sexta-feira, 24 de setembro de 2010

São Cléofas, Discípulo de Jesus (Século I), 25 de Setembro

Cléofas (ou Cleopas) é um dos dois discípulos que, no dia da Ressurreição de Jesus, voltavam para Emaús, no final das celebrações da Páscoa quando, num certo momento, o Ressuscitado a eles se juntou na estrada e começou a acompanhá-los. Jesus só foi reconhecido por Seus discípulos após partir o pão, quando estes O convidaram para permanecer com eles.
“Nesse mesmo dia, dois discípulos caminhavam para uma aldeia chamada Emaús, distante de Jerusalém sessenta estádios. Iam falando um com o outro de tudo o que se tinha passado. Enquanto iam conversando e discorrendo entre si, o mesmo Jesus aproximou-se deles e caminhava com eles. Mas os olhos estavam-lhes como que vendados e não o reconheceram.
Perguntou-lhes, então: ‘De que estais falando pelo caminho, e por que estais tristes?’ Um deles, chamado Cléofas, respondeu-lhe: ‘És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?’ Perguntou-lhes ele: ‘Que foi?’ Disseram: ‘A respeito de Jesus de Nazaré... Era um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo. Os nossos sumos sacerdotes e os nossos magistrados o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Nós esperávamos que fosse ele quem havia de restaurar Israel e agora, além de tudo isto, é hoje o terceiro dia que essas coisas sucederam.’ (Lc 24, 13-21)
As palavras que os dois discípulos dirigem ao desconhecido são como o eco de uma profunda decepção, comum a todos apóstolos nesta hora de provação: “É verdade que algumas mulheres dentre nós nos alarmaram. Elas foram ao sepulcro, antes do nascer do sol; e não tendo achado o seu corpo, voltaram, dizendo que tiveram uma visão de anjos, os quais asseguravam que está vivo.’ (Lc 24,22-23)
A partir deste raio de esperança, o desconhecido faz penetrar a luz da Boa Nova, explicando-lhes as Escrituras e, em seguida, aceitou o convite deles: “Aproximaram-se da aldeia para onde iam e ele fez como se quisesse passar adiante. Mas eles forçaram-no a parar: Fica conosco, já é tarde e já declina o dia. Entrou então com eles. Aconteceu que, estando sentado conjuntamente à mesa, ele tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e serviu-lho. Então se lhes abriram os olhos e o reconheceram... Mas ele desapareceu.” (Lc 24,28-31)  

Alfeu e Cléofas seriam transcrição e pronúncia do mesmo nome hebraico Halphai ou dois nomes trazidos pela mesma pessoa. Alfeu Cléofas, presumivelmente, porque ele é o pai de Tiago, o Menor, e de José, primos de Jesus. No Evangelho de João, Maria, mãe de Tiago e José, é chamada “a mulher de Cléofas” e irmã, em maior ou menor precisão, de Maria, a Mãe de Jesus.


De acordo com Eusébio e São Jerônimo, Cléofas era um nativo de Emaús onde, segundo antiga tradição, ele seria uma testemunha da Ressurreição e teria sido morto por seus companheiros de aldeia, intolerantes com o seu zelo e sua fé no Messias Ressuscitado.
O Martirológio Romano inscreveu o nome de Cléofas na data de hoje e confirma seu martírio.






Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também:

Fontes:
santiebeati.it («RIV.»).
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=IT&module=saintfeast&localdate=20100925&id=678&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=30857&language=IT&img=&sz=full

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

São Siluane, o Athonita (também conhecido como São Silvano do Monte Athos), Monge Ortodoxo (1886-1938), 24 de Setembro

São Siluane nasceu em 1866, de família devota provenientes da Villa de Sovsk na região de Tambov. Com a idade de 27 anos recebeu uma bênção de São João Kronstadt e foi para o Monte Atos onde se fez monge no Monastério Russo de São Panteleímon. Recebeu da Mãe de Deus, “Theotokos”, o dom da oração contínua e recebeu a visão de Nosso Senhor Jesus Cristo glorificado, quando ele estava no interior da igreja dedicado ao Santo Profeta Elias do mesmo Monastério. 
Após ter perdido o dom da oração contínua, caiu em tristeza profunda durante 15 anos. Após estes anos de tristeza, ele recebeu de Cristo o ensinamento: “Guarda tua mente no inferno, e não desespere.” Faleceu em 24 de setembro de 1938.
Deixou seus escritos que foram editados por seu discípulo e aluno, o “Sterets” Pe. Sofrônio, que escreveu a biografia completa de São Siluane, juntamente com seus ensinamentos, na obra “São Siluane, o Athonita”.

São Siluane: «Sobre o Amor»

A alma não consegue conhecer a paz, a não ser que reze pelos seus inimigos. A alma que aprendeu, pela graça de Deus, a rezar, sente amor e compaixão por cada coisa criada e, em particular pela humanidade por quem o Senhor sofreu na cruz e por quem teve compaixão.
O Senhor me ensinou a amar meus inimigos. Sem a graça de Deus não conseguimos amar nossos inimigos. Só o Espírito Santo ensina a amar até mesmo os demônios a quem sentimos piedade, pois eram antes bons e perderam sua humildade em Deus.
Eu lhe implorei: prove-me isto. Quando um homem lhe afronta ou traz desonra sobre sua cabeça, ou te rouba, ou persegue a Igreja, reza ao Senhor dizendo: “Ó Senhor, nós somos todos tuas criaturas. Tem piedade de teus servos e torna seus corações arrependidos”; e você saberá que a graça já está em tua alma.
Inicialmente, ordena a teu coração amar teus inimigos, e o Senhor, vendo tua boa vontade, vai te ajudar em todas as coisas e, esta experiência por si só vai mostrar o caminho. Mas o homem que pensa com malicia sobre seus inimigos, não tem o amor de Deus dentro de si, e não conhece a Deus.
Se rezas por teus inimigos, a paz chegará a ti; mas quando consegues amar os teus inimigos – saiba que, a graça de Deus habitará abundantemente em ti, ainda que eu não seja uma graça perfeita, mas o suficiente para a salvação.
Enquanto odiares teus inimigos, é sinal que o espírito do mal habita em ti causando maus sentimentos em teu coração, pois segundo a palavra do Senhor, de nosso coração procede palavras más ou boas.
O bom homem pensa interiormente, desta maneira: cada um que se desviou da verdade traz a destruição sobre si mesmo e, por isso, devemos sentir piedade dele. Mas, com certeza, o homem que não aprendeu o amor do Espírito Santo, não rezará pelos seus inimigos. O homem que aprendeu o amor do Espírito Santo, sente a vida inteira tristeza por aqueles que não foram salvos e por quem choram abundantemente, e a graça de Deus lhe da força para amar os inimigos.
Entenda-me: isto é tão simples! Pessoas que não conhecem a Deus, ou que estão contra Ele, merecem piedade; o coração se entristece por eles e os olhos por eles choram. Tanto o Paraíso quanto o inferno, ambos são claramente visíveis para nós: Sabemos disto pelo Espírito Santo.
O Senhor mesmo não disse: “O Reino de Deus está dentro de vós”?
Assim, a vida eterna tem inicio aqui nesta vida; e aqui plantamos as sementes do inferno eterno. Onde existe o orgulho não é possível também existir a graça e, se perdermos a graça, também perderemos o amor de Deus e a confiança da oração. A alma por isso está atormentada com pensamentos maus e não entende que precisa prostrar-se e amar seus inimigos, pois não existe outra maneira de ser agradável a Deus.

Ver também:

Fontes:

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Beata Émilie Tavernier Gamelin, Viúva, Religiosa, Fundadora (1800-1851), 23 de Setembro

Nasceu em Montreal (Canadá), no dia 19 de Fevereiro de 1800, de pais humildes, virtuosos e trabalhadores. Era a última de 15 filhos.
Quando tinha quatro anos de idade seus pais morreram, e assim Emília foi confiada a uma tia paterna. Desde criança mostrou grande sensibilidade para com os pobres e deserdados.
Em 1823, casou com João Baptista Gamelin, que compartilhava as suas mesmas aspirações cristãs. Desta união nasceram três filhos que cedo faleceram. Em seguida, também seu marido morreu. No meio destas provas, Emília encontrou na Virgem das Dores o modelo para a sua vida e abriu o seu coração à caridade misericordiosa para com os necessitados. A sua casa, que se tornou refúgio para pobres, idosos, órfãos, presos, imigrantes, desempregados, surdos-mudos, portadores de deficiência foi espontaneamente denominada "Casa da Providência".
Durante quinze anos multiplicou os seus gestos heróicos, chamando a atenção das autoridades eclesiásticas locais. Em 1841, o Bispo de Montreal, D. Inácio Bourget, foi a Paris e pediu que se enviassem algumas Filhas de São Vicente de Paulo para fundar uma comunidade religiosa, mas não foi escutado. Quando descobriu que a Providência tinha outros planos, selecionou algumas candidatas da sua própria diocese e confiou-as a Emília Gamelin:  assim, nasceram as Religiosas da Providência de Montreal.
Depois de ter sofrido em silêncio muitas provas, faleceu vítima de uma epidemia de cólera no dia 23 de Setembro de 1851, deixando às suas filhas um exemplo de excelsa caridade.

Ver também: São Padre Pio de Pietrelcina

Fontes:
http://www.vatican.va/news_services/liturgy/saints/ns_lit_doc_20011007_beat-tavernier_po.html

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Bem-Aventurado Inácio de Santhiá, Religioso, Confessor (+1770), 22 de Setembro

Lourenço Maurício nasceu no dia 5 de junho de 1686, em Santhiá, província de Vercelli, Itália. Era o quarto de seis filhos, da rica família dos Belvisotti, cristã, bem posicionada e muito conceituada socialmente. Aos sete anos, ficou órfão de pai, mas a sua mãe cuidou para que os filhos recebessem uma excelente instrução por meio de um sacerdote piedoso. Assim, além de uma formação literária invejável, ele cresceu na oração e amadureceu a sua vocação sacerdotal.
Completou os estudos teológicos em Vercelli, no ano de 1710. Depois de seis anos de frutuoso ministério sacerdotal, entrou na Ordem dos Frades Capuchinhos, emitindo os votos religiosos em 1717 e tomando o nome de frei Inácio. Desde então, foi enviado para vários conventos, sempre obediente e honrado por poder servir os irmãos da Ordem com a sua humilde pessoa.
Inácio de Santhiá foi enviado para Turim-Monte, em 1727, para ser: prefeito de sacristia e confessor dos padres seculares e dos fiéis paroquianos, tarefa que desempenhou também nos últimos vinte e quatro anos de vida. Nesse ministério, demonstrou toda sua caridade paterna, sabedoria e ciência, adquiridas nos livros e por meio das orações contemplativas. Dedicava os seus dias inteiramente ao serviço do confessionário. Com isso, a sua fama de bom conselheiro espiritual difundiu-se rapidamente, trazendo para a paróquia uma grande quantidade de religiosos, sacerdotes e fiéis desejosos de uma verdadeira orientação no caminho da santidade. A todos recebia com a maior caridade, porque os pecadores eram os filhos mais doentes e necessitados de acolhida e compreensão. Passou a ser chamado de “padre dos pecadores e dos desesperados”.
Em 1731, o seu bom conceito de guia experiente e sábio levou-o a ocupar os cargos de mestre dos noviços e vigário do Convento de Mondoví, onde também a sua fama de santidade se espalhou entre a população, entusiasmando especialmente os jovens. Durante quatorze anos Inácio ficou na direção do noviciado de Mondoví. Sua única intenção era formar os jovens para a vida, a mortificação, a penitência, e instruía, corrigia e encorajava com atenção e palavras amorosas, fazendo o caminho difícil tornar-se ameno. A sua função de mestre dos noviços só foi interrompida devido a uma grave doença nos olhos, que quase o cegou. Por isso regressou a Turim, no final de 1744, para receber o tratamento adequado.
Foi assim que frei Inácio retomou o seu apostolado do confessionário, exercido até os seus últimos dias. Morreu com sua fama de santidade no dia 21 de setembro de 1770, em admirável tranqüilidade. A notícia espalhou-se rapidamente e uma multidão de fiéis de todas as classes sociais acorreu para saudar pela última vez o “santinho do Monte”, como era chamado. Os milagres atribuídos à sua intercessão logo surgiram e o seu culto ganhou vigor entre os devotos. Até que, em 1966, o Papa Paulo VI declarou o frei Inácio de Santhiá bem-aventurado, para ser venerado no dia seguinte à data de sua morte.

Ver também:

Fontes:
http://blog.pucp.edu.pe/archive/1306/2009-09/catid/6338
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=35293&language=SP&img=&sz=full

São Francisco Jaccard, Sacerdote, Mártir († 1838), 21 de Setembro

Nascimento 6 de setembro de 1799 em Onnion, Haute-Savoie – França
Falecimento 21 de setembro de 1838  (aos 39 ans) em Gian-bieu, na Cochinchine, Vietnam
Beatificação 7 de maio de 1900 na Basílica de São Pedro, em Roma, pelo Papa Leão XIII
Canonização 19 de junho de 1988 na Basílica de São Pedro, em Roma, pelo Papa João Paulo II
Venerado pela Igreja Católica Apostólica Romana
Festa 21 de setembro
Francisco Jaccard nasceu no dia 6 de setembro de 1799 em Onnion, Haute-Savoie (França). Morreu estrangulado no dia 21 de setembro de 1838 no Vietnam. É um santo católico celebrado no dia 21 de septembroe[1].

 

Sua vida

Os pais de Francisco esperaram vinte anos após o casamento até que nascesse seu primeiro filho. Eles viram nesse nascimento um “sinal de Deus”: este menino iria se tornar padre.
Francisco entrou no Seminário das Missões Estrangeiras de Paris em 1821 e foi ordenado sacerdote dois anos depois. Pediu então para ser enviado a evangelizar em países longínquos. Esteve em Chandernagor, depois em Macau e escolheu, como destino final, a Conchinchina, no Vietnam.
Ali Francisco foi preso, torturado e condenado à pena capital, sendo estrangulado em 21 de setembro de 1838. Seu corpo foi transladado para o Seminário das Missões Estrangeiras de Paris somente em 1946.

Beatificação e Canonização

Francisco Jaccard foi declarado venerável em 19 de junho de 1840, beatificado pelo Papa Leão XIII em 7 de maio de 1900 e canonizado pelo Papa João Paulo II, em 19 de junho de 1988. Ele é um mártir do Grupo dos 117 Mártires do Vietnam.

Referências


Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Ver também: São Mateus Evangelista

Fontes :
http://fr.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Jaccard
http://saints.sqpn.com/saint-francois-jaccard/

domingo, 19 de setembro de 2010

Beata Madre Maria Teresa de São José, Religiosa, Fundadora das Irmãs Carmelitas Do Divino Coração de Jesus (1855-1938), 20 de Setembro

Ana Maria Tauscher, que se tornaria Madre Maria Teresa de São José, nasceu em Sandow, uma pequena cidade cerca de 100 km sudeste de Berlim (atualmente Polônia). O pai de Ana Maria,  Herman Traugott Tauscher, um pastor protestante de alto cargo, exercia a profissão que era a mesma de seus antepassados desde a época de Martinho Lutero.
No entanto, desde a idade de 15 anos, Ana Maria aspirava a uma verdade ainda mais profunda que aquela que lhe tinha sido transmitida através da sua educação luterana. Aos 22 anos, ela começou a ler quotidianamente a Sagrada Escritura e a Imitação de Cristo. Um dia, frente a alguns colegas de seu pai, ela defendeu mesmo a doutrina da infalibilidade pontifícia. Ela também acreditava na virgindade de Maria, sem nunca ter estado em contato com católicos, nem ter lido obras católicas.
Aos 22 anos, Ana Maria teve a intuição de que Deus a chamaria para seu serviço quando tivesse 30 anos. Porém, não sabia nem onde, nem como isso ia acontecer. Ela tudo entregava nas mãos da Divina Providência.
Em fevereiro de 1886, estando ela em Berlim na casa de amigos, Ana Maria leu num jornal de Colônia um anúncio propondo um trabalho de enfermeira chefe num  hospital psiquiátrico. Seria este o sacrifício, o tal serviço que ela esteve esperando durante oito anos? No dia 6 de Março de 1886, Ana Maria deixou Berlim para começar a trabalhar na clínica de Lindenburg.  
Ela não tinha nenhuma experiência de enfermeira, mas sua entrega e seu amor quase maternal logo transformaram o asilo num autêntico Lar. À exceção do diretor, todas as pessoas da clínica de Lindenburg eram católicas. Um dos sacerdotes que vinha visitar os doentes ofereceu-lhe um catecismo da Igreja Católica. Nele, ela encontrou o que até então ela chamava de “sua religião pessoal”. E assim começou rapidamente a preparar, em segredo, a sua conversão.
O diretor acabou por descobrir as intenções de Ana Maria. Mandou-a de volta para casa, mas voltou a chamá-la algumas semanas mais tarde. Aí, quando Ana Maria se preparava para subir no trem com destino a Colônia, seu pai a exortou de não se converter ao catolicismo. Ela lhe prometeu unicamente “Que tal não aconteceria hoje ou amanhã”.  Quando Ana Maria fez a sua profissão de fé na Igreja Católica, em 30 de Outubro de 1888, deixou para trás todo o seu passado.
Desaprovada pelo seu pai, despedida de Lindenburg, Ana Maria colocou toda a sua confiança em Deus. Apesar de se ter proposto para vários empregos, ela não conseguia um outro trabalho, porque seu diretor tinha feito uma carta de recomendação pouco favorável. A partir de então, ela se viu sem trabalho e sem casa. Graças à ajuda de amigos católicos, Ana Maria foi recebida num convento, onde também se cuidava de pessoas de idade.
Todas as tardes e todas as noites, Ana Maria vinha junto ao Senhor, frente ao altar do Santíssimo Sacramento, fortalecendo assim os laços que a uniam ao seu Divino Esposo. Continuava, no entanto, a sua séria procura de trabalho.
“Senhor, segundo a Vossa vontade, mandai-me a trabalhar para a salvação das almas aonde quiserdes. Escutai o ardente desejo da minha alma de poder demonstrar o meu amor e aminha gratidão. (...) meu Deus, se for possível, não me mandeis para Berlim, seja porém feita a Vossa vontade e não a minha.” (A.p.71)
Era deste modo que Ana Maria rezava todos os dias. Desejava entrar numa ordem religiosa, mas tinha constantemente aquilo a que chamava “tentações do orgulho” de fundar a sua própria Congregação. Ela não podia partilhar com ninguém esta sua idéia. Esperava que entrando numa comunidade, esta provação desaparecesse. Os seus confessores sabiam que Deus a chamava para o seu serviço, mas aconselharam-na de não entrar numa ordem já existente. Passados 10 meses, ela recebeu então uma carta da Condessa de Savigny, uma católica fervorosa que vivia em Berlim, e que lhe propunha trabalho de dama de companhia. Apesar da sua tristeza à idéia de deixar Colônia, Ana Maria aceitou.
Acompanhando a Condessa de Savigny nas suas viagens, Ana Maria começou a ler A Vida de Santa Teresa de Jesus, uma santa que tinha reformado o Carmelo no século XVI. A humildade de Teresa, o seu amor por Deus, o seu desejo ardente de salvar almas e o seu heroísmo correspondiam perfeitamente a Ana Maria. Desde então ela queria uma só coisa: entrar no Carmelo. Mas, uma vez mais o seu confessor a dissuadiu, e ela continuou a resistir à “sua tentação”. Quando o seu confessor partiu para as missões, Ana Maria procurou o conselho de um outro padre. As palavras dele foram libertadoras: “Pare de resistir à graça!”(A.p.98).
Ana Maria começou desde logo a trabalhar naquilo para que se sentia chamada. Em Berlim, ela tinha presenciado o grande desespero das crianças sem casa. colocou-se em contato com o Delegado Episcopal de Berlim, e, obteve autorização para abrir um Lar para crianças. Com 500 marcos, que a Condessa lhe tinha dado em sinal de agradecimento, Ana Maria abriu o primeiro Lar São José, a 2 de Agosto de 1891. Começou por instalar três crianças, uma educadora e uma empregada doméstica, em alguns quartos de um prédio antigo, situado em “Pappelallee”. As crianças a chamavam “Mãe” e muito rapidamente passou a ser conhecida como “Mãe da Pappelallee”. Mas ainda faltava algo: a presença Eucarística. Ana Maria não se cansava de rezar: “Senhor, se vierdes, eu venho também.” (A.p.111),  e estava firmemente decidida a só se instalar no Lar São José, quando o Santíssimo Sacramento aí estivesse presente.
A Eucaristia se tinha tornado o centro da vida e do trabalho de Madre Maria Teresa de São José. Na capela de Colônia, passou horas e horas rezando silenciosamente a Jesus, “o Amado da sua alma”. Frente ao Sacrário, na sua união pessoal com Cristo, Madre Teresa de São José encontrava alegria, paz, e o mais profundo amor que um coração humano pode experimentar. 
“Deus inflamou o meu coração com tanta veemência de amor, que todo o sofrimento que a graça de Deus mais tarde me mandou ou permitiu que caísse sobre mim, não me parecia mais que uma gota de água que cai em cima de um ferro incandescente”. (A.p.65)
Com Jesus e por seu amor, ela estava pronta para tudo suportar, mas a sua ausência era para ela uma verdadeira tortura.
“Coração de Jesus, ninguém pode compreender como anseio por Vós. Ninguém é capaz de contar as lágrimas de desejo que chorei por Vós. Senhor, se virdes, eu venho também!” (A.p.)
Era esta a sua oração constante. Era a fonte que alimentava todas as sua atividades apostólicas.
O Amor nunca é estéril. A sua força criativa expande-se. Madre Maria Teresa desejava reunir outras pessoas à volta da Fonte de Amor que ela tinha encontrado. Só assim, bebendo constantemente desta fonte, é que ela própria e as outras jovens que se tinham juntado a ela, poderiam  se tornar instrumentos de Deus.
A 8 de Dezembro de 1891, Cristo veio morar na “Pappelallee”. Para Ana Maria foi “o dia mais feliz da sua vida”.
“As nossa almas ganham vida nova na grande fonte de amor que é o SS. Sacramento e todos os dias se reacendem no fogo do Divino Amor que nunca descansa, mas que espalha ao redor de si as suas centelhas que são as obras de caridade em que Ele se consume.” (A.p.402)
Em 1897, mais de quarenta jovens se tinham já associado à obra de Madre Teresa servindo nos Lares São José. Para além dos dois Lares de crianças em Berlim, havia ainda mais dois em Boêmia e um outro em Oldenburg. Em Berlim, ela abriu também um centro para os padres que trabalhavam ou estudavam nesta cidade. No entanto, Madre Maria Teresa não fundava os Lares São José para serem somente instituições sociais. Em 1891, contemplando a beleza de um pôr-do-sol, ela compreendeu a razão de ser das suas fundações: “A consagração das Servas do Divino Coração de Jesus a: I – expiação dos pecados, II – Santificação pessoal, III – Salvação das almas” (A.p.99). Ela tinha conhecido o Carmelo através de santa Teresa de Jesus, e tinha encontrado no zelo e nas orações dos santos do Carmelo, que tinham oferecido suas vidas como vítimas de Amor pela salvação das almas e glória da Igreja, uma fonte de inspiração para a sua própria vocação. A sua Congregação deveria seguir a espiritualidade carmelita. Santa Teresa tinha aberto o caminho.
A partir de Novembro de 1896, Madre Maria Teresa e a sua comunidade cuidam das crianças e fazem missão nos domicílios, observando ao mesmo tempo a regra Primitiva da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo.
Tal como a sua mãe espiritual, Santa Teresa de Jesus, a maior  alegria da Madre Maria Teresa era a de ser filha da Igreja . A sua humildade era  imensa ao se aperceber que Deus a tinha chamado a si, “uma filha do deserto”, para fundar uma comunidade religiosa, e para guiar outras mulheres já nascidas no seio da Igreja. Como uma verdadeira filha da Igreja, sempre se mostrou fiel e obedeceu aos bispos e aos ensinamentos da Igreja. A “voz do Bispo” representava para ela a “voz de Deus”, mesmo quando se tratava de encerrar um convento ou um Lar.
Madre Maria Teresa viu a Igreja ser perseguida e devendo fazer face a inúmeros entraves. Em profunda união com o Sagrado Coração de Jesus, os sofrimentos e a glória do Corpo Místico de Cristo – a Igreja – tornam-se seus próprios sofrimentos e sua glória.
Em 1897, Madre Maria Teresa esperava obter do Cardeal Kopp, Bispo de Breslau (de que Berlim dependia nessa altura), o reconhecimento da sua fundação como Congregação religiosa. Apesar de financiar o trabalho das Irmãs, o prelado continuou inflexível e recusou a aprovação canônica da Congregação. Seguindo os conselhos de um padre, Madre Maria Teresa decidiu ir procurar ajuda a Roma. Lá, encontrou o Padre  Geral da Ordem do Carmelo, e expôs-lhe o seu desejo de reunir numa mesma espiritualidade os dois aspectos do espírito do Carmelo – oração contemplativa e zelo apostólico – para responder às necessidades da época. Esta iniciativa entusiasmou de tal maneira o Superior Geral que ele abençoou o seu escapulário e a ajudou a obter uma carta de recomendação do Cardeal Parocchi, protetor da Ordem do Carmelo.
Contudo, devido a situação tensa que se vivia na Igreja da Alemanha, o Cardeal Kopp continuou a recusar considerar como religiosas as irmãs que trabalhavam nos Lares São José. Madre Maria Teresa começou a procura de um bispo que aceitasse receber as suas noviças e criar uma Casa Mãe em sua diocese. Durante seis anos, viajou desde a Baviera até à Holanda, passando pela Inglaterra e pela Itália. Por duas vezes obteve autorização de fundar uma Casa Mãe, mas circunstâncias adversas a obrigaram a deixar essas dioceses, fechando os noviciados antes mesmo que as irmãs pudessem pronunciar os seu votos.
Finalmente, em 1904, em Rocca di Papa, Itália, surge a Casa Mãe. Aí se manteve durante  18 anos, tendo sido transferida para Sittard depois da primeira Guerra Mundial.
Em Berlim, um grande número de padres e outros católicos criticaram severamente Madre Maria Teresa no seu desejo de criar uma nova Congregação religiosa. As jovens, que tinham intenção de entrar para a comunidade, ou ajudá-la eram constantemente dissuadidas. A calúnia e a difamação dos opositores pareciam vir de todo o lado, onde quer que Madre Maria Teresa se instalasse. Mas nunca ela retorquiu dizendo mal deles. Durante todos esses anos, teve que enfrentar a solidão, o afastamento da sua família, a doença e a pobreza.
O sofrimento tinha-se tornado para Madre Maria Teresa uma fonte de alegria profunda, pois era um meio que ela utilizava para unir sua alma a Deus, e para, com o Salvador, participar na redenção do mundo.
Ao fundar as Carmelitas do Divino Coração de Jesus, Madre Maria Teresa entregou-se inteiramente a Deus como vítima do seu amor. Passou a sua vida servindo os pobres e rezando, trabalhando e sofrendo pela salvação das almas e pela liberdade da Igreja. Em 1930, o trabalho e o sacrifício de Madre Maria Teresa foram coroados pela aprovação de sua Congregação pelo Papa Pio XI.
Madre Maria Teresa percorreu a Europa e os Estados Unidos para fundar os Lares para as crianças, e mais tarde os Lares para os idosos. Os últimos anos de sua vida, passou-os em Sittard (Países Baixos), dirigindo a Congregação a partir da Casa Mãe, aí estabelecida desde 1922.
Apesar de muito enfraquecida fisicamente e quase cega, passava largas horas em oração, de joelhos, frente ao Santíssimo Sacramente, e continuou sempre meiga e atenciosa para com as suas Irmãs.
Antes de morrer, a 29 de Setembro de 1938, deixou às suas Irmãs, como sendo sua última vontade e testamento, uma linda declaração:
“Tudo o que Deus faz é bem feito. Seja sempre louvado e exaltado o Senhor” (A.P.445).
Na noite em que morreu, madre Maria Teresa pediu que lhe trouxessem a relíquia, o crucifixo que a tinha acompanhado durante todas as suas viagens. Desde esse momento e até seu último suspiro não mais a largou. Então, de repente, ritmando as sílabas com o dedo, foi dizendo o que seria suas últimas palavras à Comunidade: “Tudo – o – que – Deus – faz – é – bem – feito. - Seja – sempre – louvado – e – exaltado – o – Senhor!” (A.p.445).
Foi como um último raio de sol de um fim de tarde, esta sua exortação final antes de deixar a terra. Durante toda a noite, só teve uma oração: “Tenho de voltar à casa do pai! Deixem-me ir para a casa!” (A.p.445). Foi beatificada pelo Papa Bento XVI em 13 de maio de 2006.

ORAÇÃO
 Deus, nosso Pai, a Bem-aventurada Maria Teresa de São José, dedicou sua vida pela expansão do Vosso Reino.
Nós Vos agradecemos, porque sempre de novo existem pessoas, que querem seguir Vosso Filho de maneira incondicional tanto quanto possível, ainda que com isso suas vidas se tornem uma Via Sacra. Madre Maria Teresa foi instrumento em Vossa mão. Ela queria dar proteção às crianças que não tinham Lar, aos solitários queria dar calor e amor, a todos os sofredores consolo e ajuda.
Antes de sua morte ela expressou o desejo: “Do alto dos céus poder ainda enxugar lágrimas, curar as feridas das almas”. Por sua intercessão nós Vos pedimos, Pai todo-poderoso e amoroso, que nos ajudeis em nossa necessidade... Aceitai nossa oração e dai-nos a grande graça, de nos deixarmos guiar por Vós, durante toda a nossa vida. Isso Vos pedimos por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.

Ver também:

Fontes:
http://www.carmelodcj.com.br/links/beatamariateresa.htm
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=38044&language=IT&img=&sz=full
http://www.katholieknederland.nl/abc/detail_objectID580590.html

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

São Genaro (ou Januário), Bispo e Mártir (+305), 19 de Setembro

São Genaro viveu no Século II. Sua piedade e ciência elevaram-no ao trono episcopal de Benevento (a uns 100 Km de Nápoles), ao qual ele aceitou somente sob ordem do Papa. 

No tempo da perseguição de Diocleciano, São Genaro se multiplicava para sustentar a coragem dos cristãos e, ao mesmo tempo, exortá-los a enfrentar o martírio, se preciso fosse. O prefeito daquela província ficou sabendo disso e o fez comparecer ao seu tribunal: “Ofereça incenso aos ídolos ou renuncie à vida”, disse-lhe ele. Genaro respondeu: “Eu não posso imolar vítimas ao demônio”, respondeu o santo, “eu que tenho a honra de sacrificar todos os dias ao verdadeiro Deus.” Genaro passou do interrogatório à fornalha, de onde saiu são e salvo. Depois veio o suplício com os “unhas de ferro” (ou pregos), deixando o corpo do mártir em farrapos de carne e pele. Foi em seguida lançado na prisão: “Coragem”, disse ele aos seus companheiros, “combatamos generosamente contra o demônio. O Senhor me reuniu a vocês para que o pastor não seja mais separado de seu rebanho.”

No dia seguinte, Genaro e os outros mártires foram expostos às feras no anfiteatro de Pozzolo, na presença de uma multidão de gente. Todos esses heróis de Cristo se muniam do sinal da Cruz; cantavam hinos, esperando que as presas dos leões permitissem às suas almas voarem para o Céu. As feras se acovardaram. Um prodígio! Leões e tigres se deitavam como cordeiros aos pés das vítimas e acariciavam aqueles que deviam devorar. Genaro e seus companheiros foram, então, condenados a terem suas cabeças decepadas. O suplício foi acompanhado por grandes milagres. A um cristão idoso que lhe pedia um pedaço de sua veste como relíquia, ele prometeu o tecido que deveria servir para vendar-lhe os olhos; e como, após sua morte, o carrasco pisoteava a bandagem ensangüentada, dizendo ao mártir decapitado: “Leve esta bandagem àquele a quem você a prometeu”, a vítima obedeceu, e a bandagem, para o espanto de todos, surgiu entre as mãos do cristão idoso.
A história das relíquias de São Genaro é ainda mais extraordinária do que a da sua vida. Pela intercessão de São Genaro, Nápoles foi libertada da peste, nos anos de 1497 e 1529; um menino foi ressuscitado ao ser tocado pela imagem do glorioso mártir; a cidade napolitana foi preservada inúmeras vezes de erupções do Vesúvio. Mas um milagre que se renova diversas vezes todos os anos, em épocas fixas é o célebre milagre da liquefação e da ebulição do sangue de São Genaro. Este sangue é a grande celebridade de Nápoles, que o invoca como seu poderoso protetor. 
(Para saber mais a respeito, ver http://oepnet.sites.uol.com.br/sangue_de_sao_genaro.htm.)

Tradução e Adaptação :
Gisèle Pimentel

Ver também:

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=48876&language=FR&img=&sz=full