terça-feira, 24 de agosto de 2010

Beata María Encarnación Rosal, Religiosa, Reformadora (1820-1886), 24 de Agosto

María Vicenta Rosal nasceu em Quetzaltenango, Guatemala em 26 de outubro de 1820, num lar cristão e cresceu num ambiente de profunda fé. Ao assumir sua vocação religiosa, adotou como nome religioso María Encarnación Rosal del Corazón de Jesús.

Vocação Religiosa

Aos 15 anos, ingressou na Ordem (ou Congregação) de Belém, na cidade da Guatemala, instituição que estava sob a jurisdição dos padres Betlemitas, fundados por Santo Hermano Pedro de Betancur. Em 16 de julho, recebeu o hábito das mãos do último padre Betlemita, Frei José de San Martín, e adotou o nome de María Encarnación del Sagrado Corazón. Insatisfeita com a vida na Congregação, passou para o convento das “Catalinas”, para logo retornar “à sua Belém”, onde é eleita Priora; tratou de reformá-lo, mas quando não conseguiu realizar essa reforma, decidiu fundar outro, onde seriam vividas as Constituições que ela havia redigido e que o Bispo local já havia aprovado. Conseguiu realizar seu intento em Quetzaltenango, su tierra natal.
Sua vida e obra eram dedicadas a conservar o carisma do fundador da Congregação Betlemita, Santo Hermano Pedro de Betancur. “À luz da encarnação, da Natividade e da morte do Redentor”, a Congregação vivia o espírito de reparação das Dores do Sagrado Coração de Jesus, dedicando o dia 25 de cada mês à adoração reparadora. A ânsia pela glória de Deus e salvação dos homens levava Madre Encarnación a “servir com solicitude ao irmão necessitado” e a “impulsionar a educação infantil e da juventude nos colégios, escolas e lares para meninas pobres”, bem como a “dedicar-se a outras obras de promoção e assistência social”.

Exílio

Em 1855, a reformadora da Ordem Bethlemita iniciou formalmente seu trabalho religioso pela comunidade, fundando em Quetzaltenango dois colégios, mas sua obra foi interrompida com o início da perseguição política imposta pelo governante Justo Rufino Barrios (1873-85), que expulsou do país várias ordens religiosas.
Com o objetivo de continuar seu trabalho evangelizador, a reformadora da Ordem Betlemita chegou à Costa Rica em 1877. Ali fundou o primeiro colégio para mulheres em Cartago, a 23 km desta capital, onde se encontra a Basílica da Rainha dos Anjos, Padroeira da Costa Rica.
Em 1886, Madre Encarnación fundou um orfanato-asilo em San José. Todavia, novamente precisou abandonar o país quando outro governo assumiu o poder, expulsando as ordens religiosas e impondo a educação laica. Madre Encarnación também fundou casas na Colômbia e no Equador, sofrendo o desterro que lhe impunham as autoridades Guatemaltecas.
Assim que precisou abandonar a Costa Rica, Madre Encarnación instalou-se na Colômbia. Fundou, na cidade de Pasto, outro lar para meninas pobres e desamparadas. A religiosa é considerada como uma das pioneiras da formação integral da mulher no continente latino-americano.

Morte

A incansável peregrina estabeleceu posteriormente a Ordem Betlemita no Ecuador, em Tulcán e Otavalo. Madre María Encarnación morreu em 24 de agosto de 1886 após cair do cavalo que a transportava de Tulcán até o Santuario de Las Lajas, em Otavalo. Seu corpo foi transladado à cidade de Pasto, onde se conserva incorrupto após 110 anos. Seu instituto trabalha atualmente em 13 países.
A causa de sua beatificação foi introduzida em 23 de abril de 1976. O Decreto de Aprovação do Milagre foi firmado em 17 de dezembro de 1996. Foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 4 de maio de 1997, no Vaticano.
Atualmente, a ordem Betlemita está presente na Itália, África, Índia, Espanha, Venezuela, Equador, Estados Unidos, Costa Rica, El Salvador, Nicarágua, Panamá e Guatemala. Sua Casa-Mãe situa-se em Bogotá, na Colômbia.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com


Fontes:

domingo, 22 de agosto de 2010

Beato Bernardo de Ofida Religioso (1604-1694), 23 de Agosto

O Beato Bernardo de Ofida nasceu aos 7 de novembro de 1604, em Ofida, nas Marcas de Ancona, na diocese de Áscoli (Itália), da humilde família dos Parani. Na infância dedicou-se a guardar rebanhos. Aos 22 anos foi recebido na Ordem dos Capuchinhos, no convento de Corinaldo, onde fez a profissão religiosa em 1627. Depois, no Convento, exerceu o ofício de enfermeiro, esmoleiro, cozinheiro, encarregado do quintal e porteiro, servindo seus irmãos.
Distinguiu-se sempre pela sua caridade alegre e generosa, que lhe permitiu transformar todo seu trabalho no mais eficaz dos apostolados. Aos 65 anos foi enviado para o convento de Ofida, onde prosseguiu seu trabalho de esmoleiro com muita alegria, vendo esse encargo como penitência e atividade apostólica muito proveitosa para as pessoas.
O bispo de Áscoli, tendo sabido que os superiores pensavam mudá-lo de convento, foi ter com eles pedindo que o deixassem ali, pois, com sua vida de irmão simples e com vida tão evangélica e franciscana, fazia mais do que muitos missionários. Frei Bernardo visitava os doentes para quem tinha sempre palavras de conforto. Quando dizia a algum doente que era preciso estar disposto a fazer a vontade do Senhor, era quase certa sua morte. Quando, pelo contrário, dizia que não tivesse receio porque a situação não tinha importância, era sinal de que o doente se curaria.
Tinha como modelo São Félix de Cantalício. O encargo de esmoleiro era o campo do seu apostolado. Partia, por longos caminhos, de povoação em povoação, com o alforje aos ombros, umas vezes coberto de pó e ensopado em suor debaixo do sol escaldante, outras vezes, coberto de neve com os pés intumescidos e a sangrar. Porém, sempre feliz e a prosseguir a sua missão, dócil na obediência, que considerava o único guia seguro na sua vida religiosa.
Um dia, quando esmolava, recebeu apenas um bocado de pão e um frasco de vinho. No convento, não havia mais nada. Aquilo, porém, foi o suficiente para toda a comunidade. Por vezes, quando recebia insultos em vez do pão e do vinho, continuava sereno e dizia a si mesmo: “Mantém-te alegre, frei Bernardo, porque o pão e as demais esmolas são para o convento e os insultos são para ti”.
Quando ouvia criticar qualquer pessoa, interrompia e dizia: “A verdadeira caridade compreende todas as faltas. Não julgueis e não sereis julgados”. À medida em que ia envelhecendo, redobrava suas orações e penitências. Quando tinha 84 anos, seus superiores, vendo que este irmão velhinho se ia extinguindo, dispensaram-no dos seus encargos. Era edificante vê-lo, então, prostrado diante de Jesus sacramentado em profunda adoração.
Aos 22 de Agosto de 1694 recebeu o sagrado Viático e a Unção dos enfermos. Depois, dirigindo-se ao seu guardião, disse-lhe: “Irmão guardião, dai-me vossa bênção e mandai-me partir para o Céu”. Respondeu-lhe o guardião: “Espera, frei Bernardo, quero que antes me abençoes e abençoes também os teus irmãos”. Em nome da obediência, nosso irmão levantou a mão, que apertava o crucifixo, e traçou sobre os presentes grande sinal da cruz. Antes de morrer, recomendou aos seus irmãos a observância fiel da Regra, o amor fraterno, a paz e a caridade para com os pobres. Após ter recebido a bênção e a obediência do seu guardião, expirou docemente. Tinha 90 anos. Foi beatificado por Pio VI a 25 de maio de 1795.

ORAÇÃO
Deus de infinita bondade, que resumistes todos os mandamentos da Lei no vosso amor e no amor ao próximo, fazei que, à imitação do Beato Bernardo de Ofida, consagremos a nossa vida ao serviço dos que mais sofrem e dos que mais precisam, para sermos contados entre os vossos eleitos. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Ver também: Santa Rosa de Lima

Fontes:
http://www.rivieraoggi.it/2009/08/22/77927/offida-in-festa-per-il-beato-bernardo/

sábado, 21 de agosto de 2010

São Filipe Benício, Sacerdote (+1285), 22 de Agosto

Filippo Benizi foi um religioso e sacerdote católico italiano da Ordem dos Servos de Maria italiano que nasceu em Firenze, em 15 de agosto de 1233, e morreu em Todi, na Perúgia, em 22 de agosto de 1285. É venerado como santo pela Igreja Católica.

 

Biografia

De uma nobre família florentina (isto é, originária de Florença, na Itália), era filho de Giácomo Benizi e de Albaverde Frescobaldi. Estudou filosofia e medicina nas Universidades de Paris e Pádova, onde foi laureado em 1253. Em 1254, entrou como irmão leigo na Ordem dos Servos de Maria do Convento de Monte Senário e fez seus votos. Foi ordenado presbítero em Siena no ano de 1258, assumindo diversas responsabilidades na Ordem a na direção do convento. Em 5 de junho de 1267 foi eleito Prior Geral da Ordem dos Servitas, cujo estatuto reformou, transformando-a em ordem mendicante. Colaborou com Santa Juliana Falconeri na fundação da Ordem Terceira dos Servitas para mulheres.
Em 1269, durante o longo conclave realizado em Viterbo para eleger o sucessor de Clemente IV, seu nome circulou entre os "papáveis" (cogitados para ser eleito como Papa), mas ele não aceitou tal fato e se refugiou. Gregório X (atualmente Beato Gregório X) acabou ficando com o trono de São Pedro.
Foi muito amigo do Papa Martinho IV, morrendo, inclusive, no mesmo ano que ele. Filipe Benício morreu no Convento das Servas de Maria de Todi em 1285. Foi sepultado em Firenze.

 

O culto

A veneração de São Filipe Benício se iniciou logo após sua morte. O culto foi aprovado por Inocêncio X, que o proclamou beato em 8 de outubro de 1645. O Papa Clemente X realizou sua canonização em 12 de abril de 1671. Foi o primeiro servita a ser elevado à glória dos altares.
Na iconoclastia religiosa, o santo é representado com o hábito servita e a tiara (símbolo da renúncia ao Papado). Sua memória litúrgica é celebrada em 22 de agosto.

Ver também: Nossa Senhora Rainha

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=47510&language=IT&img=&sz=full

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

São Sidônio Apolinário, Bispo (por volta de 423 d.C. - 480 d.C.), 21 de Agosto

Caio Sólio Apolinário Sidônio (em latim Gaius Sollius Sidonius Apollinaris; Lugdunum [atual Lyon], c. 430 - Clermont-Ferrand c. 486), poeta, alto funcionário do Império Romano, bispo e santo da Igreja Católica, foi "o autor individual sobrevivente mais importante da Gália do quinto século"[1]. A amplitude de seus conhecimentos o tornaram centro da vida pública de sua época.

Era de descendência nobre, com pai e avô cristãos e prefeitos do pretório da Gália. Casou-se por volta de 452 com Papianilla, filha de Avito, que era então cônsul e depois foi proclamado imperador romano do Ocidente em 455, que ergueu no Fórum de Trajano uma estátua de seu genro e deu-lhe o título de conde.
Em 457, caiu nas mãos de Majoriano, que havia privado Avito do império e tomado a cidade de Lyon. A reputação de seu conhecimento levou Majoriano a tratá-lo com imenso respeito. Em troca, Apolinário compôs um panegírico em sua honra (que ele havia feito previamente para Avito). Em 467, o imperador Antêmio o recompesou pelo panegírico que ele havia escrito em sua honra elevando-o ao posto de prefeito urbano de Roma, e em seguida à dignidade de patrício e senador.
Em 472, mais por suas habilidades políticas que teológicas, ele foi escolhido para suceder Epárquio no bispado de Arverni (Clermont-Ferrand). A maior parte dos ocupantes desse posto (inclusive ele) foram feitos santos da Igreja Católica Romana, inclusive seu recente predecessor, São Namácio (bispo 446-462), que iniciou as fundações de uma catedral adequada. Sidônio Apolinário não era um homem religioso; sua eleição foi provavelmente devido mais aos seus contatos influentes, e aos seus incansáveis esforços na preservação de seu pedaço da Gália para o Império Romano. Sua festa litúrgica é 21 de agosto.

 

Referências

1.  Goldberg, Eric J.. The Fall of the Roman Empire Revisited: Sidonius Apollinaris and His Crisis of Identity' (em inglês). Página visitada em 15/3/2008.

 

Bibliografia

·   Cooperatorum Veritatis Societas. Documenta Catholica Omnia. – Sidonius Apollinaris Episcopus (em latim). Página visitada em 15/3/2008.
·   Pearse, Roger (transcrição). Early Church Fathers - Additional Texts (em inglês). Página visitada em 15/3/2008.
·   Pearse, Roger (transcrição). Sidonius Apollinaris Letters (em inglês). Página visitada em 15/3/2008.
·   Van Waarden, Joop. Apollinaris Sidonius (em inglês). Página visitada em 15/3/2008.


Ver também: São Pio X, Papa
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/08/sao-pio-x-papa-21-de-agosto.html

Fontes:

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Samuel, Juiz e Profeta de Israel (1070 a.C. - 950 a.C.), 20 de Agosto

Samuel (em hebraico שְׁמוּאֵל) foi um líder importante na História de Israel. A sua história é contada na Bíblia, no chamado Livro de Samuel.
Filho de Elcana e Ana, ambos filhos da tribo de Efraim.
Teria sido o último dos juízes de Israel, e o primeiro dos profetas registrados na história do seu povo. Teria ungido os seus dois primeiros reis, Saul e Davi. Pode ter vivido por volta de 1095 a.C..

História bíblica
Samuel foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas. Homem de profunda piedade e discernimento espiritual dedicava-se totalmente à realização dos propósitos de Deus para o bem de Israel. Embora não descendesse da linha genealógica de Arão, sucedeu a Eli no cargo sacerdotal. Ao que parece, foi o primeiro a estabelecer uma instituição para o preparo dos jovens que desejavam abraçar a vocação profética. Viu-se na contingência de guiar a Israel em algumas das mais profundas crises de sua história; no desempenho de suas funções quase alcança a estatura de Moisés. Deus nunca pretendeu que Israel tivesse outro rei além dEle. Mas o povo começou a olhar para outros povos e a desejarem um rei. Podemos afirmar que a vida do povo de Deus pode ser resultado de sua vontade diretiva ou permissiva, isso vai depender da escolha; ele foi comissionado para ungir a Saul, o primeiro rei, e a Davi, o maior dos reis de Israel.
Samuel significa literalmente:"Seu nome é Deus", ou, "Nome de Deus". Seu significado contextual significa: "Pedido de Deus" ou "do Senhor o pedi".

 

Judaísmo

Exceto pela tradição judaica e pela Bíblia, não há muitas fontes disponíveis sobre a sua existência. Portanto, é a partir dos livros que levam seu nome que se conhece sobre sua vida e sua importância na história de Israel.

 

A promessa de Ana

A história bíblica refere que Ana, mãe de Samuel, sofria de esterilidade, o que lhe era motivo de grande humilhação, já que Penina, a outra esposa de seu marido Elcana, tinha filhos.
Certa vez durante os dias do sacrifício anual ao Senhor, Ana, humilhada por Penina sua rival, se pôs a orar com grandes dores no templo. Sentindo-se amargurada, Ana orou com lágrimas e fez um voto com Deus, prometendo que seu filho seria um Nazireu e serviria no templo. Sua oração foi tão íntima e cheia de fé que Ana não dizia palavra alguma comunicando-se com Deus apenas com as intenções de seu coração. Porém, os seus lábios mexiam-se ao ponto do levita Eli a repreender achando que ela estivesse embriagada.
Ana, ao ser advertida pelo sacerdote defende-se dizendo que não havia provado vinho ou qualquer bebida forte, mas que estava derramando seu coração ao Senhor por estar muito aflita. O sacerdote se compadece dela e lhe abençoa dizendo: "Vai em paz; e o Deus de Israel te conceda a petição que lhe fizeste."
Então, conforme o pedido de Ana, Deus lhe deu Samuel como filho, para que ela não fosse mais humilhada, e ela cumpriu a promessa em consagrá-lo desde criança ao sacerdócio. O que se observa na historia de Ana, que é muito admirável,é seu sofrimento e grande humilhação, que passara por ser esteril" o Senhor lhe tinha cerrado a madre". Porém vemos no decorrer do livro de I Samuel 1, 10:"Ela ora e chora" fazendo um voto de que dando-lhe Deus um filho ela o entregaria nas suas mão, com essa atitude Ana demostra sua fé no Altíssimo e sua total dependência de Deus.Quando nós buscamos de todo coração, Deus responde, e segundo a própria biblia ana conheceu a seu marido e Deus Se lembrou dela e ela teve um filho e o consagrou a a ele.


Entregue ao templo

Samuel, ainda jovem, foi entregue ao sacerdócio, "ministrava perante o Senhor" (I Samuel 2:18) Existe alguma ambigüidade nas opiniões no que diz respeito ao tipo de trabalho que Samuel efetuava no Templo. Existe quem defenda que este foi entregue ao templo com voto de Nazireu.

 

Nomeado profeta

Samuel era conhecido como correto, ao contrário do que se dizia dos filhos de Eli, que cometiam sacrilégios, e haviam sido amaldiçoados.
O relato conta de uma profecia de um profeta desconhecido, dizendo a Eli que Deus já havia escolhido um novo sacerdote para tomar seu lugar (que seria, portanto, Samuel).
Ainda na juventude, Samuel começou a manifestar dons proféticos, sonhando com palavras e visões divinas. Sua primeira profecia constava da confirmação de que Eli e seus filhos seriam retirados do sacerdócio.

 

A morte de Eli

Os filisteus invadiram e venceram Israel, e capturaram a Arca da Aliança. No processo, os filhos de Eli Hofni e Finéias morreram, e fazendo ele menção da arca de Deus, caiu da cadeira onde estava sentado, quebrando seu pescoço e assim morrendo, cumprindo a profecia de Samuel, confirmando-o como portador da palavra divina.
Samuel reaparece apenas 20 anos depois, quando a Arca já havia sido devolvida e encontrava-se em Quireate-Jearim, como uma figura de primeira importância junto ao povo. Sua orientação teria causado a vitória de Israel sobre os filisteus. Samuel aparece realizando sacrifícios, e diz-se que "julgava a Israel" (I Samuel 7:15), dando a entender que se tratava de um juiz. I Samuel 8:1 também diz que Samuel fez de seus filhos, Joel e Abias, Juízes de Israel também, embora não seguissem os passos de seu pai.
A orientação de Samuel parece ter tido grande importância para os israelitas, que o viam tanto como sacerdote e profeta, como juiz e administrador. Em sua velhice, representantes do povo vieram lhe pedir que escolhesse um rei para governar Israel, visto que seus filhos não estavam qualificados para seguir como juízes. Samuel teria consultado a Deus antes de confirmar a demanda, alertando os israelitas quanto aos direitos de um rei sobre seus súditos e suas terras.
Pouco tempo depois, o jovem Saul, da Tribo de Benjamim, veio ao encontro de Samuel. Um dia antes, Deus revelara ao velho profeta que Saul seria ungido rei. No dia seguinte, Samuel assim o fez, e o orientou para que visse sinais e os seguisse, e Saul os seguiu. Samuel convocou representantes de todo Israel a Mispa e declarou publicamente o jovem benjamita como rei.
Velho e cansado, e com um rei para liderar os israelitas, Samuel se retirou de suas funções. Porém, quando Saul tentou realizar um sacrifício por conta própria, Samuel o repreendeu, e predisse sua queda. Antes da consumação desta profecia, Samuel ainda o orientou a atacar os amalequitas, provavelmente um povo nômade da Península Arábica.
Enquanto Saul começava a enfrentar derrotas em batalha e problemas pessoais, Samuel profetizou a vida de Jessé e seus filhos, e que um deles seria ungido rei de Israel. Samuel ungiu o mais novo, Davi, e o colocou em contato com Saul (Davi repreendi com autoridade de Deus o espírito mau da parte de Deus que atormentava Saul tocando sua harpa). Este deve ter sido um dos últimos atos de Samuel, que morreu antes que Davi fosse confirmado rei.


Discussões

A ausência de fontes confiáveis extra-bíblicas sobre a vida ou os atos de Samuel suscita discussões[quem?] sobre sua própria existência real. A história de Samuel liga o final do período dos Juízes (quando líderes tribais lideravam isoladamente parte das tribos de Israel contra inimigos específicos, e não havia uma união em torno de um rei) e o início do período monárquico. Estilisticamente, o próprio Samuel é o elo entre os juízes e os reis, sendo o último juiz que ungira o primeiro rei, justificando, norteando, e dando sentido a autoridade real sobre Israel.
O primeiro livro de Samuel parece ter sido escrito no início do período monárquico (durante o reinado de Davi ou Salomão, pois quando Israel vence os filisteus, diz-se que "os filisteus foram abatidos e nunca mais vieram aos termos de Israel" (I Samuel 7:13), embora mais tarde, quando Judá e Israel (ou Samaria) tornaram-se reinos independentes, os filisteus voltaram a atacar com sucesso. Portanto, no momento em que o livro foi escrito, Samuel era uma personalidade ainda recente de sua história - um personagem fictício de tamanha importância localizado em um tempo recente teria tirado toda a credibilidade do relato frente ao povo, o que seria indesejável pois são os atos de Samuel que fundamentalizam a existência da própria autoridade real. Esta é a principal evidência de que este personagem tenha realmente existido.
A Samuel se atribui a autoria dos dois livros que levam seu nome, embora o profeta venha a falecer antes do final do primeiro volume.


Ver também

Árvore genealógica baseada em I Samuel:

                                                               Efraim
                                                                         
                                                                Zufe   
                                                                       
                                                                Toú    
                                                                       
                                                                Eliú    
                                                                       
                                                                Jeroão       
                                                                                 
                  Penina                                   Elcana                     Ana

     Filho1       ...          Filho2                                 Samuel                              
                                                                                                                       

Ver também: São Bernardo de Claraval

Fontes:
http://www.ortodoxia-brasil.blogspot.com/2008/09/santo-profeta-samuel-c-1010-jc-20-ago02.html

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Santo Ezequiel Moreno, Bispo (+1906), 19 de Agosto

Seus 15 anos como missionário nas Filipinas foram impregnados com um halo de santidade pela sua piedade, seu zelo apostólico e a caridade com os doentes. A Espanha e a Colômbia também usufruíram de sua dedicação e competência.

Ezequiel Moreno y Días nasceu em Alfaro, na província de La Rioja, Espanha, no dia 9 de abril de 1848. Terceiro filho de um casal pobre de bens materiais mas rico em virtudes, ele recebeu uma profunda educação cristã.
Seu pai, Félix, alfaiate de profissão, e sua mãe, Josefa Días, eram ambos modelos de honradez e piedade e educaram os cinco filhos na Igreja.
Ezequiel sentiu desde criança o chamado de Deus à vida religiosa e missionária. Conhecedor da responsabilidade missionária dos agostininaos recoletos nas Ilhas Filipinas, ele queria ser missionário nestas ilhas distantes.
Aos dezessete anos, no dia 22 de setembro de 1865, emitiu a profissão religiosa na Ordem dos Agostininanos Recoletos. Ele tomou o nome de Frei Ezequiel de Nossa Senhora do Rosário, nome com o qual gostava de ser chamado. Ele fez sua profissão religiosa aos pés de Nossa Senhora do Caminho, a qual amava com singular ternura.
No dia 4 de outubro de 1869 embarcava rumo à terra de seus sonhos – as Ilhas Filipinas –, junto com outros 17 religiosos. Eles chegaram em Manila -capital das Filipinas- no dia 10 de fevereiro de 1870. Frei Ezequiel Moreno foi ordenado sacerdote em Manila em 3 de junho de 1871. Ele foi destinado à ilha de Mindoro para iniciar suas atividades missionárias junto com frei Eustáquio, seu irmão -biológico- mais velho.
A integridade da sua conduta, seu amor aos doentes e suas insaciáveis ânsias missionárias ganharam a estima dos superiores que logo lhe confiaram o delicado cargo de missionário e capelão na ilha de Palawan. Ali colocou todo o seu zelo apostólico. Sua intensa atividade e a malária acabaram com sua saúde e após nove meses se viu obrigado a retornar a Manila. Porém, não ficou parado: exerceu vários cargos e assumiu várias responsabilidades, entre elas: pároco – em mais de uma comunidade –, pregador e administrador.
Os primeiros 15 anos sacerdotais, cheios de ardente zelo apostólico, transcorreram nas Filipinas. Em 1885 ele foi nomeado superior do convento de Monteagudo (Espanha), na época a comunidade onde se formavam as consciências dos futuros missionários. Ninguém melhor que ele, missionário experimentado com auréola de santo, pôde suscitar no coração dos jovens o espírito apostólico.
A fama de santidade que havia adquirido nas Filipinas só cresceram durante os três anos do seu priorado no convento de Monteagudo. A Providência lhe preparou uma excelente oportunidade para aumentar o seu zelo apostólico em outras terras distantes.
Ezequiel Moreno se oferece como voluntário quando os irmãos agostinianos da Colômbia pedem ajuda à Espanha. Ele foi nomeado superior de uma expedição que contou com sete missionários.
O primeiro objetivo era restabelecer a observância religiosa nas comunidades. Frei Ezequiel Moreno sabia que somente bons religiosos poderiam ser autênticos apóstolos e missionários. O restabelecimento da vida religiosa contou com o reativamento das missões nas planícies de Casanare, lugar onde os agostinianos recoletos da Colômbia tinham exercitado antigamente o seu apostolado.
Ele mesmo vai como pioneiro e recorreu no dorso de mula os povoados espalhados pela imensa região de missões. Seu testemunho estimulou o ânimo dos religiosos.
Em 1893 ele foi nomeado Bispo titular e vigário apostólico de Casanare. Sua ordenação episcopal aconteceu no dia primeiro de maio de 1894. Sua intenção era passar ali os restos de seus dias, no meio de privações e sofrimentos junto ao povo que tanto amava. Porém, Deus tinha outros planos para ele.
Em 1895 ele foi nomeado Bispo de Pasto. Sua nova missão lhe mostrou situações mais dolorosas: humilhações, menosprezo, calúnias e perseguições. No entanto, sua vida interior, sempre dirigida para Deus e seu amor à contemplação suscitaram em torno dele um grupo de almas seletas as quais, com sabedoria iluminada, dirigiu nos caminhos da santidade.
Amigo da verdade e dos homens até ao ponto de expor repetidas vezes sua vida, foi o alvo preferido dos insultos e perseguições de quantos queriam ferir a Igreja.
Ele uniu uma caridade sempre disponível à uma grande fortaleza de ânimo, mormente quando se tratava dos interesses de Cristo e da Igreja.
De 1888 até pouco antes de sua morte, dedicou sua multiforme atividade à Colômbia. Restaurou a Província da Candelária, deu início a uma nova fase missionária, foi o primeiro Vigário Apostólico de Casanare e desde 1896, Bispo de Pasto.
Em 1905 manifestou-se no seu corpo uma grave enfermidade: câncer no nariz. Os médicos recomendaram viajar para a Europa em busca de tratamento adequado, o que ele fez somente com insistentes pedidos dos sacerdotes e religiosos. Chega à Espanha em 1906 e em fevereiro é operado num procedimento muito doloroso, em grande parte sem anestesia. Ele passou por uma segunda operação em março do mesmo ano, mas sem êxito algum.
Convencido de que havia chegado o seu fim, decide passar os últimos dias de sua vida em uma cela conventual em Monteagudo, junto à Nossa Senhora do Caminho, "sua mãe amadíssima" para render ali ao Senhor a homenagem de sua vida.
Ezequiel Moreno morreu no convento de Monteagudo (Navarra, Espanha), onde professara e onde fora prior, a 19 de agosto de 1906.
Foi sepultado na igreja de Nossa Senhora do Caminho do convento de Monteagudo. Seus restos repousam hoje em uma capela, construída recentemente dentro do recinto da mesma igreja. Foi beatificado pelo papa Paulo VI no dia 1º de novembro de 1975 e canonizado por João Paulo II no dia 11 de outubro de 1992, em Santo Domingo, República Dominicana, no V Centenário da Evangelização da América, durante a IV Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Celam).
Santo Ezequiel Moreno é denominado o Santo da Nova Evangelização e são atribuídas à sua intercessão muitas curas, especialmente de câncer.

Ver também: São João Eudes

Fontes:
http://www.santarita-oar.org.br/base.php?page=post_033_moreno
http://www.daconsolacao.org.br/consola/subsidios/galeria/santos/santoral-03-ago.htm