quinta-feira, 19 de agosto de 2010

São Sidônio Apolinário, Bispo (por volta de 423 d.C. - 480 d.C.), 21 de Agosto

Caio Sólio Apolinário Sidônio (em latim Gaius Sollius Sidonius Apollinaris; Lugdunum [atual Lyon], c. 430 - Clermont-Ferrand c. 486), poeta, alto funcionário do Império Romano, bispo e santo da Igreja Católica, foi "o autor individual sobrevivente mais importante da Gália do quinto século"[1]. A amplitude de seus conhecimentos o tornaram centro da vida pública de sua época.

Era de descendência nobre, com pai e avô cristãos e prefeitos do pretório da Gália. Casou-se por volta de 452 com Papianilla, filha de Avito, que era então cônsul e depois foi proclamado imperador romano do Ocidente em 455, que ergueu no Fórum de Trajano uma estátua de seu genro e deu-lhe o título de conde.
Em 457, caiu nas mãos de Majoriano, que havia privado Avito do império e tomado a cidade de Lyon. A reputação de seu conhecimento levou Majoriano a tratá-lo com imenso respeito. Em troca, Apolinário compôs um panegírico em sua honra (que ele havia feito previamente para Avito). Em 467, o imperador Antêmio o recompesou pelo panegírico que ele havia escrito em sua honra elevando-o ao posto de prefeito urbano de Roma, e em seguida à dignidade de patrício e senador.
Em 472, mais por suas habilidades políticas que teológicas, ele foi escolhido para suceder Epárquio no bispado de Arverni (Clermont-Ferrand). A maior parte dos ocupantes desse posto (inclusive ele) foram feitos santos da Igreja Católica Romana, inclusive seu recente predecessor, São Namácio (bispo 446-462), que iniciou as fundações de uma catedral adequada. Sidônio Apolinário não era um homem religioso; sua eleição foi provavelmente devido mais aos seus contatos influentes, e aos seus incansáveis esforços na preservação de seu pedaço da Gália para o Império Romano. Sua festa litúrgica é 21 de agosto.

 

Referências

1.  Goldberg, Eric J.. The Fall of the Roman Empire Revisited: Sidonius Apollinaris and His Crisis of Identity' (em inglês). Página visitada em 15/3/2008.

 

Bibliografia

·   Cooperatorum Veritatis Societas. Documenta Catholica Omnia. – Sidonius Apollinaris Episcopus (em latim). Página visitada em 15/3/2008.
·   Pearse, Roger (transcrição). Early Church Fathers - Additional Texts (em inglês). Página visitada em 15/3/2008.
·   Pearse, Roger (transcrição). Sidonius Apollinaris Letters (em inglês). Página visitada em 15/3/2008.
·   Van Waarden, Joop. Apollinaris Sidonius (em inglês). Página visitada em 15/3/2008.


Ver também: São Pio X, Papa
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/08/sao-pio-x-papa-21-de-agosto.html

Fontes:

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Samuel, Juiz e Profeta de Israel (1070 a.C. - 950 a.C.), 20 de Agosto

Samuel (em hebraico שְׁמוּאֵל) foi um líder importante na História de Israel. A sua história é contada na Bíblia, no chamado Livro de Samuel.
Filho de Elcana e Ana, ambos filhos da tribo de Efraim.
Teria sido o último dos juízes de Israel, e o primeiro dos profetas registrados na história do seu povo. Teria ungido os seus dois primeiros reis, Saul e Davi. Pode ter vivido por volta de 1095 a.C..

História bíblica
Samuel foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas. Homem de profunda piedade e discernimento espiritual dedicava-se totalmente à realização dos propósitos de Deus para o bem de Israel. Embora não descendesse da linha genealógica de Arão, sucedeu a Eli no cargo sacerdotal. Ao que parece, foi o primeiro a estabelecer uma instituição para o preparo dos jovens que desejavam abraçar a vocação profética. Viu-se na contingência de guiar a Israel em algumas das mais profundas crises de sua história; no desempenho de suas funções quase alcança a estatura de Moisés. Deus nunca pretendeu que Israel tivesse outro rei além dEle. Mas o povo começou a olhar para outros povos e a desejarem um rei. Podemos afirmar que a vida do povo de Deus pode ser resultado de sua vontade diretiva ou permissiva, isso vai depender da escolha; ele foi comissionado para ungir a Saul, o primeiro rei, e a Davi, o maior dos reis de Israel.
Samuel significa literalmente:"Seu nome é Deus", ou, "Nome de Deus". Seu significado contextual significa: "Pedido de Deus" ou "do Senhor o pedi".

 

Judaísmo

Exceto pela tradição judaica e pela Bíblia, não há muitas fontes disponíveis sobre a sua existência. Portanto, é a partir dos livros que levam seu nome que se conhece sobre sua vida e sua importância na história de Israel.

 

A promessa de Ana

A história bíblica refere que Ana, mãe de Samuel, sofria de esterilidade, o que lhe era motivo de grande humilhação, já que Penina, a outra esposa de seu marido Elcana, tinha filhos.
Certa vez durante os dias do sacrifício anual ao Senhor, Ana, humilhada por Penina sua rival, se pôs a orar com grandes dores no templo. Sentindo-se amargurada, Ana orou com lágrimas e fez um voto com Deus, prometendo que seu filho seria um Nazireu e serviria no templo. Sua oração foi tão íntima e cheia de fé que Ana não dizia palavra alguma comunicando-se com Deus apenas com as intenções de seu coração. Porém, os seus lábios mexiam-se ao ponto do levita Eli a repreender achando que ela estivesse embriagada.
Ana, ao ser advertida pelo sacerdote defende-se dizendo que não havia provado vinho ou qualquer bebida forte, mas que estava derramando seu coração ao Senhor por estar muito aflita. O sacerdote se compadece dela e lhe abençoa dizendo: "Vai em paz; e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste."
Então, conforme o pedido de Ana, Deus lhe deu Samuel como filho, para que ela não fosse mais humilhada, e ela cumpriu a promessa em consagrá-lo desde criança ao sacerdócio. O que se observa na historia de Ana, que é muito admirável,é seu sofrimento e grande humilhação, que passara por ser esteril" o Senhor lhe tinha cerrado a madre". Porém vemos no decorrer do livro de I Samuel 1, 10:"Ela ora e chora" fazendo um voto de que dando-lhe Deus um filho ela o entregaria nas suas mão, com essa atitude Ana demostra sua fé no Altíssimo e sua total dependência de Deus.Quando nós buscamos de todo coração, Deus responde, e segundo a própria biblia ana conheceu a seu marido e Deus Se lembrou dela e ela teve um filho e o consagrou a a ele.


Entregue ao templo

Samuel, ainda jovem, foi entregue ao sacerdócio, "ministrava perante o Senhor" (I Samuel 2:18) Existe alguma ambigüidade nas opiniões no que diz respeito ao tipo de trabalho que Samuel efetuava no Templo. Existe quem defenda que este foi entregue ao templo com voto de Nazireu.

 

Nomeado profeta

Samuel era conhecido como correto, ao contrário do que se dizia dos filhos de Eli, que cometiam sacrilégios, e haviam sido amaldiçoados.
O relato conta de uma profecia de um profeta desconhecido, dizendo a Eli que Deus já havia escolhido um novo sacerdote para tomar seu lugar (que seria, portanto, Samuel).
Ainda na juventude, Samuel começou a manifestar dons proféticos, sonhando com palavras e visões divinas. Sua primeira profecia constava da confirmação de que Eli e seus filhos seriam retirados do sacerdócio.

 

A morte de Eli

Os filisteus invadiram e venceram Israel, e capturaram a Arca da Aliança. No processo, os filhos de Eli Hofni e Finéias morreram, e fazendo ele menção da arca de Deus, caiu da cadeira onde estava sentado, quebrando seu pescoço e assim morrendo, cumprindo a profecia de Samuel, confirmando-o como portador da palavra divina.
Samuel reaparece apenas 20 anos depois, quando a Arca já havia sido devolvida e encontrava-se em Quireate-Jearim, como uma figura de primeira importância junto ao povo. Sua orientação teria causado a vitória de Israel sobre os filisteus. Samuel aparece realizando sacrifícios, e diz-se que "julgava a Israel" (I Samuel 7:15), dando a entender que se tratava de um juiz. I Samuel 8:1 também diz que Samuel fez de seus filhos, Joel e Abias, Juízes de Israel também, embora não seguissem os passos de seu pai.
A orientação de Samuel parece ter tido grande importância para os israelitas, que o viam tanto como sacerdote e profeta, como juiz e administrador. Em sua velhice, representantes do povo vieram lhe pedir que escolhesse um rei para governar Israel, visto que seus filhos não estavam qualificados para seguir como juízes. Samuel teria consultado a Deus antes de confirmar a demanda, alertando os israelitas quanto aos direitos de um rei sobre seus súditos e suas terras.
Pouco tempo depois, o jovem Saul, da Tribo de Benjamim, veio ao encontro de Samuel. Um dia antes, Deus revelara ao velho profeta que Saul seria ungido rei. No dia seguinte, Samuel assim o fez, e o orientou para que visse sinais e os seguisse, e Saul os seguiu. Samuel convocou representantes de todo Israel a Mispa e declarou publicamente o jovem benjamita como rei.
Velho e cansado, e com um rei para liderar os israelitas, Samuel se retirou de suas funções. Porém, quando Saul tentou realizar um sacrifício por conta própria, Samuel o repreendeu, e predisse sua queda. Antes da consumação desta profecia, Samuel ainda o orientou a atacar os amalequitas, provavelmente um povo nômade da Península Arábica.
Enquanto Saul começava a enfrentar derrotas em batalha e problemas pessoais, Samuel profetizou a vida de Jessé e seus filhos, e que um deles seria ungido rei de Israel. Samuel ungiu o mais novo, Davi, e o colocou em contato com Saul (Davi repreendi com autoridade de Deus o espírito mau da parte de Deus que atormentava Saul tocando sua harpa). Este deve ter sido um dos últimos atos de Samuel, que morreu antes que Davi fosse confirmado rei.


Discussões

A ausência de fontes confiáveis extra-bíblicas sobre a vida ou os atos de Samuel suscita discussões[quem?] sobre sua própria existência real. A história de Samuel liga o final do período dos Juízes (quando líderes tribais lideravam isoladamente parte das tribos de Israel contra inimigos específicos, e não havia uma união em torno de um rei) e o início do período monárquico. Estilisticamente, o próprio Samuel é o elo entre os juízes e os reis, sendo o último juiz que ungira o primeiro rei, justificando, norteando, e dando sentido a autoridade real sobre Israel.
O primeiro livro de Samuel parece ter sido escrito no início do período monárquico (durante o reinado de Davi ou Salomão, pois quando Israel vence os filisteus, diz-se que "os filisteus foram abatidos e nunca mais vieram aos termos de Israel" (I Samuel 7:13), embora mais tarde, quando Judá e Israel (ou Samaria) tornaram-se reinos independentes, os filisteus voltaram a atacar com sucesso. Portanto, no momento em que o livro foi escrito, Samuel era uma personalidade ainda recente de sua história - um personagem fictício de tamanha importância localizado em um tempo recente teria tirado toda a credibilidade do relato frente ao povo, o que seria indesejável pois são os atos de Samuel que fundamentalizam a existência da própria autoridade real. Esta é a principal evidência de que este personagem tenha realmente existido.
A Samuel se atribui a autoria dos dois livros que levam seu nome, embora o profeta venha a falecer antes do final do primeiro volume.


Ver também

Árvore genealógica baseada em I Samuel:

                                                               Efraim
                                                                         
                                                                Zufe   
                                                                       
                                                                Toú    
                                                                       
                                                                Eliú    
                                                                       
                                                                Jeroão       
                                                                                 
                  Penina                                   Elcana                     Ana

     Filho1       ...          Filho2                                 Samuel                              
                                                                                                                       

Ver também: São Bernardo de Claraval

Fontes:
http://www.ortodoxia-brasil.blogspot.com/2008/09/santo-profeta-samuel-c-1010-jc-20-ago02.html

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Santo Ezequiel Moreno, Bispo (+1906), 19 de Agosto

Seus 15 anos como missionário nas Filipinas foram impregnados com um halo de santidade pela sua piedade, seu zelo apostólico e a caridade com os doentes. A Espanha e a Colômbia também usufruíram de sua dedicação e competência.

Ezequiel Moreno y Días nasceu em Alfaro, na província de La Rioja, Espanha, no dia 9 de abril de 1848. Terceiro filho de um casal pobre de bens materiais mas rico em virtudes, ele recebeu uma profunda educação cristã.
Seu pai, Félix, alfaiate de profissão, e sua mãe, Josefa Días, eram ambos modelos de honradez e piedade e educaram os cinco filhos na Igreja.
Ezequiel sentiu desde criança o chamado de Deus à vida religiosa e missionária. Conhecedor da responsabilidade missionária dos agostininaos recoletos nas Ilhas Filipinas, ele queria ser missionário nestas ilhas distantes.
Aos dezessete anos, no dia 22 de setembro de 1865, emitiu a profissão religiosa na Ordem dos Agostininanos Recoletos. Ele tomou o nome de Frei Ezequiel de Nossa Senhora do Rosário, nome com o qual gostava de ser chamado. Ele fez sua profissão religiosa aos pés de Nossa Senhora do Caminho, a qual amava com singular ternura.
No dia 4 de outubro de 1869 embarcava rumo à terra de seus sonhos – as Ilhas Filipinas –, junto com outros 17 religiosos. Eles chegaram em Manila -capital das Filipinas- no dia 10 de fevereiro de 1870. Frei Ezequiel Moreno foi ordenado sacerdote em Manila em 3 de junho de 1871. Ele foi destinado à ilha de Mindoro para iniciar suas atividades missionárias junto com frei Eustáquio, seu irmão -biológico- mais velho.
A integridade da sua conduta, seu amor aos doentes e suas insaciáveis ânsias missionárias ganharam a estima dos superiores que logo lhe confiaram o delicado cargo de missionário e capelão na ilha de Palawan. Ali colocou todo o seu zelo apostólico. Sua intensa atividade e a malária acabaram com sua saúde e após nove meses se viu obrigado a retornar a Manila. Porém, não ficou parado: exerceu vários cargos e assumiu várias responsabilidades, entre elas: pároco – em mais de uma comunidade –, pregador e administrador.
Os primeiros 15 anos sacerdotais, cheios de ardente zelo apostólico, transcorreram nas Filipinas. Em 1885 ele foi nomeado superior do convento de Monteagudo (Espanha), na época a comunidade onde se formavam as consciências dos futuros missionários. Ninguém melhor que ele, missionário experimentado com auréola de santo, pôde suscitar no coração dos jovens o espírito apostólico.
A fama de santidade que havia adquirido nas Filipinas só cresceram durante os três anos do seu priorado no convento de Monteagudo. A Providência lhe preparou uma excelente oportunidade para aumentar o seu zelo apostólico em outras terras distantes.
Ezequiel Moreno se oferece como voluntário quando os irmãos agostinianos da Colômbia pedem ajuda à Espanha. Ele foi nomeado superior de uma expedição que contou com sete missionários.
O primeiro objetivo era restabelecer a observância religiosa nas comunidades. Frei Ezequiel Moreno sabia que somente bons religiosos poderiam ser autênticos apóstolos e missionários. O restabelecimento da vida religiosa contou com o reativamento das missões nas planícies de Casanare, lugar onde os agostinianos recoletos da Colômbia tinham exercitado antigamente o seu apostolado.
Ele mesmo vai como pioneiro e recorreu no dorso de mula os povoados espalhados pela imensa região de missões. Seu testemunho estimulou o ânimo dos religiosos.
Em 1893 ele foi nomeado Bispo titular e vigário apostólico de Casanare. Sua ordenação episcopal aconteceu no dia primeiro de maio de 1894. Sua intenção era passar ali os restos de seus dias, no meio de privações e sofrimentos junto ao povo que tanto amava. Porém, Deus tinha outros planos para ele.
Em 1895 ele foi nomeado Bispo de Pasto. Sua nova missão lhe mostrou situações mais dolorosas: humilhações, menosprezo, calúnias e perseguições. No entanto, sua vida interior, sempre dirigida para Deus e seu amor à contemplação suscitaram em torno dele um grupo de almas seletas as quais, com sabedoria iluminada, dirigiu nos caminhos da santidade.
Amigo da verdade e dos homens até ao ponto de expor repetidas vezes sua vida, foi o alvo preferido dos insultos e perseguições de quantos queriam ferir a Igreja.
Ele uniu uma caridade sempre disponível à uma grande fortaleza de ânimo, mormente quando se tratava dos interesses de Cristo e da Igreja.
De 1888 até pouco antes de sua morte, dedicou sua multiforme atividade à Colômbia. Restaurou a Província da Candelária, deu início a uma nova fase missionária, foi o primeiro Vigário Apostólico de Casanare e desde 1896, Bispo de Pasto.
Em 1905 manifestou-se no seu corpo uma grave enfermidade: câncer no nariz. Os médicos recomendaram viajar para a Europa em busca de tratamento adequado, o que ele fez somente com insistentes pedidos dos sacerdotes e religiosos. Chega à Espanha em 1906 e em fevereiro é operado num procedimento muito doloroso, em grande parte sem anestesia. Ele passou por uma segunda operação em março do mesmo ano, mas sem êxito algum.
Convencido de que havia chegado o seu fim, decide passar os últimos dias de sua vida em uma cela conventual em Monteagudo, junto à Nossa Senhora do Caminho, "sua mãe amadíssima" para render ali ao Senhor a homenagem de sua vida.
Ezequiel Moreno morreu no convento de Monteagudo (Navarra, Espanha), onde professara e onde fora prior, a 19 de agosto de 1906.
Foi sepultado na igreja de Nossa Senhora do Caminho do convento de Monteagudo. Seus restos repousam hoje em uma capela, construída recentemente dentro do recinto da mesma igreja. Foi beatificado pelo papa Paulo VI no dia 1º de novembro de 1975 e canonizado por João Paulo II no dia 11 de outubro de 1992, em Santo Domingo, República Dominicana, no V Centenário da Evangelização da América, durante a IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Celam).
Santo Ezequiel Moreno é denominado o Santo da Nova Evangelização e são atribuídas à sua intercessão muitas curas, especialmente de câncer.

Ver também: São João Eudes

Fontes:
http://www.santarita-oar.org.br/base.php?page=post_033_moreno
http://www.daconsolacao.org.br/consola/subsidios/galeria/santos/santoral-03-ago.htm

Beato Manes de Guzmão, Presbítero (+1234), 18 de Agosto

Nasceu em Caleruega, por volta do ano de 1170. Era irmão de São Domingos de Gusmão. Conta-se que Manes pôde entrar num mosteiro cisterciense na comarca de Caleruega e que esteve presente na dispersão dos frades dominicanos em 15 de agosto de 1217.
Foi enviado a Paris juntamente com outros frades espanhóis e ali ajudou na fundação do convento de São Tiago. Viajou para a Espanha para consolidar e assegurar as novas casas, segundo decisão de Domingos que as havia construído com Frei Miguel de Fabra.
Desde 1219, seu irmão Domingos de Gusmão lhe havia pedido que cuidasse das monjas do convento de Madrid. Após a canonização de seu irmão, em 3 de julho de 1234 Manes dirigiu-se a Caleruega para propor a construção de uma igreja no lugar do nascimento do santo, lugar que mais tarde se tornaria um mosteiro de monjas contemplativas. Manes morreu no mosteiro de São Pedro de Gumiel de Izán e ali foi enterrado.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: Santo Alberto Cruchaga e Santa Helena

Fonte:
http://www.dominicos.org/grandes-figuras/santos/beato-manes-de-guzman

São Jacinto, Presbítero, Apóstolo da Polônia (+1257), 17 de Agosto

São Jacinto nasceu em 1183 na Polônia, entre as cidades de Breslau e Cracóvia (antiga Kramien). Seu nome de batismo é Jacko, que quer dizer João. Alguns biógrafos dizem que pertencia a piedosa família Odrovaz, da pequena nobreza local.
Por volta do ano de 1218, ingressou na Ordem Dominicana em Roma, retornando à sua terra logo em seguida. Na Polônia fundou diversos conventos como os de Breslau, Sandomir e Dantzig, tendo criado no ano de 1228 a Província Dominicana Polaca, cuja influência dominicana alcançou a Rússia, os Balcãs, a Prússia e a Lituânia. Percorreu aproximadamente quatro mil léguas anunciando o Evangelho.

História
Desde novo descobriu a sua vocação religiosa. Antes de ingressar na Ordem dos Pregadores, ele era canônico na sua cidade natal.
Em Roma que conheceu Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores. Pediu seu ingresso e foi aceito na nova congregação. Depois de um breve noviciado concluído em Bolonha, em 1221, ele vestiu o hábito dominicano e tomou o nome de frei Jacinto. Na ocasião foi o próprio São Domingos que o enviou de volta à sua pátria com um companheiro, frei Henrique da Morávia.

Assim iniciou sua missão de grande pregador. O trabalho que ele teria de desenvolver na Polônia, fora claramente fixado pelo fundador. Jacinto fundou em Cracóvia um mosteiro da Ordem de São Domingos. Depois de pregar por toda esta diocese, mandou alguns dominicanos missionários para a Prússia, Suécia e Dinamarca, pois estes países pagãos careciam de evangelização. Em 1228, após participar no Capítulo Geral da Ordem, em Paris, instalou-se na cidade de Kiev, na atual Ucrânia, onde continuou a sua ação missionária.
Jacinto foi um incansável pregador da Palavra de Cristo e um dos mais pródigos colaboradores do estabelecimento da nova Ordem, naquelas regiões tão distantes de Roma. Foram quarenta anos de intensa vida missionária. No ano dia 15 de agosto 1257, ele morreu aos setenta e dois anos, no mosteiro de Cravóvia, consumido pelas fadigas. Considerado pelos biógrafos, uma das glórias da Ordem Dominicana. Foi canonizado em 1524 pelo Papa Clemente VII.
A festa de São Jacinto, o "Apóstolo da Polônia" era tradicionalmente celebrada no dia 16 de agosto, um dia após da sua morte, em razão da veneração da Assunção de Maria, foi transferida para o dia 17 de agosto.

Ver também: Santa Beatriz da Silva

Fontes:

domingo, 15 de agosto de 2010

Santo Estevão, Rei da Hungria (+1038), 16 de Agosto

Santo Estevão, rei da Hungria, é indubitavelmente quem deu ao povo nômade dos magyares,  procedente da Ásia e que no final do Século IX se  haviam assentado ao longo do Danúbio, a estabilidade política definitiva, sobretudo,  no catolicismo.  Povo guerreiro e feroz, foi durante algum tempo o terror dos vizinhos territórios cristãos;  porém, convertido ao cristianismo, foi posteriormente o mais decidido campeão na fé.  Geza, o terceiro de seus duques depois de seu estabelecimento no centro da Europa, compreendeu a necessidade de orientar seu povo ao cristianismo, que professavam os povos circunvizinhos e, sob o influxo de São Alberto de Praga, recebeu o batismo.  Seu exemplo foi seguido por um bom número da nobreza;  porém,evidentemente se tratava, em sua maioria, de conversões nominais.  
O que deu o passo definitivo e  logrou enraizar definitivamente o cristianismo no povo magyar foi o filho de Geza, chamado Vaik, batizado juntamente com seu pai quando só contava dez anos, e que recebeu o nome de Estevão. No ano de 995, aos vinte anos de idade, recebeu por esposa Gisela, irmã do santo imperador Henrique II, e pouco depois sucedeu a seu pai no governo de seu povo.  
Em momento tão decisivo, certamente experimentou os atrativos de uma vida de liberdade e  independência de todo jugo religioso,  conforme os antecedentes de seu povo nômade e guerreiro;   porém, preparado já pelo batismo e  pela primeira educação recebida de seu pai e  atraído depois pelo afeto e pelas razões de sua esposa cristã, Gisela, decidiu-se pelo cristianismo e se propôs desde o início fazer de seu povo um povo profundamente cristão. Nos primeiros anos de seu governo deu as mais claras provas de seu espírito guerreiro e do indomável valor de seu braço, pois em uma série de guerras com rivais de sua própria tribo e  com alguns povos vizinhos, assegurou definitivamente sua posição e  sua independência. Isto foi de extraordinária importância em  todos os passos que foi dando sucessivamente,  assegurando-lhe o prestígio militar que necessitava, cortando pela raiz todo princípio de rebelião contra a evidente superioridade que todos lhe reconheceram.  
Uma vez assegurada sua posição,  dedicou-se plenamente à consolidação do cristianismo em seus territórios, para o qual lhe serviu de  instrumento o monge Ascherik ou Astrik.  Nomeado primeiro arcebispo dos magyares com o nome de Anastácio, Astrick se dirigiu a Roma, com a dupla comissão de Santo Estevão, de obter do Papa São Silvestre II (999-1003), antes de tudo, a  organização de uma hierarquia completa na Hungria e, em segundo lugar, a concessão do título de rei para Estevão,  segundo lhe instava a nobreza e a parte mais saudável de seu povo. 
O Papa São Silvestre II viu claramente a importância de ambas comissões, destinadas à consolidação definitiva do cristianismo em um grande povo e, assim, com entendimentos com o  jovem imperador Oton III, que se encontrava então em Roma,  redigiu uma bula, na qual aprovava os bispos propostos por Estevão e  lhe concedia com toda solenidade o título de rei,  enviando para ele uma coroa real juntamente com sua bênção apostólica.  Santo Estevão saiu ao encontro do embaixador de Roma, escutou de pé e  com grande respeito a  leitura da bula pontifícia, e  no Natal do ano 1000 foi solenemente coroado rei.  
Desde este momento se pode dizer que o novo rei Santo Estevão da Hungria entregou-se totalmente à rude tarefa de converter o povo dos magyares em um dos povos mais profundamente cristãos da  Europa medieval.  Antes de tudo, era necessário instruir convenientemente a  maior parte de seus súditos, que não conheciam o Evangelho e que, pelo contrário, estavam imbuídos nas práticas pagãs.  Para este trabalho de  evangelização de seu povo, Estevão pediu ajuda aos monges cluniacenses, então em grande fervor e  apogeu, e,  efetivamente, seu célebre abade Santo Odilon, que lhe concedeu grande quantidade de missionários.  
Por outro lado, organizou o rei uma série de novas dioceses. Seu primeiro plano foi estabelecer os doze projetos,  porém,  logo viu que devia proceder gradualmente, à medida que o clero ia capacitando-se para isso e  as circunstâncias o permitiam. A primeira foi a de Vesprem. Não muito depois da Esztergom, que foi constituída  em sede primada, e assim foram seguindo outras.  Paralelamente, Santo Estevão foi o grande construtor de igrejas. Assim,  construiu a catedral metropolitana de Esztergom, outra em honra à Santíssima Virgem em Szekesfehervar, onde posteriormente eram coroados e enterrados os reis da Hungria. Santo Estevão estabeleceu neste lugar sua residência, pelo qual foi denominado Alba Regalis.
Desta forma continuou avançando rapidamente a cristianização da Hungria, que constitui a grande obra de Santo Estevão. Os principais instrumentos foram os monges de São Bento. Estevão completou a construção do grande mosteiro de São Martinho, começado por seu pai. Este mosteiro, existente todavia em nossos dias, conhecido com os nomes de Martinsberg ou Pannonhalma, foi sempre o centro da Congregação beneditina na Hungria. 
Em seu empenho, de cristianizar seu reino, protegeu a vida de piedade do povo em todas suas manifestações. Por isto, além de construir igrejas e mosteiros, organizou santuários dedicados à Santíssima Virgem, cuja devoção favoreceu e fomentou, ajudou e protegeu as peregrinações a Jerusalém e a Roma e, em geral,  tudo o que significava fervor e vida cristã.  Ao contrário, perseguiu e procurou abolir, às vezes com excessivo rigor  os costumes bárbaros ou supersticiosos do povo: reprimiu com severos castigos a blasfêmia, o adultério, o assassinato e  outros crimes ou pecados públicos. Enquanto por um lado se mostrava humilde, simples e acessível aos pobres e necessitados, era intransigente com os degenerados  e rebeldes para com a religião. 
Uma de suas ocupações favoritas era distribuir esmolas aos pobres, com os que se mostrava indulgente e paternal.  Refere-se que, em certa ocasião, um grupo de mendigos caiu sobre ele, o maltrataram e roubaram o dinheiro que tinha destinado para os demais. O rei tomou com mansidão e  bom humor este atropelo,  porém,  os nobres trataram de impedir que se expusesse de novo sua pessoa a  outro ato semelhante. Sem embargo, a despeito de todos, ele renovou sua promessa de não negar nunca esmola a quem se lhe pedisse. Precisamente, este insigne exemplo de virtude, era o que mais influxo exercia sobre todos os que entravam em contato com ele. 
Sobre esta base da mais profunda religiosidade, Santo Estevão deu uma nova legislação e organizou definitivamente ao seu povo. Com o objeto de obter a mais perfeita unidade, aboliu as  divisões de tribos e  dividiu o reino em trinta e nove condados, correspondentes às divisões eclesiásticas.  Além disso, introduzindo com algumas limitações o sistema feudal, uniu fortemente a sua causa à nobreza.  Por isto, Santo Estevão deve ser considerado como o fundador da verdadeira unidade da Hungria.  
Certamente teve opositores e descontentes dentro e fora de seu território.  Por isso, ainda que tão decidido amigo da paz, teve que fechar mão de seus extraordinários dotes de guerreiro para manter a unidade e defender seus direitos. Assim, venceu a Gyula de Transilvânia, e quando em 1030 o imperador Conrado II da Alemanha invadiu a Hungria, Santo Estevão ordenou penitências e orações em todo o reino e com tanto valor se opôs com seu exército às forças invasoras, que Conrado II teve que abandonar todo o território com incalculáveis perdas.  Por outro lado, teve que manter seus direitos frente à Polônia, ajudou nos Balcanes aos bizantinos e  realizou constantemente uma política de defesa dos interesses de seu território.
Os últimos anos de sua vida foram perturbados por infelicidades domésticas e  dificuldades internas. Seu filho e sucessor, Santo Emerico, a quem Estevão tratava já de  entregar parte do governo, morreu inesperadamente em  1031.  As crônicas referem que,  ao ter notícia desta tragédia, o santo rei exclamou: "Deus o amava muito, e por isto o levou consigo", porém, de fato, caiu em grande desalento.  Mas as conseqüências desta tragédia foram sumamente lamentáveis. Os últimos anos de vida de Santo Estevão foram uma verdadeira teia de intrigas com relação à sucessão, que foram constantemente crescendo à medida que piorava a saúde de Estevão. 
Entre os quatro pretendentes que se apresentaram o que mais distúrbios ocasionou foi o filho de Gisela, irmã do rei, mulher ambiciosa e cruel, que vivia na corte húngara e se propôs a todo custo apoderar-se do trono da Hungria. As constantes tristezas que todas estas coisas ocasionavam ao santo rei foram minando sua saúde, até que,  no ano de 1038, na festa da Assunção, entregou sua alma a Deus. foi enterrado em Szekesfehervar, ao lado de seu filho Emerico, enquanto sua esposa, Gisela,  se retirava para o convento das beneditinas de Passau.
Rapidamente Estevão foi objeto da mais entusiasta veneração, pois o povo cristão mantinha a mais viva recordação de suas extraordinárias qualidades como guerreiro, como governante, como pai de seus súditos e  como rei ideal cristão, mas, sobretudo, estimava e  louvava sua extraordinária piedade e espírito religioso, sua submissão à hierarquia e, particularmente ao Romano Pontífice, a quem se declarava devedor da coroa e de quem se declarou súdito feudal, e  seu entranhável amor aos pobres.  Já no ano 1083, suas relíquias, juntamente com as de seu filho Emerico, foram postas à veneração pública durante o governo de São Gregório VII, o qual equivalia à canonização dos nossos tempos. Rapidamente Santo Estevão se  fez popular em toda a  Europa cristã. Na Alemanha mantiveram-se verdadeiras correntes de devoção até às peregrinações húngaras, que ao longo da Idade Média acorriam grandes massas à Colônia ou ao Aquisgrão. Em territórios sumamente distantes se encontram pegadas desta veneração crescente por Santo Estevão da Hungria. Assim, se encontrou na Bélgica,  na região de Namur, na Itália, em Montecassino e na própria Rússia. Este fenômeno se deve, indubitavelmente, à predileção que Santo Estevão mostrou sempre pelas peregrinações e o favor que sempre prestou aos peregrinos. Assim se explica quão salutar a Igreja lhe dedicar um ofício litúrgico na Hungria, que Inocêncio XI (1676-1689) estendeu à toda Igreja.  
É curioso o antigo costume de apresentar a Santo Estevão extremamente idoso, sendo assim que morreu contando somente uns sessenta e três anos e com um manto de coroação, na forma de casula, de que ele mesmo havia feito donativo à igreja de Alba Regalis (Szekesfehervar).
Tendo presente, por um lado, como favoreceu constantemente á obra dos beneditinos e, por outro, como seu espírito profundamente religioso, sua piedade eminentemente litúrgica, sua hospitalidade e amor aos pobres o assemelham tanto ao espírito de São Bento, observa-se que Santo Estevão da Hungria foi um rei beneditino e levou ao trono o espírito da regra beneditina. Mais ainda. De certa maneira,  se chegou a dizer, é mais beneditino que São Bento e seus filhos. Pois é conhecido que ele tinha o piedoso costume de entregar cada ano seu cargo na igreja de São Martinho. de fato, a regra de São Bento, não pede tanto de seus abades. 

Por Bernardirno Llorca, S.I. (Vide referência na base)

Ver também: São Roque

Fontes:
http://www.paginaoriente.com/santosdaigreja/ago/estevao1608.htm
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=55765&language=PT&img=&sz=full