terça-feira, 12 de outubro de 2010

Beata Jeanne Leber, Leiga, Reclusa de Ville-Marie (1662-1714), 12 de Outubro

Entre as grandes figuras religiosas que ilustraram a Nova França (Canadá) em seus primórdios, a beata Jeanne Leber ocupa um lugar excepcional: a de reclusa. Filha única de Jacques Leber, o maior negociante do Canadá à época, e de Jeanne Lemoyne, irmã do Barão de Longueil, ambos profundos cristãos, Jeanne nasceu em Ville-Marie, atualmente Montréal, em 4 de janeiro de 1662. Seus padrinhos foram Maisonneuve e Jeanne Mance.
Aos quinze anos, Jeanne concluiu seus estudos e retornou para Ville-Marie. Seus pais obrigaram-na a se vestir segundo a sua alta condição social, sonhando realizar para ela um casamento bastante vantajoso. Mas Jeanne já havia, interiormente, renunciado ao mundo. Sua afeição estava voltada para as religiosas do “Hôtel-Dieu” (hospital mantido por congregações religiosas) e para as da Congregação de Nossa Senhora. Todavia, não se sentindo chamada à vida comunitária, Jeanne Leber começou a sonhar com uma vida de recolhimento, afastada do mundo, na casa paterna. Seus pais, piedosos, respeitaram sua vocação sem, contudo, compreendê-la.
Jeanne dedicou-se à reparação dos pecados do mundo, começando pelos seus próprios. Eram penitências comuns, segundo a mentalidade daquela época, usar cilício e cinto de crina, flagelar-se, comer os restos dos pobres que iam se alimentar à porta da casa do seu pai, eis o programa diário de penitências da jovem. Suas vestes eram de um tecido de lã grosseira acinzentada, sem detalhe algum, que Jeanne usava para honrar a pureza e a humildade de Maria Santíssima, e um capuz cobria sua cabeça. A piedosa reclusa saía do seu retiro apenas para participar da santa missa. Após cinco anos de reclusão decorridos sob a autoridade do seu diretor espiritual e dos superiores eclesiásticos, a jovem pronunciou os votos de perpétua reclusão, castidade e pobreza de coração.
Em 4 de junho de 1685, Jeanne deixou a casa paterna para morar na capela que ela mesma havia mandado construir, às suas expensas, em favor da comunidade da Madre Bourgeois, pedindo apenas que lhe  construíssem uma cela atrás do altar. A breve e tocante cerimônia da solene reclusão numa sexta-feira, durante a celebração das Vésperas, em 5 de agosto, festa de Nossa Senhora das Neves. O pai de Jeanne, aos 64 anos, acompanhou a filha juntamente com um grande número de parentes e amigos. Chegando à entrada da cela de Jeanne, tomado pela emoção, o Sr. Leber acabou tendo que se retirar. Um amigo da família, Sr. Dollier, exortou a Sra. Leber a perseverar no seu retiro como Maria Madalena fez, no seu isolamento numa gruta. Toda Ville-Marie viu, com espanto e admiração, o amor de Deus vitorioso na ternura natural dos pais de Jeanne.
Uma mesa de trabalho, uma cadeira, um fogão e um colchão miserável colocado perto do Tabernáculo compunham todo o mobiliário da pobre cela. Para imitar a piedade de Maria para com Jesus, a beata Jeanne Leber dedicava-se a bordar ornamentos sacerdotais e paramentos do altar.
Sua oração era contínua e sua imolação, total. À noite, ela se levantava sem acender o fogo, mesmo nos mais rigorosos invernos; não acendia luz alguma para que ninguém a percebesse. Virando-se, então, para o Santíssimo Sacramento iluminado pela claridade da lamparina do santuário, ela prolongava suas orações durante uma hora.
Os vinte últimos anos desta vítima do amor transcorreram nesta “prisão” abençoada, na aridez e nas contínuas penas interiores. Em meio a essas pungentes desolações do coração e do espírito, Jeanne nunca consagrou menos de três ou quatro horas por dia à oração e jamais deixou de fazer seus exercícios de piedade.
Esta alma celestial deixou a terra em 3 de outubro de 1714, às 9h da manhã, aos cinqüenta e dois anos de idade. Sua reclusão havia durado, ao todo, trinta e quatro anos. Seus pobres andrajos foram distribuídos aos fiéis, até mesmo seus sapatos, que eram feitos de palha. Todos os que conseguiram obter alguma coisa que tivesse pertencido à admirável reclusa, reverenciavam tal lembrança como relíquia digna de devoção. Seu corpo foi enterrado no subsolo da capela da Congregação.
Resumo O. D. M.

Tradução e Adaptação :
Gisèle do Prado Pimentel
gisele.pimentel@gmail.com

Ver também:

Fontes :
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20101012&id=11354&fd=0
http://www.magnificat.ca/cal/fran/10-12.htm

Beato João XXIII, Papa (+1963), 11 de Outubro


Na cidade de Roma, no ano de 1958, mais um Papa foi eleito. Os cardeais escolheram o sucessor do Papa Pio XII, o qual falecera após dirigir os destinos da Igreja Católica por 19 anos. Aos 77 anos, Ângelo Giuseppe Roncalli assumiu a Cátedra de Pedro com o nome de João XXIII. Era um homem simples que transmitia bondade, mansidão, benevolência e gentileza. Normalmente causava um impacto sempre favorável nas pessoas. Reconhecia claramente suas limitações e era dotado de um vivo senso de humor.
Além da convocação do Sínodo romano, instituiu uma comissão para a revisão do Código de Direito Canônico e convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II. Muito amante da Tradição da Igreja, desejava apenas levar o Senhor a todos os povos numa forma de comunhão eclesial mais direta e mais próxima.
Este Papa exalava odor de santidade, sendo assim reconhecido pelo seu rebanho, que o chamava apenas de “Papa bom”. Buscava incansavelmente a paz para si mesmo e para todos os povos. Em 1960, num dos seus escritos, ele registrou uma página memorável com notável sentimento de espiritualidade e religiosidade universal. Chama-se o Decálogo da Serenidade e contém dez sugestões de conduta para o homem que deseja a paz.
1- Só por hoje, tratarei de viver exclusivamente o dia de hoje, sem querer resolver os problemas da minha vida de uma só vez.
2- Só por hoje, terei o máximo cuidado com os meus atos; serei cortês nas minhas maneiras, não criticarei ninguém e nem pretenderei melhorar ou disciplinar ninguém, senão a mim mesmo.
3- Só por hoje, serei feliz na certeza de que fui criado para a felicidade não só no outro mundo mas neste também.
4- Só por hoje, me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que elas se adaptem a todos os meus desejos.
5- Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, assim como o alimento é necessário para a vida do corpo, a boa leitura é necessária para a vida da alma.
6- Só por hoje, farei uma boa ação e não direi a ninguém.
7- Só por hoje, farei pelo menos uma coisa que não desejo fazer e se me sentir ofendido nos meus sentimentos, procurarei que ninguém o saiba.
8- Só por hoje, farei para mim um programa detalhado; talvez não o cumpra integralmente, mas ao menos o escreverei. E me guardarei de duas calamidades: a pressa e a indecisão.
9- Só por hoje, acreditarei firmemente que, embora as circunstâncias demonstrem o contrário, a boa providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo.
10- Só por hoje, não terei temores. De modo particular, não terei medo de gozar o que é belo e de crer na bondade.

Beato João XXIII, intercedei por todos nós!

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domingo, 10 de outubro de 2010

São Tomás de Vilanova, Bispo (+1555), 10 de Outubro

Nascido em Fuenllana em 1486, é uma das pessoas mais expressivas do século. Ainda muito novo, foi levado à cidade de Vilanova de los Infantes, na Espanha, onde adquiriu uma formação cultural fortíssima e demonstrou sua bondade e caridade para com os pobres. Em 1516, ingressou na vida religiosa adotando a ordem dos agostinhos, sendo ordenado sacerdote dois anos depois.

Proposto pelo imperador Carlos V, tornou-se Bispo de Valência em 10 de Janeiro de 1545, seguindo os princípios e ensinamento de São Paulo e dos bispos antigos como Agostinho, Gregório Magno e Ambrósio. Adotou também a visita pastoral às comunidades, nas quais procurava amparar principalmente recém-nascidos e crianças. Fundou no palácio episcopal um orfanato para abrigar meninas e meninos desamparados.

São Tomás realizou um belo milagre: curou um coxo, como são Pedro, e essa cena está retratada em quadro do famoso pintor Murillo. Este milagroso santo morreu em 8 de setembro de 1555. Alexandre VII o incluiu no álbum dos santos em 10 de novembro de 1658 e, em sua memória, foi-lhe concedida a paróquia de Castel Gandolfo, que fica próximo da casa de descanso dos papas.

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Beato John Henry Cardeal Newman (+1890), 09 de Outubro

Nasceu em Londres, a 21 de Fevereiro de 1801 e morreu em Edgbaston a 11 de Agosto de 1890. Foi um sacerdote anglicano convertido ao catolicismo, posteriormente nomeado cardeal pelo Papa Leão XIII em 1879. Foi beatificado no dia 19 de Setembro de 2010 pelo Papa Bento XVI.
Estudou no Trinity College de Oxford (1816) e no Oriel College (1822) e foi ordenado sacerdote da Igreja Anglicana e um dos líderes do "Movimento de Oxford". Naquela época, ele considerava o anglicanismo de seu tempo excessivamente protestante e laicizado e o catolicismo parecia-lhe corrompido em relação às origens do cristianismo. Buscou uma "via média" entre os dois, e, pesquisando sobre os primórdios da Igreja Católica, acabou por converter-se.
Depois de sua conversão ao catolicismo, foi ordenado sacerdote da Igreja Católica em Roma, abriu e dirigiu em Birmingham um oratório de S. Filipe Neri e foi ainda reitor da Universidade católica da Irlanda.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

São Simeão (ou Simão), o Novo Teólogo (+1022), 08 de Outubro

Simeão o Novo Teólogo é o último dos três santos da igreja ortodoxa que teve o título de teólogo, dando-lhe o título de "novo", provavelmente para distingui-lo de outro Simeão contemporâneo. Simeão era um poeta que encarna a tradição mística. Ele escreveu que os seres humanos podem e devem experimentar Deus diretamente.
Ele nasceu na Galácia, estudou em Constantinopla e foi designado como cortesão no atendimento aos imperadores Basil e Constantino Porphyrogenitus. Ele abandonou sua vida de cortesão para se retirar para um mosteiro com a idade de 27 anos. Mais tarde tornou-se abade do mosteiro de São Mammas de Constantinopla.
A rígida disciplina monástica de Simeão irritou alguns no mosteiro. Um dia após a liturgia alguns dos monges atacaram-no e quase o mataram. Depois que eles foram expulsos do mosteiro, Simeão pediu que eles sejam tratados com indulgência. Das autoridades da igreja, também Simeão sofreu severa oposição por considerarem as suas exigências muito difíceis.
Simeão não foi educado em Filosofia grega, mas estava bastante familiarizado com a vida da igreja. Ele falou muitas vezes da experiência pessoal direta e de vez em quando atacou alguns estudiosos que via como fingindo ter um conhecimento que não tinham.
Algumas das obras Simeão incluir o seu Discursos Catequéticos, Hinos do Amor Divino e Três Discursos Teológicos.

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Fontes:

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

São Marcos, Papa (+336), 07 de Outubro

Marcos (em latim, Marcus) foi Papa entre 18 de janeiro de 336 até 7 de outubro de 336. É tido por romano, mas pouco se conhece da sua vida. Foi consagrado em 18 de Janeiro de 336, e faleceu em 7 de Outubro do mesmo ano.

Crê-se que as mais antigas listas conhecidas de bispos e mártires ("Depositio episcoparum" e "Depositio martyrum") começaram a ser compiladas no seu pontificado. Instituiu o pálio, tecido com lã branca de cordeiro e com cruzes negras e fez o primeiro calendário com as festas religiosas. Mandou construir as basílicas de São Marcos e de Santa Balbina. Marcos também emitiu uma constituição que confirma o poder do bispo de Óstia para benzer papas recém-eleitos. Morreu de causas naturais e foi enterrado na catacumbas de Balbina, onde ele tinha construído o cemitério da igreja. Sua festa é em 7 de outubro.

Precedido por Silvestre I
34º Papa
Sucedido por Júlio I


Ver também: Nossa Senhora do Rosário

Fontes:
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c2/Marcus_%28papa%29.jpg

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Santa Maria Francisca das Cinco Chagas, Franciscana 3ª (+1791), 06 de Outubro

Ana Maria nasceu em Nápoles no dia 25 de março de 1715, filha de Francisco Gallo e Bárbara Basini, comerciantes. Ainda menina, manifestou o desejo de receber a Eucaristia, o que aconteceu com 7 anos.
Mostrou tanta piedade e prática de virtudes, que foi chamada de "Santita" (Santinha). Decidida a consagrar-se a Deus, apesar da oposição de seu pai, que lhe oferecia um vantajoso matrimônio, tornou-se terceira franciscana seguindo a Regra e a orientação dos frades menores, que tinham o convento de Santa Lucia do Monte em São João José da Cruz.
Com apenas 16 anos, delicada e pálida devido às penitências voluntárias, tomou o hábito franciscano no dia 8 de setembro de 1731; professou os três votos de castidade, pobreza e obediência e passou a se chamar Maria Francisca das 5 Chagas de N.S.J.C. Embora permanecesse no mundo, viveu na mais perfeita observância da severa Regra Franciscana, submetendo seu corpo, e já cansado por um contínuo trabalho, a flagelações, vigílias e cilícios.
Êxtases e profecias eram-lhe familiares. Vivia já das coisas sobrenaturais, incompreendida, perseguida, tratada como visionária foi submetida a exames por parte das autoridades eclesiásticas. Em sete anos de duro martírio suportou tudo com inalterada mansidão.
Assistida por muitos religiosos fiéis, fortalecida pela Eucaristia, morreu serenamente no seu quarto no dia 6 de outubro de 1791, aos 76 anos. Seu corpo foi sepultado na igreja de Santa Lucia do Monte, onde é venerada ao lado do túmulo de São João José da Cruz.

www.franciscanos.org.br

Ver também:

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20101006&id=11013&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=37028&language=PT&img=&sz=full

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Santa Faustina, Religiosa, Mística (+1935), 05 de Outubro

Maria Faustina Kowalska, ou simplesmente Santa Faustina (Lodz, 25 de Agosto de 1905 - Cracóvia, 5 de Outubro de 1935) foi uma religiosa e mística polonesa.
Conhecida como "Apóstola da Divina Misericórdia", é considerada pelos teólogos como fazendo parte de um grupo de notáveis místicos da Igreja Católica. Entrou para a vida religiosa em 1924 na congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia.
Um dos seus confessores, Padre Sopocko, exigiu de Santa Faustina que escrevesse as suas vivências num diário espiritual. Este diário compõe-se de alguns cadernos. Desta forma, não por vontade própria, mas por exigência de seu confessor, ela deixou a descrição das suas vivências místicas, que ocupa algumas centenas de páginas.
Foi canonizada a 30 de Abril de 2000 pelas mãos do Papa João Paulo II, que igualmente instituiu a Festa da Divina Misericórdia.

Ver também:

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20101005&id=12405&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=48043&language=PT&img=&sz=full

domingo, 3 de outubro de 2010

São Petrônio de Bolonha, Bispo († 450), 04 de Outubro

São Petrônio de Bolonha nasceu em data desconhecida, no final do Século IV ou início do Século V, em Constantinopla e morreu em Bolonha, na Itália, por volta dos anos 450 ou 451 d.C. Ele era um religioso italiano que foi bispo daquela cidade italiana do ano de 433 até a sua morte.

Biografia

Petrônio foi bispo de Bolonha, na atual Emília-Romana, Itália, durante o Século V. Oriundo de uma nobre família romana, ele se converteu ao cristianismo. Após tornar-se padre e, posteriormente, ser ordenado bispo de Bolonha pelo Papa Celestino I, Petrônio construiu a igreja de Santo Estêvão.
Alto funcionário romano, ele havia recebido uma educação digna de sua estirpe. Partiu durante um tempo para os “desertos” do Egito e, depois, retornou a Bolonha. A cidade acabara de ser pilhada pelos exércitos de Alarico. Petrônio foi escolhido como bispo e consagrou sua fortuna pessoal à restauração de Bolonha, que estava em ruínas. Ele é o santo patrono daquela cidade, festejado em 4 de outubro.

Bibliografia

·  George Ferguson, Signes et symboles dans l'art chrétien, Oxford University Press, New York, 1961, p. 139.

Fontes

·  (en) Este artigo é parcial ou completamente retirado do artigo da Wikipédia em inglês « Saint Petronius » (ver a lista dos autores)
·  Este artigo emprega o texto de domínio público Enciclopédia Católica de 1913.

Tradução e Adaptação:
Gisèle Pimentel

Ver também: São Francisco de Assis

Fontes:

Santa Maria Josefa Rossello, Religiosa (+1880), 03 de Outubro

Maria Josefa de Rossello, cujo o nome de batismo era Benedita (Benedetta), nasceu em Albissola Mariana, Savona, no dia 27 de maio do ano 1811, a quarta filha de um humilde fabricante de vasilhas, aprendeu logo a modelar a argila na oficina paterna, deixando-se ao mesmo tempo modelar pela graça.
Tendo trabalhado também numa casa de família, assistindo o senhor Monleone que se encontrava enfermo, onde passou sete anos naquela rica casa, com o coração em Deus. Foi convidada após a morte do patrão pela viúva para permanecer naquela casa não mais como empregada, mas como filha adotiva, já que o casal não tinha filhos. Como o seu desejo era apenas o de ingressar numa congregação religiosa e consagrar-se a Deus, recusou a proposta.
"Coração para Deus, mãos para o trabalho", era a exortação que Maria Josefa de Rossello repetia com freqüência às Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia. Esse lema foi também o seu programa de vida, que atuou com generosa dedicação a Deus e ao próximo.
No dia 10 de agosto de 1837, Benedita e suas companheiras , sob a orientação do Bispo Agostinho de Mari, davam início à fundação do novo instituto em modesta casa alugada chamada Congregação das Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia. Aos 22 de Outubro do mesmo ano vestiam o hábito religioso e Benedita assumia o nome de Irmã Maria Josefa.
Em 1840 a pequena congregação conta com sete irmãs professas e quatro noviças. Irmã Maria Josefa, eleita superiora, teve de guiar sozinha a congregação, porque no mesmo ano o Bispo de Mari morreu. Conduziu a bom termo várias iniciativas, incluindo a corajosa obra de resgate dos escravos africanos, dando asilo a numerosas meninas de cor; provindas de uma humilhante escravidão. Com sua confiança na Providência, ergueu várias casas (todas dedicadas à Providência ) para aí acolher as meninas pobres. No ano de 1860, abriu o Pequeno Seminário para meninos, filhos de operários pobres, encaminhado-os gratuitamente à carreira eclesiástica.
Santa Maria Josefa Rossello morreu aos 69 anos no dia 7 de dezembro do ano 1880, na Casa-Mãe, em Savona. No dia 12 de Junho de 1949, o Papa Pio XII canonizou-a tendo o seu nome sido incluído no catálogo dos santos.

Ver também:

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20101003&id=11003&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=37030&language=PT&img=&sz=full

sábado, 2 de outubro de 2010

Beato Antônio Chevrier, Sacerdote, Fundador (+1879), 02 de Outubro

Nascido a 16 de Abril de 1826 e ordenado em 1850, o Padre Antônio Chevrier foi logo nomeado coadjutor da paróquia de Santo André de la Guillotière, bairro industrial e operário da cidade de Lyon, França. Três coisas aí o marcaram e fizeram sofrer muito: a “miséria e ignorância” das pessoas, agravada pelas “inundações catastróficas” do Ródano em fins de Maio de 1856; o “distanciamento do clero” em relação às mesmas; a sensação nítida de que a pastoral utilizada pela Igreja local não servia. “Um pouco menos de devoção e um pouco mais de fé”, dizia.
Alguns meses depois, deu-se um acontecimento, que ele apelida de místico-apostólico. Conta ele: “Foi meditando durante a noite de Natal de 1856 sobre a pobreza de Nosso Senhor e sobre a Sua descida para o meio dos Homens que resolvi deixar tudo e viver o mais pobremente possível… Foi o mistério da Encarnação que me converteu!… Então decidi-me a seguir Nosso Senhor Jesus Cristo mais de perto. E o meu desejo é que vós próprios sigais de perto Nosso Senhor”.
Antônio Chevrier estava convicto de que a “formação de sacerdotes e catequistas, consagrados à evangelização dos pobres, era a grande necessidade da sua época e da Igreja”. E para isso, só sacerdotes pobres estariam em condições de fazê-lo: “Sacerdotes despojados (Presépio), crucificados (Calvário) e dados em alimento (Eucaristia)”.

Um Princípio Fundamental: conhecer Jesus Cristo é tudo!
Antônio Chevrier foi o fundador da Associação dos Padres do Prado (Instituto Secular) que desenvolve uma espiritualidade de padre diocesano, tendo como pilares fundamentais:

O Estudo do Evangelho
Estudar Jesus Cristo tal como se nos revela nas Escrituras. “Nenhum estudo deve ser preferido àquele, porque só este conhecimento nos pode fazer padres”.

A releitura da nossa vida à luz do Evangelho
Para conduzir o povo de Deus segundo o Espírito de Deus, é-nos necessário conhecer a vontade de Deus. Procurar decifrar os sinais dos tempos na vida de hoje como lugar onde se manifestam a vontade e a ação de Deus. Pelo olhar contemplativo sobre a vida das pessoas, deixar o Espírito formar em nós Jesus Cristo na própria ação pastoral.

A Vida de Equipe, a Vida fraterna
Acolher com alegria os companheiros a quem o Espírito comunica a mesma atração.
A vida de equipe tem por fim estimular-nos a viver a nossa vocação na pobreza, na simplicidade e na alegria, oferecer-nos um lugar de discernimento, de conversão, de renovação na nossa ligação a Jesus Cristo e no nosso desejo missionário ao serviço dos pobres.
A vida de equipe não tira nada à nossa pertença ao presbitério da nossa diocese, que é o nosso primeiro espaço de fraternidade.

O Padre Chevrier, guia neste caminho
Os a sua vida, seus escritos são, para nós, um lugar privilegiado. Por ele nos veio este apelo. Ele não é apenas um entre tantos, para o Prado. É um “guia incomparável para os padres e mesmo para os leigos cristãos” segundo a expressão de João Paulo II, por ocasião da beatificação do Padre Chevrier.
Antônio Chevrier foi beatificado por João Paulo II, em Lyon, no dia 4 de Outubro de 1986. Nessa ocasião, o Papa deixou aos pradosianos quatro grandes orientações:
• “Ide ao encontro dos pobres para fazer deles verdadeiros discípulos de Jesus Cristo”;
• “Que o vosso sinal distintivo seja sempre a simplicidade e a pobreza”;
• “Falai de Jesus Cristo com a mesma intensidade de fé como o Padre Chevrier”;
• “Apoiai-vos sempre em Jesus Cristo e na Igreja”.
A sua Festa celebra-se a 2 de Outubro, dia aniversário da sua morte.

Oração
Senhor, Vós chamastes o Bem-aventurado Antônio Chevrier a fazer-se discípulo do Vosso Filho, para que a Boa Nova seja anunciada aos pobres. Ajudai-nos a seguir os exemplos de Cristo pobre e crucificado, a fim de que Vos possamos glorificar.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo.

Avelino Cardoso (Padre pradosiano)

João Paulo II disse o seguinte para os seminaristas franceses e seus formadores reunidos em Lyon, nos dias 14 e 15 de setembro de 2001:
 “Os seminaristas e seus formadores são convidados a criar em conjunto uma comunidade de discípulos que reviva a experiência dos Doze unidos a Jesus (cf. Pastores dabo vobis, nr.60), de modo a aprender a viver e servir como Jesus fez. Para este efeito, é importante que eles não procurem honras, riqueza ou poder, mas sim para darem-se mansos e humildes (Mt.11/29), pobres (Mt.5 / 3) e pequenos (Mt.11 / 25), imitando assim o Mestre, a fim de se tornarem Seus verdadeiros discípulos, para que todos aqueles que batam à porta possam se sentir respeitados e bem-vindos. Eles irão encontrar no Beato Antônio Chevrier e nos muitos Santos da França, dignos modelos da vida apostólica “(Doc. Cath. 21 Out. 2001, nr. 2256) – Retirado e traduzido do site do Instituto do Prado.
Digna de nota é a direção espiritual feita pelo Beato Antônio Chevrier à senhora Marie Marthe Tamisier, considerada a fundadora dos Congressos Eucarísticos Internacionais. Essa devota dama francesa era dirigida espiritualmente pelo grande São Pedro Julião Eymard, fundador  dos Padres do Santíssimo Sacramento, considerado Apóstolo da Eucaristia. Depois da sua morte, em 1868, Marie Tamisier correu para Ars, e em prece aos pés do túmulo de São João Maria Vinnaey clamou a Deus para que pudesse ser agraciada com um novo diretor tomado pelo fervor evangélico. Alguns dias depois um amigo encorajou-a a ir até Lyon, onde vivia o Apóstolo dos Mendigos, Pe. Chevrier.
Quando viu Pe. Chevrier, ela ficou surpresa:  ele vestia roupas velhas e vivia sob a mais genuína pobreza cristã. Além disso, o santo sacerdote foi enfaticamente duro com a senhora Tamisier: “Você deseja servir a Deus, mas não sabe nada da vida cristã! É necessário ser um santo e fazer as obras dos santos para entrar no céu. É necessário seguir as palavras de Jesus no Evangelho: ‘Vai, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me.’” Ainda continuou: “Não ter nada, você deve se tornar um mendigo! Pare a primeira mulher que conhecer e peça para trocar as suas roupas com a dela, cubra-se com trapos, e então comece a servir ao Senhor. Quando você sentir que tem a força para viver assim, venha a mim e eu vou, com prazer, dirigir a sua alma.” A Senhora Tamisier gostava da sua vida, das suas roupas, do seu mundo, ela não entendia o motivo de uma pobreza tão radical. Depois de alguns meses foi ao encontro de Pe. Chevrier e este lhe disse: “Você mudou a sua mente? Faça-o agora! Sua vocação é a de pedinte nas ruas, como um mendigo do Santíssimo Sacramento!” Ela sabia, realmente, que o Pe. Chevrier falava a verdade, mas também sabia e reconhecia a sua fraqueza em segui-lo.
Depois de muita oração e clamor ao Senhor, a Senhora Tamisier recebeu a graça de Deus. Ela voltou para Lyon onde se encontrou com Pe. Chevrier e disse o que ele tanto queria ouvir: “Padre, estou pronta para o sacrifício”. Tão ilustre sacerdote sabia que o importante, antes de tudo, era a pobreza espiritual; não necessariamente os pobres em matéria eram pobres em espírito, e não necessariamente os ricos em matéria eram ricos em espírito. Chevrier não rasgou as vestes de Tamisier, não mandou que vendesse seus bens, mas mesmo assim se tornou seu diretor espiritual, afinal o maior sacrifício, o da alma, ela já havia feito. Pe. Chevrier disse a ela: “Você irá trabalhar, mas você não verá os frutos do seu trabalho e ainda irá se deparar com muitas dificuldades no seu trabalho para fazer o Santíssimo Sacramento conhecido e amado.” E assim aconteceu. O que começou de maneira pequena, simples e desorganizada, tornou-se um dos eventos mais sublimes da catolicidade: o Congresso Eucarístico Internacional.

RAVAZZANO, Pedro. Apostolado Veritatis Splendor: BEATO ANTÔNIO CHEVRIER, EXEMPLO DE SANTIDADE E POBREZA EVANGÉLICA. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/5949. Desde 20/08/2009.

http://apelosdoceu.com/blog/wp-content/plugins/wp-spamfree/img/wpsf-img.php
Ver também: Santos Anjos da Guarda

Fontes:
http://paroquiadopragal.wordpress.com/2010/04/27/beato-antonio-chevrier-fundador-do-prado/
http://apelosdoceu.com/blog/2009/09/beato-antonio-chevrier-exemplo-de-santidade-e-pobreza-evangelica/