domingo, 28 de fevereiro de 2010

Santa Eudóxia, Mártir (+152), 1º de Março - Aniversário da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro

Santa Eudóxia era samaritana de nascimento. Ela morava em Heliópolis da Fenícia (à leste das montanhas do Líbano e ao norte da Palestina no tempo do imperador romano Trajano (anos 89-117). Na sua juventude ela era de uma beleza extraordinária.   Levava uma vida devassa e libertina. Houve muitos noivos e admiradores muito ricos, que vieram de outros países conhecê-la, de modo que com o tempo ela ficou muito rica e gozava de respeito por parte das autoridades locais.

Deus, querendo salvar a alma da Eudóxia da eterna condenação, fez com que um velho monge chamado Herman visitasse a localidade onde ela morava. Herman tinha o costume de ler em voz alta as Sagradas Escrituras e, numa ocasião, Eudóxia ouviu o trecho das profecias sobre a Segunda Vinda do Nosso Senhor e o Juízo Final.
Esta leitura impressionou-a e perturbou o seu espírito, pois ela compreendeu que todos estes castigos mencionados na Bíblia seriam aplicados a ela, pecadora. Visitou o monge Herman, que contou a ela sobre o cristianismo e sobre a vida eterna. As palavras do monge ficaram plantadas no coração de Eudóxia. Ela acreditou em Cristo e foi batizada, após o que distribuiu todos os seus bens aos pobres e entrou no convento.
Eudóxia viveu muitos anos naquele convento consagrando a sua vida inteiramente ao jejum, às orações e à purificação da alma. Com o tempo, alcançou a maturidade espiritual e foi nomeada madre do convento. Entrando no exercício desta função, ela direcionou todas as suas forças para a ajuda aos necessitados. Ela fornecia roupa e comida aos pobres e peregrinos que visitavam o seu convento e curava os enfermos com as suas orações.
Assim, durante 56 anos, Eudóxia levava esta vida de ajuda aos outros, rezando e jejuando. No ano 152, durante o reinado do imperador Antônio, ela terminou a sua vida como mártir. Por causa da disseminação da fé cristã, ela foi acusada de bruxaria e fraude. Sem julgamento, foi decapitada.
Assim, Santa Eudóxia, pela sua vida austera, pela sua bondade e pela sua morte como mártir, foi digna de receber uma coroa tripla no Reinado dos Céus.

Tropário:
Com a tua sabedoria ataste a tua vida ao amor de Cristo,
viveste esquecendo-se das coisas fúteis, atraentes e provisórias,
como uma verdadeira discípula de Cristo.
Primeiro, jejuando aniquilaste as paixões,
Depois, com os teus sofrimentos, humilhaste o inimigo.
Assim, Cristo te coroou com uma coroa múltipla,
Santa mártir Eudóxia: 
para nos livrarmos de enfermidades espirituais
e recebermos o milagre da graça,
rogai a Deus por nós!

Fontes:
http://www.fatheralexander.org/booklets/portuguese/saints_2_p.htm#_Toc521115087
http://galerie-icone.org/local/cache-vignettes/L241xH290/0301_Eudoxie-dab66.jpg

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

São Torquato, Bispo (Século I), 28 de Fevereiro


São Torquato é considerado o primeiro dos Varões Apostólicos, bispos enviados ainda no Século I para evangelizar a Península Ibérica. A sua história está envolvida em lenda. Presume-se que ele tenha aportado em Cádis, no sul da Espanha, onde teria morrido e sido sepultado. 
O seu corpo teria sido trazido para o norte da Península Ibérica no Século VIII, quando os cristãos de Cádis fugiram da invasão dos mouros, e depositado no mosteiro de Celanova, perto de Ourense. Mais tarde, as suas relíquias foram distribuídas por vários mosteiros da Galícia e do Norte de Portugal.
No ano de 1059 (cerca de cem anos antes da independência de Portugal), já existia o mosteiro de São Torquato, perto de Guimarães, o mais célebre centro português da devoção ao santo bispo, cujo nome foi dado a muitas aldeias no Minho.

Ver também: Beato Daniel Brottier
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/02/beato-daniel-brottier-28-de-fevereiro.html

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100228&id=11334&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=75822&language=PT&img=&sz=full

São Leandro, Bispo (+600), 27 de Fevereiro

Nasceu em Cartagena e foi para Sevilha em 554. Destacou-se pela sua luta contra o Arianismo. Foi exilado pelo Rei Visigodo Leovegildo para Constantinopla de 579 a 582. Mas retornou a Sevilha quando Recaredo, filho do rei visigodo e que havia sido batizado por Leandro, ascendeu ao trono. 
Presidiu ao terceiro Concilio de Toledo em 589. Converteu novamente os Visigodos à fé cristã ortodoxa. Escreveu várias regras de conduta para as freiras. Introduziu em Nicéia o Credo na Missa no Ocidente.
Na Espanha ele é considerado Doutor da Igreja. Faleceu em Sevilha no ano de 600 DC.

Ver também: 
São Gabriel de Nossa Senhora das Dores
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/02/sao-gabriel-das-dores-27-de-fevereiro.html

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100227&id=10341&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=51807&language=PT&img=&sz=full

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Santo Alexandre de Alexandria, Bispo (+328), 26 de Fevereiro

Hoje lembramos a vida do bispo Santo Alexandre, que governou a Igreja em Alexandria sempre zelando pelo rebanho do Cristo e, principalmente, cuidando do alimento doutrinal que começou a ser ameaçado pelo Arianismo. Ele também é conhecido por sua doutrina apostólica, e um dos seus maiores feitos foi treinar um jovem diácono de nome Atanásio que, mais tarde, foi celebrado e admirado por todo mundo cristão. 
Como Bispo, Alexandre preferia os monges, nomeando preferencialmente aqueles que viviam como eremitas no deserto, visto que ele os considerava como modelo para suas ovelhas. Ele também insistia na caridade para com os pobres na Diocese sob o seu controle, uma coisa pela qual ele ficou famoso na Diocese de Alexandria. Santo Alexandre é considerado um campeão de ensinamentos da Igreja Católica e reconhecido por seu zelo pastoral.
Santo Alexandre nasceu em 250 d.C. Foi indicado Bispo de Alexandria em 313 para suceder Santo Achillas, tornando-se famoso pela sua oposição a heresia Ariana, doutrina pregada por Ário, que dizia que Jesus não era verdadeiro Deus, mas apenas uma criatura e que teria havido um tempo em que o Filho não teria existido.
Ário era um sacerdote de Alexandria, que afirmava que somente o Pai poderia ser chamado Deus, enquanto que Cristo seria inferior ao Pai, distinto Dele por natureza. Seria, portanto, uma criatura, excelente e superior às demais, mas não divina, nem eterna.
Alexandre era gentil com os arianos, mas também muito determinado. Durante muito tempo ele se dirigiu a Ário tentando demovê-lo de suas idéias heréticas, antes de excomungá-lo, em 321 d.C. Alguns o acusavam de ter compromissado a posição da Igreja, enquanto outros afirmavam que ele era impetuoso por causa de sua posição irredutível contra o arianismo.
Ário, no entanto, continuou inflexível, envenenando ideologicamente os cristãos, mesmo depois de saber da condenação de sua doutrina. A excomunhão foi confirmada no Sínodo de Alexandria, em 327. A Circular Episcopal sobre a Heresia Ariana, de autoria de Alexandre, sobreviveu ao tempo e é uma importante parte da literatura eclesiástica daquele período.
Faleceu em Alexandria no ano de 328, dois anos depois de ter retornado do Concílio, tendo nomeado Atanásio como seu sucessor.

Fontes:
http://www.cademeusanto.com.br/santo_alexandre_alexandria.htm
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100226&id=11721&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=39059&language=PT&img=&sz=full

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

São Luis Versiglia, Bispo / São Calisto Caravario, Presbítero - Mártires (+1930), 25 de Fevereiro


Luís Versiglia nasceu em de junho de 1873, em Pádua, Lombardia (Itália). Aos 12 anos foi estudar em Valdocco. O ambiente intensamente religioso, o entusiasmo missionário e o fascínio e a santidade de Dom Bosco, já nos seus últimos anos de vida, transformaram a postura do rapaz. De Dom Bosco ouviu um dia: “Vem ter comigo, tenho uma coisa para te dizer.”
Este encontro nunca chegou a acontecer, porque Dom Bosco faleceu antes. Mas Luís foi conquistado da mesma maneira e, no fim dos estudos, pediu para “ficar com Dom Bosco”. Nutria no coração a secreta esperança de partir um dia como missionário. Fez os estudos de filosofia e teologia em Roma. Ao mesmo tempo mantinha uma importante atividade pastoral no oratório do Sagrado Coração, junto à estação Termini de Roma. Foi Ordenado Sacerdote Salesiano em 21 de dezembro de 1895.
Tornou-se depois professor e assistente dos noviços em Foglizzo, perto de Turim. Foi sempre um eficaz formador de personalidades, cordial e bom amigo de todos.
Em 1906 ele liderou a primeira expedição missionária salesiana à China, preenchendo uma profecia de Don Bosco. Logo estabeleceu a casa Matriz em Macau.
Indicado Vigário Apostólico em Shiu Chow e Bispo titular de Carystus em 22 de abril de 1920. Em 1929, Mons. Versiglia ordenou como padre o salesiano Calisto Caravario. Este nascera em Cuorgnè, junto de Turim. Também ele estudou em Valdocco. Em 1922 encontrou-se com Mons. Versilgia e prometeu-lhe: “Segui-lo-ei até à China”.
E assim foi. A 23 de Fevereiro de 1930, Don Versiglia e Don Caravario e 5 outros todos jovens, partiram juntos para uma longa viagem apostólica, em visita a uma pequena comunidade cristã em Lin Chow (Li Tau Tseu).
Mas, dois dias depois, encontraram juntos a morte às mãos de bandidos comunistas. Foram mortos por ódio à Fé católica, por serem missionários católicos que pregavam o evangelho de Jesus Cristo e também por terem defendido algumas jovens catequistas que viajavam com eles e que os bandidos queriam reduzir à escravatura.
São, portanto, os primeiros mártires salesianos Mons. Luís Versiglia e Calisto Caravário. Ambos foram alunos da Casa-Mãe de Valdocco.
O Papa João Paulo II declarou-os santos em Roma a 1 de Outubro do ano 2000.
A sua festa é celebrada em três datas: 25 de fevereiro, data de seus martírios; 13 de novembro, que é o dia em que a comunidade salesiana celebra a Missa para os benfeitores mortos da Família Salesiana; e em 28 de setembro, junto com os demais mártires da China.


Fontes:

http://portalcot.com/reporter/sao-luis-versiglia-e-sao-calisto-caravario-os-primeiros-martires-salesianos-mortos-pelos-comunistas/
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=52223&language=PT&img=&sz=full
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=43344&language=PT&img=&sz=full

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Beata Ascensão do Coração de Jesus (Florentina Nicol Goñi), Religiosa, Fundadora (1868-1940), 24 de Fevereiro

Florentina Nicol Goñi nasce em 1868 numa família de comerciantes em Tafalla, cidade da província de Navarra, na Espanha. Recebe uma boa educação cristã que prossegue a partir de 14 anos em Huesca, no Internato "Santa Rosa de Lima" dirigida pelas monjas dominicanas. Durante muito tempo pensa sobre a sua vocação e, no fim dos seus estudos, toma a decisão de fazer-se religiosa. Decide permanecer durante um ano em casa, para entender mais claramente o chamado recebido. 
Em 22 de Outubro de 1885, aos 17 anos de idade, entra no noviciado das Dominicanas de Huesca, faz profissão no ano seguinte e toma o nome de Ascensão do Coração de Jesus. Devoções ao Sagrado Coração e à Virgem do Rosário serão o seu apoio na sua vida de sacrifício e de apostolado. Torna-se professora no colégio onde foi aluna. Será o seu primeiro campo de apostolado durante 28 anos. As testemunhas guardarão dela a recordação de uma excelente educadora, ao mesmo tempo suave e forte, compreensiva e exigente. A partir de esta época, com outras Irmãs, deseja ocupar-se dos mais pobres, mesmo nos países remotos dos quais recebem notícias pelas revistas missionárias.
Ora, eis que um acontecimento negativo vai permitir-lhe realizar as suas aspirações. O Estado anticlerical fecha a escola em 1912. As irmãs escrevem cartas para a América e para as Filipinas, propondo os seus serviços. Madre Ascensão está "pronta para qualquer sacrifício". Padre Ramón Zubieta, dominicano muito dinâmico e missionário no Peru, vem à Espanha e aceita a sua proposta. As religiosas partem a cinco em 1913, com três Padres missionários. A irmã Ascensão tem 45 anos. Após uma estadia de dois anos em Lima, é convidada com duas outras Irmãs para trabalhar no muito recente novo Vicariato apostólico de Puerto Maldonado onde o Padre Zubieta é nomeado bispo. O lugar que lhes é atribuído é um lugar perdida na floresta onde vive uma tribo de Indianos; mas atingir este objectivo parece impossível para as pessoas de Lima: nunca ninguém tentou ainda um tal itinerário, porque é necessário passar pela a Cordilheira dos Andes e viajar sobre perigosos rios. Elas conseguem no entanto, perante a admiração de todos, após 24 dias de viagem. Irmã Ascensão funda uma escola para meninas, mas ao lado dos “indígenas” há os “estrangeiros” e as relações não são fáceis; as Irmãs acolhem todos, mas privilegiam os “indígenas”.
Sob sugestão de um Padre dominicano, funda a 5 de Outubro de 1918 os "Missionários dominicanos do Santíssimo Rosário". Madre Ascensão, Superiora Geral, exerce uma verdadeira maternidade espiritual muito imprimida de doçura; ao mesmo tempo, é uma combatente cheia de coragem. Gradualmente, a sua congregação torna-se internacional. Faz numerosas viagens ao Peru e à Espanha, indo mesmo por duas vezes até a China. Pode-se dizer que "a Beata Ascensão do Coração de Jesus é uma das maiores missionárias do século passado" (Cardeal Saraiva Martins). 
Deste apostolado frutuoso, a cruz é o preço. "Não se salvam as almas sem sem se sacrificar a si mesma", dizia ela freqüentemente às Irmãs. Ela mesma oferece-se como vítima ao amor misericordioso de Deus (pode pensar-se aqui na oferta de Santa Teresinha em 1895). Pouco após ter sido eleita uma terceira vez como Superiora Geral, cai doente e more em Pamplona (Navarra), a 24 de Fevereiro de 1940.

Fonte:
http://alexandrinabalasar.free.fr/ascensao_gonil.htm

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Beata Josefina Vanini, Co-fundadora das Irmãs Filhas de São Camilo (Camilianas) (+1911), 23 de Fevereiro

 Nasceu na Itália,  no dia 07 de  julho de  1859. Órfã de pai e mãe, recebeu educação das Irmãs de Caridade até os 21 anos de idade.
Pela educação que recebera, a data da  sua  Primeira Comunhão, que esperou com amor indescritível, foi também o germe de uma decisão por muito tempo pensada com especial carinho:  Dar-se definitivamente à Deus e a Ele consagrar sua pobre vida,  projeto que cultivou e fez  crescer imperiosamente no seu jovem coração de mulher.  O tempo amadureceu ainda mais, em seu coração,  a decisão de que seria Deus seu único e  indivisível amor.   Foi aos 20 anos de idade, que pediu ingresso  no convento das Irmãs de Caridade.   Em 2 de março de 1883,  ingressou no noviciado de Siena.  Mas, por razões de saúde, foi obrigada a voltar para Roma , em seu antigo conservatório onde recebera o diploma de instrutora (Pensionato Torlonia).  Grande lhe foi esta prova de sofrimento.  No silêncio, teve de aplicar-se aos trabalhos manuais (bordado) para ganhar seu pão, não raro, com o rosto banhado de lágrimas.   
Posteriormente, foi novamente aceita ao noviciado e enviada à comunidade de Montenero (Leghorn), onde permaneceu até 1886, seguidamente a Bracciano até 1888, quando novamente teve de experimentar a dor do retorno ao  reformatório. Era mais uma prova imposta pelo Senhor,  que sondava a pureza deste ouro, experimentando-a junto ao cadinho da humilhação: Os superiores definitivamente haviam decidido que não tinha vocação e, por isto,  decidiram que retornasse aos afazeres do mundo.  Tinha 29 anos. A boa Madre Superior do conservatório encontrou-a num alojamento dos arredores da cidade, e percebendo a piedade e disponibilidade de Josefina, disse-lhe que as Irmãs aceitariam de boa vontade que permanecesse entre elas; mas este tipo de vida não era compatível com seu caráter de profunda espiritualidade. Além de todos estes contratempos, teve de lutar contra as intenções de seu irmão Augusto, que tentava dissuadi-la da idéia de sua eventual consagração definitiva e que ali permanecesse entre eles para formarem uma só família.  
Aos trinta e poucos anos,  confiou-se aos cuidados de sua tia e madrinha Ana Maria.  A esta altura, todas as suas aspirações pareciam ter caído por terra, mas o Senhor  a predispunha para outros horizontes sem, contudo, poupá-la de muitos outros sacrifícios e renúncias. Os frutos destes dois anos em que ali permaneceu, imprimiu nela ainda mais a qualidade incontestável de seu caráter, o grande abandono em Deus e   mais perfeita obediência ao seu diretor espiritual. 
Numa conversa privada que  teve com o Padre Luís Tezza,  Josefina abriu a sua alma ao pregador.  Falou de  seus projetos, dos seus malogros, das suas aspirações. Enquanto o Padre Luís a ouvia pela  primeira vez, ia descobrir nela rara sabedoria e uma grande maturidade espiritual.  Assim, espontaneamente viu nela  um belo instrumento na idéia de uma fundação, da qual já era amadurecido o empreendimento.  Havia chegado o momento que a circunstância, por inspiração do Pai,  realizaria nela plenamente a vontade de Deus. O Padre Tezza não perdeu tempo. Propôs a ela esta possibilidade, expondo-lhe os detalhes da idéia de uma fundação, movida pelo espírito de São Camilo de Lellis. Josefina pediu um tempo para dar uma resposta definitiva. Solicitou refletir a proposta diante de Deus e  finalmente aceitou o encargo, colocando-se à inteira disposição do Padre Luís.  Assim, na humildade e  no silêncio, surge vida na sua fundação.  
Obtendo permissão  de seus superiores eclesiásticos, no dia  2 de fevereiro de 1892 (festa da purificação de Nossa Senhora e aniversário da conversão de São Camilo de Lellis),  Josefina e duas companheiras  foram empossadas em um pequeno apartamento na rua Merulana, 141.   Mantidas na solidão, no silêncio, oração e trabalho,  santamente preparavam-se para receber o ingresso na Congregação Filhas de São Camilo. Foi na festa de São José,  em  19 de março de 1892, que a então Judite tomou o nome definitivo de Irmã Maria Josefina, tornando-se superior da pequena comunidade.  É fácil imaginar a  suprema alegria do Padre Luís, das suas primeiras filhas e  dos camilianos presentes. Uma nova congregação tinha nascido, limitada,  extremamente pobre, mas com plena confiança depositada em Deus, na Santíssima Virgem, em São José, escolhido como protetor específico,  sob a proteção paterna de São Camilo de Lellis  
Em 1909 a fundadora atingia a idade de cinqüenta anos. Exatamente neste ano, o Senhor atribuía-lhe a alegria desejada por muito tempo: a aprovação eclesiástica do Instituto. O cardeal vigário, Pedro Respighi, por decreto firmado em 21 de Junho de 1909, criava os piedosos conservatórios, junto à  congregação de direito diocesano e aprovava as suas constituições. Madre  Josefina Vannini, frágil desde a juventude, nunca teve boa saúde. Os sofrimentos da adolescência, as desilusões da sua juventude, do peso da fundação, a apreensão e o amor intenso e dedicado às suas raparigas, consumiram-na sobremaneira.  Seu coração estava cansado e não batia mais regularmente. Por ocasião do regresso de uma visita à comunidade da elevada Itália, retornou extremamente esgotada e foi obrigada, pela grande fraqueza,  a pôr-se à cama. Todos estavam conscientes que a Madre  tivesse chegado à uma fase tal que,  talvez não pudesse mais continuar nas suas funções de diretora. Ela mesma havia compreendido isto e com muita resignação,  facilmente aceitou os  afetuosos cuidados com que as suas raparigas prodigalizavam-lhe.
Pouco tempo, de fato, restou-lhe depois disto.  Ao final da jornada, um padre escreveu sobre ela:  “Como ocorre em cada boa alma,  nesta enfermidade terminal,  resplandecerá mais do que nunca, as virtudes que lhe acompanharam durante sua vida religiosa. Piedade para com Deus, paciência nas suas dores, afeição para seus irmãos, docilidade aos confessores, mortificação para si mesma,  gratidão em cada pequeno serviço, humildade nos sentimentos, espírito de fé e amor de Deus, eram coisas que a animavam,  eu diria, quase continuamente.”  
 Estando próximo ao fim repetia, aos padres que a assistiam, frases de amor e de fé em Deus e na Virgem.   À véspera de sua morte, quis ver as suas filhas, dando-lhes as últimas instruções. Morreu serenamente na noite de 23 de fevereiro de 1911, aos cinqüenta e  dois anos,  em Roma.

Fontes:
http://www.paginaoriente.com/santos/crbjv.htm
http://www.oremosjuntos.com/Santoral/Beata_Josefina_Vanini_1_277x417.jpg

Cátedra de São Pedro, Festa Litúrgica / Bem-Aventurada Isabel de França (1225 - 1270), 22 de Fevereiro

"Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela." (Mt 16,18) 
Hoje é o Dia da Cátedra de São Pedro. Não sabemos bem como se originou essa festa. Mas é certo que existe uma inscrição, datada de 370 - portanto, há mais de 1.600 anos - atribuída ao Papa São Dâmaso, falando de uma cadeira portátil, dentro do Vaticano, e que é considerada a "cátedra" do Apóstolo Pedro. Hoje, dessa cadeira restam apenas algumas relíquias de madeira, conservadas e honradas, num lugar onde o grande artista Bernini levantou um monumento grandioso, em honra do primeiro Papa, a Basílica de São Pedro. 
A cátedra é o assento reservado ao bispo quando ele preside uma assembléia. Pouco importa sabermos se houve, alguma vez, em Roma, uma cátedra vista como a verdadeira cátedra de São Pedro, mas é preciso ressaltar que deu-se tamanha importância ao magistério supremo de Pedro que, desde o Século IV, celebra-se uma festa em particular, a Natale Petri de Cathedra, fixada no dia 22 de Fevereiro.
Os antigos Romanos, como testemunham os vestígios do Cœmeterium Maius, escavavam bancos nas rochas vulcânicas que, nos banquetes funerários (refrigeria), simbolizavam a presença do defunto e sobre os quais eles depositavam a comida. Até o Século V, os cristãos, com uma intenção diferente, seguiam estes costumes e distribuíam a comida arrecadada aos pobres. Esta celebração pelos defuntos acontecia em 22 de Fevereiro; os antigos galicanos, que recusavam toda festividade durante a Quaresma que, às vezes, já havia começado em 22 de Fevereiro, transferiram-na para 18 de Janeiro, o que explica as duas festas da Cátedra de São Pedro, que um pobre escriba da diocese de Auxerre transformou, erroneamente, em festa da Cátedra de São Pedro em Antioquia. 
Escavações feitas por cientistas de diversas nações provam que os restos mortais de São Pedro se encontram debaixo do Vaticano, símbolo de unidade da Igreja. Mas, acima de tudo, o Evangelho nos une a Pedro e também a todos os apóstolos e membros da Igreja. Conseqüentemente, a festa da Cátedra de São Pedro tem o significado e o apelo à unidade dos cristãos, sob a guia do Papa, representante visível de Cristo. 
Estas antigas festas da Cátedra de São Pedro foram resgatadas pelo Papa Paulo IV, em 1547, que decretou, através da bula Ineffabilis, que doravante se celebraria a Cátedra de São Pedro em Roma no dia 18 de Fevereiro e a de Antioquia em 22 do mesmo mês. A reforma do calendário pelo Papa Paulo VI manteve apenas uma festa da Cátedra de São Pedro, que abrange todas duas.


Bem-Aventurada Isabel de França 

Isabel era filha do rei da França, Luís VIII de Lion e de Blanche de Castilha. Morreu sem alianças nem posteridade, mas fundadora do mosteiro das Clarissas Urbanistas de Longchamp, próximo a Paris.
Irmã mais nova de São Luís IX, rei da França, Isabel recebeu, assim como seu irmão, uma educação estritamente cristã: desde tenra idade, ela se distinguia por sua piedade e temperança.
Por razões políticas, seu pai queria casá-lo com o Conde Hugues de la Marche (...). O Papa Inocêncio IV queria vê-la casada com Conrado, filho de Frederico II de Hohentaufen, Imperador do Santo Império. Este príncipe tinha o título de rei de Jerusalém, mas não o era de fato, e deveria herdar o Império. Isabel recusou a proposta de casamento e comunicou à sua família e ao Papa que ela queria permanecer virgem. O Papa cumpriu o desejo da jovem, concedendo-lhe, através de uma bula expedida em 26 de maio de 1254, autorização para colocar-se sob a tutela espiritual de religiosos franciscanos.
Um ano mais tarde, ela iniciou a construção de um mosteiro, na floresta de Rouvray (o bosque de Bolonha), próximo a Paris, num terreno que lhe fora cedido por seu irmão, o rei Luís IX. Este, muito ligado à irmã, autorizou-a a aplicar nas obras do mosteiro a quantia equivalente ao seu dote. O mosteiro de Longchamp foi terminado em 1259, acolhendo as primeiras clarissas vindas do mosteiro de Reims em 23 de junho de 1260.
Inspirada na Regra escrita por Santa Clara de Assis, a própria Isabel compôs uma regra, um pouco menos severa, que foi aprovada pelo Papa Alexandre IV em 2 de fevereiro de 1259. Ela se aconselhara com São Boaventura, ministro geral dos Franciscanos, e outros Irmãos. São Boaventura pregou inúmeras vezes em Longchamp e redigiu um tratado de vida espiritual dedicado a Isabel: De Perfectione vitae ad sorores (A vida de perfeição para as Irmãs). O mosteiro foi consagrado à humildade da Bem-Aventurada Virgem Maria.
A partir de 1260, Isabel passou a viver numa casinha modesta, construída por ela no terreno do mosteiro, para partilhar a vida e a oração das Irmãs. Ela, porém, nunca fez a profissão religiosa dos votos. Em 1263, obteve do Papa Urbano IV uma ampliação da Regra, cuja última redação foi adotada por diversos mosteiros, na França e na Itália (Clarissas Urbanistas).
Isabel morreu em 23 de fevereiro de 1270 e foi enterrada na igreja do mosteiro. Após a morte de São Luís IX em Túnis, no mesmo ano, Charles d'Anjou, irmão dos dois, pediu a uma dama de companhia de Isabel que escrevesse a biografia da irmã, visando sua canonização. Agnès d'Harcourt publicou a hagiografia de Isabel por volta de 1280, mas esta foi beatificada somente em 1521, pelo Papa Leão X (bula Piis omnium).

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100222&id=10321&fd=0
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/02/festa-da-catedra-de-sao-pedro-22-de.html
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=10725&language=PT&img=&sz=full


http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100222&id=13343&fd=0



http://fr.wikipedia.org/wiki/Fichier:St._Isabel_of_France_Saint-Germain_l'Auxerrois.jpg
http://echosdelabastide.over-blog.com/ext/http://www.saint-dicton.com/images/im-Ste-Isabelle-France.jpg

sábado, 20 de fevereiro de 2010

São Noël Pinot, Sacerdote, Mártir da Revolução Francesa (1747-1794), 21 de Fevereiro

Nascido em Angers, era o 16º filho de uma família muito religiosa. Ordenado sacerdote em 1771, ele era um digno representante da Igreja na região de Louroux, onde trabalhava. Como inúmeros santos padres, ele se recusou a prestar juramento à Constituição de 1789, lembrando que os seus poderes espirituais vinham somente de Deus, e nunca de uma lei civil.

Padre Noël foi preso na noite de 8 de fevereiro, enquanto se apressava para celebrar clandestinamente a Santa Missa. Condenado à morte, foi guilhotinado no dia 21 de fevereiro de 1794, ainda vestido com seus paramentos usados para a celebração da Missa. Foi canonizado pelo Papa João Paulo II em 19 de fevereiro de 1984.


Fontes :

http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=FR&module=saintfeast&localdate=20100221&id=13705&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=31005&language=FR&img=&sz=full

Beatos Francisco e Jacinta Marto, Videntes de Fátima, 20 de Fevereiro

Beato Francisco Marto, Vidente de Fátima (+1919)

 

Francisco, nascido numa povoação chamada Aljustrel, pertencente à paróquia de Fátima, em Portugal, no dia 11 de Junho de 1908, era filho de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus Marto, modestos agricultores e bons cristãos; no dia 20 do mesmo mês, recebido o batismo, tornou-se membro do povo da nova aliança. 
De caráter dócil e condescendente, recebeu com fruto a boa educação que os pais lhe deram. Em casa, começou a conhecer e a amar a Deus, a rezar, a participar nas sagradas funções paroquiais, a ajudar o próximo necessitado, a ser sincero, justo, obediente e diligente. Viveu em paz com todos, quer adultos quer da mesma idade. Não se irritava quando o contrariavam e nos jogos não encontrava dificuldades em se adequar à vontade dos outros. Era sensível à beleza da natureza, que contemplava com sensibilidade e admiração; deleitava-se com a solidão dos montes e ficava extasiado perante o nascer e pôr do sol. Chamava ao sol «candeia de Nosso Senhor» e enchia-se de alegria ao aparecerem as estrelas que designava «candeias dos Anjos». Era de tal inocência que dizia que, ao chegar ao céu, havia de colocar azeite na candeia da Virgem Maria. 
Logo que pôde, quando atingiu a idade de cerca de seis anos, foi-lhe confiada a guarda do rebanho, que diariamente pastoreava; segundo o costume, saía de manhã cedo com a sacola levando o alimento e a flauta, com a qual se divertia, e tornava a casa ao pôr do sol. Muitas vezes era acompanhado pela irmãzinha Jacinta e ambos se reuniam com a prima Lúcia de Jesus dos Santos, que guardava também as suas ovelhas. Estas crianças declararam ter visto três vezes um anjo no ano de 1916. Este acontecimento inesperado e imprevisto constitui para Francisco o início duma experiência espiritual mais generosa, mais eficaz e mais intensa de dia para dia. De repente começou a tornar-se mais piedoso e taciturno; recitava freqüentemente a oração ensinada pelo anjo; estava disposto a oferecer sacrifícios pela salvação dos que não acreditam, não esperam e não amam. 
Do dia 13 de Maio até ao dia 13 de Outubro de 1917, algumas vezes, juntamente com a Jacinta e a Lúcia, foi-lhe concedido o privilégio de ver a Virgem Maria na Cova da Iria. A partir daí, inflamado cada vez mais no amor a Deus e às almas, tinha uma só aspiração: rezar e sofrer de acordo com o pedido da Virgem Maria. Se extraordinária foi a medida da benignidade divina para com ele, extraordinária foi também a maneira como ele quis corresponder à graça divina na alegria, no fervor, e na constância. Não se limitou apenas a ser como que um mensageiro do anúncio, da penitência e da oração, mas, mais do que isso, com todas as suas forças, conformou a sua vida com a mensagem que ele anunciou mais com a bondade das obras do que com palavras. 
Costumava dizer: «Que belo é Deus, que belo! mas está triste por causa dos pecados dos homens. Eu quero consolá-lo, quero sofrer por seu amor.» 
Manteve este propósito até ao fim. Durante as aparições suportou com espírito inalterável e com admirável fortaleza as más interpretações, as injúrias, as perseguições e mesmo alguns dias de prisão. Resistiu respeitosa e fortemente à autoridade local que tudo tentou para conhecer o «segredo» revelado pela Virgem Santíssima às três crianças, infundindo coragem simultaneamente à irmã e à prima. Todas as vezes que o ameaçavam com a morte respondia: «Se nos matarem não importa: vamos para o céu.» 
Já antes das aparições rezava, porém depois, movido por um espírito de fé mais vivo e amadurecido, tomou consciência de ser chamado e de se entregar zelosa e constantemente ao dever de rezar segundo as intenções da Virgem Maria. Procurava o silêncio e a solidão para mergulhar totalmente na contemplação e no diálogo com Deus. 
Participava na missa dos dias festivos e quando podia também nos feriais. Nutriu uma especial devoção à Eucaristia e passava muito tempo na igreja, adorando o Sacramento do altar a que chama «Jesus escondido». Recitava diariamente os quinze mistérios do Rosário e muitas vezes mais, a fim de satisfazer o desejo da Virgem; para isso gostava de juntar orações e jaculatórias, que tinha aprendido no catecismo e que o Anjo, a Virgem Santíssima e piedosos sacerdotes lhe tinham ensinado. Rezava para consolar a Deus, para honrar a Mãe do Senhor, que muito amava, para ser útil às almas que expiam as penas no fogo do purgatório, para auxiliar o Sumo Pontífice no seu importante múnus de pastor universal; rezava pelas necessidades do mundo transtornado pelo pecado; rezava pela Igreja e pela salvação eterna das almas. Rezava sozinho, com os familiares, com os peregrinos, manifestando um profundo recolhimento interior e uma confiança segura na bondade divina. 
Como tivesse sabido da Virgem Maria que a sua vida iria ser breve, passava os dias na ardente expectativa de entrar no céu. E de fato tal expectativa não foi longa. Com efeito, apesar de ser robusto e de gozar de boa saúde, em Outubro do ano de 1918 foi atingido pela grave epidemia bronco-pulmonar chamada «espanhola». Do leito em que caiu não chegou a levantar-se; pelo contrário, no ano de 1919, o seu estado de saúde agravou-se. Sofreu, com íntima alegria, a sua enfermidade e as suas enormes dores, em oblação a Deus. A Lúcia, que lhe perguntava se sofria, respondeu: «Bastante, mas não me importa. Sofro para consolar Nosso Senhor e em breve irei para o céu.» No dia 2 de Abril, recebeu santamente o sacramento da Penitência e no dia seguinte foi finalmente alimentado com o Corpo de Cristo, como Santo Viático. Ao despedir-se dos presentes prometeu rezar por eles no céu. 
Entrou piedosamente na vida eterna, que veementemente desejara, no dia 4 de Abril de 1919. Foi sepultado no cemitério de Fátima, mas depois as suas relíquias foram transladadas para o Santuário, que fora construído onde a Virgem aparecera.

Beata Jacinta Marto, Vidente de Fátima (+1920)

Jacinta, a sétima filha do casal Manuel Pedro Marto e Olímpia de Jesus dos Santos, nasceu em Aljustrel, paróquia de Fátima, no dia 11 de Março de 1910. No dia 19 do mesmo mês recebeu a graça do Batismo. 
Os seus pais, que eram humildes agricultores e piedosos cristãos, deram-lhe uma sã educação moral e religiosa. Desde tenra idade mostrou o gosto pela oração, a preocupação pelas verdades da fé, prudência na escolha das amizades e um sereno espírito de obediência. De índole vivaz, expansiva e alegre, gostava de brincar e bailar; cativava a simpatia dos outros, se bem que tivesse certa inclinação a dominar e a não ser contrariada tanto que facilmente amuava e era ciosa do que lhe pertencia. Todavia, depois mudou completamente e tornou-se um modelo esplêndido de humildade, de mortificação e de generosidade. 
Logo que pôde, começou a trabalhar; em particular foi encarregada de acompanhar o irmão Francisco, um pouco mais velho do que ela, no pastoreio do rebanho. Ambos gostavam de se juntar com a prima Lúcia de Jesus dos Santos, que era também pastora de ovelhas. Deste modo as três crianças, unidas por uma grande amizade, passavam o dia inteiro nesta atividade, que, apesar de custosa, eles executavam diligentemente e com prazer, porque lhes deixava tempo para brincar e para rezar e lhes permitia usufruir das belezas da natureza. 
O que inesperadamente lhes mudou a vida, deu-se no ano de 1916: eles disseram ter visto três vezes um anjo que os exortava a rezar e a fazer penitência pela remissão dos pecados e para obter a conversão dos pecadores. A partir deste momento; a pequena Jacinta aproveitava todas as ocasiões para fazer o que o anjo lhe pedira. 
Desde o dia 13 de Maio até ao dia 13 de Outubro de 1917, juntamente com Francisco e Lúcia, teve o privilégio de ver várias vezes a Virgem Maria no lugar chamado Cova da Iria, perto de Fátima. Cheia de alegria e gratidão pelo dom recebido, quis imediatamente responder com todas as forças à exortação da Virgem Maria que lhes pedia orações e sacrifícios em reparação dos pecados que ofendem a Deus e o Imaculado Coração de Maria e pela conversão dos pecadores. 
Ao mesmo tempo dócil à ação da graça, separou-se das coisas terrenas, a fim de se voltar para as coisas celestes e voluntariamente consagrou a sua vida para entrar um dia no paraíso. Estava constantemente mergulhada na contemplação de Deus, em colóquio íntimo com Ele. Procurava o silêncio e a solidão e de noite levantava-se da cama para rezar e livremente expressar o seu amor ao Senhor. Em pouco tempo, a sua vida interior se notabilizou por uma grande fé e por uma enorme caridade. 
A propósito disto dizia: «Gosto tanto de Nosso Senhor! Por vezes julgo ter um fogo no peito, mas que não me queima». Gostava muito de contemplar Cristo Crucificado e comovia-se até às lágrimas ao ouvir a narração da Paixão. Então afirmava já não querer cometer pecados para não fazer sofrer Jesus. Alimentou uma ardente devoção à Eucaristia, que visitava freqüentemente e durante longo tempo na igreja paroquial, escondendo-se no púlpito, onde ninguém a pudesse ver e distrair. 
Desejava alimentar-se do Corpo de Cristo, mas isso não lhe foi permitido por causa da idade. Encontrava contudo consolação na comunhão espiritual. De igual modo honrou a Virgem Maria, com um amor terno, filial e alegre e constantemente correspondeu às suas palavras e desejos; muitas vezes honrava-a com a recitação do rosário e com piedosas jaculatórias. 
O seu desejo de sofrer tornou-se mais notório durante a longa e grave doença que a atingiu a partir de Outubro do ano de 1918. Contaminada pela epidemia bronco-pulmonar, a que chamavam «espanhola», o seu estado de saúde agravou-se a pouco e pouco, de tal forma que teve de suportar a idéia de ter de ser operada. Sabendo que lhe restava pouco tempo de vida, multiplicou os sacrifícios, as penitências e as privações de forma a cooperar até ao máximo das suas possibilidades na obra da Redenção. Porém, o que lhe custou mais foi o ter de deixar a família a fim de ser tratada num hospital. Prevendo morrer sozinha, isto é, longe dos seus queridos familiares, disse: «Ó meu Jesus, agora podes converter muitos pecadores, porque este sacrifício é muito grande!»
No dia 20 de Fevereiro do ano de 1920 pediu os Sacramentos. Apenas recebeu o Sacramento da Penitência: consciente de estar próxima da morte, pediu o Sagrado Viático, mas o sacerdote, não obstante as suas insistências, adiou-o para o dia seguinte. 
Naquele mesmo dia à noite, longe dos pais e dos conhecidos, morreu no hospital de Lisboa, onde desde há algum tempo se encontrava internada. Alcançara finalmente a meta dos seus desejos: a vida eterna. 

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100220&id=11330&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100220&id=11331&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=48401&language=PT&img=&sz=full
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=51475&language=PT&img=&sz=full

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

São Conrado de Placência, Confessor (+1351), 19 de Fevereiro

Talvez os ecologistas não simpatizassem muito, a princípio, com este santo. Durante uma caçada a lebres e faisões, antes de viver sua conversão, Conrado ateou fogo a uma floresta. Os camponeses revoltaram-se porque tiveram muitos prejuízos. O governador da cidade condenou à morte o primeiro suspeito, um homem que, naquela ocasião, estava no bosque. O verdadeiro culpado, Conrado Confalonieri, quando soube que um inocente pagaria por ele, confessou-se culpado e propôs-se a pagar os prejuízos. Assim fez, tornando-se muito pobre.
Mas ninguém conhece os caminhos do Senhor. O caçador incendiário ingressou na Ordem Terceira de São Francisco. Em 1315, a esposa, Eufrosina, inflamada pelo zelo do marido, entrou para o convento franciscano de Santa Clara de Placência. 
Conrado também tornou-se frade. Levava uma vida errante, mudando de mosteiro a cada momento. Mas era muito bom e piedoso. Em 1343 chegou a Siracusa, na Sicília, e estabeleceu-se na cidade de Noto. Escolheu como habitação uma cela ao lado da igreja do Crucifixo. A fama de sua santidade seguia-o como a sombra e comprometia a paz e o silêncio de que tanto gostava. 
Quando percebeu que as muitas visitas perturbavam a sua vida de oração, frei Conrado levantou acampamento e foi humildemente para uma solitária gruta dos Pizzoni, que foi depois chamada de gruta de São Conrado. Aí morreu a 19 de fevereiro de 1351. 
Frei Conrado foi sepultado na mais bela entre as esplêndidas igrejas de Noto: a igreja de são Nicolau que em 1844 se tornou a catedral da nova diocese. Em suma, Conrado abandonou a vida de incendiário de florestas e teve a vida toda incendiada do amor de Deus, para o bem das almas. 

Ver também: São Gabino da Dalmácia
http://hagiosdatrindade.blogspot.com/2009/02/sao-gabino-da-dalmacia-presbitero-e.html

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100219&id=10310&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=43780&language=PT&img=&sz=full

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Beato João de Fiesole (Fra Angélico), Pintor Renascentista, Religioso (+1455), 18 de Fevereiro

Guido de Pietro nasceu em 1387, na cidade de Mugelo (Toscana, Itália). Até o final da juventude foi pintor de quadros na cidade de Florença, quando se decidiu pela vocação religiosa. Em 1417, ingressou na congregação de São Nicolau, onde permaneceu por três anos. Depois, junto com seu irmão Bento, foi para o convento dominicano de Fiesole, no qual se ordenou sacerdote adotando o nome de João. 
A ação dos seus dons de santo e de artista desenvolveu-se de forma harmoniosa, no clima de alta perfeição espiritual e intelectual encontrado no convento. Assim, pôde fazer da pintura a sua principal obra evangelizadora, ao se tornar um Frade Pregador desta Ordem. 
Pela singeleza e genialidade de sua figura passou a ser chamado de "Beato Angélico" ou "Fra Angélico", nome que ficou impresso inclusive no mundo das artes. Este frade-pintor foi um dom magnífico feito por Deus para a Ordem, pois deu também um imenso auxílio financeiro aos co-irmãos, porque, obedecendo ao voto de pobreza, destinou à Ordem todos os seus ganhos como artista, que eram tão expressivos quanto a sua genialidade. 
A santa austeridade, os estudos profundos, a perene elevação da alma a Deus, mediante as orações contemplativas, apuraram o seu espírito e lhe abriram horizontes ocultos. Com este preparo e com seus mágicos pincéis, pode proporcionar a todos o fruto da própria contemplação, representando o mais sagrado dos poemas, a divina redenção humana pela Paixão de Jesus Cristo. 
As suas pinturas são uma oração que ressoa através dos séculos. Esta alma de uma simplicidade evangélica soube viver com o coração no céu, consagrando-se num incessante trabalho. 
Entre 1425 e 1438, viveu retirado, onde retomou o trabalho pintando os frescos de quase todos os altares da igreja do convento de Fiesole. Depois, foi a vez do convento de São Marcos, em Florença, onde deixou suas obras impressas nos corredores, celas, bibliotecas, claustros, ao longo de seis anos.
A partir de 1445, foi para Roma, onde trabalhou para dois papas: Eugênio IV e Nicolau V. Este último tentou consagrá-lo bispo de Florença, mas Fra Angélico recusou com firmeza, indicando outro irmão dominicano. 
Retornou para o convento de Fiesole, cinco anos depois, no qual foi eleito o diretor geral. Ali trabalhou com seu irmão Bento, que nomeou inicialmente como seu secretário e, depois, conseguiu que fosse eleito seu sucessor, em 1452. Frei João de Fiesole, voltou para Roma, onde morreu no dia 18 de fevereiro de 1455. 
Fra Angélico, que nunca executou uma obra sem antes rezar uma oração, foi beatificado pelo papa João Paulo II em 1982, que indicou sua festa litúrgica para o dia de sua morte. Muito antes, a sua sepultura no convento de Santa Maria sobre Minerva se tornara o local escolhido pelos peregrinos que desejavam prestar-lhe homenagem, devido à sua genialidade artística, que podia ser apreciada nos museus do mundo, e ao seu caráter sincero carregado de profunda santidade. 
Dois anos depois, o mesmo pontífice o declarou "Padroeiro Universal dos Artistas", uma honra pela sua obra evangelizadora que promoveu a arte sacra através dos séculos.

Fontes:
http://www.evangelhoquotidiano.org/main.php?language=PT&module=saintfeast&localdate=20100218&id=11715&fd=0
http://www.evangelhoquotidiano.org/zoom_img.php?frame=51062&language=PT&img=&sz=full
http://www.christusrex.org/www2/art/images/beato27.jpg