quer que fosse, sob pena de excomunhão.

 


Relações com a França de Luís XIV

O Rei Luís XIV, tentando entrar de boas relações com o papa, revogou o Edito de Nantes, que garantia a liberdade religiosa, tanto a católicos como a protestantes e passou a perseguir estes últimos. Mas o papa não apreciou tal gesto, manifestando seu desgosto pela violência e perseguição. Inocêncio XI decretou que em Roma os diplomatas não poderiam mais gozar do privilégio de conceder direito de asilo a criminosos. Tendo o papa notificado o embaixador francês de que não seria mais reconhecido como representante da França a menos que renunciasse a tal direito, este, não aceitando, com o recurso à força armada de 800 homens, tomou o seu palácio á força. Desde então o papa excomungou-o e decretou a proibição da Igreja de S. Luís dos Franceses, na capital romana.
Em 1688, vagando o bispado de Colônia, cargo relevante por o seu titular ser eleitor para a designação do Imperador, dois prelados eram candidatos, um alemão e um francês, nenhum conseguindo a maioria, e recaindo a escolha final no Papa. Este optou pelo alemão, aliás de acordo com a vontade dos príncipes e bispos alemães, bem como de toda a restante Europa, à exceção de França que pretendia adquirir maior influência no Império. Luís XIV retaliou, ocupando o território papa de Avignon e ameaçando de separar a Igreja de França da Igreja universal. Contudo, o papa não cedeu e após a sua morte, o conflito foi resolvido em favor de Roma.

 


Outros conflitos

Reinava então na Inglaterra Jaime II, católico, mas obrigado pelas leis do seu país a respeitar a liberdade religiosa e, sobretudo, a Igreja Anglicana como religião oficial. No entanto, Jaime II tentou por todos os meios, incluindo a calúnia e a violência voltar a tornar o catolicismo como religião oficial, tentando suprimir as liberdades do parlamento e tornar-se rei absoluto à moda francesa da altura. O Papa nunca apoiou tais esforços, que condenava e veio a apoiar o derrube daquele rei pela sua filha, protestante, Maria II de Inglaterra e seu marido Guilherme III, príncipe de Orange, no que ficou conhecido como Gloriosa Revolução.
Em 1683 o exército turco cercava Viena e o Papa mobilizou os príncipes alemães e o rei polaco para socorrem aquele cidade, bem como mais tarde auxiliarem a libertação da ocupação turca da Hungria.
Inocêncio XI foi beatificado por Papa Pio XII, a 7 de Outubro de 1956. Seu dia festivo é 12 de agosto.
Fontes:

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Santa Clara de Assis, Religiosa, Fundadora, Abadessa (1194-1253), 11 de Agosto

O estilo de vida de Francisco não poderia ser privilégio dos homens. Muitas mulheres escutavam a sua pregação, observavam o seu estilo de viver o Evangelho e também queriam viver essa experiência. Uma delas foi Clara de Assis.
Clara nasceu em 1194 em Assis, filha de Ortolana de Fiumi e Faverone Offreduccio de Bernardino, família desconhecida, mas que pertencia a uma estirpe de cavaleiros nobres da cidade de Assis. Recebeu da mãe uma sólida educação religiosa e do pai a personalidade forte. Tinha mais três irmãs e um irmão. Era admirada pelos seus longos cabelos dourados e seus olhos decididos. Era muito determinada; quando queria uma coisa, era porque queria.
Clara ouvira falar de Francisco e  de seu ideal de vida. De como Francisco abandonara a vida confortável proporcionada pelo negócio rentável do pai, para abraçar uma vida de miséria e entrega. Rufino, seu primo, contava-lhe sobre os episódios de Francisco e ela ouvia alegremente acerca da simplicidade do jovem de Assis. A tal ponto que o pai, temendo aquilo que mais tarde acabou por acontecer, proibiu que o primo Rufino lhe relatasse as peripécias de Francisco. 
Aos 18 anos, Clara ouviu Francisco pregar os sermões da Quaresma na igreja de São Jorge, em Assis. As palavras dele inflamaram tanto seu coração, que o procurou em segredo, pois também ela desejava viver a experiência de pobreza, simplicidade e Amor que Francisco anunciava. 
Francisco falou-lhe sobre o desprezo do mundo e o amor a Deus, e fortaleceu-lhe o desejo nascente de abandonar tudo por amor a Cristo. Encerrou a conversa dizendo: "Quero contar-te um segredo, Clara: desposei a Senhora Pobreza e quero ser-lhe fiel para sempre." Clara respondeu que "queria viver a mesma vida, a mesma oração e sobretudo a mesma pobreza".
Acompanhada de Bona de Guelfuccio, amiga íntima, passou a frequentar a capela da Porciúncula para escutar Francisco. Estava decidida a viver o seu modo de vida. Mas como sair de casa?
No Domingo de Ramos, dia 19 de março de 1212, rica e muito bem vestida, Clara participou da missa da manhã. Não havia meio de sair despercebida do castelo de seus pais, mas encontrou a única saída possível pela porta de trás do palacete: a saída dos mortos. Toda casa medieval tinha esta saída, por onde passava o caixão dos defuntos.
À noite, quando todos dormiam, a nobre jovem Clara de Favarone fugiu de casa por esse buraco, abandonou os muros da cidade e percorreu cerca de 5 km até chegar à Porciúncula, onde foi recebida com muita festa pelos irmãos menores, que tinham ido ao seu encontro com tochas acesas e a acompanharam até a porta da igreja.
Ali se desfez das vestes elegantes e Francisco, com uma grande tesoura, lhe cortou os cabelos longos e dourados. Em seguida, deu-lhe o hábito da penitência: uma túnica de aniagem amarrada em volta por uma corda e um par de tamancos de madeira. Clara se consagrou pelos três votos: pobreza, obediência e castidade.
Os familiares dando pela falta de Clara, enfurecidos, foram procurá-la. Entrando na capela, viram Clara agarrada ao pé do altar. Puxaram-na com tanta força que arrancaram o véu, percebendo então a cabeça raspada. Concluíram que nada mais poderiam fazer, Não conseguiriam mudar-lhe a idéia.
Como Francisco não tinha convento para freiras e ela não poderia ficar entre os irmãos, irmã Clara ficou alguns dias no mosteiro de São Paulo e algumas semanas no mosteiro beneditino de Panzo. Por fim, recolheu-se a São Damião, numa casa pobre contígua à capela, onde ficou até sua morte em 1253. Nascia assim, ainda sob a regra beneditina, o que viria a ser a Ordem das Senhoras Pobres. Pouco tempo depois, seguiram-na na vocação a irmã Inês, 16 dias depois, e mais tarde sua irmã Beatriz e a mãe Ortolana.
A obra tornou-se conhecida e diversas mulheres e jovens vieram fazer-lhe companhia. Ficaram conhecidas como as Senhoras Pobres, ou Irmãs Clarissas. Em pouco tempo, havia mosteiros em diversas localidades da Itália, França, Alemanha. Inês, filha do rei da Boêmia, também fundou um convento em Praga, e ela mesma tomou o hábito.
Dotada de uma grande capacidade de comunicação, Clara foi responsável pela continuidade do ideal franciscano — principalmente após a morte de Francisco, em 1226.

Clara de Assis, mãe e adoradora
A si própria Clara gostava de se denominar "uma plantinha do bem-aventurado pai Francisco". Ela nunca deixou os muros do convento de São Damião. Designada abadessa (superiora) por Francisco, em 1215, Clara dirigiu o convento durante 40 anos. Sempre quis ser serva das servas, submissa a todas e beijando os pés das irmãs leigas quando regressavam do trabalho de esmolar, servindo à mesa, assistindo aos que estivessem doentes. Enquanto as irmãs descansavam, ela ficava em oração e as cobria, caso as cobertas lhes caíssem. Saía da oração com o semblante sempre iluminado. Falava com tanto fervor que facilmente entusiasmava os que ouviam suas palavras.
A exemplo de Francisco, nutria fervorosa devoção ao Santíssimo Sacramento. Mesmo quando estava doente e acamada (esteve sempre doente nos últimos 27 anos de vida), ficava confeccionando belos corporais e toalhas para o serviço do altar, que depois distribuía pelas igrejas de Assis.
A força e a eficácia poderosa de sua oração pode ser sentida em 1244, quando o imperador Frederico II atacou o vale de Espoleto, tendo a seu serviço um exército de sarracenos. Lançaram-se ao saque de Assis, e como São Damião ficava fora dos muros, resolveram começar por ali. Embora muito doente, Clara fez colocar o Santíssimo num ostensório, bem à vista do inimigo. E Clara orou com grande fervor, pedindo a Cristo que salvasse suas irmãs do saque e do estupro. Em seguida, orou pela cidade de Assis. No mesmo instante, o terror se apoderou dos assaltantes, que fugiram em debanda.

A morte de uma Santa

Clara suportou os longos anos de enfermidade com sublime paciência. Em 1253, teve início uma longa e interminável agonia. O papa Inocêncio IV deu-lhe duas vezes a absolvição com o perdão dos pecados, e comentou: "Queria Deus que eu necessitasse de perdão tão pouco assim". Doente e pobre, as mais altas autoridades da Igreja sentiam sua sabedoria e santidade e vinham aconselhar-se com ela em São Damião.
Durante os últimos 17 dias não conseguiu tomar nenhum alimento. A fé e a devoção do povo aumentavam cada vez mais. Diariamente cardeais e prelados chegavam para visitá-la, pois todos tinham certeza de que era uma santa que estava para morrer.
Irmã Inês, sua irmã, estava presente, bem como os três companheiros de Francisco, os freis Leão, Ângelo e Junípero. Vendo que a vida de Clara estava chegando ao fim, emocionados, leram a Paixão de Jesus segundo João, como tinham feito 27 anos antes, na morte de Francisco.
Clara consolou e abençoou suas filhas espirituais. E, para si, disse: "Caminha sem receio, pois tens um bom guia. Ó Senhor, eu vos agradeço e bendigo pela graça que vos dignastes conceder-me de poder viver". E foi recebida na corte celeste. Era uma Dama Pobre havia 42 anos e tinha 60 de vida. Dois anos após sua morte, o papa Alexandre IV canonizou-a em Anagni. Era o ano de 1255.
Há muitas lendas sobre Francisco e Clara. A amizade entre os dois foi relatada em inúmeros livros e até no cinema - em "Irmão Sol, Irmã Lua" (1973), do cineasta italiano Franco Zeffirelli. Algumas biografias admitem que Clara e Francisco exerciam fascínio um sobre o outro, e que eram apaixonados pelo mesmo ideal. Existem teorias que defendem ser Francisco e Clara duas almas gêmeas.
A lenda que explica Santa Clara ter se tornado padroeira da televisão data do ano anterior ao da sua morte: ela teve uma visão à qual se fez a analogia para o "primeiro programa de TV" da história. No Natal de 1252, Clara estava muito doente e não pôde ir às celebrações da data. Quando as irmãs voltaram, Clara descreveu detalhadamente o que ocorrera na missa, como se estivesse presente. Diz a lenda que ela viu e ouviu tudo como se tivesse um televisor no quarto. A Carta Apostólica que nomeia Clara padroeira da televisão cita essa lenda e justifica o título "para que essa invenção (a TV) seja protegida por uma direção divina, para evitar males e promover seu uso correto".
Foi o papa Pio XII quem, em 14 de fevereiro de 1958, declarou Santa Clara “celeste padroeira da televisão”.
Os eventos importantes da vida de Santa Clara de Assis
Nascimento de Santa Clara, na casa paterna da praça de São Rufino, em Assis. Filha mais velha de Hortolana e Bernardino.
Estabelecimento da Comuna de Assis. A família de Clara, nobre, refugia-se em Corozano, por causa de uma revolução popular. Depois vai para Perugia onde permanece até 1204.
Francisco prega na Catedral de São Rufino, Clara pode estar presente. Neste ano é possível terem-se encontrado.
Encontros com Francisco: Clara tem 17 anos e Francisco 29.
18 de março - Domingo de Ramos - Clara sai de casa e se consagra a Deus na Porciúncula. No dia 19, vai para o mosteiro de São Paulo das Abadessas. Pouco depois vai para ermida de Santo Ângelo de Panço. 4 ou 5 de abril - Inês, irmã de Clara, se junta a ela em Santo Ângelo de Panço. Pouco tempo depois, Francisco leva-as para São Damião. Em agosto entra Pacífica de Guelfúcio, já em São Damião.Francisco dá as irmãs sua primeira forma de vida.
Por conselho de Francisco Clara aceita a regra de São Bento e o título de abadessa. Mas consegue o "privilégio da pobreza" de Inocêncio III.
O papa, Honório III, concede ao Cardeal Hugolino plenos poderes para cuidar das irmãs pobres.
Frei Felipe Longo de Atri se torna visitador das Irmãs Pobres.
Clara recebe a carta do Cardeal Hugolino, logo após a Páscoa, em que ele a chama de “Mãe da minha Salvação”.
Clara começa a estar habitualmente bastante doente.
As monjas de Santo Apolinário adotam a forma de vida de São Damião.
Francisco compõe o Audite Poverelle.
Sai a Bula “Quoties Cordis” que põe as Clarissas aos cuidados dos frades.
18 de julho - O cardeal Reinaldo lista oficialmente 24 mosteiros.
Inês de Praga entra na Ordem. Clara lhe escreve a primeira carta.
O Papa, pela carta “Cum relicata saeculi”, quer que Inês aceite propriedades. O que motiva a segunda carta de Clara.
Com a bula "Omnipotens Deus" o Papa Gregório IX revoga a "Cum relicata Saeculi"
Clara escreve a terceira carta a Inês. E o Papa concede o privilégio da pobreza a Inês.
Com a oração diante do Santíssimo, Clara defende a cidade de Assis do ataque dos sarracenos.
6 de agosto - o Papa Inocêncio IV concede às Clarissas a regra de São Francisco. Clara pode ter começado a escrever seu testamento (só serve de base jurídica).
17 de julho - Uma bula confirma Reinaldo de Segni como Cardeal protetor das Damas Pobres e dos menores
Agrava-se o estado de saúde de Santa Clara, que começa a escrever sua forma de vida definitiva, na redação que conhecemos.
16 de setembro - O Cardeal Reinaldo aprova a forma de vida de Santa Clara.
Clara escreve sua última carta a Santa Inês de Praga. Após uma visita a Clara moribunda, Papa Inocêncio IV manda apressar a aprovação de sua regra pela bula "Solete Anuere", válida só para São Damião.
10 de agosto - A Bula da provação é levada para Clara em seu leito de morte. 11 de agosto - Data da morte de Santa Clara.
15 de agosto - Canonização de Santa Clara, na Catedral de Anagni. Publicação de sua lenda, escrita por Tomás de Celano. Publicação da bula de Canonização "Clara claris Perclara".
Mudança das Irmãs de São Damião para o proto-mosteiro, junto do corpo de Santa Clara. (Ou em 1260?).
São Boaventura de Bagnoregio é eleito ministro geral.
Aprovação da Regra de Isabel de Longchamp.
Carta de São Boaventura às Irmãs de São Damião.
3 de outubro - O corpo de Santa Clara é solenemente trasladado para a basílica que está sendo construída em sua honra ao lado da igreja de São Jorge.
Um decreto do capítulo geral de Barcelona manda frades e Irmãs celebrarem a festa da trasladação de Santa Clara, no dia 2 de outubro.
18 de outubro - Papa Urbano IV promulga uma nova Regra para as Clarissas (nome pelo qual passam a ser conhecidas as “damianitas”), correção da Regra de Isabel de Longchamp.
O capítulo geral dos Frades Menores reconhece como biografia oficial de São Francisco a Legenda Maior, mandando queimar as outras.
A bula "Quasdam litteras", do Papa Bonifácio VIII, põe fim às dificuldades de relacionamento, impondo aos Frades Menores que assumam a responsabilidade pelas Clarissas.
30 de agosto - é descoberto o sarcófago com o corpo de Santa Clara.
23 de setembro - abertura solene do sarcófago.
30 de outubro - O corpo de Santa Clara é levado para a nova cripta da sua Basílica e exposto aos fiéis.
Descoberta do original da Regra de Santa Clara no meio de suas roupas.
Descoberta das Cartas de Clara a Santa Inês de Praga, na biblioteca de Milão.
Descoberta de uma cópia do Processo de Canonização de Santa Clara, na Biblioteca Landau, em Florença.
14 de fevereiro - Papa Pio XII proclama Santa Clara padroeira da televisão.
Descoberta do cântico “Audite Poverelle”, composto por São Francisco para Clara e suas Irmãs.
11 de abril - Depois de um adequado reconhecimento e de uma nova recomposição, o corpo de Santa Clara volta a seu lugar na basílica para ser venerado por seus fiéis.


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