segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Santa Filomena, Mártir (Século III), 10 de Agosto

Santa Filomena é uma considerada "santa virgem e mártir" cuja veneração pela Igreja Católica Apostólica Romana iniciou-se em meados do Século XIX. O pouco que se sabe de sua vida chegou à Igreja através de alegadas "revelações privadas", que teriam sido recebidas pela "Serva de Deus" Maria Luisa de Jesus (1799-1875) em agosto de 1833, na cidade de Nápoles. Essas supostas revelações, por obediência ao seu diretor espiritual, foram transcritas e a veracidade de seus escritos foi alegadamente atesta pelo "Santo Ofício" (atual Congregação para a Doutrina da Fé) em 21 de dezembro do mesmo ano.
Santa Filomena nasceu, segundo a crença, numa cidade-estado da Grécia, filha de pais nobres e ricos, como tantas santas católicas. Ainda muito jovem, aos 13 anos, foi prometida ao Imperador Diocleciano para ser sua esposa em troca da pacificação de confrontos políticos. O Imperador, por sua vez, "impressionou-se com a beleza da jovem". Como Filomena se recusasse a casar, porque havia eleito o "próprio Senhor Jesus Cristo para seu esposo", o "tirano" ordenou, primeiramente, que a "colocassem num cárcere e a flagelassem sangrentamente".
Tendo sido curada "miraculosamente" deste suplício, foi ordenado que ela fosse "lançada ao rio Tibre com uma âncora amarrada ao pescoço". E como a "correnteza a levasse até a margem do rio", apesar da âncora, mandou Dioclesiano que a "ferissem com flechadas". Com o corpo todo ferido pelas flechas, a jovem foi "lançada novamente no cárcere". Entretanto, no dia seguinte, diz esta lenda que "Filomena foi encontrada com o corpo sadio e sem qualquer marca de ferimento". O "cruel tirano" ordenou, então, que a "ferissem com flechas em chamas. Estas, porém, voltaram-se contra os arqueiros, matando a muitos". Por fim, "foi a heróica jovem decapitada, por ordem do Imperador".
No dia 24 de maio de 1802, os ossos de uma mulher entre treze e quinze anos foi descoberto no cemitério de Santa Priscila, nas escavações das catacumbas em Roma por um pedreiro. Avisou-se Monsenhor Ponzetti, então o Guarda das Santas Relíquias, que ordenou que se parasse de quebrar o que quer que fosse. No dia seguinte, 25 de maio de 1802, acompanhados pelo padre Filipo Ludovici, desceram às catacumbas para assistir à abertura total da sepultura. Lá foram encontrados uma ânfora com uma substância, notoriamente "sangue seco" e uma palma, símbolos do martírio. A sepultura estava lacrada por três placas com a seguinte inscrição: LUMENA (primeira placa) PAXTE (segunda placa) CUMFI (terceira placa). A sepultura foi documentada por Monsenhor Ponzetti, Guarda das Santas Relíquias, como FILOMENA, uma interpretação errada do epitáfio de acordo com o antigo costume de se começar as inscrições pela segunda placa e também pela lógica do contexto etimológico. O epitáfio inteiro lê-se, segundo sua interpretação, pois PAX TECUM FILUMENA.
O nome de Filomena foi oficialmente atribuído pela Igreja Católica aos restos examinados em 25 de maio de 1802 e inscritos no documentos publicado por Monsenhor Ponzetti, que enviou os despojos dessa mártir cristã à Diocese de Nola (Itália) aos 8 de junho de 1805.
Graças à assistência de Monsenhor Bartolomeo de Caesare, Bispo de Nola (Itália), o padre Franciso de Lucia (1796-1847), pároco da Igreja Nossa Senhora das Graças, da cidade de Mugnano Del Cardinale (Itália), desejou levar as relíquias de um santo para sua paróquia e foi à Santa Sé em Roma para solicitá-las.
Quando estava na Capela do Tesouro (onde ficavam as sagradas relíquias), dentre tantas apenas três possuíam nomes: um adulto, uma criança e Santa Filomena. Quando ajoelhou-se diante das relíquias de Santa Filomena, alegou que "sentiu-se possuído de uma alegria espiritual jamais experimentada". Sentiu também um "incontrolável desejo de levar aquelas Sagradas Relíquias para sua igreja em Mugnano".
Terminada essa visita, dirigiu-se ao Sr. Bispo de Potenza e ficou sabendo então que "precisaria de uma graça muito especial, ou talvez um milagre". Não havia precedentes de a Santa Sé haver confiado tão preciosos tesouros à guarda de um simples sacerdote. E nesse caso seria praticamente impossível, por se tratar das relíquias de uma virgem mártir cujo nome era conhecido.
Tendo caído gravemente enfermo, padre Francisco "recorreu ao auxílio" de Santa Filomena, prometendo tomá-la como especial Padroeira e levar suas relíquias para Mugnano del Cardinale, caso obtivesse autorização para tanto. Curado "milagrosamente", retornou então à Santa Sé narrando a graça alcançada e obteve o pedido, levando triunfalmente as relíquias para sua paróquia em 1º de julho de 1805, onde até hoje se encontram. Assim que lá chegou começaram a acontecer tantos milagres que ia gente de toda a Itália e Europa a pedir e agradecer graças alcançadas.
Já em 1833, o Bispo Anselmo Basilici, da Diocese de Nepi e Sutri (atual Diocese de Cività Castellana), pediu a abertura do processo de canonização de Santa Filomena em virtude das inúmeras "graças" que vinham sendo relatadas, obtidas alegadamente através da "jovem mártir". No entanto, era necessário um milagre devidamente documentado pela Igreja e atestado pela Santa Sé e esse milagre veio através de Pauline Jaricot.
A alegada cura da jovem Pauline-Marie Jaricot (1799-1862) foi fundamental para a divulgação da devoção a Santa Filomena pelo mundo católico. Seriamente doente de uma enfermidade cardíaca, pelo que se narra, já desenganada pelos médicos, decidiu sair em peregrinação a Mugnano del Cardinale para rezar junto aos restos mortais de Santa Filomena. Partiu da França e, ao chegar à Itália, dirigiu-se a Roma, onde pediu em audiência ao Papa Gregório XVI que ponderasse sobre a canonização de Santa Filomena caso ela voltasse curada. O Supremo Pontífice responde que sim, convencido de que Pauline, alegadamente moribunda, apenas precisava de uma consolação espiritual e que ele não poderia negá-la.
Pauline Jaricot chegou a Mugnano após uma viagem, dita extenuante, sob o calor do verão italiano do mês de agosto, às vésperas da festa de Santa Filomena. No dia seguinte ela comungou e desmaiou: pensou-se que ela estava morta. Recomposta do desmaio, ela pediu que a levassem até o relicário de Santa Filomena, onde foi curada milagrosamente. O reitor da Basílica tocou os sinos para anunciar a novidade, enquanto o povo exultava de alegria, com o que se chamou de "Milagre do Século", aos 10 de agosto de 1835. Após passar alguns dias em Mugnano Del Cardinale, rezando e agradecendo, ela voltou a Roma, onde o Papa Gregório XVI aprovou o culto a Santa Filomena aos 13 de janeiro de 1837.
Os Papas foram generosos com Santa Filomena. O próprio Papa Gregório XVI concedeu-lhe, além a aprovação do culto público, um ofício, uma missa especial e uma leitura própria no Breviário (atual Liturgia das Horas). O Papa Leão XIII aprovou o uso do famoso "Cordão de Santa Filomena", assim como eregiu a Arquiconfraria de Santa Filomena na França. Por sua vez São Pio X estendeu a Arquiconfraria de Santa Filomena para o mundo inteiro. Assim, a popularidade dela logo se espalhou, sendo seus mais memoráveis devotos João Maria Batista Vianney, Madalena Sofia Barat, Pedro Eymard, e Pedro Chanel, todos eles santos da Igreja Católica Apostólica Romana.

Controvérsias
Já em 1904, uma publicação feita pelo arqueólogo Oracio Marucchi (Osservazioni archeologiche sulla Iscrizione di S. Filomena dans Miscellanea di Storia Ecclesiastica, Vol. 2, 1904, pp. 365–386) colocou em dúvida a existência histórica de Santa Filomena. 
Ele defendia fundamentalmente quatro postulados:
1. As placas deveriam estar em ordem direta e não indireta (como estavam) o que constituía um indício de que haviam sido reutilizadas, podendo pertencer, portanto, a qualquer outra pessoa ali enterradas;
2. O que havia na ânfora não era sangue, mas perfume ressecado, o que invalidaria a teoria do martírio;
3. Nem mesmo as placas e o sangue juntos são provas de que os restos que ali jaziam eram de uma mártir;
4. O único relato disponível sobre a vida de Santa Filomena eram as revelações de Maria Luisa de Jesus, fantásticos por natureza, sem caráter histórico nem científico.
Todos esses argumentos foram refutados na mesma ocasião (1906) pelo professor católico da Pontifícia Universidade Gregoriana Giuseppe Bonavenia, jesuíta, e pelo arqueólogo católico J. B. Rossi, especialista em paleoarqueologia cristã no livro "Controversia sul celeberrimo epitaffio di Santa Filomena, V. e M.". No entanto, a semente da dúvida já estava lançada. A questão tomou mais corpo ainda quando, em 14 de fevereiro de 1961, a Congregação dos Ritos publicou um ato no qual excluía a celebração litúrgica de Santa Filomena, o que levou muitas pessoas, desde então, a afirmar que "Filomena não é mais santa".
Respostas às Controvérsias
Convém lembrar que Santa Filomena nunca foi incluída no Calendário Geral Romano (de uso universal), mas desde 1837 foi aprovada sua memória para ser celebrada apenas em alguns lugares. A edição de 1920 do Missal Romano incluía uma menção a ela em 11 de agosto, na seção intitulada "Missae pro aliquibus locis" (Missas para alguns lugares), com uma indicação de que a missa a ser usada naquelas ocasiões era a Comum de uma Virgem Mártir, mas sem oração coleta própria.[1] Já no missal de 1962, a edição constituída para o uso como forma extraodinária do Rito romano também não a mencionou.[2]
Mesmo sem ter sido incluída na versão revista do Martirológio Romano, publicado em 2001 pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o que daria um esclarecimento substancial à devoção a Santa Filomena, um congresso foi levado a cabo pelo Reitor da Basílica de Santa Filomena, Monsenhor Giovanni Braschi, aos 9 de maio de 2005, em Roma, contando com a participação, entre outros, do Doutor Carlo Lalli, cientista católico do "Istituto delle Pietre Dure di Firenze" (Florença), responsável pelos estudos científicos sobre as placas e o suposto sangue ali encontrados, e do professor Jos Janssen, jesuíta responsável pelo relato histórico do ponto de vista religioso, entre outros.
Por essa ocasião, os seguintes pontos foram esclarecidos:
1. As relíquias encontradas em 1802 não podem ser comprovadamente de uma jovem mártir, conforme atestou a Santa Sé na ocasião;
2. O culto a Santa Filomena foi aprovado oficialmente pelo Papa Gregório XVI em 1837;[3]
3. Dezenove atos da Santa Sé, ao longo do reinado de cinco Papas atestam, afirmam, promovem e incrementam o culto a Santa Filomena, o que por si nada prova.
4. As conclusões arqueológicas de Oracio Marucchi foram devidamente e inutilmente "contestadas" já em 1906 e ainda em 1963 pelos estudos feitos pelo padre Antonio Ferrua (fonte duvidosa por fazer parte da igreja Católica), jesuíta, arqueólogo e secretário da Comissão Pontifical de Arqueologia Sagrada e professor de arqueologia da Pontifícia Universidade Gregoriana;
5. A supressão de 1961 é litúrgica, isto é, diz respeito à missa própria e leituras do Breviário (Liturgia das Horas), e não à santidade em si de Santa Filomena, cuja canonização procedeu-se como pede a praxe (isto é, através de um milagre que de fato foi verificado, estudado, analisado e aprovado - o que não prova que a estória fantástica acerca da alegada "santa" possa ter sido verdade);
6. O Martirológio Romano não constitui uma compilação exaustiva de todos os santos mártires reconhecidos pela Igreja, nem a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos jamais teve tal intenção.[4]

Datas relevantes no culto a Santa Filomena
Além da Missa, que é o centro da vida da Igreja Católica, Santa Filomena também é freqüentemente honrada com o Ofício da Liturgia das Horas, ambos retirados do chamado "Comum das Virgens" (podendo, no entanto, também ser honrada com os Ofícios do "Comum dos Mártires"). Paralelamente, para os devotos de Santa Filomena, algumas datas do calendário civil são importantes, uma vez que remetem a fatos importantes da vida da mesma. São elas:
a. 10 de janeiro: nascimento de Santa Filomena;
b. Domingo depois de 10 de janeiro: Patrocínio de Santa Filomena;
c. 25 de maio: celebração do reencontro do corpo de Santa Filomena;
d. 10 de agosto: celebração da transladação do corpo e do martírio de Santa Filomena;
e. 11 de agosto: festa litúrgica de Santa Filomena;
f. 13 de agosto: celebração do nome de Santa Filomena;
Tendo em vista a antiqüíssima tradição que considera o dia da morte terrena dos seus santos como sendo o dia de seu nascimento para a vida eterna, a Igreja Católica (em função do martírio de Santa Filomena ter ocorrido em 10 de agosto) costuma promover suas festas patronais, paroquiais e devocionais durante todo o mês de agosto.

Objetos Devocionais
Paralelamente, a Igreja Católica aprova e incentiva o uso dos chamados "Sacramentais", que são objetos que não sendo Sacramentos, ajudam os fiéis na recepção dos mesmos. No caso de Santa Filomena, o uso dos Sacramentais já é tradicional, difundidos desde o início da devoção a essa santa na vida da Igreja Católica por uma dos primeiros e mais ilustres devotos de Filomena, São João Maria Batista Vianney. Os "Sacramentais" de Santa Filomena são:
a. Coroa de Santa Filomena: é um pequeno rosário formado por uma medalha de Santa Filomena, onde se reza um "Credo"; três contas brancas, onde se reza um "Pai Nosso" em cada uma das contas, para honrar as três pessoas da Santíssima Trindade; e treze contas vermelhas, que fazem menção ao sangue do martírio de Santa Filomena, onde se rezam a jaculatória "Santa Filomena, pelo vosso amor por Jesus e Maria, rogai por nós".
b. Cordão de Santa Filomena: é um cordão de Crochê feito com linha vermelha e branca, trançadas uma na outra. A linha branca faz referência à pureza e a vermelha, ao martírio de Santa Filomena. o cordão, benzido por um sacerdote, é geralmente usado pelo devoto atado à sua cintura.
c. Óleo de Santa Filomena: é um óleo comum benzido, que os devotos costumam aplicar em pequeníssimas doses no corpo e até mesmo consumi-lo, tendo em vista a cura de enfermidades. É benzido apenas no dia 10 de agosto e unicamente no Santuário de Santa Filomena, na Itália, pelo padre reitor do mesmo.

Status atual da Devoção a Santa Filomena
A devoção a Santa Filomena espalhou-se pelo mundo principalmente através do grande fenômeno que foi a Emigração italiana de fins do século XIX e começo do século XX, cujos imigrantes levaram suas devoções para os países onde se estabeleceram. Assim, fora da Itália, encontram-se fiéis devotos de Santa Filomena no Brasil, Estados Unidos e Austrália, por exemplo. Uma vez suprimidas as concessões litúrgicas pelo ato de 1961, a atual missa em louvor a Santa Filomena é tirada do Comum das Virgens, assim como a Liturgia das Horas, o que exalta o caráter cristológico da mesma devoção. Só dessa forma a devoção a Santa Filomena - assim como toda e qualquer outra devoção - atinge sua finalidade, que é a de ser testemunho de vida cristã para os membros da igreja. Nessa dimensão, e apenas nela, o martírio e a virgindade atingem o seu ápice, que é o próprio Jesus.

Referências
3.  Em seu livro It is Time to Meet St. Philomena, o Dr. Mark Miravalle afirma categoricamente que ela foi canonizada, assim como diz que "a Santa Sé continua a 'permitir' a devoção pública a Santa Filomena". Deve-se ter em conta, no entanto, que a Canonização não é uma permissão, mas um preceito universal.(Catholic Encyclopedia: Beatification and Canonization)
4.  O Martirológio Romano não contém nem nunca conteve incluído nele o nome de todos os santos - incluindo aí Santa Filomena - o que pode ser constatado neste martirológio publicado aproximadamente vinte anos após a dita canonização de Santa Filomena(Martirológio Romano Edição 1856)

Ligações externas

Ver também: São Lourenço

Fontes:

Franz Jägerstätter, Leigo, Mártir (+1943), 09 de Agosto


Franz Jägerstätter nasceu a 20 de Maio de 1907 em St. Radegung, na Alta Áustria. Durante a sua adolescência e juventude distinguiu-se dos seus companheiros pela alegria, pela vivacidade e pelo particular aspecto exterior, que o tornava fascinante e atraente; não obstante na sua jovem idade houvesse um certo interesse pela vida superficial, o Servo de Deus permanecia fortemente ancorado nos princípios da fé, rezando todos os dias e aproximando-se dos Sacramentos.
Em 1931, após uma permanência de três anos em Eisenerz, Franz foi obrigado a regressar à casa, pois seu pai tinha sido atingido pela tuberculose, e a partir daquele momento caberia a ele a gestão do sítio da família.
Em 1933 nasceu Hildegard, filha que reconheceu e amou muito, fruto da sua relação clandestina com a Sr. Auer, doméstica da casa. Em 1936, casou-se com Franziska Schwaniger e dessa união nasceram três filhas. Os cônjuges distinguiam-se na paróquia que freqüentavam por serem católicos praticantes e profundamente devotos, e estavam entre os poucos que recebiam quotidianamente a sagrada comunhão.
Aos primeiros sinais da chegada do regime totalitário do Führer, o Servo de Deus fez oposição ao nascente partido nazista e às suas ideologias. Era tão grande a sua aversão por tudo o que fosse contrário aos ideais e princípios católicos que não só deixou de expor as próprias idéias, mas também, com singular coragem, rejeitava fazer a saudação nazista. Pode ser definido como um "resistente" ao nazismo, um simples camponês que representou uma das pouquíssimas testemunhas que em terra alemã tenha ousado opor-se ao regime de Hitler. Rejeitou todo tipo de colaboração com o regime após a anexação do seu país à Alemanha (1938).
Chamado às armas em 1943, em pleno conflito mundial, declarou que, como cristão, não podia servir à ideologia hitleriana e combater uma guerra injusta.
A escolha e a vida de Franz estão relacionadas com uma radicalidade evangélica que não admite réplica, ao contrário, provoca e questiona. O seu pároco, Josef Karobath, após o debate decisivo em 1943, realizado poucos dias antes da chamada ao alistamento, comentou: "Ele deixou-me sem palavras, porque tinha as melhores argumentações. Queríamos fazê-lo desistir (de não se alistar), mas derrotou-nos sempre ao citar as Escrituras".
Havia em Franz uma serenidade, embora mediata e sofrida, devido r adesão ao pleno significado da mensagem evangélica: nele a coerência tornou-se um fator distintivo, não por preconceitos ideológicos ou por um pacifismo abstrato, mas porque se deixou conduzir pela adesão concreta e vivida aos valores, aos significados, às exigências daquilo em que acreditava.
Franz Jägerstätter foi processado pelo tribunal marcial de Berlim e condenado à morte a 6 de Julho de 1943 porque reconhecido culpado do delito de reticência ao recrutamento militar. Foi esta a motivação oficial, que no entanto deixa subentender outra, a verdadeira: era culpado por não ter renunciado à sua profissão de fé. Foi guilhotinado em Brandeburgo a 9 de Agosto de 1943.

Ver também: Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Fontes:

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Beatos Agatângelo e Cassiano, Presbíteros, Mártires (+1638), 07 de Agosto

Beato Agatângelo Noury (1598-1638)
Nasceu em Vendôme, na província de Tours, na França, aos 31 de julho de 1598. Conheceu os Capuchinhos, que tinham chegado, havia pouco tempo, à sua terra natal, onde o seu pai era presidente do tribunal e, ao mesmo tempo, administrador do Convento.
Ainda jovem, mostrou ter vocação religiosa e foi recebido na Ordem dos Capuchinhos. Em 1620, fez a profissão religiosa. Depois, prosseguiu os estudos de humanidades, filosofia e teologia e foi ordenado sacerdote. Nos seus primeiros anos de sacerdote encontrou-se com o Padre José Leclerc, famoso conselheiro do Cardeal Richelieu, que tinha projetado grande plano de evangelização.
Agatângelo foi escolhido como candidato para a Missão da Síria. Chegou a Aleppo em 1629. Ali encontrou muçulmanos, grego-ortodoxos, armênios e, em número muito reduzido, alguns católicos. Com obras de beneficência, encontros familiares e catequese elementar, conseguiu bom resultado no seu apostolado, combatido, bem depressa, pela inveja. Passou depois para a missão do Cairo, na qualidade de Superior. Aqui trabalhou com muita alegria para a união dos Coptas com a Igreja Católica. Destinado pela Providência a abrir o campo missionário a outros, a 27 de setembro, a Sagrada Congregação confiou-lhe a responsabilidade do grupo missionário destinado à Etiópia, composto por mais três sacerdotes capuchinhos: Beato Cassiano de Nantes, Bento e Agatângelo Noury de Vendôme.
Os quatros missionários dividiram-se em dois grupos. Agatângelo e Cassiano, quando chegaram à fronteira da Etiópia, foram descobertos e encarcerados em Deboroa, com o pretexto de serem espiões e opositores do imperador e do bispo Abissino Malaro. No processo, dominado pelo sectarismo religioso e pela perfídia do pseudônimo Pedro Leão, inimigo declarado de Agatângelo, os dois missionários foram condenados à morte. Os dois humildes filhos de São Francisco não perderam a calma. Mostraram os documentos do Patriarca Copta de Alexandria. Poucos dias depois, foram levados para Gondar, de mãos algemadas com cadeias e amarrados à cauda de um cavalo.
Em Gondar, foi dura e penosa a sua prisão. Abuna Macário, fingindo-se amigo do beato Agatângelo e o luterano, Pedro Leão, que se fizera hipocritamente monge Copta, forçaram, com acusações e calúnias junto da corte imperial, a morte dos pobres e doentes missionários. Levados à presença do imperador, foram examinados na sua fé. O beato Agatângelo respondeu: “Estou pronto a morrer pela fé e nunca a renegarei”. Em 7 de agosto de 1638, em Gondar, exposto ao escárnio da multidão, foi suspenso em cordas e apedrejado barbaramente pelo furor da multidão. Tinha 40 anos de idade. Foi beatificado a 1º de janeiro de 1905 pelo Papa Pio X.

Beato Cassiano (1607-1638)
Cassiano Lopez Neto nasceu em Nantes, aos 15 de janeiro de 1607, no seio de família portuguesa. Tinha feitio dócil, inclinado às práticas de devoção e fervor religioso admirável. Aos 17 anos foi recebido na Ordem dos Capuchinhos da Província de Paris. Fez a profissão religiosa em 1624. Concluiu os estudos teológicos em Rennes onde foi ordenado sacerdote. Aqui passou os primeiros anos do seu sacerdócio, socorrendo as pessoas atingidas pela peste que devastou a França em 1631.
Pediu para ser enviado para as Missões. Os Superiores destinaram-no à Missão da Etiópia. No Cairo, encontrou-se com o beato Agatângelo e com ele partilhou preocupações e sofrimentos apostólicos. Dotado de temperamento franco, aberto, muito sensível aos sofrimentos dos outros, entregou-se ao apostolado, cultivando sobretudo especial devoção a Nossa Senhora,a quem rezava todos os dias o Rosário com o ofício divino. Desde o seu encontro com o beato Agatângelo até à sua heróica morte, os dois capuchinhos trabalharam juntos no Cairo, durante três anos, cuidando, especialmente, da conversão dos Coptas.
Estenderam a sua atividade até aos longínquos mosteiros de Santo Antão Abade e de A. Macário, no Nitra. Na Etiópia, a Igreja Católica tinha conseguido extraordinário desenvolvimento que culminou na conversão do próprio imperador através dos missionários jesuítas. A fé de Roma expandiu-se também sob o governo de Seitan Sagad I. Conseguiram grandes conversões que foram quase destruídas por Atiè Fassil, cuja palavra de ordem era: “Antes súbditos de Meca dos muçulmanos do que da Roma dos católicos”.
Os dois missionários decidiram, por isso, levar a sua ajuda a tantos irmãos na fé, perseguidos por aquele ímpio imperador. Obtiveram documentos do Patriarca Copta de Alexandria e, a 23 de dezembro de 1637, partiram para a Etiópia. A viagem durou três meses. Chegados às fronteiras da Etiópia foram postos na prisão pelo Governador de Deboroa. No processo, os dois missionários católicos foram condenados à morte como violadores das ordens do imperador, que proibia os católicos de entrarem na Etiópia. Beato Cassiano sofreu o martírio, como o Beato Agatângelo, em 7 de agosto de 1638, aos 31 anos de idade. No dia 1º de janeiro de 1905 foi beatificado pelo Papa Pio X.

Oração:
Senhor, Pai Santo, que destes aos mártires Agatângelo e Cassiano a graça de combater o bom combate até dar a vida pela fé, concedei que a sua intercessão nos ajude a suportar todas as adversidades e a caminhar decididamente para vós, que sois a fonte da verdadeira vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Ver também: São Caetano de Thiene

Fontes:
http://www.procasp.org.br/textos.php?id_texto=523
http://www.levangileauquotidien.org/zoom_img.php?frame=40577&language=IT&img=&sz=full

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Beata Maria Francisca Rubatto, Religiosa, Fundadora (1844-1904), 06 de Agosto

Fundou o Instituto das Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto.
Em Carmanhola, cidade agrícola de intensa atividade pastoral, próxima de Turim, nasceu Ana Maria Rubatto, em 14 de fevereiro de 1844, numa família simples e cristã. Desde a infância fez voto de virgindade, recusando mais tarde um casamento vantajoso. Aos dezenove anos após algumas tragédias familiares, como a morte de alguns irmãos pequenos e a perda dos pais, deixou a cidade. Foi para Turim, onde residia sua irmã mais velha.
Durante cinco anos se dedicou às obras de caridade, fazendo parte da equipe de auxiliares do futuro Santo João Bosco, no seu Oratório. Alí, a rica e nobre senhora Scoffone, também pia e caridosa, fez dela sua filha adotiva. Levou-a para viver em sua casa e a tornou sua conselheira na administração do seu patrimônio. Quando ela morreu, tinha doado tudo em testamento, para as obras dos Padres do Cotolengo de Turim. Os anos vividos ao lado da senhora Scoffone foram de intenso empenho espiritual e caritativo.
Após o falecimento da protetora, voltou para junto de sua irmã. No verão de 1883 costumava ir para o balneário de Loano, na Riviera da Ligúria, onde ajudava as famílias e cuidava dos pescadores doentes em suas casas, dando também assitência as crianças abandonadas. Nesse local se uniu a um grupo de senhoras pias que se dedicavam às obras de caridade. Esse pequeno núcleo se iniciava à uma vida comunitária religiosa, inspirando-se ao ideal de São Francisco de Assis, sob a direção do capuchinho Padre Angélico.
Logo o Padre percebeu que Ana Maria tinha uma fantástica capacidade organizadora de obras de caridade e que sua vocação missionária era emocionante, só voltada para a salvação das almas. Por isso, o próprio Padre Angélico a incentivou a criar um novo Instituto. Em janeiro de 1885 vestiu o hábito religioso franciscano, junto com algumas das senhoras. Nascia a família religiosa das "Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano", depois chamadas "Irmãs Capuchinhas de Madre Rubatto", com a finalidade de dar assistência aos enfermos, especialmente em domicílio e proporcionar a educação cristã da juventude.
Ana Maria emitiu os segundos votos em 1886, tomando o nome de Maria Francisca de Jesus. Foi eleita a primeira Madre Superiora do Instituto, cargo que manteve até a morte.
A sua obra se difundiu rapidamente na Itália e também na América Latina. A partir de 1892, Madre Maria Francisca começou a viajar para o Uruguai, Argentina e Brasil. Em 1895, fundou a primeira casa do seu Instituto fora do seu país, foi no Uruguai. Depois ela acompanhou um grupo de religiosas à Missão de Alto Alegre, no Maranhão, Brasil, onde em 1901 sete delas morreram mártires sob um dos ataques dos índios. A Argentina também recebeu a semente da sua Obra.
Ao todo foram vinte casas abertas nos vinte anos do seu governo, todas organizadas e fundadas por Madre Maria Francisca. Estava no Uruguai, em Montevidéu quando adoeceu e foi um exemplo cristão, inclusive no sofrimento. Morreu em 06 de agosto de 1904, nessa cidade, onde foi enterrada na capela da primeira casa fundada em terras estrangeiras.
A congregação desde 1964 está presente na Etiópia, África. O Papa João Paulo II a proclamou solenemente como a "primeira Beata do Uruguai" em 1993. A celebração da Beata Maria Francisca Rubatto deve acontecer no dia de sua morte.

Fontes:

Santo Osvaldo da Nortúmbria, Rei e Mártir († 642 d.C.), 05 de Agosto

Osvaldo (604-5 de agosto de 642) foi Rei da Nortúmbria desde 634 d.C. até a sua morte e, posteriormente, foi venerado como um santo cristão. Era filho de Æthelfrith de Bernícia e passou um período no exílio, após derrotar os britânicos.
Osvaldo trouxe os dois reinos que formam a Nortúmbria (Bernícia e Deira), mais uma vez, sob um único governante, e promoveu a propagação do Cristianismo na Nortúmbria. Foi avaliado positivamente pelo historiador Beda, que escreveu pouco menos de um século após a morte de Osvaldo que este havia sido um santo rei.
Beda é a principal fonte de conhecimento histórico sobre Osvaldo nos dias de hoje. Após oito anos sendo o mais poderoso governante na Grã-Bretanha, Osvaldo foi morto na batalha de Maserfield.

Ver também:

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Oswald_of_Northumbria.jpg

terça-feira, 3 de agosto de 2010

São João Maria Batista Vianney, o Cura d’Ars, Padroeiro dos Sacerdotes (+ 1859), 04 de Agosto

Nascimento 
8 de maio de 1786 em Lyon, França
Falecimento 
4 de agosto de 1859 em Ars-sur-Formans, França
Beatificação 
8 de janeiro de 1905, Roma por: São Pio X, O.F.S.
Canonização 
1º de novembro de 1924, Roma por: Papa Pio XI
Festa litúrgica 
4 de Agosto
Padroeiro 
Dos Padres

São João Maria Batista Vianney (Lion, Dardilly, 8 de maio de 1786 - Ars-sur-Formans, 4 de agosto de 1859), ou Santo Cura de Ars, como ficou conhecido, foi um sacerdote francês, canonizado pela Igreja Católica. É considerado o padroeiro dos sacerdotes.
João Maria Batista Vianney era de origem pobre e humilde, foi o quarto filho de Mateus e Maria Vianney. Nasceu pouco antes de irromper a Revolução Francesa em 08 de Maio de 1786 numa pequena aldeia, Dardilly, que fica perto de Limonest, a dez quilômetros ao norte de Lyon, na França. Foi batizado no mesmo dia em que nasceu. No batismo recebeu o nome de João, ao qual acrescentou o de Maria por especial devoção a Maria Santíssima.
Desde a infância, manifestava uma forte inclinação à oração e um grande amor ao recolhimento. Muitas vezes era encontrado num canto da casa, jardim ou no estábulo, rezando, de joelhos, as orações que lhe tinham ensinado: o Padre-Nosso, a Ave-Maria, etc. Os pais, principalmente a piedosa mãe, Maria, cultivavam no filho esse espírito de religião e de piedade, que o levou a crescer na fé e ser devoto de Maria Santíssima.
Durante os anos da Revolução Francesa, quando a igreja da vila foi fechada pela perseguição religiosa, ele continuava a rezar. Para fazer isso, ele aproveitava algum tempo de seu trabalho, de cuidar de animais junto com seus irmãos, para rezar. Ele continuava a rezar, no final do dia, as orações habituais em casa com seus pais. Ele gostava de ajudar os pais nas caridades que eles faziam, ajudando os necessitados.
Quando jovem, caiu doente e passou quatorze meses nos hospitais de Lyon e de Roanne e não pode entrar para o serviço militar durante o império napoleônico, teve que viver escondido, exposto a graves perigos. Desde pequeno queria ser padre a todo custo, mas esbarrou em dois obstáculos: pobreza e, sobretudo, a escassa inteligência. Em 1813, com vinte anos, ele ingressou no seminário Santo Irineu, em Lyon. Todos os cursos que devia fazer eram dados em latim. O problema surgiu de imediato; João Maria não entendia nada, e nas provas do primeiro mês tirou notas baixas, que o desclassificaram, mas estas notas não eram definitivas. Insiste em entrar na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs, mas não é admitido pelas mesmas razões. Por causa disto, ele foi mandado de volta para Ecully, para estudar Teologia com seu amigo, padre Balley. Nesse tempo, o padre ensinou-lhe a língua Francesa, língua do Vianney (havia vários idiomas e dialetos em toda a França; o Francês era restrito a Paris e aos grandes centros) e, no final do curso, ele fez as provas em Francês, sendo aprovado. Assim, ele foi readmitido no Seminário. No dia 02 de Julho de 1814 foi ordenado Subdiácono.
João Maria continuou seus estudos na casa do amigo, padre Balley. Depois da batalha de Waterloo, quando os austríacos invadiram a região, João Maria foi a pé, por falta de transporte, para Grenoble. Lá, no dia 13 de Agosto de 1815, ele foi ordenado padre, aos 29 anos de idade. No dia seguinte celebrou sua primeira Missa! Ao Padre Vianney ninguém lhe fazia prognósticos animadores. Faltavam-lhe os apregoados dotes da razão que tanto faziam a grandeza dos séculos das luzes. Por essa razão, os padres estavam queixando-se ao bispo de Balley e pela mesma razão o bispo lhes respondera: “Não sei se ele é instruído; sei que é iluminado”. Começou a sua vida sacerdotal como ajudante do bispo Balley.
O bispo Balley continuou a dar ao padre Vianney os cursos de Moral e Teologia, Em Dezembro de 1817, o estado de saúde do bispo Balley agravou e ele faleceu. Em Janeiro de 1818 veio o novo pároco para Ecully, mas ele tinha uma vida totalmente diferente do padre Vianney. Na verdade, o Padre Vianney era diferente. A par da simplicidade mais natural e de uma autêntica humildade, irradiava dele algo superior à inteligência, uma forma mais elevada de ver as coisas, que se manifestava nos conselhos que dava no jeito de conversar com as pessoas, de lhes ouvir os problemas e de lhes sugerir soluções ou confortá-las. O Arcebispo de Lyon, Arquidiocese sede da Diocese de Ecully, sabendo dessa diferença, pediu ao Vigário Geral Courbon, para informar ao padre Vianney que ele seria transferido para a paróquia da Aldeia de Ars-en-Dombes.
De nada mais que 200 a 300 habitantes, no dia 9 de fevereiro de 1818, uma sexta-feira, João Maria Batista Vianney chegou em Ars, para cuidar de uma capela semi-abandonada. Veio em uma carruagem, guiada por um paroquiano de Ecully, onde carregou seus pertences e uma biblioteca com trezentos volumes. Apesar de pequena instrução, gostava de ler livros. Ao chegar à cidadezinha ficou meio confuso, porque a neblina cobria as casas. O entendimento foi difícil pois o menino, Antonio Givre, não sabia Francês e o dialeto de Ars era bem diferente de Ecully. Então perguntou ao garoto: “Menino, onde está Ars?” O menino apontou com o dedo dizendo-lhe: “É ali mesmo”. E João Maria Vianney disse ao menino: “Você me ensinou o caminho de Ars, e eu lhe ensinarei o caminho do céu”. Essa predição era enfática, mas situada no tom romântico da época. Predição, ou não, o certo é que o pequeno pastor Antonio Givre morreu alguns dias depois dela. Um monumento de bronze, na entrada de Ars, lembra esse primeiro encontro.
O Padre entrou no povoado levando muitos sonhos e esperanças. João Maria Batista Vianney era simples, por isso, quando chegou na paróquia de Ars, devolveu alguns móveis à proprietária, deixando somente o necessário. A sua alimentação era muito simples, apenas algumas batatas cozidas. Nem imaginava quanto iria sofrer ali dentro. Ars era pequena no tamanho, mas enorme quanto aos problemas: muitas casas de jogatina, de prostituição, de vícios, cidade paganizada. A capela estava sempre vazia. Em 1818, Ars-en-Dombes era uma caricatura cristã. A fé não era vista com seriedade. A capela estava sempre deserta, o povo não freqüentava os sacramentos e o domingo era marcado por festas profanas. Aí ele dobrou seu tempo de oração.
O Padre Vianney pôs-se a rezar, fazer jejuns e penitência. Visitava as famílias e as convidava para a Santa Missa. Ars começou a transformar-se. Alguns começaram a ir à capela. A capela se enchia. Então o pároco fundou a Confraria do Rosário para as mulheres, e a Irmandade do Santíssimo Sacramento para os homens. Diante disso, os donos dos bares e organizadores de jogatinas começaram dura perseguição contra o Padre Vianney. Este chegou a dizer, “Ah, se eu soubesse o que é ser vigário, teria entrado num convento de monges”. Ars Virou santuário com peregrinações. Pessoas cultas de outras cidade iam ouvir as homilias do Cura d’Ars. Quando algum padre lhe perguntava qual o segredo de tudo aquilo, o Padre Vianney lhe respondia: “Você já passou alguma noite em oração? Já fez algum dia de jejum?”
Ele viveu toda a sua vida dedicada a Deus. Repousava de duas a quatro horas no máximo por noite. Quando acordava ia a Igreja, rezava diante do Sacrário e depois ia confessar seus paroquianos. Eram inúmeras as pessoas que vinham se confessar com ele. Ele passou a maior parte de sua vida no confessionário. Chegava a ficar 14 horas confessando os paroquianos. Como era grande o número de pessoas, ele dividiu em vários confessionários, um para mulheres outro para homens, outro para doentes, etc. Ele marcava os horários para cada um. O Cura d’Ars acreditava no poder da oração e do jejum e na resposta do bom Deus. Ele tinha em sua mente a exortação de São Paulo Apostolo: “Orai sem cessar” (I Ts 5, 17).
Não era orador, não falava com eloqüência, nas homilias perdia o fio da meada, atrapalhava-se, outras vezes não sabia como acabá-las cortava a frase e descia do púlpito acabrunhado. O mesmo acontecia na catequese. No confessionário, porém, estava sua maior atuação pelo mistério da Providência Divina. No aconselhamento das pessoas falava do bom Deus de forma tão amorosa que todos saiam reconfortados. Não sabia usar palavras bonitas, idéias geniais, buscava termos do quotidiano das pessoas. No confessionário viveu intensamente seu apostolado, todo entregue às almas, devorado pela missão, integralmente fiel à vocação. Do confessionário seu nome emergiu e transbordou dos estreitos limites Ars-en-Dombes para aldeias e cidades vizinhas. Os peregrinos que desejavam confessar-se com ele começaram a chegar. Nos últimos tempos de vida eram mais de 200 por dia, mais de 80.000 por ano.
João Maria gostava muito de São Francisco, por isso, ele estava inscrito na Ordem Terceira Franciscana. Ele amava os pobres e ajudava sempre que tinha dinheiro e, principalmente, na parte espiritual. João Maria gostava muito também de Santa Filomena, e muitos escritores vinham ouvi-lo falar dela, e escreviam vários livros. Um deles é o “Santa Filomena Virgem Mártir” segundo “Santo Cura d’Ars”. Ele queria construir uma igreja para a Santa Filomena, mas não conseguiu, e hoje atrás da sua igreja foi construída uma basílica em honra de Santa Filomena, onde seu corpo incorrupto repousa num relicário. O seu coração está conservado até hoje em uma capela dentro de um relicário.
O padre Vianney transformou o lugarejo de Ars em uma aldeia menos atéia, com mais amor a Deus do que aos prazeres terrenos. Toda vez, antes de começar a Santa Missa, ele tocava o sino, na torre em que ele construiu, para avisar que era hora do cristão rezar, lembrar de Deus. Ele próprio ensinava catecismo para as crianças. João Maria era de estatura pequena, mas de constituição robusta. Sua vida de intenso trabalho, pouca alimentação, jejum e penitência provocou o seu enfraquecimento físico. Aos 73 anos de idade, na terça-feira, 02 de Agosto de 1859, João Maria Batista Vianney recebeu a Unção dos Enfermos. Na quarta-feira, 03 de Agosto, assinou seu testamento, deixando seus bens aos missionários e seu corpo à Paróquia. Às duas horas do dia 04 de Agosto de 1859, morreu placidamente. Nos dias 04 e 05, cerca de trezentos padres e uma incalculável multidão desfilaram diante do seu Corpo, em prantos, para dele se despedirem. Quando chegou à cidadezinha, ninguém veio recebê-lo; quando morreu, a cidade tinha crescido enormemente e multidões de peregrinos o acompanharam à última morada. A Igreja, que pela lógica humana receara fazê-lo sacerdote, curvou-se à sua santidade.
João Maria Vianney foi proclamado Venerável pelo Papa Pio IX em 1872, beatificado pelo Papa São Pio X em 1905, canonizado pelo Papa Pio XI em 1925 e pelo mesmo foi declarado padroeiro de todos os párocos do mundo, em 1929. Esse é o Santo Cura d’Ars, cuja memória, celebramos no dia 4 de agosto. A vida do Santo Cura d’Ars confirma o que São Paulo Apóstolo escreveu: “Mas o que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e, o que é fraqueza no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte; e, o que no mundo é vil e desprezado, o que não é, Deus escolheu para reduzir a nada o que é, a fim de que nenhuma criatura se possa vangloriar diante de Deus” (I Cor 1, 27-29). São dois grandes pensamentos conhecidos do povo católico no mundo inteiro do sábio Santo Cura d’Ars. O primeiro é: “Deixai uma paróquia 20 anos sem Padre e lá os homens adorarão os animais”. E o segundo: “Quem não tem tempo a perder para Deus, perde seu tempo”. Louvado seja o bom Deus pelo Santo Cura d’Ars.

Ver também:

Fontes:

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Beato Eustáquio van Lieshout, Sacerdote, Missionário (+ 1943), 03 de Agosto

Humberto van Lieshout, mais tarde conhecido como Padre Eustáquio, nasceu no dia 3 de novembro de 1890, em Aarle Rixtel, na Holanda. Em 1913, ingressou na Congregação dos Sagrados Corações e, no dia 10 de agosto de 1919, foi ordenado sacerdote. Foi Mestre de Noviços, vigário paroquial, cuidando de famílias belgas que, em l914, tiveram que deixar a Pátria por causa da invasão alemã.
Foi enviado como missionário,em 1924, na Espanha e, no ano seguinte, no Rio de Janeiro, Brasil. Em 1925, assumiu, com outros missionários, a pastoral do Santuário da Abadia de Água Suja e outras paróquias de Diocese de Uberaba, e atendimento a outras comunidades. Em 26 de março de 1926, foi nomeado Reitor do Santuário Nossa Senhora da Abadia e Conselheiro da Congregação dos Sagrados Corações no Brasil.
Em suas orientações e curas físicas, Padre Eustáquio falava da disposição de Deus de curar a pessoa integralmente. Indicava medicamentos. Servia-se de folhas e raízes e muitos procuravam sua ajuda. De Romaria, foi transferido para Poá - São Paulo. Por causa do aglomerado de pessoas que o procuravam e pelo transtorno, foi enviado à cidade de Araguari, onde se comunicava quase só com seu amigo Padre Gil. Em 12 de fevereiro passou a coordenar a paróquia de Ibiá. E, no dia 7 do mesmo ano, o encontramos na Capital mineira, na Paróquia de Cristo Rei.
O povo afluía pedindo bênçãos e curas. Em 9 de setembro de 1942, Juscelino Kubitscheck, então Prefeito da Capital, beneficiado por milagre de Padre Eustáquio, doou um terreno, onde foi construída a Igreja dos Sagrados Corações, cuja pedra fundamental foi benzida por Dom Cabral. Padre Eustáquio assim se expressou: "Não verei o fim da guerra. Comecei a igreja, mas não a terminarei".
Em 23 de agosto de 1943, após celebrar a missa - durante o retiro que pregava às alunas do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte - sentiu-se desfalecer. O diagnóstico dos médicos acusou um tipo de tifo causado por uma picada de carrapato. Padre Eustáquio tinha certeza de que não iria sobreviver. Chamava pelo Padre Gil. Enquanto aguardava, renovou os votos religiosos. E, ante a emoção dos presentes, repetiu a fórmula da profissão religiosa; e, renovou os votos de Pobreza, Castidade e Obediência, como irmão da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Depois disse aos irmãos: "Graças a Deus, estou pronto! Mas, como demora o Padre Gil!". Até que dia 30 de agosto, Padre Gil conseguiu chegar. Assim que o viu, Padre Eustáquio conseguiu erguer-se do leito com grande esforço, e disse: "Padre Gil, graças a Deus!" E desfaleceu para sempre.
Belo Horizonte amanheceu de luto, e a Imprensa noticiava seu falecimento. Após sua morte, constatou-se que um devoto foi curado de um câncer. O relato consta no processo de beatificação, iniciado em 1997. E outros milagres se sucederam.
Padre Eustáquio dizia que sua vocação era "amar e fazer amar a Deus". Após o reconhecimento de sua vida e de seus milagres, por parte da Santa Sé, Padre Eustáquio foi beatificado em Belo Horizonte, Brasil, pelo Cardeal José Saraiva Martins, a 15 de junho do ano 2006.

Ver também: Santa Lídia de Tiatira

Fontes:
http://www.anjosdejesus.com/start/index.php?option=com_content&task=view&id=4262&Itemid=33
http://www.paroquiadossagradoscoracoes-rj.org/?page_id=1720