sábado, 27 de novembro de 2010

São Leonardo de Porto Maurício, Presbítero (+1751), 26 de Novembro

"O Senhor me assistiu e me deu forças para que fosse anunciada a boa mensagem." (II Tm 4,17)

Nasceu na cidade de Porto Maurício, perto de Gênova, Itália, em 1676, tendo ficado órfão de mãe aos dois anos. Desejando tornar-se sacerdote, foi para Roma onde estudou no Colégio Romano de direção dos padres jesuítas, que muito influenciaram na sua formação espiritual. Ao terminar os estudos teológicos, abraçou a vida franciscana na Ordem dos Frades Menores, ordenando-se sacerdote aos 26 anos.
Percorreu quase toda a Itália, pregando sempre ao povo com grande proveito das almas. Escreveu muitas obras de utilidade para os pregadores e de edificação para os fiéis.
Foi superior de conventos em Florença e em Roma, durante muitos anos, organizando missões populares, seu grande carisma, nas quais destacou-se como um dos maiores oradores sacros do seu século, tendo suas pregações sido assistidas várias vezes pelos Papas Clemente XII e Bento XIV, que declararam nunca ter conhecido pregador tão eloqüente e zeloso.
Pregava para grandes multidões de fiéis nas basílicas e nas praças públicas, levando-os a uma grande devoção à paixão e morte de Cristo, pela via-sacra. Foi um apóstolo deste piedoso exercício praticado inicialmente como devoção interna nos conventos franciscanos, passando depois para as igrejas públicas. São Leonardo erigiu a via-sacra, com pregações especiais a cada estação, em 575 igrejas. 
Foi no Coliseu em Roma, no Ano Santo de 1750, a mais conhecida cerimônia penitencial de ereção da via-sacra. A partir daí, o Papa costuma fazer a via-sacra nas Sextas-Feiras Santas, neste histórico monumento.
Propagou também entre os fiéis a importante devoção ao Sagrado Coração de Jesus, em forma de horas de adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia.
Possuidor do espírito de São Francisco de Assis, era amigo apaixonado da pobreza. Andava sempre descalço, mesmo no inverno rigoroso, só usava hábito que já tivesse sido de outro e já bem gasto. Amigo de Deus, de profunda humildade e conformidade à vontade de Deus, dedicava grande amor ao próximo, especialmente no confessionário, onde os pecadores encontravam nele um bom pai e caridoso médico espiritual. Durante as missões, ali permanecia o dia todo sem se alimentar ou descansar, jejuava, mortificava duramente seu corpo e dormia no chão, a fim de propiciar  a graça da conversão.
Deixou numerosos escritos de ascética, sermões, cartas que evidenciam nele um alto grau de espiritualidade, podendo ser bem aproveitados até hoje.
Morreu no dia 26 de novembro de 1751, com 75 anos de idade, tendo recebido a visita do próprio Papa Bento XIV que lhe tinha grande admiração. 
          
ORAÇÃO - Ó Deus todo-poderoso e cheio de bondade, que fizestes de São Leonardo notável mensageiro do mistério da cruz, concedei, por sua intercessão, que, reconhecendo na terra as riquezas da cruz de Cristo, mereçamos alcançar nos céus os frutos da redenção. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.



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Beata Maria de Jesus Crucificado Petkovic, Religiosa, Fundadora (1892-1966), 25 de Novembro

Maria Petkovic nasceu no dia 10 de Dezembro de 1892, na ilha de Korcula em Blato, na Diocese de Dubrovnik (Croácia).
Desde a mais tenra infância, apesar da precariedade da sua saúde, mostrou nobreza de espírito, apego à família e à Igreja, e sensibilidade para com os necessitados. As mortes e destruições causadas pela primeira guerra mundial influenciaram a sua opção vocacional, já marcada por uma vida familiar cristã exemplar, caracterizada pela obediência, o amor filial e a observância dos preceitos divinos.
Em 21 de Novembro de 1906 fez o voto de virgindade e, depois de alguns anos de contacto com os membros da Associação das Filhas de Maria, foi inspirada a fundar a Associação do Bom Pastor, cujo carisma viria a ser a visita aos doentes, a preparação dos adolescentes para a primeira comunhão e a reparação das ofensas feitas a Jesus.
Em 1915 fundou também a Sociedade das Mães Católicas, formada por uma centena de mulheres e, a partir de 1917, passou a orientar as Terceiras Franciscanas, que então contavam cerca de duzentos membros, ajudando a "Cozinha Popular" das Irmãs Servas da Caridade, a distribuir aproximadamente três mil refeições às pessoas mais necessitadas, e prometendo solenemente ao Bispo Ordinário local que, a partir de então, viveria no meio dos pobres. E o Senhor infundiu muitos dons na sua alma eleita, que difundia luminosidade à sua volta.
Em 1919, Maria entrou no convento das Servas da Caridade. Todavia, por motivos políticos, as irmãs fundadoras, que eram italianas, tiveram que regressar à pátria e assim, o Bispo local nomeou Maria superiora provisória da nova ordem, cujos fundamentos espirituais seriam a obediência, o amor e o altruísmo. No final desse mesmo ano, Maria fundou três instituições de assistência à infância necessitada e, embora se considerasse indigna, compreendeu com grande clarividência que Deus a estava preparando para grandes obras.
A nova congregação, do ramo franciscano, foi fundada oficialmente no dia 4 de Outubro de 1920, com o título de Filhas da Misericórdia e a jovem recebeu o nome religioso de Maria de Jesus Crucificado e foi eleita superiora-geral. A jovem fundadora encontrou-se imediatamente diante de infinitas dificuldades, que procurava vencer com a oração, a fé em Deus e o trabalho árduo:  a educação dos jovens membros, o plano de trabalho, a construção de novas casas, a falta de meios de sustento, a redação das primeiras Constituições (aprovadas em 1923), a consolidação e a conservação da identidade da sua instituição religiosa.
Durante quarenta anos à frente da Congregação (de 1920 a 1952, foi eleita superiora-geral cinco vezes consecutivas), Madre Maria abriu vinte e duas casas, preparando trinta religiosas para as missões na América Latina, onde viriam a ser fundadas novas casas (Argentina, Paraguai, Chile, Peru e Uruguai), assim como na Itália e na Espanha. A Sagrada Congregação para os Religiosos reconheceu esta ordem como "instituição canônica" em 1927 atribuindo-lhe, no ano seguinte, a condição de "direito diocesano" e, em 1944, por ocasião do 25º aniversário de fundação, também o "decretum laudis".
A espiritualidade de Maria apresenta três aspectos de base:  provavelmente marcada pela experiência de bondade vivida em família, manifestava uma relação filial repleta de confiança no Pai misericordioso; além disso, a profunda confiança no amor ao Filho, que inspirou toda a sua vida; por fim, a incessante invocação da sabedoria do Espírito Santo, que é o ator de toda a santificação. As virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade, em relação a Deus e ao próximo, e as virtudes cardeais que ela exerceu ao nível mais excelso, realçaram a sua sensibilidade ao voto de castidade.
Maria de Jesus Crucificado distinguiu-se ainda na fidelidade à Igreja e na obediência perfeita, mesmo nos momentos mais difíceis da sua vida:  quando recebeu respostas negativas dos responsáveis a vários níveis, quando deixou o cargo do governo da sua Congregação e quando ficou paralisada na parte esquerda do seu corpo, nos últimos três anos de vida, aceitando como sinal da Vontade divina tudo aquilo que a Igreja lhe ensinava. Foi uma mulher forte, de consciência reta, grande trabalhadora e capaz de suportar todo o tipo de dor e sofrimento, permanecendo sempre aberta às inspirações do Espírito Santo e aos preceitos da Igreja, como no-lo mostram a sua vida e as suas numerosas obras. É por isso que, com fama de santidade e um milagre já reconhecido, agora pode ser elevada às honras dos altares pela Igreja que ela tanto amou.
A semente de santidade que Deus lançou no coração da pequena Maria cresceu primeiro na sua consciência e depois no seu compromisso, revigorando-se na família e na comunidade paroquial, onde amadureceram os primeiros frutos de amor ao próximo, no carisma que a levou a fundar novas casas em ordem a ajudar as pessoas marginalizadas da sociedade, para maior glória de Deus e a honra da Igreja católica.
A Serva de Deus faleceu no dia 9 de Julho de 1956, depois de um prolongado período de enfermidade e indizíveis sofrimentos.

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Beata Maria Anna Sala, Religiosa, Educadora das Irmãs Marcelinas (1829-1891), 24 de Novembro

A Irmã Maria A Anna Sala, nascida em Brívio, Itália, aos 21 de abril de 1829 e falecida aos 24 de novembro de 1891, em Milão, Itália, foi beatificada pelo Papa João Paulo II, aos 26 de outubro de 1980, em Roma, na praça do Vaticano.
“O estilo de santidade de Ir. Maria Anna Sala nos sugere aquela voz calma e serena, na qual Deus estava presente. Eis a mensagem que Ir. Maria Anna nos transmite com sua vida: um hino a Deus, uma oração contínua e um mergulho no mistério de Cristo que conheceu a humildade do sepulcro; um caminhar confiante, na certeza de ser amada por Deus, enquanto todo o seu ser possuía o Amor e cantava o Amor. Ir. Maria Anna Sala deu o máximo de si, na observância religiosa e no apostolado, com um incomparável espírito de sacrifício, fazendo brilhar, porém, sempre escondida, todos os dons da inteligência com que o Senhor a dotara, tornando-se uma grande educadora.
Às alunas ela deu não só a ciência necessária, num tempo em que a mulher se conservava afastada da cultura, mas deu também a sabedoria e o temor de Deus. Trabalhou sabiamente pela promoção da mulher, procurando dar-lhe uma cultura adequada e uma piedade baseada em seguros conhecimentos teológicos.
Entre as alunas que deram testemunho dela, houve uma, Giuditta Alghisi Montini, que foi a mãe do Papa Paulo VI. Isto nos faz pensar no trabalho silencioso, porém grande, que as santas mães tiveram na formação de seus filhos. Ao lado das mães, as educadoras.”
(Card. Pietro Palazzini)

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

São Columbano, Abade (+615), 23 de Novembro

São Columbano, desde tenra idade,  mostrou clara inclinação para a vida consagrada. Tendo abraçado a  vida monástica, partiu para a França, onde fundou muitos mosteiros que governou com austera disciplina. Ao sair da Irlanda em companhia do monge e São Gall, percorreu a Europa Ocidental. Algumas vezes era rechaçado, outras acolhido. Deixou rastro de fundação de mosteiros e abadias, dos quais resultaram em resplendor cultural e religioso dignos de toda loa. Esses mosteiros foram o foco da cultura cristã francesa na época.  
Seu estilo de vida foi austero e assim o exigia aos monges. Graças a isso, a Igreja enumera como seus contemporâneos grandes santos que formaram-se na escola doutrinária de São Columbano. O mosteiro mais célebre  foi o de Luxeuil, ao que confluíram francos e gauleses.  Foi durante séculos o centro da vida monástica mais importante em todo o Ocidente. 
Enfrentou, no início do século VII fortes perseguições na França e por isso, no ano de 610 teve de sair do país em decorrência das investidas da soberana, a então rainha Brunehaut, que teve o ego ferido porque o santo abade lançara-lhe em rosto todos os seus vícios e crimes.
Pensou em retornar à Irlanda, mas acabou permanecendo em Nantes. Lá também teve que fugir aos Alpes até que finalmente encontrou acolhida e refúgio seguro em Bobbio, situada ao norte da Itália, na região da Emilia Romana, província de Piacenza. Lá fundou seu último mosteiro e nele morreu no ano de 615. A regra monástica original que deu a seus monges serviu de referência e influenciou sobremaneira toda a Europa por mais de dois séculos. Muitos povos, regiões e lugares estão sob sua proteção e o invocam como padroeiro. 
Nos quatro últimos anos de sua vida, experimentou certa tranqüilidade, já que o rei Aguilulfo lhe concedeu tratamento digno e respeitoso.

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Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20101123&id=11979&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=43752&language=PT&img=&sz=full

domingo, 21 de novembro de 2010

Beato Tomás Reggio, Bispo, Fundador (1818-1901), 22 de Novembro

Descendente de nobres, Tomás nasceu na cidade de Gênova, na Itália, em 9 de janeiro de 1818. Aos vinte anos, decidiu dedicar-se à vida religiosa, deixando para trás o luxo e uma carreira brilhante. Escolha essa definitiva, pois, ao receber a ordenação sacerdotal, fez voto de pobreza. 
Apesar da pouca idade, foi nomeado vice-reitor do seminário de Gênova, aos vinte e cinco anos, e logo depois assumiu a titularidade da reitoria. Sua dedicação na formação dos futuros sacerdotes era para que realmente eles estivessem dispostos a um compromisso pleno e total de suas vidas, sem receios, com Deus e com Igreja. 
Em 1877, foi consagrado bispo de uma diocese genovesa muito pobre, chamada Ventimiglia, onde foi um pastor visionário e verdadeiro guia espiritual do seu rebanho. Convocou três sínodos em quinze anos, criou novas paróquias, renovou a liturgia e trabalhou para aumentar a atuação da assistência social aos pobres e doentes da diocese. 
No primeiro ano de seu bispado, fundou a Congregação das Religiosas de Santa Marta, com o objetivo de acolher os mais pobres entre os pobres. Essas religiosas aprenderam com ele a adorar a Deus em silêncio, a alimentar-se da oração, a encontrar, de joelhos, as razões de uma fé que faz descobrir Cristo nos mais necessitados. Mais tarde, dom Tomás direcionou a Congregação das Religiosas de Santa Marta para servir como enfermeiras nos asilos, orfanatos e hospitais de misericórdia. 
Apesar da idade avançada, quando um terremoto devastou a região dom Tomás agiu rapidamente. Pedindo ajuda financeira aos nobres locais, imediatamente construiu um orfanato e um hospital, que foram entregues aos cuidados de suas religiosas. Também conseguiu verba para reconstruir sua diocese, recuperando todas as igrejas e paróquias atingidas pela catástrofe. 
O Papa Leão XIII nomeou dom Tomás arcebispo de Gênova quando ele já contava com setenta e quatro anos de idade. Apesar das dificuldades, entrou em ação e criou a Pontifícia Faculdade Católica de Direito e a Escola Superior de Religião. 
Foi ele também que celebrou em Roma o ritual religioso para o sepultamento do rei Humberto I, assassinado em Monza em 1900. No ano seguinte, aceitou o convite para a festa de inauguração da estátua do Redentor instalada no alto do monte de uma cidade de sua diocese. Quando viajava, como sempre na terceira classe de um trem, passou mal e não conseguiu chegar ao destino. Morreu, na cidade de Triora, em 22 de novembro de 1901. 
O Papa João Paulo II proclamou-o bem-aventurado no ano jubilar de 2000. As suas filhas, Religiosas de Santa Marta, hoje se encontram servindo em muitos países de todos os continentes, até no Brasil. Por isso a festa que celebra a sua lembrança, e que ocorre no dia de sua morte, é muito comemorada pelos fiéis.

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sábado, 20 de novembro de 2010

São Gelásio I, Papa, Confessor (+496), 21 de Novembro

O Papa Gelásio I nasceu em 410, na África. Seu pontificado teve início em 1º de março de 492, terminando com sua morte em 21 de novembro de 496. Combateu o pelagianismo, o maniqueísmo e o arianismo. Ratificou os livros canônicos e apócrifos aprovados pela Igreja no Decretum Gelasianum. Seu antecessor foi o Papa Félix III e o seu sucessor, o Papa Anastácio II.
Gelásio I foi um dos primeiros papas que, como sintoma do poder autônomo que vinha adquirindo a Igreja de Roma, efetuou a distinção entre o poder temporal dos imperadores e o espiritual dos papas, através da epístola Duo sunt. Os bispos, de acordo com essa teoria, seriam superiores ao poder temporal. Ficou estabelecido, ainda, que a figura do Papa não poderia ser julgada por ninguém, porém, também dizia que o papel do Pontífice era antes ouvir do que julgar. Instituiu o Código para uniformizar funções e ritos das várias Igrejas.
Filho de um humilde ferreiro, amou os pobres e viveu na pobreza, pelo que foi chamado "Pai dos pobres".

Ver também: Apresentação de 
Nossa Senhora Menina no Templo

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Gel%C3%A1sio_I
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=48827&language=FR&img=&sz=full
http://www.e-venise.com/art-peintres/tintoret_presentation_vierge_au_temple.htm

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

São Félix de Valois, Presbítero (+1212), 20 de Novembro

Nasceu em Amiens, França em 1127 e morreu em 1212, sendo o seu culto aprovado pelo Papa Alexandre VII em 1666. Foi co-fundador da Ordem da Santíssima Trindade (os Trinitários) para o Resgate de Escravos.
No começo do Século XII, o distrito de Somme e Aisle na França era governado pelo Conde Raul de Vermandois e de Valois, príncipe da Casa dos Capetos e Carlos Magno. Sua esposa Alienor de Champagne era também da casa de Carlos Magno. Em 19 de abril de 1127, ela deu à luz um filho que foi batizado com o nome de Hugo em homenagem ao seu avô, o filho de Henrique I, Rei de França.
O jovem Hugo foi enviado para a Abadia de Clairaux para ser educado. Ele foi também apresentado ao Papa Inocêncio II.
Com 20 anos, ele saiu numa cruzada, mais foi incógnito para não ser tratado de modo diferente. Três anos mais tarde ele retornou e viajou pela Itália. Decidiu ser eremita no Norte da Itália (ou perto de Clermont d’Oise). Para evitar ser reconhecido, mudou seu nome para Félix e se tornou um sacerdote.
Em 1193 ele estava vivendo em extrema solidão perto de Motigny quando recebeu a visita de São João de Matha que havia acabado de se diplomar na Universidade de Paris. Eles se tornaram amigos e João ficou com Felix e eles formaram uma pequena comunidade junto com outros discípulos.
Um dia em 1197, uma corsa branca , que vinha com freqüência beber água em um fonte onde os eremitas tiravam sua água, apareceu com uma cruz vermelha e azul entre os chifres. João lembrou da visão que havia tido durante a sua primeira missa, quando ele viu um anjo vestido de branco com uma cruz vermelha e azul em seu peito. Ambos, ele e Félix, sabiam que a corça era um sinal de Deus, e que eles deveriam seguir em frente com os planos que haviam discutido. Este plano era fundar um Ordem Religiosa dedicada a resgatar os escravos cristãos que eram capturados pelos Mouros durante as cruzadas. Juntos, eles apresentaram seu plano em Roma ao Papa Inocêncio III, o qual não só deu sua aprovação mas deu aos fundadores o hábito da Ordem: branco com uma cruz vermelha e azul. João e Félix retornaram aà França e a sua comunidade foi renomeada de Cerfroid em homenagem à corça.
Em 3 de fevereiro de 1198, o Papa Inocêncio III enviou uma carta ao Irmão João, ministro da casa da "Santa Trindade de Cerfroid" e a todos os irmãos trinitários presentes e futuros. A carta dizia chamava ainda a "Jovem Ordem da Santíssima Trindade para o Resgate de Cativos".
A carta ainda mencionava que a propriedade tinha sido dada a Ordem por Roger de Catillon e Margarite de Bourgogne, uma nobre dama de Paris.
Em 16 de maio de 1198, o Papa enviou outra carta a respeito da propriedade. Em 17 de dezembro de 1198, outra carta chegou aprovando o texto da Constituição da nova Ordem e as Regras da Ordem Enquanto isso o Rei de França também dava a sua aprovação a nova Ordem.
João deixou Cerfroid para começar o trabalho de resgatar os cativos, estabelecendo um monastério em Roma. Felix ficou como Supervisor Geral em Cerfroid, mas mais tarde foi para Paris para estabelecer o hospital da Ordem em Saint Mathum o qual havia sido doado a eles. Como resultado, membros da ordem eram popularmente chamados de Mathurinos ou de "frades dos jumentos", visto que eles sempre usavam esse meio de transporte.
Na noite de 8 de setembro de 1212, embora o sacristão de Cerfroid tivesse esquecido de bater o sino da manhã (geralmente as 3 da madrugada), Félix desceu para a Igreja como de costume e encontrou a Virgem Maria e anjos, todos eles usando o hábito da Ordem. Diz a tradição que houve outros milagres, mas somente este está registrado pelo Padre Calisto, trinitário de Cerfroid .
Alguns dias mais tarde, João de Matha retornou a Cerfroid para ver seu velho amigo, mas ficou apenas alguns dias e, em 4 de Novembro de 1212, Félix morreu aos 85 anos de idade. Ele teria sido enterrado em Cefroid. A grande reputação de sua santidade e de milagres reportados em sua tumba fez com que o Papa Urbano IV o canonizasse em 1º de maio de 1262.
Em 1631, os trinitários tentaram receber a permissão para celebrar as festas dos santos Félix e João liturgicamente na França e na Espanha (como seus irmãos na Inglaterra haviam conseguido desde 1308), mas como o Concílio de Trento havia estabelecido controles restritivos dessas celebrações eles não receberam permissão. A Bula papal de canonização de Félix, escrita pelo Papa Urbano IV, também havia se perdido; assim os trinitários começaram a colher novos dados.
Eles encontraram os "canons" de Meaux invocando São Félix desde 1219 , em 1291 Capelão Geral fixou o dia de sua festa e em 1308 o provincial da Inglaterra recebeu os ofícios da missa do Papa João XXII. Havia bastante documentos para convencer ao Papa Alexandre VII a confirmar o culto em 21 de outubro de 1666. Mas, 5 anos mais tarde o Sagrado Colégio dos Ritos ainda não havia adicionado Félix e João na Martirologia Romana, e apenas com a intercessão do Rei Louis XIV da França e Philip V da Espanha a favor de Félix de Valois, fez   com que o Papa Inocêncio XII estendesse as festas de São Féliz e São João da Matha a toda Igreja Católica em 1694.
Os restos mortais de São Félix foram perdidos. Em 1705 foram feitas pesquisas em Cerfroid para se encontrar ossos e nenhuma relíquia de qualquer tipo foi encontrada.
Devido a estas inconsistências, em 1969/70 o culto a São Félix ficou restrito a um culto local. São Félix é mostrado na arte litúrgica da Igreja como um idoso vestido com o hábito trinitário, com correntes ou cativos ao seu lado, ou perto de uma fonte onde uma corça bebe água ou ainda com uma corça com uma cruz nos chifres. Ele é venerado em Meaux e Valois.

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São Rafael Kalinowski, Presbítero (+1907), 19 de Novembro

Joseph Kalinowski nasceu em 1º de setembro de Novembro de 1835 em Vilna, Polônia (agora Lituânia). Foi professor de matemática, engenheiro que ajudou a projetar o trecho Odessa/Kiev/Kursk da estrada de ferro Transiberiana, Ministro da Guerra, prisioneiro de campo de trabalhos forçados na Sibéria, tutor Real e sacerdote da Ordem Carmelita Descalça. Fundou inúmeras obras católicas na Polônia e na Ucrânia, sendo a mais proeminente delas um mosteiro em Wadowice, Polônia. Foi lá que ele morreu em 1907.
Quinze anos mais tarde, em 1922, Karol Wojtyła, o futuro Papa João Paulo II, nasceria naquela mesma cidade.
Como nome religioso, Padre Joseph escolheu o nome "Rafael de São José". Ele foi beatificado pelo Papa João Paulo II em 1983, em Cracóvia, diante de uma multidão de dois milhões de fiéis. Em 1991, o mesmo Papa canonizou aquele homem que havia sido o seu herói de infância. Rafael foi o primeiro frei da Ordem Carmelita Descalça a ser canonizado desde São João da Cruz (1542-1591).

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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Beatos Domingos Jorge, Isabel Fernandes e Inácio, Família Leiga, Mártires (+1619), 18 de Novembro

Domingos Jorge nasceu em Vermoim da Maia, perto do Porto (Portugal). Muito jovem, partiu para a Índia, onde combateu pela fé e pela Pátria. Aventureiro por natureza, empreendeu viagem para o Japão, onde nesse tempo reinava perseguição furiosa. Todos os missionários eram mortos, e mortos também todos aqueles que os acolhessem em suas casas. Apesar de todos os riscos, não quiseram os missionários estrangeiros abandonar para os instruir, animar e lhes administrar os sacramentos.
Domingos Jorge, membro da Companhia do Rosário, casou com uma jovem japonesa, à qual o missionário português, Padre Pedro Gomes, oito dias após o nascimento, deu o nome de Isabel Fernandes. Vivia este casal modelo no amor de Deus, na paz e na felicidade, perto da cidade de Nagazáki. Por bondade e piedade, receberam em sua casa dois missionários jesuítas e, naquela noite (era o dia da festa de Santa Luzia), o governador de Nagasáki ordenou que fossem presos os dois missionários juntamente com Domingos Jorge. Após um ano de prisão, foram condenados à morte. Domingos Jorge, após escutar a sentença, pronunciou estas palavras: "Mais aprecio eu esta sentença do que me fizessem Senhor de todo o Japão".
Era o ano de 1619. Domingos Jorge foi amarrado ao poste no chamado "Monte Santo" de Nagasáki, onde tantos cristãos deram a vida por Deus, e, ali, juntamente com outros mártires rezando a oração do Credo, Domingos Jorge foi queimado vivo.
Passados três anos, na manhã de 10 de novembro de 1622, o "Monte Santo" de Nagasaki, regado com o sangue de tantas centenas de cristãos, apresentava um aspecto solene e comovedor. Ali se apinhavam mais de 30.000 pessoas para assistirem ao Grande Martírio, isto é, a morte de 56 filhos da Santa Igreja Católica. Entre eles, encontravam-se Isabel Fernandes, de uns 25 anos de idade, viúva do Beato Domingos Jorge, e seu filhinho Inácio, de quatro anos.
Os mártires foram divididos em dois grupos: 24 religiosos de várias Ordens, condenados a morrer em fogo lento; os outros 32 eram constituídos por 14 mulheres e 18 homens (a maioria deste segundo grupo recebeu como condenação serem decapitados). Isabel Fernandes, antes de ser degolada juntamente com seu filhinho Inácio, exclamou: "De todo o coração ofereço a Deus as duas coisas mais preciosas que possuo no mundo: a minha vida e a do meu filhinho".
Domingos Jorge, com a esposa Isabel Fernandes e o filho Inácio, foram beatificados pelo Papa Pio IX em julho de 1867.
Beatos Domingos Jorge, Isabel Fernandes e Inácio, rogai por nós!

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Beato Josafat Kocylovskyj, Bispo, Mártir da Ucrânia (1896-1941), 17 de Novembro

Na frutífera árvore dos dignos pastores encontra-se Dom Josafat Kocylovskyj. Nascido em três de março de 1876 na aldeia de Pakosivka, completa seus estudos em Roma e em 1907 é ordenado sacerdote, foi vice-reitor e professor do Seminário de Stanislaviv.
No ano de 1911 decide tornar-se monge na Ordem Basiliana assumindo o nome de Josafat e, depois, no ano de 1917 ordenado bispo para a Eparquia de Peremysl. Pelo ano de 1945 é preso pela primeira vez, mas libertado em seguida. Quando da deportação dos ucranianos que viviam na Polônia, foi detido e caiu gravemente enfermo de pneumonia e transferido para o campo de trabalho em Kiev.
O esforço das autoridades ortodoxas pela sua conversão era constante, mas ele faleceu em 1947 vítima de uma hemorragia cerebral ainda no campo de trabalho, com setenta e um anos de idade.

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Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=44773&language=IT&img=&sz=full