segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Santa Clara de Assis, Religiosa, Fundadora, Abadessa (1194-1253), 11 de Agosto

O estilo de vida de Francisco não poderia ser privilégio dos homens. Muitas mulheres escutavam a sua pregação, observavam o seu estilo de viver o Evangelho e também queriam viver essa experiência. Uma delas foi Clara de Assis.
Clara nasceu em 1194 em Assis, filha de Ortolana de Fiumi e Faverone Offreduccio de Bernardino, família desconhecida, mas que pertencia a uma estirpe de cavaleiros nobres da cidade de Assis. Recebeu da mãe uma sólida educação religiosa e do pai a personalidade forte. Tinha mais três irmãs e um irmão. Era admirada pelos seus longos cabelos dourados e seus olhos decididos. Era muito determinada; quando queria uma coisa, era porque queria.
Clara ouvira falar de Francisco e  de seu ideal de vida. De como Francisco abandonara a vida confortável proporcionada pelo negócio rentável do pai, para abraçar uma vida de miséria e entrega. Rufino, seu primo, contava-lhe sobre os episódios de Francisco e ela ouvia alegremente acerca da simplicidade do jovem de Assis. A tal ponto que o pai, temendo aquilo que mais tarde acabou por acontecer, proibiu que o primo Rufino lhe relatasse as peripécias de Francisco. 
Aos 18 anos, Clara ouviu Francisco pregar os sermões da Quaresma na igreja de São Jorge, em Assis. As palavras dele inflamaram tanto seu coração, que o procurou em segredo, pois também ela desejava viver a experiência de pobreza, simplicidade e Amor que Francisco anunciava. 
Francisco falou-lhe sobre o desprezo do mundo e o amor a Deus, e fortaleceu-lhe o desejo nascente de abandonar tudo por amor a Cristo. Encerrou a conversa dizendo: "Quero contar-te um segredo, Clara: desposei a Senhora Pobreza e quero ser-lhe fiel para sempre." Clara respondeu que "queria viver a mesma vida, a mesma oração e sobretudo a mesma pobreza".
Acompanhada de Bona de Guelfuccio, amiga íntima, passou a frequentar a capela da Porciúncula para escutar Francisco. Estava decidida a viver o seu modo de vida. Mas como sair de casa?
No Domingo de Ramos, dia 19 de março de 1212, rica e muito bem vestida, Clara participou da missa da manhã. Não havia meio de sair despercebida do castelo de seus pais, mas encontrou a única saída possível pela porta de trás do palacete: a saída dos mortos. Toda casa medieval tinha esta saída, por onde passava o caixão dos defuntos.
À noite, quando todos dormiam, a nobre jovem Clara de Favarone fugiu de casa por esse buraco, abandonou os muros da cidade e percorreu cerca de 5 km até chegar à Porciúncula, onde foi recebida com muita festa pelos irmãos menores, que tinham ido ao seu encontro com tochas acesas e a acompanharam até a porta da igreja.
Ali se desfez das vestes elegantes e Francisco, com uma grande tesoura, lhe cortou os cabelos longos e dourados. Em seguida, deu-lhe o hábito da penitência: uma túnica de aniagem amarrada em volta por uma corda e um par de tamancos de madeira. Clara se consagrou pelos três votos: pobreza, obediência e castidade.
Os familiares dando pela falta de Clara, enfurecidos, foram procurá-la. Entrando na capela, viram Clara agarrada ao pé do altar. Puxaram-na com tanta força que arrancaram o véu, percebendo então a cabeça raspada. Concluíram que nada mais poderiam fazer, Não conseguiriam mudar-lhe a idéia.
Como Francisco não tinha convento para freiras e ela não poderia ficar entre os irmãos, irmã Clara ficou alguns dias no mosteiro de São Paulo e algumas semanas no mosteiro beneditino de Panzo. Por fim, recolheu-se a São Damião, numa casa pobre contígua à capela, onde ficou até sua morte em 1253. Nascia assim, ainda sob a regra beneditina, o que viria a ser a Ordem das Senhoras Pobres. Pouco tempo depois, seguiram-na na vocação a irmã Inês, 16 dias depois, e mais tarde sua irmã Beatriz e a mãe Ortolana.
A obra tornou-se conhecida e diversas mulheres e jovens vieram fazer-lhe companhia. Ficaram conhecidas como as Senhoras Pobres, ou Irmãs Clarissas. Em pouco tempo, havia mosteiros em diversas localidades da Itália, França, Alemanha. Inês, filha do rei da Boêmia, também fundou um convento em Praga, e ela mesma tomou o hábito.
Dotada de uma grande capacidade de comunicação, Clara foi responsável pela continuidade do ideal franciscano — principalmente após a morte de Francisco, em 1226.

Clara de Assis, mãe e adoradora
A si própria Clara gostava de se denominar "uma plantinha do bem-aventurado pai Francisco". Ela nunca deixou os muros do convento de São Damião. Designada abadessa (superiora) por Francisco, em 1215, Clara dirigiu o convento durante 40 anos. Sempre quis ser serva das servas, submissa a todas e beijando os pés das irmãs leigas quando regressavam do trabalho de esmolar, servindo à mesa, assistindo aos que estivessem doentes. Enquanto as irmãs descansavam, ela ficava em oração e as cobria, caso as cobertas lhes caíssem. Saía da oração com o semblante sempre iluminado. Falava com tanto fervor que facilmente entusiasmava os que ouviam suas palavras.
A exemplo de Francisco, nutria fervorosa devoção ao Santíssimo Sacramento. Mesmo quando estava doente e acamada (esteve sempre doente nos últimos 27 anos de vida), ficava confeccionando belos corporais e toalhas para o serviço do altar, que depois distribuía pelas igrejas de Assis.
A força e a eficácia poderosa de sua oração pode ser sentida em 1244, quando o imperador Frederico II atacou o vale de Espoleto, tendo a seu serviço um exército de sarracenos. Lançaram-se ao saque de Assis, e como São Damião ficava fora dos muros, resolveram começar por ali. Embora muito doente, Clara fez colocar o Santíssimo num ostensório, bem à vista do inimigo. E Clara orou com grande fervor, pedindo a Cristo que salvasse suas irmãs do saque e do estupro. Em seguida, orou pela cidade de Assis. No mesmo instante, o terror se apoderou dos assaltantes, que fugiram em debanda.

A morte de uma Santa

Clara suportou os longos anos de enfermidade com sublime paciência. Em 1253, teve início uma longa e interminável agonia. O papa Inocêncio IV deu-lhe duas vezes a absolvição com o perdão dos pecados, e comentou: "Queria Deus que eu necessitasse de perdão tão pouco assim". Doente e pobre, as mais altas autoridades da Igreja sentiam sua sabedoria e santidade e vinham aconselhar-se com ela em São Damião.
Durante os últimos 17 dias não conseguiu tomar nenhum alimento. A fé e a devoção do povo aumentavam cada vez mais. Diariamente cardeais e prelados chegavam para visitá-la, pois todos tinham certeza de que era uma santa que estava para morrer.
Irmã Inês, sua irmã, estava presente, bem como os três companheiros de Francisco, os freis Leão, Ângelo e Junípero. Vendo que a vida de Clara estava chegando ao fim, emocionados, leram a Paixão de Jesus segundo João, como tinham feito 27 anos antes, na morte de Francisco.
Clara consolou e abençoou suas filhas espirituais. E, para si, disse: "Caminha sem receio, pois tens um bom guia. Ó Senhor, eu vos agradeço e bendigo pela graça que vos dignastes conceder-me de poder viver". E foi recebida na corte celeste. Era uma Dama Pobre havia 42 anos e tinha 60 de vida. Dois anos após sua morte, o papa Alexandre IV canonizou-a em Anagni. Era o ano de 1255.
Há muitas lendas sobre Francisco e Clara. A amizade entre os dois foi relatada em inúmeros livros e até no cinema - em "Irmão Sol, Irmã Lua" (1973), do cineasta italiano Franco Zeffirelli. Algumas biografias admitem que Clara e Francisco exerciam fascínio um sobre o outro, e que eram apaixonados pelo mesmo ideal. Existem teorias que defendem ser Francisco e Clara duas almas gêmeas.
A lenda que explica Santa Clara ter se tornado padroeira da televisão data do ano anterior ao da sua morte: ela teve uma visão à qual se fez a analogia para o "primeiro programa de TV" da história. No Natal de 1252, Clara estava muito doente e não pôde ir às celebrações da data. Quando as irmãs voltaram, Clara descreveu detalhadamente o que ocorrera na missa, como se estivesse presente. Diz a lenda que ela viu e ouviu tudo como se tivesse um televisor no quarto. A Carta Apostólica que nomeia Clara padroeira da televisão cita essa lenda e justifica o título "para que essa invenção (a TV) seja protegida por uma direção divina, para evitar males e promover seu uso correto".
Foi o papa Pio XII quem, em 14 de fevereiro de 1958, declarou Santa Clara “celeste padroeira da televisão”.
Os eventos importantes da vida de Santa Clara de Assis
Nascimento de Santa Clara, na casa paterna da praça de São Rufino, em Assis. Filha mais velha de Hortolana e Bernardino.
Estabelecimento da Comuna de Assis. A família de Clara, nobre, refugia-se em Corozano, por causa de uma revolução popular. Depois vai para Perugia onde permanece até 1204.
Francisco prega na Catedral de São Rufino, Clara pode estar presente. Neste ano é possível terem-se encontrado.
Encontros com Francisco: Clara tem 17 anos e Francisco 29.
18 de março - Domingo de Ramos - Clara sai de casa e se consagra a Deus na Porciúncula. No dia 19, vai para o mosteiro de São Paulo das Abadessas. Pouco depois vai para ermida de Santo Ângelo de Panço. 4 ou 5 de abril - Inês, irmã de Clara, se junta a ela em Santo Ângelo de Panço. Pouco tempo depois, Francisco leva-as para São Damião. Em agosto entra Pacífica de Guelfúcio, já em São Damião.Francisco dá as irmãs sua primeira forma de vida.
Por conselho de Francisco Clara aceita a regra de São Bento e o título de abadessa. Mas consegue o "privilégio da pobreza" de Inocêncio III.
O papa, Honório III, concede ao Cardeal Hugolino plenos poderes para cuidar das irmãs pobres.
Frei Felipe Longo de Atri se torna visitador das Irmãs Pobres.
Clara recebe a carta do Cardeal Hugolino, logo após a Páscoa, em que ele a chama de “Mãe da minha Salvação”.
Clara começa a estar habitualmente bastante doente.
As monjas de Santo Apolinário adotam a forma de vida de São Damião.
Francisco compõe o Audite Poverelle.
Sai a Bula “Quoties Cordis” que põe as Clarissas aos cuidados dos frades.
18 de julho - O cardeal Reinaldo lista oficialmente 24 mosteiros.
Inês de Praga entra na Ordem. Clara lhe escreve a primeira carta.
O Papa, pela carta “Cum relicata saeculi”, quer que Inês aceite propriedades. O que motiva a segunda carta de Clara.
Com a bula "Omnipotens Deus" o Papa Gregório IX revoga a "Cum relicata Saeculi"
Clara escreve a terceira carta a Inês. E o Papa concede o privilégio da pobreza a Inês.
Com a oração diante do Santíssimo, Clara defende a cidade de Assis do ataque dos sarracenos.
6 de agosto - o Papa Inocêncio IV concede às Clarissas a regra de São Francisco. Clara pode ter começado a escrever seu testamento (só serve de base jurídica).
17 de julho - Uma bula confirma Reinaldo de Segni como Cardeal protetor das Damas Pobres e dos menores
Agrava-se o estado de saúde de Santa Clara, que começa a escrever sua forma de vida definitiva, na redação que conhecemos.
16 de setembro - O Cardeal Reinaldo aprova a forma de vida de Santa Clara.
Clara escreve sua última carta a Santa Inês de Praga. Após uma visita a Clara moribunda, Papa Inocêncio IV manda apressar a aprovação de sua regra pela bula "Solete Anuere", válida só para São Damião.
10 de agosto - A Bula da provação é levada para Clara em seu leito de morte. 11 de agosto - Data da morte de Santa Clara.
15 de agosto - Canonização de Santa Clara, na Catedral de Anagni. Publicação de sua lenda, escrita por Tomás de Celano. Publicação da bula de Canonização "Clara claris Perclara".
Mudança das Irmãs de São Damião para o proto-mosteiro, junto do corpo de Santa Clara. (Ou em 1260?).
São Boaventura de Bagnoregio é eleito ministro geral.
Aprovação da Regra de Isabel de Longchamp.
Carta de São Boaventura às Irmãs de São Damião.
3 de outubro - O corpo de Santa Clara é solenemente trasladado para a basílica que está sendo construída em sua honra ao lado da igreja de São Jorge.
Um decreto do capítulo geral de Barcelona manda frades e Irmãs celebrarem a festa da trasladação de Santa Clara, no dia 2 de outubro.
18 de outubro - Papa Urbano IV promulga uma nova Regra para as Clarissas (nome pelo qual passam a ser conhecidas as “damianitas”), correção da Regra de Isabel de Longchamp.
O capítulo geral dos Frades Menores reconhece como biografia oficial de São Francisco a Legenda Maior, mandando queimar as outras.
A bula "Quasdam litteras", do Papa Bonifácio VIII, põe fim às dificuldades de relacionamento, impondo aos Frades Menores que assumam a responsabilidade pelas Clarissas.
30 de agosto - é descoberto o sarcófago com o corpo de Santa Clara.
23 de setembro - abertura solene do sarcófago.
30 de outubro - O corpo de Santa Clara é levado para a nova cripta da sua Basílica e exposto aos fiéis.
Descoberta do original da Regra de Santa Clara no meio de suas roupas.
Descoberta das Cartas de Clara a Santa Inês de Praga, na biblioteca de Milão.
Descoberta de uma cópia do Processo de Canonização de Santa Clara, na Biblioteca Landau, em Florença.
14 de fevereiro - Papa Pio XII proclama Santa Clara padroeira da televisão.
Descoberta do cântico “Audite Poverelle”, composto por São Francisco para Clara e suas Irmãs.
11 de abril - Depois de um adequado reconhecimento e de uma nova recomposição, o corpo de Santa Clara volta a seu lugar na basílica para ser venerado por seus fiéis.


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Fonte: 

Santa Filomena, Mártir (Século III), 10 de Agosto

Santa Filomena é uma considerada "santa virgem e mártir" cuja veneração pela Igreja Católica Apostólica Romana iniciou-se em meados do Século XIX. O pouco que se sabe de sua vida chegou à Igreja através de alegadas "revelações privadas", que teriam sido recebidas pela "Serva de Deus" Maria Luisa de Jesus (1799-1875) em agosto de 1833, na cidade de Nápoles. Essas supostas revelações, por obediência ao seu diretor espiritual, foram transcritas e a veracidade de seus escritos foi alegadamente atesta pelo "Santo Ofício" (atual Congregação para a Doutrina da Fé) em 21 de dezembro do mesmo ano.
Santa Filomena nasceu, segundo a crença, numa cidade-estado da Grécia, filha de pais nobres e ricos, como tantas santas católicas. Ainda muito jovem, aos 13 anos, foi prometida ao Imperador Diocleciano para ser sua esposa em troca da pacificação de confrontos políticos. O Imperador, por sua vez, "impressionou-se com a beleza da jovem". Como Filomena se recusasse a casar, porque havia eleito o "próprio Senhor Jesus Cristo para seu esposo", o "tirano" ordenou, primeiramente, que a "colocassem num cárcere e a flagelassem sangrentamente".
Tendo sido curada "miraculosamente" deste suplício, foi ordenado que ela fosse "lançada ao rio Tibre com uma âncora amarrada ao pescoço". E como a "correnteza a levasse até a margem do rio", apesar da âncora, mandou Dioclesiano que a "ferissem com flechadas". Com o corpo todo ferido pelas flechas, a jovem foi "lançada novamente no cárcere". Entretanto, no dia seguinte, diz esta lenda que "Filomena foi encontrada com o corpo sadio e sem qualquer marca de ferimento". O "cruel tirano" ordenou, então, que a "ferissem com flechas em chamas. Estas, porém, voltaram-se contra os arqueiros, matando a muitos". Por fim, "foi a heróica jovem decapitada, por ordem do Imperador".
No dia 24 de maio de 1802, os ossos de uma mulher entre treze e quinze anos foi descoberto no cemitério de Santa Priscila, nas escavações das catacumbas em Roma por um pedreiro. Avisou-se Monsenhor Ponzetti, então o Guarda das Santas Relíquias, que ordenou que se parasse de quebrar o que quer que fosse. No dia seguinte, 25 de maio de 1802, acompanhados pelo padre Filipo Ludovici, desceram às catacumbas para assistir à abertura total da sepultura. Lá foram encontrados uma ânfora com uma substância, notoriamente "sangue seco" e uma palma, símbolos do martírio. A sepultura estava lacrada por três placas com a seguinte inscrição: LUMENA (primeira placa) PAXTE (segunda placa) CUMFI (terceira placa). A sepultura foi documentada por Monsenhor Ponzetti, Guarda das Santas Relíquias, como FILOMENA, uma interpretação errada do epitáfio de acordo com o antigo costume de se começar as inscrições pela segunda placa e também pela lógica do contexto etimológico. O epitáfio inteiro lê-se, segundo sua interpretação, pois PAX TECUM FILUMENA.
O nome de Filomena foi oficialmente atribuído pela Igreja Católica aos restos examinados em 25 de maio de 1802 e inscritos no documentos publicado por Monsenhor Ponzetti, que enviou os despojos dessa mártir cristã à Diocese de Nola (Itália) aos 8 de junho de 1805.
Graças à assistência de Monsenhor Bartolomeo de Caesare, Bispo de Nola (Itália), o padre Franciso de Lucia (1796-1847), pároco da Igreja Nossa Senhora das Graças, da cidade de Mugnano Del Cardinale (Itália), desejou levar as relíquias de um santo para sua paróquia e foi à Santa Sé em Roma para solicitá-las.
Quando estava na Capela do Tesouro (onde ficavam as sagradas relíquias), dentre tantas apenas três possuíam nomes: um adulto, uma criança e Santa Filomena. Quando ajoelhou-se diante das relíquias de Santa Filomena, alegou que "sentiu-se possuído de uma alegria espiritual jamais experimentada". Sentiu também um "incontrolável desejo de levar aquelas Sagradas Relíquias para sua igreja em Mugnano".
Terminada essa visita, dirigiu-se ao Sr. Bispo de Potenza e ficou sabendo então que "precisaria de uma graça muito especial, ou talvez um milagre". Não havia precedentes de a Santa Sé haver confiado tão preciosos tesouros à guarda de um simples sacerdote. E nesse caso seria praticamente impossível, por se tratar das relíquias de uma virgem mártir cujo nome era conhecido.
Tendo caído gravemente enfermo, padre Francisco "recorreu ao auxílio" de Santa Filomena, prometendo tomá-la como especial Padroeira e levar suas relíquias para Mugnano del Cardinale, caso obtivesse autorização para tanto. Curado "milagrosamente", retornou então à Santa Sé narrando a graça alcançada e obteve o pedido, levando triunfalmente as relíquias para sua paróquia em 1º de julho de 1805, onde até hoje se encontram. Assim que lá chegou começaram a acontecer tantos milagres que ia gente de toda a Itália e Europa a pedir e agradecer graças alcançadas.
Já em 1833, o Bispo Anselmo Basilici, da Diocese de Nepi e Sutri (atual Diocese de Cività Castellana), pediu a abertura do processo de canonização de Santa Filomena em virtude das inúmeras "graças" que vinham sendo relatadas, obtidas alegadamente através da "jovem mártir". No entanto, era necessário um milagre devidamente documentado pela Igreja e atestado pela Santa Sé e esse milagre veio através de Pauline Jaricot.
A alegada cura da jovem Pauline-Marie Jaricot (1799-1862) foi fundamental para a divulgação da devoção a Santa Filomena pelo mundo católico. Seriamente doente de uma enfermidade cardíaca, pelo que se narra, já desenganada pelos médicos, decidiu sair em peregrinação a Mugnano del Cardinale para rezar junto aos restos mortais de Santa Filomena. Partiu da França e, ao chegar à Itália, dirigiu-se a Roma, onde pediu em audiência ao Papa Gregório XVI que ponderasse sobre a canonização de Santa Filomena caso ela voltasse curada. O Supremo Pontífice responde que sim, convencido de que Pauline, alegadamente moribunda, apenas precisava de uma consolação espiritual e que ele não poderia negá-la.
Pauline Jaricot chegou a Mugnano após uma viagem, dita extenuante, sob o calor do verão italiano do mês de agosto, às vésperas da festa de Santa Filomena. No dia seguinte ela comungou e desmaiou: pensou-se que ela estava morta. Recomposta do desmaio, ela pediu que a levassem até o relicário de Santa Filomena, onde foi curada milagrosamente. O reitor da Basílica tocou os sinos para anunciar a novidade, enquanto o povo exultava de alegria, com o que se chamou de "Milagre do Século", aos 10 de agosto de 1835. Após passar alguns dias em Mugnano Del Cardinale, rezando e agradecendo, ela voltou a Roma, onde o Papa Gregório XVI aprovou o culto a Santa Filomena aos 13 de janeiro de 1837.
Os Papas foram generosos com Santa Filomena. O próprio Papa Gregório XVI concedeu-lhe, além a aprovação do culto público, um ofício, uma missa especial e uma leitura própria no Breviário (atual Liturgia das Horas). O Papa Leão XIII aprovou o uso do famoso "Cordão de Santa Filomena", assim como eregiu a Arquiconfraria de Santa Filomena na França. Por sua vez São Pio X estendeu a Arquiconfraria de Santa Filomena para o mundo inteiro. Assim, a popularidade dela logo se espalhou, sendo seus mais memoráveis devotos João Maria Batista Vianney, Madalena Sofia Barat, Pedro Eymard, e Pedro Chanel, todos eles santos da Igreja Católica Apostólica Romana.

Controvérsias
Já em 1904, uma publicação feita pelo arqueólogo Oracio Marucchi (Osservazioni archeologiche sulla Iscrizione di S. Filomena dans Miscellanea di Storia Ecclesiastica, Vol. 2, 1904, pp. 365–386) colocou em dúvida a existência histórica de Santa Filomena. 
Ele defendia fundamentalmente quatro postulados:
1. As placas deveriam estar em ordem direta e não indireta (como estavam) o que constituía um indício de que haviam sido reutilizadas, podendo pertencer, portanto, a qualquer outra pessoa ali enterradas;
2. O que havia na ânfora não era sangue, mas perfume ressecado, o que invalidaria a teoria do martírio;
3. Nem mesmo as placas e o sangue juntos são provas de que os restos que ali jaziam eram de uma mártir;
4. O único relato disponível sobre a vida de Santa Filomena eram as revelações de Maria Luisa de Jesus, fantásticos por natureza, sem caráter histórico nem científico.
Todos esses argumentos foram refutados na mesma ocasião (1906) pelo professor católico da Pontifícia Universidade Gregoriana Giuseppe Bonavenia, jesuíta, e pelo arqueólogo católico J. B. Rossi, especialista em paleoarqueologia cristã no livro "Controversia sul celeberrimo epitaffio di Santa Filomena, V. e M.". No entanto, a semente da dúvida já estava lançada. A questão tomou mais corpo ainda quando, em 14 de fevereiro de 1961, a Congregação dos Ritos publicou um ato no qual excluía a celebração litúrgica de Santa Filomena, o que levou muitas pessoas, desde então, a afirmar que "Filomena não é mais santa".
Respostas às Controvérsias
Convém lembrar que Santa Filomena nunca foi incluída no Calendário Geral Romano (de uso universal), mas desde 1837 foi aprovada sua memória para ser celebrada apenas em alguns lugares. A edição de 1920 do Missal Romano incluía uma menção a ela em 11 de agosto, na seção intitulada "Missae pro aliquibus locis" (Missas para alguns lugares), com uma indicação de que a missa a ser usada naquelas ocasiões era a Comum de uma Virgem Mártir, mas sem oração coleta própria.[1] Já no missal de 1962, a edição constituída para o uso como forma extraodinária do Rito romano também não a mencionou.[2]
Mesmo sem ter sido incluída na versão revista do Martirológio Romano, publicado em 2001 pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, o que daria um esclarecimento substancial à devoção a Santa Filomena, um congresso foi levado a cabo pelo Reitor da Basílica de Santa Filomena, Monsenhor Giovanni Braschi, aos 9 de maio de 2005, em Roma, contando com a participação, entre outros, do Doutor Carlo Lalli, cientista católico do "Istituto delle Pietre Dure di Firenze" (Florença), responsável pelos estudos científicos sobre as placas e o suposto sangue ali encontrados, e do professor Jos Janssen, jesuíta responsável pelo relato histórico do ponto de vista religioso, entre outros.
Por essa ocasião, os seguintes pontos foram esclarecidos:
1. As relíquias encontradas em 1802 não podem ser comprovadamente de uma jovem mártir, conforme atestou a Santa Sé na ocasião;
2. O culto a Santa Filomena foi aprovado oficialmente pelo Papa Gregório XVI em 1837;[3]
3. Dezenove atos da Santa Sé, ao longo do reinado de cinco Papas atestam, afirmam, promovem e incrementam o culto a Santa Filomena, o que por si nada prova.
4. As conclusões arqueológicas de Oracio Marucchi foram devidamente e inutilmente "contestadas" já em 1906 e ainda em 1963 pelos estudos feitos pelo padre Antonio Ferrua (fonte duvidosa por fazer parte da igreja Católica), jesuíta, arqueólogo e secretário da Comissão Pontifical de Arqueologia Sagrada e professor de arqueologia da Pontifícia Universidade Gregoriana;
5. A supressão de 1961 é litúrgica, isto é, diz respeito à missa própria e leituras do Breviário (Liturgia das Horas), e não à santidade em si de Santa Filomena, cuja canonização procedeu-se como pede a praxe (isto é, através de um milagre que de fato foi verificado, estudado, analisado e aprovado - o que não prova que a estória fantástica acerca da alegada "santa" possa ter sido verdade);
6. O Martirológio Romano não constitui uma compilação exaustiva de todos os santos mártires reconhecidos pela Igreja, nem a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos jamais teve tal intenção.[4]

Datas relevantes no culto a Santa Filomena
Além da Missa, que é o centro da vida da Igreja Católica, Santa Filomena também é freqüentemente honrada com o Ofício da Liturgia das Horas, ambos retirados do chamado "Comum das Virgens" (podendo, no entanto, também ser honrada com os Ofícios do "Comum dos Mártires"). Paralelamente, para os devotos de Santa Filomena, algumas datas do calendário civil são importantes, uma vez que remetem a fatos importantes da vida da mesma. São elas:
a. 10 de janeiro: nascimento de Santa Filomena;
b. Domingo depois de 10 de janeiro: Patrocínio de Santa Filomena;
c. 25 de maio: celebração do reencontro do corpo de Santa Filomena;
d. 10 de agosto: celebração da transladação do corpo e do martírio de Santa Filomena;
e. 11 de agosto: festa litúrgica de Santa Filomena;
f. 13 de agosto: celebração do nome de Santa Filomena;
Tendo em vista a antiqüíssima tradição que considera o dia da morte terrena dos seus santos como sendo o dia de seu nascimento para a vida eterna, a Igreja Católica (em função do martírio de Santa Filomena ter ocorrido em 10 de agosto) costuma promover suas festas patronais, paroquiais e devocionais durante todo o mês de agosto.

Objetos Devocionais
Paralelamente, a Igreja Católica aprova e incentiva o uso dos chamados "Sacramentais", que são objetos que não sendo Sacramentos, ajudam os fiéis na recepção dos mesmos. No caso de Santa Filomena, o uso dos Sacramentais já é tradicional, difundidos desde o início da devoção a essa santa na vida da Igreja Católica por uma dos primeiros e mais ilustres devotos de Filomena, São João Maria Batista Vianney. Os "Sacramentais" de Santa Filomena são:
a. Coroa de Santa Filomena: é um pequeno rosário formado por uma medalha de Santa Filomena, onde se reza um "Credo"; três contas brancas, onde se reza um "Pai Nosso" em cada uma das contas, para honrar as três pessoas da Santíssima Trindade; e treze contas vermelhas, que fazem menção ao sangue do martírio de Santa Filomena, onde se rezam a jaculatória "Santa Filomena, pelo vosso amor por Jesus e Maria, rogai por nós".
b. Cordão de Santa Filomena: é um cordão de Crochê feito com linha vermelha e branca, trançadas uma na outra. A linha branca faz referência à pureza e a vermelha, ao martírio de Santa Filomena. o cordão, benzido por um sacerdote, é geralmente usado pelo devoto atado à sua cintura.
c. Óleo de Santa Filomena: é um óleo comum benzido, que os devotos costumam aplicar em pequeníssimas doses no corpo e até mesmo consumi-lo, tendo em vista a cura de enfermidades. É benzido apenas no dia 10 de agosto e unicamente no Santuário de Santa Filomena, na Itália, pelo padre reitor do mesmo.

Status atual da Devoção a Santa Filomena
A devoção a Santa Filomena espalhou-se pelo mundo principalmente através do grande fenômeno que foi a Emigração italiana de fins do século XIX e começo do século XX, cujos imigrantes levaram suas devoções para os países onde se estabeleceram. Assim, fora da Itália, encontram-se fiéis devotos de Santa Filomena no Brasil, Estados Unidos e Austrália, por exemplo. Uma vez suprimidas as concessões litúrgicas pelo ato de 1961, a atual missa em louvor a Santa Filomena é tirada do Comum das Virgens, assim como a Liturgia das Horas, o que exalta o caráter cristológico da mesma devoção. Só dessa forma a devoção a Santa Filomena - assim como toda e qualquer outra devoção - atinge sua finalidade, que é a de ser testemunho de vida cristã para os membros da igreja. Nessa dimensão, e apenas nela, o martírio e a virgindade atingem o seu ápice, que é o próprio Jesus.

Referências
3.  Em seu livro It is Time to Meet St. Philomena, o Dr. Mark Miravalle afirma categoricamente que ela foi canonizada, assim como diz que "a Santa Sé continua a 'permitir' a devoção pública a Santa Filomena". Deve-se ter em conta, no entanto, que a Canonização não é uma permissão, mas um preceito universal.(Catholic Encyclopedia: Beatification and Canonization)
4.  O Martirológio Romano não contém nem nunca conteve incluído nele o nome de todos os santos - incluindo aí Santa Filomena - o que pode ser constatado neste martirológio publicado aproximadamente vinte anos após a dita canonização de Santa Filomena(Martirológio Romano Edição 1856)

Ligações externas

Ver também: São Lourenço

Fontes:

Franz Jägerstätter, Leigo, Mártir (+1943), 09 de Agosto


Franz Jägerstätter nasceu a 20 de Maio de 1907 em St. Radegung, na Alta Áustria. Durante a sua adolescência e juventude distinguiu-se dos seus companheiros pela alegria, pela vivacidade e pelo particular aspecto exterior, que o tornava fascinante e atraente; não obstante na sua jovem idade houvesse um certo interesse pela vida superficial, o Servo de Deus permanecia fortemente ancorado nos princípios da fé, rezando todos os dias e aproximando-se dos Sacramentos.
Em 1931, após uma permanência de três anos em Eisenerz, Franz foi obrigado a regressar à casa, pois seu pai tinha sido atingido pela tuberculose, e a partir daquele momento caberia a ele a gestão do sítio da família.
Em 1933 nasceu Hildegard, filha que reconheceu e amou muito, fruto da sua relação clandestina com a Sr. Auer, doméstica da casa. Em 1936, casou-se com Franziska Schwaniger e dessa união nasceram três filhas. Os cônjuges distinguiam-se na paróquia que freqüentavam por serem católicos praticantes e profundamente devotos, e estavam entre os poucos que recebiam quotidianamente a sagrada comunhão.
Aos primeiros sinais da chegada do regime totalitário do Führer, o Servo de Deus fez oposição ao nascente partido nazista e às suas ideologias. Era tão grande a sua aversão por tudo o que fosse contrário aos ideais e princípios católicos que não só deixou de expor as próprias idéias, mas também, com singular coragem, rejeitava fazer a saudação nazista. Pode ser definido como um "resistente" ao nazismo, um simples camponês que representou uma das pouquíssimas testemunhas que em terra alemã tenha ousado opor-se ao regime de Hitler. Rejeitou todo tipo de colaboração com o regime após a anexação do seu país à Alemanha (1938).
Chamado às armas em 1943, em pleno conflito mundial, declarou que, como cristão, não podia servir à ideologia hitleriana e combater uma guerra injusta.
A escolha e a vida de Franz estão relacionadas com uma radicalidade evangélica que não admite réplica, ao contrário, provoca e questiona. O seu pároco, Josef Karobath, após o debate decisivo em 1943, realizado poucos dias antes da chamada ao alistamento, comentou: "Ele deixou-me sem palavras, porque tinha as melhores argumentações. Queríamos fazê-lo desistir (de não se alistar), mas derrotou-nos sempre ao citar as Escrituras".
Havia em Franz uma serenidade, embora mediata e sofrida, devido r adesão ao pleno significado da mensagem evangélica: nele a coerência tornou-se um fator distintivo, não por preconceitos ideológicos ou por um pacifismo abstrato, mas porque se deixou conduzir pela adesão concreta e vivida aos valores, aos significados, às exigências daquilo em que acreditava.
Franz Jägerstätter foi processado pelo tribunal marcial de Berlim e condenado à morte a 6 de Julho de 1943 porque reconhecido culpado do delito de reticência ao recrutamento militar. Foi esta a motivação oficial, que no entanto deixa subentender outra, a verdadeira: era culpado por não ter renunciado à sua profissão de fé. Foi guilhotinado em Brandeburgo a 9 de Agosto de 1943.

Ver também: Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein)

Fontes:

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Beatos Agatângelo e Cassiano, Presbíteros, Mártires (+1638), 07 de Agosto

Beato Agatângelo Noury (1598-1638)
Nasceu em Vendôme, na província de Tours, na França, aos 31 de julho de 1598. Conheceu os Capuchinhos, que tinham chegado, havia pouco tempo, à sua terra natal, onde o seu pai era presidente do tribunal e, ao mesmo tempo, administrador do Convento.
Ainda jovem, mostrou ter vocação religiosa e foi recebido na Ordem dos Capuchinhos. Em 1620, fez a profissão religiosa. Depois, prosseguiu os estudos de humanidades, filosofia e teologia e foi ordenado sacerdote. Nos seus primeiros anos de sacerdote encontrou-se com o Padre José Leclerc, famoso conselheiro do Cardeal Richelieu, que tinha projetado grande plano de evangelização.
Agatângelo foi escolhido como candidato para a Missão da Síria. Chegou a Aleppo em 1629. Ali encontrou muçulmanos, grego-ortodoxos, armênios e, em número muito reduzido, alguns católicos. Com obras de beneficência, encontros familiares e catequese elementar, conseguiu bom resultado no seu apostolado, combatido, bem depressa, pela inveja. Passou depois para a missão do Cairo, na qualidade de Superior. Aqui trabalhou com muita alegria para a união dos Coptas com a Igreja Católica. Destinado pela Providência a abrir o campo missionário a outros, a 27 de setembro, a Sagrada Congregação confiou-lhe a responsabilidade do grupo missionário destinado à Etiópia, composto por mais três sacerdotes capuchinhos: Beato Cassiano de Nantes, Bento e Agatângelo Noury de Vendôme.
Os quatros missionários dividiram-se em dois grupos. Agatângelo e Cassiano, quando chegaram à fronteira da Etiópia, foram descobertos e encarcerados em Deboroa, com o pretexto de serem espiões e opositores do imperador e do bispo Abissino Malaro. No processo, dominado pelo sectarismo religioso e pela perfídia do pseudônimo Pedro Leão, inimigo declarado de Agatângelo, os dois missionários foram condenados à morte. Os dois humildes filhos de São Francisco não perderam a calma. Mostraram os documentos do Patriarca Copta de Alexandria. Poucos dias depois, foram levados para Gondar, de mãos algemadas com cadeias e amarrados à cauda de um cavalo.
Em Gondar, foi dura e penosa a sua prisão. Abuna Macário, fingindo-se amigo do beato Agatângelo e o luterano, Pedro Leão, que se fizera hipocritamente monge Copta, forçaram, com acusações e calúnias junto da corte imperial, a morte dos pobres e doentes missionários. Levados à presença do imperador, foram examinados na sua fé. O beato Agatângelo respondeu: “Estou pronto a morrer pela fé e nunca a renegarei”. Em 7 de agosto de 1638, em Gondar, exposto ao escárnio da multidão, foi suspenso em cordas e apedrejado barbaramente pelo furor da multidão. Tinha 40 anos de idade. Foi beatificado a 1º de janeiro de 1905 pelo Papa Pio X.

Beato Cassiano (1607-1638)
Cassiano Lopez Neto nasceu em Nantes, aos 15 de janeiro de 1607, no seio de família portuguesa. Tinha feitio dócil, inclinado às práticas de devoção e fervor religioso admirável. Aos 17 anos foi recebido na Ordem dos Capuchinhos da Província de Paris. Fez a profissão religiosa em 1624. Concluiu os estudos teológicos em Rennes onde foi ordenado sacerdote. Aqui passou os primeiros anos do seu sacerdócio, socorrendo as pessoas atingidas pela peste que devastou a França em 1631.
Pediu para ser enviado para as Missões. Os Superiores destinaram-no à Missão da Etiópia. No Cairo, encontrou-se com o beato Agatângelo e com ele partilhou preocupações e sofrimentos apostólicos. Dotado de temperamento franco, aberto, muito sensível aos sofrimentos dos outros, entregou-se ao apostolado, cultivando sobretudo especial devoção a Nossa Senhora,a quem rezava todos os dias o Rosário com o ofício divino. Desde o seu encontro com o beato Agatângelo até à sua heróica morte, os dois capuchinhos trabalharam juntos no Cairo, durante três anos, cuidando, especialmente, da conversão dos Coptas.
Estenderam a sua atividade até aos longínquos mosteiros de Santo Antão Abade e de A. Macário, no Nitra. Na Etiópia, a Igreja Católica tinha conseguido extraordinário desenvolvimento que culminou na conversão do próprio imperador através dos missionários jesuítas. A fé de Roma expandiu-se também sob o governo de Seitan Sagad I. Conseguiram grandes conversões que foram quase destruídas por Atiè Fassil, cuja palavra de ordem era: “Antes súbditos de Meca dos muçulmanos do que da Roma dos católicos”.
Os dois missionários decidiram, por isso, levar a sua ajuda a tantos irmãos na fé, perseguidos por aquele ímpio imperador. Obtiveram documentos do Patriarca Copta de Alexandria e, a 23 de dezembro de 1637, partiram para a Etiópia. A viagem durou três meses. Chegados às fronteiras da Etiópia foram postos na prisão pelo Governador de Deboroa. No processo, os dois missionários católicos foram condenados à morte como violadores das ordens do imperador, que proibia os católicos de entrarem na Etiópia. Beato Cassiano sofreu o martírio, como o Beato Agatângelo, em 7 de agosto de 1638, aos 31 anos de idade. No dia 1º de janeiro de 1905 foi beatificado pelo Papa Pio X.

Oração:
Senhor, Pai Santo, que destes aos mártires Agatângelo e Cassiano a graça de combater o bom combate até dar a vida pela fé, concedei que a sua intercessão nos ajude a suportar todas as adversidades e a caminhar decididamente para vós, que sois a fonte da verdadeira vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Ver também: São Caetano de Thiene

Fontes:
http://www.procasp.org.br/textos.php?id_texto=523
http://www.levangileauquotidien.org/zoom_img.php?frame=40577&language=IT&img=&sz=full